A importância de rever os gastos do mês anterior

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Eu tenho o costume de analisar todos os gastos do mês anterior, logo depois que o mês termina.

Como eu e o marido anotamos todos os gastos no aplicativo Minhas Economias, fica bem fácil fazer essa análise pelo celular mesmo, já que tudo se concentra em um único local.

O objetivo é procurar gastos que foram por impulso, e analisar gastos desnecessários.

Essa revisão dos gastos não serve para evitar gastos, pois como sempre digo, dinheiro não foi feito só para ser guardado, foi feito para ser gasto também.

Essa revisão serve para evitar dinheiro mal gasto, ou seja, quando compro algo por impulso e depois aquilo fica esquecido em algum canto da casa. É esse tipo de gasto que eu quero evitar.

Quando identifico alguma compra mal feita, penso como poderia agir diferente na próxima vez, e assim, de compra em compra, vou me aprimorando para usar muito bem o dinheiro.

Vou dar um exemplo recente. Eu comprei alguns jogos americanos, mas quando comecei a usa-los no dia-a-dia, percebi que um detalhe passou despercebido no momento da compra. Esse detalhe, que é como se fosse uma linha de costura que deixa o jogo americano todo fofo, mas ordinário na hora da limpeza, já que a sujeira entra ali dentro e preciso de uma pequena escovinha para manter tudo limpo. Então decidi que o próximo jogo americano que eu for comprar, será todo liso, sem esse tipo de detalhe.

Outro exemplo (desta vez foi a do marido) foi uma sapatilha de bicicleta que meu marido comprou. Para economizar, ele escolheu uma sapatilha barata que importou da China, apesar de eu ter insistido muito para comprar uma da Shimano. Pois bem, na hora em que ele abriu o pacote, ele já se arrependeu de ter comprado essa da China, pois a qualidade era infinitamente inferior. Quando calçou, se arrependeu mais uma vez, pois era desconfortável. A sapatilha da Shimano que custava 7 vezes mais, durou por quase 10 anos, infelizmente, esse da China não vai durar nem 1 ano.

Quando fazemos essas análises mensais, evitamos persistir em fazer compras erradas. Faço pelo menos 12 revisões orçamentárias por ano (1 por mês), além de 1 revisão minuciosa no fim do ano (quando avalio se estou pagando o valor certo pela internet, se o preço do aluguel que pagamos está de acordo com o mercado imobiliário, se gastamos excessivamente em alguma categoria, etc).

Essas atitudes tem feito um bem danado na saúde orçamentária familiar, pois “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”.

~ Yuka ~

Estafa infantil e a semana cheia de compromissos

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Essa semana, recebi um telefonema de que minha filha mais velha havia ganhado uma bolsa de estudos para fazer cursos complementares. Perguntei que tipo de cursos estavam disponíveis e a pessoa me disse que havia de informática, robótica entre outros.

Só que comecei a lembrar que durante a semana, já temos pouco tempo juntas. Depois lembrei que as aulas seriam online, ou seja, no computador. Passado a a minha empolgação inicial, agradeci e recusei a bolsa explicando que minha filha era pequena demais para ficar mexendo em computador.

Ela já fica em uma escola de período integral e tem aulas de informática, música, inglês, artes. Também é estimulada a falar japonês, porque eu e minha mãe conversamos em japonês.

Eu sou a favor da criança ter oportunidades, mas tudo tem seu momento certo. Nesta idade em que elas estão, eu prefiro que elas brinquem, baguncem e socializem.

As crianças estão cada vez mais precoces, com comportamentos similares aos adultos, sempre com celular na mão, estressados, ansiosos, se vestindo e se comportando como adultos.

Fui até procurar na internet se existia a palavra “adultização”, e não é que existe?

“A adultização é o processo de querer acelerar o desenvolvimento das crianças para que se tornem logo adultas. A adultização provoca perda da infância, da socialização, da coletividade e do mais importante, a fase do brincar livremente.” Fonte Portal Raízes

É natural que com a idade, elas percam a inocência de enxergar através dos olhos de uma criança. Aquela curiosidade em saber para onde a formiga está indo, de querer saber qual o sabor da chuva, de achar que a lua está nos seguindo… tudo isso tem limite de idade para acontecer.

As crianças são seres inquietas e curiosas. E muitos pais abrem mão da criança ser criança para transformá-las em atletas do mercado profissional.

Com o tempo, descobrimos que a formiga é suja, que a pomba traz doença, que a chuva incomoda, que ficar com meias molhadas não é legal, que precisamos trabalhar para pagar as contas, e que mesmo não querendo, nossas semanas serão preenchidas com tarefas profissionais e obrigações domésticas.

Não é de hoje que algumas mães vêm compartilhar para mim que seus filhos de 5 anos já sabem ler e escrever, que já fazem diversos cursos, já sabem mexer no celular, fazem download de aplicativos no tablet etc.

Bom, minha filha que acabou de fazer 7 anos ainda não sabe ler e escrever. Está sendo alfabetizada agora na escola, pois está na primeira série do ensino fundamental. E apesar das cobranças e comparações externas, não tenho pressa, pois sei que ela está aprendendo no seu tempo.

Na escolinha, vejo crianças maquiadas, com batom na boca, delineador nos olhos e unhas pintadas.

Já faz um tempo que eu desenhei em uma folha, a linha de tempo de uma pessoa: a fase bebê, criança, adolescente, adulto e idoso para mostra-la como a fase em que ela se encontrava neste momento, era curta e que logo ela entraria numa outra fase. Ao ver aquela curtíssima linha da infância, ela se convenceu de que deve aproveitar a infância, deixando de lado curiosidades que poderão ser exploradas mais tarde, que ela poderá se maquiar mais tarde, mas não poderá voltar a ser criança.

Minhas filhas podem não saber o que a maioria das crianças hoje sabem. Mas elas sabem de muitas coisas que as crianças de hoje não sabem.

Talvez antes dos pais se preocuparem em adultizar os filhos, deveriam formar pessoas. Antes de aprender um novo idioma, a criança deveria aprender a falar obrigado, por favor, com licença. Antes de fazer diversos cursos, a criança poderia aprender a ter modos na mesa, a ser responsável pelos seus brinquedos, ensinar a doar brinquedos que não usa mais.

Eu sou a favor de formar humanos com corações melhores.

– Yuka –

A Jornada FIRE e como acontece as mudanças na rota

Antes de mais nada, estou em débito com as pessoas que comentaram nos dois posts anteriores a este, mas esta semana deixo tudo em dia, tá?

Bom, continuando o post da semana passada “Por que eu desisti de procurar pelo emprego perfeito“, hoje eu vou contar o desmembramento de todo meu raciocínio até chegar na decisão de me manter no emprego.

Em 2015, nasceu a minha primeira filha.

Junto com o nascimento dela, nasceu também a vontade de parar de trabalhar, para poder ficar perto dela.

Claro que não consegui, pois não tinha grandes reservas financeiras, e eu não poderia simplesmente me afastar do trabalho por 1 ou 2 anos para curtir a minha bebê.

Assim que retornei da licença maternidade por livre e espontânea obrigação, meu leite secou, e por mais que eu tentasse e insistisse, não consegui mais amamenta-la. Esse foi um dos grandes fatores da minha frustração ao retornar ao trabalho, já que eu senti como se algo tivesse sido arrancado de mim.

Apesar da minha filha já ter iniciado a introdução alimentar, era eu que não estava preparada emocionalmente para romper este laço de amamentá-la de forma complementar.

Foi só nesse momento que eu compreendi como eu estava presa no sistema, e que esse “algo” que eu sentia que havia sido arrancado de mim, era a LIBERDADE.

Descobrir sobre a existência do termo FIRE – Financial Independence Retire Early – abriu novos horizontes para mim. Foi como se um clarão no céu tivesse iluminado o meu caminho. Para minha sorte, não tive nenhum trabalho para convencer o marido. Com fogo nos olhos e muita determinação, mostrei o gráfico dos juros compostos para ele, e esses dois fatores já foram suficientes para convencê-lo de que o plano aparentemente utópico de aposentar cedo poderia sim, ser possível.

Desde então, passaram-se alguns anos. Minha segunda filha nasceu, o patrimônio cresceu.

Hoje eu posso dizer que tenho uma tranquilidade financeira jamais sentida.

Desde o início da jornada FIRE, conforme o patrimônio crescia, meu sentimento em relação ao trabalho também se transformava junto. Só que ainda não estava tão claro como está hoje para mim. Tenho convicção de que alguns fatores foram essenciais para que meu pensamento mudasse em relação ao trabalho:

A Pandemia

A pandemia começou em março de 2020, e minha empresa permitiu o teletrabalho. Fiquei mais tempo em casa do que gostaria, somado com a sobrecarga do trabalho, entrei em depressão. Durante esse período que foi bastante nebuloso para mim, fui bastante acolhida pela minha equipe, que suportaram minhas constantes crises de choro.

A sexta-feira que sempre foi um dia especial para mim, já não tinha mais graça. O fim-de-semana que eu fazia coisas bacanas também tinha perdido a graça. A sexta-feira parecia segunda-feira, e sábado se parecia com qualquer dia. Antes da pandemia, eu programava meus dias para aproveitar melhor, mas estando todos os dias em casa, isso também havia perdido a graça.

Tudo bem que estou falando de um período que foi difícil para todos nós, e sei que não posso comparar uma vida FIRE com a vida da pandemia. Mas o fato é que eu tive a oportunidade de trabalhar em casa por 1 ano e meio, e eu odiei. Definitivamente, home-office não funcionava para mim.

Retornar ao trabalho presencial foi muito bom. Foi muito bom reencontrar o pessoal do trabalho. Foi muito bom ter a rotina estabelecida novamente. Era como se eu tivesse recuperado uma parte de mim que havia ficado para trás.

Ter tempo disponível demais não era tão bom quanto imaginava. Eu percebi que quando eu tinha menos tempo, acabava me organizando melhor durante a semana. Desempenhar bem as atividades “obrigatórias”, fazia com que as atividades de lazer se tornassem mais intensa, mais prazerosas.

Quando comprei uma máquina Nespresso em 2013, tomar café havia se tornado um evento. Mas quando passei a tomar com uma frequência alta, o Nespresso acabou perdendo a graça, pois se transformou em um café comum. Eu e o marido, ao percebermos isso, deixamos de tomar todos os dias e passamos a tomar apenas nos fins de semana, porque não queríamos perder essa sensação de “ai que café gostoso”.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo em relação ao trabalho. Eu não queria que minha sexta-feira perdesse a graça, que meus finais de semana não fossem aproveitados ao máximo, não queria achar que tenho tempo suficiente e ficar empurrando todos os meus projetos para fazer um dia, talvez.

O vídeo do Takeshi Yoro

Takeshi Yoro é Professor Emérito do Departamento de Anatomia da Faculdade de Medicina da Universidade de Tokyo. Foi por acaso que o vídeo de 8 minutos dele foi sugerido para mim. O professor fala em japonês, NÃO RECOMENDO que assistam o vídeo utilizando o tradutor, pois a tradução está sem pé nem cabeça.

Segue uma pequena transcrição do vídeo:

“Eu tenho uma opinião a respeito do trabalho.

Sobre o que queremos fazer…

Esta frase que aparentemente simples e clara, na verdade, carrega muitas complexidades.

Quando decidimos escolher um determinado trabalho ou profissão, na maioria das vezes e na maior parte do tempo, somos obrigados a fazer todo e qualquer tipo de atividade.

Eu decidi ser médico por querer atender pacientes, mas em pouco tempo entendi que paciente não se escolhe, são eles que vêm até nós. Se surge um paciente com infarto, não posso falar que não quero atendê-lo. Também não posso deixar de atender pessoas saudáveis que fingem estar doentes.

Então se eu decido por uma especialidade médica, por exemplo anatomia humana para não ter que atender estes pacientes, logo começo a entender que também não posso fazer só o que eu gosto e o que convém.

Quem decide pela especialidade anatomia humana, também faz pesquisa. Para fazer pesquisa, preciso de doação de corpos, e esta doação, pode acontecer a qualquer momento. Como as doações são escassas, não posso falar que não aceito doações no Ano Novo. Também não posso pedir para a pessoa morrer em horário comercial.

Por mais que eu goste de anatomia, preciso entender que outras atividades que não gosto também faz parte do pacote. Ou seja, para fazer o que gosto, também tenho que aceitar as coisas que não gosto de fazer.

Partindo deste pressuposto, o que é mais fácil, trocar de emprego a todo momento ou mudar a mentalidade?

Quando aceitamos isso, conseguimos distinguir de forma clara as atividades que gostamos e as atividades que não gostamos no trabalho.

Então eu finalmente compreendi que era indiferente fazer o que eu gostava e fazer o que eu não gostava, porque no final, era a mesma coisa:

  • trabalhar no que gosto também faz com que eu tenha atividades das quais não gosto
  • trabalhar no que não gosto também faz com que tenha atividades das quais gosto

Eu demorei mais de 10 anos para entender isso.”

~ tradução livre e adaptado de uma palestra do Takeshi Yoro ~

E é bem isso que aconteceu no meu trabalho.

Eu tenho algumas coisas das quais não gosto no trabalho, mas tenho muito mais coisas que gosto. E entendi que caso eu saia do trabalho atual e vá para uma outra área, também terei coisas que gosto e coisas que não gosto, com o agravante de que posso não suportar as coisas que não gosto, enquanto no meu trabalho atual, eu aceito bem as coisas que não gosto.

Filhos em idade escolar

Com as crianças em idade escolar e o marido em pleno vapor no trabalho, não posso sair viajando por 1 ou 2 anos como se eu fosse uma pessoa solteira.

Enquanto elas forem pequenas e dependentes, minha prioridade será sempre a família.

Fugir nem sempre é a melhor opção

Houve tempos em que eu não queria estar no trabalho, eu queria mudar de emprego, eu queria ficar em casa sem fazer nada.

Já enfrentei pessoas difíceis no trabalho, projetos difíceis, e a única coisa que eu queria era fugir dali para ter paz.

Mas eu permaneci (porque não tinha outra opção).

Passados alguns anos, olho para trás e consigo perceber que estar no trabalho em fases difíceis, me fez aprender a lidar com o diferente, a conversar e aceitar pessoas com pensamentos diferentes. Tive que lidar com as minhas inseguranças, enfrentar meus medos. Compreendi que quando se estende a mão primeiro, a maioria das pessoas também estenderão a mão quando você precisar. Me ensinou a ter paciência, a respeitar o tempo do outro, de que não tenho controle sobre tudo.

Fiquei pensando que se eu tivesse largado tudo para evitar sofrimento, eu não teria todas as percepções e experiências que eu tive. Será que eu teria amadurecido tanto?

Não preciso sair do emprego, só preciso de férias

Se eu tivesse pedido demissão do meu emprego para viajar por algum tempo, eu sei que em alguns meses, teria enjoado das viagens e iria querer a minha rotina de volta.

Quando viajei para o Japão para ficar 30 dias, no vigésimo dia já estava querendo ir para casa, porque tomar decisões todos os dias cansa. Decidir o roteiro turístico do dia, a hospedagem da semana que vem, verificar os pontos turísticos da cidade, descobrir os bairros que devem ser evitados, sair de casa todos os dias para conhecer algo novo, conhecer pessoas novas todos os dias, tudo isso sai da rotina e se torna exaustivo. Tanto que meus últimos 5 dias de viagem, eu fiquei passeando só pelo bairro, não queria mais conhecer lugares novos, nem fazer viagens longas para conhecer outras cidades.

Tem gente que gosta, mas eu sei que não conseguiria.

Foi aí que eu percebi que eu não precisava pedir demissão do emprego, eu só preciso de férias.

Aceitar que temos mais dos nossos pais do que gostaríamos

Todos nós temos comportamentos oriundos do histórico da nossa vida. Muito desse histórico determina o que somos hoje.

Ter visto a minha mãe passando necessidade, quando de repente virou viúva aos 35 anos de idade com 3 filhas pequenas, afetou a minha percepção em relação ao dinheiro, quando minha primeira filha nasceu.

Eu lembro de ter falado repetidamente a mesma frase que minha mãe sempre falou, que nós não ficaríamos desamparadas financeiramente, caso ela morresse, que conseguiríamos terminar os estudos e fazer faculdade, pois estava juntando dinheiro suficiente para isso.

Eu também tenho esse mesmo sentimento em relação às minhas filhas, pois desde que elas nasceram, tive medo da história da minha mãe se repetir comigo.

Após alguns anos poupando boa parte do salário, a tranquilidade financeira que sinto hoje me traz paz por saber que em caso de minha ausência, minhas filhas não ficarão desamparadas.

Sinto paz em saber que eu e meu marido teremos uma vida financeira confortável e promissora.

E finalmente a cereja do bolo…

Outro ponto crucial nessa jornada FIRE, foi chegar num valor de patrimônio que me fez entender que estou no trabalho PORQUE EU QUERO, e não PORQUE PRECISO. Quando minha filha nasceu há 7 anos, eu voltei para o trabalho depois da licença-maternidade, porque precisava do dinheiro, não porque eu queria. Já quando voltei a trabalhar depois de tomar a vacina da COVID-19, eu voltei porque eu queria, não porque precisava. Ter essa consciência fez total diferença para mim.

A mesma coisa havia acontecido com o meu marido há alguns anos. Ele não gostava do trabalho, mas conforme nosso patrimônio foi crescendo e quando ele percebeu que já recebíamos renda passiva superior ao salário dele, algo dentro dele mudou. Ele não se sentia mais intimidado com as ameaças do chefe, pois estava no controle. De repente, percebeu que estava gostando do trabalho.

E agora, isso aconteceu comigo também. Quando o dinheiro passou a não ser o protagonista do motivo de eu acordar cedo todos os dias, as coisas ficaram mais leves.

Os desavisados podem até pensar que andei, andei, andei e voltei para o mesmo lugar, de que continuo no trabalho, mas tenho que discordar. Eu sou uma pessoa completamente diferente de 7 anos atrás, apesar de estar ainda no mesmo trabalho.

Há uma frase da qual não sei a autoria, de que o tempo é como um rio. Nós nunca podemos tocar na mesma água duas vezes, porque a água que já passou, nunca passará novamente.

Faço essa relação também comigo. Eu entrei nessa jornada de uma forma, e conforme fui trilhando o caminho, aprendi muitas coisas, minhas percepções sobre a vida mudaram um pouco, a minha relação com o trabalho também mudou, a minha forma de encarar o dinheiro também mudou.

Eu vi transformações e evoluções no meu comportamento.

A minha ideia inicial era ser FIRE aos 50 anos. Depois de alguns anos, os cálculos me mostraram que era amplamente possível ser FIRE aos 45 anos. E recentemente, depois de algumas contas, descobri que se ajustasse a minha carteira para geração de renda passiva, eu poderia declarar FIRE a qualquer momento, aos 40 anos de idade.

Eu poupei um patrimônio razoável em um curto espaço de tempo, uma proeza que eu não sei se seria capaz de repetir a dose.

Para mim, foi crucial ter entrado nessa “batalha” interna do FIRE. Digo batalha, porque foi exatamente isso que eu fiz. Eu reduzi custos, com o desafio de não reduzir qualidade de vida. Investi todo e qualquer dinheiro extra, décimo terceiro, restituição do imposto de renda, trabalho extra do marido, moeda que encontrava perdida no fundo do bolso… Devorei diversos livros em tempo recorde. Eu era um trator em busca de textos de pessoas que estavam na mesma situação que eu, vivendo e respirando a jornada FIRE.

O minimalismo também foi essencial para a minha permanência saudável na vida FIRE, pois foi com o minimalismo que eu aprendi a aumentar os gastos em coisas que eram importantes para mim, e a reduzir drasticamente em coisas que não eram importantes. Atribuo a minha satisfação durante a jornada FIRE e a ausência de grandes frustrações e sensação de escassez graças a esse estilo de vida, de reduzir custos em coisas desnecessárias e viver de forma abundante nas coisas necessárias.

Hoje, vivo numa casa repleta de coisas que me dão prazer, que me dá sensação de paz e de aconchego, sem coisas em excesso, apenas com coisas que amo.

Eu já fiz tudo o que eu poderia fazer, agora, o tempo se encarregará de multiplicar o que eu comecei.

Ainda não preciso usar o patrimônio para viver, pois pretendo continuar trabalhando.

Enquanto isso, vivo como se nada tivesse mudado na minha vida, mas seguindo muitos dos ensinamentos do livro Die With Zero.

Foi graças à leitura deste livro que eu decidi mudar para um apartamento que comportasse alguns dos nossos sonhos: poder reativar meu ateliê onde faço artesanato e costura. Poder organizar uma oficina para mim (aliás, minha mais nova aquisição é uma serra elétrica para cortar madeiras).

Meu marido também tem seu tão sonhado escritório, um quarto só para ele para ele trabalhar em paz, curtir sua música e quem sabe, até mesmo retomar a tocar bateria, afinal, agora temos espaço suficiente para abraçar todos os nossos sonhos que estavam no modo “pausa”

Hoje tenho uma vida confortável e um futuro promissor, graças à jornada FIRE.

~ Yuka ~

Por que eu desisti de procurar pelo emprego perfeito

Desde que alcancei um determinado valor de patrimônio e de renda passiva, o dinheiro passou a não ser mais uma preocupação na minha vida.

Se antes eu estava com a ideia fixa para ser FIRE (Financial Independence Retire Early) para poder sair do emprego, hoje, a situação mudou.

Não que eu tenha paixão pelo que faço, mas sinceramente? Eu gosto do meu trabalho. Gosto de me arrumar para ir ao trabalho, de encontrar as pessoas, gosto das atividades que desempenho, gosto da forma que a minha equipe interage comigo, gosto de receber meu salário todos os meses, do local onde fica meu trabalho (bem localizado e de fácil acesso), gosto de ter a minha rotina bem estabelecida.

Quando eu ainda tinha uma meta financeira a ser alcançada, o dinheiro ocupava um lugar importante na minha vida. Eu gostava de fazer os fechamentos mensais, de calcular rendimentos, descobrir quanto de renda passiva estava recebendo, quanto tempo faltava para ser FIRE, além de acompanhar o desempenho da bolsa brasileira e americana.

Após a descoberta de que eu já tinha acumulado patrimônio suficiente, a vontade de sair do emprego começou a diminuir e comecei a enxergar todas as coisas positivas do meu trabalho. Não que eu já não soubesse das coisas positivas, mas com o tempo eu entendi que eu não estava mais trabalhando porque precisava, e sim porque eu queria. Não era mais obrigação, poderia sair a qualquer momento se assim eu desejasse. Trabalhar tinha se transformado em algo opcional, ou seja, eu estava no controle.

Foi aos poucos que eu entendi 2 coisas:

1.) Eu não preciso procurar por um emprego perfeito

Porque convenhamos, qualquer emprego que eu fosse escolher, sempre, sempre terei prós e contras.

A questão é quais prós eu quero, e quais contras eu aceito. No meu trabalho atual, eu tenho muito mais prós do que contras. Reconheço que qualquer outro emprego que eu procurasse, teria muito mais contras do que prós.

2.) Posso ter diversas habilidades e não preciso transformar um hobby em uma profissão

Eu já tive diversos hobbies que poderiam ser transformados em atividades remuneradas.

Desde educação financeira, reforma de imóveis, lettering, scrapbooking, jardinagem, cartonagem, confecção de bijuterias, sabonetes artesanais, lembranças de casamento e de maternidade, corte e costura, patchwork, edição de vídeos, sei fazer pequenos trabalhos de marcenaria, além de claro, desempenhar atividades da minha área de formação acadêmica… e olha que eu não contei nem metade das coisas que gosto de fazer.

O que eu percebi é que posso continuar fazendo tudo isso sem transformar em obrigação, sem transformar em trabalho. Posso costurar quando eu quiser, posso fazer bijuterias com minhas filhas, fazer pequenos móveis para mim, comprar um imóvel, reformar e vender, porque é isso, eu não preciso ser uma única pessoa, não preciso ter uma única paixão, nem uma única habilidade. Posso ter diversas paixões, em momentos distintos da minha vida.

Eu ainda tenho vontade de fazer um curso de cerâmica artesanal, aprender a técnica de soprar vidro, pintura em aquarela…

Então ao invés de focar no que eu não tenho, ou no que eu ainda não encontrei, ou o que as pessoas querem que eu encontre, eu estou focando no que está na minha frente. E na minha frente, eu tenho um trabalho agradável, uma família incrível que me admira e me acolhe, tenho um ateliê que me permite fazer (quase rs) tudo que eu quero. Eu crio coisas, porque isso faz bem para mim, faz bem para a minha saúde mental, é quando entro em flow (quando experimento uma sensação de plenitude, de satisfação e nem percebo o passar do tempo, nem o barulho externo).

Se eu transformasse meus hobbies em trabalho, ele se transformaria em obrigação. Este blog só funciona bem, porque não é obrigação para mim.

Ao invés de ir em busca de um emprego perfeito (que nem acredito que exista), eu preferi transformar o setor em que trabalho da qual sou responsável, em um local agradável, com pessoas que se importam com o bem-estar coletivo.

Assim, quero deixar bem delimitado que trabalho é trabalho, e hobby é hobby. Quero que muitas das atividades que faço atualmente por hobby, continue me oferecendo felicidade e leveza.

~ Yuka ~

Você prefere ser RICO (qualidade de vida) ou PARECER RICO (padrão de vida)?

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Outro dia, conversando com uma amiga, surgiu o assunto de um conhecido que era rico. Morava em um apartamento bonito, viajava todos os anos para o exterior, tinha uma profissão consolidada, o carro do ano…

E fiquei pensando… isso pode até ser a definição de um rico, mas será que a pessoa é rica de verdade? Ou ela só parece ser rica? Afinal, é só prestar um pouco mais de atenção para perceber que há muitos pobres que parecem ricos.

Quem apenas parece ser rico, costuma viver um padrão de vida acima do que a renda permite. Gasta o dinheiro em coisas mensuráveis, já que o intuito é mostrar, provar para os outros o “sucesso” que alcançou, afinal, esse tipo de sucesso é muito visível. Gasta o dinheiro elevando o padrão de vida, pois acredita que assim, está aumentando a qualidade de vida.

Só que uma coisa é padrão de vida, e outra coisa é qualidade devida.

Quem tem um padrão de vida elevado, pode até trazer status, mas não necessariamente, qualidade de vida,

Quem tem uma qualidade de vida elevada, não necessariamente tem padrão de vida elevado, nem pode trazer status.

No momento que compreendermos a exata diferença entre os dois, saberemos se estamos gastando dinheiro em qualidade de vida ou padrão de vida.

Cada pessoa tem o seu próprio entendimento sobre qualidade de vida.

Tem gente que gasta dinheiro comprando apartamentos cada vez maiores, carros cada vez mais potentes, roupas cada vez mais caras. Só que essas coisas não necessariamente trazem qualidade de vida.

Veja que o problema não é morar em apartamentos de alto padrão localizados em bairros nobres, ter plano de saúde com cobertura total, dirigir carros exclusivos, usar roupas de grife, ou ir em busca de entretenimento de luxo.

O problema é fazer isso sem ter condições reais, ou seja, viver uma vida de aparência, para impressionar os outros.

Aprender a gastar dinheiro em coisas que aumentam a qualidade de vida pode trazer benefícios para a vida toda, mas é preciso compreender que é algo pessoal, ou seja, cada um terá que descobrir o que significa qualidade de vida.

Para algumas pessoas, qualidade de vida é morar numa casa com quintal grande. Para outras, qualidade de vida é poder morar em um bairro bom de uma grande capital.

Eu por exemplo, sempre mantive um padrão de vida abaixo do que eu poderia ter, mas sempre fui em busca para ter uma alta qualidade de vida. Hoje não preciso me preocupar com dinheiro, tenho um casamento saudável, moro numa casa que me traz bem estar, moro em um bairro agradável, tenho um trabalho que sou respeitada, estou com a saúde em dia, tenho meus amigos, gosto do meu estilo de vida e tenho consciência do caminho que trilhei para chegar onde estou atualmente.

Agora, tem gente que mesmo depois de saber exatamente a diferença entre padrão de vida e qualidade de vida, ainda assim vai preferir escolher viver no padrão errado, fingindo viver uma vida que não é dela.

Tem pessoas que escolhem viver para manter o padrão de vida. São pessoas que tornaram escravas do consumo, do estilo de vida que criou.

Para essas pessoas, só há uma frase para compartilhar: bem-vindo à corrida dos ratos.

~ Yuka ~

Questionar a rotina é o primeiro passo para viver com menos

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Nós crescemos e somos inseridos em um ambiente de constante estímulo ao consumo. Somos incentivados a comprar e descartar, comprar e desperdiçar, comprar sem precisar.

O consumismo em excesso é algo que precisamos manter distância, porque as indústrias nos manipulam demais, nos fazendo consumir da forma errada: ressaltando nossas fragilidades, medos, sensação de escassez e de urgência, além da sensação de pertencimento.

Nos fazem desacreditar nas nossas forças, jogam nossa autoestima no chão com o objetivo de consumirmos cada vez mais.

Para quem quer viver com menos, questionar a própria rotina pode ser um início interessante.

Um dos questionamentos mais simples que podemos fazer é por que devemos ter tantas roupas no guarda-roupa, se só temos apenas 1 corpo? Veja que quando temos roupas em excesso, o guarda-roupa tende a ficar mais bagunçado, mais amarrotado, difícil de encontrar as peças. Temos mais trabalho, mais roupas para lavar, mais roupas para passar, mais espaço para armazenar.

Passar roupa é outra coisa que podemos avaliar se é tão necessário. Passar lençóis, as fronhas, as toalhas de mesa, panos de prato, roupas de casa, pijama… Por que precisamos passar lençol, fronha, se na primeira noite que dormimos, tudo já fica amarrotado?

Por que insistimos em usar sapatos de salto alto se sabemos que são desconfortáveis? Para ficarmos 10 cm mais alta? E qual a vantagem de parecer mais alta? Eu tinha uma chefe que usava saltos altíssimos no trabalho, ela falava que usava porque era confortável, que parecia um chinelo para ela, mas ela sempre andava escorando nas pessoas, e na sala dela, estava sempre descalça, massageando a sola do pé. Tudo isso em nome da beleza.

É claro que as indústrias nunca incentivariam para que resgatássemos um móvel antigo na casa da vó para restaurar. Não querem que compremos roupas de segunda mão, por isso a moda é tão cíclica, criam a necessidade de estarmos sempre em dia com a moda.

Se não temos dinheiro à vista, será que precisamos tanto comprar um carro financiado, um imóvel financiado, pagando juros altíssimos para os bancos?

Será necessário mesmo dar e receber presentes em datas criadas por outras pessoas que apenas tinham o intuito de lucrar a própria empresa? Comprar mesmo não tendo dinheiro, mesmo não precisando de nada, mesmo nem sendo tão íntima daquela pessoa…

Será que é normal passar tanto tempo limpando a casa? E se tivéssemos menos coisas? Não seria mais fácil passar um pano em um cômodo livre de bagunça?

Quando permitimos que os outros ditem o que devemos fazer para alcançar a felicidade, entramos na armadilha do consumismo em excesso. O resultado disso? Menos tempo, mais pressão, menos dinheiro, mais preocupação, mais comparação.

Fazer questionamentos é um ótimo exercício para ir em busca da própria felicidade.

~ Yuka ~

Viver de aluguel: vivendo melhor, mas gastando o mesmo valor

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A ausência da publicação de um post no domingo passado teve um bom motivo: eu fiz uma mudança residencial. Sim, de novo.

Bom, eu moro de aluguel desde que saí da casa da minha mãe para fazer faculdade. Na época eu tinha 17 anos e hoje tenho 40.

Eu até comprei um imóvel para morar em 2013, mas acabei casando e tive 2 filhas, então decidi vender e voltar a viver de aluguel.

Ou seja, só tive imóvel para morar por um curto período de tempo.

Morar num imóvel próprio, tem as suas vantagens, claro. Mas morar num imóvel alugado também tem as suas vantagens.

Eu gosto de morar de aluguel por conta da fase de vida em que me encontro. Não gosto de não ficar amarrada em um único lugar, de não ter mobilidade. Gosto de poder mudar de bairro, de cidade, de poder escolher o tamanho da casa conforme a necessidade do momento. Gosto de saber que se surgir um vizinho chato, posso me mudar. Que se eu perder a vista do meu apartamento por causa da venda do terreno para uma construtora, posso me mudar. Para mim, tudo isso é libertador.

Não sou contra ter um imóvel próprio, só acho que para o momento em que vivo atualmente, vejo mais vantagens de morar de aluguel.

Esses dias, estava dando uma olhada de forma bem despretensiosa sites de imobiliárias, e um anúncio saltou nos meus olhos, pois era bom demais pra ser verdade.

Um imóvel amplo, com ótima distribuição dos cômodos, numa rua muito bem localizada, sendo anunciada por praticamente o mesmo preço que pagava (combo aluguel e condomínio).

Eu seria louca se não agarrasse essa oportunidade, peguei o telefone na hora e falei com o corretor de imóvel. Fomos visitar o imóvel, e assim que chegamos em casa, encaminhei os documentos para a imobiliária. No dia seguinte, a documentação já havia sido aprovada, e aa mesma semana, fui assinar o contrato.

A essa altura da leitura, vocês devem imaginar que tenho um parafuso a menos pela rapidez que as coisas aconteceram. Afinal, não estamos falando de uma mudança pequena, estamos falado de uma mudança residencial em família.

Não sei vocês, mas eu sempre tive mais medo de arrepender das coisas que eu não fiz, do que das coisas que eu fiz.

Mesmo quando faço escolhas erradas, consigo compreender que foi um aprendizado e viro a página sem ficar muito abalada ou com dor na consciência.

Só para vocês terem uma ideia de como foi boa essa troca:

IMÓVEL ANTESIMÓVEL DEPOISNOTA
60m2100m2Muito mais espaço para circulação.

2 quartos3 quartosOs quartos são realmente grandes.
Quarto 1 – Se antes cabia somente o guarda-roupa e a cama das crianças, agora, além da cama e guarda-roupa, poderão ter escrivaninhas individuais para estudar e ainda sobra bastante espaço para circulação.
Quarto 2 – No quarto de casal, que é muito grande para ter somente a cama e o guarda-roupa, decidi que irei reativar meu amado ateliê.
Quarto 3 – Esse quarto é o menor de todos, será o escritório para o marido.
Cozinha sem móveis planejadosCozinha com móveis planejados + mesa retrátilA nova cozinha, além de ser totalmente planejada, possui uma mesa retrátil. Essa mesa é muito útil, pois além de servir como apoio na preparação dos alimentos, serve para fazer refeições rápidas, além das minhas filhas poderem ficar perto de mim, desenhando ou estudando.
Banheiro sem marcenariaBanheiro novoO banheiro é todo branquinho, bem atual, mas tem uma bancada de pedra que está desgastada. A proprietária autorizou fazer a troca da bancada e do gabinete. Com isso, o banheiro ficará novinho em folha.
LavanderiaLavanderia maiorA lavanderia também tem um tamanho bem bacana, toda branquinha.
VarandaVarandaA varanda tem mais ou menos o mesmo tamanho.
Boa localizaçãoMelhor localizaçãoO novo apartamento é ainda melhor localizado, mais perto de todas as lojas e serviços que costumamos utilizar, além de ser bem abastecida de restaurantes.
5º andar1º andarPensa na alegria de poder morar num apartamento onde não terei vizinho de baixo que é sensível a barulho. Embaixo do nosso apartamento fica o salão de festas do prédio, então minhas filhas finalmente poderão correr, pular, brincar de bambolê, de Lego, sem a necessidade de ficar em cima do “tatame de lutador de muay thai” que eu deixava bem no meio da sala.

Todo esse upgrade, pagando praticamente o mesmo valor que eu pagava no outro imóvel. Era ou não era uma oportunidade imperdível? Agarrei com todas as forças e pulei de alegria (mesmo!) quando consegui assinar o contrato do novo aluguel.

Ao contrário do que muitos podem pensar, mudança residencial não é uma tarefa difícil para mim, porque sempre enxergo como uma oportunidade para renovar os ares da casa, desapegar de coisas que perderam valor, faço lista de todas as coisas que quero fazer na casa nova.

Como sei desmontar e montar móveis, pintar paredes e mais outras coisas, não preciso depender de terceiros para fazer as instalações na nova residência, o que reduz bastante tempo e custo.

Só quis compartilhar essa história, para mostrar que nem sempre apartamento maior significa gasto maior. Tendo paciência, e dando uma boa procurada em sites de imobiliária de tempos em tempos, dá para pegar boas distorções do mercado.

~ Yuka ~

Minimalismo é sobre ter o que nós mais queremos

Quem quer adotar o minimalista não precisa se preocupar com privação. Não é este o princípio, pelo menos para mim.

No Japão, eu vejo que o minimalismo tem uma interpretação mais radical. Muitos deles não têm cama, dormem no chão, e quando têm, tentam se explicar que “apesar de serem minimalistas, escolheram ter uma cama”. Acho isso no mínimo esquisito, pois não consigo entender qual o problema de buscar mais conforto, ao invés de focar exclusivamente na redução de objetos.

No Brasil, vejo que muitos interpretam minimalismo como pobreza. Justificam o estilo de vida simples como minimalismo. No minimalismo, vive-se com menos por uma opção de escolha, já a pobreza não é uma opção de escolha.

Já eu, gosto do minimalismo equilibrado, sem entrar muito em rótulos ou em caixas. Gosto de pensar no minimalismo como uma busca do que é essencial para cada um, ou seja, é uma jornada interna.

Significa aprender a fazer escolhas melhores e escolhas conscientes.

Significa se conhecer melhor, buscar o autoconhecimento, descobrir o que faz feliz, independentemente da opinião alheia.

Vou compartilhar uma história com vocês.

Em 2010, há exatos 12 anos, eu fui para Vancouver, no Canadá, para um intercâmbio.

Lá, fiz amizade com o pessoal que dividia a casa, e uma coisa ficou muito evidente logo na primeira semana de convívio… esses alunos tinham um poder aquisitivo maior que o meu. Eles compravam muitas roupas, muitos souvenirs, fizeram muito mais passeios pagos do que eu, almoçavam todos os dias em restaurantes caros.

Na verdade, quem tinha o poder aquisitivo maior eram os pais desses alunos, pois a viagem era financiada por eles. Quando o dinheiro acabava, os alunos ligavam para os pais, e pronto, mais dinheiro entrava na conta bancária.

Já eu, que não era financiada por ninguém, tive que focar no que era essencial: estudar inglês e fazer passeios que não eram tão caros.

Chegando na última semana do intercâmbio, entrei em uma loja da Apple pela primeira vez e comprei o que há muito tempo queria: um MacBook.

Neste momento, os meus colegas que estavam juntos, falaram que eu era muito rica por comprar um MacBook assim, à vista, e que eles não tinham condições de comprar.

Na época eu apenas sorri e nem tentei explicar, afinal, eu teria que explicar tudo em inglês. Mas quando trago essa situação para os dias de hoje, vejo que se encaixa bem no conceito do minimalismo, que é justamente ter o que mais queremos.

Eu não queria roupas novas, não queria comprar souvenirs… eu fui até o Canadá para aprender inglês, conhecer a cidade, fazer novas amizades e se possível, voltar para o Brasil com um MacBook. O que esses meu colegas não entendiam é que eu também não tinha muito dinheiro, aliás, tinha muito menos do que eles, já que eu não tinha quem bancasse meus luxos, mas a diferença é que eu priorizei o que eu mais queria.

Eu voltei para o Brasil muito satisfeita pela experiência do intercâmbio e muito feliz pela nova aquisição.

Alguém que não conhece a história por completo, pode focar em todas as coisas que eu não tive: não tive almoços em restaurantes descolados, não voltei com a mala abarrotada de roupas importadas, nem voltei com lembrancinhas para todos os colegas do trabalho. E assim, erroneamente, podem achar que minimalismo é sinal de miséria, de escassez.

Mas quando se conhece a história completa, descobrimos que minimalismo não é sobre escassez, é justamente o oposto, é sobre definir prioridades para focar no que é mais importante.

Gosto de entender o motivo das minhas escolhas e aceitar as renúncias que vêm junto com as escolhas que faço. Desta forma, consigo fazer cada vez mais escolhas melhores e ter uma vida cada vez mais consciente.

~ Yuka ~

Se quer viver de forma diferente dos outros, é necessário fazer coisas diferentes hoje

Quando eu ainda falava para as pessoas sobre aposentadoria antecipada, eu percebia sempre um padrão no comportamento.

As pessoas queriam desesperadamente aposentarem cedo, alcançar FIRE (Financial Independence, Retire Early), mas não queriam abrir mão de absolutamente nada. Queriam viver igual a todo mundo, com carro na garagem, com apartamento grande e reformado, comendo em restaurantes diariamente, comprando diversos itens todos os fins-de-semana, além de claro, não quererem estudar por conta própria.

Mas se você quer viver de forma diferente dos outros, será necessário fazer coisas diferentes hoje.

Enquanto a maioria achava que era normal não poupar dinheiro, ou poupar até 10% do salário, eu decidi que iria poupar 70%.

Enquanto a maioria continuava achando que era normal se aposentar com 65, 70 anos, eu decidi que iria me aposentar quando eu bem entendesse.

Especificamente falando do meu caso, acredito que foram 3 fatores que influenciaram muito:

1.) O trabalho do marido

Meu marido tem um trabalho com contratos que variam em torno de 1 a 2 anos.

Isso significa que de uma hora para outra, nós podemos perder a renda dele. E por isso nós nunca nos achamos no direito de aumentar os gastos de forma descontrolada, pois não sabíamos o dia de amanhã.

O que poderia ser péssimo para a maioria das pessoas, acabou se mostrando como uma grande oportunidade para nós.

Sempre tivemos medo de não conseguirmos manter o padrão de vida que estabelecemos para nós.

Uma das formas de controlar o incontrolável (a renda do marido), foi centralizar todos os gastos da nossa família apenas no meu salário. Todo o salário dele vai para investimentos. Quando o salário dele aumenta, aumentam os aportes. Quando o salário diminui, diminuem os aportes. E se a fonte secar (o que nestes 12 anos que estamos juntos, nunca aconteceu), os aportes seriam mais comedidos, mas constantes, mesmo contando apenas com o meu salário.

2.) Os dois remando juntos na mesma direção

Toda vez que meu marido fala “sem você, não estaríamos onde estamos hoje”, eu veementemente discordo.

Se ele não tivesse concordado com a minha ideia de ser FIRE, de aceitar entregar todo o seu salário todos os meses para mim para que eu pudesse fazer aportes generosos até a nossa filha mais velha completasse 6 anos de vida, de aceitar sorrindo quando comecei a enxugar os gastos, nada disso teria sido possível.

Foi de comum acordo que decidimos não aumentar o padrão de vida por alguns anos. Sabíamos que era melhor apertar naquele momento, para ter conforto daqui a alguns anos, do que ter conforto por alguns anos e passar necessidade a vida inteira.

3.) O minimalismo como um grande aliado

Há diversos tipos de armadilhas do consumo: armadilhas financeiras, armadilhas da moda, da educação, do medo, da beleza, da ostentação, do medo…

O minimalismo trouxe diversos benefícios na minha vida. Um dos benefícios foi ter permitido dar um basta em medos que são inseridos na nossa cabeça.

Isso acontece porque o minimalismo nos obriga a parar de olhar para a vida dos outros para focar na própria vida. É como se não tivéssemos mais muleta para fazer escolhas, pois teríamos que parar de olhar a vida dos outros para encarar a própria.

Não é uma tarefa fácil, pois temos que colocar a cabeça para funcionar para tomar decisões próprias, descobrir o que gostamos e principalmente o que não gostamos.

A médio prazo, essa decisão trouxe benefícios imensuráveis: aprendi a fazer boas escolhas, a viver com as coisas que eu realmente valorizo e que são importantes para mim. Isso acabou eliminando o sentimento de escassez e a sensação de gratidão se tornou presente, porque aprendi a olhar para a abundância que já tinha na minha vida.

Fazer as próprias escolhas, me permitiu não ter redes sociais, mesmo todo mundo estando presente. Não precisando de aprovação dos outros nas redes sociais, permitiu que eu pudesse ser autêntica nas coisas que eu gostava, e com isso, novamente o minimalismo veio à tona.

Quanto mais eu me conhecia, menos compras erradas eu fazia e mais o dinheiro sobrava. Sobrava, não porque eu estava deixando de gastar, afinal, eu continuava gastando. A diferença é que eu comecei a gastar melhor o meu dinheiro, em coisas que trazia felicidade para mim, e não para os outros.

E aí vem uma sensação de satisfação, de felicidade, de segurança financeira, sem a necessidade de mostrar para os outros. Os benefícios são reais, mas a experiência é individual.

Essa decisão tomada lá atrás, permitiu por exemplo, que eu comprasse um carro em agosto de 2021, utilizando apenas os dividendos que havia recebido naquele ano.

Então sempre que possível, lembre-se da frase: se quer viver de forma diferente dos outros, é necessário fazer coisas diferentes hoje.

~ Yuka ~

Substituindo hábitos para abandonar o celular

Após escrever dois posts sobre a minha decisão de me desconectar, recebi muitos comentários sobre como isso também afeta a vida de vocês.

Há algumas semanas, terminei de ler o livro “Ansiedade, como enfrentar o mal do século: a Síndrome do Pensamento Acelerado, como e por que a humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos”.

O livro, que tem poucas páginas e de fácil leitura, fala como o excesso de estímulos da qual estamos todos imersos, causa a Síndrome do Pensamento Acelerado.

A Síndrome do Pensamento Acelerado “caracteriza-se por uma grande dificuldade pessoal em relaxar a mente, acalmar e organizar os pensamentos, e uma busca incessante de informações e estímulos. O Excesso de informações, decorrente principalmente do ritmo acelerado dos grandes centros urbanos, satura o córtex cerebral, produzindo uma mente hiper pensante, agitada, impaciente, com bloqueio criativo e baixo nível de tolerância.” Fonte

O autor do livro discorre algumas das causas da Síndrome do Pensamento Acelerado:

  • Excesso de informação
  • Excesso de atividades
  • Excesso de trabalho intelectual
  • Excesso de preocupação
  • Excesso de cobrança
  • Excesso de uso de celulares
  • Excesso de uso de computadores

É justamente esta vida moderna, com excessos de estímulos que aumenta a ansiedade. Não é à toa que o autor afirma que a ansiedade é o mal do século.

Após iniciar meu projeto de “pular fora do barco” do excesso de estímulos, entendi 2 coisas:

1.) Todos só olham para o celular

Semana passada, aproveitando que estava sozinha, fui tomar café na padaria, coisa que não faço há 2 anos. Pedi pão na chapa e café com leite. Enquanto meu pedido não chegava, fiquei olhando ao redor.

Fiquei abismada como todos, TODOS, estavam olhando para o celular.

Olhavam para o celular enquanto comiam. Digitavam no celular enquanto comiam. Até mesmo pessoas que estavam acompanhadas, digitavam algo no celular enquanto falavam com a pessoa que estava sentada na frente.

Fiquei horrorizada ao perceber que assim como eu, eles também estavam tomando café, mas ninguém estava presente.

Aliás, somente duas pessoas estavam presentes: eu e uma senhora bem idosa. Só.

Se você parar para observar, será comum ver pessoas andando na rua e olhando para o celular, atravessando a rua sem prestar atenção no que está fazendo, cansei de ver pessoas dirigindo e olhando o celular ao mesmo tempo. Quando vou no parque levar minhas filhas para brincar, todos os pais estão olhando para o celular. Balançam seus filhos, enquanto olham para o celular. A maioria das pessoas estão sempre com o celular nas mãos.

Que mundo doido.

Olhando essas cenas diariamente, eu reforço para mim mesma que não quero essa vida para mim.

2.) O encanto da simplicidade aparece SOMENTE quando reduzimos o excesso de estímulos

Outro dia estava tentando explicar para o meu marido sobre a impressão que eu estava tendo de que minhas sensações estavam mais aguçadas, após a redução no uso do celular.

Não sei se vocês já fizeram jejum de açúcar. Eu lembro da primeira mordida que dei em uma fruta, após semanas sem açúcar. Fiquei emocionada de como uma fruta poderia ter um sabor tão intenso de doce, ser tão suculenta. Não é que eu não soubesse que a fruta era doce, claro que eu sempre soube. Mas era como se agora fosse muito mais doce, mais intensa, mais gostosa.

Eu percebi o quanto a fruta é verdadeiramente doce, quando deixei de comer tanto açúcar.

Da mesma forma, nós nos encantamos pela simplicidade, QUANDO deixamos de estimular excessivamente o cérebro.

Será que perceberíamos que as nuvens estão se movendo lentamente, que a brisa serena está balançando levemente as folhas das árvores, que a grama, aparentemente inerte, está cheia de vida com insetos minúsculos andando de lá para cá? Será que perceberíamos as ondas circulares cada vez que um peixe encosta na superfície da água?

Se estamos acostumados com shoppings com suas cores e iluminações vibrantes, assim como a tela do celular piscando e nos estimulando sem parar, de que forma seria possível apreciar e aquietar a mente com uma paisagem monótona na nossa frente, como um pasto?

Como eu sei que é difícil se afastar do celular quando o vício já está instalado, um dos truques é substituir por novos hábitos, e não simplesmente parar de mexer no celular.

Eu mesma fiz isso. Claro que cada um precisará garimpar os seus próprios substitutos de acordo com os interesses. No meu caso, ter 3 substitutos foram suficientes para mim:

Substituto 1 – ter um caderno para fazer anotações

Foto retirada do site da A.Craft

Eu utilizo a agenda e os cadernos da A.Craft, acho lindo, carrego todos os dias na minha bolsa.

Anoto todas as tarefas que preciso fazer, anoto também algumas informações importantes, lugares que quero conhecer. Serve para quando me sinto produtiva. Mas eu sabia que só esta agenda não seria suficiente para largar o celular. Então decidi voltar a ler livros físicos, ao invés de livros digitais.

Substituto 2 – ter um livro sempre comigo

Foto retirada do Pixabay

Ando com um livro para tudo quanto é lugar: na bolsa do trabalho, quando vou para o parque, quando vou na casa da minha mãe, etc. O livro serve para quando quero me distrair, informar, expandir meu conhecimento, e principalmente, para me entreter. Mas havia momentos em que eu não queria ler um livro, pois só queria relaxar, sem pensar em nada. Aí precisei de um terceiro substituto.

Substituto 3 – ter um caderno de desenho

Há anos (ou melhor, décadas) que eu não desenhava. Mas resgatei esse hobby do fundo do baú das minhas memórias. E não é que eu ainda continuo gostando de desenhar? Passei a carregar o caderno também na minha bolsa (que agora deve pesar uns 3 kg). Eu desenho quando não quero pensar em nada, quando quero esvaziar minha cabeça, quando quero me acalmar. Desenhar me faz relaxar, para mim, é quase como uma meditação.

Quando sinto vontade de mexer no celular por não estar fazendo nada, eu escolho uma dessas 3 coisas, e fica tudo bem.

~ Yuka ~

Qual o melhor dia para ser feliz?

destino

Para mim, sempre foi o dia de hoje.

Como muitos de vocês sabem, tive uma infância bem difícil. E por conta disso, eu sempre olhei para frente e avante, sabia que não podia ficar me lamentando do dia de ontem, e que o melhor dia para ser feliz era o dia de hoje.

Há alguns anos, quando eu e o marido estávamos começando a falar se teríamos filho ou não, ele disse que só queria ter filhos depois que tivesse passado em um concurso público e tivesse comprado um apartamento.

Eu respondi com a seguinte frase “ih, então a gente não vai ter filho nunca”.

Porque decidir esperar a lua se alinhar com as estrelas para casar, para ter um filho, para mudar de emprego, para ser feliz… bom, então melhor sentar e aguardar até não sei quando.

Inconscientemente, nós acabamos fazendo isso.

Achamos que há momento certo para ser feliz.

Achamos que tudo será diferente quando alcançarmos algo que queremos muito.

Que só conseguiremos fazer tudo que queremos quando aposentarmos, ou quando atingirmos FIRE.

Mas não é bem assim.

O certo é valorizar o dia de hoje, aprender a se divertir mesmo com todos os perrengues, ir equilibrando todos os pratos simultaneamente.

Já guardei jogo de louças para usar apenas em momentos especiais. Hoje uso todos diariamente.

Deixava de usar uma roupa para usar apenas em ocasiões especiais. Hoje saio da loja usando a roupa nova.

Deixava as melhores toalhas para as visitas. Hoje uso as melhores para a minha família.

Sempre temos vários pratos que estão girando ao mesmo tempo: o prato da família, o prato dos filhos que demandam atenção, o prato do casamento, do trabalho, o prato do hobby, da saúde, etc.

São tantos pratos que é importante focar nos pratos que são prioritários, e deixar cair todos os pratos que não são prioridade.

Manter os amigos, fazer pequenas viagens, ler muitos livros, descansar mais.

Permita-se ser feliz.

~ Yuka ~

“Tchau” mundo digital, “oi” mundo analógico

Calma, não serei radical a ponto de excluir a tecnologia, nem a vida conectada da qual estamos imersos.

Este post é uma reflexão de tudo o que estou vivendo no momento, mais especificamente desde que a pandemia iniciou. Assim como a sua vida, a minha também nunca mais foi a mesma.

Eu fui uma das pessoas que foi impactada negativamente pela pandemia, entrando para a estatística de brasileiros com ansiedade.

Comentei em posts anteriores que na pandemia, pela primeira vez, tive depressão. Essa depressão evoluiu para crises de ansiedade, que evoluiu para um ataque de pânico e aí tudo o que eu conhecia do mundo normal desabou.

Com a minha saúde mental abalada, a minha família teve que me acolher e me dar suporte, para que eu pudesse superar diversos momentos difíceis.

Passados 2 anos, hoje, consigo descrever melhor toda a tempestade que passei. Quando estamos no olho do furacão, não conseguimos compreender a razão dos fatos, apenas sobrevivemos.

Geralmente, quando acontece algo muito importante na minha vida, uma mudança interna igualmente importante acontece dentro de mim.

Assim foi na minha adolescência. Eu decidi prestar vestibular fora da cidade onde morava para me livrar dos abusos da minha irmã. Isso acabou me proporcionando um mundo totalmente novo para mim.

Assim foi com o divórcio do meu primeiro casamento. Eu era workaholic e vivia abarrotada de coisas e não sabia definir prioridades. Foi quando aderi ao minimalismo e aprendi a definir o que era importante e jogar fora todo o resto que não era importante.

Assim foi no nascimento da minha primeira filha. Eu entendi que eu era uma escrava moderna pagadora de contas e decidi que seria livre. Foi quando entrei de cabeça na jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early).

Na pandemia, não poderia ter sido diferente.

Passado o turbilhão emocional, eu tive que refletir novamente as escolhas que eu estava fazendo na minha vida, e uma das coisas que eu passei a avaliar foi em relação ao excesso de informação que está constantemente ao nosso redor. Na pandemia, o meu tempo de uso de celular aumentou consideravelmente.

O smartphone é um computador disponível 24 horas na palma da nossa mão. Ele é o nosso despertador, telefone, computador, televisão, máquina fotográfica, caderno, agenda, livro, aparelho de som, gravador de vídeo, vídeo game, álbum de fotos, calculadora…

Ele nos magnetiza, nos envolve, nos vicia.

Não sou psicóloga, nem médica, nem neurocientista. Então vou explicar aqui com as minhas palavras o que eu entendi após a leitura de textos sobre o malefício que causamos ao nosso cérebro por estimular de forma excessiva, despejando diariamente um volume grande de informações.

A tecnologia evoluiu muito nesses anos. Os algorítimos, as cores, os brilhos, todos esses estímulos foram milimetricamente calculados para nos atrair, com o único intuito de que consumamos cada vez mais produtos, serviços e informações, já que hoje, nosso tempo de conexão na internet virou um dos produtos mais desejados pelas empresas.

Para isso, grandes empresas de tecnologia analisam e aprimoram cada vez mais o funcionamento de neurotransmissores cerebrais para nos causar dependência.

Outra coisa preocupante é em relação ao sequestro da atenção. É rotineiro ver pessoas checando o celular enquanto conversa com alguém, quando está na reunião de trabalho, quando está dirigindo… Estamos a todo momento checando as notificações do celular enquanto fazemos outras atividades. Esse ato aparentemente inocente é um dos fatores que prejudica a saúde mental.

Vamos imaginar nosso cérebro como uma massa de energia. Quando estamos conversando com um amigo, essa energia se concentra em um local do cérebro, fazendo conexões neurais. Ao desviar a atenção para a tela do celular, essa energia se dissipa, e se acumula novamente, desta vez para concentrar na mensagem do celular. Ao retornar para a conversa, a energia se dissolve da mensagem do WhatsApp e se acumula novamente na conversa com o amigo. Como todo esse processo acontece de forma automática e rápida no nosso cérebro, não enxergamos o prejuízo. Mas precisamos entender que o cérebro refaz todas as conexões, fazendo esforço extra (mesmo sem parecer) para retomar a atividade anterior, gerando cada vez mais estímulos.

Outro ponto importante é que quando olhamos o celular, liberamos um neurotransmissor chamado dopamina, que dá aquela sensação de alívio e bem-estar. Assim como tudo nesta vida, o cérebro também se acostuma com a dose de dopamina e com o tempo, “pede” cada vez mais dopamina. Ou seja, se antes a dopamina era liberada com alguns minutos de uso de celular, hoje, precisamos aumentar o tempo de uso para ter a mesma sensação de bem-estar.

O cérebro não consegue mais desligar, nem descansar, pois mensagens e alertas surgem a todo momento tornando esse ato de checar o celular a nova rotina. Diariamente, recebemos inúmeros bombardeios no celular, uma mensagem nova, um vídeo novo, um podcast novo, tweet, e-mails, notícias intermináveis… Bom, se há estresse, há ansiedade, ou seja, junto com a dopamina, também é liberado o hormônio do estresse e entramos em um loop infinito. Não é à toa que a ansiedade se tornou o mal do século.

Eu adoro tecnologia, mas também reconheço que o excesso gera consequências desastrosas na nossa vida.

Desde o surgimento do smartphone, uma das coisas que sempre me recordo é justamente do período anterior. Eu era mais presente e mais consciente, mesmo fazendo atividades cotidianas. Quando eu ouvia música, eu apenas ouvia música. Fechava os olhos e prestava atenção na voz e na canção. Quando eu lavava louça, eu só lavava louça. Quando deitava na grama, eu ficava olhando apenas as nuvens se movimentando. Quando eu pendurava as roupas no varal, eu sentia o sol ardido que insistia em queimar a minha nuca.

E finalmente entendi, que se não conseguimos estar conscientes lavando louça, também não estaremos conscientes quando estivermos conhecendo uma das sete maravilhas do mundo.

Dada a introdução, agora vou contar as decisões que eu tomei para mudar a maneira que eu vivo a minha vida:

Tirando a cor do celular

Como disse acima, tudo no celular foi elaborado de forma estratégica, para ficarmos o máximo de tempo possível com os olhos grudados na tela do celular. Aquela notificação numérica na cor vermelha que aparece nos apps do celular avisando que chegou uma mensagem nova, também tem um intuito, serve para nos incomodar, passar a mensagem de alerta.

Quando li essa reportagem da CNN que falava sobre como passar menos tempo diante da tela do celular, eu imediatamente aderi e tirei a cor do meu celular, deixando tudo em escalas de cinza.

No primeiro dia de uso, deu um click na minha cabeça quando estava tirando fotos das minhas filhas. Ao ver as fotos em preto e branco, eu entendi que o que deve ser colorido não é o que está dentro do celular, e sim, a nossa vida real.

Com a tecnologia avançando cada vez mais, muitas vezes, parecemos mais bonitos na foto graças aos filtros. A água do mar parece mais cristalina e azul do que presencialmente graças às edições. A foto da comida que tiramos parece ser mais apetitosa do que realmente é graças à iluminação. E com isso, a vida real vai se tornando cada vez mais sem graça, enquanto a vida virtual começa a parecer mais interessante. Que perigo.

Com as imagens do meu celular em preto e branco, é como se eu conseguisse distinguir claramente o que é real e o que não é real. Eu tiro foto das minhas filhas, e vejo tudo cinza. Olho para as minhas filhas e vejo-as coloridas, assim como deve ser. Esse simples ato me faz lembrar diariamente que a vida real e que as coisas que são importantes estão aqui do lado de fora.

Após um tempo usando o celular em escalas de cor cinza, consigo perceber como o celular era estimulante e como as cores gritavam para chamam pela minha atenção.

Temos que ter consciência de que estamos lutando a todo momento contra uma máquina que foi feita para escravizar nosso tempo.

Após colocar o celular no modo cinza, vi vários benefícios. Como não consigo mais distinguir se a pessoa leu ou não a mensagem que eu mandei pelo WhatsApp, a necessidade de ficar checando o celular diminuiu. As notificações em vermelho que antes chamavam tanto a minha atenção também ficaram discretas e de repente, aquela urgência em responder as pessoas diminuiu. O meu senso de urgência mudou.

Sem notícias e podcasts

Eu costumava ouvir notícias e podcasts logo assim que eu acordava. Gostava de ouvir algo enquanto me arrumava para ir ao trabalho, ou dentro do carro, mas eu decidi parar para dar uma folga para o meu cérebro e hoje quando quero escutar algo, escuto música.

Sei que não podemos e nem conseguiríamos dar as costas para a internet. Longe de mim fazer isso, pois assim como você, eu também adoro estar conectada.

O que estou tentando fazer é apenas sair do automático para estar mais consciente.

Se antes eu ouvia ou assistia qualquer coisa de forma aleatória, hoje, eu penso muito bem antes. Eu realmente quero ouvir? Pra qual intuito? E quando passei a fazer essas perguntas, a maioria das coisas perderam valor para mim e eu passei a ter menos interesse em notícias que não terão nenhuma utilidade para mim.

Retornando para livros físicos

Vocês sabem o quanto eu adoro meu kindle…

Mas andei percebendo que para as minhas filhas que são pequenas, o kindle é como se fosse um tablet, elas não entendem que aquilo que parece tanto como um tablet, é na verdade igual a um livro físico.

Se estou num parque lendo meu kindle, será que no inconsciente, elas acham que estou na internet?

Pensando nisso, comecei a recomprar livros físicos, e posso te falar? Como é bom folhear as páginas.

Retornando para agendas e cadernos de papel

Eu sempre gostei muito de escrever no papel. Quando era mais nova, gostava de colecionar papel de carta, lápis, adesivos, diários, anotações de tarefas, mas parei de fazer isso na adolescência com o surgimento do celular.

Eu me adaptei tão bem com a tecnologia, que acabei me desapegando do papel, e passei a organizar toda a minha vida de forma digital.

Passei mais de 20 anos sem nem lembrar o quanto papel e caneta me acalmava, o quanto me fazia bem.

Hoje eu tenho diversas agendas, cadernos, adesivos, canetas coloridas, e nem consigo acreditar como consegui ficar tanto tempo sem.

Crianças e televisão

Agora que elas entraram na rotina da escola, não deixo mais elas assistirem televisão livremente. Elas assistem um pouco antes de dormir, talvez 15 minutos, 20 minutos no máximo.

Para quem acha que elas morrem de tédio quando estão sem televisão, ledo engano. Elas se divertem muito mais. É incrível como a criança tem a capacidade para inventar brincadeiras.

Vejo que escassez controlada traz benefícios, pois estimula a criatividade. Como sempre dizia a minha mãe, “se não tem, inventa”.

Outro benefício que eu não imaginava, foi que ao desligar a televisão, elas começaram a ter interesse na cozinha.

Minhas filhas de 4 e 6 anos acabaram aprendendo a utilizar faca para cortar e picotar legumes. Lavam frutas, montam a salada e arrumam a mesa do jantar.

Sem redes sociais

Continuo sem Facebook, Twitter, Instagram etc. É a melhor decisão que eu poderia ter tomado.

Mantenho o WhatsApp e acesso o YouTube.

No YouTube, avaliei de forma bem rigorosa e reduzi os canais que seguia. Deixei de seguir todas aquelas pessoas que postavam com uma frequência alta, e também deixei de seguir pessoas que postavam sempre conteúdos similares que não agregavam mais nada na minha vida.

O WhatsApp eu uso para conversar com minha família e com os meus amigos, mas quase não compareço nos grupos grandes, pois entendi que é melhor eu estar presente para a minha família, do que estar presente para colegas.

Sem celular nas refeições e no carro (para entreter crianças)

Em casa, não utilizamos celular nas refeições, nem mesmo quando estamos no restaurante. Dá trabalho, pois a criança quer sair da cadeira antes da hora, mas entendemos que hora de comer é hora de comer, é momento de diálogo e interação com as pessoas.

No carro também pensamos da mesma forma. Eu lembro quando fizemos as primeiras viagens de ônibus, quando minha filha falava que estava com tédio. Eu disse para ela olhar para a janela e contar quantas árvores tinham na estrada rsrs.

Sempre achei o tédio algo importante e que deve fazer parte da nossa vida.

Vejo crianças e adultos que não sabem mais lidar com o tédio. Não sabem mais aguardar o ônibus, não sabem mais aguardar o amigo, não sabem aguardar uma fila, não sabem ficar sem fazer nada. A qualquer sinal de tédio, pega-se o celular.

Lazer ao ar livre

Depois que saímos de São Paulo, nosso lazer se tornou muito mais ao ar livre, do que dentro de construções. Dificilmente vamos ao shopping, e quando vamos, vamos para comprar algo específico e já vamos embora.

Como não vamos com frequência, as luzes das lojas começaram a incomodar os nossos olhos. Sei que parece coisa de gente que mora na roça, mas são tantas luzes e estímulos intensos que acabamos nos cansando muito rápido.

Meditação

Consegui retomar minha meditação e tem sido um momento importante para esvaziar a mente e estar consciente.

Gosto de meditar de manhã, e quanto consigo, em alguns intervalos enquanto estou no trabalho.

Ouvir mensagens de áudio e vídeos na velocidade normal

Há alguns meses, o WhatsApp implementou uma ferramenta que permite acelerar o áudio.

YouTube também possui esse recurso de aumentar ou diminuir a velocidade do vídeo.

Após usar esses recursos durante um tempo, eu parei de fazer isso, porque entendi que há tempo para as coisas acontecerem. Não quero simplesmente ouvir um vídeo na velocidade rápida, porque isso me fez perceber que eu comecei a ficar impaciente quando as pessoas falavam de forma vagarosa, além de eu mesma começar a falar mais rápido.

Outras ações

Em posts anteriores, compartilhei que comecei a imprimir fotos em álbuns ao invés de manter as fotos apenas no computador ou na nuvem.

Quando estou em algum parque, tento me concentrar no que está acontecendo ao redor, prestar atenção no vento que bate no meu rosto, nas folhas das árvores que balançam, nas formigas que andam apressadas.

Quando vejo um grupo de amigos em silêncio, todos entretidos no próprio celular; quando vejo casais nos restaurantes em silêncio, cada um falando com uma pessoa no celular; quando vejo crianças anestesiadas assistindo televisão, tablet, celular…

Eu reforço a minha vontade de recuperar hábitos da década de 80 e 90 por 3 motivos: para desacelerar o tempo, viver o presente e ensinar minhas filhas que o mundo real é este que vivemos.

Eu desejo que minhas filhas tenham habilidades físicas e motoras, habilidades sociais, habilidades de comunicação, de negociação, empatia com pessoas. E sei que elas não vão conseguir se estiverem imersas no mundo virtual.

Quero dormir bem. Quero ter tempo e não estar exausta para os filhos. Quero ter disposição para fazer exercício físico. Ter tempo para ler, descansar, conversar, encontrar os amigos, ter tempo para ter um hobby.

O tempo só tem uma única direção. Uma vez gasto, acabou. Não temos possibilidade de guardar o tempo para ser usado depois.

Para finalizar, compartilho um vídeo que resume bem o que escrevi.

~ Yuka ~

Desapego do mundo virtual

La lusinga dell'essere e il continuo ritorno - Sicilia Network

Escrevo este post no silêncio da noite, enquanto todos dormem. Este é momento que tento equilibrar minha mente, encontrar a paz, respirar o silêncio, avaliar minhas atitudes, colocar meus pensamentos no lugar.

Quando convivemos com crianças, ver uma simples foto de 1 ano atrás chega a ser algo impressionante.

As crianças crescem num piscar de olhos. Há um ano, um ser humano dependente de tudo, usando fraldas… e de repente, lá está a criança colocando a mãozinha na cintura expressando seus sentimentos.

É algo fascinante de observar, e só confirma como o tempo voa.

Quero compartilhar uma reflexão que tem me acompanhado quase que diariamente desde o início da pandemia.

Quanto tempo do seu dia você vive para você?

Nessa era da internet, é bem improvável que alguém consiga viver 100% desconectado.

Salvo raras exceções, isso deve ter agravado ainda mais na pandemia. Ou seja, consumir algo que outras pessoas produziram, se torna cada vez mais comum: notícias, sites, vídeos no YouTube, fotos no Instagram, Facebook, TikTok, WhatsApp, Twitter, etc.

Olhar fotos de comida que os outros estão comendo em restaurantes. Contemplar as viagens paradisíacas que outras pessoas fizeram. Assistir os vídeos que outras pessoas produziram, o que as outras pessoas estudaram, o que as outras pessoas escreveram. Assistir os outros cozinhando, preparando refeições. Assistir pessoas dançando, fazendo esportes, jogando videogames.

Enquanto se permanece afundado no sofá de casa, o consumo excessivo das experiências de terceiros, que de nada acrescenta na vida, continua pela tela do celular.

Abdicar de viver a própria vida para ver a vida do outro através de uma tela. É para ‘isto’ que estamos trocando o tempo valioso da nossa vida? O tempo valioso que não podemos comprar de volta?

Gosto da seguinte pergunta: “Afinal, quanto tempo do meu dia eu vivo para mim?”

Enquanto o mundo se prepara para se tornar cada vez mais virtual, minha família se prepara para seguir mais uma vez, uma vida contrária à maioria.

Semana que vem, vou detalhar um pouco a minha trajetória invertida: do digital ao analógico.

~ Yuka ~

10 dicas para simplificar a rotina

Paisagem, Montanha, Nevoeiro, Pôr Do Sol, Céu, Nuvens

1. Tenha menos coisas

Costumamos negligenciar este tópico, mas ter menos coisas, simplifica muito a rotina. Menos roupas no guarda-roupa, significa menos trabalho para escolher roupas, para lavar, estender, passar, dobrar, guardar. Ter menos objetos espalhados pela casa, significa menos poeira, menos sujeira, menos manutenção, menos responsabilidades, menos dor de cabeça, menos tempo gasto, mais dinheiro no bolso, mais tempo.

2. Ajuste as expectativas

Se não conseguimos manter uma cama posta, talvez seja bom só esticar o cobertor ou a colcha para deixar a cama arrumadinha assim que acordamos. Se não conseguimos passar tantas roupas por semana, talvez chegou o momento de comprarmos roupas que tenham tecidos que não amassam tanto. Nos dias de preguiça ou de cansaço, recorrer à alguma refeição congelada, ou até mesmo preparar algo simples como um lanche. Ajustar expectativas para não se frustrar, é algo que devemos estar sempre atentos.

3. Faça comida em dobro. E congele a metade.

O trabalho para cozinhar é o mesmo, o tempo praticamente não muda, a quantidade para lavar a louça não muda, o que muda é que ganhamos tempo, quando cozinhamos o dobro de quantidade. Fazer comida em dobro e congelar a metade é o que salva a minha rotina. Faço isso em diversas preparações das refeições.

4. Aprenda receitas que usam forno e panela de pressão

Quando estou com pouco tempo, faço macarrão na panela de pressão usando ingredientes congelados como o molho de tomate caseiro, a carne moída que já refogada, o caldo de legumes caseiro que sempre tem no congelador, o queijo que deixo já deixo ralado e por aí vai. Agora, quando quero preparar alguma coisa gostosa, mas não quero passar muito tempo na cozinha, gosto de usar o forno. Coleciono receitas que usam forno e panela de pressão para me ajudar a não ocupar tanto meu tempo na cozinha.

5. Aprenda a pedir ajuda

Eu tenho o privilégio de não ter que pedir ajuda em casa, porque meu marido é muito observador e solícito. Mas sei que meu caso é uma exceção, e não uma regra. Quando me deito um pouquinho na cama no meio da tarde por estar cansada, ele silenciosamente fecha a porta para as crianças não entrarem. Quando estou participando de reuniões virtuais longas, ele sempre aparece com uma xícara de chá com leite. Enquanto estou na cozinha preparando a comida, ele já vai arrumando a mesa, colocando pratos, talheres, copos, além de lavar toda a louça e limpar a cozinha.

Pedir ajuda é imprescindível, principalmente quando temos dependentes como filhos e pais idosos.

6. Pense grande, mas comece sempre pequeno

Eu sempre lembro da minha jornada FIRE (Financial Independence Retire Early). Planejei o improvável, tracei um plano, contei pro marido, e começamos a remar juntos na mesma direção. Fazíamos tudo juntos, cortamos tudo que não era importante para nós, e a passos curtos e constantes, fomos caminhando, e hoje, passados alguns anos, eu só tenho a agradecer por ter tomado essa decisão anos atrás.

7. Aproprie-se de listas para limpar a mente

Sou adepta de listas desde que aprendi a ler e escrever. E isso não mudou, mesmo na vida adulta. Aliás, só vejo vantagens de ter listas, tantos que listas continuam norteando minha rotina, limpando a mente, tirando o que está incomodando dentro da cabeça e ainda alivia a tensão.

8. Gaste menos do que ganha

Parece ser fácil, mas é difícil. Com as indústrias se tornado mais agressivas para incentivar cada vez mais o consumo desenfreado, e unindo a facilidade em parcelar as compras usando cartões de crédito, muita gente acaba se perdendo nos cálculos e acaba gastando mais do que deveria. Claro que a conta não fecha e as dívidas e o estresse começam a aumentar.

9. Faça menos coisas

Fazer menos coisas, significa definir o que é importante. Não dá para assistir todos os filmes, ler todos os livros, encontrar todos os amigos, viajar para todos os lugares.

Simplificar a rotina significa fazer escolhas conscientes de fazer menos. É definir a importância das coisas.

Talvez para você, que não gosta de passar roupa, seja escolher tecidos que não amassem tanto. Para você que não gosta de lavar louça, ter uma máquina de lavar louça pode ser uma boa alternativa. Para você que não gosta de enfrentar o trânsito, quem sabe morar perto do trabalho pode ser a solução.

Deixe a agenda mais livre para que você se sinta mais relaxado.

10. Aprecie o simples

Quando digo simples, são as coisas cotidianas do dia-a-dia.

Aprender a apreciar o sol da manhã entrando pela janela.

Sentir a a palma da mão esquentando em uma caneca com chá.

Apreciar o banho quente em um dia frio.

Desfrutar da sensação gostosa de tirar o sapato, depois de um dia de trabalho.

Saborear o almoço que saiu melhor do que o esperado.

Sentir o frescor de um lençol recém trocado.

Se alegrar ao ouvir a voz de um amigo querido.

Desfrutar do amor que sentimos ao abraçar quem amamos.

Para conseguir apreciar o simples, é necessário estar presente, concentrar-se nas próprias ações, no que está acontecendo ao redor.

~ Yuka ~

Educação dos filhos: ensinando a vencer o sistema

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Vejo pais que colocam os filhos em escola intensiva desde os primeiros anos escolares… A criança tem 8, 9 anos, tem que concorrer a bolsa, tem simulado aos sábados, faz cursos de idioma, de instrumento musical, esporte aos sábados e domingos, tudo para entrar entrar em uma faculdade de renome, ter um emprego invejável, comprar casa, carro e constituir uma família.

Isso é sinal de sucesso.

Não que isso seja errado, mas meu foco é outro, quando falo sobre educar minhas filhas para vencer o sistema.

Quero que elas não se iludam em comprar coisas sem necessidade.

Eu não compro tudo o que elas me pedem. Elas não têm tudo o que elas querem no momento que elas pedem. Elas entram nas lojas de brinquedo, já sabendo que não comprarei nada, se não for em datas que estipulamos antes (aniversário, dia das crianças e Natal), então elas não fazem birra, não choram, pois é algo que já entendem que o combinado não é caro.

Como elas não terão acesso a todos os brinquedos que elas gostariam de ter, a alternativa que resta para elas é escolher bem qual brinquedo vão querer ganhar. São muitas dúvidas, muitos meses fazendo escolhas e mais escolhas, até chegar no brinquedo mais desejado, e claro, que tenha até o preço teto autorizado.

Minhas filhas entram nas lojas de brinquedo com felicidade, e não com cara emburrada, com frustração. Olham os brinquedos, escolhem com cuidado, e vão me mostrando as opções que estão gostando mais. Perguntam: “esse é muito caro?”

Para mim, amar é ensina-las a enfrentar o mundo real.

Claro que há pais que possuem condições financeiras para mimar seus filhos, inclusive de bancar seus fracassos financeiros quando adulto.

Eu não tive essa opção, então sempre soube que se fizesse besteira, eu teria que arcar sozinha, o que me fez crescer com responsabilidade em relação às minhas próprias atitudes.

O sucesso do outro pode não ter o mesmo significado para mim

Quantas pessoas ditas “bem sucedidas” estão felizes de fato?

Aliás, o que é ser bem sucedido para você?

Para muitos, ser bem sucedido é ter um emprego que paga altos salários, morar em uma mansão, ter um carrão, viajar sempre para o exterior, e por aí vai.

Sucesso pra mim é diferente.

Para mim, uma pessoa de sucesso é aquela que tem a capacidade de se sentir satisfeita com a vida que tem, sem ficar invejando a vida dos outros. Ser capaz de amar uma pessoa e sentir compaixão pelo próximo. Ter bons e fiéis amigos. Ser capaz de viver por conta própria sem incomodar os outros. Ter boa saúde mental, saúde física e saúde financeira. Ter autoconhecimento. Ter equilíbrio emocional.

Eu busco esse segundo tipo de sucesso para mim e também para as minhas filhas. Esse é o meu conceito de sucesso. E é em busca desse sucesso que eu tento educa-las.

Daí vocês começam a juntar o quebra-cabeça e entender, o motivo de eu ter colocado as meninas em uma escola pública do bairro. Vejam bem, não é uma escola pública qualquer, eu procurei uma escola pública de qualidade, onde podia ter mais chances de ter esse diálogo.

É neste convívio escolar que nossas filhas nos veem conversando com a diretora da escola, nos oferecendo para ajudar, a fazer parte da Associação de Pais.

É com o nosso exemplo que elas aprendem que a união faz a força, que um pai não faz nada sozinho, mas que juntando diversos pais, somos capazes de ajudar na manutenção da escola, equipar a sala de informática, comprar bons livros para a biblioteca, reaproveitar uniformes para os alunos novos.

Elas aprendem a negociar, a dialogar, a lutar pelos direitos e a reconhecer o quanto juntos somos fortes.

Há algum tempo, o Aposente Cedo fotografou o trecho do livro que ele estava lendo: Propósito, de Sri Prem Baba. Diego, peço licença para usar sua foto, da mesma forma que fez muito sentido para você, fez muito sentido para mim também:

livro

Coisas são coisas

Significa que não quero que elas achem que coisas são mais importantes que pessoas. Que ninguém pode se sentir mais importante por ter mais coisas.

Eu vejo pessoas tratando mal quem ganha menos, quem tem uma profissão menos valorizada pelo mercado. Vejo pessoas tratando de forma indiferente os porteiros do prédio, falando com desdém com os funcionários da limpeza, desvalorizando a pessoa que luta para sustentar a família vendendo bala no farol, e isso dói.

Tenho focado muito em 4 questões quando educo as minhas filhas: respeito, foco, escolhas e a importância de saber esperar para ter algo.

Precisam entender que ninguém é melhor do que o outro só por ter mais dinheiro ou mais posses.

Precisam entender que quem quer tudo, não faz nada direito.

Precisam entender que na vida precisamos fazer escolhas e aceitar as renúncias.

Precisam entender que é preciso ter paciência para ter algo.

Ensino sobre doar para os mais necessitados.

Ensino sobre compartilhar coisas.

Que não precisamos comprar por comprar, nem gastar por gastar.

Escrevi um post em 2019, contando um pouco da minha experiência sobre esse assunto. Quem tiver interesse, segue o link: A importância de ensinar as crianças a compartilhar

Presenteie com experiências

Ano passado, minhas filhas acabaram ganhando mais presentes do que eu gostaria (de familiares), e com isso, decidi perguntar se este ano, elas não gostariam de ao invés de ganhar um brinquedo, ganhar experiências para criar memórias em família, como ir num parque de diversões ou fazer uma pequena viagem. E para a minha alegria, as duas aceitaram.

Se colocar na ponta do lápis, comprar o brinquedo sairia bem mais em conta. Mas aqui, estou tentando ensinar que ao invés de ter, podemos sentir. Que ao invés de uma alegria solitária, a alegria compartilhada é muito melhor.

Para mim, tem muito mais valor um dia de muita animação em família do que pagar um brinquedo e depois de algumas semanas, ver esse brinquedo encostado em algum lugar da casa.

Claro que elas terão que trilhar o próprio caminho, esse, aliás, será a escolha delas.

Mas o que eu quero, é que elas tenham acesso à informação que eu não tive.

Não importa se elas vão seguir ou não os meus passos. Elas irão escolher o que elas querem, errar e acertar, mas pelo menos saberão que não há um único caminho a ser seguido. Não esse caminho da competição, não o caminho da ostentação, não o caminho do consumismo em excesso.

Quero apresentar o caminho que eu e meu marido temos trilhado há tempos: o caminho de viver com simplicidade e ter a liberdade de escolha graças à independência financeira.

~ Yuka ~

Como as pessoas são céticas em relação ao movimento FIRE – Financial Independence and Early Retirement

Aeronaves, Double Decker, Oldtimer, Avião De Hélice

Posso afirmar com convicção de que ter descoberto sobre FIRE (Financial Independence and Retire Early) foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida.

Até então, eu levava uma vida comum. Morava em um pequeno imóvel próprio, e tinha pretensões de comprar um carro e um apartamento maior fazendo dívidas de financiamento.

Foi só quando descobri sobre investimentos e sobre FIRE que parei com essa ideia de que eu teria que sempre comprar algo, que poderia simplesmente acumular patrimônio, sem ter a obrigação de consumir.

Se antes eu e meu marido tínhamos preocupações e inseguranças com o dia de amanhã; com o tempo, conseguimos entender o que era ter o dinheiro trabalhando pra gente, e nossa vida começou a se tornar mais fácil.

Com o tempo, pudemos aumentar os gastos para criar mais memórias, mais momentos de lazer.

Eu tive a grande sorte de ter “acordado” em 2015, ano em que minha primeira filha nasceu. Foi nesse ano que descobri sobre FIRE, e desde então, muita coisa mudou. Naquela época, não era tão fácil encontrar conteúdos brasileiros sobre o tema, bem diferente de hoje, que há diversos blogs de qualidade, canais no YouTube, PodCasts, etc.

Se antes a falta de dinheiro poderia ser uma preocupação constante, essa preocupação tem diminuído a cada ano, graças ao orçamento controlado, aos aportes constantes e mensais, por ter feito bons investimentos e deixar o tempo agir para gerar juros compostos.

Pra quem já sentiu na pele a fragilidade e o medo de não ter dinheiro, a grande vantagem de estar na jornada FIRE, é sentir que a tranquilidade vai aumentando a cada ano.

Muitos podem achar que FIRE é sobre dinheiro, mas pra mim, nunca foi sobre dinheiro, e sim, sobre liberdade e tranquilidade.

Não há mais desespero, não é preciso ter pressa.

Enquanto pessoas continuam céticas ao mundo FIRE, eu sigo feliz nessa jornada solitária.

~ Yuka ~

A abundância de uma vida simples

Esses dias, navegando na internet, acabei encontrando um texto lindo, escrito pelo Marcos Piangers, da qual me identifiquei tanto.

Compartilho abaixo o texto, espero que gostem.

Boa leitura:

A abundância de uma vida simples

Eu vejo as pessoas na internet mostrando carro novo, casa nova, viagem na primeira classe. Eu acho divertido, cada um faz o que quer da própria vida. Mas, se quiserem minha opinião, acho cafona. Acho foto na frente de carro importado cafona. Acho foto de casal se beijando na frente do pôr do sol cafona. Acho vídeos de internet de gente que vai me ensinar a ficar milionário cafona (apesar de sempre assistir até o final, vai que, né?).

Vejo a hashtag #enquantoelesdormemeutrabalho e acho cafona. Acho hashtag cafona, acho não dormir cafona, acho não almoçar cafona, acho o clube das 5 da manhã cafona. Enquanto os outros dormem, eu durmo feliz. Gosto de dormir, gosto de tomar café da manhã com minhas filhas, gosto de conversar com calma com elas e só olhar o celular depois das 9. Eu gosto de almoçar com calma em família, de levar minhas filhas na escola a pé, de sair para fazer feira uma vez por semana, de correr na ciclovia todo fim de tarde. Gosto de fazer tudo isso sem postar uma única foto em nenhuma rede social. Acho muito agradável.

Se as pessoas soubessem a riqueza que tem numa vida simples, não perderiam tanto tempo mostrando pros outros uma vida de ostentação. Se as pessoas soubessem da abundância que existe numa vida frugal, uma vida sem muitos sonhos de consumo, um aluguel baixo em uma rua arborizada, um apartamento velho porém ensolarado, a nossa bagunça faz qualquer lugar virar nossa casa.

A vida fica mais simples quando você tem o mesmo fogão há mais de dez anos, o mesmo sofá há mais de dez anos, e está satisfeito com isso.

Alguém vai dizer: “mas isso é pensar pequeno, isso é uma vida medíocre”. Respeito absolutamente a opinião, mas por favor, respeite a minha.

Pra mim, vida medíocre é não dormir, não almoçar, não ver os próprios filhos crescendo. Pra mim, uma vida absolutamente medíocre é uma vida de imagem pros outros, uma vida descolada da sua verdade interior. Estamos aqui do outro lado. Dormindo oito horas por dia, levando os filhos na escola enquanto conversamos, lendo livros comprados no sebo.

Não viver nos erros do passado, nem na ânsia do futuro. Viver o agora, agradecer o que se tem e celebrar quem está conosco. As coisas que mais importam na vida não são coisas.

Texto escrito por Marcos Piangers

O que você quer MENOS? E o que quer MAIS?

Os anos de 2020 e 2021 foram períodos de rebuliço para muitos de nós.

Como já comentei nesse post, tive depressão durante a pandemia. Essa depressão evoluiu para um quadro de ansiedade que me fez repensar em todas as minhas prioridades novamente.

Digo novamente, porque fazer revisão de gastos e fazer revisão de prioridades, são coisas que precisamos fazer sempre, de tempos em tempos.

A única direção que a sociedade tem seguido é aumentar o consumismo, aumentar as distrações, o estresse, as obrigações e a falta de tempo.

Ir contra essa direção, é ir contra a maré de tudo o que vemos e sentimos, uma pequena tentativa individual de tentar melhorar a qualidade de vida, mesmo com todos os percalços do dia-a-dia.

Quero começar esse ano com MENOS auto-cobrança, para viver com MENOS estresse, com MENOS tensões, MENOS complicações.

MENOS internet, MENOS exposição, MENOS tralhas.

MENOS obrigações, MENOS pessoas tóxicas, MENOS sorrisos forçados.

Busco para o ano de 2022 MAIS qualidade de vida, MAIS presença, MAIS liberdade.

Quero poder ter MAIS ócio, MAIS criatividade, MAIS espontaneidade.

MAIS sinceridade, MAIS dedicação, MAIS essência.

Quero ter MAIS paciência, MAIS silêncio, MAIS tempo livre.

MAIS livros, MAIS amigos, MAIS família e MAIS amor.

~ Yuka ~

Desacelerar é uma escolha diária

Estou de volta! Feliz 2022 a todos, estava de férias e aproveitei para me desligar um pouco da internet. Espero que todos estejam bem. Aos poucos vou respondendo os comentários que recebi durante este período, ok?

Em agosto de 2020, compartilhei neste post que estávamos nos mudando de São Paulo para uma outra cidade em plena pandemia, com o intuito de trazer mais qualidade de vida para as nossas filhas.

Apesar de ainda gostar bastante de São Paulo, sair da metrópole nos deu uma outra visão em relação ao lazer para as crianças. Em São Paulo, costumávamos levar as crianças em parques (todos sempre lotados, diga-se de passagem), e também em shoppings quando havia atrações infantis.

Depois de 2 anos morando fora de São Paulo, compreendemos o quanto o lazer para as crianças era escasso na capital, e que o lugar delas não era dentro de um shopping ou em um parque ou pátio com chão concretado.

Quando vi minhas filhas tendo nojo de andar descalças na grama ou de mexer na terra, percebi o quanto elas haviam se adaptado ao chão de cimento.

Foi aí que eu entendi que lazer para as crianças era ter um local para elas correrem de forma livre e segura, com os pés descalços na grama, na areia ou na terra, com muitas árvores com folhas e gravetos no chão, insetos, lagos com peixes, além de playground com os tradicionais escorregador, balanço, trepa-trepa e brincar com outras crianças.

Temos levado as crianças para os diversos parques espalhados pela cidade para jogarem bola, pular corda, andar de bicicleta, jogar badminton, fazer um piquenique com direito a lanchinho, suco, frutas, deitar na toalha e ler um livro.

Hoje, elas não têm mais medo de subir em árvores, de tomar um banho de chuva de verão, de pegar gravetos e folhas do chão com pequenos insetos, até mesmo cutucar um formigueiro com gravetos com direito a levar as mordidas das formigas.

Outra coisa é que quando morava na capital, apesar de ter o costume de levá-las para os parques, tanto os pais dessas crianças, como as próprias crianças, brincavam de forma isolada. Aqui onde moro, as crianças se aproximam naturalmente. Em menos de 5 minutos, as crianças estão brincando juntas, crianças de todos os tamanhos e fico feliz em saber que minhas filhas terão além dos amigos da escola, os amigos do bairro.

No início, tomávamos o café da manhã em casa para depois irmos aos parques. Depois começamos a sair de casa carregando o café da manhã dentro de uma sacola para tomar no parque. Só que isso começou a evoluir num outro nível, porque as crianças também não queriam ir para casa almoçar. Elas queriam continuar brincando com os novos amigos, mesmo o relógio marcando 16h, eu e o marido passando mal de fome.

Foi aí que decidimos aderir à farofada.

Aqui, os pais já fazem isso, alguns chegam nos parques com cadeira de praia, chinelo no pé, isopor com bebidas e comida, já pensando em passar o dia inteiro na praça, assim como acontece nas praias.

No início, eu achava engraçado vê-los chegando todos equipados como se estivessem na praia, mas conforme fomos acostumando com a cidade, começamos a entender o motivo… as crianças brincam pra valer, e dá dó de interromper a brincadeira para almoçar em casa. Foi quando meu marido murmurou, de que bem que a gente também poderia comprar uma cadeira de praia e uma caixa de isopor.

Ele também se rendeu à farofada.

Em um mundo tão acelerado, com pessoas cada vez mais doentes, com a ansiedade tomando conta dos nossos dias (inclusive em mim), desacelerar se torna uma escolha diária.

Tudo para evitar ser engolida por esse mundo tão veloz, que não para nunca e recrimina quem não quer mais estar ocupado, quem não quer mais subir de cargo, quem não quer ter mais ascensão na carreira (e aumentar ainda mais as responsabilidades), quem não se importa em ganhar menos dinheiro, e só quer ter um pouco de paz e tempo para prestar atenção na própria respiração.

Nessas horas, eu abro minha bolsa térmica para pegar uma bebida, sentada na minha toalha de piquenique que encomendei especialmente para este fim, afundo meus pés na grama perto de onde as crianças estão brincando e brindo o ócio com o meu marido.

Viva a farofada! Que 2022 seja um ano mais leve para todos nós!

~ Yuka ~

Destralhar é um processo contínuo

Eu já havia feito um destralhe de coisas sem uso na minha casa há alguns anos.

E lembro muito bem que quando fiz esse destralhe, havia objetos que apesar de não ter utilidade, eu não conseguia desapegar. 

Passados alguns meses, quando o mesmo objeto passou pela minha mão de novo, percebi que era algo que não era mais necessário para mim, e tendo essa consciência, consegui me desapegar com muita facilidade.

O que era importante para mim há 1 ano, pode não ser mais hoje. Se eu sei que aquilo que estou prestes a desfazer ainda me traz apego, permaneço com ele, e depois de algumas semanas, ou meses, consigo me desapegar, porque tenho a certeza de que não terá mais utilidade para mim.

Da mesma forma que cortar gastos deve ser um monitoramento contínuo, eu entendi que o destralhe permanente e constante também é tão importante quanto, pois itens que eu já gostei muito, pode se tornar itens em desuso.

Isso acontece, porque coisas entram e coisas saem, a casa tem vida e nós estamos em constante mudança.

É preciso administrar e avaliar de forma contínua se um determinado item que num período foi tão importante, continua com o seu valor para permanecer na nossa vida.

Final de ano é sempre um período bom para fazer esse destralhe, renovando as energias da casa. Quem tiver com ânimo, recomendo muito.

Aproveito para agradecer mais um ano de companhia, das leituras semanais e comentários que só agregam.

Gostaria de desejar um Feliz Natal e um 2022 próspero para todos vocês.

Nos encontramos no ano que vem.

~ Yuka ~

Já pensou em comprar tempo (e não coisas)?

comprar tempo

Esse post terá duas abordagens.

A primeira é comprar tempo hoje, neste exato momento.

E a outra é comprar tempo no futuro.

1.) Como comprar tempo HOJE:

Já é consenso que todos nós queremos ter mais tempo. E há diversas formas de comprar tempo, principalmente nas tarefas que podemos terceirizar. Claro que para isso, precisamos colocar a mão no bolso em alguns casos, mas em outros casos, só é necessário organizar melhor o tempo.

Ter comidas prontas

Aqui, pode-se comprar comidas prontas, ou até mesmo se planejar para ter sempre comida pronta no congelador, que é o meu caso. Se faço uma feijoada, congelo diversas porções. Se faço molho de tomate, também divido e congelo as porções. É uma alternativa muito viável para quem quer otimizar o tempo.

Quando faço massa dos cookies, duplico, ou até mesmo triplico a receita e congelo. O tempo da preparação é o mesmo, só que aí eu passo meses sem precisar fazer a massa, lavar a louça e tudo mais. Coloco alguns cookies congelados na assadeira e depois de 15 minutos tenho cookies quentinhos saindo do forno. Faço a mesma coisa quando faço lasanha, quibe recheado, pastel, etc. Essas porções de comida me ajudam a alimentar a família, quando por algum motivo algo sai do controle (que no caso, é a preguiça).

Pagar frete

Há lojas que oferecem a opção de buscar o produto comprado na loja física para ter o frete zerado. Como eu entendo que meu tempo é dinheiro, eu prefiro pagar o frete e ter a comodidade do produto ser entregue na porta de casa.

Ter alguém para limpar a casa

Eu não contrato ninguém para limpar a minha casa, porque não me sinto confortável de ter uma terceira pessoa entrando em casa, mas para quem não tem isso, acho muito legal não ter que limpar embaixo do fogão, em cima da geladeira, lavar as janelas, tirar poeira dos quadros etc.

Delivery de produtos alimentícios

Hoje, já podemos comprar itens do supermercado pela internet. Temos também produtores que entregam verduras, legumes e frutas semanalmente no conforto da nossa casa.

Fazer algo quando está inspirado

Eu já entendi que quando não estou a fim, não adianta eu ficar sentada na frente do computador por horas que eu não consigo escrever nada para este blog. Mas quando estou inspirada, consigo escrever vários textos de uma única vez.

Da mesma forma, acho bacana tentar internalizar isso para as outras áreas da vida.

Eu faço isso na cozinha. Tem semanas que eu passo na maior preguiça, sem vontade de fazer nada, aí de repente vem aquela vontade e eu aproveito para cozinhar bastante coisa e congelar tudo.

Foi a forma que encontrei para respeitar a minha vontade e o meu tempo.

2.) Como comprar tempo para o FUTURO:

Essa parte é a que mais gosto, e faço isso sempre.

Toda vez que eu invisto parte do meu salário em investimentos à longo prazo, eu tenho consciência de que estou comprando meu tempo do futuro. É esse dinheiro que somado com o poder dos juros compostos, vai permitir comprar a minha liberdade, sem que eu precise trabalhar por dinheiro.

Tenho essa consciência todos os dias, e é isso que me faz esforçar e fazer escolhas inteligentes no meu dia-a-dia. Ao invés de comprar roupas sem precisar, trocar o celular que ainda está funcionando, eu prefiro comprar bons investimentos. Para os mais entendidos, eu compro ativos, ao invés de passivos.

Como a gente não vive de vento, claro que precisamos consumir. Mas quando faço isso, gosto de fazer uma avaliação minuciosa no momento da compra e reflito se aquilo que estou prestes a comprar tem o valor que julgo importante para entrar na minha casa.

Muitas vezes, se é uma roupa para ir ao trabalho, prefiro não gastar tanto dinheiro. Aliás, é surpreendente como podemos nos vestir bem, sem torrar pequenas fortunas.

Vou dar um exemplo pessoal. Eu antes usava sapato de marcas mais caras. Eram sapatos que custavam 300, 500 reais. Mas comecei a perceber que esses sapatos além de serem caros, não duravam muito no meu pé (no máximo, 1 ano). Ou seja, para o meu pé, era muito caro, pouco durável e caro. Passei a comprar sapatos de outra marca que custa em torno de 100 a 150 reais que me atende muito bem. Ou seja, tem o mesmo estilo, o mesmo conforto, mas com preço menor. E é toda essa avaliação no momento de gastar que eu entendo que é “gastar dinheiro de forma inteligente”. Se o sapato mais barato é tão bonito quanto, e durar o mesmo tempo que os sapatos mais caros, vale o custo-benefício.

Quando faço essas análises, sinto que dou valor não só ao meu dinheiro, mas no tempo que eu demorei trabalhando para conquistar esse dinheiro, afinal, tempo é o nosso maior patrimônio.

~ Yuka ~

Os 5 gastos mais úteis do ano de 2021

Continuando com a tradição que comecei em 2019, listo quais foram os 5 gastos mais úteis no ano de 2021.

Fazer essa avaliação anual tem sido interessante, pois tenho a oportunidade de rever os gastos que tive ao longo do ano, permitindo assim, que as minhas compras sejam cada vez mais conscientes e acertadas.

  • carro
  • plano de saúde
  • gastos com Felicidade
  • álbum de fotos
  • sessões de fonoaudiólogo

Carro

Em agosto deste ano, eu finalmente decidi comprar um carro.

Não comprei quando casei, não comprei quando tive minha primeira filha, não comprei quando minha segunda filha nasceu, mas comprei este ano, por causa da pandemia.

Faz 4 meses que eu estou com o carro, e posso dizer: como é bom ter um carro. Eu reconheço todas as vantagens de não ter um carro, mas também reconheço as vantagens de ter um carro.

O carro trouxe bem mais mobilidade, maaaas… não posso negar que os gastos também aumentaram, não só pelos custos associados (estacionamento, seguro, produtos para limpar o carro, minha primeira multa…), mas também pela facilidade na locomoção.

Por exemplo, se antes eu fazia compras controladas no supermercado, pois depois eu teria a missão de voltar para casa carregando todas as compras no braço; com o carro, esse problema não existe mais. Ou seja, compro o que eu quiser e volto para casa carregada, o que faz com que eu volte algumas vezes com menos dinheiro no bolso.

Plano de saúde

Eu finalmente me encontrei num plano de saúde, depois de muita busca e procura incessante.

Durante muitos anos, tive a Unimed Paulistana, da qual gostava muito, mas faliu e fui obrigada a migrar de plano quando estava grávida.

Me orientaram para que eu migrasse para o Bradesco Saúde, e escolher o plano empresarial que era mais barato.

Só depois de um tempo que eu descobri onde estava a pegadinha. Além de eu ter que criar um CNPJ fake, o plano que iniciava com valores mais baixos, rapidamente eram reajustados de forma abusiva, com reajustes anuais de 21%, depois 47%, 22% e 30%, enquanto meu salário continuava com reajuste anual de 0%. Ficou claro que seria uma questão de tempo eu continuar nele. Os planos empresariais não são protegidos pela Agência Nacional da Saúde (ANS), ou seja, eu só tinha 2 opções: pagar sem reclamar ou sair do plano.

Também descobri que quando fazíamos algum procedimento caro, o valor da mensalidade era reajustado proporcionalmente. Mais tarde, a consultora do plano de saúde me explicou que quando temos um plano empresarial, eles fazem uma média do quanto essa “empresa” gastou para fazer o reajuste anual.

Outra coisa é que há uma cláusula nos planos empresariais que ambos podem reincidir o contrato a qualquer momento, ou seja, se eu tiver alguma doença com tratamento caro, será que eles poderiam me desligar do plano? Preocupante…

Em apenas alguns anos, o valor que começou relativamente baixo, se tornou impossível de pagar.

Depois migrei para o Grupo NotreDame Intermédica, plano empresarial, mas eu continuava incomodada demais em ter um CNPJ sem ter uma empresa. Então decidi migrar temporariamente para um plano que é chamado de adesão do próprio Grupo NotreDame, mas que também não era protegido pela ANS. Me livrei do CNPJ, mas continuava com os reajustes abusivos.

Para se ter uma ideia do que estou falando, em 2020, ano que iniciou a pandemia, meu plano adesão teve reajuste de 17% (e meu salário ainda com 0% de reajuste), enquanto os planos individuais e familiares tiveram percentual de reajuste negativo de -8,19%, já que a ANS entendeu que por conta da pandemia, houve queda nas despesas assistenciais. Isso mesmo, os planos de saúde do grupo individual e familiar foram obrigados a reduzir o valor da mensalidade, enquanto eu tive que pagar um reajuste de 17%.

Outro problema da NotreDame era que eu simplesmente não conseguia marcar médicos. Que raio de plano de saúde é esse que a gente tem dificuldade de marcar consulta com especialistas? Me sentia uma bola de pingue-pongue, indo de um lado para o outro.

Quando começou a pandemia, comecei a sentir medo, porque não sabia para onde iria, caso precisasse de algo emergencial.

Resolvi testar o QSaúde, um plano de saúde novo. Até disse para o marido, “ruim por ruim, vamos testar um outro plano de saúde”, e não é que eu gostei? Até o momento, só tenho elogios. O plano tem atendido muito bem a nossa família, tem um conceito bem similar ao plano de saúde Alice, que é ter um médico da família.

Estou sendo muito bem cuidada pelos médicos, e nunca me senti tão satisfeita e feliz em pagar por algo.

Gastos com Felicidade

Desde que li o livro “Die With Zero“, eu abri uma categoria nova nos meus gastos, e nomeei como “Gastos com Felicidade”. Nesta categoria, entra tudo o que pode trazer boas memórias, lembranças e momentos felizes para mim e para a família, desde passeios, viagens, incluindo mimos para as crianças.

É muito gratificante ver os gastos desta categoria crescer, pois significa que estamos vivendo o presente, tendo ótimas experiências em família.

Álbum de fotos

Este ano, consegui colocar em prática algo que me incomodava há muito tempo.

Quando eu era criança, eu adorava ver o álbum de fotos da minha família. Sentava na sala e passava horas folheando as fotos.

As fotos se tornaram digitais e depois que comecei a ter a minha própria casa, eu não tinha mais nenhum álbum, mas isso era algo que ainda não me incomodava, porque eu sempre tive acesso à pasta das fotos que ficava dentro de algum computador, ou em algum HD externo.

Até que minhas filhas nasceram.

Obviamente, elas não têm acesso ao meu computador, ou seja, não conseguem ver as fotos. E isso era algo que me incomodava, pois sempre lembrava de como era gostoso ser criança e folhear as fotos da família.

Então este ano, eu consegui imprimir alguns álbuns. Montei e imprimi o primeiro ano de cada uma das minhas filhas, imprimi também o álbum do meu casamento.

A minha ideia é ter um álbum novo todos os anos. No fim de ano, pretendo sentar com a minha família para escolhermos de forma democrática quais as melhores fotos para entrar no álbum do ano que está para terminar. De quebra, será um momento único, de ter gratidão e lembrar como foi o nosso ano.

Este item já estava na lista do ano passado e vai permanecer este ano. É o tratamento fonoaudiólogo da minha filha mais nova, e posso dizer que está sendo maravilhoso a evolução da fala dela.

Estes foram os meus 5 gastos mais importantes do ano.

Para quem tiver curiosidade, segue a lista dos anos anteriores:

Os 5 gastos mais úteis do ano de 2020

Os 5 gastos mais úteis do ano de 2019

~ Yuka ~

Para onde foi todo o dinheiro que passou na sua mão em 2021?

Dinheiro, Dólar, Crise, Projeto De Lei, Moeda, Finanças

Daqui a 3 dias, entraremos no mês de dezembro… o ano está para terminar em algumas semanas.

Final de ano é sempre um ótimo período para refletir tudo o que fizemos (e o que não fizemos) ao longo do ano.

Afinal, você sabe para onde foi todo o dinheiro que passou pelas suas mãos no ano de 2021?

Esses dias assisti o vídeo do Ben Zruel: “Deixe de viver no padrão de vida errado de uma vez por todas”.

Achei o vídeo muito bom, um vídeo que dói, porque ele enfia o dedo na ferida, mas essencial para muitas pessoas que ainda não entenderam como fechar o mês no positivo.

“Viver no padrão de vida errado, é quando não sobra dinheiro no final do mês. Ah, mas eu ganho pouco, não está sobrando, porque tenho 3 filhos pequenos, não interessa, padrão de vida errado, é padrão de vida que não sobra dinheiro. Ponto.” Ben Zruel

Independentemente de quanto recebemos, é sempre bom avaliar para quem saímos distribuindo nosso valioso dinheiro. Pagamos contas, pagamos impostos, pagamos para o dono do supermercado, dono de escola, empresas de streaming, para a pizzaria da esquina…

Distribuímos nosso dinheiro pra muita gente, mas afinal, quanto ficou na nossa mão? Quanto destinamos para o nosso futuro?

Trabalhamos o ano todo, 8 horas todos os dias (às vezes até mais que isso), deixamos de ficar com pessoas que amamos e fazemos tudo isso, porque queremos um presente e um futuro melhor.

Dezembro é quando faço o fechamento anual: analiso quanto dinheiro passou pela minha mão, e desse valor total que recebi, vejo quanto e de que forma gastei, quanto poupei, quantos sonhos consegui realizar, e quais sonhos novos quero ter para o ano seguinte.

É o momento em que permito sonhar, ao mesmo tempo em que mantenho os dois pés no chão.

~ Yuka ~

Linha de tempo da minha jornada FIRE

Eu e meu marido costumamos conversar com frequência sobre nossa jornada, de como vivíamos antes e como nossa vida mudou para melhor depois que descobrimos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).

Ao longo destes anos, fui amadurecendo e tenho a consciência de como equilíbrio é fundamental para quem quer seguir essa jornada.

Há os que poupam em excesso para viver um futuro distante, e não percebem que estão desperdiçando o tempo precioso do hoje, sem nem saber se estarão vivos amanhã.

Já há outros que preferem fechar os olhos para o futuro e viver o presente como se não houvesse amanhã.

Também há os que acreditam que a felicidade só virá depois de ser FIRE e esse é um dos grandes erros no meu ponto de vista.

A jornada que deveria ser divertida e desafiadora, pode se tornar uma jornada de torturas, sacrifícios de anos se não for bem executada, e ainda levar embora a juventude, os amigos, a família, trazendo arrependimentos irreparáveis.

Foram tantos acontecimentos nesta última década que eu até disse para o meu marido que seria difícil criar uma linha de tempo da nossa jornada FIRE, mas que seria interessante tentar resgatar alguns pontos que consideramos importante.

Então esse post nasceu de um dos cafés da noite com o marido.

Eu sou bem ruim com linha de tempo, os anos se confundem na minha cabeça, o que é motivo de risada aqui em casa, então, já considerem que pode conter pequenos erros.

O que eu acho legal na minha jornada é que eu não mudaria nada nas decisões que eu tomei ao longo destes anos. Claro que cometi alguns (talvez seria melhor dizer… muitos?) deslizes no meio do caminho, mas ao observar como um todo, os benefícios foram muito maiores do que os pequenos erros que cometi durante a jornada.

2010

Início do namoro com o marido. Gosto de considerar este período como marco zero, porque é muito antes de ter conhecimento sobre FIRE (descobri esse termo em 2015) e dá pra ver como a gente tinha a cabeça totalmente padronizada à grande massa da população. Apesar de guardar dinheiro, não conversávamos sobre esse assunto, já que era um tabu. Foi nesse ano que comprei meu primeiro imóvel, claro, financiado em intermináveis 30 anos.

2011

Desde o início do namoro, sempre tivemos a certeza de que ficaríamos juntos. Por isso, começamos a guardar dinheiro na poupança já pensando em nos casar.

Tínhamos o que pode ser considerado o pensamento típico da classe média brasileira. Queríamos comprar um carro e um imóvel de 3 dormitórios, e o único investimento que conhecíamos era a poupança.

Tínhamos pouco dinheiro guardado, um imóvel financiado a perder de vista e o meu plano de previdência privada.

2012

Nós tínhamos uma vida regrada, eu, porque era econômica; meu então namorado, porque recebia um salário muito baixo, quase no limiar da sobrevivência. Ele comia todos os dias a mesma comida, porque não tinha condições de se alimentar de outra forma.

Já eu, funcionária pública, ganhava um pouco mais que ele, então obviamente eu vivia com mais conforto. Alguns meses antes de casar, decidimos morar juntos e isso acabou trazendo também benefícios financeiros, já que agora, pagaríamos apenas 1 aluguel, 1 conta de luz, 1 conta de gás etc.

Apesar de não ter nenhum conhecimento sobre investimentos, começamos a poupar por um motivo bastante convencional: queríamos comprar um carro e um apartamento. Não que estivéssemos precisando de um carro, nem de um apartamento grande, mas era apenas o percurso natural de um casal tradicional, ou seja, não paramos para pensar se aquilo fazia sentido na nossa fase de vida, se era o nosso sonho, ou se era o sonho de outra pessoa.

Poupávamos todos os meses, numa conta conjunta. Fizemos algumas viagens internacionais neste período, aproveitando que meu marido tinha boas oportunidades por causa do trabalho.

2013

Voltando um pouco no tempo para 2010, na época em que fiz o financiamento do imóvel, eu descobri, assim que assinei o financiamento do imóvel, que eu não posso ter dívidas. Voltei para casa sentindo o peso do papel que a gerente do banco havia me dado. Todo aquele contrato, as linhas e mais linhas das condições do financiamento, a planilha com todas as parcelas que ainda deveriam ser pagas… Eu cheguei em casa passando mal. Quando peguei a calculadora e somei todos os valores que eu iria pagar durante esses 30 anos, quase vomitei.

Foi aí que com fogo nos olhos e faca nos dentes, eu decidi que quitaria essa dívida o mais rápido possível. O ano de 2013 foi o ano que quitei o imóvel. Ou seja, consegui quitar em 3 anos o que deveria ser pago em 30 por 3 motivos: 1.) eu não comprei um apartamento novo, muito pelo contrário, era um apartamento meio que caindo aos pedaços; 2.) apesar de 2010 ter sido o período do boom imobiliário, a proprietária (que gostava muito de mim), não quis reajustar o valor do imóvel na hora da venda, então eu comprei esse apartamento por um valor bem abaixo do mercado; 3.) eu juntei cada real, cada centavo para amortizar o financiamento.

Foi o ano que casei também, apesar de todos esses eventos, alcançamos a meta anual de aporte que havíamos estipulado, pois o salário do marido havia dobrado. Festejamos e continuamos poupando, sem elevar nosso padrão de vida.

2014

Os aportes foram aumentando mês a mês. Eu não lembro direito o ano que eu recebi um bom aumento no meu salário, mas o meu salário também praticamente dobrou com o plano de carreira. Ainda não tínhamos nenhum conhecimento sobre investimentos, nosso maior investimento era colocar em um fundo de investimentos atrelado ao IPCA, em um banco grande. Em troca, ganhávamos um cafezinho e muita bajulação de gerente.

Começamos a anotar todos os gastos em um aplicativo, e isso turbinou os aportes, pois conseguimos identificar onde estávamos gastando mal. Poupamos cada centavo, poupávamos cerca de 60 a 70% do salário. Apesar do valor elevado de aportes, para nós, não foi difícil, porque desde o início, não havíamos aumentado nosso padrão de vida, mesmo quando os 2 salários aumentaram de valor. Posso dizer com convicção de que nós éramos bom poupadores.

Foi nesse ano que começamos a estipular um valor mensal de mesada para cada um. Essa iniciativa se mostrou muito acertada, pois tínhamos uma válvula de escape para gastar em qualquer coisa que quiséssemos.

Continuamos no mesmo apartamento de 1 dormitório, e sem carro.

Foi quando descobri que estava grávida.

Criei uma cota para usar livremente com táxi, na época, nem existia Uber. Não ter carro era uma opção nossa. Sofrer por não ter carro, não era uma opção, principalmente num período em que estava grávida.

2015

Eu descobri sobre FIRE com o nascimento da primeira filha. Pela primeira vez na vida, não quis mais trabalhar, pois queria ficar com ela. Sem minha filha, eu nunca teria descoberto sobre essa comunidade.

Estudei enlouquecidamente. Pausamos nossas viagens internacionais por um tempo para acelerar os aportes, as viagens se tornaram não só nacionais, como regionais, já que não víamos sentido em fazer uma viagem para tão longe com uma bebê tão pequena. Nós poderíamos retomar nossas viagens internacionais daqui a alguns anos.

Informei o gerente do banco que eu gostaria de transferir o valor total que eu tinha para uma corretora de valores, mas ele não permitiu, colocou diversos empecilhos, e no final ficou bravo comigo. Pois bem, comecei a transferir por conta própria todo limite diário disponível para a corretora, para finalmente começar a investir direito. O gerente do banco começou a me ligar desesperadamente, e só parou de me ligar quando a conta havia zerado. Foram mais de 50 ligações não atendidas.

Resgatei também o saldo total do plano de previdência privada que eu tinha, e fiquei muito frustrada quando descobri que eu não tinha a liberdade para resgatar facilmente o meu próprio dinheiro, além de taxas e impostos gordos que deveria pagar.

Decidi naquele momento que quem tomaria conta do meu dinheiro seria eu, e não mais as outras pessoas.

Nessa época, a renda fixa estava nas alturas, pagando 20% por ano.

Criamos uma meta. Decidimos que até que a nossa filha completasse 6 anos, início do ensino fundamental, todos os nossos esforços seriam concentrados em aumentar patrimônio. Como nós já tínhamos uma vida regrada, não havia muito o que fazer, apenas aperfeiçoar nas economias e continuar nos aportes, só que desta vez, direcionando nos investimentos certos.

Continuamos no nosso apartamento de 1 dormitório, e sem carro. O berço da minha filha ficava no nosso quarto. Fiz um enxoval somente com os produtos que achei necessário, e que maravilha, não senti falta de nada!

No final do ano, tínhamos superado a meta dos aportes novamente. Como o salário não aumentava, o que fizemos foi otimizar os gastos.

2016

Decidi vender meu único imóvel (não quis ficar com ele, porque descobri que o prédio tinha problemas estruturais) e voltei a morar de aluguel. Eu já tinha estudado tudo o que era conteúdo sobre investimentos, então todo o valor da venda do imóvel foi para investimentos. Renda fixa ainda pagava 18 a 20% por ano. Isso acabou gerando uma curva muito acentuada no patrimônio, pois tinha comprado o imóvel por um valor bem abaixo do mercado, e vendi em um período de alta. Esse aporte generoso deu um incentivo extra, pois começamos a enxergar o que estava acontecendo com a nossa carteira de investimentos.

Poupei décimo terceiro, poupei as minhas férias vendidas, poupei a restituição do imposto de renda, tudo. Já meu marido, não tinha décimo terceiro, não tinha férias para vender, nem imposto de renda para restituir. Mas desde o início do namoro, tudo sempre foi nosso. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, sempre foram as “nossas conquistas”.

No meio do ano, o salário do marido reduziu pela metade devido a sua bolsa de pós-doutorado, mas isso não nos abalou. Acostumados a viver apenas com parte do meu salário, apenas continuamos aportando.

Vendo que a nossa vida estava começando a mudar, comecei a contar para todo mundo sobre FIRE e sobre investimentos. Alguns deram risada, e a maioria, não me deram ouvidos.

2017

Nascimento da segunda filha.

Marido ficou na Espanha por 1 mês, e depois o chefe falou que era para ele ir pra Romênia por 3 meses (sendo que estávamos com uma bebê pequena, em época de virose). Foi a primeira vez que ele disse não no trabalho. Descontente, o chefe fez algumas ameaças para demiti-lo, mas nada o intimidou. Os investimentos estavam começando a dar frutos, ele já não tinha medo de ser demitido da empresa. Ele não só não foi demitido, mas como o chefe percebeu que meu marido não iria mudar de opinião, renegociou a data de permanência na Romênia de 3 meses para 15 dias. Agora sim.

Começamos a entender a psicologia por trás do dinheiro. Estávamos confiantes, mais seguros.

Apesar do nascimento de mais uma filha, os nossos aportes continuaram crescendo desde 2013.

2018

Começamos a entender a sensação de segurança financeira que a jornada FIRE trazia. Ver o plano dando certo, e ao mesmo tempo ver a indiferença e um certo deboche dos outros em relação a minha fascinação sobre esse tema, fez com que eu parasse completamente de contar para os outros sobre investimentos.

Compramos 2 imóveis para investimento. Um deles, após uma pequena reforma, foi vendido. E o outro, alugado para um inquilino.

2019

Em 2019 e 2020, meu marido conseguiu um contrato muito bom de trabalho que aumentou muito o seu salário. Era um trabalho com fim já programado, de apenas 2 anos (que encerrou em agosto deste ano). Esse contrato temporário aumentou novamente nosso aporte, já que nós continuamos com a nossa vidinha de sempre (desde 2014, quando meu salário dobrou, lembram?), para focar nos investimentos. Somávamos o nosso salário, pagávamos todas as contas da casa, separávamos uma pequena parte para cada um (a tal da mesada) e todo o resto, ia para os investimentos.

2020

Pandemia, trancados em casa.

Tanto o meu trabalho como a do marido, se tornaram online. Começamos a trabalhar de casa, foi um inferno, cá entre nós, mas por um outro lado, deixamos de ter gastos como viagem, Uber, restaurantes, transporte, roupas, etc. O mundo inteiro estava fechado, todo mundo dentro da sua casa, decidimos focar novamente em aumentar os aportes.

2021

Este ano, minha filha mais velha completou 6 anos. Fizemos tudo conforme havíamos planejado. Patrimônio aumentou e sei que continuará aumentando com os juros compostos.

Tenho dito para o meu marido que já não precisamos nos preocupar com o nosso futuro. Ainda não me considero FIRE, mas o patrimônio já consegue trabalhar sozinho sem interferência da nossa parte, graças ao poder do tempo e dos juros compostos.

Ou seja, daqui a alguns anos, seremos FIRE ou até mesmo FAT FIRE só com o poder dos juros compostos.

Isso nos elevou para um outro patamar de realidade, de que podemos focar apenas no presente.

Se antes poupávamos 40%, 50%, 60% e até mesmo 70% do salário em determinas fases, entendemos que podemos diminuir ou até mesmo zerar os aportes para trazer conforto e mais experiência para a família.

Desde que eu comecei a economizar, já se passaram 10 anos (de 2011 a 2021).

Desde que descobri sobre FIRE, já se passaram 6 anos (2015 a 2021).

Eu já disse em um outro post, que eu realmente acredito que a cada 10 anos, a vida pode dar uma reviravolta. Se parar para pensar, o tempo passou rápido, e não me arrependo nem por 1 segundo por ter tomado uma decisão diferente da maioria das pessoas.

~ Yuka ~

Cada ativo financeiro tem uma importante função

É muito importante entender a função de cada ativo do portfólio de investimentos, para não fazer giro de patrimônio, ou seja, fazer vendas e compras de ativos de forma desnecessária, indo em busca de “grandes oportunidades”.

Mas nem sempre temos clareza do objetivo de cada ativo financeiro que temos na nossa carteira de investimentos.

Então detalho a seguir, o que cada ativo financeiro significa para mim:

Reserva de emergência

Serve para emergência. Que tipo de emergência? Qualquer tipo de emergência. Se encontro algo que estava querendo muito, numa promoção imperdível, vou lá e uso a reserva de emergência, e depois reponho o valor que saquei.

Dizem que é bom deixar de 6 meses a 1 ano de salário na reserva de emergência, mas eu não coloco muito. Deixo de 1 a 2 salários em cada conta (minha e do marido), mas isso, porque sou bem organizada financeiramente e porque tenho uma previsão boa de recebimento de salário por ser funcionária pública.

Pra mim, reserva de emergência é isso, tem que poder sacar e poder fazer transferência bancária a qualquer momento, então o meu está na Poupança de um banco tradicional. Eu não ligo para rendimentos, porque sei que a poupança não tem esse propósito.

Renda Fixa

Serve para manter parte da carteira de investimento em algo estável, sem grandes oscilações. A ideia é manter até o vencimento, mas acabo usando quando enxergo alguma oportunidade, como a compra de um imóvel abaixo do valor de mercado, ou até mesmo para comprar investimentos que estão fora do seu preço normal, como por exemplo, quando a bolsa de valores caiu até 70 mil pontos em março de 2020, eu usei praticamente toda a renda fixa para comprar ações que estavam baratas demais.

Enquanto todo mundo estava vendendo, eu estava comprando.

Apesar da minha tendência é sempre querer investir em renda variável, me policio para manter parte da carteira nesse tipo de ativo.

Fundo de Investimento Imobiliário

Serve para criação de fluxo de caixa. Apesar de preferir investir em ações, acabei me rendendo e passei a incorporar no meu portfólio de investimentos para criação de fluxo de caixa.

Eu odeio vender ativos, ou seja, não me sinto confortável em vender ações de boas empresas para pagar o meu aluguel futuramente. Então os FIIs acabam sendo uma ótima opção, principalmente no quesito psicológico.

Imóvel Físico

Serve como segurança psicológica em saber que tenho onde morar caso o país colapse. Na pior hipótese, é só pedir para o inquilino sair do imóvel e eu passo a morar nesse imóvel.

O imóvel que eu tenho é pequeno, muito bem localizado, próximo de uma boa linha de metrô, tem uma varandinha num andar alto, bate bastante sol, então raramente ele fica vago por muito tempo.

Já pensei em vender várias vezes, mas sempre lembro que eu o tenho para a minha segurança psicológica.

Ações

Já faz um tempo que dá a sensação de que estamos em uma montanha-russa com muita emoção, e sei que ano que vem também será. Mas como eu analiso muito bem as empresas antes de compra-las, não perco o sono com as oscilações do mercado.

Stocks (ações internacionais)

Serve para aumentar a diversificação da carteira de investimento.

Também serve para manter a certeira mais estável, já que dólar e o Ibovespa possuem correlação negativa, ou seja, se movem em direções distintas.

Outros motivos: ter a consciência da importância em investir em um país com economia mais sólida para diminuir o risco Brasil, ter parte da carteira de investimentos atrelada ao dólar para proteger da desvalorização do Real, além de ter renda dolarizada para viajar.

Previdência Privada

Eu tenho uma previdência privada atrelada à empresa que trabalho, naquele esquema de ‘eu faço aporte e a empresa também aporta o mesmo valor’ (até um determinado teto).

Se eu pudesse escolher hoje, não teria feito, mas como já fiz e não consigo sair, continuo aportando todos os meses. O bom é ser livre de inventário.

Criptomoedas

Tenho uma pequena parcela da minha carteira em criptomoedas.

Enxergo como oportunidade, então separo uma parte da minha carteira para quem sabe puxar a rentabilidade da minha carteira de investimentos para cima. O pior que pode acontecer é perder tudo, e o melhor que pode acontecer são as criptomoedas subir até o infinito.

– Yuka –

Coisas que eu comecei a gastar mais depois do minimalismo

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Apesar do minimalismo ser visto por muitas pessoas de que é apenas viver com menos posses, posso garantir que ele é como um iceberg, só enxergamos uma pequena parte, sendo que toda parte submersa é adquirida conforme entendemos o minimalismo com mais profundidade.

Eu, depois que adotei o minimalismo como um princípio de vida, aprendi a gastar menos em coisas que não tinha valor para mim e passei a gastar muito mais em outros itens que irei compartilharei a seguir.

O minimalismo não é sobre viver com miséria e economizar a qualquer custo. É sobre se conhecer, gastar dinheiro em coisas que tenham real significado na vida de cada um. É sobre reduzir excessos de coisas desnecessárias para justamente focar nas coisas que são importantes.

O dinheiro não gasto, faz com que sempre tenhamos dinheiro disponível para gastar em coisas que são importantes para nós. Fora todo o resto que vem junto, como qualidade nas escolhas, redução do estresse, mais tempo disponível, mais auto-conhecimento, foco nas coisas essenciais, mais disposição física e mental. Ou seja, a vida vai ficando cada vez menos complicada.

Todo o dinheiro que economizei ao longo destes anos fazendo escolhas conscientes, me permitem hoje, gastar em coisas que acho importante para mim e para a minha família.

Comprar as coisas que eu realmente quero

Antes do minimalismo, eu costumava olhar as coisas que comprava pelo preço. Depois que entendi que quando comprava o que eu realmente estava querendo, me sentia tão satisfeita que não precisava comprar outras coisas para me sentir feliz, passei a ter um outro olhar sobre as coisas que eu realmente queria.

Costumo fazer a escolha de traz para frente, ou seja, primeiro escolho o que eu quero, e depois me viro com o preço. Posso dar como exemplo o carro que eu comprei para ficar mais fácil o entendimento. Primeiro eu defini o que eu queria em um carro… no meu caso era segurança, espaço confortável para 4 pessoas, um espaço generoso no porta-malas e um carro que desse pouca manutenção. Descobri que os carros japoneses são robustos e quebram pouco. A frase “se todos os carros do mundo fossem japoneses, os mecânicos estariam falidos” me fez decidir por um. Bom, agora era a hora de definir os modelos que eu não queria. Não queria os carros tipo sedan, picape, SUV, pois sempre gostei de carros mais compactos. Eu acabei me apaixonando pelo Honda Fit, um carro japonês, compacto por fora, mas espaçoso por dentro, tem um dos porta-malas mais espaçoso dentro da categoria hatch. Só depois de ter definido o modelo, eu vejo o valor que estou disposta a dar em um carro, ou seja, decido pelo ano do carro que irei comprar.

A escolha de um apartamento também acontece da mesma forma. Primeiro escolho o bairro que quero morar, depois a rua que quero morar, e por fim, fico acompanhando os sites de imobiliária semanalmente até encontrar um apartamento exatamente na rua que quero morar e no preço que posso pagar.

Isso também serve para serviços. Já compartilhei aqui no blog que minha filha mais nova tem gagueira. A gagueira dela era tão severa, que por muitas vezes, ela desistia de falar por conta da dificuldade. Se uma palavra tinha 3 sílabas, ela gaguejava por muito tempo nas 3 sílabas. Era muito difícil conseguir falar uma frase concisa. Escolhemos uma fonoaudióloga muito boa, mas era mais cara que os demais profissionais. Poderia ter contratado uma mais em conta? Poderia. Mas isso nem passou pela nossa cabeça. Eu entendo que o orçamento familiar é como uma gangorra, gasta-se aqui, economiza-se ali. E foi exatamente isso que fizemos. Passamos a gastar na fono para a minha filha, e começamos a economizar nas outras coisas que não eram tão importantes para nós.

Viagem e Lazer

Uma das coisas que não vejo a hora de fazer, é viajar. Viagens são como alimentos para a nossa memória. Desde o início da pandemia, eu nunca mais viajei, nem mesmo para lugares próximos. A última viagem que eu fiz foi antes da pandemia, e pasmem, minhas filhas ainda lembram dessa viagem que fizemos há 2 anos.

Além disso, a pandemia tirou muitos dos lazeres que curtíamos, como cinema, restaurantes, conhecer lugares novos, mas enfim, estamos dando tempo ao tempo.

Produtos que aumentam o lazer para a família

Itens que podem aumentar a convivência familiar, nós não economizamos. Como um sofá grande, uma boa televisão, uma cama confortável, um jogo que a família toda consegue se divertir, itens de cozinha que traz alegria para a casa como as pizzas deliciosas que faço usando a Stone in Box, ou até mesmo o churrasco na Table Grill.

Álbum de fotos

Há tempos estava querendo fazer isso, e finalmente consegui montar um álbum de fotos durante as férias que tirei no meio do ano.

Eu lembro como eu adorava folhear os álbuns de fotos quando criança. E isso é algo que perdemos depois que as fotos se tornaram digitais. Como minhas filhas não têm acesso ao computador, eu sempre quis que elas também tivessem a oportunidade de folhear o álbum da nossa família.

Resolvi esse problema imprimindo álbuns anuais. Este ano, montei e imprimi 4 álbuns.

A minha intenção é todo final de ano, sentarmos os 4 no sofá para projetar na televisão todas as fotos que tiramos ao longo do ano, e selecionar de forma democrática as melhores 100 fotos para montar um álbum de fotos do ano que está para terminar.

Cursos e esportes

Minha mãe já havia me criado dessa forma. Apesar de não ter tido dinheiro para supérfluos, minha mãe sempre permitiu que fizéssemos diversos cursos. Fiz curso de inglês, de japonês, de natação, instrumentos musicais, até de datilografia (quem lembra?).

Livros

Não costumo economizar em livros. Compro livros como quem compra pipoca na rua. Mas tem um porém, eu não compro para ler depois, eu só compro no momento em que irei ler. A maioria dos livros comprados estão no formato kindle, e os que não possuem formato digital, compro livros físicos.

Roupas de qualidade

Já comprei muitas roupas em grandes lojas de departamento como Renner, C&A, Riachuelo, mas essas roupas não costumam durar muito. Gosto de comprar nessas lojas quando é algo temporário, alguma blusa para usar por um curto período de tempo. Mas quando é para montar o meu guarda-roupa, prefiro roupas de tecidos naturais, que tenham bom caimento, boa textura, boa costura.

Também sou adepta a comprar roupas em brechós, esses dias encontrei um modelo de uma saia que estava querendo há tempos, que não conseguia encontrar em nenhuma loja. A saia estava nova, inclusive com etiqueta, mas por 1/3 do preço. É muito bom ter essa opção de compra, principalmente quando as roupas que se escolhe são atemporais.

A qualidade das roupas foi algo que eu comecei a prestar atenção a partir de 2010, quando eu ainda passava muito frio no inverno, mas não sabia que era por causa das roupas que eu usava. Eu colocava 3, 4 camadas de roupas, 3 meias-calças e passava frio mesmo assim. Até que num intercâmbio que fiz para o Canadá, meu então namorado (atual marido) emprestou o casaco dele para eu passar o inverno em Vancouver (com neve!), e não passei frio. Como assim? Eu passava frio no inverno tropical do Brasil e não passei frio embaixo de neve no Canadá? Era a roupa.

Comida de verdade

Em 2019, quando fiz minha reeducação alimentar, eu li bastante sobre comida industrializada e doenças associadas. Desde então, temos reduzido a quantidade que ingerimos de comidas industrializadas, principalmente os óleos vegetais (de qualquer tipo, girassol, canola, soja etc), margarinas, molhos industrializados etc.

Damos preferência para azeite e manteiga, molhos caseiros, leite fresco, legumes e vegetais in natura, além de consumir ovos, carnes e peixes.

Tempo

Toda vez que invisto parte do meu salário em ativos financeiros que me geram renda, sei que estou comprando meu tempo de volta.

Eu adoro receber o salário do mês e “comprar” meu tempo de volta, é algo que realmente me dá prazer.

Como vocês puderam perceber, eu gosto de gastar bem o meu dinheiro. Mas para que a conta do mês feche com saldo positivo, sei que a lista das coisas que não compro é muito maior. E é justamente esse equilíbrio que me permite viver com qualidade de vida.

~ Yuka ~

Como uma vida intencional nos aproxima de uma vida FIRE

Eu e meu marido costumamos abrir as janelas do passado e ficar observando como era a nossa vida de alguns anos atrás.

Esses dias estávamos lembrando de como era a nossa vida depois que as nossas filhas nasceram. Como a gente não tinha carro, tudo era feito a pé, de metrô, de ônibus e raramente, de Uber. Era desta forma que a gente se locomovia pela cidade.

Quando minha primeira filha nasceu, eu comprei um carrinho de bebê que deitava completamente, porque já tinha a intenção de ter um segundo filho, e a minha ideia era colocar as duas no mesmo carrinho, simultaneamente. O carrinho escolhido era bem simples, um dos mais leves do mercado. Existem carrinhos específicos para quem tem 2 crianças pequenas, mas eu achava um trambolho, além do carrinho ser bem mais pesado.

Sempre tivemos o costume de leva-las em diversos parques, e um dos parques que gostávamos de ir era o Parque da Água Branca, que fica na Zona Oeste de São Paulo, que cá entre nós, não era muito perto de casa.

Era um local muito agradável, primeiro, porque tinha muitas galinhas soltas, o que pra mim era uma atração à parte, já que eu dava boas risadas observando a quantidade de galinhas atrás de mim, e ainda mais, ver as crianças correndo atrás delas. Segundo, porque o parque tem um clima bem familiar, não é lotado, nem agitado como o Parque Ibirapuera. E terceiro, porque esse parque sempre me remeteu àqueles parques mais antigos, por ter um sorveteiro que vendia sorvete americano, desses que fazem sorvete a partir de um suco concentrado, das garrafas de vidro com os xaropes de ponta cabeça. Tinha ainda o trenzinho todo colorido para as crianças, que dava voltas por todo o parque. O local contava ainda com um mini-parque de diversões, típico de quando éramos crianças. Ou seja, era como se estivéssemos entrando em um túnel do tempo, um lugar que nos trazia nostalgia e muita paz.

Para chegar nesse parque que não era perto de casa, íamos de metrô. Colocávamos as duas sentadas no carrinho, bem comportadas, uma atrás da outra. A pequena sentava na frente, e a mais velha, sentava atrás. Muitos transeuntes olhavam para nós, e sorriam, pois não era uma cena tão comum. Subíamos a ladeira empurrando o carrinho com a língua pra fora, e finalmente, chegando no parque, elas pulavam, brincavam e se divertiam a tarde toda.

Na hora de retornar para casa, as meninas, já cansadas de tanto brincar, dormiam no meio do caminho. Colocávamos a mais velha deitada no carrinho (por ser a mais pesada) e a caçula ia no colo. Como meu marido tem mais força no braço, ele carregava a caçula e eu empurrava o carrinho com a minha filha capotada lá dentro. Como não gosto de carregar peso, ainda pendurava todas as mochilas e tudo o que eu tinha direito no guidão do carrinho.

Andando pelas calçadas tortas de São Paulo, eu e meu marido ríamos alto falando que um dia, esse carrinho iria desintegrar na nossa mão. Porque esse carrinho, minha gente, andou tanto por essa cidade de São Paulo que eu nem sei como nunca quebrou.

Nós éramos um casal sacoleiro. Andávamos com um carrinho de bebê com 2 crianças dentro, sempre com uma mochila grande nas costas (com fralda, paninho, mudas de roupa extra, garrafa de água, leite, papinha, trocador, frutas, guarda-chuva, capa de chuva, etc), fora quando inventávamos de levar brinquedos… Pendurávamos tudo no carinho e saíamos de casa satisfeitos. Não é à toa que um dia fui reconhecida por uma leitora…. claro, só podia ser eu com aquele carrinho.

Quando passava no supermercado com as meninas, também pendurava todas as sacolas possíveis nesse carrinho de bebê, e com isso, precisava tomar muito cuidado para ele não tombar para trás, tamanho o peso das compras. Com as sacolas das compras penduradas, não era raro me enroscar na porta do prédio, na porta do elevador, na porta de casa.

E olhando para trás, posso dizer que na época, estávamos tão empenhados, tão decididos, acreditando e vivendo intensamente a jornada FIRE (Financial Independence Retire Early), que nada disso foi difícil para nós, não era complicado como as pessoas costumam achar.

Sempre encaramos tudo na esportiva, era algo necessário para quem tinha um projeto de vida bem definido, que era juntar o maior valor possível de patrimônio em um curto espaço de tempo, justamente por entender que a época de aportes gordos poderiam não durar para sempre.

Nós sempre soubemos que era uma escolha que estávamos fazendo. E estava tudo bem pra gente.

Hoje a gente lembra com bastante carinho dessa época, reconhecemos nosso esforço, e damos boas risadas, porque olhando pra trás, é engraçado mesmo lembrar que a gente corria pela rua com um carrinho de bebê cheio de penduricalhos, ou da gente secando a parede da sala em períodos de chuvas torrenciais. Na época, não era engraçado, mas nunca enxergamos isso como sacrifício, pois era algo que encarávamos com naturalidade, uma fase importante que precisávamos passar.

E é por isso que bato na tecla de que quando temos consciência do que queremos e para onde queremos chegar, os “sacrifícios” se tornam “escolhas”.

Termino o post de hoje com um texto retirado do blog da Claudia Ganhão, sobre o significado de viver de forma intencional:

“Viver de forma intencional, significa viver com intenção, colocando sempre a nossa intenção em tudo o que fazemos, em vez de vivermos somente em piloto automático, desresponsabilizarmo-nos das escolhas diárias, fazendo o que se espera de nós ou o que a maioria faz, sem pensarmos nas razões que nos levam a agir. É um convite para pensarmos nas nossas prioridades e motivações, a planejar e a agir de acordo com as mesmas.”

– Yuka –

Fique próximo de pessoas que gostam de você

Você também deve conhecer alguém que implora por atenção, assim como eu conheço.

O problema não é apenas implorar por atenção, mas implorar por atenção de quem não está nem aí para você, ou de alguém que te maltrata.

Até apelidei esse comportamento de síndrome do vira-lata: aquela pessoa que é mal tratada, chutada, e mesmo assim, sempre volta abanando o rabo, elogiando, enaltecendo a pessoa que falou mal.

Esses dias minha filha comentou que antes da pandemia, tinha uma amiguinha na creche que não gostava dela. E eu respondi que não havia nenhum problema dessa amiguinha não gostar dela, pois havia muitos outros amigos que gostavam dela, e que ela deveria focar nas pessoas que gostam dela, e não nas poucas pessoas que não gostam dela. Ou seja, nada de ficar implorando, nem ficar insistindo amizade com quem não vale a pena.

Foi quando meu marido pensou brevemente e disse “realmente, é algo muito fácil de compreender, mas não sei por que focamos nas pessoas que não gostam da gente”.

Quem é amigo meu sabe, que eu sou uma ótima amiga (e metida também, né?).

Quando nomeio a pessoa como “meu amigo do peito”, eu não tenho medo de me entregar, não meço esforços para estar junto e ajudar. Então quando alguém não faz questão de me conhecer melhor, só consigo dar os pêsames para essa pessoa. Afinal, a pessoa está perdendo uma grande oportunidade de ser amiga de uma pessoa fantástica que nem eu kkkkk. Sei que parece exagerado, mas é desta forma que eu penso mesmo.

Existem tantas pessoas no mundo, que é óbvio que vão existir pessoas que não vão gostar da gente, ou porque o santo não bate, ou pela falta de afinidade, ou porque sentem inveja, ou por qualquer outro motivo.

Por ter crescido em um ambiente tóxico, eu aprendi desde pequena a identificar pessoas com perfis tóxicos. Passo longe de pessoas que são manipuladoras, maldosas, que só reclamam e julgam os outros.

Aqui o conselho é tentar ficar o máximo de tempo possível ao lado de pessoas que gostam da gente de verdade. Claro que nem sempre é possível, já que passamos boa parte do tempo trabalhando, mas é permitir estar em contato com pessoas que amamos.

A maioria dos meus amigos estão comigo há mais de 20 anos, e alguns deles são amigos mais recentes. Nos divertíamos sem ter um tostão no bolso, enfrentamos saudades da família juntos, aprendemos a dividir o pouco que tínhamos, a compartilhar sentimentos, os sorrisos, as trapalhadas e as lágrimas.

Para esses meus amigos, pouco importa se eu estou em um trabalho reconhecido, ou se estou desempregada. Se estou casada ou divorciada. Se estou triste ou feliz. Eles estão sempre do meu lado, me mostrando o melhor caminho a ser seguido, compartilhando as delícias e as dificuldades da vida.

E posso dizer que a regra não é tão complicada.

É basicamente respeitar quem nos respeita, cuidar de quem cuida de nós, ter consideração pelas pessoas que têm consideração por nós, torcer por quem torce pela nossa felicidade, valorizar quem nos dá valor, confiar em quem nos dá um voto de confiança, e o mais importante… amar quem nos ama.

~ Yuka ~

A minha trajetória entre os tipos de FIRE

Quando eu ouvi pela primeira vez sobre FIRE (Financial Independence Retire Early), eu tinha uma bebê recém-nascida no meu colo. Foi um marco inesquecível na minha vida, já que a vontade de voltar ao trabalho era zero.

A gana para me libertar do sistema foi tão grande, que em pouco tempo eu devorei muitos conteúdos FIRE, li centenas de livros sobre investimentos e aprimorei meu controle financeiro. Aprendi a investir e também a economizar, já que no meu trabalho, tenho o agravante do meu salário não ter reajustes anuais por longos períodos, ou seja, apesar dos gastos terem a perspectiva de aumento, a receita diminui; uma péssima combinação.

Aprender a economizar nas coisas certas para gastar em coisas que eram importantes para mim, permitiu que eu continuasse com a mesma qualidade de vida, mas aumentasse os aportes. Eu já era bem controlada financeiramente, então não tive mudanças radicais no meu estilo de vida, mas a forma como eu passei a enxergar o dinheiro, e consequentemente, a investi-lo, mudou da água para o vinho.

Os bons resultados vieram relativamente rápido, por uma sucessão de acontecimentos. A renda fixa que estava dando taxas altas de retorno, o boom imobiliário, a renda variável que ainda não tinha começado a sua subida, aliado com muito estudo, consegui enxergar o poder dos juros compostos em alguns anos, e meu foco se consolidou em acumular patrimônio suficiente para ser FIRE.

Em 2020, eu alcancei o que podemos chamar de Lean FIRE.

Lean FIRE significa que você é independente financeiramente, pois consegue pagar todas suas despesas básicas.

Eu já consigo pagar todas as minhas despesas atuais, e não apenas as despesas básicas, o que me alçaria para o patamar de FIRE, mas como minhas filhas ainda são pequenas e os gastos estão aumentando, acho prudente me considerar no patamar de Lean FIRE. Além disso, nessa crise política e financeira que todos nós nos encontramos, meu patrimônio sobe e desaba numa velocidade impressionante, já que a maior parte dele é composto de renda variável.

Neste ano, comentei que li o livro Die With Zero onde o autor fala sobre a importância de não deixar alguns sonhos para depois, pois alguns eventos têm data de validade.

Depois da leitura do livro, eu percebi que eu seria uma ótima candidata a ser uma Coast FIRE.

Coast FIRE é quando você acredita que possui patrimônio suficiente para deixar rendendo durante alguns anos, enquanto você ainda tem o trabalho ativo.

Há alguns anos, eu escrevi um post falando sobre a minha estratégia FIRE, de que a partir do ano de 2021 (oh, esse ano!!!), eu poderia ficar 5 ou 6 anos sem aportes, e que mesmo assim, seria FIRE por conta do efeito bola de neve. Nessa época, eu ainda não conhecia o termo Coast FIRE, mas pensando agora, é exatamente isso que estou prestes a fazer.

Eu tinha escrito “a partir do ano de 2021”, porque em 2021, minha filha mais velha completaria 6 anos.

A partir dos 6 anos dela, eu tinha muitos planos. Sabia que viagens com crianças seriam mais tranquilas (só não contava que estaríamos no meio de uma pandemia). É uma idade em que a criança está aberta e começa a mostrar interesse para aprender coisas novas como esportes, instrumento musical, dança, ou qualquer outra coisa que ela tenha interesse.

A verdade é que após alcançar determinados marcos FIRE, eu me sinto livre.

Claro que ainda não chegou o momento de sair do trabalho pelos motivos citados acima (e sinceramente falando, após 1 ano e meio trabalhando de casa, trabalhar presencialmente está me fazendo um bem danado), mas eu me sinto livre por saber que não preciso me preocupar com a minha aposentadoria, de saber que se caso eu venha morrer, minha família não vai passar necessidade como minha mãe passou para criar 3 crianças pequenas.

Eu me sinto livre para proporcionar experiências para as minhas filhas, permitir “usar” meu salário sem precisar me preocupar se vai faltar amanhã. É como se o final do arco-íris estivesse agora entrelaçando os meus dedos…

Iniciei o projeto FIRE com 34 anos, e no meu planejamento inicial, eu iria alcançar a Independência Financeira bem mais tarde, mas com os bons ventos dos investimentos, esse prazo antecipou bastante.

Ter começado a estudar finanças, assim que descobri sobre FIRE e ter acreditado nessa “vida de utopia” como muitos dizem por aí, fez muita, mas muita diferença.

Aos 39 anos, cheguei no Lean FIRE.

Aos 40 anos, entendi que cheguei num ponto, que eu posso deixar meu patrimônio crescer por mais alguns anos e fazer o estilo Coast FIRE, talvez até completar 45.

Poderia também ser uma Barista FIRE.

Barista FIRE é quando você atinge a independência financeira, mas trabalha em um emprego tranquilo, muitas vezes de meio período, que oferece alguns benefícios como plano de saúde, ticket alimentação, seguro odontológico.

Ou até mesmo quem sabe, uma Fat FIRE daqui a alguns anos, apenas com o poder do tempo e juros compostos.

Fat FIRE é quando uma pessoa tem dinheiro suficiente para pagar suas despesas e ainda sobra para fazer o que deseja.

Acho que o importante nessa jornada FIRE é não se amarrar em uma única regra, pois é uma jornada longa, na maioria das vezes de 10, 15, 20 anos. É claro que conforme o tempo passa, começamos a ter uma percepção diferente do que tínhamos no início da jornada.

Muitos começam essa jornada solteiros, depois encontram um companheiro, casam, tem filhos, alguns se divorciam, porque viver é isso, temos sempre mudanças acontecendo na nossa vida.

Para mim, foi muito importante não ter me amarrado em um único conceito existente, nem de me colocar dentro de uma única caixa, e sim, ter adaptado os conceitos existentes para abraçar FIRE de acordo com a minha própria realidade e necessidade.

Eu tomei algumas decisões acertadas ao longo destes anos, vivi de uma forma um pouco mais modesta, mas nada absurdo aos olhos das pessoas, tanto que passo despercebida pelo meio em que vivo.

Eu nunca me senti privando de nada, pois eu sabia que estava fazendo algo muito importante, não só transformando a minha vida, mas a vida do meu marido e das minhas filhas.

FIRE sempre foi uma jornada para a liberdade, e é por isso que eu nunca enxerguei como uma jornada de sacrifícios, e sim, de escolhas inteligentes.

~ Yuka ~

De moeda em moeda, o dinheiro se multiplica

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Já assisti diversos YouTubers dizendo que ninguém fica rico economizando no cafezinho, torcem o nariz para quem faz economia pequena.

Mas eu enxergo 3 contrapontos nessa frase:

1.) Ninguém começa grande.

2.) O problema não é o cafezinho em si, mas os gastos que ele representa ao longo do ano, acumulado com outros gastos igualmente pequenos.

3.) Quando ignoramos valores pequenos, ignoramos também o valor do dinheiro.

Ninguém liga para um desconto de internet de apenas R$20. Mas não são R$20. Em um ano, são R$240.

Somado com aquela taxa de manutenção bancária de R$30 mensais, vezes 12 meses ao ano, dá R$360, só por não ter uma conta digital sem taxas.

E aquele Uber que pegamos por preguiça, sendo que poderíamos ir andando ou pegar transporte público. Supondo que seja uma economia de somente R$100 por mês, no final do ano já são R$1.200.

Aquela feira semanal que vamos, ao invés de gastar o valor costumeiro, poderíamos economizar R$20 semanais. São mais R$960 de economia ao ano.

Poderia ficar aqui dando 1 milhão de exemplos de onde poderíamos rever o consumo, mas para não cansa-los, vamos somar só estes poucos exemplos: R$2.760,00.

Esse valor poderia facilmente subir para 5 mil, 10 mil reais de economia ao ano, mas quem não se preocupa em economizar valores pequenos, também não vai perceber que está rasgando todo esse dinheiro fora.

A verdade é que ninguém começa grande. Todo mundo começa pequeno. Ninguém começa ganhando um salário alto. Quem fala que temos que ignorar valores pequenos, é porque esqueceu do tempo que ganhava um salário baixo.

Eu concordo que esse controle não precisa ser feito para sempre, mas é muito importante ter uma boa noção do quanto está sendo gasto, e quanto está sendo poupado, principalmente nos primeiros anos de investimento.

Eu sempre comento por aqui que a vida tem fases e ciclos.

Há determinadas fases em que é preciso poupar com mais intensidade, da mesma forma que há fases em que podemos afrouxar um pouco o cinto. Há fases em que entra mais dinheiro no bolso, enquanto há fases em que entra menos.

Comigo não foi diferente. Houve fases em que eu juntei moedas, poupei dinheiro que as pessoas negligenciavam dizendo que era dinheiro do cafezinho. Em cima dessas piadas disfarçadas de brincadeiras, eu poupei tudo o que sobrava, porque sabia que da mesma forma que há períodos que sobra dinheiro, há períodos que não sobra dinheiro, principalmente para quem não tem um salário tão alto.

Muitos influenciadores falam que não devemos nunca diminuir os gastos, e sim, aumentar a renda. Mas vamos ser realistas, não é todo mundo que tem essa facilidade de aumentar o salário.

Temos que reconhecer que podemos ter controle nos gastos, não na renda. E é por isso que meu foco sempre foi economizar.

Todo esse controle que eu tive foi essencial para entender para onde estava indo meu dinheiro. Afinal, “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”. Ou seja, se não sabemos onde está o cano furado, não temos como conter o vazamento.

Após anos poupando e investindo, e depois de acumular um certo patrimônio, cheguei numa fase que não preciso ser tão rígida no controle como era no começo, pois hoje sei quais são os meus ralos e aprendi com erros e acertos, a gastar dinheiro de forma inteligente.

Mas repito, para mim, economizar nas pequenas coisas foi fundamental.

~ Yuka ~

A 1 metro de distância

PERSISTENCIA

Há muito tempo, assisti um vídeo no YouTube que falava sobre o ponto de ebulição da água.

Ponto de ebulição é quando a temperatura do líquido vence a pressão atmosférica, passando do estado líquido para o estado gasoso.

Para se ter uma ideia da força do vapor, é possível mover uma locomotiva.

Mas veja que a 1 grau Celsius antes, a água estava no seu estado líquido.

A imagem acima também traduz bem o que estou querendo dizer. Muitas vezes, acabamos desistindo um pouco antes de conquistar as coisas.

O desânimo aparece, pessoas começam a desacreditar na gente, as coisas parecem não dar certo… não estou falando das pessoas que insistem nas coisas que estão dando errado, que continuam cavando o buraco errado.

Mas se temos a convicção e a certeza de que estamos cavando o “buraco certo”, que tenhamos força e coragem para continuar nessa jornada, mesmo que ninguém mais além de nós, acredite nisso.

~ Yuka ~

O que significa gastar dinheiro de forma inteligente?

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Muito se diz por aí “gaste dinheiro de forma inteligente”. E aí vem a pergunta: como gastar dinheiro desta forma?

Foi com o tempo que eu aprendi a gastar bem o dinheiro. Veja que não é gastar mais, é gastar bem.

Hoje, eu considero que sei gastar o dinheiro de forma bastante inteligente, fazendo manobras para diminuir em alguns gastos, para poder aumentar em outros locais.

Para isso, invariavelmente, há algo que precisa ser feito… é preciso olhar para dentro.

Olhar para dentro significa analisar quais coisas traz felicidade, e entender o motivo desse sentimento.

Quando iniciamos essa análise, nos surpreendemos negativamente, de como vivemos para agradar e tentar impressionar os outros. Que as necessidades foram criadas e impostas e não porque nós realmente precisamos.

Quando fazemos uma viagem e postamos fotos na rede social, fazemos isso com qual propósito? Será que as fotos, as poses preparadas não seriam uma tentativa de surpreender os outros?

Quando compramos uma roupa, um relógio, um sapato, o propósito real é para o conforto próprio ou para as outras pessoas falarem como estamos bonitos?

Quando escolhemos um modelo de um carro, não estaríamos escolhendo para impressionar os colegas de trabalho e familiares?

E assim, de escolhas em escolhas, entendemos finalmente que vivemos sempre pensando em alguém, nunca em nós mesmos.

Quando esvaziamos muitos desses conceitos (nossos e dos outros), sobra o que podemos chamar de essência, aquilo que é mais básico, o mais importante.

E talvez pela primeira vez, olhamos para dentro antes de fazer algo.

Começamos a questionar por que compramos um apartamento grande, com vários quartos, em um bairro completamente distante do trabalho, se não havia necessidade de ter tudo isso? Será que foi para impressionar a família e amigos? Talvez até para provar para nós mesmos o quanto somos capazes… O resultado é que a vida poderia ser mais fácil se tivéssemos comprado um apartamento menor, mais simples, mas próximo dos serviços que mais usamos.

E aquela viagem para uma cidade , ou um país famoso? Quantos de nós conseguiríamos não falar para ninguém que estamos fazendo uma determinada viagem, não postar as fotos nas redes sociais? Aliás, essas fotos estão sendo publicadas com qual intuito?

E assim, de pergunta em pergunta, começamos a derrubar o principal agente motivacional da nossa falsa felicidade: os outros; e passamos a enxergar o que há muito tempo nem sabíamos que ainda existia: a nossa própria vontade.

O julgamento alheio passa a não ser o centro da atenção, porque agora você sabe o motivo da SUA escolha.

“Moro num apartamento de 1 dormitório, porque não preciso de um maior”

“Comprei um celular caro, porque uso e gosto dele.”

“Não tenho carro, porque tenho um propósito maior”

Não importa a justificativa, desde que seja honesto.

Fazer essas perguntas nos ensina como devemos gastar o dinheiro para aumentar a felicidade.

Há um ponto importante. Não adianta não abrir mão de nada e querer tudo, porque haja dinheiro pra realizar tantos desejos. Não quer abrir mão da empregada doméstica, dos restaurantes nos finais de semana, das viagens para o exterior nas férias e ainda quer aposentar cedo? Só se seu salário for muito alto. Se for salário mediano, como a maioria das pessoas, terá que fazer escolhas. O que eu mais vejo são pessoas que querem tudo, mas não estão dispostas a abrir mão de nada.

Outra coisa que não devemos esquecer é o efeito em cadeia de certas decisões que tomamos.

Por exemplo, quando escolhemos uma determinada escola particular para os filhos, os gastos nunca ficarão só na mensalidade. Além da mensalidade, temos os cursos extracurriculares, as viagens que os amigos fazem, o tênis que eles usam, o relógio, onde eles vão passear nos fins de semana, a casa e o bairro que os amigos moram, o valor da mesada que ganham…

Se todos os amigos do seu filho vão para a Disney nas férias e vocês foram para Santos (nada contra Santos heim, é que minha mãe mora lá), se os amigos ganham uma mesada de 500 reais para comer e torrar no shopping enquanto seu filho nem mesada ganha… Nesse caso, não seria melhor escolher uma escola um pouco abaixo do padrão? Alguns pais podem dizer que isso é irrelevante e que precisamos avaliar somente a qualidade do ensino. Bom, aí cada um tem a sua forma de criação, mas para mim, ser socialmente aceito também é algo que devemos considerar para a felicidade das nossas crianças, principalmente numa fase em que as crianças carregam muitas inseguranças.

Para alguns, gastar em roupas é muito importante. Para outros, a roupa nem é tão importante, mas viajar é. Para outros, a viagem pode não ser tão necessário, mas a alimentação sim.

Usar o dinheiro de forma inteligente é isso. É conciliar a sua possibilidade com a vontade.

~ Yuka ~

Ser feliz com mais ou com menos

A arte de ser feliz – texto de Cecília Meireles

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava história. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que ouvisse, não entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que não participava do auditório imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para uma cidade que parecida feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos: que sempre parecem personagens de Lope da Vega. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outras dizem que essas coisas só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

~ Extraída do Livro “Escolha o seu sonho” de Cecília Meireles ~

Esse texto da Cecília Meireles nos relembra a importância de exercitar os sentidos para enxergar e extrair a felicidade nos pequenos atos do cotidiano, do nosso dia-a-dia, ter gratidão pelas pequenas coisas da vida.

A gente entende por que tem gente que ganha um anel de latão e chora de felicidade, enquanto tem gente que ganha um anel de diamante e acha que o parceiro não fez mais que a obrigação.

Entende que enquanto uma pessoa compra um eletroportátil e abraça (o eletroportátil, claro) de tanta felicidade, tem gente que acha isso uma grande bobagem.

Acha bobagem a felicidade alheia, o sorriso fácil, o choro emocionado.

Nessa correria moderna, você consegue (re)conhecer suas pequenas felicidades?

~ Yuka ~

Redes de mentiras sociais

Já faz um tempo que as pessoas têm me pedido para falar sobre o uso de redes sociais.

Eu nem sei se eu sou a pessoa ideal para falar sobre esse assunto, por justamente não ser adepta às redes sociais.

Uso o WhatsApp para conversar com a família e meus amigos, e assisto alguns vídeos do YouTube quando tenho tempo. Mas não tenho Instagram, uma das redes sociais que mais afeta a saúde mental. Também não tenho Facebook, Twitter, Linkedin, Snapchat, TikTok, e mais algumas outras que eu nem devo saber da existência.

Então vou falar do ponto de vista de quem não usa tanto, de quem não está imerso nessa vida de redes sociais.

Eu já tive Orkut (quem lembra?) e Facebook durante poucos anos e logo de início percebi que não iria me fazer bem.

Eu percebi que o que era dito para mim, era diferente do que estava sendo mostrado nas redes sociais. Talvez as pessoas faziam de forma inconsciente, mas enquanto algumas pessoas falavam para mim que o casamento ou o namoro estavam desmoronando, nas redes sociais elas postavam as fotos do casal apaixonado, com toda aquela declaração de amor. E isso era constante. Também teve um caso que descobri por acaso que por trás daquela viagem maravilhosa que uma conhecida havia feito, ela havia contraído uma dívida praticamente impagável. Ou de um casal que fazia questão de mostrar toda sexualidade aflorada, e descobrir que os dois não tinham relações por meses. Eu ainda tenho diversos exemplos que poderia dar, mas acho que estes são o suficiente para entender que tudo isso me deu um bug na cabeça.

Em pouco tempo, comecei a me questionar… eu gasto meu tempo para ficar vendo…. mentiras? A famosa “redes de mentiras sociais”. Eu perdia meu precioso tempo vendo a mentira dos outros, mas o que me incomodava mesmo era ver a vaidade, o narcisismo excessivo.

Outra coisa que eu entendi rapidinho é que as redes sociais gera uma comparação e uma competição doentia.

Durante o pouco tempo que tive Orkut e Facebook, comecei a sentir que não tinha amigos o suficiente, não era rica o suficiente, não era legal o suficiente, não era bonita o suficiente, não tinha uma família unida o suficiente, não viajava para lugares instagramáveis quanto eles, enfim, um saco sem fundo de comparação sem sentido. Justo eu, que sempre fui uma pessoa grata.

Ao decidir sair das redes sociais, compreendi que não fazer parte disso tudo era algo bizarro, como se não fizesse parte deste mundo.

E de fato, no início, foi exatamente essa sensação que eu tive. Comecei a perder alguns eventos, alguns encontros, porque as pessoas simplesmente esqueciam de me avisar. Eu ficava chateada, porque é isso né, se você não está nas redes sociais, você não existe. É como se de repente você sumisse do mapa e ninguém sentisse sua falta, é como se você tivesse sido esquecida pelo mundo.

Mas esse vazio inicial, durou apenas algumas semanas. Aos poucos, eu comecei a enxergar os benefícios. Eu sentia que estava tendo controle da minha vida, e o melhor, sem precisar me comparar com a vida dos outros. A minha vida começou a parecer de novo colorida, mais interessante, mais intensa, porque não havia mais uma praia do Havaí com água cristalina para comparar uma viagem que eu fazia para Santos para visitar a minha mãe. Ou comparar um fim-de-semana em um resort caro enquanto minhas filhas brincavam no barranco perto de casa, escorregando em uma caixa de papelão.

O que eu posso dizer de antemão é que mesmo se você não fizer parte de uma rede social, a vida continua. E não uma vida qualquer, mas uma vida com controle, com mais presença. Quantas vezes você foi no restaurante e perdeu minutos da sua vida para tirar a foto perfeita para o Instagram?

Quantas vezes você estava festejando o ano novo tentando tirar a foto perfeita tendo os fogos de artifício no fundo, e não aproveitou o show da virada?

Quantas vezes você viu seu filho fazendo alguma coisa divertida e espontânea apenas pela tela do seu celular, mesmo estando na frente dele?

Se prestar atenção, verá que nos restaurantes, os casais não se olham, pois estão cada um no seu celular. Amigos não conversam, porque estão cada um entretidos no seu próprio mundo. Filhos não existem, pois estão em tablets entretidos para não atrapalhar os adultos.

Semana passada foi meu aniversário. Não ter que postar nada nas redes sociais é maravilhoso. Todas as pessoas que são importantes para mim, meus melhores amigos, minha família e alguns colegas, lembraram do meu aniversário. E fico genuinamente feliz, porque meu aniversário não está anotado em lugar nenhum.

Eu também sei o aniversário de todas as pessoas que são importantes na minha vida…

Para quem já está viciado nas redes sociais, como qualquer vício, tem que ter a consciência de que será muito difícil de se livrar. As empresas sabem disso, e fazem de tudo para nos prender cada vez mais, afinal, quanto mais tempo passamos olhando para as telas, mais as empresas pagam para essas plataformas para vender seus produtos.

Posso garantir que o esforço para eliminar as redes sociais vale a pena. Depois que passa o período de abstinência, vai perceber que não deixou para trás grande coisa. Vai ficar surpreso de como perdia tempo assistindo coisas sem sentido, que ficava consumindo conteúdo que não agrega absolutamente nada na vida, tendo FOMO (Fear of Missing Out – medo de ficar de fora) por coisas sem nenhum valor.

Vai perceber também que as pessoas importantes, continuarão do seu lado, com ou sem rede social.

É ilusão achar que temos tempo para tudo e para todos. Nós não temos. Se estamos passando muito tempo nas redes sociais ou em qualquer outra coisa sem sentido, temos que ter a consciência de que algo está sendo deixado de lado.

~ Yuka ~

Felicidade fabricada

josh-rose-158801-unsplash Começo o post de hoje com um texto que li na internet, postado por Samer Agi, Juíz do TJDFT: “Marco Aurelio Lobo é psicanalista em Anápolis. Tornou-se, com o tempo, meu amigo pessoal. E, certa feita, Marco me disse: “super valorizamos nossas necessidades. Desrespeitamos nossos desejos”. Joana tem 30 anos. Namora Mário há 5. E ela não gosta mais dele. Só que Joana tem 30 anos. E ela precisa se casar. Joana tem um emprego. Ganha razoavelmente bem, é verdade. Não é o emprego que ela sempre quis, outra verdade. Mas ela precisa trabalhar. Joana tem amigas. Às sextas, reúnem-se para um happy hour. Não são as amizades que ela gostaria de ter. Mas ela precisa de companhias. Um dia, Joana descobre-se infeliz. As pessoas, ao redor dela, não entendem sua perene tristeza. Alguém dirá: “ela tem tudo o que precisa!” É verdade. Ela tem tudo o que precisa, mas não tem nada do que quer. Joana supervalorizou suas necessidades. E desrespeitou seus desejos. O texto de hoje é um convite à reflexão. Uma reflexão voltada a você que, apesar de ter tudo o que precisa, não tem o sorriso que quer. Você já se perguntou sobre os seus desejos? Você já se questionou sobre o que almeja? Não ter tudo o que se deseja é ensinamento que criança aprende em tenra idade. Há dois brinquedos na loja, mas ela só pode ganhar um. Geralmente, o mais barato. Mas não ter nada do que se deseja é doença de gente adulta. É fraqueza pessoal daquele que precisa da chancela da sociedade para tudo o que faz. Joana precisava se casar, ter emprego e amigas. Não importava quais. Se ela cumprisse os requisitos, seria aprovada socialmente. Pobre Joana, que se desaprovou para ser aprovada. Infeliz Joana, que se matou querendo viver. Seus desejos merecem um pouco mais de respeito. Respeite-os.” * * * Esse texto que você acabou de ler, vai de encontro com o comentário de uma leitora chamada Daniela, que sempre compartilha de seus conhecimentos. Há um tempo, ela escreveu a seguinte frase: “Talvez as pessoas que se pautam muito pelo que os outros pensam, não se conheçam o suficiente para saber do que realmente gostam e o que traz felicidade para elas. Daí tem que se pautar pelo que os outros acham, o tempo todo. E tem sempre a coisa de fazer parte do grupo, de precisar da aprovação desse grupo para se sentir amado (não vão gostar de mim se eu fizer diferente). O Contardo Calligaris escreve muito sobre essa questão da validação do grupo, as colocações que ele faz a respeito são muito interessantes e ajudam a gente a entender como funciona a cabeça da gente.” A felicidade genuína é algo raro nos dias de hoje. A insatisfação, não. Esse é um sentimento muito comum nos tempos atuais, assim como o medo, a ansiedade, a insegurança, a inveja, a angústia… Também temos em abundância, a felicidade fabricada, chamada de falsa felicidade que é sistematicamente e insistentemente publicada nas redes sociais. O que as pessoas não entendem, é que a felicidade nunca está fora. A felicidade está sempre dentro. É um trabalho interno, de autoconhecimento. Daí começamos a entender, porque tanta gente está infeliz. É porque olham para fora. Tentam reproduzir a felicidade alheia. Tentam copiar a felicidade do vizinho. Aquela viagem que deixou a outra pessoa super feliz, não vai te deixar tão feliz assim. Sabe por que? Por que você não sabe ainda, mas talvez a sua felicidade seja outra coisa. Uma das coisas que eu adorava fazer antes da pandemia, era passear na 25 de março. Aquele vuco-vuco de gente, era tão lotado que eu andava a passos curtos, parecendo um pinguim. Quando ia lá, acordava cedo, colocava meu tênis e dizia para o marido com um sorriso largo no rosto: “não me espere para almoçar, vou demorar bastante”. Para o meu marido, a 25 de março é a visão do inferno. Para mim, a 25 de março é um mundo encantado. O que traz felicidade para mim, traz desespero para ele. Da mesma forma que para o meu marido andar 50km de bicicleta em um domingo de manhã é libertação, para mim é castigo. Por esses dois exemplos, conseguimos compreender que felicidade não se procura fora, busca-se dentro de nós. As redes sociais amplia essa sensação de infelicidade, porque a vida do outro parece ser sempre melhor que a nossa. E surge a necessidade de querer provar para os outros que estamos feliz. Esquecemos de olhar para dentro, e passamos a olhar excessivamente para o outro. Tem um vídeo que assisti há um tempo, que ilustra bem essa felicidade fabricada, talvez seja um momento de refletir o que estamos fazendo com a nossa vida. Por hoje é só, mas semana que vem, continuarei o papo sobre como o excesso das redes sociais prejudica a nossa vida. ~ Yuka ~

Prefira estar errado no curto prazo, mas certo no longo prazo

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Para algumas pessoas, eu sempre estive errada.

Errada por morar de aluguel, errada por não ter um carro durante tantos anos mesmo com o nascimento das minhas filhas, errada pelas minhas filhas estudarem em uma creche pública, errada por economizar boa parte do meu salário, errada por querer me planejar e pensar em algo que ainda iria demorar para acontecer.

A diferença é que eu sempre soube que estava certa, e eu sempre tive o meu marido que confiou em mim.

Antes mesmo de conhecer o conceito FIRE (Financial Independence Retire Early), eu e ele já vivíamos de modo diferente da maioria, nós éramos frugais. Nós não importávamos com o que os outros falavam de nós, porque tínhamos um ao outro.

Quando eu comprei meu primeiro imóvel próprio, caindo aos pedaços, muitas pessoas falaram que eu estava fazendo a maior besteira da minha vida, mas eu enxergava potencial. Era um imóvel muito bem localizado, onde os dois quintais (de uma cobertura) estavam na justiça. Comprei assim mesmo, porque avaliei que só a parte de dentro do apartamento, sem os quintais, valia o que estava sendo cobrado. Contratei um bom advogado e deixei rolar. Enquanto isso, fiz uma reforma básica para morar bem e depois de alguns anos, vendi com muita facilidade. Ah, ganhei a causa dos quintais.

Quando coloquei minhas filhas na creche municipal, ouvi uns comentários maldosos sobre esse assunto. Mas o que ninguém sabia era a nossa motivação, o objetivo principal de colocarmos as meninas em uma escola pública. Talvez para quem já veio de uma família de classe média e alta, e sempre estudou em uma escola privada, colocar os próprios filhos numa escola pública seja o fim do mundo. Mas para mim e para o meu marido que estudou a vida inteira em escola pública, nós tínhamos outras motivações, que não eram apenas financeiras.

Quando descobri sobre FIRE e comecei a falar para os amigos e colegas próximos, algumas pessoas riram na minha cara e a maioria das pessoas nem quiseram ouvir o que eu tinha para falar. Comportamento bem diferente do meu marido, que desde o primeiro momento em que sentei do seu lado para explicar sobre o conceito FIRE, ele não só acreditou em mim, como entrou no mesmo barco e começamos a remar juntos. Passados 6 anos, nossa vida deu uma reviravolta (apesar de ninguém perceber essa diferença, porque quase não aumentamos nosso padrão de vida), não há se quer 1 único dia que eu não agradeça por ter tomado essa decisão lá atrás.

Quando as crianças nasceram, decidimos interromper temporariamente as viagens para o exterior, pois queríamos aumentar os aportes e também porque sabíamos que fazer um tour por um país desconhecido com 2 bebês que usavam fraldas não seria uma tarefa das mais fáceis. Sabíamos também que teríamos uma janela de tempo para poupar, pois conforme as crianças crescem, os gastos tendem a aumentar.

Eu e meu marido sempre vivemos abaixo do padrão que poderíamos viver. Então enquanto todos tinham carro, eu andava de ônibus e metrô, o marido de bicicleta. Enquanto todos compravam uma casa, eu continuava no meu apartamento alugado. Quando os amigos começaram a reformar seus imóveis, lá estava eu morando de aluguel ainda. Quando vieram os filhos e todos colocaram em creche particular, eu coloquei na creche municipal do bairro.

Essas são algumas das coisas que as pessoas viram. O que ninguém viu, é que eu não vivi na frugalidade à toa. Eu investi toda essa diferença não-gasta.

Eu poupei todo o dinheiro por não ter um carro. Também poupei todo dinheiro da reforma de um apartamento que não comprei. Poupei todas as vezes que não saí comprando algo desnecessário.

Minha mãe trabalhava para algumas pessoas que tinham um poder aquisitivo elevado. E ela viu muitas destas pessoas quebrarem. Veja que eram pessoas milionárias, que eram donas de empresas, tinham negócios que envolvia toda a família.

Ela sempre falou que não era feio ser pobre (como nós éramos). Feio, era esbanjar dinheiro e no futuro ser pobre, porque isso significava que você geriu mal o seu dinheiro.

Foi com essa frase que eu comecei a minha vida, lá de baixo. Eu entendi que eu poderia aumentar meu padrão de vida se eu tivesse condições de mantê-lo, ou seja, deveria ser uma escolha consciente, e vir de forma constante e devagar.

E é justamente por isso que nesses 11 anos que eu e marido estamos juntos, nunca recuamos nosso padrão de vida, porque crescemos muito mais devagar do que os outros.

Já morei em diversos tipos de apartamento, e em todos eles, vou melhorando um pouquinho. Comecei morando em uma república na época da faculdade, depois dividi quarto com uma amiga, depois morei nos fundos de uma casa de uma família, para finalmente conseguir morar sozinha.

A mesma coisa acontece com a escolha dos bairros. Comecei morando em uma rua encostada em uma favela, porque era o único lugar que eu conseguia pagar com o meu salário que era muito baixo. Depois fui morar em um outro bairro mais simples, e aos poucos fui melhorando, até conseguir morar em um bairro que eu sempre quis morar.

Hoje compro móveis e eletrodomésticos novos, mas cansei de comprar itens usados, de segunda mão, com preços extremamente acessíveis. Já comprei mesa, geladeira, fogão usado, porque nunca foi vergonhoso, eu sempre soube que era uma fase da vida.

Há um exemplo que eu gosto muito de dar, porque exemplifica muito bem o poder do tempo e dos juros compostos que a gente costuma negligenciar.

Imagine uma pessoa começando a investir aos 20, e continua fazendo aportes todos os meses no valor de R$1.000 (vamos desconsiderar a inflação, ok?) até os seus 40 anos, a um retorno hipotético de 10% ao ano. E dos 40 até os 60 anos, não faz absolutamente nada, não coloca mais nenhum dinheiro, só deixa rendendo. Ou seja, investiu por 20 anos, e deixou o dinheiro rendendo por mais 20 anos.

Enquanto a segunda pessoa investiu os mesmos 20 anos do que a pessoa do primeiro exemplo, mas ao invés de começar aos 20 anos de idade, decidiu começar ao 40 e foi até os 60 anos.

Os dois têm 60 anos hoje. Adivinhem quanto cada um tem?

A primeira pessoa tem R$ 4.877.348,19

A segunda pessoa tem R$ 724.986,73

Uma diferença de mais de 4 milhões de reais, sendo que o valor poupado foi exatamente o mesmo. A vantagem está no tempo, para quem começou a investir mais cedo. E é aí que está o grande segredo. Poupar no início da vida financeira para que os juros compostos tenham tempo para crescer. Agora imagine se esse valor inicial investido não fosse de R$1.000, fosse mais?

Os valores impressionam.

O que eu quero dizer aqui é que sempre é tempo de começar, alguns podem dizer, ah, pra mim é tarde demais, mas a verdade é que nunca é tarde. Claro que quanto mais cedo começar, melhor, mas se isso não foi possível, por qualquer que seja o motivo, é importante começar hoje.

~ Yuka ~

Comprei um carro

Depois de mais de 1 década vivendo de forma bem satisfatória sem ter um carro (13 anos para ser exata), eis que chegou o momento de comprar um carro.

Desde o início da pandemia, eu estive em teletrabalho, e agora que estou vacinada, retornarei ao trabalho presencial. Sinto-me grata por ter tido a oportunidade de poder trabalhar de forma remota durante todo esse período.

Mas não posso esquecer que apesar de vacinada, a pandemia ainda está em plena evolução e sem previsão de término. Meu marido ainda não tomou a segunda dose da vacina, e minhas filhas nem têm previsão de quando poderão tomar.

Até há alguns meses, eu ainda tinha a esperança de que a pandemia um dia fosse acabar. Vendo como o nosso país está levando a pandemia, não tenho a menor dúvida de que esta situação perdurará por muitos anos. As pessoas se acostumaram com as mortes diárias divulgadas na mídia e simplesmente pararam de se importar.

A compra do carro teve como principal propósito conseguir manter o distanciamento social no retorno ao trabalho presencial.

Sempre soube que meu maior risco não é no ambiente de trabalho, e sim, no trajeto até chegar ao trabalho, pois utilizo o transporte público para me locomover.

Quem mora em São Paulo sabe que usar transporte público em horário de pico pode significar entrar em uma lata de sardinha. Ou seja, não há nenhuma possibilidade de manter o distanciamento entre as pessoas.

Para contornar este problema, pensei em diversas opções. Cogitei em ir de Uber ao trabalho, cogitei em fazer uma assinatura mensal de carro nessas agências da Localiza ou Movida, mas depois de avaliar todas as opções possíveis, decidi que comprar um carro seria a opção mais segura e confortável.

Decidido isso, iniciei a busca de um carro, até que encontramos o carro que queríamos. Para nossa sorte, o vendedor era uma pessoa muito cuidadosa com o carro, com todas as revisões feitas na própria concessionária e fizemos toda compra e venda de forma muito tranquila.

Eu e o marido estamos felizes com a nova aquisição. No início, estávamos um pouco resistentes, porque vocês sabem, são muitos anos sem carro, e a gente se acostumou em não ter um (principalmente em não ter que pagar todos os custos associados), pois com todo o dinheiro economizado, fazíamos diversas coisas.

E de fato, os gastos já começaram.

Solicitei um laudo cautelar para verificar se o carro estava ok antes da compra. Depois paguei para o vendedor o valor do carro, fui no cartório para firmar a compra e venda, contratei o seguro, fui no despachante para fazer a transferência veicular e renovei minha CNH. Ainda levei para a concessionária para fazer a revisão do carro, aproveitei para instalar o Supaglass nos vidros, comprei 2 cadeirinhas de elevação para as minhas filhas, abasteci o tanque, entre outros gastos… ufa… quando somado, é um valor considerável.

Mas tudo bem. Quando decidi pela compra, já tinha uma ideia de quanto sairia esta brincadeira. Ou seja, o gasto era esperado e planejado.

Eu tenho total certeza de que eu continuaria não tendo um carro, se não fosse a pandemia.

A compra aconteceu, porque eu sempre tive muita clareza para que serve o dinheiro.

O dinheiro serve para trazer tranquilidade, trazer paz para a família, serve para trazer conforto. Eu sempre economizei em todos os lugares que eu podia economizar, mas também sempre gastei quando deveria gastar.

Este carro, em tempos de pandemia, além de me proporcionar segurança para manter o isolamento social, irá trazer mais mobilidade para a minha família.

Da mesma forma que foi muito bom não ter um carro durante todo esse período de 13 anos, essa nova fase trará também muitas oportunidades.

~ Yuka ~

Quando a luz quase se apaga

Farol, Brilho, À Noite, Pôr Do Sol, Oceano, Mar

A pandemia iniciou em março de 2020, e eu tive o privilégio de trabalhar de casa em um momento em que todos estavam apreensivos com o futuro. A chegada de um vírus mortal e desconhecido desestabilizou não só a mim, mas o mundo inteiro.

Vi colegas perdendo empregos, o salário sendo reduzido, pessoas próximas morrendo.

Me vi isolada com a minha família dentro de um apartamento, tinha medo até de ir no supermercado.

Eu cresci sem pai, e o único sentimento que eu tinha era de sobrevivência, eu não poderia perder a vida para Covid-19, não queria que minhas filhas crescessem sem um dos pais.

Ao contrário da maioria das pessoas que conheço, entramos em um isolamento social total que me afetou profundamente. Não encontrei mais a minha família, nunca mais encontrei meus amigos, não fui mais para shopping, cinema, restaurante, não fiz passeios, não viajei, não visitei ninguém.

Durante todo esse período, tirei 3 férias do trabalho, e em todas elas, permaneci dentro de casa.

Entendi que se eu podia trabalhar de casa, que pelo menos fizesse o isolamento social para fazer valer o que minha empresa tinha dado.

As pessoas próximas que me viram definhando aos poucos, falavam que eu deveria passear um pouco, fazer uma viagem em família, pensando na minha saúde mental. Mas não. Eu decidi permanecer em casa, apesar da minha saúde mental.

Enquanto isso, na empresa onde trabalho, vi meu trabalho aumentar.

Eu vivi o caos com 2 crianças pequenas trancadas dentro de casa sem poder ir para a escola enquanto eu tentava me concentrar para trabalhar.

De dia, trabalhava apagando incêndios pontuais no trabalho, enquanto cuidava e dava atenção para as minhas filhas, de noite eu sentava e começava a trabalhar. Ou seja, estava trabalhando de manhã, tarde e noite.

Eu trabalhava também enquanto cozinhava, deixando o notebook em cima da bancada da cozinha. Respondia mensagens de trabalho enquanto almoçava, e não foram poucas as vezes que eu simplesmente larguei meu garfo para resolver algum problema. O WhatsApp se tornou a nova forma de comunicação rápida, e com isso, era interrompida na hora do almoço, na hora em que estava no supermercado, na hora em que estava colocando minhas filhas para dormir.

Não sabia quando seria convocada para uma reunião emergencial, e comecei a tomar banho com o celular dentro do box do banheiro, sinal claro de que algo estava muito errado.

Eu comecei a acordar com taquicardia, e a primeira coisa que eu fazia ao acordar era esticar os braços para pegar o celular para ver se tinha algo emergencial. Outro sinal de que eu não estava bem.

Os meses foram passando e eu fui piorando.

Engraçado que na hora em que estamos no fundo do poço, nós não percebemos o quão fundo estamos.

Eu nunca havia passado por algo parecido.

Sair da cama se tornou um esforço hercúleo. Eu comecei a trabalhar da cama, o que pra mim, já era um esforço descomunal. Eu parei de me cuidar, queria ficar na cama o dia inteiro. Eu queria ficar sozinha, não queria mais conversar com ninguém, queria me trancar no quarto. E durante muitos meses, eu realmente fiquei assim. Havia uma névoa, uma nuvem cinza insistente que não saía de cima de mim.

Eu oscilava entre momentos sombrios e pensamentos confusos.

Esse blog era uma das poucas coisas que me deixava feliz.

E o meu marido?

Bom… meu marido assumiu praticamente todas as tarefas de casa quando eu estava completamente desorientada. Cuidou das crianças quando eu nem conseguia sorrir, respeitou todas as vezes que eu não queria falar com ninguém e me apoiou em silêncio quando eu nem sabia o que estava passando.

Aos poucos, fui melhorando, e há alguns meses, eu tinha percebido que aquela névoa que estava envolta em mim havia finalmente se dissipado. Eu estava secando a louça do jantar, e tentando lembrar… quando foi a última vez que havia secado a louça? Eu não conseguia lembrar. Quando foi a última vez que eu havia estendido a roupa no varal? Tirado o lixo da cozinha? Dado banho nas crianças? Trocado o lençol da cama? Eu não lembrava, porque eu não fazia mais, alguém estava fazendo por mim. E esse alguém era meu marido, e em nenhum momento ele me cobrou, ficou chateado ou bravo comigo. Ele só fazia em silêncio tudo o que eu não conseguia mais fazer.

Quando eu percebi isso, eu fui conversar com ele, e ele disse que “nós somos um time, quando um não está bem, o outro ajuda”. Não estamos falando de algo que durou dias, nem semanas. Estamos falando de algo que durou meses.

Para ele conseguir dar conta de tudo, algo teve que ser deixado para trás. E ele resolveu deixar o trabalho em segundo plano. Ele me disse que muitos projetos não puderam ser entregues, mas que não se arrepende, porque sabe que fez uma escolha: ele decidiu cuidar de mim. Disse que seu objetivo nesta pandemia eram dois: nos manter vivos e sair desta pandemia casado, e que modéstia à parte, estava se saindo muito bem.

A resposta dele lembrou o que uma terapeuta falou para mim quando estava tentando salvar o meu primeiro casamento. Que quando a luz de uma pessoa se apaga em alguns momentos sombrios da vida, a outra pessoa assume o lugar para estender a mão e guia-la, enquanto ela tenta se reencontrar.

Há 4 anos, escrevi um post sobre a minha relação com o meu marido. E já que continua tão atual, quero finalizar o texto de hoje com a mesma frase que finalizei o outro post:

Eu sempre acreditei que escolher a pessoa certa que vai caminhar com você, o que a gente chama de Vida, é o que faz a diferença se sua vida vai ser mais fácil ou mais complicada.

Viver Sem Pressa

~ Yuka ~

FIRE: a verdadeira riqueza é ter liberdade de escolha

Liberdade, Menina, Viagens, Aventura, Verão, Dança

Há algumas semanas, o AA40 e o Viver, Viajar e Investir publicaram posts falando sobre o que seria FIRE (Financial Independence Retire Early). AA40 escreveu o post FIRE e a síndrome do escravo satisfeito, e logo em seguida, Viver, Viajar e Investir escreveu o post O que é realmente FIRE? A sigla ficou maior que seu significado? Os dois posts abriram algumas discussões sobre FIREs que continuam trabalhando, mesmo não precisando.

Achei os dois posts bem interessantes e resolvi também fazer um post explicando o que acho a respeito.

Durante muito tempo, meu marido odiou o trabalho dele. Foi só quando o dinheiro não era mais a força motriz é que a relação dele com o trabalho mudou. Hoje ele ama o que faz, e segundo as palavras dele, “trabalharia até de graça, pois gosta muito do que faz”. Vejo-o trabalhando nos fins-de-semana, quebrando a cabeça para resolver alguns problemas do trabalho. Quando pergunto por que ele faz isso, ele fala que sente prazer em sentar na frente do computador e ver os gráficos da pesquisa que ele faz.

Mas quando o dinheiro era uma peça fundamental da sobrevivência, isso nunca havia acontecido. Ele se via obrigado a aceitar projetos que não concordava, a fazer viagens que não queria, tudo pelo medo de ser cortado do projeto, de ser rejeitado pelas pessoas. Era o medo e a insegurança que comandava.

Eu enxergo FIRE como “ter possibilidades”. A jornada costuma ser longa, e junto com as oscilações de humor, as fases da vida em que estamos, o chefe que temos, o tipo de pessoas que trabalham conosco, a maturidade, percepções da vida, tudo isso vai interferindo em que tipo de FIRE que queremos ser.

Para quem tem um trabalho insuportável, a vontade é ser FIRE para nunca mais voltar a pisar em um escritório, e obedecer um chefe carrasco. Para quem tem um emprego onde não dá para ter previsibilidade, ou seja, tem o seu tempo raptado, ter de volta o seu tempo é o maior dos prêmios.

Eu entendo que não importa se a pessoa quer parar de trabalhar pra sempre, se quer tirar um período sabático, se quer continuar trabalhando no mesmo trabalho, se quer continuar trabalhando em outra área de atuação, se quer continuar trabalhando por dinheiro, se quer trabalhar de forma voluntária, se quer abrir um próprio negócio, se quer trabalhar em uma jornada reduzida, se quer curtir o tempo livre, se será um FI (Financial Independence) ou se será um FIRE (Financial Independence Retire Early) raíz, sem nenhum tipo de renda entrando além da renda dos investimentos.

A verdadeira riqueza da jornada FIRE é ter LIBERDADE DE ESCOLHA para fazer o que quiser.

E a liberdade de escolha é justamente poder ocupar seu tempo da forma como quiser, seja trabalhando, viajando, cuidando de familiares, estudando… Qualquer uma das opções só será possível por causa da liberdade de escolha.

E digo que tudo bem qualquer uma das opções, porque só nós sabemos lá no íntimo o que é suportável e insuportável na vida.

Da mesma forma que há diferentes tipos de FIRE como o Lean FIRE, Coast FIRE, Barista FIRE, Fat FIRE e outras formas novas de FIRE que vão surgindo, é saudável e permitido ter outras formas de vida pós-FIRE.

Vide o Mr. Money Mustache e a família Our Rich Journay. Ambos trabalham, mas nem por isso, deixaram de ser FIRE.

Sempre digo que a jornada FIRE não é uma jornada curta, e por isso mesmo, acontecem muitos solavancos no meio do caminho. Pessoas nascem, pessoas morrem, o ambiente de trabalho vai mudando, novas pessoas entram, outras pessoas vão embora, a percepção sobre o trabalho pode melhorar, ou até mesmo piorar. O que era bom hoje pode mudar de um dia para o outro. E o que era ruim, pode melhorar também de um dia para o outro.

Cada um que está prestes a se tornar FIRE, ou já é FIRE e que continua no trabalho, sabe o motivo de continuar no trabalho. Alguns continuam, porque querem continuar recebendo dinheiro. Outros porque sentem uma certa insegurança de terem feito as contas erradas. Outros, porque apesar de tudo, gostam do ambiente de trabalho. Outros, preferem interagir com outras pessoas a ficar em casa sozinho. Também tem os que querem aproveitar os benefícios que a empresa oferece. E em alguns casos, é uma mistura de tudo isso e um pouquinho mais.

Dentre tantas opiniões diversas sobre FIRE, uma delas pra mim é certeira.

A verdadeira riqueza de ser FIRE é ter liberdade de escolha para fazer o que bem quiser. Ou seja, poder viver da maneira que achar melhor.

Como já disse o Antônio Abujamra:

“A vida é sua, estrague-a como quiser”

~ Yuka ~

Esqueça a cobrança pelo consumo e pelo status

Foto profissional grátis de agulha, algodão, anônimo

Outro dia, uma leitora perguntou como não me aborreço com possíveis julgamentos de amigos e família, vivendo de uma forma vamos dizer, um pouco fora do convencional.

E fiquei pensando que talvez nunca deixei isso claro nos posts, mas eu não divulgo o meu estilo de vida para as pessoas que estão ao meu redor.

É estranho falar isso, já que compartilho uma pequena parte da minha vida aqui no blog, mas não falo abertamente sobre esses assuntos na vida real. Então a minha família, os parentes e colegas de trabalho não sabem que eu sigo um estilo de vida minimalista, não fazem ideia de que entendo sobre investimentos, que estou na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early), ou seja, não sabem dos meus planos audaciosos, dos meus sonhos ditos utópicos…

Eu costumo não ser uma pessoa radical, nem na religião, nem na política, nem nos investimentos, eu tenho a minha própria opinião, mas não saio levantando bandeira sobre essas questões, pois sei que cada um tem a sua opinião.

E é por isso que meu marido inventou um termo para isso. Ele diz que aqui em casa, vivemos o “Yukismo”, um estilo de vida que criamos baseado na nossa própria experiência de vida, que funciona muito bem para minha família.

Quando familiares e amigos nos visitam, é inevitável o comentário de que a casa é bem clean, mas eu não começo a discursar sobre o conceito de “como o minimalismo pode ser importante na vida de alguém”. Eu só dou um sorriso concordando.

Às vezes fico sabendo de algum comentário aqui e ali, algum comentário por a gente morar de aluguel, da gente não ter carro, pelo meu marido “ainda” ser um pós-doutorando, por a gente não ter feito uma festa para 300 pessoas no nosso casamento, e por aí vai.

Eu sempre fui uma pessoa discreta. Então fazer uma festa de casamento para 300 pessoas estava completamente fora de cogitação. Eu não conseguia me imaginar no meio de tantas pessoas, cumprimentando pessoas desconhecidas (porque assim, né, sempre tem uns penetras), como daria atenção para todos? Por uma decisão unânime entre eu e marido, fizemos um casamento pequeno, dito mini-wedding, para 35 pessoas em um bistrô francês e ainda emendamos uma lua-de-mel em Paris. Foi maravilhoso ter os meus melhores amigos todos perto de mim celebrando a nossa união. Foi um dos dias mais felizes da minha vida, não teria feito nada de diferente, foi tudo lindo e perfeito.

Outro exemplo fácil de dar é a festa de 1 ano dos filhos. Convenhamos, é uma festa para os adultos, já que o bebê costuma estar de olhos arregalados, assustado com tanto barulho, excesso de luz e pessoas desconhecidas.

No aniversário de 1 ano das minhas filhas, eu fiz festa estilo vovó, brigadeiro feito em casa, um bolo, alguns salgadinhos, e lá vai eu encher algumas bexigas, e chamei meia dúzia de pessoas que minhas filhas conheciam muito bem. Eu não fiz festa em buffet para as minhas filhas, mas não vejo problema em quem faz a festa, sempre que posso participo das festas dos filhos das minhas amigas, e me divirto demais. Para a família que achar esse registro importante, claro que é pra fazer essa festa, porque são momentos que não voltam nunca mais.

O que na verdade faz muita diferença, é que eu e meu marido estamos sempre muito alinhados, e SABEMOS o motivo de todas as nossas escolhas. E com isso, sabemos que se não estamos fazendo, é porque NÃO É IMPORTANTE para nós.

Sempre que for possível, precisamos fazer o que temos vontade, porque de uma forma ou de outra, as pessoas vão nos julgar. Julgar por não ter tido filhos, ou por ter tido 4 filhos. Julgar por morar em uma casa grande demais, ou em uma casa pequena demais. Julgar por sempre estar arrumada, ou por estar desleixada. As pessoas têm uma opinião formada de nós, e não acho que elas mudariam de opinião tão facilmente.

Então ao invés de gastar energia tentando convencer o outro, o que eu e meu marido fazemos é conversar muito entre nós dois, para termos essa consciência de que essa escolha só diz respeito a nossa família, que devemos respeitar a escolha dos outros, e os outros devem respeitar a nossa escolha, mas como as pessoas não costumam respeitar as nossas escolhas, nós nem comentamos sobre detalhes da nossa vida.

Infelizmente, o mundo está muito polarizado. As pessoas querem empurrar goela abaixo o seu próprio estilo de vida, a opinião, querendo ter sempre razão, como se na vida existisse apenas uma única forma de viver. E nada disso é verdadeiro.

Eu não tenho nenhuma pretensão de mostrar que a forma como eu vivo é melhor ou não, claro, ela é muito boa para mim e para a minha família, tanto que compartilho parte do que faço aqui no blog para quem tem interesse ou curiosidade, mas na vida real, não mostro nada disso que compartilho no blog.

Eu sou uma pessoa extremamente comum aos olhos das pessoas que me rodeiam. Eu faço questão de voar abaixo do radar, não chamar atenção (não quero atrair sentimentos de inveja), e por isso consigo transitar bem no ambiente familiar, no ambiente profissional, com os amigos.

A parte ruim é que são poucos os que me conhecem de fato, profundamente. Apenas alguns dos meus amigos. Quem me conhece mesmo, é o meu marido, ah esse me conhece bem.

Como tenho as minhas próprias opiniões que fogem um pouco do padrão convencional, eu percebo que quando resolvo falar o que penso para algumas pessoas, elas se sentem na obrigação de justificar por que não fazem o mesmo, e em alguns casos, tentam me atacar criticando a minha forma de viver. Ora, mas ninguém está falando que a minha forma de viver serve para a outra pessoa, ou seja, uma coisa não tem nada a ver com a outra. É assim que percebo que essa pessoa não está pronta para ouvir opiniões diferentes, e eu corto o assunto e parto para assuntos genéricos.

Já há pessoas que aceitam o jeito que sou, sem julgamentos. Acham legal, mas sabem que não servem para elas, sabem que não precisam seguir o mesmo caminho que o meu, pois cada um tem o seu ponto de vista.

São pessoas que aceitam a minha forma de pensar, não julgam se têm opiniões diferentes, respeitando o meu estilo de vida. São com essas pessoas que eu busco estar sempre por perto, apesar de ser bem difícil encontrá-los.

~ Yuka ~

Não adianta poupar tudo hoje, se você não puder gastar amanhã

Pôr Do Sol, Mulher, Liberdade, Silhueta, Crepúsculo

Quem está na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early) tem o costume de querer poupar tudo, para gastar em um futuro muitas vezes não muito próximo.

Só que não adianta poupar tudo hoje, se não puder gastar amanhã.

E essa frase, vale para praticamente todas as áreas da nossa vida: saúde, alimentação, diversão, sonhos, relacionamentos…

Há certas coisas que precisam ser feitas hoje, e não somente quando chegar o dia de ser FIRE.

Chegará o dia em que começaremos a sentir dores nos joelhos, nas costas, nos ossos, e sentiremos saudades do dia que não sentíamos nenhuma dor no corpo.

Aliás, uma das coisas fundamentais para uma boa vida FIRE é justamente ter saúde. De que adianta todo dinheiro do universo, se não tivermos saúde?

Para este post, irei considerar 4 tipos de saúde:

  • saúde física
  • saúde social
  • saúde mental
  • saúde financeira

Saúde física

Além de exercício físico, uma boa alimentação é fundamental para ter saúde. Economizar na alimentação pode significar comer alimentos que não são tão saudáveis. E se o alimento não é saudável, pode trazer riscos para a saúde a médio e longo prazo.

De nada adianta correr na esteira todos os dias para depois comer salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, miojos etc.

Cada um segue uma linha de alimentação (tem os veganos, os vegetarianos, os low carb, paleo, cetogênica, etc), então vá atrás do que acredita e tente se alimentar da melhor forma possível.

Saúde social

Ao economizar tudo para o amanhã, pode ser que o ideal de relacionamentos que temos dentro da nossa cabeça nem exista mais quando o tão sonhado dia chegar.

Talvez o casamento não aguente tantos períodos de contenção de gastos, talvez os filhos não tenham tantas experiências e estímulos como poderiam, talvez nem tenhamos tantos amigos no futuro se continuarmos recusando convites dos encontros.

Eu considero a saúde social um dos pilares fundamentais para ter uma vida feliz. Ter pessoas de confiança por perto, que não nos julgam, que respeitam as opiniões apesar das diferenças, poder conversar, dar risada, compartilhar confidências e dificuldades é algo valioso demais.

Entendo relacionamento como um costume. Se não cultivamos de forma contínua, perdemos o costume de relacionar com pessoas, e podemos perder inclusive o costume de nos divertir.

Se não consegue se divertir hoje, não será no futuro que aprenderá a se divertir.

E volta a questão anterior. Vai se divertir com quem? Com o cônjuge que não existe mais? Com os filhos que não criou vínculos? Com os amigos que já não têm mais contato?

Saúde mental

Ter saúde mental significa ter uma boa vida emocional, conseguir organizar as ideias, cuidar do bem-estar, ter equilíbrio emocional, e pedir ajuda de profissionais quando necessário.

Saúde financeira

Aqui é importante destacar que equilíbrio é a chave do sucesso da jornada FIRE. Há pessoas que alcançam a Independência Financeira em 5 anos, mas a maioria demora muito mais tempo para conseguir ser FIRE. Estamos falando de uma jornada de muitos anos, e que geralmente há outras pessoas envolvidas como cônjuge, filhos crescendo, pais envelhecendo, então não podemos sair radicalizando.

A última vez

Temos que sempre lembrar de como somos finitos e as pessoas que estão à nossa volta também são.

Quem garante que lá no futuro estaremos vivos? Vivos e com saúde?

Quem garante que lá no futuro, a pessoa que amamos esteja viva? Viva e com saúde?

Precisamos conviver bem com as pessoas que amamos hoje, porque ninguém sabe o que vai acontecer amanhã.

Nós nunca saberemos quando será a última vez das coisas.

A última vez que os filhos irão pedir para dormir junto.

A última vez que daremos boa noite para o cônjuge.

A última vez que iremos conversar com os pais.

A última vez que não sentiremos nenhuma dor no corpo.

O último pôr-do-sol, o último show, o último ano novo, o último encontro.

“Aprenda como se você fosse viver para sempre.

E viva como se fosse morrer amanhã.”

Santo Isidoro de Sevilha

~ Yuka ~

Quem vive com menos, tem o luxo de ter tempo livre.

Cerveja, Elogios, Pôr Do Sol, Luz Solar, Garrafas

Eu já morei sozinha em um apartamento de 120m2, de 1 dormitório, que tinha quintal. Depois meu marido começou a morar comigo, e decidimos nos mudar para um apartamento de 2 quartos, quando a nossa filha tinha completado 1 ano de idade. Foi muito legal morar lá e fui muito feliz, mas quando decidi vender o apartamento, vendi com a certeza de que não queria mais morar em uma cobertura de um prédio.

Morar em uma casa com quintal ou na cobertura de um apartamento, implica em algumas tarefas que quem mora em um andar mediano de um prédio não tem. No meu caso, eu tinha que lavar o chão de dois quintais com frequência por causa da poluição de São Paulo, já que acumulava uma quantidade impressionante de fuligem. Eu limpava os ralos que sempre acumulavam fuligem e folhas secas da minha horta, além de lavar e pintar periodicamente o muro que ficava encardido. Fazer tudo isso era algo exaustivo.

Depois de algumas mudanças residenciais, hoje moro em um apartamento de 60m2, em um andar mediano.

Apesar da nossa família ter dobrado de tamanho (de 2 para 4 pessoas), nosso apartamento diminuiu pela metade (de 120m2 para 60m2), e mesmo assim, eu e meu marido temos a sensação de liberdade.

E como isso é possível?

Eu tinha muito mais móveis quando morava em um apartamento maior. Tinha um conjunto de sofás. Além de uma mesa de jantar, tinha uma mesa de apoio que se abria para quando recebíamos nossos amigos. Tinha uma outra mesa com várias cadeiras para os momentos do churrasco. Havia uma caixa enorme onde eu guardava a árvore de Natal que ocupava um espaço considerável, e que ficava adormecido nos 11 meses restantes do ano. Uma mesinha lateral no sofá, vasos decorativos, centenas de livros já lidos acumulando poeira, e que dificilmente não seriam folheados novamente. Dez travesseiros em cima da cama, vestidos e sapatos de festa, várias bolsas, diversos sapatos etc.

Tudo isso torrava meu dinheiro e consumia tempo da minha vida, já que dava muito trabalho manter as coisas em ordem.

Conforme fui mudando para apartamentos menores, obrigatoriamente passamos a ter menos coisas. Hoje tenho um guarda-roupa pequeno, com poucas roupas. Tenho uma bancada de escritório menor, que faz com que eu não coloque objetos em cima, pois quero ter superfícies livres.

Parece esquisito falar da satisfação que sinto em relação à varanda pequena, principalmente para quem já morou em um apartamento com quintal, com direito a horta e churrasqueira.

Mas a verdade é que por ser pequena, a varanda é muito fácil de mantê-la limpa, e posso dizer que ela está sendo usada praticamente todos os dias, ora para tomar sol, ora para minhas filhas brincarem, ora para cuidar das minhas plantas.

Ou seja, a pequena varanda me dá muito mais prazer (e menos obrigações) do que um quintal grande que dava muito trabalho. Na época, eu tinha muitas plantas que demandavam atenção. Eu conferia diariamente qual vaso estava precisando de água, qual estava tomando sol demais e transferia para a sombra. Para viajar, era um sofrimento à parte, porque sempre ficava preocupada se a minha horta sobreviveria sem água durante alguns dias.

Hoje tenho algumas plantas espalhadas pela casa, todas muito fáceis de serem cuidadas. E como tenho em menor quantidade, consigo tirar a poeira das folhas, tirar as folhas amarelas, adubar com mais frequência, ou seja, consigo monitorá-las de perto.

Ter menos coisas cria mais liberdade e menos preocupação. É uma decisão consciente que traz benefícios como ter tempo para prestar atenção nas coisas das quais gostamos, e dar valor nas coisas que são mais importantes para cada um de nós.

~ Yuka ~

Viciado em compras

Menina, Loja, Lembranças, Mulher, Prateleira, Trabalho

Você consegue parar de comprar?

Imagino que a resposta seja um sonoro sim.

Tem certeza? Pois é muito mais difícil do que parece, e está muito mais internalizado do que imaginamos.

A gente acha que não, mas comprar é um vício. A diferença é que esse vício é bonito, muito bem aceito pela sociedade.

Hoje em dia, eu não tenho mais essa tara para comprar coisas: comprar roupas, comprar bolsas, comprar sapatos, comprar maquiagens, comprar eletrônicos, comprar presente para os outros.

Claro que eu também adoro comprar, mas costumo comprar coisas que estou precisando ou algo que eu quero muito. Avalio muito bem antes de comprar, compro com bastante planejamento, e dificilmente me arrependo das minhas compras.

Para chegar nesse ponto, eu demorei muito, muito tempo.

Primeiro, porque eu não sabia comprar direito, então comprava qualquer coisa, chegava em casa, passava a euforia e depois não usava. Segundo, porque eu tinha vontade de comprar por comprar. Queria passear no shopping, procurar algo para gastar meu dinheiro. Eu nem sabia o que eu queria comprar, só queria gastar meu dinheiro.

Nos fins-de-semana, queria bater perna na rua para olhar as vitrines e comprar alguma coisa pra mim. Qualquer coisa servia. O ato de comprar tinha se tornado um vício para aliviar o estresse, uma válvula de escape.

E como consegui parar de comprar?

Consegui, quando passei a ter as coisas que eu realmente queria.

Tudo começou com uma carteira. Eu sempre tive o costume de trocar a carteira a cada 4, 6 meses, porque sempre gostei de fazer isso. Fiz isso praticamente durante uma década, de 2000 até 2010. Eu tinha uma coleção de carteiras…

Quando fui assaltada e fiquei sem a minha carteira, eu decidi pela primeira vez, comprar uma carteira muito boa, mas que não comprava antes, porque achava cara. Quando comprei, senti algo que não sabia direito o que era, era uma sensação boa, de satisfação, mas desta vez, uma satisfação duradoura, bem diferente do sentimento descartável que eu tinha quando fazia compras por impulso.

O que me surpreendeu, é que depois desta compra, a vontade de trocar minha carteira a cada 4 meses cessou por completo. Isso mesmo, nunca mais troquei de carteira. Essa história aconteceu em 2010. Estamos em 2021 e estou com a mesma carteira desde então, são inacreditáveis 11 anos. Ela continua conservada, e fico satisfeita toda vez que vejo, porque sei que fiz uma ótima compra.

E aos poucos, passei a fazer isso com tudo na minha vida.

Eu parei de me importar com preço e quantidade, e comecei a prestar atenção no valor que um determinado produto tinha para mim (e não para os outros).

Ao invés de ter um guarda-roupa abarrotado, decidi ter um guarda-roupa enxuto. Tenho poucas roupas, porque durante mais de 1 ano, estudei que tipo de roupas eu gostava, descobri quais modelos e cores combinavam comigo, e ainda eliminei as roupas que eu tinha dificuldades de combinar.

Muitos de vocês leram meu post sobre a bicicleta que eu comprei. Eu demorei 4 anos para acha-la, pois perdi a oportunidade de comprar na loja e depois a bicicleta deixou de ser comercializada no Brasil. Eu preferi esperar pacientemente alguém se desfazer da bicicleta, acompanhando sites de desapego, do que comprar qualquer modelo de bicicleta, pois sabia que iria ficar descontente rapidamente.

Hoje eu tomo meu chá na minha caneca preferida, sento na cadeira de um modelo que eu gosto, durmo no colchão que escolhi a dedo, sento no sofá que me dá satisfação toda vez que vejo minha família bem acomodada, uso há anos a mesma marca de sapatos que não machucam meus pés, visto as roupas que me caem bem, enfim, estou rodeada de objetos que me traz satisfação.

Nem sempre o produto que eu compro é o mais barato, mas não necessariamente é o mais caro. Eu simplesmente escolho o que eu mais desejo (dentro dos meus padrões orçamentários, claro).

Em relação ao preço das coisas, comecei a entender que mesmo se eu escolhesse algo mais caro, valia a pena, desde que eu soubesse que era realmente algo que EU queria, e não algo que era somente para ostentar para os OUTROS. Ao comprar algo da minha preferência, comecei a cuidar melhor dos objetos, e as coisas começaram a durar mais. Também não enjoava, então não precisava mais ficar substituindo os produtos por outros novos, porque dava muito prazer vê-los comigo.

Alguns produtos, eram sim mais caros, mas agora eu precisava em menor quantidade. Não sentia mais necessidade de ter 50 calças jeans. Alguns pares já me bastava, desde que o modelo ficasse perfeito no meu corpo.

Até minhas filhas estão compreendendo isso. Quando a caçula diz que quer um chinelo novo, a minha filha mais velha já explica que quando esse chinelinho que serve perfeitamente no pé dela ficar pequeno, iremos numa loja para escolher um chinelo que ela desejar. Sim, ela pode escolher o modelo que mais gostar.

Quando a gente gosta do que tem, a gente cuida bem. A gente não sente aquela necessidade de trocar, de substituir, de jogar fora, nem tem medo do julgamento alheio. E com isso, mesmo sendo itens um pouco mais caros, no final, acaba saindo mais barato, porque só aquele único objeto te atende muito bem.

Quando eu passei a fazer isso, comecei a me sentir mais satisfeita com as coisas que eu tinha, e parei de querer comprar coisas sem parar, que pensando agora, não passava de um ato automático de repetição infinita.

Então é aquela velha história da suficiência. Eu não passo vontade, porque tudo o que eu deixei de comprar, eram coisas que não eram importantes para mim.

~ Yuka ~

Gastar ou poupar? O Coast FIRE pode ser a sua solução

Mealheiro, Dinheiro, Vaca, Nota De Dólar, 500 Euros

A conversa sobre não postergar sonhos anda rendendo.

Nos posts anteriores, escrevi sobre a importância de reconhecer que não somos eternos e como alguns momentos são mais importantes do que outros (post Quantos anos você tem pela frente).

Depois escrevi um post sobre uma dúvida que muitos têm, Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?, compartilhando como eu pretendo utilizar melhor meu tempo e dinheiro após este período pós-pandemia.

Gastar dinheiro parece ser algo contraditório para quem está na jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early), já que a intenção de quem quer ser FIRE é poupar o máximo do salário para se aposentar cedo.

Bill Perkins, autor do livro Die With Zero fala que alguns sonhos têm data de validade e recomenda que criemos um “Bucket List” (algo como uma lista de tudo o que queremos fazer antes de morrer), só que em blocos de tempo, no caso, de 5 anos.

Foi a grande oportunidade para resgatar a minha lista chamada “Um dia, Talvez”. Nesta lista, eu coloco tudo o que quero fazer um dia, todos os sonhos possíveis (e os meio impossíveis também).

Achei interessante que ao distribuir os itens dessa minha lista em cada balde, saí da condição “eu farei um dia” e entrei na condição “farei quando tiver entre 40 a 44 anos”, ou “quando tiver entre 45 a 49 anos”, e assim, um sonho que até então era abstrato, começa a tomar forma.

Criei um balde para cada bloco de 5 anos até os meus 80 anos (é a expectativa da minha vida, segundo a tábua da vida do IBGE):

Só nesse exercício, eu já fiquei surpresa como tenho poucos baldes… se eu tiver a sorte de viver até os 80 anos e com saúde, eu tenho 8 baldes.

Como eu tenho marido e filhas, achei legal colocar a idade dos integrantes da minha família também:

Tendo “apenas” 8 baldes e agora sabendo a idade de todos os membros da família, fui colocando tudo o que constava na minha lista do “Um dia, Talvez”.

E ao fazer a distribuição de cada sonho nos baldes, tive a certeza de que alguns dos meus sonhos precisam ser realizados com uma certa rapidez.

Por exemplo, há resorts que tem muita coisa legal para as crianças pequenas brincarem. Estes resorts, foram colocados como prioridade no primeiro balde quando minhas filhas ainda terão entre 5 até 11 anos de idade.

Alguns parques temáticos e museus, também têm data de validade para elas alcançarem o que podemos chamar de “topo da alegria”, ou até mesmo “a melhor idade para ir”.

Há também algumas viagens específicas que precisamos fazer no momento certo. Meu marido quer subir algumas montanhas, não vamos conseguir fazer isso com 70 anos de idade.

Também pretendo fazer uma viagem para o Japão com minha mãe. Ela está esperando as netas crescerem um pouco mais para poder aproveitar a viagem, e o mais importante, para elas se lembrarem dessa viagem. Tenho que colocar esta viagem no balde certo, pois na mesma velocidade que minhas filhas crescem, minha mãe envelhece.

Já se eu quisesse fazer um Cruzeiro, poderia colocar em um dos últimos baldes, pois sei que é uma viagem tranquila para terceira idade.

Veja como é importante fazer certas coisas no momento certo.

Há coisas que eu fiz e que foi muito divertido, coisas que talvez eu não fizesse mais hoje, como participar de uma corrida fantasiada de Wally… sim, eu quis pagar esse mico e ainda arrastei o marido junto.

Link da foto

Por outro lado, tem um tipo de viagem que eu acho que já perdi o bonde. Eu sempre falei que queria viajar de trailer, mas conforme vou ficando velha, estou ficando medrosa. Eu tenho medo do trailer quebrar no meio da estrada, tenho medo de dormir em lugares abertos, sentiria falta de tomar um banho quente no meu chuveiro, coisas que se eu fosse 10 anos mais nova, eu não pensaria duas vezes em me aventurar. Hoje eu tenho medo até de insetos… Quando vou para parques e praças com as minhas filhas, fico olhando excessivamente a grama pra ver se não tem cocô de cachorro, se não tem aranhas, se não tem um formigueiro por perto…. quando eu era mais nova, eu não ligava pra essas coisas, eu até deitava no chão da calçada.

Claro que pra fazer a maioria das coisas, precisamos de dinheiro. Mas também dá pra fazer muitas coisas com pouco dinheiro, desde que a pessoa não se importe com luxos.

Quando falo em experiências, cada família possui uma condição financeira diferente. O que é muito para mim pode ser pouco para a outra família e vice-versa.

Aqui neste post Como curtir uma viagem e economizar ao mesmo tempo, eu dei um exemplo de uma viagem em família econômica. É um resort? Não. É um hotel 5 estrelas? Claro que não. Mas para quem estava com 2 crianças pequenas (na época 2 e 4 anos) e queria descansar um pouco, o hotel atendeu muitíssimo bem. Um hotel com todas as refeições inclusas, piscina, uma área para as crianças brincarem, e comida muito boa.

Na época (foi em 2019) eu paguei R$739 por 3 noites para toda família. Significa que a diária para o casal saiu R$246,33, ou seja, R$123,16 por pessoa (com café da manhã, almoço e jantar inclusos). Além de tudo, as crianças não pagaram, entraram como cortesia.

Só estou querendo dizer que há espaço para vários orçamentos. Há viagens mais econômicas, viagens de lazer que podem ser barateadas em troca de trabalho, há até pessoas que estão dispostas a hospedarem viajantes do mundo inteiro em troca de boas histórias.

Por isso cada pessoa deve avaliar o próprio orçamento, analisar em que fase da vida está, se é o momento certo para gastar, ver o que é possível fazer e de que forma.

O importante é não deixar passar alguns sonhos, pois muitos deles têm data de validade.

Não podemos nos iludir achando que a vida só vai começar depois que atingirmos FIRE. Quem tem mais idade já sabe, quanto mais a idade avança, mais difícil se torna a tarefa de encontrar bons amigos. Quanto mais tarde começarmos a fazer exercícios físicos, mais o nosso corpo sente. Quanto mais tarde resolvermos nos alimentar bem, lá na frente pode ser tarde demais, pode ser que já estejamos doentes.

Quem está percorrendo a jornada FIRE precisa tomar muito cuidado para não exagerar no Poupar (postergar sonhos, deixar para viver só depois que alcançar FIRE), nem exagerar no Gastar (pensar apenas no presente e esquecer do futuro).

Tá, então qual seria a solução?

O Coast FIRE pode ser a sua solução.

Por definição, Coast FIRE significa juntar dinheiro suficiente no início da jornada para não precisar mais se preocupar com a independência financeira na data da sua aposentadoria. Com o montante inicial, o patrimônio ficará adormecido durante décadas, e com a ajuda do tempo e juros compostos, poderá alcançar a curva íngreme dos juros compostos até o ponto de chegar na independência financeira.

Pode ser que não consiga ser FIRE (no caso, aposentar cedo), mas saber que terá uma aposentadoria digna é um grande alívio.

Apenas para mostrar a diferença entre um e outro:

  • Ser um FIRE significa que você não precisa ter um trabalho para viver, pois pode viver com o rendimento dos investimentos.
  • Ser um Coast FIRE, significa que você precisa cobrir suas despesas atuais, mas não precisa se preocupar com a sua aposentadoria.

Coast FIRE é o ponto de inflexão matemático em que o dinheiro que você investiu é suficiente para crescer a uma quantia suficiente para a aposentadoria sem exigir contribuições adicionais.Fire the Family

Ou seja, desde que você consiga acumular um valor razoável, poderá parar de poupar (ou poupar menos) e começar a usar boa parte do seu salário para diversões. Claro que é preciso ainda pensar em como pagar as contas do mês, mas não precisará se preocupar com a aposentadoria lá na frente.

Para quem não quer perder o timing de fazer as coisas que tem vontade de fazer, o Coast FIRE pode ser a solução.

~ Yuka ~

Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?

Aeroporto, Transporte, Mulher, Menina, Turístico

Eu sempre gostei de planejar, porque foi a maneira que encontrei para conseguir realizar sonhos, sem comprometer o orçamento.

Mas recentemente, comecei a fazer uma pergunta: qual é o valor máximo que poderia comprometer da minha renda para realizar mais sonhos, sem comprometer o projeto FIRE (Financial Independente Retire Early)?

Estou lendo o livro Die With Zero (ainda sem tradução para o português), onde o autor enfatiza que certos momentos da nossa vida tem data de validade para acontecer. Não adianta um pai comprar uma piscina inflável depois que as crianças já estiverem crescidos, pois a alegria dos filhos com certeza não será a mesma.

Da mesma forma, há viagens que fazemos com mais facilidade quando somos mais jovens, como mochilão, dividir quartos com desconhecidos, passar a noite em claro, ficar em albergues. Conforme ficamos mais velhos, buscamos por mais conforto, privacidade, limpeza, comida boa, chuveiro bom e colchão de qualidade nos lugares que hospedamos.

Certas diversões precisam ser feitas em uma determinada época da nossa vida para que a intensidade da felicidade seja aproveitada ao máximo. Há coisas que não podemos deixar para depois: depois que virarmos FIRE, depois que sairmos do emprego, depois que estivermos aposentados.

Há apenas uma pequena janela de tempo para cada uma das diversas fases da nossa vida. São momentos que se não aproveitados bem naquele momento, deixam de ser especiais. Então devemos aproveitar quando estivermos na melhor fase, na melhor idade, na fase do ápice.

Em 2020, escrevi o post: Quantos anos você tem pela frente? que explica bem esse conceito de como alguns momentos da nossa vida são mais preciosos do que outros. Quem já teve alguém que ama com uma doença terminal sabe muito bem do que estou falando. Não dá para postergar nem por algumas semanas o momento para passar com essa pessoa.

Reconhecer que alguns momentos da nossa vida são únicos, é um passo importante para tomar decisões importantes de forma mais consciente.

Ler o livro Die With Zero, ainda que esteja nos capítulos iniciais, me fez pensar em como poderia potencializar mais realizações. Estou há 1 ano e 3 meses em isolamento social – total, diga-se de passagem – e logo assim que a pandemia estiver sob controle, quero retomar os momentos de diversão com minha família, criar memórias, mas sem estourar o orçamento.

Pensei que se estipulasse um valor no início do ano facilitaria o meu planejamento para gastar ao longo dos próximos 12 meses nos “gastos com felicidade”. Mas afinal, quanto destinar sem prejudicar meus planos futuros?

Como eu e meu marido ainda trabalhamos e possuímos renda ativa, decidimos que gastaríamos uma parte de tudo o que foi poupado no ano anterior. Isso significa que quanto mais pouparmos, mais gastamos em felicidade. É um sistema ganha-ganha.

Usaremos uma porcentagem pré-definida do total de aportes feitos no ano anterior. Neste primeiro momento, começaremos com 20% de tudo o que aportaremos neste ano de 2021.

Essa faixa de 20% dá um valor bastante significativo, pois somos bons poupadores. Estamos numa fase bastante confortável da jornada FIRE, poupamos bastante e os investimentos têm dado ótimos retornos, então iremos avaliar essa porcentagem a cada ano, com tendência de aumento gradativo para 25%, 30%, 35% e assim por diante, aumentando ainda mais a exposição da família em experiências que tem data de validade para acontecer.

Esse plano será seguido enquanto estivermos trabalhando. Depois, decidiremos as próximas estratégias quando pararmos de trabalhar.

Então seria algo assim:

No primeiro momento, pode parecer esquisito, afinal, pra quê fazer essa separação de dinheiro? Não seria mais fácil só poupar menos? Investir menos e usar esse dinheiro durante o mês?

Bom, se eu decidisse poupar menos no mês para gastar mais, eu tenho certeza que apenas aumentaria minhas despesas e o padrão de vida, mas não necessariamente aumentaria a felicidade… uma comida de delivery, compras de supermercado, uma bobeirinha aqui e ali, pedir um Uber porque estou com preguiça de andar, ou qualquer outra coisa que depois de 10 anos, nem lembraria o que eu fiz com esse dinheiro.

Ao fazer essa separação de “gastos com felicidade”, posso planejar com calma tudo o que quero fazer ao longo do ano. Além disso, será um incentivo saber que quanto mais aportar, mais poderei gastar para realizar sonhos, afinal, o dinheiro terá destino certo.

Eu vejo 3 vantagens ao fazer isso:

1.) gastar mais com experiências sem dor na consciência de achar que estou sabotando o projeto FIRE, pois saberei que é um gasto previsto/planejado

2.) patrimônio já acumulado intacto, ou seja, dinheiro trabalhando para mim, usando o fator tempo e juros compostos ao meu favor

3.) aportes mensais contínuos potencializando o efeito bola de neve

Bill Perkins, o autor do livro mencionado no início do post, fala que há pessoas que conforme o patrimônio cresce, o tamanho dos seus potes vão mudando. Se antes a felicidade era ter 1 milhão de dólares, quando se alcança este número, surge uma nova meta numérica… 5 milhões, 10 milhões e assim por diante, ou seja, entra em uma espiral de “acumule, economize mais e nunca desfrute”, criando metas inalcançáveis para postergar sonhos.

A vida é valiosa demais para ficar só acumulando patrimônio e não gastar em experiências com pessoas que amamos no momento certo. Quero gastar tempo e dinheiro com coisas que tragam memórias, enquanto tenho disposição, enquanto minhas filhas amam ficar penduradas em mim. Quero dar um bom destino a esse dinheiro construindo mais memórias, fortalecendo vínculos afetivos, que remetam boas lembranças e aumente contato com pessoas que são importantes na minha vida.

Consciente de que o tempo é finito, temos que aproveitar enquanto somos jovens, enquanto temos disposição, temos saúde e pessoas que amamos por perto.

Este post é mais um lembrete de que o dinheiro deve nos servir, e não virar nosso patrão.

~ Yuka ~

Em busca da minha bicicleta

Amsterdam, Cidade, Ponte, Rio, Sol, Edifício

Quando comecei a namorar o meu então marido, ele, um amante de bicicleta, comprou uma de presente para mim.

Para seu desapontamento, andei umas 5 vezes. Apesar de saber andar de bicicleta, eu comecei a sentir medo, já que meus pés não alcançavam o chão o tanto quanto eu gostaria.

Mesmo rebaixando o banco até o limite, ainda me sentia insegura, pois apenas as minhas pontas dos pés encostavam no chão, o que segundo meu marido, era a posição correta para não prejudicar meus joelhos.

As poucas vezes que saí com essa bicicleta, eu tinha que tomar muito cuidado para não desequilibrar e sair tombando no meio da rua. Tanto que eu tentava sempre parar cuidadosamente no meio-fio, para ter uma elevação onde meu pé pudesse alcançar o chão.

Comprei cestinha, campainha, capacete colorido, mas nada me animava pra andar nessa bicicleta. Até que eu desisti e me desfiz da bicicleta.

Foi só quando fui para Amsterdã, que eu descobri que tinha outros tipos de bicicletas. No meio de milhares de bicicletas e ciclistas, eu aluguei uma bicicleta para andar pela cidade. E pela primeira vez, senti como se ela fizesse parte do meu corpo, diferentemente da experiência que eu havia tido em São Paulo.

man in black jacket riding bicycle on road during daytime

E expliquei para o meu marido que era aquele tipo de bicicleta que eu estava procurando.

Foi aí que ele entendeu que tinha comprado uma bicicleta errada para mim. Ele tinha comprado uma mountain bike, mas eu estava sentada em uma bicicleta urbana.

Até então, pra mim bicicleta era bicicleta, não sabia que tinha mais do que um tipo de bicicleta…

Só depois que entendi que bicicleta é parecido como uma roupa. Você tem que saber pra que finalidade vai usar, e ter uma bicicleta do tamanho certo. E aí sim, comprar o modelo certo de acordo com o seu tamanho: mountain bike, bicicleta urbana, bike fixa, bicicleta dobrável, bicicleta elétrica, bicicleta cargo, entre muitas outras.

Eu queria uma bicicleta para passear, dar uma volta pelo bairro, que fosse confortável para subir e descer, que tivesse um selim grande, que me ajudasse a locomover de um lugar para o outro, preferencialmente percursos curtos.

A que eu estava procurando, era uma BICICLETA URBANA:

Bicicleta Urbana Nirve Starliner Cream

Mas eu estava andando em uma desta aqui embaixo, uma MOUNTAIN BIKE:

Já meu marido, ele anda com uma desta aqui, denominada BIKE FIXA:

Passados alguns anos, mais especificamente em 2017, eu fui em busca de uma bicicleta urbana, e me apaixonei por uma, mas não comprei na hora, porque achei melhor pensar um pouco, amadurecer se iria andar mesmo ou não, já que não queria presenciar uma nova compra errada.

Depois de alguns meses, o modelo saiu de linha, e para completar minha má sorte, a marca deixou de ser importada para o Brasil. E eu, infelizmente tinha perdido o bonde.

Bom, no fundo, nunca tinha desistido.

De vez em quando, procurava nas lojas pra ver se a marca tinha voltado a ser comercializada no Brasil, procurava também no site OLX para ver se alguém estava se desfazendo desta bicicleta.

Eu não queria qualquer bicicleta, queria comprar do modelo e da cor que eu tinha gostado.

Eis que depois de 4 anos, a busca chegou ao fim. Eu finalmente reencontrei a minha bicicleta.

O vendedor topou encarar estrada e trouxe a bicicleta até a minha casa, já que ela estava em outra cidade.

E para completar a minha alegria, a bicicleta estava em perfeito estado, nova.

Toda essa espera valeu a pena, e agora, ela irá me acompanhar por muitos e muitos anos.

~ Yuka ~

Cuidado com os custos associados no momento da compra

woman standing near store while looking at the mannequin

Vou contar um exemplo que aconteceu com uma pessoa que eu conheço, pois acredito que será muito didático sobre o que eu quero falar hoje.

Quando a esposa desse meu colega engravidou, eles decidiram comprar um carrinho de bebê. O carrinho era enorme, praticamente uma espaçonave. Me mostraram super orgulhosos e eu fiquei me perguntando como aquele carrinho de bebê tamanho GG entrava no porta-malas do carro deles. Aí que estava a problema: não entrava. Eles trocaram por um carro com um porta-malas maior. Imagino que o IPVA também tenha ficado mais caro. Se antes eles paravam na rua quando iam passear, começaram a pagar estacionamento, afinal, não podiam correr o risco de acontecer algo com o carro novo. Não sei se eles conseguiram associar que todos esses gastos posteriores, foram por causa de uma compra não muito pensada. Quanto mesmo custou o carrinho de bebê? Pelas minhas contas, foi muito caro, se pensar no custo associado.

O custo associado de uma compra geralmente é negligenciado. E esse custo, a meu ver, pode vir de duas formas: TEMPO e DINHEIRO.

Custo associado: DINHEIRO

Para os pagantes de aluguel de imóveis (como eu), aposto que já chegaram a pensar em sair de um imóvel quando o aluguel aumenta. Em algumas situações, o inquilino, por não querer pagar o reajuste do aluguel, resolve se mudar após o término da cláusula de 18 ou 30 meses do contrato de aluguel. Só que ele não percebe que sai muito mais barato ele pagar o novo reajuste e continuar quieto no seu canto, do que resolver fazer uma mudança residencial, mesmo para um aluguel um pouco mais barato. Alugar um caminhão de mudança não sai barato, e o trabalho não acaba por aí. É preciso pintar o imóvel que estava morando, provavelmente vai precisar pintar o imóvel que vai passar a morar, fazer ajustes no varal de teto, comprar cortinas do tamanho adequado, trocar tomadas velhas. Alguns móveis precisarão ser trocados para adaptar à nova metragem do imóvel, trocar lâmpadas, pagar conta dobrado no primeiro mês de mudança…. Uma simples mudança residencial (contratar um caminhão de mudança), vira uma coisa gigantesca.

O mesmo caso serve para o proprietário de um imóvel. Se tem um bom inquilino, compensa muito mais manter esse bom inquilino por muitos anos oferecendo um reajuste abaixo do mercado, do que vagar o imóvel e enfrentar uma vacância durante não sei quantos meses.

Mudar para um apartamento maior, também tem os custos associados. Precisamos comprar mais móveis para preencher a nova casa, pagar mais IPTU, mais condomínio, mais conta de luz, mais tudo.

Isso acontece também quando resolvemos inocentemente colocar os filhos numa escola mais cara do que nosso orçamento permite, achando que o gasto será só na mensalidade. Só que as despesas só aumentam, o uniforme, o lanche, a mesada, as viagens que as crianças da escola fazem, excursão, e quando vê, os gastos extrapolam o orçamento permitido. Os presentes dos amigos que antes não passavam de lembrancinhas, agora pesa no final do mês, afinal, não dá mais pra dar um presente de R$50 para a amiga da filha. Esse é um pequeno exemplo que o custo da escola não é só a mensalidade.

Tenho uma amiga que coloca a filha numa escola particular, e ela falou que a escola exige que a criança tenha um iPad. Sim, tem que ser da Apple, não pode ser de outra marca, a justificativa é por causa dos aplicativos. Os pais que não quiserem comprar, deverão pagar um aluguel de R$1.000 por ano.

Acho que o custo associado de um carro já é mais comum, afinal, não basta pagar só as parcelas do carro, é preciso pagar tudo o que vem junto com um carro: IPVA, seguro DPVAT, seguro opcional, gasolina, manutenção do carro, etc….

Custo associado: TEMPO

Quando minha mãe me contou que comprava móveis de linha reta para não juntar poeira, eu achei ela meio doida… até que eu comecei a ter a minha própria casa e comecei a tirar poeira… e aí o que ela falava começou a fazer todo o sentido, principalmente quando não temos alguém para tirar a poeira para você. Quando compro móveis, dou preferência para móveis de linhas retas, com puxador em cava de 45 graus, porque eu sei que cada ondulação, cada puxador, cada detalhe, é um local a mais para juntar sujeira. Se a pessoa gosta de móveis estilo provençal, retrô, com detalhes, precisa saber que tem um custo associado depois: de tirar poeira.

Se vou comprar uma roupa, eu avalio se compensa o trabalho que terei de passar roupa.

Quando comprei uma mesa de centro para a sala, resolvi comprar de um material lavável, um acrílico resistente (vidro eu não quis, por medo de quebrar). Imaginei as crianças comendo na mesinha, brincando de tinta, canetinha, com cola… e por isso mesmo descartei a opção de madeira e optei por uma mesa de acrílico. A mesa segue firme e forte, e nos dias de muita sujeira, consigo lavar até embaixo do chuveiro se quiser.

Então quando for comprar algo, lembre-se sempre do custo associado. E isso não é só sobre dinheiro, estamos falando principalmente de tempo.

~ Yuka ~

O universo da moda acessível se abre com brechós

Moda, Vestuário, Loja, Roupas, Vestido, Estilo

Se você tem preconceito em comprar roupas em brechó, deveria repensar um pouco.

Aprendi desde cedo a valorizar as coisas que ganhava. Nunca torci o nariz por usar roupas de outras pessoas.

Se antes fazia por necessidade financeira, hoje faço para ter acesso às roupas melhores por um preço bem justo.

Roupas de segunda mão vem de duas formas para mim. Algumas amigas passam suas roupas e também garimpo peças nos brechós online.

Acho legal ganhar roupas das amigas, porque não foram poucas as vezes que eu olhava pra roupa, e tinha certeza absoluta que não combinaria em mim. E eis que uso a roupa e não é que fica maravilhoso? São roupas que em uma situação normal, eu nunca teria se quer olhado para experimentar. Ou seja, é uma forma de abrir a minha cabeça para outros estilos de roupa.

Eu passei a dar uma atenção especial aos brechós on-line depois que comecei a fazer viagens para o exterior.

Pra mim, ficou claro que as roupas que eu trazia do exterior tinham uma qualidade superior. Há roupas que eu comprei na França em 2013, que estão intactas até hoje, passados 8 anos, a roupa ainda parece nova.

E isso se repetiu nos outros países que visitei…

Comecei a ter uma ligeira impressão de que mandam para o Brasil o refugo do que não foi vendido em outros países, ou até mesmo utilizam matéria prima de qualidade inferior. Será que as empresas fariam isso?

As roupas que eu compro aqui no Brasil não são baratas, mas se desintegram muito rápido. Há certas marcas que depois de 2 lavagens, a blusa furou. Eu ainda tinha a nota fiscal comprovando que a compra era recente, e a empresa trocou a peça, mas infelizmente, furou de novo e eu resolvi não reclamar de novo. Deveria, mas não reclamei. Acabei deixando pra lá.

A máquina de lavar roupa que eu tenho utiliza o sistema de lavagem por tombamento, ou seja, danifica menos as peças de roupas do que as máquinas que possuem abertura superior. Mas mesmo assim, algumas roupas furam depois de algumas lavagens, ficam com bolinhas, ou desbotam. Já comprei uma calça jeans preta que simplesmente desbotou na primeira lavagem.

A gente tem o costume valorizar certas marcas só porque é conhecida internacionalmente, não questionando qualidade e durabilidade.

Essas mesmas lojas de departamento que vendem roupas em diversos países… você vai lá, compra no exterior e gosta da qualidade, vem para o Brasil e compra a roupa, e ela se desintegra. Como pode? Se é a mesma loja? E a gente vê todo mundo enchendo o carrinho, pagando caro por algo que nem vale tudo isso, só porque é de uma marca conhecida.

A minha sorte é que eu compro poucas roupas, então as que eu tenho atualmente são as que “sobraram”, ou seja, roupas de qualidade que não desbotam.

Com essas experiências negativas, passei a me interessar pelos brechós, pois poderia ter acesso às roupas de qualidade, em ótimo estado, por um preço acessível.

E para quem tem aquela impressão equivocada que brechó vende roupa de defunto, pode mudar a forma de pensar. As lojas costumam fazer uma curadoria muito boa, selecionando e aprovando apenas roupas sem manchas, sem rasgos, em ótimo estado de conservação.

Então se você também tem essa impressão de que as roupas estragam muito rápido, talvez possa se beneficiar dos brechós.

~ Yuka ~

Minimalismo na maternidade

man and toddler standing on shore

Se tem um lugar que recebemos incentivo para consumir, esse lugar definitivamente é na maternidade.

Tive sorte de já ser bem consciente quando me tornei mãe pela primeira vez e com isso fui pouco influenciada pelas pessoas.

Na primeira consulta da minha filha ao pediatra, ele me falou que antigamente não existia chupeta, não tinha colchão inclinado para evitar a regurgitação, não tinha almofada ou poltronas específicas para amamentação, não tinha sabão específico para lavar roupas de bebês, nem shampoos especiais para lavar os tufinhos de cabelo dos recém-nascidos. Com essas palavras em mente, saí do consultório com uma bebê recém-nascida no colo, com a certeza de que eu deveria prestar atenção na minha intuição, e não no marketing agressivo das indústrias incentivando consumo. E é assim que eu tenho levado a minha vida desde então.

Minhas filhas não saíram de roupa vermelha da maternidade, não fiz quarto decorado, não fiz mesversário, nem sessões de fotos, nem festa em buffet. Minha segunda filha mal dormiu em berço, sempre amamentei minhas filhas deitada apesar de toda contraindicação em relação a ter infecções nos ouvidos como otite, o que nenhuma das duas teve até hoje. Minhas filhas não usaram sapatos até 1 ano de idade, nunca entendi essa necessidade de colocar um tênis em um pé que nem sabe andar. Elas se vestem de acordo com a idade, ou seja, elas não usam roupas de mulher, não usam maquiagem, não pintam as unhas, não usam sapatinho com salto.

Não fiz enxoval para a minha segunda filha, ela usou tudo o que eu já tinha em casa, vindo da primogênita.

Minha mãe se surpreende até hoje, por eu ter usado 1 mamadeira, tendo 2 filhas em um curto período de tempo. Ora, quando minha segunda filha nasceu, ela mamava no peito, enquanto a filha mais velha tomava mamadeira. Coincidentemente, quando eu já estava prestes a comprar uma mamadeira para a caçula, a primeira filha largou a mamadeira, e com isso, pude aproveitar a mesma mamadeira.

Não lavei roupa separada das minhas bebês, como é recomendado em diversos sites. Gente, lavou tá novo. Nunca liguei das minhas filhas não estarem com lacinho na cabeça, se estavam com roupas coordenadas, tudo combinando. Minha preocupação sempre foi com a saúde, segurança e felicidade.

Aliás, não fiz muitas das coisas ditas normais pelos pais de primeira viagem, porque não era importante para mim. Agora, se é importante para você, faça, para não se arrepender depois.

Conforme as crianças foram crescendo, percebi que elas brincavam muito mais com uma caixa de papelão do que brinquedos comprados. E é muito fácil de compreender. Enquanto os brinquedos comprados já estão prontos, e não há muito o que fazer com uma boneca que já fala, anda, pisca e chora. Afinal, a boneca já vem pronta. Enquanto as bonecas que elas mesmas criam, precisam de um rosto pintado, fazer uma roupa, arrumar o cabelo, falar por elas, usar a criatividade.

A mesma coisa tem acontecido com outros tipos de brinquedos. Ao invés de pula-pirata e outros brinquedos que estão encostados num canto da casa, minhas filhas cismam em querer brincar com papel e tesoura, canetinha, cola, purpurina, tecido, fitas adesivas. Usam massinha de modelar para criar vestidos das bonecas, arrumam um pedaço de papelão e desenham o seu próprio celular, constroem casas para suas bonecas e se divertem horrores.

Há pouco tempo, comprei uma casa (tipo aquelas barracas do Gugu, mas numa versão melhorada) para elas brincarem. Qual não foi a minha surpresa ao perceber que nenhuma das duas se interessaram pela casa? Uma indiferença sem tamanho… tanto que depois de 2 dias eu desmontei e guardei embaixo da minha cama. Mas o interesse delas em construir a própria casa continua. Ou seja, elas não querem GANHAR uma casa. Elas querem CRIAR uma casa. Usam lençóis, almofadas, varal de chão, qualquer coisa que estiver à disposição aqui em casa pra construir o canto delas.

Pedem pra eu emprestar agulha e linha, porque querem fazer uma roupa de boneca, pedem pra eu emprestar minha pistola de cola quente, porque querem fazer uma escultura com pregos e parafusos, estão aprendendo a desenhar, de tanto me verem desenhando para elas.

Tenho gostado bastante desta forma de criação, vejo que concentração é algo raro entre as crianças, mas minhas filhas conseguem ficar concentradas por bastante tempo em uma atividade.

Digo para meu marido que o tempo vai encarregar de mantê-las ligadas na internet daqui a alguns anos. Então por enquanto… enquanto puder… prefiro mantê-las distante da internet para que a infância, que já é tão curta, se prolongue um pouco mais.

~ Yuka ~

Filhos e dinheiro: como temos lidado – 2º post

Já publiquei um post em 2019 falando sobre esse assunto.

Filhos e dinheiro: como temos lidado

Passado dois anos, vim atualizar o que tenho feito com as crianças.

Minhas filhas atualmente estão com 4 e 6 anos.

Eu ainda não dou mesada para elas.

O que faço é preparar o terreno para poder plantar sementes no momento certo:

A importância de esperar e sentir alegria enquanto espera

Eu tenho uma agenda em que coloco as minhas metas.

E resolvi acrescentar algumas páginas e envelopes para que elas também pudessem participar dessa construção das metas.

Para que fique mais fácil o entendimento para elas, elaboramos metas coletivas para que todos pudessem se divertir juntos. E com isso, elas criaram 3 metas: juntar moedinhas pra comprar doces, fazer uma pequena viagem de fim-de-semana, e ir de novo ao Parque da Turma da Mônica.

Toda moedinha que aparecia em casa, elas acrescentavam no envelope das balas e pintava um quadradinho. Elas sabem que quanto mais quadradinhos coloridos, mais próximo da meta estamos.

Veja que não estamos falando de preço aqui. Vinte reais é um valor pequeno, que eu poderia simplesmente ir na doceria e comprar balas. Mas o que estou fazendo aqui com minhas filhas é o exercício da espera, de sentir alegria enquanto tenta alcançar a meta. Elas pulam de alegria toda vez que abrimos a agenda, pois sabem que a meta está cada vez mais próxima. Como o valor é simbólico, sempre conseguimos alcançar essa meta relativamente rápido.

Enquanto esperamos esse dia especial chegar, elas gostam de conversar entre si sobre quais doces irão comprar, como irão dividir, etc.

Eu acho essa “espera” muito saudável.

Na foto abaixo, todos os quadradinhos já haviam sido pintados por elas, ou seja, meta alcançada.

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Já para a meta da viagem de fim-de-semana, todo início do mês, separamos uma quantia para que elas possam colocar no envelope da viagem. Como há 2 metas (a viagem de fim-de-semana e o Parque da Turma da Mônica), expliquei que começaríamos com a meta da viagem, e somente depois de alcançarmos esta meta, partiríamos para a meta do Parque.

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Essa meta de ir no Parque da Turma da Mônica ainda não foi iniciada, por isso a página está em branco, mas o importante é que elas folheiam as páginas e ficam sonhando.

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Eu quero que elas entendam que não dá pra fazer tudo de uma vez, precisamos priorizar as metas.

Primeiro tentamos a meta mais fácil (a da bala), depois a metas que temos mais vontade (a viagem de fim-de-semana) e por último a meta que pode esperar um pouco mais (a do Parque da Turma da Mônica, pois elas já foram).

Acho importante saber esperar e aprender a sentir alegria na espera (e não frustração).

Afinal, a espera é um exercício, assim como nós, adultos, também precisamos praticar.

Ensinar que quem guarda sempre tem

Esse é o nosso lema em casa, pra tudo.

Se elas pedem para brincar de barbante, peço para usar o que precisam e guardar na gaveta o que não for usar.

Se querem brincar de cola, entrego o pote, e digo para elas usarem o necessário.

E como sempre falo “quem guarda sempre tem”, elas estão aprendendo naturalmente que tudo bem usar, consumir, comprar. O problema está no desperdiçar.

A importância de saber sobre juros compostos

Particularmente falando, acho um pouco cedo ensinar sobre dinheiro. Sei que há pais que ensinam os filhos bem cedo, mas eu ainda prefiro esperar um pouco mais.

Há pouco tempo, comprei um cofrinho para elas, mas as moedinhas viraram brinquedos e elas sumiram com metade dessas moedas. Ou seja, não estão prontas.

Mas isso não significa que não falamos sobre investimentos (eu e o marido) e elas acabam ouvindo bastante coisa, apesar de não entenderem absolutamente nada.

Em uma das conversas, tentei explicar sobre o conceito dos juros compostos para a minha filha mais velha, com o M&M que ela  segurava firmemente nas mãos.

“E se eu falar que se você colocar nesta caixa amarela, os seus 30 M&Ms continuarão sendo 30 M&Ms. Mas que se você colocar os seus M&Ms na caixa certa, deixar por um tempo sem comer, eles podem virar 60 M&Ms?”

Os olhos dela brilharam. E ainda perguntou:

“Onde mamãe? Qual é a caixa que eu tenho que guardar para que eu tenha mais chocolates?”

Pronto, o conceito dos juros compostos foi plantado nela.

Eu falei para ela que no momento certo, eu iria apresentar a caixa que faz isso.

Neste momento, é isso que tenho feito com as crianças.

Daqui a 2 anos, eu volto para contar as novidades.

~ Yuka ~

Desodorante caseiro: a surpresa

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Meu marido vai me matar por eu escrever esse post…

Durante muitos anos, ele, como qualquer outra pessoa que eu conheço, usava os desodorantes comprados nos supermercados, do tipo roll-on, aerosol etc.

Antes da pandemia, ele andava de bicicleta diariamente 40km por dia para ir e voltar ao trabalho.

Anda sorrindo, diga-se de passagem, nunca conheci alguém que adora pedalar uma bicicleta que não tem nem marcha, as chamadas bike fixa.

Com o tempo, as roupas começaram a ficar…. bom, vou tentar ser gentil… muuuuuuuito fedidas.

As roupas ainda eram novas, só que fedidas. O que fazer?

Já meu marido, sempre ficou intrigado, por que eu não usava desodorante, mesmo nos dias quentes de verão. Até então, não era algo que eu parava para pensar “oh, todo mundo usa, por que será que eu não uso?”. A questão é que não usava, porque nunca senti necessidade de usar.

Nessa minha pesquisa pra tentar descobrir o que fazer com as roupas do marido, acabei descobrindo uma reportagem da BBC que explicava o meu caso. Descobri que a maioria dos asiáticos nasce com uma variação genética e não tem a secreção nas axilas que atrai bactéria que produz o cheiro forte. Interessante…

Bom, descoberto isso, finalmente pude explicar de forma científica para o meu marido o motivo de eu não usar desodorante. Mas ainda tinha que resolver o problema das roupas do meu marido não-asiático.

Depois de muita pesquisa, vi que o Lysoform poderia ajudar, já que eu tinha que matar essas bactérias e esse produto é um desinfetante. Lembro que chorávamos de tanto de rir dizendo que as minhas roupas eram deixadas de molho no amaciante, enquanto as dele eram deixadas de molho no desinfetante.

Só que mesmo assim, as roupas continuavam com cheiro desagradável. Comecei a suspeitar do desodorante, já que ficava impregnado na roupa.

Fiz buscas incessantes pela internet, até que encontrei uma receita que achei bacana e pedi para que ele testasse um desodorante caseiro.

Toda essa história que estou contando aconteceu em 2019.

Ele aceitou fazer o teste em julho de 2019, e antes de iniciar os testes, aproveitou para comprar um sabonete bactericida, ou seja, já começou desacreditando no desodorante caseiro.

Eu pedi para que ele não usasse o sabonete bactericida, pois não saberia se foi o desodorante caseiro que fez efeito, ou se tinha sido esse sabonete. E apesar de contrariado, aceitou não usar o sabonete recém-comprado.

Desde então, já se passaram 2 anos.

Depois de quase 2 anos de uso, posso dizer que o desodorante funciona (ou melhor, ele pode dizer). O cheiro foi embora como num passe de mágica.

Segundo as palavras dele, já sem a habitual resistência inicial: “muito melhor do que qualquer desodorante comprado”.

Dito isso, compartilho aqui a receita, que de tão fácil, muitos acabam torcendo o nariz achando que não funciona.

Misture bem:

  • 3 colheres de sopa de óleo de coco
  • 3 colheres de sopa de amido
  • 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio

Eu coloco em potinhos com tampa. Depois o desodorante dá uma endurecida, ficando com textura de pomada. Este produto deixa sensação de seco na pele, não mancha as roupas, nem deixa gorduroso.

Peguei essa receita no canal da Cristal, reproduzi exatamente da forma como ela ensinou. Nessas horas eu penso, como a internet é maravilhosa! Permite que pessoas como eu, aprenda coisas maravilhosas como esse desodorante caseiro.

Lembrei de toda essa saga do desodorante, porque meu marido me pediu essa semana “Yu, faz mais uma leva do desodorante pra mim?” e comecei a rir sozinha lembrando dessa história toda.

E claro, nada como compartilhar receitas bem sucedidas com vocês que sempre me acompanham por aqui.

*Nota: a leitora Bhuvana indicou o site Cosmetologia do Bem e lá, encontrei um desodorante similar, com a explicação de porquê este desodorante funciona:

  • Bicarbonato de Sódio: desempenha a mesma função do leite de magnésia, impedindo a formação de um ambiente propício para o desenvolvimento de microorganismos
  • Óleo de Coco: antibacteriano e hidratante
  • Amido: garante uma textura mais seca à mistura e funciona como um espessante natural

~ Yuka ~

Guarda-roupa minimalista com 35 peças

Vestido, Vestuário, Cabide, Aço, Lavandaria

Atualmente, tenho um total de 35 peças, incluindo calças, saias, shorts, vestidos, blusas e blusas de frio.

Além destas roupas, tenho 5 sapatos, 3 bolsas, 2 meias, algumas roupas de baixo e meia dúzia de roupas que uso em casa, pois eu não cozinho com a roupa do trabalho, por exemplo.

Todas as minhas roupas estão no guarda-roupa, de forma que consigo visualizar todas as peças durante o ano todo.

Também não faço rodízio de roupas, porque se eu fizer, vai me faltar diversas peças, principalmente, porque gosto de mesclar as roupas, não importando se é verão ou inverno, primavera ou outono. Uso vestidos soltinhos de verão com uma jaqueta mais pesada e bota de cano curto, uso saia com tênis, saia com casaco de inverno e mais a meia-calça, ou seja, gosto de misturar roupas de estações variadas, e com isso, a quantidade de combinações que posso fazer aumenta.

As pessoas sempre se surpreendem quando descobrem que meu guarda-roupa é enxuto, pois pela quantidade de composições que faço, acham que tenho um guarda-roupa de respeito.

Se eu saísse do meu emprego hoje e passasse a trabalhar de casa, esse número reduziria ainda mais. Mas por conta do meu trabalho, atualmente, 35 peças são mais que suficientes.

O legal é não se atentar para o número em si, mas na usabilidade das peças. Se tem 100 peças e usa essas 100 peças, então esse é o seu número. Agora, se tem 100 peças e usa só 50, este é o seu novo número.

Há alguns anos, eu já tive muito mais roupas, mas metade ficava sem uso, amassado no fundo do guarda-roupa. Também tive diversas blusas muito parecidas umas com as outras, sandálias novas que estragaram dentro da caixa de sapato, peças esquecidas, peças que não combinavam comigo, roupas que não eram do meu estilo.

Esse número “35” não veio de um dia para o outro. Foi um longo processo de auto-conhecimento.

O objetivo era descobrir quais roupas eu mais gostava, que estilo me deixava mais confortável, quais tecidos eram melhores para mim, quais cores me agradava, e por fim, descobrir quantas peças eram o suficiente para mim…

Como deu para perceber, não são respostas tão imediatas e fáceis.

Eu por exemplo, adoro usar saias e vestidos. Uso o ano inteiro, desde verão até inverno.

Não é que eu deixei de ter roupas que gostava, é justamente ao contrário. Eu comecei a focar apenas nas roupas que eu usava sempre.

Todas as roupas que foram embora ao longo destes anos, eram roupas que eu já não usava por diversos motivos. Eram roupas que amassavam muito e eu tinha preguiça de passar o ferro de passar, roupas que eram decotados demais, que eram curtos demais, que eram desconfortáveis, que pinicava, que era difícil de combinar, etc.

Ou seja, a redução aconteceu de forma saudável, aos poucos, até chegar na quantidade de roupas que eu tenho hoje:

  • 4 calças
  • 4 saias
  • 2 shorts
  • 12 blusas
  • 5 vestidos
  • 4 cardigãs para primavera/outono
  • 2 casacos para outono/inverno
  • 2 blusas de lã para inverno

Tem sido uma quantidade bastante confortável, consigo fazer diversas combinações, e o melhor, uso todas as peças, SEM EXCEÇÃO.

A melhor parte de tudo isso? Não foram poucas as vezes que ouvi nos locais de trabalho que tenho gosto refinado para me vestir hohoho.

Pra vocês verem que o que faz a diferença não é quantidade, e sim, saber escolher peças versáteis para fazer as combinações.

~ Yuka ~

Preparando-se para ser FIRE: criação de renda passiva

Van Miniatura Fundida Amarela Em Areia Marrom

Eu ainda tenho alguns anos pela frente para alcançar a tão sonhada Liberdade Financeira.

Mas conforme os anos vão passando e o patrimônio aumentando, sinto a necessidade de olhar para a minha carteira de investimentos com mais carinho, pensar qual estratégia funcionaria melhor para mim.

Há diversas estratégias espalhadas por aí, além da mais conhecida regra da Taxa Segura de Retirada de 4%.

Vou colocar aqui alguns posts muito bons sobre o assunto:

TSR no Brasil: 25 anos completos de histórico e projeção futura” – Blog AA40

TSR para o Brasil: um estudo sobre os primeiros anos de IF” – Blog Quero Virar Vagabundo

Renda Fire: alternativas para a regra dos 4%” – Kraucer’s Blog

Blindando a regra dos 4%” – Blog IFologia Pop

Depois de ler e pensar bastante, tenho pensado em me apoiar na criação de renda passiva com Fundo de Investimentos Imobiliários, os famosos FIIs.

Eu não concentraria num único tipo de ativo, ou seja, teria outras fontes de renda, como os dividendos das ações e também o aluguel do meu imóvel físico, mas gostaria de pagar as minhas despesas mensais com os FIIs.

Vale lembrar que Gleison do Sapien Livre usa esta estratégia (carteira previdenciária com FIIs) desde que declarou sua independência financeira, e acompanhei sua tranquilidade, mesmo nos períodos em que o mercado financeiro teve quedas pavorosas por conta da pandemia. Essa tranquilidade vem justamente por não precisar se desfazer de nenhum ativo que está descontado para pagar as contas do mês.

Mesmo quando os ativos perderem 30% ~ 50% de valor e parte da renda passiva mensal reduzir, graças à previsibilidade dos FIIs, temos mais chance de suportar com menos abalo psicológico, períodos longos e de grandes oscilações no mercado financeiro, pois não precisamos vender nenhum ativo.

O Diego do Aposente Cedo também utilizou esta estratégia quando iniciou sua vida FIRE (Financial Independence Retire Early) há poucos meses. A sua carteira está alocada em diversos ativos, mas as suas despesas básicas são pagas com folga pelos aluguéis dos FIIs.

Atualmente, minha carteira está 90% alocada em renda variável e 10% em renda fixa.

Isso aconteceu, porque eu basicamente zerei posição na renda fixa para comprar ações, no momento em que a bolsa estava batendo os seus 70 mil pontos, no início da pandemia em 2020.

E com a subida da bolsa, minha exposição em renda variável aumentou ainda mais.

A ideia agora é reduzir parte da minha carteira de ações e aumentar gradativamente a exposição em FIIs, até 30%. Eu já estava fazendo isso apenas com os meus aportes mensais, mas caiu a ficha recentemente que fazer esse rebalanceamento da carteira apenas com os meus aportes, demoraria muitos anos.

Quando chegar em 30% em FIIs, vou avaliar se aumento a exposição um pouco mais ou não, dependendo da renda passiva que o portfólio de FII irá gerar.

Eu não pretendo alocar 100% da minha carteira em FIIs, mas para quem tiver interesse, vale a pena a leitura do e-book gratuito do Rodrigo Medeiros, do Desmistificando FIIs e não esquecer que mercado imobiliário tem períodos de recessão e de expansão.

Ponto 1: FIIs para geração de renda passiva

Sabemos que as ações dão mais retorno do que Fundos de Investimento Imobiliário e renda fixa no longo prazo.

A renda fixa gera ótimas oportunidades se bem aproveitadas, e também dá uma sensação de segurança quando a carteira de ações desaba 30, 40, 50%.

Por esse motivo, tento manter pelo menos de 20% a 25% da minha carteira em Renda Fixa, apesar de atualmente estar em 10% pelos motivos citados acima.

De qualquer forma, meu foco hoje é na geração de renda passiva com FIIs, pela previsibilidade.

Ponto 2: Manter o imóvel físico para renda passiva futura

Já pensei por diversas vezes em desfazer do imóvel que atualmente está alugado, e transformar em FIIs, mas por enquanto, como o valor do financiamento é menor que o valor que o inquilino paga, vou mantê-lo, afinal, quem está pagando o meu financiamento é o inquilino.

Depois de alguns anos, a diferença do fluxo de caixa será um plus na renda passiva.

Ponto 3: Tentar uma TSR menor que 4%

Na regra dos 4%, eu teria que anualmente vender parte da minha carteira para compor a minha renda mensal.

Mas com a estratégia de geração de renda passiva com FIIs, pretendo não sacar nada do principal, e usar apenas os aluguéis dos FIIs.

Então resumindo, a minha estratégia será:

  • Aluguéis dos FIIs: servirá para pagar minhas despesas com folga
  • Aluguel do imóvel físico: inquilino paga o financiamento imobiliário
  • Dividendos das ações: reinvestir
  • Renda extra: reinvestir

Como pretendo pagar as despesas mensais com os aluguéis dos FIIs, vou deixar uma folga financeira de uns 20~30%.

Este valor que irá sobrar mensalmente, penso em colocar em algum fundo DI para ser gasto em viagens, lazer, ou qualquer outra coisa que eu ache importante.

O reinvestimento seria feito apenas com os dividendos das ações e de eventuais rendas extras.

Com essa estratégia, eu acredito que conseguiria ter mais chances de sobreviver a uma crise econômica (que a gente nunca sabe quando vai acontecer), já que a carteira de ações, stocks, renda fixa e reserva de emergência (eu ainda tenho uma previdência complementar da empresa que trabalho), estariam intactos, permitindo o crescimento saudável do patrimônio ao longo dos anos.

Em caso de uma crise extrema, inflação completamente descontrolada, tenho a opção de ir morar no imóvel que hoje está alugado.

Sei que não há um único caminho para alcançar a Independência Financeira, da mesma forma que não há um único caminho para definir o que é certo e errado em relação a renda FIRE.

É apenas uma das estratégias dentre as diversas estratégias, para o mesmo objetivo.

E você, já sabe qual estratégia irá utilizar para gerar sua renda FIRE?

~ Yuka ~

Como não fazer compras impulsivas

Mulher De Camisa Branca Segurando Jeans Azul

Vocês sabem que gosto de listas, então, segue as minhas dicas pessoais para evitar compras impulsivas:

1. Compre apenas no momento de usar

Uma coisa que eu aprendi nesta pandemia foi parar de comprar com tanta antecedência. Era uma coisa que eu fazia com frequência, gostava de planejar com meeeeeses de antecedência, mas percebi que nem sempre fazer isso é bom.

Lembro de um dia ter comprado maiô pra fazer natação. Depois deixei guardado na gaveta, resolvi fazer uma reeducação alimentar e emagreci 12kg e aí aquele maiô que eu tinha comprado, e que estava guardado na gaveta, ainda com etiqueta, não serviu pra mais nada.

Seria mais inteligente da minha parte comprar o maiô somente depois que eu tivesse feito a matrícula na escola.

Fora as outras coisas que comprei, e que de uma forma ou de outra, acabou perdendo o sentido depois de esperar alguns meses para ser usado.

Agora já aprendi que é melhor comprar somente quando chegar o momento de usar.

2. Tenha uma lista de compras

Eu tenho uma lista chamada Compras.

É nesta lista que eu coloco o cardigã que eu quero comprar, e que está lá há mais de 2 anos, porque não achei a cor que eu quero, o kit de brocas para a furadeira, entre outras coisas.

O bom de ter essa lista é que depois de alguns meses, eu desisto de comprar a maioria dos itens que estão lá. Ou seja, não era importante, seria uma compra por impulso.

Esse kit de brocas por exemplo, está nesta lista há pelo menos 3 meses, e não tenho pressa para comprar. Já pesquisei pela internet, mas prefiro escolher na loja. Fazer isso faz com que eu tenha menos arrependimentos na hora da compra.

3. Não se emocione com as liquidações

Aproveitar uma liquidação é sempre muito bom, se conseguirmos comprar somente o que iremos usar de verdade. Agora, comprar só porque está barato, só por este único motivo, não vale a pena.

Eu já me emocionei muito com liquidações, achava que estava perdendo grandes oportunidades se não aproveitasse.

Hoje prefiro comprar algo mais caro sabendo que é algo que irei usar, do que comprar algo mais barato sem saber se irei usar.

4. Não compre por estar na moda

Eu lembro que há alguns anos, se tornou tendência a calça pantacourt (uma calça larga e curta, ou uma bermuda longa rs).

Era muito comum ver várias, várias mulheres usando aquelas calças largas e listradas que iam até a canela.

A verdade é que são poucas as pessoas que ficam bem naquele tipo de modelo, que encurta as pernas.

Mas era impressionante a quantidade de pessoas que eu via na rua usando.

Ao invés de comprar porque está na moda, eu acho melhor comprar porque combina.

5. Antes de comprar, pesquise a opinião de outros consumidores

Há alguns anos, eu comprei um termômetro digital da marca Omron por justamente conhecer bem a marca.

Só que eu esqueci de pesquisar o produto em si, e não apenas confiar na marca.

Eu só descobri que aquele modelo específico de termômetro era descartável, quando minha filha estava ardendo de febre e o termômetro relativamente novo estava sem bateria.

Se eu tivesse feito essa pesquisa antes, saberia desse detalhe importante.

6. Jogue os e-mails de lojas para a pasta do spam

Tem períodos que eu resolvo me descadastrar de todas as lojas (elas me encontram mesmo eu não me cadastrando).

Mas em alguns momentos, tenho a impressão de que quanto mais me descadastro, mais e-mails eu recebo.

É uma coisa de doido.

Então eu oscilo entre fases em que saio descadastrando tudo, com fases que simplesmente ignoro e levo para a pasta de spam.

7. Pare de acompanhar canais que incentivam o consumo

Se tem uma período da minha vida que eu comprei maquiagens caras, foi justamente na época em que eu acompanhava os reviews de maquiagens das YouTubers.

Assistir esses vídeos atiçava a minha vontade de experimentar.

Eram tantos produtos novos, que eu nem dava conta de usar.

O produto vencia e eu tinha que jogar o produto que estava quase sem uso no lixo.

Depois que parei de segui-las, a minha vontade de consumir cessou completamente.

8. Estipule um limite de valor para gastar

Eu limito o valor em 2 ocasiões.

1.) Uma para não gastar demais,

2.) E outra para lembrar de gastar mais.

Exemplo de situação para não gastar demais: eu costumo fazer as compras da casa no supermercado. Mas às vezes, vou para a feira, principalmente quando as frutas do supermercado não estão tão boas. E eu já percebi que se eu levo 100 reais para a feira, gasto 100 reais. Se levo 80, gasto 80. E se levo 50, gasto 50. Então avalio o valor a ser gasto e só levo esse dinheiro.

Exemplo de situação para gastar mais: agora na pandemia, isso pode ser desconsiderado, mas em tempos normais, gosto de estipular valores para gastar no Uber, em passeios, lazer. Então quando passa o mês e eu vejo que gastei pouco, eu presto atenção para gastar mais no mês seguinte, afinal, dinheiro foi feito para gastar também.

9. Entenda a diferença entre preço e valor

Nós podemos comprar coisas pelo Preço e também pelo Valor. Os dois estão certos, desde que saibamos o que estamos fazendo.

Nesse período que minhas filhas crescem rápido (há fases em que as roupas duram uns 3 meses) eu tenho a plena consciência de que compro roupas para as meninas pensando no preço. Não vou comprar roupas de marca, não penso na durabilidade, não compro roupas caras, porque sei que a roupa vai evaporar.

Agora, quando fui comprar o colchão para as meninas, eu comprei pensando no valor, porque sabia que era um bem durável, importante para estabelecer o bom sono delas.

Esses dias comprei 2 blusas pra mim, comprei pensando no preço, já que só queria uma blusa confortável para usar em casa.

Já quando compro sapato, compro pensando no valor, porque não gosto nem um pouco de usar sapatos duros ou apertados. Não precisa ser algo caro, mas precisa ser algo de qualidade.

Saber reconhecer a diferença entre preço e valor no momento da compra é muito importante, pois evita comprar coisas importantes pensando no preço, ou, comprar coisas sem utilidade pensando no valor.

10. Cuide de você

Muitas compras por impulso acabam sendo feitas por causa da nossa instabilidade emocional: tristeza, ansiedade, frustração, inveja, insegurança, preguiça, tédio, medo.

Essa correlação é algo negligenciado por muitas pessoas, mas vale a pena avaliar como anda a nossa estabilidade emocional.

~ Yuka ~

Casa adaptada para as crianças

Semana passada, uma leitora me falou que estava grávida, e lembrei que há alguns meses tinha pensado em publicar um post sobre como funciona a dinâmica aqui em casa com as minhas filhas.

Desde que elas nasceram, uma série de pequenas adaptações foram feitas para que a casa se tornasse um local seguro para elas. Alguns móveis e objetos foram comprados, mas também usei muitas coisas que já tinha em casa.

A maioria foram soluções simples, que não exigiram nada além de boa intenção. A vantagem é que além de ter tornado a casa mais segura, tem colaborado para que as crianças sejam mais responsáveis e independentes de acordo com a idade.

1.) Cama das crianças o mais próximo possível do chão

A minha primeira filha, dormiu muito bem no berço.

Já a segunda filha, ficava inquieta e chorava muito, e no fim, acabei desistindo do berço quando ela tinha apenas alguns meses de vida.

A alternativa que eu encontrei foi comprar uma cama de casal baixa (basicamente um estrado com um colchão de casal em cima), pois assim, as duas faziam companhia uma para outra na hora de dormir. Para nós, pais, também foi um alívio, já que a cama grande comporta um adulto e duas crianças na hora de coloca-las para dormir.

Minha filha caçula, que dormia mal, acordava de madrugada e chorava para que alguém fizesse companhia no berço, se acalmou quando passou a dormir na cama de casal, pois descobriu que ao esticar a mãozinha, a sua irmã estava ao seu lado. Não foram poucas as vezes que vi as duas dormindo abraçadas.

Outra vantagem foi na hora do despertar. No berço, a caçula dependia de mim para sair, ou seja, já acordava chorando; e com a cama de casal, uma acordava a outra e ela mesma saía da cama engatinhando.

Essa cama tem sido muito útil até hoje. De vez em quando, pergunto se elas não gostariam de ter cada uma a sua própria cama, mas elas ainda gostam muito de dormir juntas.

2.) Revisão de todos os itens armazenados em casa

Blog - Crianças e produtos de limpeza. Veja recomendações de profissional  da saúde para evitar acidentes CEV Baby

Quando eu descobri que estava grávida, basicamente, tirei tudo de todas as gavetas e armários para pensar numa nova logística.

Com as gavetas e armários vazios, fui analisando tudo que era perigoso, pontudo e pesado. Essas coisas ficaram nos armários superiores, como tesoura, faca, palitos, produtos de limpeza, etc. Nos armários inferiores, permaneceram os potes plásticos, as panelas, as toalhas, os panos de prato, etc.

Fazer isso foi fundamental para eu ter tranquilidade. Como eu sabia que tinha revisto toda a organização dos objetos da casa, eu tinha a tranquilidade delas andarem por toda a casa, deixar abrir as portas dor armários e das gavetas, sem correr grandes perigos.

3.) Dar preferência para as gavetas de baixo

Essa sapateira, que nada mais é do que duas sapateiras uma do lado da outra, com uma tábua de madeira em cima, é uma mão na roda.

As crianças usam as gavetas de baixo, os adultos usam as gavetas de cima.

Essa pequena decisão, tão simples, facilitou o acesso aos sapatos, e no momento de sair de casa, elas mesmas calçam os sapatos e guardam no momento que chega em casa, desde quando minhas filhas tinham 2 anos de idade.

4.) Móveis presos na parede

Cantoneira Para Fixar Armario Na Parede - Armario Collection

Por motivos de segurança, móveis que podiam tombar para a frente (como a sapateira, cômoda), fixamos na parede.

5.) Usando o criado-mudo como escada

A minha cama é bem alta. Primeiro, porque é uma cama-baú. E segundo, porque o colchão é um pouco mais alto do que os colchões tradicionais. O que tornou para as minhas filhas, uma missão impossível subirem na cama, elas não conseguiam subir de jeito nenhum.

O criado-mudo se mostrou uma ótima alternativa para auxiliar na subida. Ensinei-as a usarem o criado-mudo como uma escada. Na época, meu marido achou um absurdo eu ensinar isso, mas depois que viu a praticidade, entendeu.

De manhãzinha, quando elas acordavam antes de mim, saíam da cama que é bem baixinho, e subiam na cama dos pais usando o criado-mudo como escada. 

6.) Instalando varão do guarda-roupa na altura delas

Eu fiz algo parecido com a foto acima, só que em um guarda-roupa tradicional.

Pois é… essa é a vantagem de saber montar o próprio guarda-roupa. Alterei um pouco a altura das prateleiras, e instalei o varão no local que achei adequado e pronto.

Aqui em casa, rola um desfile de moda todos os dias… minhas filhas ficam trocando de roupa o dia todo, a todo momento. Uma hora é blusinha com saia, outra hora é vestido, depois surge de princesa, de sereia, e por aí vai.

Com o guarda-roupa na altura delas, elas conseguem ter a autonomia para escolher as próprias roupas por conta própria, e principalmente, guardar também.

7.) Mesa para crianças

Casa & Decoração | Objeto e Arte | Mesa de jantar com banco, Decoração,  Mesa de sofá

Essa mesa de acrílico, que nada mais é do que uma mesa de centro da sala, serve muito bem para as crianças desenharem, pintarem, brincarem de massinha.

8.) Banquetas para acessar o inacessível

Banquinho Antiderrapante Degrau | Petit Papillon Bebê & Criança

Tenho três banquetas bem parecidas com essa. Uma fica no banheiro e outras duas na sala. A caçula usa a banqueta para auxiliá-la na hora de sentar no vaso sanitário e também para acessar a pia do banheiro para lavar as mãos.

Quando elas eram menores, a banqueta ainda ajudava a acender e desligar as luzes dos quartos. Por serem leves, elas levam as banquetas da sala para a cozinha (quando querem me ajudar a cozinhar), da cozinha para o quarto (quando querem alcançar algo que deixei escondido).

9.) Gancho mais baixo para toalha de mão

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Não é a coisa mais bonita de se ver, mas além do toalheiro que está na altura padrão, há um gancho com uma outra toalha de mão numa altura mais baixa. Com isso, elas conseguem enxugar as mãos.

10.) Jarra de água e copo acessível para tomarem água

Claro que sempre insisto para tomarem água, mas também deixo uma jarra de água e copo em cima da mesa da sala para elas tomarem água sempre que sentirem vontade.

11.) Fruteira acessível

Da mesma forma que a água, a fruteira também está sempre visível, instalada numa prateleira. As frutas colocadas nessa fruteira já estão higienizadas, então é só esticar a mão e comer.

12.) Brinquedos em caixas de madeira

Brinquedos são guardados em caixotes de madeira, desta forma, elas conseguem pegar e guardar com facilidade.

13.) Espelho colocado na altura das crianças

Atualmente, já não tenho mais espelho de corpo, porque na porta do guarda-roupa tem um espelho bem grande. Mas durante muito tempo, tive um espelho de corpo e resolvi abaixar até a altura delas. Conforme elas cresciam, eu subia um pouco mais o espelho.

14.) Protetor de tomadas

Tudo o que você precisa saber para ter proteção no quarto de bebê

Tem criança que quando a gente fala “não bota o dedo aí na tomada”, a criança vai obedecer (foi o caso da caçula). Já a filha mais velha, adorava tomadas e por mais que eu avisasse, ela sempre estava com um dedinho, um lápis, um palito. Então dependendo da criança que você tem, protetor de tomadas é fundamental sim.

~ Yuka ~

Viver de renda ou viver de boletos?

Ampulheta, Relógio, Areia, Tempo, Knapp, Minuto

Há 15 anos, me tornei servidora pública do Estado de São Paulo, e iniciei as atividades com um salário considerado muito bom para a minha área. Depois de alguns anos, vi meu salário literalmente dobrar com plano de carreira, bonificações, cargos de chefia etc.

Mas há alguns anos, percebo o achatamento descarado no salário, já que eu nem lembro quando foi a última vez que tive um reajuste salarial que acompanhasse pelo menos a correção da inflação.

Não tenho reajustes salariais, mas os outros reajustes não dão trégua: aluguel, condomínio, os reajustes abusivos do plano de saúde, gastos com alimentação, educação, etc. Não podemos esquecer os aumentos repentinos na arrecadação da alíquota do INSS que aumentou de 11 para 14% no ano passado.

Ver as contas aumentarem gradativamente e de forma constante, enquanto o salário continua estagnado há anos, me faz ter a certeza de como acertei em ter poupado boa parte do salário durante muitos anos.

Vejo pessoas que gastaram todo o dinheiro, e atualmente, possuem pouca ou nenhuma reserva financeira.

Essas pessoas estão reduzindo os gastos como podem, pois não pouparam quando poupar ainda era uma opção.

Estão mudando de bairro, trocando apartamento por um menor, deixando de ter plano de saúde, trocando escola dos filhos para reduzir mensalidade…

Desde 2010, toda vez que meu salário entrava na  conta, eu poupava, mesmo conhecendo naquela época só a poupança, título de capitalização e previdência privada.

Por conta da instabilidade no trabalho do meu marido, acostumamos a poupar em períodos de bonança e apertar o cinto nos períodos de vacas magras. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, o que importava era que estávamos no mesmo barco, remando na mesma direção.

Foi só em 2015 que eu descobri sobre FIRE (Financial Independence Retire Early) e comecei a “investir direito”.

Conforme meu salário aumentava gradativamente, pude melhorar a qualidade e padrão de vida, e com isso, os gastos aumentaram, mas os aportes também aumentaram na mesma proporção.

Sempre soube desde criança que a vida era feita de períodos de baixa e de alta, que há momentos bons, mas momentos difíceis que podem nos acompanhar por longos anos. Então nada mais inteligente do que cuidar das finanças de forma que nunca falte, ou melhor, que nunca falte de novo.

Todos nós podemos passar por períodos difíceis, e por isso mesmo, devemos nos preparar para esses momentos, sempre torcendo para que esse dia nunca chegue.

Quando estamos pensando no futuro, planejando, poupando, se prevenindo para os dias sombrios que podem chegar, algumas pessoas podem se ofender por economizarmos parte do salário, pois não é uma prática muito comum. Podem achar que somos precavidos demais, prevenidos demais, pessimistas demais.

Mas quando continuamos aportando parte do salário todos os meses, os juros compostos faz o seu trabalho e com isso, teremos no mínimo, uma boa tranquilidade financeira, pois o tempo estará trabalhando a nosso favor.

E para os que acreditam (que é o meu caso), que essas escolhas nos possibilitem comprar o que mais queremos: a nossa liberdade.

~ Yuka ~

Vida FIRE: qual cidade escolher?

10 ruas icônicas (e cheias de entretenimento) que você precisa conhecer em  São Paulo

Você já parou para pensar qual será a cidade escolhida para usufruir sua vida FIRE (Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada)?

Eu já.

Eu cresci numa cidade de médio porte (400 mil habitantes), e depois fui morar numa cidade um pouco menor para fazer faculdade (200 mil habitantes).

Já o meu marido, cresceu em uma cidade pequena (40 mil habitantes). Ele, inclusive, tem horror a cidade pequena, pois todo mundo conhece todo mundo e aí já viu, né? Qualquer coisa que alguém faz, todos ficam sabendo… “sabe a Josefina, sobrinha do Seu Mario e vizinha da Dona Carlota?”. Quando visitamos a mãe dele nessa cidade pequena, e damos uma volta na praça para tomar um sorvete, eu sinto que sou uma aberração ambulante, já que todos ficam me encarando dos pés à cabeça, na maior cara dura, ninguém nem disfarça que estão olhando para mim.

Já faz um tempo que eu percebi que gosto de São Paulo mais do que gostaria. Digo mais do que gostaria, porque São Paulo é uma cidade que está longe de ser organizada, com abismo sócio-econômico, violência, trânsito, poluição etc.

Mas também é a cidade que moro há 16 anos, onde a minha família mora, e onde a maioria dos meus amigos moram também. São Paulo é uma cidade cosmopolita, possui uma variedade de opções de lazer, de cultura, alimentação, de etnias, o que me agrada bastante.

Ao longo desses anos em São Paulo, me descobri uma pessoa urbana, que gosta e usufrui das diversas oportunidades que uma grande metrópole proporciona.

Como eu sei que muitas pessoas possuem o sonho de se aposentar em uma cidade pacata, calma, eu decidi escrever este post para apresentar o outro lado, de uma pessoa que tem opinião completamente oposta a respeito.

Que tipo de pessoa você é?

Essa pergunta na minha opinião, é a pergunta mais importante que devemos fazer.

Tem gente que se sente bem no meio do mato. Gosta de cachoeira, de fazer trilhas. Gosta da terra. Não se importa com pernilongos ou com pequenos bichinhos, com o barro que gruda na sola do sapato, não tem medo de morar sozinho em uma chácara, gosta de ouvir o barulho que a natureza produz.

Tem gente que gosta do calor da praia, do clima sempre úmido e agradável, de sentir a areia nos dedos dos pés, de caminhar na orla da praia, sentir o cheiro e a brisa do mar.

Tem gente que gosta de cidade pequena, pacata, tranquila, sem trânsito. De conversar com os vizinhos da rua, de encontrar as pessoas da cidade na praça central, ver o movimento tranquilo da rua.

E tem pessoas como eu, que gosta de grandes metrópoles, de cidade urbana, que gosta do caos, de bairros populosos, onde há intensa movimentação de pessoas, da ver a cidade funcionar 24h por dia, 7 dias por semana, de poder ter diversas opções de escolha, e do anonimato de uma cidade grande.

Cidade tranquila ou Cidade 24 horas?

Gosto de uma cidade com muitos movimentos, que tenha muitas opções de lazer, da variedade de produtos e serviços oferecidos, ter um complexo gastronômico à disposição, e o melhor, no horário que eu quiser.

Além disso, eu tenho diversos hobbies, e São Paulo é uma cidade que definitivamente oferece de tudo, desde cursos gratuitos a pagos, diversas palestras, além de lojas especializadas em tudo o que se possa imaginar.

Morar em grandes capitais significa que sempre há eventos acontecendo por toda a cidade, parques com programações bacanas, além de bibliotecas públicas remodeladas que se assemelham às livrarias.

Hoje eu sei que se eu fosse morar nos EUA, escolheria Nova York. Se morasse no Japão, escolheria Tokyo. Porque é isso, eu gosto de cidade grande.

Quais são seus hobbies?

Se você gosta de surfar todos os dias, gosta de tomar sol, sentir a água do mar, deveria fazer de tudo para morar no litoral, pois isso trará felicidade.

Já eu… gosto de tantas coisas…

Parece bobeira, mas não é toda cidade que tem papelarias especializadas em materiais artísticos. Não estou falando de uma Kalunga da vida, estou falando de papelarias como a Casa do Artista, ou até mesmo a Papelaria Universitária, que vendem papéis específicos de diversas gramaturas, texturas e cores, tintas nacionais e internacionais etc.

Foto do interior da loja da Casa do Artista

Eu amo comer comida japonesa, e faço com frequência o que chamo de festival do temaki, onde cada pessoa vai montando seu próprio temaki. Uma das minhas frustrações morando fora de São Paulo é que não encontro alguns ingredientes que até então eram básicos para mim, como broto de nabo e shisô verde (ingredientes para fazer o temaki), comprados com frequência no bairro da Liberdade.

手巻き寿司のレシピ・作り方・献立|レシピ大百科(レシピ・料理)|【味の素パーク】 : 米や牛焼き肉用を使った料理
Fonte da foto

Um dos meus hobbies é o artesanato. E transito bem entre os diversos materiais existentes, como tecido, patchwork, bijuterias, MDF, papel, pintura, desenho, feltro, tricô, cartonagem etc. E onde mais seria o paraíso de quem ama artesanato? Claro, a 25 de março. O que pode ser um inferno para alguns, para mim, a 25 de março é como se fosse meu pote de ouro no fim do arco-íris, meu oásis.

Já meu marido, tem vontade de cursar alguma faculdade de ciências políticas ou filosofia na sua vida FIRE. Além de claro, fazer academia de escalada. Não é qualquer cidade que teria diversas faculdades públicas e privadas à disposição, nem uma academia tão específica de escalada.

Quais são as vantagens e desvantagens da cidade que escolheu?

No meu caso, a desvantagem de São Paulo é o trânsito. Só que para isso, há 2 poréns:

  • quando for FIRE, isso não será mais um problema. Afinal, eu terei tempo livre
  • se escolher um local estratégico para morar, trânsito não será um problema

Tem gente que contornaria isso morando em uma cidade próxima de uma capital, mas eu prefiro morar na capital mesmo, numa região bem localizada.

Pra mim, é muito importante morar em uma cidade onde as pessoas não sejam tão conservadoras. Sabemos que cidades pequenas costumam ter pessoas mais conservadoras e tradicionais em relação à moralidade, machismo, racismo, religião, etc.

Outra vantagem de morar em uma capital é quando viajamos. Os aviões costumam sair de grandes capitais. E morar em uma capital facilita, pois não precisamos fazer uma nova viagem para chegar na cidade do interior. Lembro das vezes que viajei com as minhas amigas, enquanto a minha viagem terminava quando chegava em São Paulo, o das minhas amigas ainda não haviam terminado, já que elas precisavam encarar uma nova viagem de algumas horas, desta vez de ônibus, para conseguir chegar em casa.

Não podemos esquecer dos hospitais e rede de profissionais. Há excelentes médicos e hospitais bons, não gostaria de ter que viajar para uma cidade grande para ser atendida por um médico de uma especialidade específica, justamente num período que terei mais idade.

E a pergunta que eu sempre faço:

No momento em que eu terei tempo livre, vou morar numa cidade que não tem nada para fazer?

Eu só vejo vantagens de ser FIRE em São Paulo.

~ Yuka ~

Menos contas, mais liberdade

Pessoas, Menina, Mulher, Sozinho, Moda, Café, Bebida

Eu não tenho muitas contas a pagar.

E por não ter tantas contas para pagar, não sinto tanto o peso dos boletos. E de quebra, faz com que eu possa investir parte do meu salário todos os meses rumo ao plano FIRE.

Imóvel

Eu moro de aluguel, ou seja, sempre pago um valor total que eu considero justo. No momento em que achar o valor do aluguel abusivo, ou até mesmo, caro para o meu padrão de vida, só preciso procurar um outro imóvel que tenha o valor aceitável para minha situação financeira atual.

Boletos que não pago:

    • Documentação na compra de um imóvel (ITBI, escritura, registro de imóvel, certidão negativa de dívidas, corretor de imóveis)
    • Prestações do financiamento imobiliário
    • Fundo de reserva para melhorias do imóvel: quem paga é o proprietário do imóvel
    • Manutenção da casa como pintura, pequenos consertos: eu mesma faço
Carro

Tenho o costume de usar transporte público, já o marido, faz tudo de bicicleta. Para passear em locais um pouco mais distantes, usamos Uber.

Boletos que não pago:

    • Prestações do financiamento de carro
    • Combustível
    • IPVA
    • Licenciamento
    • Seguro DPVAT
    • Seguro do carro
    • Estacionamento
    • Manutenção do carro como lavagem, reparo, revisão
Filhos
    • Mensalidade escolar: filhas atualmente na creche pública
    • Festa em buffet: minhas festas são estilo vovó
    • Brinquedos: não somos pais que enchem as crianças de brinquedos
Assinaturas
    • Spotify
    • Amazon Prime
    • YouTube Premium
    • GloboPlay
    • TV a cabo
    • Pacote de celular
    • Jornais/Revistas
    • Combos (de qualquer tipo)
Serviços
    • Diarista
    • Passadeira
    • Lavanderia
    • Manicure/pedicure: faço em casa
    • Salão de beleza
    • Plano odontológico: pago as consulta de rotina no momento da necessidade
    • Agência de viagem: eu mesma organizo as viagens
    • Anuidade de cartão de crédito
    • Tarifa bancária
    • Manutenção da conta bancária
    • Multa/juros por atraso de pagamento de conta
    • Frete: aquela velha história, se comprar acima de R$99, o frete é “grátis”, eu não compro mais do que preciso só pra poder ser contemplada com esse frete “grátis”
Datas comemorativas
    • Blackfriday
    • Liquidação/Promoção
    • Aniversários: compramos apenas para as crianças
    • Páscoa: compramos apenas para as crianças
    • Dia das mães: mãe e sogra ganham um mimo, mas eu não acho importante ganhar coisas
    • Dia dos pais: meu marido é outro que não faz questão de ganhar coisas em datas comemorativas. Como sempre compramos quando precisamos de algo, não precisamos ganhar nada em datas que foram criadas apenas com o intuito comercial
    • Dia dos namorados: idem ao anterior
    • Natal: apenas as crianças
Alimentação
    • Rotisseria: faço tudo em casa, desde nhoque, pizza profissa!, churrasco, pão recheado, etc.
    • iFood: é muito esporádico pedirmos algo da rua, já que eu cozinho razoavelmente bem
    • Não desperdiço alimentos
    • Nenhum alimento passa do vencimento (gestão da despensa)

Não tenho muitos boletos, porque não assumo compromisso de produtos e serviços que não uso.

Quis facilitar a minha vida de forma a não depender de passivos (carros, imóveis, dívidas, financiamento etc) que tiram dinheiro do bolso todos os meses.

Claro que esse estilo de vida não traz nenhum status, mas isso é o que menos importa pra mim.

Os boletos que tenho são de serviços que uso como aluguel e condomínio, luz, gás, plano de saúde, internet e Netflix.

Os outros gastos basicamente são alimentação, fonoaudiólogo da minha filha, transporte (que está R$0 por conta da pandemia) e celular.

É libertador ter poucos boletos para pagar.

~ Yuka ~

A eterna busca por mais

Pássaro, Martim Pescador, Filiais, Penas, Animal

Semana passada, publiquei o post “A importância de saber o que não quer para a sua vida” que gerou alguns comentários sobre a pressão social que sofremos por buscarmos a suficiência.

É comum interpretar alguém que se sente satisfeito com a própria vida como uma pessoa acomodada, preguiçosa. Afinal, nós fomos treinados a sentir eterna insatisfação, a nunca acomodar, a querer sempre mais, estudar para passar numa faculdade, fazer uma pós-graduação, trocar de emprego de tempos em tempos etc.

Queremos – e somos pressionados a – buscar um emprego que pague mais, a adquirir casas cada vez maiores, carros potentes e robustos, roupas de marcas mais caras, celulares de última geração, eletrodomésticos modernos, e de preferência, mostrar todas estas conquistas materiais nas redes sociais, afinal, se não mostrar para os outros, qual seria a graça de ter tudo isso, não é mesmo?

Essa corrida incessante para ter mais é tão doentia que perdemos a capacidade de pensar na própria suficiência: o quanto precisamos para nos sentir felizes.

Citam a conhecida frase “quanto mais, melhor”, mas quando respondemos que “estamos satisfeitos, não precisamos de mais” isso soa como provocação, como algo que está fora do percurso padrão.

Ter mais não necessariamente torna a vida melhor, principalmente quando se alcança a suficiência.

Já parou para pensar quanto é o suficiente para você ter uma vida confortável e feliz?

Para alguns, ter um carro é importante, mas vai perceber que não precisa ter um BMW na garagem.

Para outros, ter um imóvel próprio é importante, enquanto para outros, basta ter um teto para morar, desde que tenha dinheiro para pagar mensalmente o aluguel.

Veja que saber o quanto precisa para se sentir bem é fundamental para ter mais chances de ser feliz.

Isso vale também para a independência financeira. Para alguns, ter R$5.000 mensais de renda passiva já seria o suficiente para desligar o computador e dar adeus ao emprego. Para outros, esse valor seria maior.

Não importa se você precisa de 5 ou 50 mil para viver, o que importa é saber o quanto precisa para se sentir confortável, seguro e feliz.

Quem precisa de mais, precisa pagar o preço: acumular mais patrimônio. Quem precisa de menos, tem as suas vantagens: pode sair da corrida dos ratos antes.

Não há certo ou errado, não considero que quem precisa de menos seja mais vitorioso do que quem precisa de mais, visto que necessidades são muito individuais e histórias de vida são particulares.

Eu ainda acho que a felicidade anda de mãos dadas com a simplicidade. Eu acredito que essa relação vem pela possibilidade de eliminar preocupações. Quanto mais coisas temos, mais preocupações precisamos ter. E tudo isso acaba se transformando em uma grande prisão, ou, como ilustra a figura abaixo, âncoras que vão sendo amarradas e nos afundam cada dia um pouco mais. Respirar vai se tornando um ato difícil, já que são inúmeras amarras, inúmeras responsabilidades…

Isso acontece, porque desde sempre, sofremos pressão de todos os lados, inclusive de pessoas próximas que nós amamos, mostrando como somos insuficientes, de como não somos bem-sucedidos o suficiente, não usamos as melhores roupas, não somos bonitos o suficiente, não temos uma casa grande o suficiente, nem o melhor carro, e por aí vai.

Quando consumimos além da nossa necessidade, significa que estamos vendendo o tempo da nossa vida para obter coisas que não estamos precisando. Tempo esse, que poderíamos ter ficado com nossos filhos, pais, amigos, que poderíamos ter acordado mais tarde, descansado mais.

Claro que esse caminho da simplicidade é completamente oposto do que a maioria busca.

Vou compartilhar uma história que aconteceu comigo um pouco antes da pandemia. Eu recebi uma proposta para assumir um cargo importante, de responsabilidade e visibilidade. Enquanto a pessoa estava conversando comigo, eu já tinha a resposta: eu não iria aceitar. E logo que tive oportunidade, falei isso para a pessoa, agradeci o convite, e expliquei que não tinha interesse, pois já tinha encontrado a suficiência no meu trabalho.

Eu sabia que junto com o novo cargo, viria mais responsabilidades e muitas renúncias que eu não estava disposta a abrir mão. Eu teria que trabalhar num local distante da minha casa, consequentemente não iria mais conseguir buscar as minhas filhas na creche. Provavelmente meu marido teria que preparar e dar a janta para as crianças e não duvidaria se eu voltasse algumas vezes por semana à noite, quando elas já tivessem adormecido. Talvez eu me tornaria uma pessoa estressada, ansiosa, pavio-curto… Em troca de um salário melhor e reconhecimento? Não havia o que pestanejar, o saldo final não era nada positivo.

O que consideramos suficiente muda, conforme nos conhecemos melhor. Já comentei que há mais de 10 anos, eu achava que precisava dos meus 50 sapatos. Eu achava que precisava de um apartamento próprio com 3 dormitórios (mesmo morando sozinha). Eu achava que precisava de um carro. Eu achava que precisava de reconhecimento e aprovação de outras pessoas.

Só que as opiniões vão mudando, porque passamos a ter consciência de alguns dos nossos atos.

Eu comparo a consciência, como se fosse um óculos. Se antes, todas as escolhas eram feitas de forma aleatória, anestesiada, sem foco; com o óculos, passamos a enxergar melhor os nossos atos, passamos a ter consciência das nossas atitudes e das consequências.

Ao contrário do que é dito, ter conhecimento da suficiência não nos aproxima da escassez. Significa admitir que já temos o que precisamos, e por isso, não necessitamos de mais. Ou seja, estamos falando de abundância.

No meu caso, não havia espaço para mais trabalho, mais estresse, menos tempo. Eu queria justamente o contrário: mais tempo, menos estresse, mais amigos, mais família, mais amor.

Quando recebo as pessoas que eu amo em casa, e faço uma torta, um cookie, um pão; eu recebo em troca, amor. A xícara de café que insiste em não terminar para que o momento não termine.

A vida é feita de diversas camadas de memórias. Vivemos todos os dias criando camadas e mais camadas de memórias. E é por isso que devemos avaliar muito bem antes de tomarmos qualquer decisão que possa afetar a qualidade dessas memórias, porque afinal, serão justamente essas memórias que irão nos acalentar no final da nossa vida.

~ Yuka ~

A importância de saber o que não quer para a sua vida

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Foto retirada do Pinterest

Essa semana conversei com uma pessoa da qual gosto muito. Ela tem um padrão de vida totalmente diferente do meu, podemos dizer que ela é o que denominamos uma pessoa muito rica (e não uma pessoa que parece rica).

Ela me mostrou a foto de uma casa no interior de São Paulo que está terminando de construir, que se parece muito com a foto acima. Será uma casa para descanso nos fins de semana, e futura residência para aposentadoria.

A casa é linda, enorme, com direito a quadra de tênis particular, praticamente um clube privativo. Algo bem inacessível para a maior parte da população, inclusive para mim. Lembra muito aquelas casas de famosos que são mostradas em revistas de arquitetura e decoração.

Eu realmente estou feliz pela conquista dela, porque sei que para ter o que eles possuem hoje, a família teve que batalhar muito.

À noite, quando estava conversando com meu marido sobre esse assunto, ficamos muito satisfeitos por ela, e ao mesmo tempo, tivemos a certeza de que não gostaríamos de ter algo assim.

E é aí que eu quero introduzir o assunto do post de hoje: a importância de saber o que não queremos.

Olhávamos para a foto da mansão, e depois olhávamos para o nosso apartamento… são realidades muito, muito diferentes. Mas a parte legal é ter a consciência de que não queremos o que ela possui. Achamos legal, achamos bonito, mas não gostaríamos de ter.

Nós não ficamos vislumbrados, porque sabemos que para manter uma casa daquele porte funcionando, é impossível fazer isso sozinho. Ou seja, teríamos que ter uma equipe para manter a casa funcionando minimamente, desde paisagista, algumas diaristas, segurança, etc. Tem gente que não se importa em ter terceiros circulando pela casa, já eu e meu marido, não sentimos confortável.

Um dos lemas do meu marido inclusive, é escolher o tamanho de uma casa que tenhamos condições de cuidar sem precisar terceirizar.

Sim, nós somos o tipo de casal que quando nos hospedamos em um hotel, mantemos a cama arrumada, as toalhas dobradas. Quando nos hospedamos em Airbnb, lavamos a louça, varremos o chão, tiramos o lixo, e entregamos o apartamento ao proprietário da mesma forma que recebemos no primeiro dia da hospedagem (com a cama feita, lixos vazios, sem restos de comida, nem de sujeira).

Então quando olhamos aquelas casas com piscinas enormes, com gramas verdes e corredor de árvores bem podadas, achamos lindo para usufruir nas férias, mas não para ser nosso. Como proprietária, enquanto as pessoas enxergam a água azul da piscina, enxergamos a limpeza periódica da piscina. Enquanto as pessoas olham a grama verde brilhante que se estende ao infinito como um tapete, enxergamos o trabalho que daria pra capinar toda aquela extensão de quintal (ou ter que contratar alguém para fazer isso para nós). Enxergamos os canteiros que precisariam ser aguados diariamente, os muros que precisarão ser pintados, a limpeza periódica da calha, necessidade de podar as árvores e os arbustos, verificar se a diarista está fazendo direitinho o trabalho, etc.

Ufa!

E é por esses motivos que eu abro um sorriso quando eu volto os olhos para o meu apartamento de 60m2, porque sei das vantagens de morar em um apartamento pequeno.

~ Yuka ~

Os 7 tipos de minimalistas

Ainda, Itens, Coisas, Plantas, Vaso, Ramos, Folhas

Essa semana o YouTube sugeriu um vídeo de um canal que eu ainda não conhecia, do Gabe Butt. O título do vídeo era: “os 6 tipos de minimalistas” (apesar dele ter apresentado somente 5). Cliquei para assistir e achei bem interessante os tipos que ele classificou, então replico aqui:

O minimalista ecológico

São pessoas que decidem pelo minimalismo para ter uma vida mais sustentável, se preocupam com o impacto ao meio-ambiente e ao mundo. Podem decidir por uma vida vegana, não terem carro para não causar poluição. Podem pagar um pouco mais caro por um produto, desde que seja um produto sustentável.

O minimalista nômade

São pessoas que tem sede pela liberdade espacial. Querem liberdade para poder viajar, mochilar, podem viajar morando em uma van. Eles possuem menos coisas, com o objetivo de ter mais liberdade. Não possuem tantos vínculos emocionais que possam prendê-lo em uma determinada cidade. Tudo o que têm é apenas o suficiente. Como sua vida não é cara, não precisam de muito dinheiro para se manter. Essas pessoas costumam não ter empregos fixos, podem ser escritores, YouTubers, freelancers, qualquer trabalho que possa fazer pelo notebook.

O minimalista financeiro/frugal

Buscam a estabilidade e a liberdade financeira. São pessoas que podem não ter um carro, porque sabem que podem prejudicar seu crescimento econômico a longo prazo. Costumam não fazer compras impulsivas, pois tudo é pensado e planejado. Não pensam de forma imediata, pensam no custo-benefício. Ao invés de escolher roupas da moda, podem preferir viajar. Compram itens de qualidade, ao invés de escolher pelo preço, pois pensam na qualidade e durabilidade dos produtos. Não se importam com status, preferem escolher a tranquilidade financeira.

O minimalista de desafios

São pessoas que adoram desafios. Se auto-desafiam constantemente, como reduzir o máximo de itens que possuem. Gostam de jogos como o Desafio dos 30 dias do The Minimalists (que consiste em destralhar 1 item no primeiro dia, 2 itens no segundo dia, 3 itens no terceiro dia e assim consecutivamente). Buscam eficiência, contam a quantidade de itens que possuem, por exemplo, ter 300 itens em casa e nada mais além disso. Para essas pessoas, os auto-desafios trazem emoção à jornada, fazem por pura diversão.

O minimalista gradual

São pessoas que não são radicais, fazem tudo de forma gradual, se livram de algumas coisas, mas de forma calma e consistente. Podem se desfazer de alguns itens em uma semana, depois esquecem sobre o assunto e acabam retomando novamente no próximo mês. Encaram como uma mudança de estilo de vida a longo prazo.

O vídeo do Gabe Butt encerra com estes 5 tipos de minimalistas. Mas fui lendo os comentários e vi algumas definições complementares:

O minimalista prático

Pessoas que aderem ao minimalismo por querer facilitar a vida, tornar a vida mais leve. Buscam a praticidade no dia-a-dia. Podem gostar de móveis de linhas retas, porque são mais fáceis de limpar, podem escolher tecidos de sofá fáceis de serem lavados.

O minimalista estético

Pessoas que gostam da simplicidade estética, das cores monocromáticas, das linhas retas, locais organizados. Tem um senso estético acima do padrão. Podem morar em casas bonitas, de visual limpo, e isso se reflete também na forma de se vestir.

Acredito que ninguém se encaixaria num único estilo, eu mesma sou um mix do Estético + Prático + Desafios + Frugal e Gradual. A intenção aqui não é colocar rótulos ou colocar as pessoas dentro de caixas, mas achei divertido ver essas classificações.

Para quem se interessar, assista o vídeo do Gabe Butt aqui.

~ Yuka ~

Produtos e serviços para alugar

Bicicleta, Roda, Andar De Bicicleta, Turismo, Lazer

Em 2013, fiz uma viagem para Paris utilizando pela primeira vez o HouseTrip (na época, Airbnb não era tão conhecido).

Eu fiquei encantada com a proposta do site, que era mais ou menos assim: “por que pagar por um quarto de hotel, se você pode ter um apartamento inteiro?” e também “por que você vai ser um turista se pode se sentir como um nativo?”. Achei o slogan maravilhoso e resolvi testar. A experiência foi ótima, que rendeu inclusive um post.

E desde então, comecei a enxergar as inúmeras vantagens de alugar serviços e produtos:

Aluguel de casas para turistar

Pra que ter uma casa na praia ou no campo se tenho à disposição todos os quartos do mundo a um preço extremamente acessível? Por que eu viajaria sempre para a mesma cidade, ficando sempre na mesma casa, se o mundo é tão grande e posso conhecer novas cidades a cada viagem?

Aluguel de casas para morar

Os locais que eu geralmente escolho para morar, são um pouco mais caros, pois possuem localização estratégica. Sei que a as pessoas escolhem um apartamento definindo como sua residência fixa, mas isso significa que se mudar de emprego ou os filhos passarem a frequentar escola longe de casa, ou compra-se um carro, ou paga-se uma perua escolar.

Eu enxergo a minha casa como um facilitador da minha vida. A casa precisa resolver meus problemas, e não criar problemas. Se eu mudar de emprego, provavelmente, mudarei de casa. Se eu escolher uma escola para as minhas filhas que fica muito longe da minha casa, provavelmente, mudarei de casa. Se a minha renda diminuir, provavelmente, mudarei para um apartamento mais barato. Se um vizinho começar a tirar minha paciência, sei que só preciso encerrar o contrato com a imobiliária e entregar as chaves.

Aluguel de carro

Aqui uso dois tipos de serviços para finalidades diferentes. Uber para locais próximos, para o dia-a-dia, e aluguel de carro para viagens de fins de semana.

Há muitas vantagens: não preciso me preocupar com gastos extras, se alguém vai bater no meu carro, se preciso lavar o carro, trocar óleo, IPVA, seguro… mas o que vale mais a pena é não precisar me lembrar onde deixei estacionado o carro. Eu já perdi o carro no estacionamento do shopping… pra achar foi um sufoco. Quando estacionava na rua, eu anotava num pedaço de papel o nome da rua e o número, pra não correr o risco de perdê-lo.

Não ter carro também há as suas desvantagens, principalmente em dias de chuva, onde o preço do Uber sobe e ainda leva tempo pra conseguir localizar um carro disponível. Sempre penso que seria muito mais fácil se tivesse um carro. Mas no geral, no meu caso, ainda acho que não ter carro é mais vantajoso.

Aluguel de livros

Eu adoro bibliotecas, principalmente essas novas que construíram/reformaram em São Paulo (Biblioteca São Paulo, Biblioteca Mário de Andrade, Biblioteca do Parque Villa-Lobos…). Acho um local muito democrático, onde todos têm a sua vez. Quando ainda morava em São Paulo, a Biblioteca São Paulo era uma das bibliotecas que eu sempre frequentava, e era muito legal ver pessoas de todas as classes e idades usufruindo os espaços da biblioteca.

Geralmente essas bibliotecas emprestam livros de forma muito fácil, exigindo só a apresentação de um documento. Não foram as poucas vezes que voltava com a minha bolsa abarrotada de livros infantis.

Aluguel de bicicletas

Para quem usa com frequência, inclusive como um meio de transporte (como meu marido), ter a sua própria bicicleta é muito melhor. Mas eu, que uso de forma esporádica, alugar é mais vantajoso, principalmente porque ter uma bicicleta exige manutenção. Alguém terá que limpar, encher o pneu, lubrificar a corrente… e eu tenho preguiça, né?

Aluguel de mala de viagem

Eu tenho 3 malas de viagens encaixáveis (sempre associo com Matrioska, a boneca russa), que comprei há muitos anos. Além de ocupar espaço da minha casa, uso poucos dias por ano.

Por isso, eu decidi que no momento em que essas minhas malas ficarem bem velhas e destruídas, eu não comprarei mais. Vou simplesmente alugá-las.

Aluguel de roupas de festa

Durante muito tempo, eu guardava roupas de festa, mas depois comecei a perceber que não fazia o menor sentido. É o mesmo caso das malas. Usa-se pouquíssimas vezes, além disso, mulher tem aquela coisa de não querer ficar repetindo a roupa, e com roupa de festa é pior ainda. Dependendo do vestido, não dá nem pra arriscar em lavar em casa, precisando levar para a lavanderia.

Por exemplo, agora que estou cumprindo a quarentena à risca, certeza que se eu tivesse um vestido de festa, esse vestido estaria apertado no meu corpo. Sendo assim, é muito melhor alugar.

Aluguel de equipamentos para limpar sofá

Mês passado, tirei alguns dias de férias e resolvi alugar a extratora para limpar sofá. Faço isso todos os anos para não acumular sujeira.

Como o aluguel é cobrado por diária, eu limpo o sofá, e aproveito para limpar todos os colchões e os estofados. É ótimo.

Aluguel de equipamentos para camping

Depois que minhas filhas nasceram, eu nunca mais fui acampar, mas é algo que gostaria de fazer quando todo esse pesadelo do coronavírus passar. Não pretendo comprar, e sim, alugar os equipamentos, ou até mesmo, escolher locais onde já possuem barracas montadas. Assim, não preciso me preocupar com nada.

Aluguel de equipamentos para ginástica

Quando começou a pandemia, eu pensei seriamente em alugar uma bicicleta ergométrica. Acabou não dando certo, simplesmente, porque estavam todas esgotadas.

Eu cheguei a mandar um e-mail para duas academias que ficavam bem próximas do meu prédio, perguntando se eles não alugariam para mim, mas a resposta foi negativa.

Acho isso muito legal, de poder alugar as coisas para testar. Eu mesma, já tive uma bicicleta ergométrica há uns 10 anos, e virou cabide. Por isso prefiro alugar do que comprar.

Aluguel de itens de decoração para festas

Há alguns meses, uma amiga mostrou uma foto de uma festa que fez para a filha. A decoração era bem fofinha, muito parecida com as que eu faço aqui em casa. Quando perguntei se ela mesma tinha feito, ela falou que não, que tinha alugado tudo. Achei legal, porque até então eu não sabia que tinha aluguel de itens de decoração para festas pequenas.

Aluguel de ferramentas como furadeira

No meu caso o aluguel não compensaria, porque eu tenho e uso muito. Enquanto muitas mulheres tem maleta de maquiagem, eu tenho maleta de ferramentas hahaha.

Mas acho interessante usar serviços de aluguel para quem usa esporadicamente (ou até mesmo pedir emprestado para um amigo ou vizinho), ao invés de ficar guardando algo que não se usa muito.

Aluguel de salas de escritório por hora

Esse também eu alugaria fácil. Na falta de um lugar para se concentrar, hoje em dia, há diversos espaços para coworking com serviços acoplados como impressora, café, lounge, espaço de convivência.

Todos os itens citados acima servem para mostrar que muitas vezes, não precisamos necessariamente comprar para termos em casa. Podemos alugar no momento do uso. Isso elimina desperdício, espaço de armazenamento e dinheiro, já que você não estocará algo para ser usado algum dia, e esse dia nunca chegar.

Por isso o meu primeiro impulso é sempre tentar alugar (ao invés de comprar) algo que eu usaria apenas alguns dias ou horas por ano.

~ Yuka ~

Cultive pequenas felicidades

Gotas De Chuva, Folha, Joaninha, Gotas De Água, Orvalho

Acostumamos a acreditar que felicidade são grandes conquistas e até mesmo, o destino final.

Uma viagem internacional. O dia do casamento. O nascimento de um filho. A compra da casa própria. Entrar na faculdade. Ser promovido no emprego.

Ser rico.

Ser feliz.

Concordo que ocasiões especiais nos remetem à felicidade.

Mas quando nomeamos a felicidade como algo exclusivo de eventos grandes e memoráveis, limitamos a felicidade que podemos sentir ao longo da vida.

As conquistas grandes são importantes, mas aprender a valorizar a simplicidade, a cultivar momentos especiais, a colecionar pequenas felicidades são igualmente importantes.

De 2000 a 2003, eu fiz faculdade em uma cidade do interior de São Paulo e obviamente na república que morava não tinha uma máquina de lavar roupa. Eu lembro das centenas de vezes que esfreguei roupa no tanque, e as pendurei no varal do quintal. Mas há algo que não esqueço até hoje. Eu conseguia sentir felicidade no momento que recolhia as roupas. Ver a roupa seca depois de somente algumas horas penduradas no varal, a brisa fazendo as roupas secas roçarem meu rosto, as roupas quentes com o calor do sol. Essa sensação durava somente alguns segundos, mas era algo genuíno, uma felicidade simples.

Essas pequenas chamas de felicidade acendem inúmeras vezes ao longo do meu dia, como por exemplo, quando deixo descansando a massa de pão e quando volto vejo que dobrou de tamanho, fico encantada com o poder da fermentação.

Ou até mesmo nessa semana em que estou trocando o rejunte da minha casa (ô trabalho duro esse viu). Olhar as partes de rejunte trocados por mim, traz novamente essa felicidade instantânea, e um orgulho de mim mesma.

Eu não sei se acontece na casa de vocês, mas em todas as casas que morei, eu sempre recebi a visita ilustre das joaninhas. E resolvi comentar com as minhas filhas que quando uma joaninha visita a casa de alguém, ela traz felicidade. Não deu outra, toda vez que entra uma joaninha em casa, nós fazemos festa. Paramos tudo o que estamos fazendo para ver a “Joana”. Pegamos um copo, transferimos cuidadosamente. Olhamos por alguns minutos, e depois soltamos na varanda.

Quando meu marido traz picolé pra gente comer, nos sentamos na varanda enquanto conversamos e aproveitamos a paisagem. Eu tenho tanta certeza da saudade que vou sentir desse momento em que estamos sentados nós 4 espremidos em uma varanda pequena, tomando sorvete, que eu só fico apreciando toda cena em silêncio.

Eu poderia ficar aqui listando inúmeras situações que remetem pequenas felicidades, mas o que eu quero dizer é como a felicidade pode ser simples.

A minha felicidade tem tido essa cara, criar pequenas tradições, apreciar o crescimento das plantas, das minhas filhas, valorizar as coisas que me rodeia.

Claro que novidades são importantes também, mas em momentos de pandemia, há igualmente outras coisas que podemos fazer para continuar colecionando felicidades, justamente para podermos seguir em frente.

~ Yuka ~

O método japonês para economizar no supermercado

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Foto: https://mai-happy.com/15/

Eu sempre gostei do assunto economia doméstica e finanças pessoais, e durante muitos anos, esse assunto nunca foi a bola da vez aqui no Brasil.

Quando viajei para o Japão em 2008, fiz questão de passar em um sebo e fiz a festa lá. Comprei tantos livros sobre esse assunto, que resolvi despachar caixas e mais caixas para o Brasil, pois não cabia na minha mala. Felizmente, hoje, há diversos canais no YouTube que me permite consumir esse tipo de conteúdo.

Um dos temas frequentes de alguns canais japoneses que acompanho é a economia na alimentação. E eu até entendo, porque quando todos os seus gastos já estão controlados, a alimentação e os gastos gerais são basicamente as únicas categorias que conseguimos fazer revisão.

Apesar de conhecer esse método há mais de 2 décadas, confesso que eu não nunca dei muito crédito, achava simplista demais, ficava pensando que não faria tanta diferença dos métodos que eu usava.

Antes de compartilhar o método, compartilho o que eu fiz, ao longo destes anos:

Método 1: Comparar preços

Comecei anotando os preços dos produtos. Passava em 2 a 3 supermercados. Não deu muito certo. Tudo bem que eu economizava nos produtos, mas além de ficar cansada, em todos os supermercados encontrava algo com preço bom, e acabava comprando produtos que não estava precisando, só porque estava num preço imperdível.

Método 2: Comprar produtos na promoção e estocar

Depois comecei a ir no supermercado para comprar o que considerava barato, legumes e verduras da estação, além de produtos não perecíveis. Até certo ponto funcionava, mas também me limitava, já que não conseguia elaborar cardápios que queria preparar durante a semana, ocupava espaço da casa e o dinheiro ficava parado em formato de estoque.

Método 3: Fazer compra mensal

Também fiz muitas compras mensais, mas também não deu muito certo, já que a geladeira ficava muito cheia no início do mês, e vazia no final do mês. Não me agradou nem um pouco.

Fora o sufoco para trazer tudo de uma vez né? Não se esqueçam que não tenho carro, então todos os meus movimentos precisam ser calculados.

Método 4: Comprar em supermercados atacadistas

Passei a frequentar supermercados atacadistas. No início foi euforia total, os preços eram muito bons. Mas acontecia a mesma coisa, comprava muita coisa que não precisava, ao invés de comprar algo em pequena quantidade como sempre fazia.

Passei a comprar peças inteiras de carne por ser um supermercado atacadista, ao invés de uma bandeja como costumava fazer. Tudo bem que o quilo estava mais barato, mas acabava consumindo muito mais. E esse padrão foi se repetindo. Ao invés da batata palha do pacote pequeno, passei a comprar o pacotão grande, mas acabava consumindo mais e mais rápido. Comprava sucos naturais para o mês inteiro, mas em menos de 15 dias, já tinha consumido o que costumávamos consumir no mês inteiro.

Outra coisa que não era agradável era o peso de ter que carregar tudo. Eu pedia para o marido ficar em casa para cuidar das crianças para que eu pudesse ir no atacadista. Mas tudo era muito pesado, desde o carrinho para circular dentro do mercado, empacotar tudo, colocar as sacolas no Uber, descarregar no prédio, depois era o trabalho de carregar tudo até o elevador, para finalmente descarregar pra dentro de casa. O que era para ser uma atividade prazerosa, virou uma tarefa hercúlea.

Insatisfeita com os métodos, passei a vasculhar conteúdos deste tipo no Japão. Gente, se tem um país que gosta de economizar, esse país é o Japão, é surpreendente como tem conteúdo sobre esse assunto.

Método 5: O que os japoneses fazem

E eis que lembrei desse método clássico.

Claro que aqui, estou falando de uma maneira geral. Não são todos os japoneses que são econômicos, que vivem com pouco, ou que não possuem estoques. Da mesma forma que no Brasil, há pessoas que economizam e que não economizam, lá também é igual.

Eu acabo seguindo alguns canais de Youtube de pessoas que são minimalistas, que vivem com pouco e que não fazem estoques, então vou compartilhar esse pequeno universo:

1.) Definir o valor máximo que poderá ser gasto no mês.

No Brasil, quando fazemos um orçamento mensal:

  • primeiro precisamos saber o que receberemos no mês: salário, renda extra, etc.
  • estabelecer os gastos mensais
  • poupar o que sobra

No Japão:

  • estabelecer quanto vai poupar no mês
  • se virar com o que sobra

Essa é a enorme diferença que nos separa. Eles estipulam PRIMEIRO o valor que será poupado. E se viram com o valor que sobra, colocando um teto de gastos para cada categoria (alimentação, celular, habitação etc).

Como vamos falar de alimentação, vamos nos concentrar nesta categoria.

Utilizaremos um exemplo hipotético de R$1.000 mensais para gastar em alimentação, mas você pode usar qualquer valor que condiz com a sua própria realidade.

2.) Dividir o valor a ser gasto no mês em envelopes.

Sabendo que podem gastar até R$1.000 por mês, eles separam esse valor em envelopes que simulam semanas.

Se temos 4 semanas no mês, serão 4 envelopes com R$250,00 cada.

Se temos 5 semanas no mês, serão 5 envelopes com R$200,00 cada.

Em cada envelope, há a anotação de qual é a semana, e a data de inicio e fim – dessa semana. A data de início pode ser considerada a data que recebeu seu salário. Por exemplo:

  • Envelope 1: R$250,00 – 04 a 10 de fevereiro
  • Envelope 2: R$250,00 – 11 a 17 de fevereiro
  • Envelope 3: R$250,00 – 18 a 24 de fevereiro
  • Envelope 4: R$250,00 – 25 de fevereiro a 03 de março

Toda vez que for no supermercado, padaria, feira, hortifruti, é necessário ir descontando o valor para saber quanto ainda tem de dinheiro que pode ser usado na semana. Pode anotar no próprio envelope:

2.) Elaborar o cardápio da semana e fazer a lista de acordo com o cardápio semanal

Antes de usar o dinheiro que está dentro do envelope, é necessário elaborar o cardápio da semana.

E esse é um ponto positivo, fazer o cardápio semanal ANTES de ir no supermercado, VERIFICANDO o que já tem na geladeira. Nada muito rebuscado, algo simples está bom.

Se você já está fazendo há algum tempo como eu, nesse dia, a geladeira deverá estar vazia, ou quase vazia.

Então no momento de elaborar o cardápio, basicamente vou até a geladeira e a despensa e vejo o que sobrou da semana anterior, porque a intenção é usar nesta semana que vai começar.

Esse é outro ponto positivo desse método. Ter a geladeira vazia ou quase vazia, elimina a possibilidade dos alimentos estragarem. Lá pelo quinto, sexto dia, é muito perceptível que a geladeira vai ficando vazia. Dependendo da semana, bate até uma certa preocupação rsrs… E aí que entra a criatividade, porque acabamos nos virando com o que temos na geladeira e na despensa. Veja que não é passar fome, ou não ter o que comer. É usar as coisas que estão adormecidas no freezer e na despensa, ou porque não queríamos comer, ou porque estávamos com preguiça de descongelar.

Pois é, ao não fazer estoque, consumimos todos os produtos disponíveis em casa, evitando desperdícios. Aliás, zero desperdício.

Depois de pensar no cardápio, elaborar a lista do supermercado de acordo com o cardápio. Além disso, aproveite para verificar se precisa repor os mantimentos básicos como arroz, farinha, açúcar, sal, temperos. Já teve um dia que enquanto estava preparando um bolo, percebi que quase faltou farinha. A sorte é que deu certo raspando o tacho, mas eu tinha esquecido completamente de olhar esses mantimentos básicos.

Olhe também outros produtos que são vendidos no supermercado como detergente, sabão em pó, água sanitária, sabonete, shampoo, etc.

Você pode ir no supermercado quantas vezes quiser durante a semana, desde que fique dentro do orçamento semanal.

3.) Não frequentar diversos supermercados

No momento da compra, calculadora na mão. Aí vale a substituição de ingredientes para entrar no orçamento. Por exemplo, se pretende fazer uma lasanha à bolonhesa, e viu que o frango está mais barato, pode fazer uma lasanha com frango desfiado. Se ia comprar mamão, mas viu que o abacate está na promoção, leva o abacate.

No primeiro momento, sei que soa estranho não precisar pesquisar preços nos outros mercados, principalmente quando você está habituada a fazer comparações e sabe que aquele produto que você quer levar está mais barato no outro supermercado.

Mas eu finalmente entendi por que esse método funciona.

Primeiro, porque ao parar de frequentar diversos supermercados, você para de procurar promoções e passa a focar na sua lista de compras. As promoções não interessam mais, o que interessa é o que consta na sua lista.

E segundo, como não precisa passar em outros mercados, dá pra fazer tudo com calma e raciocinar no mercado. Isso mesmo, raciocinar. Não dá pra sair colocando tudo no carrinho, de forma automática e anestesiada (como eu fazia, e toda vez levava um susto na hora de pagar). É necessário pensar. Como disse lá em cima, com a calculadora na mão, some e verifique se ajusta no orçamento da semana. Sobrou dinheiro? Ótimo, vá fazer o pagamento. Faltou dinheiro? É só substituir alguns produtos. Ao invés de comprar algo de uma marca conhecida, pode substituir por outra mais barata. Entenderam a diferença? As promoções não interessam mais, o que interessa são os ajustes. Só isso.

Eu parei de frequentar outros supermercados, parei de ir em supermercado atacadista e parei de comparar preço, parei de olhar panfletos de supermercados, mesmo tendo a consciência de que pago mais caro em alguns produtos.

Tudo isso faria a conta aumentar, certo? Mas não. Pasmem, o valor que eu gasto mensalmente reduziu.

4.) Não fazer estoque

Essa é a parte que eu mais estranhei no início. Comprar 1 detergente. Comprar 1 shampoo. Comprar 1 azeite. Comprar 1 pacote de café. E percebi as vantagens de não ter estoque. A gente compra achando que está se dando bem, por conta daquela promoção.

Eu pensava assim também. Ia no supermercado atacadista e comprava muitas coisas, porque estava barato. Ao começar a frequentar apenas um único supermercado, passei a acompanhar de perto as variações de preço, e não é que aquele produto que eu comprava achando que estava barato também abaixava o preço nesse supermercado?

E quando chega o sexto dia, começa tudo de novo: pega o envelope novo, faz o cardápio da semana olhando primeiro o que sobrou na geladeira, freezer e na despensa (ver também mantimentos básicos, produtos de higiene e limpeza), ir no supermercado com calculadora na mão e fazer os ajustes no cardápio lá dentro do supermercado.

Listando as vantagens desse método, e as minhas considerações:

  • a principal vantagem é que toda semana tem um “início”. É fácil segurar as pontas por 1 dia, quando sabemos que amanhã podemos abrir o novo envelope.
  • por estar separado por semana, é muito fácil fazer o controle. Se geralmente no final do mês, já estamos sem dinheiro, nesse método, toda semana estamos com dinheiro. Não faz diferença se é a primeira semana ou se estamos na última semana, toda semana é igual. É reconfortante chegar na última semana do mês, e perceber que não faz a mínima diferença ser primeira ou última semana, já que o orçamento semanal é sempre o mesmo.
  • evita desperdício de comida. De verdade. No sexto dia, enxergo minha geladeira como a cartola do mágico onde saem coelhos. Sempre dá pra preparar uma boa refeição.
  • as crianças começaram a comer melhor: minha filha é maluca por tomate. Recusa sorvete, bala, chocolate se tiver tomate à disposição. Antes, quando acabava um produto, era só ir no supermercado e repor. Então as crianças acabavam ficando mal acostumadas, já que sempre estavam à disposição o que elas mais gostavam. Com esse método, se acabar algo, acabou. Por exemplo, se antes elas ficavam com frescura de comer algumas frutas, porque sempre tinha à disposição as frutas que elas mais gostavam, agora a situação mudou. Se elas querem maçã, mas não tem mais, ou aprende a comer a goiaba ou fica sem fruta. E vejam só como é maravilhoso, sem opção, elas passaram a comer as coisas que tinham em casa, mesmo não sendo necessariamente o que elas queriam comer. Não há mais fruta que amadureceu demais na fruteira, porque enquanto não terminar todas as frutas da casa, eu não vou no supermercado. Não há mais verduras esquecidas no fundo da geladeira, nem no freezer.
  • facilidade para limpar o freezer, geladeira, despensa. É difícil limpar uma despensa cheia, mas é muito fácil limpar uma despensa vazia, uma geladeira vazia.
  • a cada semana que passa, vai ficando mais fácil. No início pode bater uma certa preguiça, mas pra minha família esse método funcionou tão bem que só tecemos elogios, com um leve arrependimento: por que não começamos antes?

Eu praticamente não uso dinheiro, só cartão. Então ao invés de criar envelopes com dinheiro, tenho um caderno onde anoto o valor que tenho disponível para gastar e vou subtraindo conforme acontecem os gastos, para saber quanto eu ainda tenho disponível na semana.

Desconsiderando um mês que eu extrapolei loucamente no orçamento do supermercado por conta da ansiedade que a pandemia me causou, eu sempre tive um gasto contínuo na alimentação.

Como queria mensurar quanto estava conseguindo economizar, eu peguei os gastos de alimentação dos últimos 24 meses, e fiz uma média mensal para ter uma noção mais real, já que há oscilações de mês em mês.

Depois que passei a usar esse método que aprendi nos blogs e canais japoneses, a economia foi de 35%.

Foi o melhor método para mim até hoje. Foi muito fácil de seguir (acho que é até por isso que não dava tanta bola no início), e se engana quem acha que passamos a comer pior. Aconteceu justamente o contrário. A qualidade das refeições melhoraram.

Não é tudo o que uma pessoa mais gostaria? Comer melhor e ainda reduzir custos?

Quem puder fazer e testar, recomendo!

~ Yuka ~

Casa sem estoque

Minimarisuto | Minimalism Amino
Photo by: REUTERS/Thomas Peter

Até antes da pandemia, eu costumava ter alguns estoques em casa.

Ter estoque, era o meu conforto de saber que nunca precisaria sair correndo para o supermercado em busca de um ingrediente, bem no meio da preparação de uma refeição. Eu sempre tive o comodismo e a tranquilidade de saber que meu estoque estava lá, pronto para atender as minhas necessidades.

O meu estoque nunca foi grande. Basicamente, é 1 produto a mais. Se tenho pó de café em uso, tenho sempre 1 pacote novo na despensa. Se tenho um pacote de açúcar em uso, tenho outro novo na despensa.

Esse mesmo raciocínio estendia também às outras áreas da minha casa: produtos de limpeza, produtos de higiene, não vamos esquecer do freezer.

Durante a pandemia, percebi que muitos dos estoques que eu havia feito, não puderam ser utilizados. São eles:

  • repelente: eu engravidei da minha filha caçula no período da zika vírus. Comprei aqueles repelentes que eram mais caros, eficientes para dengue e zika vírus. E desde então, usamos e repomos diversas vezes, até a última compra. Comprei 3, usei somente 1. Dois irão para o lixo em breve, pois está para vencer.
  • protetor de assento sanitário: eu evito levar minhas filhas no banheiro público, mas algumas vezes é inevitável. Por isso, sempre carrego protetores de assento sanitário na minha bolsa. Eu importei da China, então não comprei 10 unidades… eu comprei 100 unidades… Estão intocadas dentro do guarda-roupa, já que não estamos saindo de casa.
  • capa de chuva: quando finalmente encontrei capas de chuva para as minhas filhas, comprei mais um para fazer estoque. Eis que a pandemia começou, paramos de sair de casa, e minhas filhas cresceram. Duas capas que provavelmente não serão utilizadas, pois elas cresceram bastante.
  • protetor solar: é o mesmíssimo caso que o repelente. Eu tinha 1 em uso e 1 pote novo. Logo logo, os dois vão perder validade.
  • maquiagens: eu uso uma base para o rosto de uma marca coreana, que para a minha pele fica muito boa. Por ser importada, não é um produto muito barato. Na época, comprei 2, porque o preço estava bom, mas como agora uso máscara de proteção na hora de sair, deixei de passar essa base para não manchar a máscara. Ou seja, tenho 1 que mal usei, e tenho 1 que ainda está na caixa, intocado. De novo.
  • produtos de higiene: eu tenho guardado algumas escovas de dente infantil, de uma marca que apesar de ser bastante conhecida, não gosto muito. Ela é dura e tem poucas cerdas. Pior, eu ainda tenho mais um kit com 2 dessa escova de dente…
  • despensa: com a minha reeducação alimentar, acabei reduzindo a quantidade de farinha e açúcar que consumia no mês. Ainda uso para fazer pães, cookies e bolos, mas não na mesma velocidade que consumia antes. Para conseguir terminar de usar todo o estoque de farinha que eu tinha em casa, levou uns meses.
  • roupas das crianças: quando eu encontrava algo com preço bom, costumava comprar roupas de numeração maior para garantir a promoção. Mas fui percebendo que quando chegava o momento de usar, elas sempre ganhavam roupas. Ou seja, não precisaria ter comprado aquela roupa.
  • supermercado atacadista: juntando tudo isso, também tive a experiência de começar a frequentar um supermercado atacadista. Passei a comprar coisas que geralmente não comprava e isso elevou o meu custo de alimentação.

Meu marido fala que a maioria desses estoques não foram usados por causa da pandemia, que alterou a nossa rotina.

Concordo. Mas também acredito que a pandemia só mostrou o que já existia dentro de cada um de nós. Se o casamento não estava legal, piorou com a pandemia. Se a pessoa não estava bem emocionalmente, piorou com a pandemia. Se a pessoa não tinha controle financeiro, piorou na pandemia.

A pandemia me mostrou que planejar tudo e comprar com antecedência, nem sempre é bom.

Já faz alguns meses que passei a questionar se realmente era necessário ter estoque. E se eu fizesse um bom planejamento do cardápio semanal, será que não bastaria? Não seria melhor ter um freezer vazio ao invés de ter um freezer cheio?

Comprar apenas 1 unidade, ao invés de aproveitar as promoções, mesmo que no final, acabe pagando um pouco mais caro pelo valor unitário? Pelo menos não teria desperdício, produtos fora de validade, ou que demora pra ser consumido, nem ocupar o tão precioso espaço da minha casa.

Eu ainda tenho alguns estoques que estão sendo consumidos ao longo do mês, mas muitos dos meus estoques já foram embora e uma sensação boa vem crescendo à medida que os estoques diminuem.

Eu achava que seria tenso viver em uma casa sem estoques. Mas estou aprendendo que não só dá pra viver bem, como é muito bom poder abrir gavetas, armários e ver espaços vazios. Afinal, é muito mais fácil limpar gavetas, armários e até geladeira quando estes estão vazios.

Eu descobri que prefiro viver em uma casa sem estoque.

No próximo post, vou mostrar o método que os japoneses utilizam para economizar no supermercado (eles não fazem estoque!), e já aviso de antemão que tenho testado e deu muito certo.

~ Yuka ~

Lar é onde seu coração está

Menina, Cabelo, Viagens, Visita De Cidade, Amsterdam

Uma pessoa comentou que durante muito tempo, buscou incessantemente a felicidade.

Essa busca era motivada para preencher o buraco que ela sentia.

Primeiro, achou que era porque não tinha um imóvel próprio. Conseguiu comprar um imóvel e reformou de acordo com o seu gosto.

Mas ainda faltava algo.

Depois achou que era porque não tinha um filho. E nasceu um filho lindo. Mas ainda faltava algo.

Não sabendo como preencher esse vazio, comprou roupas, conheceu várias pessoas, fez diversas viagens, se deparou novamente com catálogos de imóvel e quis acreditar que se tivesse um apartamento com varanda gourmet, a felicidade finalmente bateria na sua porta. Ela chegou a financiar a compra desse imóvel, até que a ficha caiu.

Foi nesse momento que eu recebi a ligação dela. Ela começou a me explicar que finalmente tinha compreendido porque eu, apesar de morar em um apartamento alugado, não ter carro, andar com as roupas de sempre, meus amigos de sempre, com minhas filhas usando roupas de segunda mão e frequentando escolas municipais do bairro, parecia feliz e satisfeita.

Na época, ela comentou que era porque eu tinha um amor verdadeiro para compartilhar. E por ter esse amor correspondido, poderia ser feliz até embaixo da ponte com o meu marido.

Tenho que concordar que ter alguém para compartilhar a vida, que nos respeita e que nos ama, torna a jornada da vida mais leve e divertida.

Mas há um outro porém que eu acabei não compartilhando com ela.

Eu sempre tive a certeza de que minha felicidade não poderia ser terceirizada nem por pessoas, nem por coisas.

Quando eu era solteira e vivia sozinha no meu apartamento, eu era feliz.

Quando eu estava recém-divorciada, e vivia um dos momentos desafiadores da minha vida, eu também sabia que no momento oportuno, eu juntaria os cacos, voltaria a sorrir e ser feliz novamente.

Meu marido já até comentou de como ele tem certeza de que eu seria uma pessoa igualmente feliz, mesmo se a gente não tivesse se esbarrado nesta vida.

Enquanto pessoas sonham em encontrar a “metade da laranja”, sempre questionei que raio era essa metade, já que nunca me considerei metade de nada.

Eu queria encontrar sim alguém, mas alguém por inteiro, porque eu sou uma pessoa por inteiro.

A verdade é que para ser feliz, não precisamos de pessoas perfeitas do nosso lado, não precisamos de empregos perfeitos, apartamentos lindos, carros novos, smartphones do ano, bancadas de mármore.

Ou seja, a minha felicidade nunca esteve condicionada ao meu casamento, nem por posses materiais. Minha felicidade não depende se estou amando alguém, se tenho ou não tenho filhos, se tenho posses materiais ou não.

O que precisamos não está do lado de fora. Está do lado de dentro.

Eu carrego o meu lar dentro de mim, porque sei que o que é mais importante, está sempre dentro de mim.

E esse é um dos motivos de conseguir levar uma vida sem posses. Compreendo que algumas pessoas sentem a necessidade de ter uma casa para fincar raízes, um local para alimentar e fermentar as suas memórias.

Já eu, prefiro a liberdade de poder me locomover. Sei que minhas filhas terão boas lembranças dos nossos momentos, e não da casa. Elas saberão reconhecer o cheiro do nosso lar em qualquer lugar que estivermos, toda vez que cookies deliciosos estiverem saindo do forno. Não importa se essa casa é alugada ou se é própria, se é a casa onde elas deram os primeiros passos ou qualquer outra casa.

Afinal, lar, é onde está o meu coração.

~ Yuka ~

De quantos sapatos eu preciso – post 4

Em 2013, eu tinha 17 sapatos.

Em 2016, eu tinha 10 sapatos.

Eu 2018, eu tinha 6 sapatos.

O legal do minimalismo é que o auto-conhecimento aliado ao tempo, traz sabedoria para usar o dinheiro de forma inteligente. Não é uma questão de números, e sim, de quantos sapatos eu considero suficiente para o meu estilo de vida.

Atualmente, tenho 5 calçados que me atendem perfeitamente. Por ter poucas quantidades, o uso é bem intenso, nenhum fica muito tempo adormecido na sapateira, o que é ótimo.

Captura de Tela 2021-01-14 às 00.50.40

Já usei muito salto alto, mas estou num momento da minha vida que curto mais sapatilhas e sapatos confortáveis, já que não consigo correr atrás de 2 crianças de salto alto.

Esses 5 calçados só são substituídos (por outros calçados bem parecidos) quando ficam gastos. Então quando o tênis que estou usando ficar velhinho, vou lá e compro um outro par de tênis pra mim. A bota de cano curto é a mesma coisa, acho que já é o terceiro ano que compro exatamente o mesmo modelo, da mesma forma que as sapatilhas também já viraram uma compra recorrente.

E pensar que já tive mais de 50, 60 pares de sapatos…

~ Yuka ~

Pergunte antes de comprar

Blur, Cabide, Vestuário, Compras, Mercado, Close Up

Nos acostumamos a comprar sem avaliar.

A colocar a mão no bolso de forma automática.

A pegar o cartão de crédito e comprar qualquer coisa sem pensar.

Desprezamos valores pequenos, ah são só 10 reais, são só 20 reais, mas não dar importância para valores pequenos, significa não dar importância também para valores altos, já que o cerne da questão é que não damos importância para o tempo que gastamos para ter aquele dinheiro.

Não questionamos se o que estamos prestes a comprar, é algo que estamos precisando, ou se é algo que fomos induzidos a acreditar que é essencial.

Será mesmo tão necessário? Qual é o motivo da compra?

Recebemos tantos estímulos a todo momento que não consumir e não comprar, se tornou o novo anormal.

Rever o consumo significa usar o dinheiro de forma consciente. E com o despertar da consciência, vai perceber que muitas das coisas que compramos, tem a ver com impressionar pessoas, tem a ver com preencher um vazio. Aliás, muitas coisas que temos em casa são desnecessárias, resultado do nosso consumo exagerado.

Aquela blusa preta que está na vitrine. Não teria algo similar no seu guarda-roupa?

Aquele sapato. Quantos sapatos você já tem na sua sapateira? Não seria melhor terminar de usar alguns para depois comprar mais um?

O celular recém-lançado. Não seria mais oportuno aguardar mais um pouco, já que o seu celular ainda funciona bem?

Tem também os objetos de decoração… pense bem, daqui a algumas semanas estará tirando poeira de cima dele.

Tem também a impressora. Quantas páginas você imprime por ano? Se imprime apenas algumas folhas, talvez seja mais inteligente ir numa gráfica quando for necessário.

E os produtos de beleza? Que promete acabar com a flacidez da pele, elevar a autoestima. Será que vai mesmo?

Com tantas coisas abarrotadas, vivemos imersos em uma casa recheada de eletroportáteis sem uso, um guarda-roupa com roupas amassadas, estantes com centenas de livros que nunca mais serão folheados, armários lotados com objetos sem valor.

A casa vai ficando cada vez mais cheia, e a vida cada vez mais vazia.

Imagine quantos sonhos poderíamos realizar com todo o dinheiro que já desperdiçamos?

~ Yuka ~

É hora de repensar os gastos

Contas, Dinheiro, Moeda, Em Dinheiro, Finanças, Banco

Chega um momento (ou diversos momentos) da nossa vida que precisamos decidir se vamos ou se voltamos.

Tenho percebido muitas, muitas pessoas ao meu redor que estão com os gastos extremamente elevados para o salário. Ou seja, estão com o padrão de vida acima do que o salário permite. Pagam condomínio, algumas contas fixas como luz, internet, celular. Alguns pagam escola dos filhos, outros pagam plano de saúde, mas muitos, depois de pagar todos os boletos, não tem mais dinheiro para absolutamente mais nada.

Pensando nisso, vou compartilhas algumas dicas de como economizar de forma inteligente:

1.) Economize nas coisas grandes

De nada adianta ter gastos elevados na habitação, transporte, escola etc, e ficar contando moedas para economizar na luz, no gás, na cervejinha. Se é pra economizar, economize nos gastos grandes, ao invés de ficar focando nas economias pequenas. Vale muito mais a pena.

Se paga um aluguel de R$1.500 (ou qualquer outro valor), talvez valha a pena pensar em procurar com calma um de R$1.000. Nisso, já será uma economia de R$500 mensais. Muito melhor do que ficar sofrendo em economizar R$10 na conta de luz.

Claro que é importante considerar gastos pequenos, mas o foco maior deve ser nos gastos maiores, é onde o resultado aparece.

Eu mesma fiz isso ao fazer a mudança de cidade no ano passado. Eu tive tempo para procurar um imóvel que tivesse uma localização boa, tamanho confortável, e acabei me mudando um pouco antes do que imaginava quando encontrei o imóvel. Eu sabia que não iria encontrar um imóvel na região que alugamos naquele valor que estava sendo anunciado. A economia mensal foi de R$660.

O mesmo aconteceu com o plano de saúde. Em 2018, fizemos uma revisão dos valores do plano que tínhamos. Os reajustes anuais e a mudança de faixa etária estava exorbitantes. Em 2016, um aumento de 30%. Em 2017, outro aumento de 35% e em 2018 haveria não só o reajuste anual, como o reajuste de faixa etária. Será que iria beirar a 50% de aumento? Não duvidaria nem um pouco. Antes de tomar um novo susto, decidimos migrar para um outro plano de saúde. A economia mensal foi de R$1.000.

Outra coisa era o Netflix. Assinávamos o plano de R$32,90, até perceber que nunca assistíamos 2 pessoas simultaneamente aqui em casa, e com isso, fizemos o downgrade para o plano de R$21,90.

Tenho outros exemplos também, mas só nesses três exemplos, a economia anual é de R$20.052. Aí você pega uma parte desse dinheiro para fazer algo legal com a família, como uma viagem.

2.) Deixe dinheiro extra para os supérfluos, é o que traz alegria para viver

Mensalmente, eu e meu marido temos o que denominamos mesada. É um dinheiro que não precisamos prestar contas para a casa, posso fazer o que quiser com ele, ou seja, comprar supérfluos sem culpa. Faz muito bem ter esse tipo de gasto.

Apesar da nossa mesada não sofrer correção monetária há pelo menos 5 anos, estamos bastante satisfeitos e felizes.

3.) Evite desperdício a todo custo

Toda vez que eu desperdiço algo, eu tenho consciência de que estou rasgando dinheiro. Por isso, tente eliminar todo e qualquer tipo de desperdício, desde alimentos que vão para o lixo, roupas sem uso, produtos de higiene fora de validade etc.

O problema não é comprar em grande quantidade. O problema é desperdiçar.

Eu já dei várias dicas de como elimino desperdícios, visite aqui alguns dos posts para relembrar:

8 tipos de desperdícios: menos desperdício e mais dinheiro no bolso

Alimentação: 16 dicas para economizar sem sacrifícios

4.) Descadastre todos os e-mails de lojas

Receber alertas de promoção e novidades parece ser algo inofensivo no início, mas vai normalizando a cultura do consumo. Se não recebêssemos e-mails, muitos dos gastos nem seriam feitos.

No ano passado, apesar da preguiça, eu comecei a entrar na minha pasta spam e descadastrar todos os e-mails de lojas. No início, deu bastante trabalho, mas aos poucos, a quantidade de e-mails diários foi diminuindo e hoje, recebo poucos spams.

Eis que hoje, recebi um mailing de uma loja de móveis e decoração, e me surpreendi o fato de nem ter me lembrado mais da existência dessa loja há meses. Eu entrei no e-mail sem olhar as promoções, e me descadastrei. Se um dia eu precisar de algo, sei que vou me lembrar da loja. A loja não precisa ficar me mandando alertas a todo momento. Aliás, quanto menos eu souber das “novidades imperdíveis”, melhor.

5.) Reavalie os gastos fixos

Início do ano é um bom período para fazer isso. Eu particularmente gosto de fazer no fim de ano, assim, já começo o ano com as contas redondas.

É o momento que tiro para reavaliar todos os meus gastos. Se o plano de saúde está adequado à minha expectativa de custo x benefício. Avalio quanto pago de internet. Se há algum serviço de streaming ou assinatura que não está sendo usado.

No ano passado por exemplo, ao fazer essa avaliação, fiz upgrade de 2 serviços: melhorei a internet de casa por conta do meu trabalho e passei a assinar Disney Channel para as crianças. São dois gastos que se não fosse a pandemia, eu tenho certeza que não teria feito. Mas neste momento, achei interessante. Ano que vem, farei uma nova avaliação se permanecemos ou cancelamos o plano.

~ Yuka ~

Procurando o essencial

Farol, Remoto, Reino Unido, Pôr Do Sol, Rochas, Rochoso

Abro o primeiro post do ano de 2021 com a pergunta que sempre nos intriga: “O que é essencial?”

Nessa rotina maluca que vivemos, está cada vez mais difícil identificar o essencial. Mais difícil ainda, porque o essencial é único para cada pessoa. Não dá para copiar a receita do colega do lado, afinal, o que é essencial para mim, não é essencial para você.

Descobrir o essencial é ir em busca da própria essência e descobrir o valor que damos a ele. É basicamente, focar naquilo que traz felicidade. É tentar colecionar coisas e experiências das quais gostamos, mesmo que o mundo inteiro diga que é cafona.

Já comentei num post que gosto de música clássica. Pois bem, também gosto do Andrea Bocelli. Eu e toda terceira idade. Já fui num show dele, paguei ingresso que foi muito caro na área VIP, sentei na primeira fileira, bem de frente pra ele e chorei emocionada quando ele começou a cantar. Minhas amigas acham engraçado eu gostar dele, não estou nem aí. Num outro show (desta vez gratuito) que ele deu, eu tentei invadir o camarote, claro que não consegui, mas rendeu boas risadas quando minhas amigas souberam o que eu tinha tentado fazer.

Essencial é isso, você estar confortável e feliz, mesmo com o julgamento alheio.

Quando fiz meu pequeno casamento com 35 convidados, recebi crítica de familiares e de colegas que não foram convidados. Mas o que as pessoas não entenderam é que todo mundo que era importante estava nesse dia comigo. Foi um dos dias mais marcantes da minha vida, vê-los todos juntos com um único propósito: celebrar a minha felicidade.

E esse padrão foi se repetindo. Quando fui me tornando minimalista (e minha casa começou a ficar vazia para os padrões normais, mas eu estava muito feliz com isso), quando descobri sobre FIRE (e as pessoas começaram a falar que era loucura), ou quando decidi que minhas filhas estudariam em uma escola pública (e aí mais julgamentos, mas de novo, estava tudo bem).

O essencial é muito particular. Vocês sabem que eu sinto um certo orgulho quando sou chamada de muquirana. Eu realmente economizo onde posso, principalmente em coisas que eu não enxergo valor, mas não me importo em gastar nas coisas que julgo ser importante, como quando descobri sobre a gagueira da minha filha. Em nenhum momento tive receio de procurar uma das melhores clínicas de fonoaudiologia de São Paulo. Comer fora todos os dias com meus colegas de trabalho, nunca foi essencial para mim. Mas iniciar o tratamento da minha filha sim, era essencial.

Vejam só: não gastar dinheiro à toa em coisas que não são essenciais, permite que eu sempre tenha dinheiro disponível para os gastos essenciais.

Outro exercício que costumo fazer para identificar o que é essencial, é comparar uma coisa com a outra.

Por exemplo, o que é mais importante: fazer o jantar para a família ou fazer hora extra no trabalho? Para mim, é preparar o jantar. Talvez para alguém que está com as contas a pagar atrasadas, a hora extra seja mais importante. O que é mais importante: comprar alguns sapatos novos ou separar uma parte do dinheiro para investir? Sair com os colegas do trabalho para um happy hour ou se encontrar com aquela sua super amiga que não vê há muito tempo?

E assim, pergunta após pergunta, a gente vai aprendendo a fazer escolhas mais sábias. A cada escolha consciente, nos aproximamos do eu interior, do que é mais importante.

Já em relação a objetos, eu penso assim: houve um motivo importante para ele ter entrado na sua casa, certo? Pode até ser que esse motivo já não seja tão importante, ou até mesmo ele nunca ter desempenhado um papel relevante na sua vida. Vou dar exemplos para facilitar o entendimento do que estou tentando explicar.

As pessoas compram objetos, roupas, itens de decoração pensando em um objetivo. Supondo que seja uma blusa. No momento da compra, eu experimentei a roupa, achei bonita e quis comprar, porque eu imaginei que iria me sentir bonita naquela blusa. Pois bem. Só que por algum motivo aquela blusa fica lá, no canto do guarda-roupa escondida, meio amassada. Aí eu faço a seguinte pergunta: Ela está desempenhando o papel dela? Não. Não está. Então eu descarto.

Às vezes, a gente tem uma blusinha velha em casa, aquela bem surrada, com tecido até molenga de tanto que já foi usada. Essa blusa serve pra quê na minha vida? Para me deixar à vontade em casa, é confortável, uso com frequência, etc. Ela está desempenhando o papel dela? Sim, está. Com esse exemplo, dá pra entender por qual motivo eu descartaria uma blusa nova e por que permaneceria com a blusa mais velhinha. Não é questão de preço. É questão de valor.

Quando eu faço essa mesma pergunta em relação à compra de uma joia, as coisas começam a ficar ainda mais claras. Qual é o objetivo de ter uma joia? Por qual motivo eu quero ter? A resposta (pra mim) seria para ostentar, mostrar para os outros. E é por isso que não tenho nenhuma joia.

O minimalismo foi essencial para descobrir quem eu era de fato. Eliminar o que não era importante para focar no essencial fez perceber que durante muitos anos eu não vivi para mim. Vivi para os outros.

Desde escolhas simples como roupas, música que ouvimos, lugares que viajamos, os amigos que temos, o companheiro que escolhemos para passar a vida, fazer o que os outros fazem, falar o que os outros falam… quantos de nós fizemos escolhas para evitar julgamento alheio?

Quando passamos a nos descobrir e amar o que somos, apesar dos inúmeros defeitos que temos, algo mágico acontece: passamos a não sentir necessidade de ficar agradando os outros, muito menos fazer compras para preencher o vazio interior, porque sabemos e conhecemos a nossa real essência, e passamos a valorizar de forma exclusiva e profunda as nossas próprias vontades.

Quando aprendemos a viver com menos, com o suficiente, abrimos espaço para o novo, e assim, as coisas mais importantes começam a se sobressair. Compare isso com a curadoria de peças de um museu. Ao invés de ter várias peças amontoadas, dificultando apreciar as mais relevantes, deixamos expostos apenas as peças que queremos dar mais destaque e “eliminamos” o resto.

Essa seleção é um processo de conscientização, e utilizando o mesmo raciocínio para a nossa vida, podemos lapidar o que é o essencial, dando destaque especial para aquelas coisas que julgamos ser as mais importantes.

Desejo a todos vocês, um bom início de ano.

~ Yuka ~

A esperança em 2021

Mãos, Macro, Planta, Solo, Crescer, Vida, Cinzento Vida

Sou uma pessoa de ciclos.

Gosto de fechamentos anuais, assim como gosto de acreditar que a cada 10 anos podemos ter grandes saltos de aprendizagem que podem mudar, inclusive, o rumo da nossa vida.

Esse ano, particularmente, foi um ano difícil, um ano de muitas perdas. Muitos de nós, perdemos familiares, parentes, amigos. Comigo também não foi diferente.

O próximo ano chega timidamente com a esperança da vacina. No otimismo, quero acreditar que ainda tomaremos em 2021.

Em um ano com tantas perdas, tivemos também muitos ensinamentos. Foi um ano em que nos reconectamos com as pessoas, encaramos os monstros que habitam dentro de nós, tivemos que rever valores, reordenar as prioridades, a cuidar do próximo, acolher e ser acolhido.

Gostaria de expressar meu profundo agradecimento a todos que me acompanharam este ano.

Obrigada por terem separado parte do seu tempo lendo meus posts, por terem escrito comentários longos que me fizeram refletir. Vocês compartilharam seus conhecimentos, suas experiências… não é à toa que aqui é o espaço onde me encontro, onde me reconecto, onde sinto amor.

Desejo a todos vocês, um 2021 repleto de momentos significativos, que encontrem seus maiores tesouros nos pequenos prazeres.

“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.” Clarice Lispector

Nos encontramos em 2021!

~ Yuka ~

Gamificando a jornada FIRE

Super Mario Bros e a busca interminável pela felicidade - Serial Cookies

Vocês já jogaram Super Mario Bros da Nintendo?

Quando eu era mais nova, era viciada nesse jogo. Jogava na casa dos meus primos e mais pra frente, consegui comprar um Game Boy só pra jogar esse jogo. Os outros jogos não me interessavam. Só esse.

Não é a primeira vez que penso nisso, mas eu enxergo a minha jornada FIRE como um jogo de videogame.

Eu enxergo os 12 meses do ano como 12 fases para passar. Isso significa que todo início do mês, tenho algumas tarefas que precisam ser cumpridas como fazer aportes, eliminar gastos supérfluos e tentar reduzir os gastos sem reduzir o padrão de vida. Veja bem, não é parar de consumir, nem deixar de gastar em coisas que traz conforto e felicidade pra família, estou falando em eliminar supérfluos, eliminar gastos desnecessários.

Depois vem o fechamento patrimonial do ano, esse fechamento anual é o chefão que preciso enfrentar para passar para a fase seguinte.

Se tudo estiver nos conformes, eu mudo de “mundo”, e tenho um novo ano (no caso, 2021) para começar tudo de novo. E assim, estabeleço recompensas como viagens com a família.

Eu sem saber, utilizava uma técnica chamada de gamificação:

“Gamificação é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora do contexto de jogos.” Fonte: Edools.

O desafio desse ano, era aportar um determinado valor. Esse valor era algo um pouco irreal, mas não importava, para mim era o desafio, a sensação do jogo. A pandemia chegou, ficamos mais tempo em casa do que gostaríamos, não viajamos, não fomos para restaurantes, não passeamos, não fizemos grandes compras e eis que esse valor irreal de alcançar a meta do aporte não foi só alcançada, como foi superada.

Esse ano, meu IPCA pessoal ficou em 4%, em parte por conta dos aumentos nos itens do supermercado, mas também porque tive gastos extras ao mudar de cidade, contratação de caminhão, pintura e a adequação do novo apartamento, compra de alguns móveis, o que gerou alguns gastos a mais. Ainda estou pensando o que irei gamificar no ano que vem. Talvez me desafiar à uma deflação de 10%, com o desafio de reduzir 10% dos meus gastos anuais, sem reduzir o padrão de vida? Talvez um novo número de aporte anual? Vamos ver, ainda não decidi.

Gamificar a própria vida financeira tem tornado a minha jornada FIRE mais divertida.

~ Yuka ~

Chegou a hora de rever o ano de 2020

E chegamos enfim, no mês de dezembro. Que ano…

Dezembro é o período em que eu faço revisão da minha vida. Afinal, é o fechamento do ano.

Reservo alguns dias para analisar o que fiz de importante no ano e, principalmente, o que não foi feito, já que dezembro é um ótimo período para revisitar os planos da vida, renovar projetos e desenhar um ano seguinte melhor.

Então basicamente faço o seguinte:

1.) Avaliação das conquistas

Ao longo do ano, vou listando as minhas pequenas conquistas e também as conquistas da minha família. Na minha lista deste ano, tem várias coisas, desde a maravilhosa notícia de que minha filha mais velha finalmente conseguiu parar de roer unha (era uma coisa desesperadora de se ver, até sangrava), o desfralde da caçula e também o início do seu tratamento da gagueira. Também descobri uma receita de pão melhor do que a minha (que se tornou a oficial desde então), ter me mudado de São Paulo, ter atingido a meta do aporte anual… Não posso esquecer também de ter tido a grata oportunidade de ler o livro do André, do Viagem Lenta, antes de ser publicado, e dar meus humildes pitacos para alguém que já é FIRE há 10 anos (Já leu? Recomendo muito! Viagem Lenta: a jornada para a liberdade e independência financeira).

Como vocês sabem, faço essa Lista das Conquistas desde 2008, um ano que foi muito difícil, pois foi quando divorciei. Desde então, nunca mais parei, porque descobri que quando faço essas anotações, tenho a oportunidade de ter meu momento de reflexão, de relembrar todas as coisas boas que aconteceram no ano.

Esse ano é um exemplo de como essa lista foi importante. Num ano com tantas perdas, ler essa lista me faz enxergar que aconteceram muitas coisas boas também.

É como se fosse um caderno de memórias, que me dá a oportunidade de revisitar todas as listas dos anos anteriores, mas que só contém notícias boas. Alimentar essa lista ao longo desses 13 anos, permitiu perceber que o que considero como “conquistas” têm mudado ao longo dos anos. Antes, a conquista era muito material, relacionado sempre com dinheiro: a compra de uma bicicleta, a compra de um eletrodoméstico, um eletroportátil, uma roupa. Com o tempo, os meus valores de vida e a percepção do que é realmente importante começaram a maturar, e hoje, consigo ficar feliz de forma sincera a descoberta de uma receita nova, da família estar jantando juntos, de ter minhas plantinhas, das minhas filhas não ficarem doentes.

2.) Fechamento patrimonial

O fechamento patrimonial é uma das minhas diversões. Desde 2015 (quando descobri sobre FIRE, aposentadoria antecipada), faço religiosamente o fechamento patrimonial do ano.

É por meio dessa planilha que acompanho a minha evolução financeira.

Ver a evolução do gráfico é algo gratificante, já que todos os dias são como grãos de areia. Tomamos decisões minúsculas para construir algo quase imperceptível. Por isso, quando vejo a curva acentuada do gráfico anual, os juros compostos mostrando a sua força, é algo que realmente me faz sentir que as escolhas que fiz lá atrás foram acertadas.

3.) Revisão e previsão orçamentária anual

Basicamente, tudo o que acontece na minha vida financeira, consta no aplicativo Minhas Economias, desde salário, restituição do imposto de renda, renda extra, aluguel, condomínio, contas, boletos, tudo.

Anoto tudo, porque quando chega o final do ano, vem a recompensa: o meu único trabalho é entrar no site do aplicativo e gerar o relatório/gráfico para descobrir meus gastos em todas as categorias, como alimentação, moradia, restaurantes, viagens. É tudo muito simples e maravilhoso.

Avalio quanto gastei no ano, analiso as categorias de gastos, se extrapolei em algo, se devo mudar algum mau hábito financeiro, ou até mesmo gastar mais em alguma determinada categoria.

4.) Cálculo do meu IPCA pessoal

A partir do relatório gerado pelo aplicativo Minhas Economias, transfiro os gastos totais de cada categoria para uma planilha para descobrir o meu próprio IPCA. Em 2018 por exemplo, a minha inflação pessoal foi de 35,96%. Foi com esse número exorbitante que no ano seguinte, consegui ter uma deflação do meu IPCA em -20,63%. Este ano, está em 4%.

5.) Definição (e revisão) de prioridades

Dou uma olhada nas metas do ano, se deixei de fazer algo importante, e se ainda a meta faz sentido pra mim. Por várias vezes, percebi que algumas perdem o sentido, então não vejo motivo de levar para o ano seguinte.

Além disso, tenho o costume de nomear o ano que vai vir. Claro que há sempre diversas prioridades, mas dar um título para o ano é a forma que eu encontrei para lembrar o meu norte, onde tenho que colocar mais força. Por falar em força, a desse ano de 2020, foi “Força no aporte”, por causa do contrato de trabalho de 2 anos do meu marido. Não queríamos deixar passar essa oportunidade.

O tema de 2021 ainda não decidi, mas acredito que será algo ligado às minhas filhas.

6.) O que eu não quero levar para 2021

Siiim, isso é algo que penso também.

O que eu fiz este ano que não quero levar para 2021?

São tantas coisas que não quero levar para o ano seguinte…. rsrs.

Esse ano foi difícil. Com a pandemia, eu vi o trabalho invadindo minha vida privada e foi bem difícil lidar com isso (na verdade, ainda está sendo). Eu tive dificuldades em lidar com o isolamento, vi minhas filhas ficarem muito ansiosas e com mais birras que o normal, isso me desestabilizou, principalmente por conta das demandas do trabalho.

Minhas amigas e meu marido dizem que é por causa do isolamento, que foi a pandemia que está causando o estresse, mas sendo bem sincera, eu não gostei de mim como mãe esse ano.

Há algumas semanas, decidi que iria mudar a forma como lido com as birras homéricas das minhas filhas, e comecei procurando por conteúdos sobre psicologia infantil para que eu pudesse ajustar o meu comportamento, dar uma orientação melhor no momento da birra, e não simplesmente fechar a cara e colocar de castigo. Afinal, se eu não ensina-las a como lidar com as frustrações do dia-a-dia, quem irá ensinar? O óbvio tinha deixado de ser óbvio e foi preciso me distanciar para perceber que algo não estava legal.

Futuramente, pretendo escrever um post sobre esse assunto, mas não será hoje.

E fazendo esses 6 passos, consigo deixar 2020 para trás, e começar o ano de 2021 com a cabeça erguida. É um ritual de passagem de ano, o momento de ser honesta comigo mesma, afinal, o que eu quero mudar em mim? Para onde quero ir? Quais são as pessoas que quero do meu lado?

Tudo o que faço sempre foi, e sempre será para que eu não tenha uma vida com tantos arrependimentos.

~ Yuka ~

Os 5 gastos mais úteis do ano de 2020

Para continuar com a tradição que comecei no ano passado com o post “As 5 compras mais úteis do ano de 2019“, fiz a lista dos meus 5 gastos mais úteis do ano de 2020:

  • Table Grill
  • Airfryer
  • Tatame de E.V.A.
  • Mochila da Xiaomi
  • Sessões de fonoaudiólogo

Os 3 primeiros itens, talvez se não fosse pela pandemia, eu nem teria tido interesse, mas depois de 9 meses em casa, foram as compras que mais valeram a pena:

Table Grill

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Em junho, publiquei um post detalhando sobre a Table Grill, uma churrasqueira portátil que usa carvão. Passados 7 meses, posso dizer que essa churrasqueira é simplesmente maravilhosa, diversão garantida aqui em casa.

Airfryer

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Eu relutei muito em comprar uma airfryer (fritadeira elétrica), porque era mais uma coisa para ocupar espaço em casa. Mas nessa pandemia, me rendi. Eu passava muito tempo na cozinha e isso já estava começando a me incomodar.

Aproveitei a Black Friday e comprei o modelo Turbofryer, da Philips Walita. Não foi barato, mas já que é pra comprar, quis comprar um que realmente fosse bom. Estou usando há algumas semanas, e estou aproveitando bastante. Ela é bem versátil e consigo fazer várias receitas sem sujar o fogão, muito boa mesmo.

Tatame de E.V.A.

Diferença entre tatame, tapete e colchonete em EVA | AMS

Esse item eu comprei por conta das crianças. Minhas filhas (assim como nós), passam praticamente 24 horas do dia em casa desde a pandemia. Duas crianças trancadas em casa, querendo fazer coisas de crianças é algo desesperador em relação a barulho (escrevi um post quando estava com 1 mês de quarentena… imagina a minha situação depois de tantos meses em isolamento). Como o vizinho de baixo é um aposentado, ele também fica em casa o dia todo, ou seja, ouvir o barulho estrondoso das minhas filhas não deve ser algo fácil de tolerar.

Colocamos feltros anti-ruído em todas os pés das cadeiras, mesa, sofá, cama, tudo para evitar barulho desnecessário. Mas eu ainda achava que não era o suficiente.

A compra mais acertada em relação a esse assunto, com certeza foi o tatame de E.V.A. Não comprei aqueles tatames infantis (que eu já tive por sinal e não adiantou para muita coisa). Comprei tatames que academias de jiu-jítsu e muay thai utilizam para amortecer a queda dos lutadores. Que ma-ra-vi-lho-so!!! Eu devia ter comprado isso há mais tempo. Forrei o espaço entre o rack e o sofá, onde elas costumam brincar de casinha (cada tatame mede 1m x 1m, então comprei 3). Agora as panelinhas que antes batiam no chão, são amortecidas com o tatame. Elas pulam, dão cambalhotas e não ouço nenhum ruído.

Mochila da Xiaomi

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A leveza da mochila da Xiaomi foi algo que me surpreendeu. Eu comprei antes da pandemia, bem no início do ano, e fiquei impressionada de como era leve, compacta, e bem feita. Cabe muita coisa (capacidade de 10 litros), era algo que usava muito quando ainda saía de casa.

Sessões de fonoaudiólogo

Eu outubro desse ano, minha filha caçula que tem gagueira, começou com as sessões semanais de fonoaudiólogo. Já nas primeiras sessões, percebi uma melhora na fala. Claro que ainda tem um loooongo caminho que terá que ser percorrido, principalmente, porque ela gagueja muito, dificultando inclusive no entendimento de frases simples. Por isso, eu nem considero isso como gasto, e sim como investimento na qualidade de vida dela. Posso economizar em qualquer outra coisa, menos nessas sessões.

E você? Quais foram as compras mais úteis do ano de 2020?

~ Yuka ~

Na pandemia, o conforto se tornou o novo preto

photo of gel candle on board beside pillow

Foto: @alisaanton

Preto é tido como algo que nunca sai de moda, um clássico, algo atemporal. Há inclusive, uma expressão bem conhecida, “the new black”, usada para algo que está na moda, em alta:

  • The orange is the new black (o seriado)
  • The minimalism is the new black
  • The love is the new black
  • The gray is the new black

E por aí vai, os exemplos poderiam ser infinitos.

Este ano, definitivamente, o conforto se tornou o “the new black”.

Estou desde março trabalhando de casa, e apesar de parecer fácil, não tem sido nada fácil, principalmente porque as crianças (que também não estão indo para a creche) não entendem que você, apesar de estar na frente delas, não está disponível, pois tem que trabalhar, entregar projetos, fazer reuniões, além de cozinhar diversas vezes por dia, limpar a casa.

Como não estamos em um período normal, também não estamos passeando, nem levando as crianças para parques, e isso eleva a tensão, já que estamos todos confinados em um apartamento. Apartamento esse, que tem um aposentado que mora no andar de baixo, então preciso ficar a todo momento pedindo para as minhas filhas não pularem, não baterem no chão, não arrastarem os móveis, para não incomodar o vizinho de baixo. Esses dias, enquanto estava trabalhando até tarde da noite, até chorei, de tão cansada que eu estava.

O conforto então, acaba sendo um acalento para a alma, um retorno à essência.

A beleza passa a não ser tão importante, e o conforto se torna o protagonista.

Eu já tinha um escritório, mas só descobri que o modelo da cadeira que eu amava de paixão não era confortável para trabalhar, quando tive que ficar sentada por horas. Se fosse hoje, teria escolhido uma cadeira mais confortável.

As roupas tem ido pelo mesmo caminho. Eu não uso calça jeans em casa, nem tenho usado as blusas que não esticam, que não absorvem suor. Começamos a dar mais valor àquelas roupas que tem tramas macias, malhas gostosas, mais confortáveis para o corpo.

Idas aos restaurantes foram substituídas por comidas denominadas comfort food, que traz memórias afetivas, comida que cheira à felicidade, que cheira a casa da mãe.

Me rendi a alguns eletroportáteis para agilizar alguns serviços da casa, como por exemplo, a Airfryer. Outro dia estava assando batata doce chips para as minhas filhas, e ter ficado 2 horas na frente do forno foi o estopim para comprar a fritadeira elétrica, pois começou a incomodar o tanto de tempo que eu permanecia na cozinha, além do valor da conta do gás, que tem aumentado todos os meses.

Não vamos esquecer também da Table Grill (churrasqueira portátil que usa carvão que comprei neste ano) e também da Stone in Box (um forno que faz pizzas deliciosas, melhores que de muitas pizzarias, comprada no ano passado) que me garante belas diversões nos fins-de-semana.

Começamos a valorizar mais as janelas, o sol, o vento, a claridade. Tanto que um dos fatores de ter escolhido este apartamento em que estamos morando agora, era por ter uma varanda, e pelo apartamento ser de quina. Isso significa que tenho sol da manhã entrando pela sala e o sol da tarde entrando nos quartos, cozinha e lavanderia.

Sabíamos que era bom, mas começamos a apreciar ainda mais um bom chuveiro, uma toalha macia, um sofá confortável, um bom colchão. Até o cheiro do sabonete estou escolhendo com mais dedicação.

A casa não é mais um lugar apenas para dormir, e sim, um lar para passar os dias. Se tornou o local de trabalho, o local de lazer e o local de descanso.

Transformar a minha nova casa em um lar, torna-lo um lugar agradável, tem sido uma tarefa que está valendo muito a pena.

~ Yuka ~

Por que eu parei de falar sobre FIRE para as pessoas

Silêncio, Calma, Biblioteca, Estudo, Brown Library

Há alguns anos, eu ainda falava para todos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).

No início de 2015, quando descobri sobre FIRE, a sensação era de que havia tirado um coelho da cartola, era uma sensação de “como eu não sabia disso até hoje?”, e contar para os outros era uma forma de descobrir se mais alguém sabia disso ou não.

Era tanta euforia, que eu queria falar e ensinar sobre finanças pessoais, deixava de almoçar para ensinar alguém que tinha interesse em aprender sobre investimentos.

Aos poucos fui entendendo, que por mais que eu explicasse, a pessoa não colocava em ação as coisas que eu tinha ensinado. E isso se repetia de forma constante, com muitas, muitas pessoas, até que eu entendi que estava perdendo tempo precioso da minha vida, ensinando pessoas que se quer faziam as coisas que eu pacientemente ensinava.

Eu deixava de almoçar, deixava de descansar, deixava de ficar com as minhas filhas para ensinar os outros, pra nada. Eu literalmente gastava tempo da minha vida, para pessoas que não valorizavam o meu tempo.

Claro que houve amigos que se engajaram tanto quanto eu, e hoje, trilham a jornada FIRE, mas foram poucos.

Foi aí que eu entendi que FIRE é uma jornada solitária.

Quem não acredita na possibilidade, tenta nos desmotivar. Quem quer e não consegue, tenta desmoralizar.

Sigo firme a minha jornada, com a consciência de que estou cada vez mais perto da saída.

~ Yuka ~

Proteja o seu maior patrimônio

Pessoa, Loira, Menina, Pedra, Acima, Rio, Água, Verão

Não. Não estou falando da sua conta bancária, nem do seu patrimônio financeiro.

Estou falando da sua saúde física, mental e espiritual.

Estou falando de você, da sua família, do seu casamento, dos seus filhos, dos seus amigos.

Eu sei que você protege o patrimônio da empresa que trabalha, toma decisões difíceis que faz até perder seu sono em algumas noites.

Mas e quando estamos falando do seu maior patrimônio, você também toma decisões difíceis e perde o sono?

Ou prefere tomar apenas decisões fáceis e deixar tudo para depois?

O que você faz para manter a sua saúde em dia?

O que você faz para manter seu casamento saudável?

O que você faz para participar da vida dos seus filhos?

O que você faz para manter seus amigos próximos de você?

Talvez esteja na hora de analisar a sua rotina e rever as prioridades.

Convido você a assistir o vídeo abaixo. Ela é dividida em 2 partes. Veja como é surpreendente, quando aprendemos sobre prioridades.

~ Yuka ~

Felicidade não dá lucro (e o mercado sabe disso)

Piano, Música Clássica, Tocador De Piano, Pianista

Resolvi escrever sobre esse assunto, porque é algo que tem chamado muito a minha atenção, de como o mercado lucra com a nossa infelicidade.

Se não existissem tantas pessoas desconfortáveis com o próprio corpo, não teria tantos produtos sendo vendidos por aí para esta finalidade: cinta modeladora, cremes anti-rugas, anti-flacidez, anti-celulite, anti-idade, livros de dieta, livros de auto-ajuda, entre tantos outros itens.

Se fôssemos mais autoconfiantes, será que sentiríamos essa necessidade de trocar tanto de roupa como trocamos? Ter tantos sapatos, blusas, colocar tanta maquiagem no rosto… Talvez não sentíssemos a necessidade de trocar de celular todos os anos, trocar de carro mesmo sem necessidade, postar fotos de viagens nas redes sociais só pra mostrar que estamos podendo.

A verdade é que o mercado sabe que pessoas felizes não dão lucro, e incentiva o medo e a insatisfação para fazer a economia girar.

Temos medo de nos tornar pobre. Temos medo de ser diferente. Medo de ser feio. De ficar doente. De perder emprego. Da violência. Temos medo de ser ignorado. De não ser bom o suficiente. Medo da solidão. Da velhice. Da morte.

Nos preocupamos com coisas que nem aconteceram ainda, e em muitos casos, nem vai acontecer, já que normalizaram a insegurança, a angústia, o medo, a escassez.

É o medo do medo. E vivendo entre tantos medos, esquecemos de viver.

Tentamos diminuir esses medos gastando nosso dinheiro, porque foi assim que nos ensinaram. Pagamos por um plano de saúde, porque temos medo de adoecer. Pagamos por uma escola boa, porque temos medo dos nossos filhos não terem oportunidades. Pagamos para morar em um bairro bom, porque temos medo da violência. Pagamos por luxos e entretenimentos caros, porque nos disseram que isso tem nome: felicidade.

Com tantas publicidades que nos distanciam da própria essência, a busca por essa felicidade idealizada se torna algo quase inalcançável, inatingível. A busca pelo corpo perfeito, a pele perfeita, uma vida financeira perfeita, uma casa perfeita, um relacionamento amoroso perfeito, a obsessão pela saúde, pela segurança… Tudo para gastarmos cada vez mais, para buscarmos uma vida de perfeição (que não existe).

Será que felicidade não seria pequenos momentos de alegria, satisfação e bem-estar?

Eu lembro de um episódio que me trouxe muita felicidade. Desde criança, sempre gostei de música clássica, tinha uma pequena coleção de fitas K-7 que minha tia gravava pra mim.

Tinha uma música em especial que apesar de ter ouvido algumas vezes em filmes, trechos de comercial, nunca consegui descobrir a autoria. Era janeiro de 2011, quando ouvi de longe, uma pessoa tocando no piano a tal da música que sempre gostei. Num ímpeto de pressa com comoção, com medo de perder o momento certo de abordá-lo, toquei no ombro daquele homem e pedi para que ele me falasse o nome da música que ele havia acabado de tocar.

Era Canon in D, de Johann Pachelbel.

Essa descoberta foi tão importante para mim, que eu casei com meu marido com um quarteto de cordas tocando essa música. Pra mim, ter descoberto o nome da música naquele dia era felicidade tocando em mim. Ter casado com meu marido ao som desta música, era felicidade dentro de mim.

Precisamos começar a avaliar se a felicidade que nos vendem é de fato felicidade para nós. Ou se é felicidade (lucro) para as empresas.

~ Yuka ~

Se não quer ser enganado, estude; ao invés de acreditar só nos outros

Menina, Corajoso, Coragem, Independência, Solo

Eu já fui enganada tantas vezes que até perdi as contas rs.

Hoje eu sei que se eu perguntar para um vendedor de uma loja de roupas se “Esta roupa é de qualidade?” é claro que ele vai responder que sim.

Da mesma forma que se eu perguntar “Qual é o melhor investimento para mim?” o gerente do banco vai me indicar um título de capitalização ou uma previdência privada, porque vai perceber que eu não entendo nada de investimentos.

Um bom exemplo, foi o que aconteceu com uma amiga. Ela queria abrir uma conta em uma corretora de valores. Indiquei o meu assessor de investimentos, pois ele sempre foi rápido nas respostas e muito prestativo. Qual não foi a surpresa quando minha amiga disse que ele indicou uma previdência privada? Perguntei qual foi a pergunta que ela tinha feito, e ela prontamente respondeu: “Qual o melhor investimento para longo-prazo?”. E aí o assessor percebendo que ela não sabia de muita coisa, disse que era uma previdência privada.

Corretor de imóveis

Fiquei sabendo que a creche onde minha filha frequentava, estava procurando um imóvel maior, e que tinham encontrado uma casa maravilhosa, por R$9.000 o aluguel. O corretor de imóveis aconselhou o proprietário a não alugar para a creche municipal, pois a prefeitura poderia não pagar os aluguéis. Sinceramente, não sei nem de onde ele tirou essa ideia, eu já acharia justamente o contrário, imagina como seria bom alugar para a prefeitura, quantos anos de aluguel estaria garantido… Mas o proprietário decidiu não alugar para a creche, seguindo o conselho do corretor de imóveis, e o imóvel ficou vazio. Depois veio o coronavírus, as escolas fecharam, e agora com a crise pairando o nosso país, não acho que ele irá conseguir alugar um imóvel tão grande facilmente.

Gerente de banco

Muita gente já deve ter passado pela mesma situação. Lembro quando recebi meu primeiro salário de estagiária em uma empresa multinacional. Havia uma agência bancária do Itaú dentro dessa empresa. Saí da agência com um título de capitalização, pois o gerente disse que era o melhor investimento que eu poderia ter, para quem estava começando a investir. E ainda ficou tentando me empurrar um seguro…

Nutricionista

Também já fui numa nutricionista que falava que eu não iria emagrecer se não praticasse exercícios físicos, e que deveria comer de 3 em 3 horas (mesmo sem fome), lanchando pão com frios, que nem é algo tão saudável para se comer. Nem preciso dizer que não emagreci.

Foi só depois que comecei a estudar sozinha, que entendi como funciona o meu corpo. Emagreci 12 quilos em 3 meses, sem ter passado 1 único dia de fome e zero de exercício físico.

Contador

Eu até tinha um contador, mas parei de pedir os serviços dele, quando ele me aconselhou a abrir uma previdência privada no nome da minha filha.

Eu já estava investindo em renda variável, então se fosse para ter um contador, gostaria de ter um contador que também investisse em renda variável, pois nada como a prática para alcançar a excelência. Com o tempo, passei a estudar por conta própria.

Aliás, eu não tenho conta de investimentos no nome das minhas filhas, porque eu já tive 18 anos e sei o que elas vão fazer com o dinheiro (vai virar pó). Então antes de me preocupar com elas, eu me preocupo com a minha própria estabilidade financeira. Claro que quando elas crescerem mais um pouco e quiserem abrir uma conta pra guardar uma parte da mesada, aí sim, irei auxiliá-las com muito prazer.

Por essas e mais outras que sempre que possível, o melhor é não sair acreditando na primeira pessoa, nem na segunda, nem na terceira. Estudar e verificar se aquele conselho realmente faz sentido, é o melhor que podemos fazer.

~ Yuka ~

O lado bom de tudo

Sorriso, Boca, Dentes, Rir, Nariz, Menina, Queixo

Minha filha mais nova de 3 anos tem gagueira.

Descobri isso muito cedo, alguns meses depois que ela começou a falar. Achei estranho, a boca torta no momento de falar, a bochecha enchia como se precisasse fazer força, já tinha visto essa cena inúmeras vezes quando era criança.

Aguardei alguns meses, a gagueira começou a ficar mais evidente. Ninguém em casa ainda havia percebido.

Pois bem.

Eu tenho uma irmã que tinha gagueira severa.

Eu era pequena, e cresci vendo minha irmã mais nova tendo muitas dificuldades na fala. Ela pulava pra voz sair, ficava vermelha e sem ar, batia no próprio peito, batia na cabeça para que as palavras pudessem sair. E as palavras não saíam. Vi pessoas chutando palavras aleatórias com o intuito de ajuda-la, o que acabava irritando-a ainda mais.

A gagueira é um distúrbio neurológico que provoca um mau funcionamento nas áreas do cérebro que dificulta a fala. Apesar de 95% dos casos de gagueira ter fator hereditário, fonoaudiólogos disseram que minha irmã era gaga por sermos bilíngues, e que minha mãe tinha que tomar a decisão de escolher uma única língua. Ou seja, abandonar o japonês e falar somente português.

O início da gagueira da minha irmã coincidiu com o falecimento precoce do meu pai, e durante muitos anos, minha mãe achou que a gagueira tinha causa psicológica, por conta da ausência da minha mãe para trabalhar sustentar a família.

Minha mãe ignorou todos prognósticos dos especialistas e ela mesma passou a treinar a fala da minha irmã. Sem conhecimento específico, criou exercícios baseando-se na própria intuição. Todos os dias, a todo momento, quando íamos para a escola, quando voltávamos da escola, quando estávamos jantando, minha mãe estava lá, treinando com ela.

Hoje, a minha irmã tem 36 anos, é bilingue, e há mais de uma década, a gagueira dela é imperceptível. Uma conquista da minha irmã, mas a vitória é da minha mãe.

Minha filha ri em voz alta, fala do jeitinho dela, gaguejando, é estimulada a todo momento pela irmã mais velha que tira os brinquedos da mão e sai correndo. Ela contesta, argumenta, briga, chora, e tudo isso faz com que ela fale muito.

Claro que não é fácil, principalmente, porque eu sei como a gagueira afeta na qualidade de vida de uma pessoa.

Mas nessas horas, insisto em lembrar que se a minha mãe conseguiu tratar a gagueira severa da minha irmã, sem marido, sem tempo, sem dinheiro, sem internet, sem conhecimento científico, por que eu não conseguiria, se tenho o apoio do meu marido, tenho tempo, posso contratar um fonoaudiólogo, e ainda tenho internet que me permite acessar as últimas pesquisas sobre o assunto?

Ter visto a luta da minha mãe é ter a certeza de que tudo ficará bem.

O que me resta é agradecer por poder ouvir a voz doce da minha filha, por ela conseguir expressar os sentimentos através da fala, por ser uma criança saudável, por ser uma criança generosa.

A gagueira não tem cura, mas pode muito ser atenuada, até se tornar imperceptível.

Daqui a 10 anos (tempo que considero suficiente para mudar a trajetória da vida), volto para compartilhar com vocês que a conquista foi da minha filha, mas que a vitória é minha.

~ Yuka ~

A vantagem de aliar a jornada FIRE com o minimalismo

Maratona, Concorrência, Desporto, Resistência, Executar

Há algumas semanas, recebi do Renato, do Reminiscências, o seguinte comentário em relação à minha jornada FIRE:

“Encarar a questão pelo aspecto do minimalismo me pareceu uma estratégia inteligente da sua parte. Você encara como uma maratona, um investimento de longo prazo onde se escolhe um ritmo confortável e segue com ele. É justamente esse aspecto da sua estratégia que acho muito inteligente. Isso te alivia de um tremendo stress e descreve o aspecto da disciplina (suave) necessária na sua caminhada.”

Quando li esse comentário, senti um “Eureka!”.

Que frase genial. É exatamente isso!!!

Quem corre uma maratona sem administrar a própria potência, não tem fôlego para chegar até a linha de chegada.

A mesma coisa acontece com dietas radicais. De um dia para o outro, a pessoa simplesmente para de comer tudo o que gosta, para viver de alface. É claro que não vai durar. É claro que vai ter um dia em que a pessoa vai se esbaldar nos alimentos que cortou e ter o efeito rebote.

Isso também acontece nas finanças pessoais. Quem já fez corte de gastos de forma radical sabe, que no início as coisas tendem a dar certo, mas depois de algumas semanas, alguns meses, o suportável se torna insuportável e como uma avalanche, vai acabar comprando tudo o que não comprou (e mais um pouco) nas últimas semanas.

Para evitar esses cenários desastrosos, o minimalismo pode ser o grande aliado da independência financeira. Viver uma vida significativa, sem precisar “empurrar” os sonhos para depois, já que minimalismo é viver com o que você considera suficiente para ser feliz (ou seja, ter a quantidade exata das coisas que ama e acha importante) e eliminar os excessos.

Se você gosta de sentir o cheiro das páginas dos livros, mas compra e-books para economizar, você vai sentir um vazio lá na frente.

Se você sempre gostou de viajar, mas não viaja para economizar, vai sentir um vazio lá na frente.

Não significa reduzir ou deixar de comprar algo que considera importante. Significa reduzir o consumo de coisas que não possuem valor para você, para gastar nas coisas que são importantes.

Eu parei de comprar presentes para terceiros por obrigação, parei de trazer souvenirs para todo mundo toda vez que fazia uma viagem, parei de comprar sapatos caros que não duravam 6 meses no meu pé, parei de comprar livros que nunca vou ler, cursos que nunca vou fazer, roupas que nunca vão entrar em mim, aliás, parei de comprar tantas coisas… E foi assim que o dinheiro começou a sobrar para gastar nas coisas que eram importantes para mim.

O quesito moradia é algo muito importante para mim. Eu já fui assaltada algumas vezes em São Paulo, e por esse motivo, tive medo de sair de casa durante um período da minha vida. Morar em um bairro seguro foi a forma que encontrei para manter a minha saúde mental.

Para poder gastar mais na moradia e ainda manter minhas contas equilibradas, abri mão de coisas que não eram importantes. Mas vejam só, por não serem importantes, não senti falta de nada do que ficou pra trás.

Descobrindo o equilíbrio, pronto, descobriu o “ritmo confortável” para correr a maratona da Independência Financeira.

~ Yuka ~

10 dicas para driblar espaços pequenos em casa

Desde criança, eu sempre tive uma tara por casas pequenas. Eram kitnets, flats, loft, studio, tiny house… Os nomes iam mudando ao longo dos anos, mas a minha fascinação continuava a mesma.

As ideias criativas que são utilizadas para solucionar a falta de espaço são sempre muito interessantes.

E com isso, resolvi compartilhar com vocês algumas das ideias que eu usei na minha própria casa.

1.) Criado-mudo suspenso

Essa prateleira na verdade não era um criado-mudo, mas uso-o para este fim. Pequena, fácil de limpar, não acumula poeira, estou gostando bastante.

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2.) Sapateira como aparador

A minha sapateira, fica próximo à porta de entrada. Para dar um “ar de aparador”, coloquei uma tábua de madeira em cima.

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3.) Escritório em um espaço pequeno

Eu já tinha essa bancada desde quando morava no outro apartamento, mas como esse apartamento é menor, pedi para o marceneiro cortar a madeira para que encaixasse nesse “recorte” de parede. Inclusive esse espaço de 20cm de profundidade ajudou muito a criar o espaço novo do escritório.

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4.) Fruteira na prateleira

Sim, eu coloquei uma prateleira bem perto da mesa de jantar, e coloquei a fruteira com o intuito de liberar o espaço da mesa.

A minha mesa de jantar (que está comigo há quase 10 anos) tem um tamanho que não é padrão: 120 cm x 70 cm. Ela é um pouco menor e mais estreita do que as mesas tradicionais de 4 lugares. Preferi assim, para que sobrasse mais espaço para a circulação. Gosto da fruteira na mesa porque estimula as crianças a comerem mais frutas, mas ela acabava ocupando parte do espaço da mesa que já não é muito grande.

Bom, resolvi esse problema instalando uma prateleira perto da mesa.

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5.) Caixas de madeira embaixo do rack de televisão

Antes, eu guardava brinquedos nestas caixas. Hoje, as caixas estão bem vazias, mas acaba sendo muito bom para armazenar coisas.

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6.) Escolher itens pequenos

Quando vou comprar algo, tento escolher itens que são pequenos, que possuam linhas retas, que sejam leves e tenham cores neutras. Parece uma bobagem, mas ajuda no momento de armazenar.

Veja o meu grampeador e furador de folhas que tenho. São bem pequenos.

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Outro exemplo é a minha impressora. Na hora de comprar, eu escolhi um modelo que encaixasse bem no espaço que eu tinha, entre a bancada e o gaveteiro.

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Meu guarda-chuva também é pequeno. Inclusive, levo minha menor bolsa no momento de comprar um guarda-chuva, para ter certeza que irá caber.

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Se posso ter um item menor, que faz exatamente a mesma coisa que o maior, não vejo sentido em ter algo grande que irá só ocupar espaço.

7.) Aproveitando o espaço atrás da porta

Instalei dois ganchos para pendurar bolsas atrás da porta.

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8.) Usando armários de pouca profundidade

(A partir daqui, fiquei com preguiça de tirar as fotos, então vou usar fotos que encontrei na internet). Eu tinha dois desses armários e usava na cozinha para guardar mantimentos.

Gosto bastante desses armários que possuem pouca profundidade, pois além de não ocupar espaço em casa, a visualização dos produtos é fácil. Depois que mudei de casa, passei a usar esses armários na lavanderia para guardar produtos de limpeza, já que a proprietária irá colocar armários planejados na nossa cozinha.

Tenha a Versatilidade do Armário Multiuso Carraro 899 | Marabraz

9.) Cama box baú

Ter uma cama box baú é muito bom. Cabe muitas coisas, coisas que não usamos no dia-a-dia, como árvore de Natal, itens de artesanato e outras baguncinhas. Aumenta muito a capacidade de armazenamento de uma casa.

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10.) Guarda-roupa com espelhos

Resolvi comprar um guarda-roupa com espelhos para cada quarto. Assim, pude me desfazer do espelho de parede que tínhamos. O espelho amplia o quarto, e dá uma boa iluminada.

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~ Yuka ~

Quantos anos você tem pela frente?

Farol, Brilho, À Noite, Nuvens, Pôr Do Sol, Oceano, Mar

A gente tem o costume de dizer para os outros a própria idade. Tenho 20 anos. Tenho 35 anos. Tenho 50 anos.

Só que há uma conta reversa que sempre faço, e é daí que vem a minha sensação de como Tempo é algo muito, muito precioso.

Quer ver? Essa é a minha Tábua da Vida. A minha vida dos 0 aos 80 anos.

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Se eu considerar que viverei até os 80 anos de idade (achou pouco? Olhe a tábua completa de mortalidade do IBGE), significa que eu já “queimei” praticamente metade de tudo o que eu posso viver, já que tenho 39 anos.

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Legal, ainda parece que tenho bastante tempo de vida.

Só que a gente esquece que ALGUNS MOMENTOS, são MAIS PRECIOSOS que outros. Por exemplo, a convivência diária com as minhas filhas. Eu e meu marido, saímos de casa aos 17 anos para fazer faculdade em outra cidade. Eu sei que uma vez saindo de casa, dificilmente elas voltarão a morar comigo. Se eu considerar que elas irão alçar vôo com a mesma idade, vamos dar uma olhada quanto tempo tenho de convivência diária com elas:

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Bom, agora já não parece que tenho tanto tempo assim, não é mesmo? Tenho mais 11 anos para viver intensamente com elas (e já se passaram 5, ou seja, 1/3 de convivência diária) e dar uma criação e educação decente, pois se elas saírem de casa cedo, não terei arrependimentos de não ter dado a devida atenção.

Agora vou fazer o mesmo exercício em relação a minha mãe. Ela tem 71 anos. Pela tabela do IBGE, viveria mais 14 anos. Eu teria 53 anos. Veja como eu também tenho pouco tempo.

tábua da vida 3

Agora imagine eu, tentando empurrar todas coisas que gosto para a velhice, postergando minha vida para depois dos 65, 70 anos de idade, quando eu me aposentasse pelo tradicional INSS. tábua da vida 4

Repare que não temos tanto tempo como imaginamos.

Não quero chegar na terceira idade, e ver que minha juventude foi desperdiçada, que não fiz as coisas que queria ter feito.

Temos a péssima mania de empurrar sonhos, deixar tudo pra depois. Ah, vou viajar depois, vou andar de bicicleta depois, vou no show daquela banda na próxima oportunidade, depois eu faço, depois eu leio o livro, depois eu falo com a pessoa…

Uma coisa que eu e meu marido sempre conversamos é que não adianta dar atenção para os filhos, quando eles já tiverem perdido o interesse por nós. Não adianta se arrepender de não ter dado atenção para os pais, depois que eles morrerem.

Há coisas que o Tempo não espera.

Precisamos viver bem, cuidar da saúde, cuidar da família, dos filhos, estar sempre com os amigos, sair para se divertir, para quando olharmos para trás (e esse dia vai chegar mais rápido do que imaginamos), sejamos inundados com a sensação de missão cumprida.

~ Yuka ~

Você tem TEMPO para usufruir o que compra?

bird's eye view of house with pool near body of water
Crédito da foto: @derekthomson

Quase em frente ao meu prédio, tem um prédio de alto padrão.

Os apartamentos deste prédio possuem uma varanda enorme que vai de uma ponta até a outra ponta.

Praticamente todas as varandas dos andares, possuem mesas com cadeiras, plantas para decoração, quadros na parede etc.

Vejo também funcionárias uniformizadas, limpando de forma vigorosa os vidros das varandas.

Mas o que eu nunca vejo são pessoas sentadas aproveitando essa maravilhosa varanda.

Onde estão essas pessoas? Será que estão trabalhando para pagar o que comprou?

Eu, com a minha varanda modesta, abro todas as manhãs pra sentir o vento no rosto. Tomo um café com leite apreciando a vista. Coloco as minha filhas para brincar de água nos dias quentes. Cuido das minhas plantinhas. Às vezes levo a mesa de centro para as minhas filhas brincarem de tinta. Nas noites quentes, eu e meu marido colocamos umas almofadas no chão para conversarmos, enquanto beliscamos algo para comer.

No bicicletário do meu prédio, é muito fácil identificar as poucas bicicletas que não estão com aquela poeira grossa. Ou seja, de quase 30 bicicletas penduradas, apenas 2 não têm poeira. Todas as outras, estão encostadas há pelo menos 1 ano, sem uso.

Pensando nisso, fiquei avaliando quantas coisas compramos e não usamos.

Talvez aquela roupa de academia, o tênis para fazer trilha, roupas e acessórios de festa…

Material de escritório como clips, elástico, grampeador, furadeira, bloco de anotações, canetas, cadernos, calculadora, pastas…

O estojo completo de chaves de fenda, a furadeira, a parafusadeira, a caixa de parafusos e pregos…

Tantos conjuntos de pratos disponíveis em casa, quantos realmente são usados? Fora os copos, as taças, os talheres, potes plásticos, panelas, frigideiras…

Quantas calças encostadas sem uso (porque não cabe, porque precisa fazer ajustes), quantas camisas sem uso (porque não cai tão bem no corpo, porque precisa passar antes), quantas mochilas e bolsas guardadas (porque um dia pode ser útil)…

Pagou caro por uma televisão de última geração e um sofá grande…. mas não tem tempo para sentar no sofá e assistir um filme. Ou só assiste YouTube pela tela do smartphone.

Quantos canais de televisão, quantos programas, documentários e filmes na fila para assistir. Quantos livros comprados sem ler, quantos cursos comprados sem terminar, quantas promessas feitas, quantas obrigações que vão se acumulando ao longo do dia, do mês, do ano…

Pegue um tempo do seu dia para analisar tudo isso.

Você tem tempo para usufruir o que comprou?

Se a resposta for não, algo precisa ser ajustado: ou você tem MUITAS COISAS, ou precisa escolher melhor as PRIORIDADES.

Eu mesma, fiz essas duas coisas há muitos anos (e continuo fazendo, porque de tempos em tempos, a bagunça sempre reaparece): eliminei coisas e aprendi a ter prioridades.

O benefício é praticamente instantâneo: TEMPO LIVRE.

~ Yuka ~

Quando se vive com paixão a jornada FIRE

woman sitting on grey cliff
Crédito da foto: @vladbagacian

Hoje resolvi escrever sobre esse tema, porque é um sentimento que eu tenho dentro de mim.

Diferente do que algumas pessoas já podem imaginar, a jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early) não é, nunca foi e nunca será um martírio para mim.

Eu acho que isso acontece por um mix de acontecimentos:

Meu trabalho não é insuportável

Eu tenho vontade de sair do meu trabalho, mas às vezes tenho vontade de ficar. A verdade é que eu sempre quis que meu trabalho não fosse uma obrigação financeira. Hoje, trabalho, porque preciso do dinheiro. Quero um dia poder trabalhar (inclusive em outras áreas) por simplesmente querer trabalhar, tirar essa obrigação, ser dona do meu tempo. Além disso, recebo um salário ok, a minha equipe é composta por pessoas responsáveis, ou seja, não tenho que cobrar serviço, não preciso falar duas vezes a mesma coisa, são pessoas acessíveis e confiam em mim.

Eu sou minimalista

Eu não reduzi meus gastos para ser FIRE. Eu já vivia assim, antes mesmo de conhecer o movimento FIRE. Já comentei isso antes, que FIRE será consequência do meu estilo de vida. Eu vivo alguns degraus abaixo do que permitiria a minha renda familiar. E não vivo assim com o intuito de economizar. Vivo assim, porque encontrei a minha suficiência, tenho poucas coisas, mas de qualidade. Aprendi a priorizar o que é importante e eliminar excessos.

Eu conheço a minha própria suficiência

Eu não tenho além do que eu preciso.

Se eu tenho 5 sapatos, é porque eu uso todos os meus sapatos. Não há nenhum sapato que fica de escanteio, esquecido no fundo da sapateira. Todos estão em bom estado e bem cuidados. E isso só é possível, porque tenho poucas unidades.

E isso se repete em praticamente todas as áreas da minha vida.

Meu marido acredita em mim

Meu marido acredita na jornada FIRE. Se eu digo para ele que preciso de algumas semanas para estudar sobre estratégia de investimentos, para reavaliar nosso plano FIRE, posso simplesmente largar tudo para focar nos estudos. Eu e meu marido compartilhamos serviços de casa. Mas nesses períodos do meu intensivão, ele cuida de tudo após colocarmos as crianças para dormir. Ele arruma a casa, coloca as roupas para lavar, recolhe, dobra e guarda as roupas, cozinha, lava louça, leva o lixo na lixeira do condomínio, enfim, faz tudo mesmo. É confortante ter um companheiro que rema junto, que não só acredita em mim, mas encoraja para seguirmos em frente.

Eu tenho gratidão por tudo o que já conquistei

Alguém pode olhar e pensar: “nossa, grande coisa…”, mas eu sinto gratidão em tudo que já conquistei nessa vida. Desde a roupa quentinha que uso para me proteger dos dias frios (antes, eu sentia muito frio no inverno, porque não tinha dinheiro para comprar roupas de qualidade), de ter uma internet de qualidade, até de poder comprar um simples sapato com a numeração correta para minhas filhas (eu usei por muito tempo sapatos doados de qualquer numeração, por falta de dinheiro. Sentia dores nos pés, porque ora usava sapatos apertados, ora usava sapatos largos).

Sinto gratidão nas coisas pequenas, como ter janelas boas que vedam vento. Nesse apartamento que acabei de mudar, a primeira coisa que falei pro meu marido foi isso: “olha como essas janelas são boas, você lembra quando a gente passava mais frio dentro de casa do que fora?”

O que para muitos pode ser pouco, para mim e para o meu marido, temos o que nunca tivemos até então.

Dizem que a gente se acostuma com coisas boas. Eu não me acostumo. Eu sempre lembro de onde eu vim e onde estou hoje. Eu sempre lembro do caminho que trilhei.

Lembrar que tudo poderia ser muito pior

Eu poderia ter começado a investir mais cedo. Poderia. Mas poderia não ter começado até hoje.

Eu poderia ter um trabalho melhor. Poderia. Mas poderia também não ter emprego.

Eu poderia não ter saúde…

E quando penso assim, tudo fica bem.

O prazer de viver a jornada FIRE

A jornada FIRE tem sido como uma construção de uma ponte. A cada etapa concluída, uma conquista. A cada conquista, a sensação de tranquilidade aumenta, aumenta a paz e a serenidade por saber que será uma questão de tempo alcançar a aposentadoria antecipada.

Posso dizer que vivo uma jornada FIRE de forma leve, divertida, sem precisar deixar os pequenos e médios sonhos para depois.

~ Yuka ~

Como eu crio um Banco do Tempo

people walking on the road during day time
Photo by: @curtismacnewton

Hoje vou compartilhar um pouco o que eu tenho feito para criar um Banco do Tempo.

Deixe-me explicar o que seria Banco do Tempo.

Os bancos guardam dinheiro, certo? Então eu tento usar esse mesmo raciocínio e guardar Tempo.

E como faço isso?

1.) Eliminando tarefas

Quando estou para comprar algo, eu não costumo fazer perguntas clássicas, se é caro, se vale a pena, se eu posso comprar, se eu mereço. Eu sempre pergunto se aquilo que estou prestes a levar para a minha casa trará mais trabalho para mim.

Eu parei de passar roupas, mas não quero andar com roupa amassada. Então hoje praticamente todas as minhas roupas são de um tecido que não amassa.

Não quero ter o trabalho de tirar travesseiros da cama na hora de dormir, então parei de ter aquelas camas saídas de catálogo de enxoval de cama. Estou para trocar meu edredom, já que não consigo lava-lo na minha máquina de lavar roupa e preciso levar para a lavanderia. Aliás, não tenho tapetes em casa, pelo mesmo motivo.

Tirar poeira em casa é algo que não tem fim. Então eu aderi ao criado-mudo suspenso, para não me preocupar com a poeira que acumulava atrás. Minha bancada do escritório também é suspensa, vocês não imaginam como é mais fácil de limpar. Não tenho muitos itens decorativos espalhados pela casa, já que ter superfícies lisas permite que eu tire pó das cômodas rapidamente.

Parei de usar luminárias de teto de vidro, porque acumulavam insetos e ainda tinha nojo de limpar. Agora uso uma luminária estilo plafon, que só é preciso colocar o soquete da lâmpada e pronto.

Eu e meu marido também fugimos ao máximo ter um carro. Eu já tive carro, e tinha que levar para lavar, tinha que balancear as rodas do carro, checar o óleo, encher o tanque, boletos pra pagar, ouvia um barulho estranho e levava para o mecânico, quando parava o carro na rua tinha dificuldade de lembrar onde eu tinha estacionado (já perdi o carro no estacionamento do shopping, pois não lembrava em que andar tinha estacionado), enfim, hoje, prefiro pagar um Uber e me livrar de todas estas preocupações.

2.) Respeito a minha disposição do dia

Tem dias que eu estou inspirada a estudar. Então aproveito e estudo bastante. Tem dias que estou a louca da organização, então começo a organizar tudo que vejo pela minha frente, desapego de itens, faço doação, etc. Tem dias que estou inspirada para escrever, então aproveito para escrever uns 5 posts de uma vez para o blog. Faço isso porque eu entendi que não adianta forçar algo, se a vontade não vem. Ao invés de ficar horas tentando escrever algo sem vontade, prefiro escrever vários posts de uma vez quando estou inspirada.

Esse, inclusive, é o segredo do meu blog ter posts semanalmente, sem falta, por 7 anos. Ter posts semanalmente não significa que eu escreva toda semana. A periodicidade depende da minha vontade. O blog não é uma obrigação para mim, é algo que tenho prazer. E esse prazer vem justamente por não ser obrigação. Já tive períodos em que eu simplesmente fiquei uns 4 meses sem escrever absolutamente nada. Estava enjoada de escrever, mas graças aos posts agendados, toda semana pingava post novo, e ninguém nem percebeu que eu estava de pernas para o ar rs.

Respeitar a disposição permite que eu desacelere quando não estou com vontade de fazer nada.

3.) Duplicando receitas

Quando faço algumas receitas, eu tenho o costume de duplicar, até mesmo triplicar a receita e congelar. O tempo de preparação é o mesmo, o trabalho também é praticamente o mesmo, só que isso me libera de ter que ir para a cozinha preparar algumas receitas que eu já poderia ter estocado no freezer. Isso elimina o trabalho da preparação, lavar a louça e tudo mais.

  • Molho de tomate caseiro: que serve depois para usar como molho de pizza, molho para macarrão.
  • Caldo de legumes caseiro: para sopa, para cozinhar feijão, para fazer um risoto.
  • Pão de queijo: quando faço, já enrolo vários e deixo congelado
  • Cookies: faço a mesma coisa
  • Coco fresco ralado: eu costumo levar para o forno uns 3 cocos para rachar. E depois corto em cubos e também ralo. Depois vira recheio de bombom, recheio de tapioca, doce de coco…
  • Queijo muçarela ralada: é muito versátil ter um pacote (grande) de queijo muçarela ralada.
  • Pratos prontos: lasanha, quibe recheado, nhoque, feijoada, almôndegas, pão
  • Pratos quase prontos: salmão em fatias (para virar sashimi, sushi), risoles, coxinha, etc.

Meu freezer é como se fosse a cartola do mágico. Sai de tudo.

4.) Fazendo 2 coisas ao mesmo tempo

Gosto de fazer coisas mecânicas (como caminhada, limpeza da casa) ouvindo algum podcast ou vídeo. Assim, me atualizo enquanto me mantenho ocupada.

  • Ouvir podcasts enquanto me preparo para ir ao trabalho ou enquanto arrumo a casa
  • Rever a lista de tarefas enquanto espero na fila do supermercado
  • Mandar mensagens para os amigos enquanto aguardo o médico no consultório

5.) Uso a internet ao meu favor

Eu sempre tive o costume de fazer compras pela internet por 2 motivos: não gastar o tempo de ir e vir, e também não precisar carregar peso.

6.) Tenha uma lista de tarefas e de compras

Toda vez que preciso sair de casa, passo o olho nessas 2 listas: Lista de Tarefas / Lista de Compras.

Exemplo do que coloco na Lista de Tarefas:

  • passar na farmácia de manipulação para buscar remédio
  • passar nos Correios e despachar pacote

Exemplo do que coloco na Lista de Compras:

  • papelaria: lápis de cor
  • loja de construção: feltro no pé do sofá; prateleira de vidro

Se estou pensando em ir no supermercado, posso aproveitar para passar na farmácia e na papelaria, já que fica no caminho. Se vou nos Correios, vejo se há algo mais que possa fazer para aproveitar a viagem. E com isso, economizo tempo, pois não preciso sair 2 ou 3 vezes de casa para percorrer o mesmo caminho.

E assim, aos poucos, vou alimentando o meu Banco do Tempo para ter tempo para o que realmente importa.

~ Yuka ~

O que é essencial nos tempos de pandemia?

all we need is love. and food. and water. and shelter.

Eu publiquei esta imagem no meu primeiro post, em agosto de 2013.

Ultimamente, tenho feito a mesma pergunta que me fez criar o blog há exatos 7 anos:

“O que é essencial?”

Já estamos em setembro e eu sei que a sensação é de estagnação e que o ano de 2020 simplesmente parou. Estamos presenciando uma tragédia nacional, com os números de mortos aumentando e sem uma vacina para ser produzida e distribuída em grande escala.

Depois de passar mais de 170 dias em casa, posso dizer que já senti todo o tipo de sentimento. Mas uma coisa é fato, a nossa vida não pode parar.

Cada um tem a sua realidade, e seus monstros internos para enfrentar.

Nessas horas, o que acaba se tornando o essencial?

Para mim, são 2 coisas: cuidar da saúde (mental, física e social) e viver intensamente baseado na realidade que temos hoje.

É viver para não se arrepender.

Já comentei isso diversas vezes aqui no blog, e continuo repetindo. Viver intensamente, para mim, não é morar em mansão, nem ter um jatinho particular. É algo simples, tão singelo, que se não prestarmos atenção, é capaz de passar despercebido.

Eu mudei de casa em plena pandemia, porque não queria deixar para depois algumas coisas. Eu não queria deixar minha vida parada, desejando por algo que nunca vai acontecer. Eu não queria me arrepender.

Lembro quando me divorciei do meu primeiro marido, a maior dor que senti não foi do divórcio propriamente dito, mas de todos os sonhos que tínhamos planejado e que não seriam mais concretizados. Isso sim doeu.

Desde então, eu entendi que é melhor se arrepender e voltar atrás, do que não fazer absolutamente nada.

Viver intensamente é cuidar da família, cuidar bem dos pais, demonstrar amor para as pessoas que temos carinho, conversar com os amigos, cuidar do lar, ter auto-cuidado, agradecer pelas coisas que já temos, valorizar o simples.

Tudo isso se resume a uma única palavra: amor.

Eu sempre achei que o amor deveria ser a base que sustenta todo o resto que vem depois, de que o que nós mais precisamos é de amor.

Isso sim, é o ESSENCIAL.

~ Yuka ~

Estou saindo de São Paulo. Viva!

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Crédito da foto: Gabriel Ramos
@gabrieluizramos

Hoje quero compartilhar uma notícia com vocês… estou saindo de São Paulo.

Não, diferente da Sempre Sábado, não pedi demissão do meu emprego rsrs.

Então já devem imaginar que a cidade escolhida é relativamente próxima de São Paulo, pois apesar de hoje trabalhar remotamente por conta da pandemia, ainda acredito que um dia voltaremos a normalidade e trabalhar de forma presencial. Pelo menos é assim que quero acreditar.

Esse momento em que nos encontramos atualmente, acabou trazendo muitas reflexões para mim e para o meu marido.

Meu marido sempre teve vontade de sair de São Paulo. Desistiu de morar no exterior por minha causa. Desistiu de propostas de emprego em outros estados por minha causa. Mas quando ele citou uma determinada cidade, algo acendeu dentro da minha cabeça e surgiu a pergunta:

“Por que não?”

A cidade é próxima de São Paulo, minha mãe ainda conseguiria ver com frequência as netas, eu poderia continuar no meu trabalho, meu marido ficaria muito feliz, minhas filhas teriam mais qualidade de vida, praças e parques à disposição, uma cidade menor facilitaria inclusive a minha vida, já que poderia levar as crianças a pé para a escola, para a casa das amigas, passeios à lazer.

Inclusive, é uma cidade em que eu seria muito feliz sendo FIRE.

Conversamos sobre prioridades, do que era importante para nós.

Dei início à muita, muita pesquisa. Passei dias, semanas e meses verificando a viabilidade dessa mudança de cidade, afinal, mudar sozinha é uma coisa, mudar com a família é outra responsabilidade. Calculei rotas, distância para o trabalho, opções de condução, preço dos imóveis, qualidade e localização das escolas, taxa de criminalidade, a escolha do melhor bairro para quem não tem carro (porque ainda pretendo não ter um), a estrutura do bairro e o que ele proporciona em relação a qualidade de vida… e depois de tantas perguntas respondidas, finalmente, com frio na barriga, decidimos sair de São Paulo.

Decidido o bairro, olhei no Google Maps todos os serviços que costumo utilizar: supermercados, feiras de rua, farmácias 24 horas, locadoras de carros, academias, padarias, lojas de jardinagem, papelarias, hospitais, parques e praças, tudo que possa ser útil no meu dia-a-dia.

Após conhecer os principais serviços do bairro, gosto de morar bem no meio de todas as coisas que eu preciso, porque desta forma, tudo será perto da minha futura residência. Basicamente, coloco meu dedo no mapa e digo assim “vou morar exatamente aqui”. E com isso, tenho de 2 a 3 nomes de ruas específicas que desejo morar.

Depois que aprendi esse meu jeito particular de escolher imóveis, eu nunca mais escolhi um lugar para morar de forma aleatória. Eu não escolho minha casa por causa do prédio, se tem varanda gourmet ou academia. O meu principal critério sempre foi a localização.

Somente depois de escolher a rua (e em muitos casos, tenho nome da rua, e a quadra que quero morar), que inicio o monitoramento de oportunidades em sites de imobiliárias. Ou seja, quando vou buscar um imóvel, já conheço bem as ruas do bairro e sei inclusive o nome da rua que quero morar.

Tudo aconteceu muito rápido. Encontrei um imóvel bem na rua que queríamos morar, exatamente na quadra que desejávamos, com um valor abaixo do que esperávamos pagar. Em menos de 1 mês, tudo estava acertado, essa é a vantagem de morar de aluguel.

O meu futuro apartamento tem uma pequena varanda com vista livre, bate sol de manhã e à tarde, fica em uma rua bastante tranquila em um bairro muito, muito bem localizado.

Para quem acha que bairro bom, costuma ser caro, acertou. Daí a importância de não ficar acumulando tralhas dentro de casa. Imagine ao invés de alugar um apartamento de 100m2, alugar um de 60m2. Sai bem mais em conta.

Apesar da família ter dobrado de tamanho (antes era eu e meu marido, hoje somos em 4 pessoas) a cada mudança, o tamanho do caminhão que contratamos vai diminuindo.

Aliás, o tamanho da casa também tem diminuído. Antes eu morava em um apartamento que possuía quintal, num total de 120m2. Depois morei em um apartamento de 85m2. Hoje moro em um apartamento de 70m2. E apesar da imobiliária ter informado que o meu próximo apartamento tem 70m2, desconfiei que ele era menor, e levei uma trena para medir. Sim, ele tem 60m2.

Tendo menos coisas, conseguimos morar em um apartamento do tamanho da nossa real necessidade. Nem mais, nem menos. Não precisamos de um quarto extra para armazenar as tralhas, nem de uma cozinha grande, pois teremos somente o necessário. Isso significa que é possível morar em um apartamento menor do que a maioria das pessoas que possuem muitas tralhas. Se o apartamento é menor, paga-se menos pelo aluguel, menos pelo condomínio, menos energia (pois usamos lâmpadas de menor potência), menos móveis, menos produtos de limpeza, menos tempo limpando e arrumando a casa.

Durante alguns meses, enfrentaremos o período de transição, já que minhas filhas ainda frequentarão a creche de São Paulo (e não quero abrir mão, já que a creche é maravilhosa), mas assim que elas forem entrando no ensino fundamental, sei que as coisas vão se tornar cada vez mais fáceis, já que a tendência será concentrar tudo na cidade em que moraremos.

Com um sentimento de profunda gratidão, deixo meu apartamento em São Paulo. Guardarei ótimas lembranças desse período, pois fui muito feliz.

Na minha nova cidade, vou continuar fazendo tudo a pé. E é desta forma que eu consigo desacelerar o ritmo da cidade, aliando qualidade de vida e localização estratégica, pois já faz um tempo que eu percebi que a cidade desacelera quando a moradia tem localização estratégica.

Encerro este post com uma frase do marido:

Nós não seremos felizes no novo apartamento.

Nós CONTINUAREMOS sendo felizes no novo apartamento.

~ Yuka ~

Por que é tão complicado viver uma vida simples?

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Viver uma vida simples vai se tornando um desafio a cada dia.

Mas por quê?

Porque temos a ingrata mania de complicar (e ainda achar que a culpa é do outro). Ponto.

Há 2 pontos que considero cruciais:

  • se importar com julgamento de terceiros
  • acúmulo de objetos/obrigações

Se importar com julgamento de terceiros

Claro que por vivermos em comunidade, imitamos o que os outros fazem para nos sentirmos incluídos. As indústrias/empresas/pessoas sabem muito bem disso e investem pesado em propaganda e marketing.

Consumimos para não sermos julgados. Usamos as roupas da moda, o relógio do momento, o celular recém-lançado, frequentamos os locais badalados e por aí vai.

Queremos mostrar para pessoas como somos felizes. Aliás, não queremos mostrar, queremos provar que somos felizes. Não basta mais se divertir em silêncio, queremos mostrar para os outros o quanto estamos e conseguimos ser felizes.

O jantarzinho do fim-de-semana se transforma em um super jantar romântico nas redes sociais. Aquela viagem para a praia num dia nublado se transforma praticamente numa praia do Caribe com a ajuda de aplicativos de edição. Ao invés de prestar atenção na comida do restaurante, a maior preocupação se tornou em tirar a foto perfeita, do melhor ângulo e iluminação para publicar em alguma rede social, e receber meia dúzia de curtidas.

Conheço pessoas que moravam perto do trabalho, e inventaram de comprar um imóvel em um bairro longe do trabalho, pois era o único local que dava para financiar. Pronto. Agora faz um trajeto de 1 hora a 1 hora e meia todos os dias, amassado dentro do transporte público. Ida e volta são 3 horas no trânsito, sendo que antes trabalhava tão perto. A pessoa chega cansada em casa, sem vontade de conversar, o humor muda, o dia já não é tão colorido como antes.

Agora com a pandemia, a renda encolhendo e vendo os amigos próximos perdendo emprego, surge a dúvida em relação àquele financiamento que parecia um negócio da China: “será que vou conseguir honrar as dívidas?”

As pessoas compram as coisas sem avaliar direito o seu uso…. compram um carro potente para andar nas ruas congestionadas de São Paulo; compram um apartamento de 3 dormitórios sendo que mora sozinho; aliás, moram em um condomínio que tem churrasqueira, piscina, academia, sauna, salão de festas, brinquedoteca, que você paga mensalmente para os outros usarem, mas você mesmo, usa pouco. Pagam uma academia com plano completo, sendo que usam somente a esteira para correr; equipam a cozinha toda, mas comem fora todos os dias.

E por se importar tanto com julgamento alheio e vivendo de aparências, se afasta do que é mais importante: da sua própria essência.

Acúmulo de objetos/obrigações

Sabe aquele quadro inocente que você comprou para decorar a casa? Parabéns, agora terá que tirar a poeira de tempos em tempos.

Sabe aquela roupa que você comprou sem pensar? Nem pensou direito se o tecido amassava ou não, e agora terá que passar as roupas, se quiser usa-la.

E aquele terno que você comprou para ir no casamento da sua prima? Agora terá que levar para a lavanderia pelo menos 1 vez por ano para oxigenar o tecido, se não quiser vê-lo manchado.

Aquele bibelô decorativo que comprou numa das viagens, parecia tão inofensivo, agora ele ocupa um espaço da mesa lateral do seu sofá, acumulando poeira junto com outros souvenirs. Já pensou como seria mais fácil limpar a mesa se a superfície estivesse desocupada?

E de item a item, coisas por coisas, as obrigações vão aumentando, até ter uma estafa mental.

Se você tem um relógio de parede que ganhou da sua vó, e toda vez que olha para o relógio lembra com muito carinho dela, vai fazer questão de tirar a poeira, e “perder” tempo cuidando do item.

Perceba que o problema não é ter as coisas, mas ter sem saber o motivo. Ficar tirando poeira de quadros sem sentido, de bibelôs sem significado, e de coisas em coisas, a gente acaba ocupando todo o nosso precioso tempo com essas coisas que não tem nenhum valor para a nossa vida.

E aí quando a gente percebe como a vida está preenchida com coisas que não valem a pena, até ficamos tentados em voltar atrás, e morar naquele bairro mais simples, alugar um apartamento menor, voltar a andar de transporte público e usar roupas de marcas populares. Mas o primeiro pensamento que vem é “mas o que os outros vão pensar de mim?”

É pensando nos outros que a nossa vida vai ficando cada vez mais complicada. São as nossas escolhas que torna a vida mais fácil ou mais difícil.

O André, do Viagem Lenta, já destacou em um post, o trecho do livro “Aquilo que realmente importa” que ele leu e que fez muito sentido:

Eu sempre gostei de pensar que quando a gente vem à vida recebe uma estrada desconhecida à frente e uma mala de viagem. E, exatamente por isso, é muito fácil acreditar que o objetivo de estarmos aqui é encher a mala ao máximo, como se isso fosse a prova irrefutável de que a viagem foi um sucesso.

Assim passamos a jornada nos preocupando em acumular posses e, percebemos aflitos que a mala nunca fica cheia o bastante. Então continuamos insistindo e a enchendo mais e mais e não notamos que com isso ela vai se tornando cada vez mais pesada e difícil de carregar. Quando nos damos conta, estamos a arrastando pelo caminho e perguntando por qual razão estamos tão cansados.

A verdade é que há um truque nessa mala: no final da estrada, descobrimos que ela não segue viagem conosco. A gente pode tentar preenchê-la com o que quiser, mas quando acaba a temporada aqui, tudo o que podemos levar é o resultado de nossas ações. A gente só leva da viagem a consciência da viagem que se fez. Todo o resto fica. A mala não é o objetivo, a estrada o é. Você pode aproveitar o caminho, ou se arrastar por ele. É uma questão de escolha.

Quem tiver interesse em ler o post do André que aborda um pouco sobre o livro, clique aqui.

Gostaria de convidar a leitura de um post do Aposente Cedo, sobre a sua experiência em relação aos excessos: Maximalismo: da quitinete à mansão. O post relata a impressionante capacidade dele e de sua esposa de reconhecer excessos e dar um passo para trás por um objetivo maior: a liberdade.

~ Yuka ~

Voando abaixo do radar

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Que a felicidade incomoda, não é mais segredo para ninguém. Além da felicidade, o sucesso dos outros também incomoda muita gente.

Eu aprendi com o tempo a voar abaixo do radar.

Isso significa que aparento ser bem menos do que de fato eu sou, ou do que possuo.

Não converso sobre investimentos com os outros, às vezes alguém resolve me dar conselhos financeiros, e eu ouço-os com atenção, mesmo sendo bem ruins, eu tenho preferido demonstrar desconhecimento e desinteresse sobre o assunto.

Moro num apartamento alugado onde as pessoas do meu condomínio não fazem ideia do meu objetivo de sair fora do sistema. Apesar de eu adorar meu apartamento, ele é mais modesto quando comparo com os apartamentos dos meus amigos.

Uso roupas simples, de marcas aleatórias, ando de transporte público.

No meu ambiente de trabalho, interajo com pessoas conformadas em terem que trabalhar até os seus 70 anos. Quando alguns (ou todos?) começam a lamentar a vida dura, de ter que trabalhar até morrer, de que temos o dever de gastar todo nosso dinheiro para aproveitar um pouco dessa vida sem graça, meu amigo (que eu ensinei sobre a independência financeira e foi um dos pouquíssimos que resolveu embarcar na mesma jornada) costuma me chutar embaixo da mesa para eu falar algo, mas eu não digo nada.

Com muito custo, compreendi que o diferente ofende, e o que faço (buscar a aposentadoria antecipada), beira algo próximo à aberração. Para os olhos dos outros, poupar parte do meu salário para o meu futuro parece ser algo muito, muito errado. E esse julgamento, não vem apenas de colegas, mas de amigos e familiares próximos.

E com isso, parei de compartilhar conhecimentos e comecei a voar abaixo do radar para não chamar atenção das pessoas.

Em hipótese alguma eu deixo de estudar, adquirir novos conhecimentos, conhecer novas pessoas. Eu continuo evoluindo. Eu só não compartilho isso numa roda de conversa.

Tenho achado mais fácil acharem que sou um deles do que mostrar que estou trilhando um caminho diferente.

Meu marido adora isso. Ele diz que é como se vivêssemos em um mundo paralelo, um mundo secreto, onde só nós dois compartilhamos desse segredo.

“Mostre menos do que tem e fale menos do que sabe” ~ William Shakespeare ~

~ Yuka ~

O que você faz com as pedras do seu caminho?

Subir Ao Topo, Subir, Sucesso, Montanhismo, Montanha

Semana passada, uma leitora perguntou quais foram as estratégias que utilizei para mudar minha forma de pensar em relação a alguma coisa que eu queria muito.

Quando eu quero muito uma coisa, costumo pensar tudo de trás pra frente.

Eu penso como estarei e serei, no futuro.

E aí, como se eu estivesse rebobinando a fita (essa é para os antigos heim), vou voltando no tempo até chegar nos dias de hoje.

No caso da Aposentadoria Antecipada, depois que minha primeira filha nasceu, eu descobri o quanto queria ficar perto dela, mas não podia, pois tinha que trabalhar para pagar as minhas contas. Uma coisa óbvia, mas que me fez perceber o quanto eu não era livre como costumava achar. Depois de fazer diversas buscas pela internet, descobri a comunidade FIRE (Financial Independence Retire Early) e eu decidi um limite de idade para aposentar antecipadamente.

Por ter descoberto isso somente depois de me tornar mãe, não poderia parar de trabalhar enquanto elas fossem pequenas, mas saber que era possível parar de trabalhar muito antes da maioria das pessoas me animou muito. Tentei imaginar qual seria uma renda ideal, e assim, estabeleci um valor confortável para viver. Mas vocês sabem que sou muito prudente, e principalmente levando em conta que tenho 2 crianças em idade escolar, achei mais seguro dobrar esse valor. Num cenário com muita folga (vamos chamar de cenário pessimista: aportes baixos, juros baixos), eu poderia me aposentar quando minhas filhas tivessem 16 e 14 anos de idade.

Com o valor mensal (dobrado) desejado na cabeça, fiz o cálculo da Taxa Segura de Retirada de 4% para saber o montante total do patrimônio que eu deveria juntar. Quem tiver dúvida sobre esse cálculo, consulte aqui o artigo do Aposente-se aos 40.

Já ciente do valor do patrimônio total, peguei uma calculadora de juros compostos e fui ajustando as variáveis: 1.) o valor do patrimônio que eu já possuía, 2.) do tempo que eu tinha até a aposentadoria antecipada, 3.) a rentabilidade estipulada, e finalmente, 4.) os valores dos aportes.

Com isso, descobri qual era o valor que eu precisava aportar todos os meses, se eu quisesse aposentar mais cedo. Fui fazendo as contas até chegar dentro dos meus padrões orçamentários. Já com o projeto em andamento, meu papel era eliminar excessos e desperdícios, além de aumentar os aportes para antecipar a data da aposentadoria.

Algo parecido se repete nas outras áreas da minha vida, já escrevi sobre isso no aspecto pessoal: “Como trazer seu futuro para o presente“.

Quando sei onde quero chegar (futuro), não é difícil voltar no tempo até os dias de hoje (presente) para avaliar o que estou fazendo de errado. Assim, tenho tempo suficiente para corrigir minhas atitudes de hoje, para que o meu futuro se torne algo bem próximo do que imagino.

Se há algo que me incomoda e não mudo, meu futuro será uma bola de neve das atitudes não tomadas de hoje. E há uma grande pergunta que joga toda responsabilidade em mim:

“O que estou fazendo hoje para sair desta situação?”

Há 2 anos, publiquei um post com esse título exato: “O que você está fazendo hoje para sair desta situação?“.

Enquanto a resposta for “Nada” eu entendo que não tenho o direito de reclamar, porque não estou fazendo nada para sair daquela situação.

Outra coisa legal de se fazer é fatiar as grandes tarefas em tarefas minúsculas, tão pequenas que são fáceis de serem executadas.

Ou seja, é difícil pensar em algo grandioso como a independência financeira, mas não vamos esquecer que para isso acontecer, precisamos começar com o primeiro 1 real.

Pra mim, são como tijolinhos, um por um, vou assentando, sabendo que uma hora a minha “construção” estará pronta. Com as tarefas é a mesma coisa. Sei que no final de todas as tarefas pequenas executadas, provavelmente, terei grande chance de ter conseguido o que eu quero.

Quem tiver interesse, também já escrevi sobre isso: “Como um sonho pode sair do papel“.

Temos que usar os nossos erros (e os erros dos outros) como uma grande escola. Ter a capacidade de reconhecer os próprios erros e principalmente, ter a humildade para desaprender algo que aprendemos errado.

A dor e a raiva que sentimos podem ser transformadas em várias coisas, uma delas é ressignificar o sentimento ruim e usar como uma mola propulsora. Foi por querer fugir da violência sofrida em casa pela minha própria irmã que eu passei em uma universidade pública em outra cidade. Foi por não querer continuar mais no trabalho em que estava, que eu passei num concurso público concorrido. Foi por causa do meu divórcio que meu segundo casamento está sendo encarado de outra forma. Foi por querer ficar mais tempo com as minhas filhas que eu decidi pela independência financeira.

Os dias difíceis podem se tornar um combustível. Somos forçados a mudar, a ter mais garra, nos tornamos mais fortes, nor tornamos maiores.

Claro que tem muita gente que consegue fazer coisas fantásticas sem passar por dificuldades. Mas no meu caso em particular, as dores foram essenciais para o meu crescimento.

A gente sabe que a vida é um eterno recomeçar e que viver é um desafio. Pedras pequenas e pedras grandes fazem parte do nosso dia-a-dia. Claro que o caminho que seguimos bem que poderia ser mais reto, sem tantas curvas. Mas é o caminho que temos e podemos aprender muito com ele.

Podemos lamentar e reclamar. Ou podemos aceitar os erros, transformá-los em grandes aprendizados e por fim, ter orgulho do caminho que percorremos e da pessoa que nos tornamos.

~ Yuka ~

Minimalismo: a nossa vida real nada instagramável

instagram

Crédito da foto: Chompoo Baritone

“A nossa vida minimalista funciona bem para um Blog, mas não funcionaria para o Instagram.” Quem disse essa frase foi o meu marido.

Concordo 1.000%.

É muito legal ler que as nossas crianças usam roupas de segunda mão, mas quantos pais aceitariam que seus queridos filhos usassem roupas usadas? Minha prima e minha amiga dão as roupinhas para as minhas filhas. A minha filha é a terceira criança a usar a roupa, e a mais nova é a quarta criança, então já dá pra imaginar que as roupas não são tão novas.

Em um domingo de tarde, a única coisa que consigo prestar atenção é no cheiro do pão caseiro que está para sair do forno. Mas quantas pessoas se sentiriam satisfeitas com essa vida pacata? Será que muitas não prefeririam estar em um local mais estiloso?

É muito bom não ter carro, mas isso significa que nos dias de chuvas torrenciais, levamos as crianças para a escola de guarda-chuva e capa. Obviamente, chegamos ensopadas. E por isso mesmo, levamos peças extras para elas se trocarem na escola.

Falar que vai fazer uma festa simples em casa, significa pedir coxinha em cima da hora, fazer um bolo estilo vovó, pedir pro marido encher a bexiga, e cantar parabéns de forma desengonçada. Eu particularmente, acho isso o máximo. Adoro as fotos da minha família. Olhar as fotos (não só) das festinhas das minhas filhas é muito engraçado e me divirto demais. Há foto onde a aniversariante está de pijama, mas com chapéu de aniversário. Em outras, só de calcinha, e não sei por qual motivo, com o vestido na mão (mas com chapéu de aniversário na cabeça rsrs). Já perdi as contas de quantas vezes vi os docinhos da mesa pela metade, porque simplesmente algumas mãozinhas “assaltaram” antes de eu conseguir tirar as fotos. Será que os pais sentiriam orgulho dessas fotos? Eu sinto.

É responder para os outros que não ganhou nada no dia dos namorados (sim, tem gente que ainda faz perguntas sem noção), e nem ter a mínima vontade de justificar, porque simplesmente não faz sentido pedir algo se não estou precisando de nada.

Dizer que tem um guarda-roupa enxuto, significa usar as mesmas roupas com uma certa frequência. Eu e meu marido conseguimos passar muito, mas muito tempo sem comprar roupas. Quantas pessoas aguentariam se olhar no espelho com praticamente o mesmo guarda-roupa por anos e anos?

A vida real é muito mais sem graça do que parece.

E é justamente esta vida da qual me orgulho muito: uma vida nada instagramável.

~ Yuka ~

FIRE: por que muitos não conseguem chegar lá?

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Já faz um tempo que assisti o documentário Playing with FIRE.

O documentário gira em torno do casal Scott e Taylor (e a filha de 2 anos) tentando se opor ao consumismo desenfreado e à vida padrão: ir para a faculdade, fazer empréstimo estudantil, comprar um carro, hipotecar uma casa, depois trocar o carro por um modelo mais novo, comprar várias coisas sem necessidade, trabalhar por 40 anos para pagar tudo que comprou, e torcer para conseguir se aposentar aos 65 anos de idade.

O documentário mostra o casal embarcando na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposente-se Cedo), e uma coisa que eu fiquei pensando enquanto assistia, era justamente o título que originou este post: “Por que muitos não conseguem chegar lá?”

Muitas pessoas (e aqui, estou falando de pessoas que recebem um salário razoável) não conseguem ser FIREs, porque se preocupam demais com as coisas que estão deixando para trás, das coisas que estão desistindo, do que estão abrindo mão, ao invés de pensar em todas as outras coisas boas que o FIRE proporciona.

No próprio documentário, é muito claro perceber isso. Taylor demonstrava a todo momento como as escolhas novas eram doloridas: a troca por um carro popular, a mudança da cidade, a escolha de uma casa mais modesta. A todo momento ela falava o quanto era difícil não ter o que queria, e era difícil não notar sua expressão de insatisfação.

Viver uma jornada FIRE desta forma, pensando sempre na escassez, é torturante. É viver sem viver de fato. É viver querendo ter outra vida. É viver querendo estar em outro lugar. E ninguém, ninguém aguentaria viver uma vida de privação por décadas.

Eu lido bem com a minha jornada FIRE, porque eu sei que não é uma jornada de privação, e sim uma jornada para a liberdade.

O segredo para uma jornada tranquila é encontrar o equilíbrio do quanto está disposto a abrir mão de certas coisas, sem prejudicar a qualidade de vida. Um exemplo? Que tal abrir mão de morar em um apartamento de 3 dormitórios e morar em um de 1 ou 2 dormitórios (principalmente se você não tiver filhos)? Ao invés de almoçar todos os dias em restaurantes, que tal cozinhar a própria comida durante a semana, e deixar os restaurantes para os fins-de-semana em companhia agradável dos amigos? Já pensou em comprar roupas melhores, e abandonar o fast-fashion para ter roupas mais duráveis, mas em menor quantidade? E se pudesse morar próximo do trabalho e abrir mão do carro? Até que não seria uma troca tão sofrida.

Há algumas coisas que considero importante para uma jornada FIRE mais tranquila:

  • Aprender a se divertir sem precisar gastar tanto dinheiro;
  • Descobrir a própria suficiência;
  • Compreender o que é essencial para parar de se comparar com o colega do lado;
  • Aprender a fazer escolhas inteligentes para aprender a gastar BEM o dinheiro, e não gastar MAIS dinheiro.

Todas as escolhas que fiz até hoje, não foram privações. Foram escolhas feitas de forma cuidadosa. E por isso mesmo, vivo um presente sem arrependimentos.

Quando estiver desanimado, lembre-se que a jornada FIRE é uma jornada para a liberdade.

~ Yuka ~

É possível ser feliz no casamento depois de 10 anos?

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Depois do meu primeiro casamento que culminou em divórcio e outro, onde me encontro feliz em um relacionamento de mais de 10 anos, comecei a listar uma fórmula pessoal para um relacionamento dar certo. Saliento que é apenas uma percepção minha, baseado na minha famosa teoria do nada rs.

Para um relacionamento dar certo, listo 7 tópicos essenciais:

1.) Auto-conhecimento

Uma coisa que é essencial para um relacionamento dar certo é o auto-conhecimento. De nada adianta começar um relacionamento com qualquer um, sem compreender o que queremos, e PRINCIPALMENTE, o que não queremos. Quando nos conhecemos melhor, passamos a não nos importar tanto com o outro, aprendemos a lidar com a solidão, a respeitar os nossos limites, as nossas vontades, e assim, finalmente, a ter amor-próprio.

Eu sempre soube o que eu não queria. Não queria um homem machista, um homem violento, agressivo. Nunca quis alguém que podasse minha forma de vestir, minha forma de falar, muito menos a minha forma de pensar. Eu sempre apreciei homens sensíveis, carinhosos, cuidadosos. Eu não queria assistir um filme e ficar sonhando com um homem romântico, e ter em casa um homem completamente diferente. E por saber e buscar isso, sempre fui muito bem cuidada nos meus namoros.

2.) Amor próprio

Você conhece pessoas que dizem que se amam, mas todo o comportamento é de quem não tem amor próprio? Há muitas pessoas assim. Terceirizam a felicidade para a outra pessoa, achando que a responsabilidade da própria felicidade é sempre do outro. Quem tem amor próprio, costuma gostar da própria companhia, do silêncio, aprecia a solidão, reconhece os próprios defeitos, não se anula para agradar a outra pessoa e principalmente, não aceita relacionamentos abusivos.

Outra coisa importante é escolher alguém que nos apoia. Parece uma coisa óbvia, mas é difícil encontrar alguém que nos apoia de fato. Encontrar alguém que extraia o nosso melhor, é melhor do que ganhar na loteria. Já contei pra vocês, que meu marido é essa pessoa. Ele fica jogando confete em mim, elogia, incentiva, mostra a todo momento que eu sou uma pessoa especial. Ele é a pessoa que tenta extrair o que eu tenho de melhor, e faz com que eu tente ser uma pessoa melhor a cada dia.

3.) Combinar nas “coisas grandes”

Geralmente, acabamos gostando de alguém por combinar nas coisas pequenas da vida: o tipo de filme que gostamos, o estilo musical da qual ouvimos mais, gêneros literários, hobbies parecidos e por aí vai.

Mas o que facilita uma união não são as coisas pequenas, e sim, sobre como pensamos e enxergamos a vida em relação às coisas grandes.

Imagine o conflito familiar onde uma das pessoas é a favor da educação pública, enquanto a outra é totalmente contra? O que aconteceria se um dos pais insistisse em colocar seu filho em uma escola pública? Ou quando uma pessoa acredita em Deus enquanto a outra é atéia e um dos pais quer batizar o filho?

Imagine o caos viver com uma pessoa completamente diferente nas ideologias? As opiniões iriam divergir a todo momento, gerando conflitos. Pense em outras questões importantes como política, religião, direitos sexuais, homofobia…

Eu e meu marido por exemplo, somos água e óleo nas coisas pequenas. Ele ouve heavy metal e eu música clássica; temos hobbies completamente diferentes, ele é apaixonado por bike, eu por artesanato; gosto de filmes leves enquanto ele ama filmes dramáticos. Eu gosto de ler livros de auto-desenvolvimento, enquanto ele lê livros sobre política. Ele ama doces, eu amo cítricos. Ele não gosta de comida japonesa… e bom, eu amo.

Mas em compensação, pensamos de forma muito parecida em relação às coisas grandes, nas coisas que importam.

Temos a mesma opinião em relação a política, a educação, a religião, aos direitos sexuais, a homofobia, ao racismo e outros assuntos que podem ser considerados polêmicos.

Não estou falando que temos que nos relacionar com pessoas iguais a nós. Longe de mim. Mas se relacionar com pessoas que tenham os mesmos princípios éticos, religiosos, morais e sociais facilita e muito, principalmente quando o casal tem filhos.

Talvez esse seja um dos motivos que mesmo após 10 anos juntos, nossa vida seja harmoniosa e pacífica, mesmo sem grandes esforços. Eu mudei muito e ele também (vamos chamar isso de evolução pessoal), mas ainda pensamos de forma muito similar nas coisas que importam.

4.) Saber que nenhum relacionamento começa pronto

Esse é outro ponto, pessoas querem relacionamentos prontos. E isso não existe. Existe o que eu chamo de lapidação do relacionamento. Um abre mão aqui, o outro abre mão ali, e com isso o relacionamento vai se moldando de acordo com a tolerância do outro. Há coisas que eu não abri mão, da mesma forma que ele também não abriu mão. Mas há outras inúmeras coisas que abrimos mão, para não magoar o outro, mas sem desrespeitar os nossos limites.

5.) Reconhecer que o relacionamento nunca estará pronto

Sim. Nunca.

Porque somos pessoas em evolução e mudança constante. Aquela pessoa que meu marido conheceu há 10 anos, não existe mais, pois se transformou em outra. E é fundamental ter essa noção de que pessoas se transformam.

De tempos em tempos, nós temos ajustes no relacionamento, no comportamento do outro, o que continuamos gostando, o que passamos a não gostar, o que podemos fazer de diferente, o que mudou para melhor, o que mudou para pior. E por várias vezes, percebemos que se não tivéssemos feito aquele ajuste fino naquele período, nosso relacionamento seria muito diferente hoje.

6.) Conhecer a linguagem do amor do parceiro

Eu conheci o livro As 5 linguagens do amor (do Gary Chapman) e posso dizer que mudou a minha forma de enxergar as pessoas. Segundo o autor, há 5 linguagens do amor:

  • Palavras de afirmação
  • Qualidade de tempo
  • Presentes
  • Gestos de serviço
  • Toque físico

Há relacionamentos que terminam, porque os casais falam linguagens diferentes e não conseguem falar a linguagem do outro. Enquanto para um, a linguagem do amor são “presentes”, para o outro pode ser “qualidade de tempo”. Então se uma pessoa compra diversos presentes e mimos para a outra (porque a sua forma de demonstrar amor é comprando presentes), mas a linguagem do amor da outra seja outra, ela não consegue transmitir todo o seu amor, porque os dois estão falando linguagens diferentes. Ambos ficam frustrados, pois não percebem a intenção do outro.

Por coincidência, eu e meu marido falamos a mesma linguagem do amor: qualidade de tempo. Aí vocês começam a entender, porque valorizamos tanto o nosso cafés-da-noite, nosso vale-night etc. São nesses momentos que conseguimos encontrar tempo para sentar e conversar sobre as coisas da nossa vida, assistir um filme, sonhar juntos, alinhar nosso futuro. Já perdi as contas de quantas vezes ficamos conversando até às 3 horas da madrugada, simplesmente porque perdemos a hora conversando. É nesse momento que abastecemos o nosso tanque do amor, porque estamos falando a mesma linguagem do nosso amor: tempo de qualidade.

7.) Amar é uma decisão diária

Isso significa que o relacionamento não pode ser deixado de lado. É preciso cuidar, respeitar, amar, ouvir, e principalmente, prestar atenção no outro.

Quando paramos de prestar atenção no outro, paramos de ouvir, paramos de cuidar. Com o tempo paramos de respeitar, e finalmente, paramos de amar.

É necessário esforço para o relacionamento dar certo, tirar lições de cada discussão, entender que estão juntos por uma decisão, e não por falta de opção. E essa determinação para dedicar tempo e amor ao casamento é uma decisão que foi tomada há alguns anos, então que seja feita da melhor forma. Amar é uma decisão diária.

E é isso.

Então quando alguém me pergunta como é possível ser feliz em um casamento após 10 anos de relacionamento (com 2 crianças que tentam interromper nossa conversa a cada 2 minutos), é tudo o que tenho para falar: “tenho 7 tópicos importantes para compartilhar com você”.

~ Yuka ~

Maquiagem minimalista: 7 itens

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O post de hoje é pra compartilhar como anda a minha necessáire.

Atualmente, tenho apenas 7 itens, que pra mim, são indispensáveis.

Item 1.) Base BB Cream da Missha

A minha pele é boa, então não preciso de uma base com cobertura pesada. Essa base de origem coreana, fica muito boa na minha pele oriental, além de ter FPS 42. Já perdi as contas de quantos tubos usei, pois toda vez que termina, compro outro para repor.

Item 2.) Estojo de Sombras da Urban Decay

Naked2 Basics Eyeshadow Palette | Urban decay naked2, Naked2 ...

Conheci essa marca quando viajei para o exterior, e desde então, tem sido uma das minhas queridinhas.

Item 3.) Delineador Kat von D

Foto 1 - Delineador Tattoo Liner Kat Von D

Meu olho oriental, não tem dobrinhas. Isso significa que praticamente todos os delineadores borram nos meus olhos. Menos esse. Esse é maravilhoso, além de ser super fácil a aplicação.

Item 4.) Lápis de olho da Urban Decay

24/7 Glide-on Eye Pencil - Urban Decay — beauty terapia

Da mesma forma que a maioria dos delineadores borram nos meus olhos, não posso usar qualquer lápis preto. Uso os da Urban Decay 24/7 há anos.

Item 5.) Blush da MAC

Já tive muitos blushes desta marca, mas atualmente, apenas um é o suficiente para mim.

Item 6 e 7.) Dois batons da MAC

mac

Até descobrir esta marca, não usava batons, porque não gostava da textura. A MAC possui textura matte que eu adoro.

Como podem perceber, minha maquiagem é o mais leve e natural possível. Nada de pele com cobertura pesada ou olhos carregados.

~ Yuka ~

Os (meus) passos fundamentais para alcançar a Independência Financeira

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Eu sei que não há um caminho único para alcançar a Independência Financeira, pois cada um tem a sua fórmula e a sua própria realidade.

Hoje vou compartilhar os passos que eu tenho trilhado. São pequenas decisões, que foram e estão sendo fundamentais na minha jornada FIRE.

Minimalismo como filosofia de vida

O minimalismo permite inicialmente o destralhe de objetos sem uso como roupas, itens de cozinha, acessórios etc. Só que aos poucos, é possível compreender que o minimalismo permite o auto-conhecimento. Viver com menos não significa viver passando vontade, nem passando necessidade. Viver com menos significa viver com aquilo que é importante, eliminando tudo aquilo que não tem importância.

Descobre-se a suficiência, a viver baseando-se na própria régua, e não mais na régua dos outros, passando então a fazer escolhas acertadas, e gastos inteligentes.

Não ficar chorando pelo leite derramado

Eu também não sabia investir. Eu também já gastei muito dinheiro em coisa inútil e fútil. Não comecei a investir tão cedo como gostaria, perdi dinheiro cometendo vários erros.

Mas enfim, ao invés de ficar lamentando as perdas, é muito melhor assumir as besteiras que fez, levantar, superar os erros e seguir em frente.

Rever todos, TODOS os gastos

A revisão de todos os gastos foi algo muito importante para mim. Fazer a revisão dos gastos desde habitação, transporte, alimentação, educação, vestuário fez uma diferença enorme no meu orçamento.

Rever os gastos baseando nas coisas que eu achava importante,  significou fazer diferente do que a maioria fazia.

A maioria tem assinatura de TV a cabo, a maioria tem pacotes de planos de celular, a maioria tem imóvel próprio, carro na garagem, casa reformada, alguém para limpar a casa, a maioria que trabalha em escritório come em restaurantes na hora do almoço, compra roupas com frequência, viaja mesmo sem dinheiro, vive fazendo dívidas.

O que me ajudou a não comparar com as pessoas que eu conhecia, foi lembrar que a maioria está presa na corrida dos ratos. De que nós temos objetivos diferentes.

Não subestimar valores pequenos

Em vários sites e principalmente nos canais de finanças do YouTube, vejo pessoas falando para subestimar valores pequenos como o cafezinho. De que ninguém fica rico cortando cafezinho. Eu discordo. Na minha opinião, principalmente para quem está começando, avaliar todos os gastos supérfluos faz muita diferença.

Eu poupava a diferença da conta de luz, o dinheiro que achava no bolso do casaco, o décimo terceiro, a restituição do imposto de renda, a água que não comprava na rua por levar uma garrafa na bolsa e por aí vai.

Fazer isso fez muita, mas muita diferença. Eu entendi que cortando cafezinho, parando de comprar roupas todos os meses, e cortando todos os outros gastos que nem eram tão importantes para mim, permitia por exemplo, uma viagem internacional por ano. Ou seja, conseguia poupar boa parte do meu salário, sem precisar cortar o que mais gostava de fazer, que era viajar.

Não se limitar a um valor na hora de poupar

A gente tem o costume de se acomodar achando que só porque poupa 10% todos os meses, o resto que sobra pode ser usado em coisas supérfluas. Aprendeu a viver com 90% do salário? Reavalie os gastos e desafie-se a viver com 80% do salário (sem abaixar o padrão de vida, rá, ficou difícil, né?). Acostumou a viver com 80%, que tal tentar 70%?

Foi assim que, de conta em conta, de mês em mês, passei a viver com 30% da minha renda familiar, investindo os 70% restantes.

Não depender dos outros para investir

Não pergunte para os outros, estude, aprenda por conta.

Os “outros” não sabem.

Atualmente, temos um pouco mais de 2 milhões de pessoas físicas na bolsa de valores (sendo que cerca de 1 milhão dessas pessoas entraram somente neste ano).

Só que nós somos 209 milhões de brasileiros. Há de concordar comigo que a probabilidade dos nossos advogados, contadores, gerentes e assessores financeiros não terem tanto conhecimento sobre investimentos é muito grande.

Ao invés de perguntar para quem (provavelmente) não sabe, estude por conta própria. A internet está aí pra isso.

Os integrantes da família remando juntos

Como vocês já sabem, eu e meu marido não só estamos no mesmo barco, mas remamos de forma sincronizada. Fazer isso tem aumentado a eficiência e a velocidade do nosso barco, o que antecipa a chegada ao nosso destino FIRE.

Esqueça a televisão e as redes sociais

Perde-se muito tempo assistindo e fuçando a vida dos outros.

Há 5 anos, eu desisti de assistir televisão. No início do ano, eu estava em uma lanchonete e fiquei abismada com a violência na TV… muito medo, muita desconfiança, muita escassez. É praticamente uma lavagem cerebral sobre interpretação da vida, concentrando todos os acontecimentos trágicos em um único noticiário.

Quando entra os comerciais, inicia a grande armadilha: o forte incentivo ao consumo.

Não se comparar com o outro

Se eu resolvesse comparar a minha vida com as pessoas ao meu redor, tenha certeza que eu estaria presa na armadilha da classe média, torrando todo meu dinheiro até o último centavo.

Não use a vida dos outros para medir a própria vida. Não ache que não dá pra viver sem carro, dá sim. Não ache que os filhos não terão oportunidades da vida e serão uns fracassados se não puderem estudar numa escola de elite. Não ache que só porque todo mundo faz alguma coisa, nós também temos que fazer. Se eu ficasse olhando para os outros, minha vida seria completamente diferente, ou seja, teria coisas que são importantes apenas para os outros, não para mim.

Carteira diversificada

Carteira diversificada é ter reserva de emergência, reserva de valor, renda fixa, ações, FIIs, imóveis físicos e investimentos no exterior.

Acreditar na possibilidade de ser FIRE

Acreditar que era possível, foi fundamental para mim. Enquanto as pessoas riam da minha “visão utópica de aposentar cedo”, lá no fundo eu já sabia, eu tinha (o que meu marido chama de) fogo nos olhos, uma certeza absoluta que eu estava certa e no caminho certo. Enquanto as pessoas estavam consumindo, eu estava comprando meu tempo de volta.

Esses passos têm sido fundamentais para mim. Gosto daquela célebre frase do Mark Twain: “Por não saber que era impossível, foi lá e fez”.

~ Yuka ~

A história da minha carteira de investimentos

Dos Dados, Sorte, Mão, Oportunidade, Jogar, Risco

Estive conversando com meu marido como a nossa carteira teve uma ascensão meteórica.

E é sobre esse histórico que hoje vou escrever.

O primeiro imóvel a gente nunca esquece

Em 2010, eu comprei o que seria meu primeiro imóvel. Era um imóvel antigo que eu morava de aluguel, e a proprietária me ofereceu por um valor muito abaixo do mercado. A documentação para financiar com o banco durou 9 meses (um vai e vem de documentos, falta de assinaturas etc que culminou em um atraso excepcional, já que a proprietária não morava em São Paulo). E nesses 9 meses de vai e vem de papeladas, por conta do boom imobiliário, o imóvel havia se valorizado. Lembro até hoje da gerente do banco perguntando para a proprietária se não queria fazer uma revisão do preço do imóvel, já que o valor não correspondia mais o valor do mercado. Para a minha sorte, ela disse que não precisava. E com isso consegui quitar em 3 anos.

O segundo casamento a gente nunca esquece

Como eu já havia lidado com um divórcio, achei prudente da minha parte quitar o imóvel antes de casar, assim, se acontecesse um novo divórcio, o imóvel seria meu no momento da divisão de bens. Quitei em 2013, exatamente 1 semana antes do casamento (hoje, já não penso assim, tudo é nosso).

O sonho de viver o sonho pré-fabricado

Eu tinha uma lista de todas as coisas que nós queríamos. E isso incluía obviamente um carro e um imóvel de 3 dormitórios.

Até que com o nascimento da minha primeira filha em 2015, eu meio que despertei, e percebi como eu vivia o sonho que não era meu. Descobri a tempo que não precisava de um carro, muito menos de um imóvel grande. Surge então a vontade de ser livre, de ser FIRE (Financial Independence Retire Early).

Viver sem patrimônio, venda do imóvel por 30% abaixo do mercado

Após devorar todos os conteúdos mais importantes sobre investimentos, tomei a decisão de viver sem bens, ou seja, vender meu imóvel.

Eu já estava pensando em engravidar da minha segunda filha, e chamei um corretor imobiliário para fazer uma avaliação do imóvel.

Algumas pessoas me orientaram a não vendê-lo, pois era algo que eu tinha adquirido antes do casamento, mas isso já era tão irrelevante para mim… Meu marido embarcou na jornada FIRE e desde então (até antes disso, na verdade), não via sentido nenhum em separar o nosso patrimônio.

Na avaliação do imóvel, o corretor imobiliário definiu um valor muito acima do que eu esperava (pela boa localização, pela reforma recente e por ser cobertura), mas eu, sabendo que o mercado não estava tão aquecido, e ainda sabendo que eu não teria paciência de aguardar 1 a 2 anos para vender um imóvel, resolvi por conta própria, derrubar 30% do valor que o corretor havia passado para mim.

Não preciso nem dizer que vendi o imóvel em menos de 1 mês.

E olha só como é o destino… depois de algumas semanas, já na casa nova (alugada), comecei a sentir enjôos e descobri que eu estava grávida da minha segunda filha. Detalhe que eu carreguei sofá, desmontei guarda-roupa, carreguei peso sem saber que estava grávida. Ai ai.

E aí que fui coroada novamente. Após 2 a 3 meses da venda do imóvel, a renda fixa teve a sua alta histórica por conta do impeachment da Presidente da República em 2016.

Se eu tivesse agarrado na ideia de que “só vou vender o imóvel com o preço que o corretor sugeriu”, eu não teria pegado esta oportunidade. Veja que eu não vendi meu imóvel no prejuízo, muito pelo contrário, vendi no lucro (lembra que eu comprei barato?), só achei que não precisava ter um lucro fenomenal para me sentir satisfeita.

Nesse meio tempo, comprei mais 2 imóveis para investimento, e vendi 1, também por um preço bem barato, desta vez para um amigo. Vendi barato de forma consciente, porque fiz as contas e percebi que para o meu amigo ter um bom retorno no aluguel, eu teria que abater parte do meu lucro. Sim, fiz isso, primeiro porque eu queria vender mesmo, segundo porque ele é meu amigão, e terceiro, porque ele estava iniciando nos investimentos, seria uma forma de incentivá-lo.

Renda fixa pré-fixado a 19% ao ano

Alguém lembra dessas taxas? Pré-fixado a 19,50% ao ano, IPCA + 8,70% ao ano… eu peguei essas taxas. Todos os investimentos de renda fixa que comprei estão atrelados às taxas daquela época.

No turbilhão econômico de 2016, eu consegui investimentos pré-fixados rendendo 19% ao ano. Lembrando que só consegui essas taxas, porque estava com dinheiro líquido que veio da venda do meu único imóvel na época, por um preço abaixo do mercado, me desfazendo do imóvel por um valor que achei justo para mim.

Nessa época, as taxas da renda fixa ainda não estavam tão altas, mas a parte boa é que eu já estudava finanças há algum tempo. Depois de 3 meses, eu compreendi que estava passando pela minha frente, uma das grandes oportunidades da renda fixa e eu travei todo o dinheiro do imóvel investindo em renda fixa pré-fixados a 19% ao ano e IPCA+8%, além de ter sacado o dinheiro que eu tinha no Itaú Personnalité (que cá entre nós, não rendia muita coisa).

Bitcoin

Comprei bitcoins quando estava em 11 mil reais, e ainda achei que tinha chegado muito tarde para a festa. Ledo engano, em poucos meses, bitcoin alcançava os seus 70 mil reais. Hoje, não tenho mais posição em Bitcoin.

Renda variável andando de lado

Quando comecei a estudar sobre renda variável em 2015 ~ 2016, a bolsa de valores andava de lado.

Eu estudei os balanços das empresas, fiquei acordada de madrugada com uma bebê de colo e ainda por cima grávida, lendo relatórios para tentar entender um pouco mais sobre as empresas. Não conhecia ninguém que pudesse me orientar, ninguém para me ensinar, então foi na base da porrada que eu aprendi, na base de (muitos) erros e acertos.

Foi no final de 2016, com a bolsa em 57 mil pontos que eu comecei a investir pesado em ações, e pra minha sorte, a bolsa começou a sua subida vertiginosa até os 120 mil pontos.

Queda da bolsa de valores

Chegando em 2020, a bolsa despencou e eu estava com bastante renda fixa que estava para vencer, daquela época que comprei em 2016.

Para minha grata surpresa, as quedas intensas não me afetou (psicologicamente), muito pelo contrário, tomei a decisão de me desfazer de boa parte da renda fixa para comprar diversas empresas que estavam claramente abaixo do preço normal. Volatilidade não é risco, é oportunidade, quando se sabe o que está fazendo.

Pra vocês terem uma ideia do retrato da minha carteira atual:

Ações: 77% (proporção ideal: 25%)

FIIs: 6% (proporção ideal: 25%)

Renda fixa: 14% (proporção ideal: 25%)

Investimento no exterior: 3% (proporção ideal: 25%)

Economizar para ter aportes gordos

Junte a isso tudo, aportes gordos que eu e meu marido fizemos e continuamos fazendo todos os meses, que gira em torno de 60 a 70% da nossa renda mensal.

Claramente, eu e meu marido temos propósitos diferentes da maioria das pessoas que conhecemos. Isso significa que enquanto nossos amigos e colegas moram em imóveis próprios, com carro na garagem, eu moro de aluguel e ando de transporte público.

Já publiquei em algum post que do total de patrimônio que possuo atualmente, 40% do dinheiro veio do meu trabalho, do meu suor, e 60% dos rendimentos e juros compostos. Para facilitar o entendimento, isso significa que se uma pessoa tem um total de R$500 mil de patrimônio, recebeu R$300 mil de juros compostos. Se uma pessoa tem um total de R$1 milhão de patrimônio, recebeu R$600 mil de juros compostos. Nada mal, não é mesmo?

Isso só foi possível, porque os aportes foram altos e constantes desde o início, além das oportunidades que foram surgindo nos momentos certos.

Não sei ainda quanto tempo irei demorar para alcançar a Independência Financeira, mas essa é a minha história.

Um grande abraço,

~ Yuka ~

FIREs: o quanto você está disposto a regar e esperar

Ecologia, Ambiente, Jardim, Jardinagem, Verde, Hobby

Com a constante redução da taxa Selic, o sobe e desce da bolsa de valores, o caos político, a crise econômica… vejo pessoas desesperadas e impacientes querendo começar a investir para enriquecer da noite para o dia. Não é à toa que a Bolsa de Valores teve seu salto no número de pessoas físicas desde o início da pandemia.

Mas “entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar”.

Antes de investir, é necessário controlar os gastos. Somente depois de acompanhar os gastos é que será possível rever os gastos. Com a revisão, será possível identificar excessos e enxugar gastos supérfluos.

Finalmente com dinheiro sobrando, será possível montar uma reserva de emergência. Também será necessário estudar sobre investimentos, já que é algo que percebi que não dá para terceirizar.

Mas daí eu pergunto:

Quantas pessoas estão dispostas a poupar e investir parte do salário todos os meses, por 10, 20, 30 anos para somente depois colher os frutos?

Quantas pessoas estão dispostas a sentar na cadeira e estudar tarde da noite, após trabalhar o dia todo, cuidar da casa e das crianças?

Muitos, se não a maioria, irão desanimar no meio do caminho e até desistir, quando a economia entrar em recessão e ver o patrimônio ser reduzido a pó.

Querem enriquecer da noite para o dia como num passe de mágica, não querem estudar, não querem correr atrás, ficam procurando de forma incessante a tal da fórmula mágica.

Para ter a tranquilidade financeira, é necessário fazer escolhas.

Pessoas dizem que querem empreender, mas não querem abrir mão do conforto atual, nem trabalhar por mais de 12 horas nos primeiros anos do negócio. Querem tudo, mas não estão dispostas a fazer nada, a abrir mão de nada, nem das pessoas, nem do tempo, nem do dinheiro.

Querem ganhar milhões apostando a sorte na mega-sena, mas não tem ouvidos quando alguém mostra o caminho das pedras para ficar rico devagar, de forma consistente, de forma lícita.

O que você tem plantado? Se a resposta for “nada”…. bom, já sabe o que te espera no futuro.

~ Yuka ~

 

FIREs: ajustem as velas dos barcos!

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Assim como quem navega sabe disso, nós não temos como controlar o vento, mas podemos ajustar as velas de acordo com a posição do vento.

Esse coronavírus + crise política + recessão econômica prejudicou também os FIREs (Financial Independence Retire Early) que estão caminhando a jornada para a aposentadoria precoce.

Sabemos que crises acontecem de tempos em tempos, e de fato, não podemos evita-los, principalmente uma crise mundial desta magnitude que estamos presenciando. Mas, podemos desenvolver a capacidade de se adaptar às novas situações, às novas realidades, compreender que as coisas mudaram e buscar novas soluções.

A verdade é que o vento mudou a direção.

Ele não está mais nos levando diretamente para onde queríamos chegar. E está tudo bem. Não significa desistir, significa que uma nova rota está sendo traçada a partir de uma nova realidade.

Desde o início da pandemia tenho questionado o quanto ser FIRE é realmente seguro. Eu, que tenho crianças pequenas, e sei dos gastos que só aumentam conforme elas crescem, fico me perguntando qual o valor ideal para ser FIRE: 3 milhões, 6 milhões, 10 milhões? Sinceramente, eu não tenho mais essa resposta.

E por não ter essa resposta, tenho seguido o mesmo caminho que o Quero Virar Vagabundo explica nesse post

No meu caso, tenho a regra dos 4% como uma direção a seguir, mas não é mais a única bússola que uso. Eu tenho considerado um mix de teorias:

  • a TSR (taxa segura de retirada) de 4%;
  • a TNRP (taxa necessária para remuneração do portfólio) do André, do Viagem Lenta;
  • aumentar o portfólio em investimentos que gerem renda passiva, como dividendos, aluguéis das ações, aluguéis de FIIs e aluguéis de imóveis físicos;
  • rebalanceamento da carteira em 75% renda variável e 25% renda fixa, sendo renda variável: 25% ações, 25% FIIs, 25% investimentos no exterior.

Esses foram alguns dos ajustes que eu fiz na vela do meu barco, tendo a plena consciência de que pode ser que leve um pouco mais de tempo, mas eu sei que chegarei lá.

Outro dia, li que uma empresa que produz lençóis, adaptou a sua manufatura para começar a lavar os lençóis dos hospitais, já que ao produzir lençóis, eles já utilizavam caldeirões de altíssima temperatura. Que sacada!

Outras indústrias também não ficaram para trás… Indústrias de cosméticos começaram a produzir toneladas de álcool gel. Fábricas de engenharia e indústrias automobilísticas começaram a produzir respiradores artificiais. De marcas de luxo que começaram a produzir uniformes médicos e máscaras de proteção, até a marca de brinquedos da Galinha Pintadinha que passou a produzir máscaras para profissionais da saúde.

Nós também devemos ajustar as nossas velas. Claro que não será como era antes, mas devemos nos adaptar e fazer os ajustes, se não quisermos ficar para trás.

~ Yuka ~

Fazendo churrasco de carvão dentro de apartamento sem varanda

Depois da minha pizza profissional que faço na boca do fogão, chegou a vez de fazer um churrasco dentro de um apartamento sem varanda.

Há alguns anos, morei em uma cobertura de um prédio que tinha uma churrasqueira. Sempre que podíamos, eu e meu marido fazíamos a maior farra fazendo churrasco nos fins de semana, nos feriados, no fim-de-ano.

Hoje, morando em um apartamento comum, o que mais sinto falta não é do quintal em si, mas da churrasqueira.

Não é de hoje que eu tinha feito a pesquisa, já conheço a churrasqueira portátil da Table Grill há algum tempo, mas como tinha acabado de comprar o forno para a pizza, achei melhor esperar um pouco. Só que aí chegou a quarentena e o produto esgotou muito rápido.

Depois de algumas semanas de espera, finalmente o produto foi reabastecido nas lojas e eu pude comprar por R$485 na Leroy Merlin. Infelizmente, em menos de 24 horas da minha compra, o mesmo produto sofreu alteração de preço e foi para R$799. Ai que facada!

O produto é genial, o funcionamento é muito simples, dá aquela sensação “por que não pensei nisso antes?”, a mesma sensação que tive quando usei o forno portátil para fazer a pizza, da Stone in Box.

A dúvida que paira no ar…. dá fumaça ou não? Não dá. Eu como não sou besta, abri todas as janelas da minha casa, primeiro porque estava com medo de levar uma chamada do condomínio por fazer churrasco dentro do apartamento, e segundo, porque ainda não sabia se a história da fumaça era verdadeira ou não.

Segundo meu marido, eu, quando faço bife na frigideira, provoco mais fumaça na cozinha do que essa churrasqueira que compramos. Então já é um ponto positivo.

Só tem uma foto da carne pronta, porque na hora, a euforia era tanta que eu simplesmente desencanei de tirar as fotos.

Primeiro fiz churrasco tradicional com picanha, linguiça, pão de alho, queijo coalho e vinagrete.

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Depois fiz espetinhos de kafta (espetinhos árabes), acompanhando pão sírio, homus, coalhada e patê de alho.

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Ainda quero assar a carne do hambúrguer e preparar um hambúrguer completo, fora as outras ideias, como assar batata e batata doce na lateral da churrasqueira, fazer um espeto de legumes, abacaxi na brasa, banana assada, milho assado…

Algumas dicas que aprendi na prática:

  • Usar carvão vegetal para não fazer fumaça (não compre carvão de côco, nem de briquete).
  • Usar álcool 80% (há um local – embaixo do carvão – para colocar álcool).
  • Não economize sal grosso no fundo. É ele que fará toda diferença quando a gordura pingar no fundo da churrasqueira. Economizou no sal? Vai fazer fumaça!

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  • Asse primeiro as carnes. Inventei de assar simultaneamente o queijo coalho, o pão de alho, e depois tive que reabastecer o carvão mais 2 vezes, porque faltou potência. Agora que aprendi, coloco primeiro as carnes, e depois no final, os queijos e pães.
  • Não invente de pincelar as grelhas com óleo para a carne não grudar: óleo faz fumaça.
  • Mantenha as janelas bem abertas. Na terceira vez que usei a churrasqueira, resolvi deixar as janelas fechadas, porque era um dia de frio… bom, a casa ficou com cheiro de defumado até à noite rsrs.

~ Yuka ~

Aplique o Orçamento Base Zero neste período de confinamento

Lâmpada, Luz, Bulbo, Energia, Electricidade

Vocês conhecem o termo Orçamento Base Zero?

Orçamento Base Zero é uma abordagem contábil que inverte a lógica tradicional do orçamento de uma empresa, também utilizada nas finanças pessoais. Normalmente, pensamos assim: “tenho 300 reais mensais para pegar ônibus para ir ao trabalho”. No OBZ pensamos assim: “qual é o valor mínimo necessário para ir até o trabalho?”. Como não há um orçamento pré-estipulado, nem conceitos pré-moldados, o valor tende a ser reduzido, porque outras formas para ir ao trabalho serão pensadas. Talvez uma carona com um colega que mora perto de casa? Ir de bicicleta? E por aí vai.

Eu explico o OBZ numa única frase: “Como posso ter aquele produto/serviço sem pagar nada ou quase nada?”

Eu gosto de pensar no OBZ, porque é uma forma de estimular a criatividade, e ver como conseguimos fazer tantas e tantas coisas sem envolver dinheiro. Fui ensinada pela minha mãe a criar coisas, já que não tínhamos dinheiro na infância. Ao invés de ficar chorando pelas coisas que não tinha, agradecia pelas roupas que ganhava da vizinhança e fazia pequenos (e grandes) ajustes, tingia para mudar a cor da roupa, transformava a calça jeans em uma saia, uma bermuda em um shorts, uma camiseta que virava regata… Também aprendi a fazer minhas próprias bijuterias, por descobrir desde cedo que acessórios faziam muita diferença para quem tinha um guarda-roupa enxuto.

Pois bem, em tempos de confinamento, quem tem criatividade, se adapta mais rápido à nova realidade.

Pensando nisso, compartilho aqui algumas coisas que tenho feito:

1. Confecção de máscaras

Fiz vários modelos e de diversos materiais, desde guardanapo, tecido de linho, e até um lençol egípcio que havia ganhado de presente de casamento. Este último ficou top!

2. Improvisando vaso de plantas e multiplicando as mudas

Tenho feito mudas através das próprias plantas que já tenho em casa. Estou cortando a parte de cima de uma embalagem plástica de suco e aproveitando a parte de baixo para usar como vaso temporário. Quando as mudas crescerem, transfiro para um vaso.

3. Apoio para sapatos

Depois da chegada do Covid-19 no Brasil, parei de guardar os sapatos que uso na sapateira, e criei uma zona suja em casa, para não “contaminar” a sapateira. Deixava em cima de uma folha de jornal no chão para delimitar um espaço, perto da porta de entrada, e usava apenas 1 único sapato para ir ao supermercado e farmácia. Só que visualmente era bem feio. Como eu tinha uma bandeja grande que estava sem uso, resolvi adaptar. 

Não que agora esteja a coisa mais linda do mundo, mas tem funcionado bem. 

4. Lavar edredom de casal

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As lavanderias estão fechadas e eu queria lavar meu edredom de casal, antes da chegada do inverno. A minha máquina de lavar roupa não consegue lavar esse edredom, por ser muito grande. 

Peguei a bacia enorme onde minhas filhas tomam banho, coloquei o edredom, sabão e enchi de água. Chamei as crianças e ficamos pisando e cantando, como se estivéssemos pisando em uvas para produzir vinho.

5. Corte de cabelo

Quem cortava o cabelo das minhas filhas era a minha mãe. Como não estou me encontrando com ela, eu mesma comecei a cortar o cabelo delas. Às vezes sai um pouco torto, mas fazer o que. Como eu sempre digo, é o que temos para o momento.

6. Brinquedos / artesanato

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Aqui em casa, na fase da pandemia, paramos de jogar caixas de papelão no lixo. Temos criado diversos brinquedos com ele. Já fizemos tablet e notebook de papelão, casinha de bonecas, kit de maquiagem, bonecos, jogos de tabuleiro… Nada como incentivar trabalhos manuais, minha filha de 3 anos já sabe manusear bem uma tesoura.

7. Produzindo a própria cola

como fazer cola

Aliás, sumiram com a minha cola de artesanato. Não sei onde elas esconderam. Mas não tem problema. Quando eu era criança, minha mãe produzia cola com água e farinha. Ela simplesmente colocava água e farinha na frigideira, cozinhava um pouco e pronto. Funciona muito bem.

8. Cozinhando pra valer

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Como não estamos pedindo delivery, estou melhorando meus dotes culinários para comer coisas gostosas e diferentes, para não ficarmos comendo mesmices. Pizza vocês já sabem que faço um bem gostoso, também comecei a fazer churrasco de carvão dentro de apartamento, além do pão caseiro, e outras cositas mais.

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9. Adaptando ingredientes na hora de preparar comida

Isso é uma coisa que antes da pandemia, eu tinha dificuldades em fazer, talvez por morar perto de um supermercado. Como agora evito sair de casa a qualquer custo, o jeito foi sair adaptando os ingredientes.

10. DIY (do it yourself) como presente

Minha filha mais velha fez aniversário no início do mês de maio. Eu resolvi fazer um estojinho para ela guardar o espelho e um pente, já que ela é bem vaidosa. Fiz um bolo simples, coloquei 5 velas em cima, além de brigadeiros. Decorei as paredes com algumas bexigas, e a mesa com algumas plantas que já tinha em casa. E eis que ela vem, me agarra, e fala que foi o melhor aniversário que ela já teve.

Aqui em casa, o Orçamento Base Zero funciona muito bem, inclusive, as crianças já estão com este pensamento. Se elas querem brincar de “chá da tarde”, mas não têm as xícaras de plástico, pegam uma folha em branco, desenham, pintam, recortam e ficam brincando de faz de conta por horas.

Enquanto isso, guardo o dinheiro para ter paz, para usar em situações de real necessidade.

~ Yuka ~ 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crianças mimadas, adultos de porcelana

Contemplando, Amizade, Amigos, Crianças, Menina

Semana retrasada foi dia das mães. Poderia até ter publicado este post, mas como ando distraída, só pensei nisso depois.

Não sou especialista nesse assunto de maternidade, nem de educação. Então só vou compartilhar a minha visão, o meu ponto de vista e o que tenho feito com as minhas 2 filhas.

A importância da frustração

Eu que sou mãe, sei que dá vontade de atender todas as vontades dos nossos filhos, mas isso não é nem um pouco saudável. Propositalmente, eu não atendo todas as vontades das minhas filhas, porque eu quero que elas saibam o que é frustração. Elas chutam o chão, choram, gritam, mas depois entendem que a vida é assim mesmo. E olhem só, a cada frustração que elas sentem, elas vão aprendendo a lidar com esse sentimento que é tão complexo.

A importância do ócio

Quando viajo de ônibus com as minhas filhas, não levo livro, não levo brinquedos para distrair, não levo tablet, não empresto meu celular. Ensinei as meninas a ficarem quietinhas no ônibus, pois ônibus não é lugar para brincar, nem fazer barulho. Eu levo alguma coisa para elas comerem no início da viagem e depois digo para elas dormirem. Quando elas estão muito entediadas, sugiro que apreciem a paisagem, e assim, o sono vem rápido.

Outra coisa que eu percebo, é que quando elas estão ociosas e sem televisão, elas brincam mais de pintura, de desenho, de faz de conta, de teatro, dançam, cantam… ou seja, começam a usar a criatividade para se divertir.

A importância de não atender todas as demandas

Assim como eu, vocês também devem conhecer adolescentes que acham que quem tem que resolver o ócio deles são os pais. Só cobram, e não tentam resolver o próprio problema. Não sabem lidar com o tempo vazio, nem com a falta de certas coisas. Acham que tudo se resolve com dinheiro, com os pais comprando o que falta. Não quero isso para as minhas filhas. Querem uma máscara de um personagem de desenho? Então vamos fazer com o material que temos em casa. E assim, elas vão compreendendo que nem sempre precisamos gastar dinheiro, nem ficar esperando os outros resolverem os nossos problemas.

A importância de não querer suprir o que não tivemos na infância

É mais fácil enumerar as coisas que tivemos, do que enumerar o que não tivemos na infância (porque a lista é extensa). Na nossa época, era algo normal a criança ter poucos sapatos, poucas roupas, poucos brinquedos.

Atualmente vejo pais atendendo todas as demandas dos filhos, dando presentes a todo momento (por não ter ganhado tantos brinquedos), colocando na melhor escola (por ter estudado em uma escola pública do bairro), dando uma mesada gorda (por não ter tido mesada), dizendo sim para tudo (porque seus pais disseram muitos nãos)…. Mas não percebem que foram justamente esses limites que recebemos, que moldaram o nosso caráter hoje e a resiliência que temos em relação a vida.

Crianças que tiveram tudo na infância se tornam adultos que não se esforçam, acham que os pais têm obrigação em pagar as contas. Permita que seu filho tenha o sentimento de conquista, e não de que conseguiu tudo de mão beijada.

A importância de compartilhar

Já escrevi um post sobre esse assunto, explicando de que forma incentivo intensamente a importância de compartilhar.

Minhas filhas compartilham quarto, compartilham a cama, compartilham brinquedos, as roupas, a televisão… E assim, de coisas em coisas, vão entendendo que precisam esperar pela sua vez, e a trabalhar a paciência.

Ensinar sobre paciência, sobre a espera

Eu não compro brinquedos com frequência.

Os brinquedos são comprados em datas festivas como aniversário, dia das crianças e no Natal. As crianças entram nas lojas de brinquedo SABENDO que não irei comprar nada. Elas não fazem birra, elas olham, se encantam, brincam e depois saímos da loja sem comprar nada. Quando gostam muito de um brinquedo, me chamam para mostrar explicando que é o que vai querer ganhar no dia do seu aniversário.

A questão não é o dinheiro, e sim, sobre ensinar a ter paciência e a importância da espera. Elas não fazem birra, porque sabem que irão ganhar algo em breve.

Ensinar que não se pode ter tudo na vida, é preciso fazer escolhas

Quando estou no supermercado (antes da pandemia), sei que não custa nada comprar 2 coisas que elas estão pedindo. Mas faço elas escolherem 1. “Qual você quer mais? O chocolate ou o biscoito?” Com a mãozinha pequena na cabeça, vejo minha filha escolhendo com muita dificuldade qual quer mais. Mas é assim mesmo. É desta forma que elas vão aprendendo desde a infância de que não podemos ter tudo na vida, de que temos que fazer escolhas. São as pequenas decisões e escolhas que elas fazem no dia-a-dia que irão treiná-las a ter autonomia quando elas tiverem que tomar as suas próprias decisões.

A importância de ter responsabilidades

Minha filha de 3 anos já compreende que roupa suja deve ser colocada no cesto da lavanderia. Ela não faz isso sozinha, mas leva até a lavanderia quando explico que não deve deixar a roupa no chão. Quando elas voltam da creche (também antes da pandemia), elas guardam os sapatos na sapateira, vão ao banheiro lavar as mãos (há um banquinho para que a caçula alcance a torneira e um gancho na altura delas onde fica pendurado a toalha de mão). Elas sabem que quando terminam de comer, devem levar o prato na pia da cozinha. Como diz o meu marido, não adianta um filho ser fluente em inglês, saber robótica e tudo mais, mas não saber lidar nem com as próprias roupas sujas.

Ensinar a diferença entre valor e preço

Esse ano fiz festinha de aniversário para a minha filha mais velha. Como estamos quarentenando, a festa foi só entre a gente mesmo. Não fiz grandes coisas, só um brownie em formato redondo, uma bandeja de brigadeiros, suco de laranja para as crianças, café para mim e para o meu marido e alguns balões coloridos para decorar a parede.

Cantamos parabéns duas vezes, fomos até o quarto para medir a altura da aniversariante, entreguei para ela o presente que eu mesma havia feito com a minha máquina de costura: uma necessáire para ela guardar o pente e o espelho de mão.

E eis que ela grita de euforia e me abraça: “mamãe, este foi o melhor aniversário que eu já tive em toda minha vida!”. Esta festa aconteceu no início desse mês e, após 3 semanas, ela ainda lembra com alegria.

Criança não vê preço, vê o valor das coisas. São os adultos que ensinam as crianças de forma errônea que preço é melhor do que valor. Que festa em buffet com 200 pessoas é melhor do que festa em casa com os melhores amigos. Que viagem para Paris é melhor do que viajar para a casa da vó.

A criança não é o centro do universo da nossa família

Você já deve ter visto inúmeras crianças sentadas nos bancos prioritários em transportes públicos, enquanto vovôs de cabelos brancos ficam em pé, se agarrando em qualquer lugar para não se desequilibrar.

Eu fico muito indignada com essa cena, e mesmo antes de me tornar mãe, havia jurado que, se um dia eu viesse a ser mãe, meus filhos não iriam tirar lugar de um idoso ou de qualquer outra pessoa necessitada.

Minhas filhas não sentam nos transportes públicos, porque entendem que as pessoas que estão lá de pé, trabalharam o dia inteiro, estão cansadas. No máximo, sentam no meu colo. Quando entra algum idoso, elas já se levantam, porque sabem que eu vou ceder o meu lugar para ele. Minhas filhas têm 5 e 3 anos e já entendem sobre empatia. Tem adulto de 50 anos que ainda não descobriu o significado dessa palavra.

Eu passei 9 meses da minha gravidez em pé no transporte público, porque as pessoas simplesmente não cediam seus lugares. Adolescentes sentados nos bancos prioritários, jogando Candy Crush, porque os pais sempre deixaram sentar nesses bancos prioritários, sendo tratados como centro do universo na sua família.

Criar como uma grama, e não como uma flor

Na minha infância, eu tive uma professora de japonês que costumava me chamar de grama. Eu não gostava, principalmente, porque ela chamava minhas irmãs de flores, e eu também queria obviamente ser uma flor.

Só depois de um tempo que eu entendi. Eu era grama, porque mesmo as pessoas pisando em mim, mesmo sendo esquecida, não sendo a preferida, eu sempre estava de pé. Vocês sabem que eu tive uma infância difícil, eu tive uma irmã agressora, que hoje sei que se enquadra como violência doméstica. Enfrentei um divórcio, burnout no trabalho, e apesar dos apesares, sempre recomecei.

– – –

Todas as coisas que eu faço com as minhas filhas, nunca teve o intuito de economizar, mas torná-las adultas responsáveis. São 5 pilares que tento ensinar: responsabilidade, foco, escolha, renúncia e paciência.

Tudo isso tem um único propósito: não criar adultos de porcelana.

Há uma frase famosa em que diz que “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. A minha intenção não é evitar a dor das minhas filhas, e sim ensinar a administrar os sentimentos, APESAR da dor.

Elas sentirão a dor da perda, a da saudade, a da despedida, a da frustração, da rejeição. O que eu tento fazer é ensina-las a lidarem com os sentimentos, apesar da rejeição, apesar da frustração, apesar da indignação, apesar das injustiças.

Foi assim com a gente. Quantos de nós sofremos bullying, numa época que nem existia essa palavra? Nós sobrevivemos. E com isso nos tornamos mais fortes.

Quando digo não para certos brinquedos, elas têm duas alternativas: chorar ou construir algum brinquedo através de materiais que já temos em casa.

Quando elas se tornarem adolescentes e passarem a receber uma mesada, vão ficar reclamando do valor da mesada ou vão aprender a pechinchar, buscar no brechó, fazer troca com as amigas, empreender?

Eu não posso evitar que elas não tenham problemas todos os dias. Mas eu posso ensiná-las a como enfrentar e lidar com os problemas da vida.

~ Yuka ~

Confeccione máscaras caseiras com 97% de eficiência

Como é de conhecimento de todos, as máscaras cirúrgicas estão esgotadas ou superfaturadas. Então vou compartilhar 3 informações científicas importantes sobre Covid-19 que beneficiará na confecção das nossas máscaras caseiras.

1.) Tamanho do Covid-19

Coronavírus é muito, muito pequeno. Para ter uma ideia de proporção, as duas bolas escuras da figura abaixo, são partículas de poluição. Isso significa que tecidos comuns podem não possuir tanta eficácia para barrar a entrada de partículas muito pequenas, como a do Covid-19.corona virus.jpeg

2.) Combinação de tecidos traz eficácia de 97% de filtragem bacteriológica

Autores da Universidade de Chicago escreveram um artigo científico sobre a eficácia das máscaras caseiras utilizando combinações de tecidos.

Munidos de um equipamento que mede o tamanho de partículas de aerossóis, incluindo nano-partículas da mesma ordem de grandeza do Covid-19, os autores descobriram que algumas combinações de tecidos como algodão+seda tem eficácia de 94%, enquanto algodão+chiffon chega a 97% de eficácia, nível similar das raríssimas e cobiçadas máscaras N-95, que possui 95% de eficiência de filtragem bacteriológica.

Para a máscara caseira ter 97% de eficácia, é preciso ter 1 camada de tecido de algodão (600 fios) e 2 camadas de tecido chiffon. A camada de algodão serve como uma barreira mecânica, enquanto as duas camadas de chiffon servem como barreira eletrostática.

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3.) Máscaras caseiras não devem ter costuras no meio

Pesquisadores do Instituto de Física da USP também testaram diversas máscaras de tecidos (sem a combinação de tecidos).

A máscara N-95 teve retenção de 99% de partículas, a máscara cirúrgica 98% de partículas, máscara com algodão grosso 60% de partículas, algodão TNT reteve 56% de partículas, mas quando havia uma costura no meio, a retenção diminuía para 45%. Ou seja, não pode ter costura no meio da máscara, pois se torna um ponto frágil das máscaras caseiras.

Fiz esse post sabendo que não é todo mundo que tem uma máquina de costura em casa, mas com o conhecimento científico em mãos, talvez dê para encomendar com o costureiro do seu bairro, ou até mesmo improvisar uma máscara com algum lençol de cama e uma blusinha.

Cedo ou tarde, sairemos aos poucos da quarentena. E quando esse momento chegar, será importante que tenhamos em mãos uma máscara eficiente que nos proteja da melhor forma possível.

~ Yuka ~

Truque para poupar mais: dê nome e sobrenome ao seu dinheiro

Escrituração, Contabilidade, Impostos, Liquidação

Nesse período em que muitos estão de quarentena, perceberam que há gastos que não estamos tendo?

No meu caso, não tenho gastos com transporte, a mensalidade da natação que foi interrompida pela própria escola, uma ajuda financeira mensal que eu dou para a creche, passagem de ônibus intermunicipal para visitar a casa de praia da minha mãe, nem gastos com cafés que tomo com meus amigos.

Vocês já devem saber que dinheiro extra que entra na conta, some na mesma velocidade que aparece.

Por isso, todo o meu dinheiro tem nome e sobrenome.

Isso significa que todo dinheiro que eu sei que vai entrar na minha conta, coloco nome (gastos) e sobrenome (categoria) para deixar provisionado.

Por exemplo, se eu sei que vai entrar um dinheiro na minha conta no dia 10, já faço a distribuição anotando em algum lugar (no meu caso, no aplicativo Minhas Economias) de que:

Valor

Nome

Sobrenome

R$ 100

Luz

Casa

R$ 190

Metrô

Transporte

R$ 265

Natação

Saúde

Supondo que a conta de luz, ao invés de vir R$100 veio mais barata, R$90. E por causa da quarentena, os gastos do transporte público e da natação seriam R$0. E para onde iria a diferença de R$465 (R$10 da luz, R$190 do metrô e R$265 da natação)?

Valor

Nome Sobrenome

R$ 90

Luz Casa

R$ 10

Luz

Investimento

R$ 190

Metrô

Investimento

R$ 265

Natação

Investimento

Pronto. A diferença do valor do mês atual, ganhou novo sobrenome: ‘Investimento’.

E isso se repete nas outras contas, de qualquer valor. Supondo que deixei reservado 2.000 reais para comprar uma geladeira, mas consigo uma promoção e gasto 1.500 reais:

R$ 1.500 – Geladeira – Manutenção da Casa

R$ 500 – Geladeira – Investimento

E isso dá certo, porque eu tenho o costume de deixar o dinheiro sempre provisionado, ou seja, separado para cada finalidade.

É desta forma que eu visualizo não só os gastos, mas também as economias do mês. Além de poupar o valor mensal que já é de praxe, me permite investir a diferença do valor.

~ Yuka ~

Rever o consumo com o isolamento

Escada Rolante, Escadas, Segmentos De Metais

Agora que o mundo inteiro parou e muitos de nós estamos confinados, já parou para pensar se todas as coisas acumuladas em casa faz algum sentido?

Sapatos de diversas cores e modelos parados na sapateira.

Roupas e mais roupas sem uso no guarda-roupa.

Bolsas, cintos, acessórios. Relógios, perfumes, óculos de sol.

Podemos analisar também os objetos caros… Um carro parado na garagem, um relógio de 5 mil reais no pulso, uma bolsa de luxo ou até mesmo roupas de marca, se não há para “quem mostrar”?

A verdade é que muitas pessoas viveram até o momento olhando para fora, ao invés de olhar para dentro. Ou seja, se preocuparam mais com a aparência e com o julgamento de terceiros do que com a própria qualidade de vida.

Claro que esse isolamento foi algo inesperado, mas podemos tirar uma lição disso tudo. E uma das lições é rever o consumo.

Talvez seja o momento de rever comportamentos. Será que faz sentido ter tantos pratos e copos no armário da cozinha? Ter tantas roupas abarrotadas no guarda-roupa? Reveja o tecido das suas roupas, principalmente daquela roupa que dá tanto trabalho para manter. Vale a pena ter tanto trabalho por uma blusa? Aliás, há um exercício muito bom para se fazer nesse período de quarentena: contar quantos objetos sem uso temos dentro de casa. Vai se surpreender.

Estamos tendo a oportunidade de enxergar a própria vida com outros olhos, avaliar se o nosso comportamento consumista tem valido a pena.

Aproveite para ressignificar o dinheiro, analisar o gatilho do consumo e se preocupar mais com o interno (com a qualidade de vida) ao invés do externo (com a aparência).

E faça a seguinte pergunta sempre:

– Valeu a pena acumular tantas coisas?

~ Yuka ~ 

Privilégio: enxergar o que não vemos que temos

Persianas, Obturador Do Rolo, Aberto, Gap, Olhar, Sun

A crise do coronavírus é uma realidade para todos nós, não importando se estamos no Brasil ou no outro lado do mundo.

No meio do caos, com tantas notícias ruins, entre tantas pessoas adoecendo, morrendo, o medo tomando conta, você consegue enxergar o seu privilégio?

Eu consigo enxergar o meu.

Quando eu começo a reclamar, paro para refletir como reclamo de boca cheia. Se penso como está ruim o meu isolamento, lembro o quanto sou privilegiada em ter um lugar para morar, uma casa para me proteger, uma família que não possui doenças pré-existentes.

Quando vejo meu patrimônio reduzido, penso que poderia ter sido muito pior. Desvalorizou ‘somente’ 24%, poderia ter sido 80%. O dinheiro que eu poupei, permite que eu viva sem trabalho por anos, permitindo inclusive, mudar de profissão, se assim eu desejar. Eu poderia ter perdido meu emprego, perdido alguém da minha família, enfim, tudo mesmo.

Afogada no meio de tantas notícias ruins, a minha bóia salva-vidas é o meu mantra: “ainda bem que…. que bom…”

Ainda bem que fui disciplinada e poupei dinheiro por uma década. Ainda bem que meu estilo de vida está adequado à situação atual de contingenciamento. Que bom que sempre fui cuidadosa ao elevar o padrão de vida, nunca paguei boleto com o salário do marido para pagar as contas, já que ele corre risco de não ter seu contrato renovado.

Que bom que ainda não reduziram meu salário. E mesmo que reduzam, que bom que me preparei para essa fase. E mesmo que tenha que usar o dinheiro da aposentadoria, que bom que tenho de onde tirar.

Que bom que sou jovem e posso atrasar o sonho de ser FIRE por alguns anos. Ainda bem que essa crise aconteceu agora, e não próximo de ser FIRE, pois permitiu traçar novas estratégias na minha carteira de investimentos.

Que bom que as crianças são pequenas, vão lembrar dessa fase como a melhor fase da vida delas, com os pais presentes diariamente, tomando café, almoçando e jantando todos juntos. Aliás, ainda bem que elas já passaram daquela fase crítica onde bebês pegam virose e precisam ir ao hospital com frequência. Outro ‘ainda bem’ é que elas estão na creche, escapei do homeschooling, eu não daria conta. Que sorte a minha mãe morar a 2,5km de casa, distância que permite vir a pé a cada 10~15 dias, para se encontrar com as netas.

Que bom que eu tenho um teto para morar, um lar que me protege, moro num apartamento agradável, e que bom que bate sol (apesar de não ter uma varanda). Ainda bem que me dou bem com o marido, imagina se só brigássemos? Que bom que sei costurar, e ainda bem que eu não me desfiz das coisas de artesanato que tenho da época que costurava, tem sido muito útil nesse período para confeccionar máscara protetora, fazer brinquedos de tecido, etc.

Que bom que a minha chefe foi muito compreensível e humana, quando eu estava toda atrapalhada no início do isolamento, tentando conciliar home-office e maternidade. Ainda bem que a equipe que eu tenho é unida e tem me ajudado muito.

Eu e meu marido semanalmente tentamos enumerar quantos “ainda bem” conseguimos encontrar.

E reconhecendo tantos privilégios, eu paro de reclamar, pois não há mais nada para reclamar, só agradecer pela vida.

É uma questão de perspectiva.

~ Yuka ~

Flexibilidade para enfrentar a crise

Árvore, Vento, Conífera, Encaminhar, Crescimento

Há uma frase oriental em que diz que “em noites de tempestade, as árvores rígidas são as primeiras a quebrar, enquanto as árvores flexíveis se curvam e deixam o vento passar”.

O QUE PODE ACONTECER DE PIOR?

Alguns dos meus amigos dizem preferir viver um dia de cada vez. Já eu, acho que viver um dia de cada vez, significa levar susto a cada curva do caminho. “Reduziram meu salário!”, “Fui demitido!”, “Fiquei doente, para onde eu vou?”, “Não consigo pagar mensalidade da escola, onde meus filhos irão estudar?” e por aí vai.

Eu e meu marido já conversamos e compreendemos que o pior que pode acontecer nesta crise, é morrer. Claro que não pretendemos morrer, mas deixamos algumas coisas ajeitadas como:

  • uma reserva de emergência em ambas contas bancárias;
  • um pouco de dinheiro guardado em casa, em caso de urgência extrema;
  • se ficarmos com falta de ar, qual hospital devemos ir (que o convênio cubra);
  • se ficarmos com uma doença aleatória, qual hospital devemos ir (que o convênio cubra);
  • se o hospital do convênio estiver sem leito de UTI, quais hospitais particulares/públicos iremos?

Também temos tomado sol (na medida do possível), nos alimentando bem, e principalmente, cuidando da nossa saúde mental.

MEU SALÁRIO

Há uma possibilidade real do meu salário ser reduzido.

Apesar disso, não me preocupo muito com isso, porque além de ter uma boa reserva financeira, tenho algumas cartas na manga para enxugar ainda mais o orçamento, se assim eu desejar. Uma das vantagens de morar de aluguel é isso, a flexibilidade para aumentar ou reduzir o padrão de vida de acordo com a minha necessidade atual. Posso me mudar para um apartamento menor, para um bairro mais barato e pagar um aluguel mais em conta.

SALÁRIO DO MARIDO

Se o contrato de trabalho do meu marido for renovado por mais 1 ano, continuarei poupando 70% da nossa renda familiar.

Se o contrato dele não for renovado… bom, ainda bem que nunca paguei nenhum boleto com o salário dele. Eu nunca me iludi, quando meu salário aumentou, ou quando meu marido passou a ganhar um salário mais alto. O nosso padrão de vida sempre foi mantido apenas com o meu salário, e ainda consigo poupar uma parte dele.

QUANDO SEREI FIRE

A minha intenção era ser FIRE (Financial Independence Retire Early) aos 45 anos, ou seja, daqui a 6 anos. Agora com essa crise e recessão que estamos enfrentando, fico pensando quando será. Como eu não sou sozinha, tenho uma família junto comigo, e ainda mais 2 crianças em idades pré-escolares, todo cuidado é pouco para não me antecipar e ser FIRE antes da hora.

De qualquer forma, tenho saúde e disposição. Então, penso que na pior hipótese, continuo trabalhando e atraso alguns anos para ser FIRE. Ainda assim, continuará sendo uma aposentadoria antecipada.

MINIMALISMO

O fato de levar um estilo de vida minimalista (de viver com o que julgo ser importante para mim, e eliminar tudo aquilo que não acho importante), me fez perceber que eu não tinha gastos relevantes a serem cortados.

Eu já tinha ajustado o valor da internet há pouco tempo, eu já tinha ajustado o plano de saúde no ano passado, já economizava na luz de casa, já controlava as idas aos restaurantes, as compras por impulso, os gastos supérfluos.

Todos os gastos que eu possuo hoje, são gastos que eu acho importante para a minha família:

  • consumir alimentos orgânicos: frutas, legumes, verduras, carnes e produtos de mercearia;
  • ter plano de saúde;
  • morar em um bairro agradável e próximo de metrô;
  • ter internet de qualidade;
  • atividades ligadas à qualidade de vida como natação, lazer, viagens (interrompidas temporariamente).

Então, não houve algum gasto que eu tenha passado a economizar por conta da crise, pelo menos, enquanto não houver de fato a redução salarial.

A LIÇÃO DE CASA

  • Eu já tinha controle do meu orçamento mensal;
  • Já fazia revisão dos gastos do mês anterior há pelo menos 5 anos;
  • Já tinha reduzido gastos supérfluos;
  • Já poupava;
  • Já tinha estudado sobre investimentos;
  • Já tinha reserva de emergência;
  • Já vivia uns 4 degraus abaixo do padrão de vida que me era possível;
  • Já vivia de forma minimalista;
  • Já vivia sem desperdiçar dinheiro, alimentos e tempo;
  • Já tinha um planejamento, sempre esperando pelo melhor, mas me preparando pelo pior cenário;
  • E o mais importante, nunca coloquei o dinheiro na frente da minha família.

E assim, quando menos esperar, espero que a tempestade tenha passado, e que tenhamos sido flexível o bastante para deixar o vento passar por nós, e sagaz o suficiente para aprendermos lições valiosas desse período turbulento que estamos passando.

~ Yuka ~

O desafio da quarentena com filhos pequenos

Criança imaginação

Foto: Pinterest

Depois de quase 1 mês de confinamento, tive a brilhante ideia de entrar no guarda-roupa e me esconder das minhas filhas por uns 15 minutos. Ah, que delícia. Silêncio. Escuro. E finalmente, so-zi-nha.

Quando minha filha me encontrou, ela abriu um sorriso largo, achando que eu estava brincando de esconde-esconde.

Eu sou uma pessoa que desde criança, sempre gostei do silêncio.

O silêncio aquieta a minha alma, abraça meus pensamentos e me mantém em equilíbrio.

Indo na contramão da maioria dos pais, minhas filhas não têm acesso ao tablet, nem ao celular. Elas assistem um pouco de desenho no Netflix. Isso significa que elas ficam pouco tempo sentadas no sofá.

Elas brincam pra valer, e quando digo pra valer, significa tomar banho e conseguir molhar até o teto do banheiro. Derrubam todas as almofadas do sofá no chão para criar um oceano de faz de conta. Querem me ajudar a cozinhar, isso significa ter 2 crianças em cima de uma banqueta, enquanto eu manuseio uma faca. Traduzindo, cozinho com apenas 1 pé no chão, enquanto minha outra perna tenta fazer uma barreira para que a caçula não caia da banqueta.

E quando elas querem almoçar embaixo da mesa? Aliás, já tomamos café da manhã, os 4 em pé, porque as cadeiras estavam sendo usadas como casinha. Para ter um momento de trégua, invento de fazer uma sessão-cinema, torcendo para que se acalmem por pelo menos 30 minutos, e aí eis que derrubam toda pipoca em cima do sofá… nesse momento, há dois pares de olhos me olhando com aquela cara “foi sem querer, mamãe”.

Decido tomar um banho para relaxar… ligo o chuveiro e as danadas podem estar fazendo o que for, largam tudo, tirando as roupinhas enquanto correm pelo corredor, e chegam na porta do banheiro já sem roupa. Incrível como para certas coisas elas são tão rápidas.

Comprei um aquário com alguns peixinhos para distrai-las nesse período de confinamento, e secretamente, ter a esperança de fazer uma meditação enquanto olho os peixes nadarem. Ao tentar transferir os peixes para o aquário, muitas mãozinhas querendo me ajudar, e olhem só, o peixe pulou e caiu em cima da mesa. Gritaria geral. Até meu marido gritou. Quase surda, peguei o peixinho com a mão mesmo, e joguei de volta na água. Ufa, de volta à normalidade. Será mesmo? Comecei a pensar que ao invés de sossego, arranjei mais um trabalho pra mim. Preciso dar comida para os peixes 4 vezes por dia. Bom, pra quem dá comida para as crianças umas 7 vezes por dia, isso não parece ser uma tarefa difícil.

Não vamos esquecer que elas andam de patinete em dupla dentro do apartamento, alcançando uma velocidade considerável. Ora é patinete, ora é bicicleta, até o triciclo entra na rodada. Esses dias, decidiram que o guarda-roupa seria o novo quarto delas. Levaram seus bichinhos de pelúcia, suas roupas preferidas, biscoitinhos. Cadê minha colher de pau? Hum, dentro do guarda-roupa.

Eu não as reprimo, porque sei que são crianças fazendo coisas de crianças. Eu mesma cresci fazendo essas coisas.

Pais de crianças saudáveis, guardam brinquedos no final do dia. Pais de crianças que brincam pra valer, guardam brinquedos no final do dia, e também colocam os móveis de volta para o lugar. Arrumo a cadeira que está de ponta cabeça, coloco de volta a cômoda do quarto que foi distanciada da parede para virar um trampolim (elas fazem salto ornamental no colchão). Recoloco o encosto do sofá que tinha virado cadeirinha de praia, pedem inclusive um copo de água com canudo e uma rodela de limão para decorar.

Onde elas aprendem tudo isso? Não faço a mínima ideia.

~ Yuka ~

 

Resgate 15 hábitos antigos nesse período de pandemia

Cadeira, Casa, Estilo Country, Design De Interiores

Em períodos de quarentena em que nos encontramos, muita coisa mudou na nossa rotina. Acredito que muitos de nós, estejamos aprendendo a lidar com a reclusão, o confinamento, com a convivência mais intensa dos familiares, da falta que faz um abraço, de caminhar pelas ruas, de sentir o sol quente no rosto. Nem parece que há 3 semanas ainda fazíamos tudo isso.

Isso só me faz ter a certeza de que nós não temos controle de nada. A gente até acha que tem, mas não temos.

Nestes períodos difíceis, tento resgatar hábitos antigos da época dos nossos pais e avós para não me perder.

1.) Cozinhar mais / comer menos industrializados

Não precisa ser nada gourmet, mas cozinhar (ou aprender a cozinhar) acaba unindo a família. Como não estou pedindo comida em restaurantes, tenho feito tudo em casa, desde pizza, hambúrguer, esfiha, nhoque, risoto, iogurte, sushi, e por aí vai. É bem legal quando falo “hora de comer!!!” e as crianças já começam a rodear a mesa. Acabei de descobrir uma receita nova maravilhosa de pão caseiro, que uma hora publico aqui. Também temos comido menos alimentos industrializados, uso bastante o freezer para me ajudar a variar o cardápio, já que a frequência de ida ao supermercado reduziu consideravelmente.

2.) Fazer com o que já tem em casa

Eu queria comprar uma máscara de proteção, mas não achava mais para comprar. Antes dessa onda das pessoas fazerem as próprias máscaras, eu simplesmente peguei um tecido que eu já tinha em casa e fiz uma máscara para toda a minha família.

Outra coisa que estou praticando mais, é usar a criatividade quando falta algum produto. Se faltou a farinha de rosca, uso queijo ralado ou biscoitos esmigalhados. Se não consigo levar o edredom para a lavanderia, encho uma bacia grande com água e sabão, e chamo as crianças para pisar em cima.

3.) Aprender a ser mais auto-suficiente / desenvolver habilidades manuais

Isso significa aprender a colocar uma prateleira, consertar o chuveiro, trocar lâmpadas, fazer pequenos consertos. É muito gratificante, mesmo que no final fique um pouco torto. Estou aproveitando esse momento em casa para consertar algumas roupas, uma barra da calça que está comprida, um botão que se soltou da camisa.

4.) Confiar mais nas pessoas

Esses dias de quarentena, ando meio triste. Conversei com a equipe do meu trabalho, falei que não estava bem, que estava me sentindo sobrecarregada, me cobrando muito por não conseguir nem ser uma mãe boa, nem trabalhar direito. E olha que coisa linda, eles se dispuseram em assumir partes do meu trabalho para que eu ficasse bem.

5.) Trocar receitas e dicas com os amigos e vizinhos

Eu tenho um caderno de receitas dentro do Evernote, onde anoto somente as receitas culinárias que deram muito certo. Adoro descobrir receitas novas. Eu e minhas amigas estamos trocando receitas.

6.) Usar os produtos até o fim

Em 2015 publiquei 2 posts sobre esse assunto. Parece ser uma coisa óbvia de se falar, mas muitos dos produtos são jogados fora ou porque passou da validade ou porque a pessoa não sabe que ainda tem bastante produto dentro do rótulo que aparentemente está vazio. Aqui e aqui. Sempre usei os produtos até o final, mas não custa lembrar o valor das coisas que temos, que se o shampoo acabou, pode-se colocar água para terminar de usar até o final, isso vale para o detergente também.

7.) Ter menos coisas

Ter menos coisas significa ter menos trabalho, menos gastos, menos tempo com manutenção e limpeza.

Para aliviar a sensação de estafa, tente esvaziar a casa, arrumar a bagunça. Organizar o externo faz bem para a alma e alivia a mente.

8.) Fazer menos

Nesse período de quarentena, não é fácil administrar as tarefas de casa, do trabalho e ainda cuidar das crianças. O jeito é fazer menos.

Tenho tomado cuidado para não me sentir obrigada a ser produtiva, ler livros, ser uma super mãe. O mais importante é manter a saúde mental, para a família toda estar bem.

9.) Acompanhar menos notícias

Tenho avaliado na quantidade de notícias que estou sendo bombardeada diariamente: e-mails, grupos de WhatsApp, notícias da internet, televisão, amigos, familiares… Claro que é importante acompanhar as notícias, mas o excesso traz ansiedade e estresse.

10.) Frequentar as lojas do bairro

A grande verdade é que muitos empreendimentos estão falindo ou podem falir a qualquer momento, principalmente os pequenos. Quando vou ao mercado para abastecer a minha geladeira para a semana, tenho frequentado mercados do bairro para incentivar o comércio local, principalmente nesse momento de crise.

11.) Usar produtos naturais para limpar a casa

Eu mesma faço o sabão em pedra, que diga-se de passagem, é muito melhor do que os que compramos no supermercado. Além disso, dá para usar o bicarbonato de sódio na hora da limpeza, vinagre na lavagem de roupa etc.

12.) Usar produtos naturais para cuidar da saúde

A babosa tem uso milenar na minha família. Eu sempre usei para tratar feridas e machucados. Outra coisa que meu marido usa é o desodorante caseiro.

13.) Conversar mais

Não é porque estamos em quarentena, que não iremos conversar mais com as pessoas. Tenho conversado com os amigos, usando principalmente o áudio do WhatsApp. A pessoa conversa, e eu respondo quando consigo. E assim, vamos dialogando ao longo dos dias.

14.) Ter plantas

Quando eu tinha quintal, tinha uma pequena horta com salsinha, cebolinha, alface, lavanda, morango, alecrim etc. Depois tive as minhas 2 filhas, mudei de apartamento e as plantas ficaram para trás. Eis que nesta quarentena, comecei a sentir falta de ter plantas. Eu já estava com algumas mudas de plantas que havia pegado na rua, na água. Replantei em um vaso com terra e vê-las crescendo diariamente tem sido uma das minhas alegrias.

15.) Colocar-se no lugar do outro

Se tem o costume de pedir comida pelo delivery, que tal dar uma gorjeta mais gorda? Talvez os R$50 ou R$100 que para você não faria tanta diferença assim, pode fazer uma baita diferença para a pessoa que está ali, trabalhando em plena pandemia por necessidade.

Se mora sozinho, e o colega de trabalho está sobrecarregado (que foi o meu caso), tentando conciliar a paternidade/maternidade e o home-office, talvez seja o momento de tentar ajuda-lo, pegando um pouco do serviço dele.

Se conhece pessoas que moram sozinhas, talvez seja o momento para ver se a pessoa está bem, se precisa de ajuda.

Resgatar os nossos hábitos antigos, tirando os olhos da tela do celular, talvez seja a forma de preenchermos novamente esse mundo vazio, uma forma de reencontrar o que estávamos quase esquecendo… a importância da solidariedade.

~ Yuka ~

 

Diário de quarentena: meus investimentos

Café, Frio, Caneca, Quentes, Manhã, Bebida, Copa

Estou confinada no meu apartamento, assim como alguns de vocês.

A bolsa de valores sobe e desce loucamente todos os dias, mas surpreendentemente, estou muito, muito tranquila. Para quem tem curiosidade, até o momento, minha carteira desvalorizou -24%, mas continuo com a minha estratégia de sempre, que é de longo prazo.

Aproveitando os momentos em casa, estou tentando fazer algo útil e aprender coisas novas para não passar por essa fase que por si só é complicada, em branco.

Balanceamento da carteira de investimentos

Com a constante queda e colapso na bolsa de valores, e o meu patrimônio sendo jogado para baixo numa velocidade recorde, tenho tentado tirar algum aprendizado com toda essa volatilidade.

Muitas das coisas que estou passando neste exato momento, eu já sabia na teoria, mas nada como a vivência para ter uma compreensão melhor, para fazer ajustes na estratégia de investimentos.

Como a bolsa de valores só subia há alguns anos, confesso que estava tentada a aumentar a porcentagem da renda variável da minha carteira. Entretanto, a queda inesperada e constante da bolsa, numa velocidade surpreendente, me mostrou a importância da renda fixa, no meu caso, não para reduzir a volatilidade da carteira, e sim, para usar como uma grande reserva de oportunidades.

Depois de diversos aportes que fiz nas últimas semanas, minha carteira está basicamente 80% em ações brasileiras e 20% em renda fixa. Apesar de estar bem confortável com essa alocação, resolvi abrir o leque da diversidade e acrescentar Fundos de Investimentos Imobiliários e Investimentos no exterior.

Depois do rebalanceamento, a minha carteira continuará com boa parte em renda variável (75%), mas estará melhor diversificada:

25% Ações

Tenho 20 empresas na carteira, mas considerando o momento delicado, manterei as 20, mas continuarei aportando apenas em 10 empresas que considero sólidas, resilientes e vencedoras.

25% FII

Apesar de não gostar muito de FIIs, entendi que é importante ter um pouco de renda passiva. Atualmente tenho 3.

25% Stocks (investimentos no exterior)

Acabei de abrir uma conta no exterior. A carteira ainda está sendo montada, estou estudando e escolhendo as empresas, acredito que fecharei em 20 empresas.

20% Renda fixa

Depois de estudar sobre testamento e herança, entendi que em caso de falecimento do cônjuge, preciso ter 10% do valor total do patrimônio para desbloquear os bens: 4% seria para o ITCMD (imposto sobre doações e heranças) e 6% para advogado.

Para nos resguardar de possíveis dores de cabeça, cada um (eu e marido) manterá 10% em um CDB de liquidez imediata na conta bancária.

5% Reserva de Oportunidades

Esta reserva servirá para aproveitar futuras oportunidades.

Testamento e herança

Vou compartilhar o que eu descobri até o momento. Eu e meu marido casamos no regime de comunhão parcial de bens, apesar de eu ter tido um imóvel no meu nome quando era solteira, vendi e transformei em dinheiro após o casamento, então já parto do pressuposto que tudo é nosso, ou seja, que não tínhamos nada antes do casamento. Além disso, temos 2 filhas.

Se eu morrer SEM testamento, meu marido entra como meeiro (recebe 50% do que já pertence a ele) e minhas filhas como herdeiras, recebendo 50% restante (25% para cada uma). Ou seja, meu marido terá 50% do patrimônio preservado em seu nome.

Pela lei do nosso país, posso doar até 50% do meu patrimônio para qualquer pessoa.

Então irei fazer um testamento onde:

  • 50% já será do meu marido por ele ser o meeiro;
  • 50% restante (que é a parte que me cabe), doarei metade 50% (que equivale a 25% do total) para meu marido, e os outros 50% (que equivale a 25% do total) para minhas filhas.

Com isso, ele terá 75% do patrimônio preservado em seu nome.

Ele também irá fazer um testamento.

Ler livros

Ano passado eu li muitos livros. Esse ano ando na marcha lenta… estou tentando aproveitar essa fase de quarentena forçada para reler alguns livros dos quais gostei mais, apesar de estar bem complicado… é a arte da paciência tentar conciliar home-office com crianças enérgicas, confinadas dentro de casa há 11 dias.

Espero que todos vocês estejam bem.

~ Yuka ~

Quando não precisamos de mais nada

Fechar-Se, Colher, Colher De Pau, Idade, Rústico

Esses dias eu acumulei pontos nas compras de um supermercado, e com isso, pude trocar esses pontos por prêmios.

Um dos prêmios, me interessou… R$200,00 em compras na Etna.

Entrei no site da Etna, e por ser uma loja de móveis e decoração, tinha certeza que encontraria algo de que estava precisando. De toalhas de banho a móveis, de eletroportáteis a utensílios de cozinha, acessei diversas páginas, diversas opções, e depois de quase 1 hora procurando por algo que talvez eu estivesse precisando, cheguei a conclusão de que eu não estava precisando de nada.

Até eu fiquei impressionada, porque entre tantas opções disponíveis no site, não tive vontade de comprar nada, nem substituir nada do que eu tinha em casa por uma coisa melhor ou mais nova. Minhas colheres de pau, já estão gastas, poderia trocar por uma nova, mas as que eu uso atualmente servem tão bem… Não precisava de nenhum eletroportátil, nenhuma sanduicheira, nenhum liquidificador… não me interessei por nenhum item de decoração, nem de toalhas ou lençóis novos. De item em item, fui descobrindo o sentimento de suficiência, de estar satisfeita com as coisas que tenho no momento.

E depois de tudo isso, acabei trocando por um cupom de R$60 em compras no supermercado. Sim, para quem tinha opção entre um cupom de R$200, o cupom de R$60 não faz muito sentido, mas achei muito melhor ter os R$60 que compraria em comida (que era algo que com certeza iria usar), do que gastar R$200 em algo que não teria utilidade.

Esse momento me lembrou de um post que escrevi em 2017, onde falei que “o segredo de viver bem com menos é apreciar o que já possui e sentir-se satisfeito”.

~ Yuka ~

Assando cookies para desacelerar a rotina

Finalmente, as receitas dos meus cookies!

Tenho 3 receitas que faço com frequência quando tenho tempo, sempre tenho porções consideráveis no meu freezer, pois facilita demais a vida. Recebeu uma visita repentina? Um passeio de última hora no parque? Com vontade de comer algo gostoso na calada da noite? Em 15 minutos, esses cookies saem do forno.

Cookies com castanha do Pará

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Esse cookie é um dos que eu mais gosto, receita da minha sogra.

  • 2 e 3/4 xícara de farinha
  • 1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio bem cheia
  • 1 xícara (chá) de açúcar branco
  • 1 xícara (chá) de açúcar mascavo
  • 1 xícara (chá) de manteiga sem sal (200g) em temperatura ambiente
  • 2 ovos
  • 1 colher (chá) de essência de baunilha (opcional)
  • 300g de chocolate meio amargo picado grosseiramente ou em gotas
  • 200g de castanha do Pará picada grosseiramente

Numa bacia grande, misture (ou bata na batedeira) a manteiga, açúcar branco, açúcar mascavo, ovos e a essência de baunilha. Acrescente a farinha com o bicarbonato de sódio (Importante: o ponto da massa é conseguir segurar a massa com a ponta dos dedos sem grudar. Se estiver grudando, vá acrescentando farinha aos poucos).

Coloque a castanha do Pará e o chocolate picados, misture.

Esses cookies crescem muito, então não faça bolinhas grandes. Pegue como medida uma colher de café e faça bolinhas. Leve para congelar (ou para assar). Eu costumo congelar, porque faço estoque no freezer.

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Aqui os cookies já estão congelados.

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Depois de congelado, coloque tudo num saquinho para armazenar.

Para assar no forno, forre com papel manteiga (a minha assadeira não precisa de papel manteiga, veja se a sua precisa). Asse no forno pré-aquecido por 12 a 15 minutos.

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Esse cookie fica estufadinho, transfira-os para uma grade, para que endureçam à medida que esfriam. Rendeu 227 cookies.
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Cookies triplos de chocolate

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Receita adaptada da Nigella Lawson, bem chocolatudo.

  • 250 g de chocolate meio-amargo
  • 300 g de farinha de trigo
  • 60 g de cacau, peneirado
  • 2 colheres (cafezinho) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (cafezinho) de sal
  • 200 g de manteiga em temperatura ambiente
  • 150 g de açúcar mascavo peneirado
  • 100 g de açúcar
  • 2 colheres (cafezinho) de essência de baunilha
  • 2 ovos, ainda gelado
  • 200 g de chocolate meio-amargo em gotas

Numa bacia grande (ou na tigela da batedeira), misture a manteiga, açúcar branco, açúcar mascavo e bata até formar um creme homogêneo. Derreta o chocolate amargo no microondas. Junte o chocolate derretido no creme e misture bem. Ainda batendo, junte a essência de baunilha e os ovos gelados. Numa tigela à parte, misture a farinha, o cacau, o bicarbonato de sódio e o sal. Coloque esses ingredientes na batedeira e vá batendo até misturar tudo.

Esses cookies esparrama muito, então não faça bolinhas grandes. Pegue uma colher de café como medida e faça bolinhas. Leve para congelar (ou para assar). Eu costumo congelar, porque faço estoque no freezer.

Depois de congelado, coloque tudo num saquinho para armazenar.

Para assar no forno, pegue as bolinhas congeladas e coloque na assadeira, deixando um bom espaço entre eles, no forno pré-aquecido.

No forno, esse cookie estufa e depois desincha. Quando ficar bem achatado, é a hora de tirar do forno. Transfira-os para uma grade, para que endureçam à medida que esfriam.

Cookies amanteigados

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Esse cookie derrete na boca, receita da minha mãe:

  • 200g de farinha
  • 150g de manteiga em temperatura ambiente
  • 70g de açúcar
  • 1 gema
  • essência de baunilha

Num recipiente, misture o açúcar e a manteiga. Acrescente a gema e misture. Adicione a farinha e a essência de baunilha.

Abra um filme plástico e coloque toda a massa da cookie modelando para que fique em um tamanho aproximado de 5x7cm. Coloque no freezer por alguns minutos para facilitar o corte.

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Para deixar no freezer (que é o meu caso), deixar a massa modelada no filme plástico e fatiar de acordo com o que for assar.

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Unte a assadeira e disponha as fatias cortadas deixando um espaço entre elas. Coloque no forno pré-aquecido.

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Boa fornada para vocês!

~ Yuka ~

Como lidar com os dias difíceis

Olho, Testa, Brown, Sonho Do Dia, Pensamento, Rosto

Tem dias que são mais difíceis que os outros, não é mesmo? Aquele dia em especial em que parece que dá tudo errado, e lá no final da tarde, surge a pergunta: “porque saí da cama hoje?”

Como eu lido com dias difíceis?

1. Com os meus amigos

Tenho alguns amigos que são meus amigos do peito, moram no meu coração, amigos que sei que vou envelhecer juntos. Alguns eu tive a sorte de conhecer na faculdade quando eu tinha 18 anos. São eles que me conhecem há tempos, conhecem meus defeitos e minhas qualidades. Ouvir a voz dos meus amigos é para mim, ouvir a voz do meu coração.

2. Indo para algum lugar aconchegante

Quando não estou bem, vou para alguma cafeteria que tenha um clima aconchegante. Peço um pedaço de um bolo grande e uma xícara igualmente grande de um latte macchiato. Aquela espuma macia tocando os lábios, o gosto de um café expresso bem feito, o relógio começando a desacelerar…. me faz novamente entrar no eixo. E assim, renovada, volto melhor para casa.

3. Meu marido

Não é segredo para ninguém que acompanha este blog, que meu marido é o meu porto seguro. Ele é, com certeza, a pessoa que mais me conhece e cuida de mim. Ele sabe pelo meu olhar quando não estou bem. Ele sabe quando eu preciso de um abraço, quando eu preciso das minhas amigas, quando eu preciso estar sozinha, ou quando preciso dar uma volta.

Aliás, estou escrevendo este post de uma cafeteria, tomando o dito latte macchiato (o meu segundo… rsrsrs).

4. Algo para adoçar a boca

Quando já está muito tarde para sair, eu simplesmente tiro a massa do cookie que eu já deixo congelado no meu freezer, e asso no forno. Em 15 minutos, o cookie está pronto. Enquanto eu aguardo o cookie ficar pronto, faço um chá preto com leite. Gosto de comer na cozinha mesmo, em silêncio.

E nessas horas, vejo como é importante ter redes de apoio. Ter pessoas a quem pedir ajuda e até mesmo ter locais aconchegantes ou truques para acolher quando não se está bem.

~ Yuka ~

Você compra a felicidade?

Borboleta, Inseto, Asa, Natureza, Animais, Linda

A sua felicidade tem relação com as compras?

Quando você quer se sentir feliz, se distrair, o que faz? Vai passear no shopping, vai a um bom restaurante, faz compras, gasta dinheiro?

Tem o costume de entrar nas lojas para procurar por algo que nem sabe ainda o que é? Talvez sejam roupas, itens de decoração, presente para os outros…

Outro dia, Sapien Livre me convidou para tomar café. A iniciativa de levar café foi dele. Como escolhemos um lugar onde havia grama, resolvi levar um tapetinho para estender no chão. Ele levou o café na garrafa térmica e as canecas. Então decidi que levaria cookies e leite quente (queria tomar café com leite).

Sem gastar um único real, ficamos das 16h30 até às 20h, conversando sobre a vida.

Pra mim, a felicidade não está ligada necessariamente ao dinheiro. Claro que é muito bom poder ter conforto, comprar o que tem vontade, acolher quem precisa…. mas felicidade também é ter amigos para conversar, ter uma casa para voltar. É poder compartilhar, dividir e multiplicar a vida com alguém que amamos.

Felicidade não é sobre comprar roupas. Não é sobre comprar jogos de video-game. Não é sobre trocar o carro, comprar eletrônicos, nem comer em restaurantes chiques.

Essas coisas são o que as indústrias nos induzem a acreditar que é felicidade.

A felicidade é muito mais singela e simples do que imaginamos.

~ Yuka ~

Viver frugal para ser FIRE ou ser FIRE por ser frugal?

Bicicleta, Moto, Urbanas, Grunge, Vintage, Ciclo, Lazer

Diferentemente do que muitas pessoas podem imaginar, a minha vida não é frugal por buscar FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada).

FIRE é uma a estratégia financeira para reduzir gastos de forma eficiente, economizar e investir boa parte do salário para que o dinheiro trabalhe para você com a ajuda dos juros compostos. O intuito é viver de renda ainda jovem, e assim, sem a obrigação financeira, possa trabalhar em algo que alimente a sua alma.

Eu descobri que no meu caso, FIRE será consequência por causa do estilo de vida que eu e meu marido levamos.

Temos prazer de viver uma espécie de frugalidade opcional, conseguimos enxergar (e viver) a beleza nas coisas simples da vida.

Meu marido, por exemplo, vai para o trabalho de bike (anda 40km ida e volta), não pra economizar dinheiro, mas porque ele AMA pedalar. Não importa se está fazendo sol, ou se está tendo chuvas torrenciais, ele vai de bicicleta.

Eu por exemplo, não sinto que estou deixando de viver hoje, para desfrutar o amanhã, ou que estou aproveitando menos a vida.

Há um documentário sobre o movimento FIRE que foi lançado no ano passado, o Playing with Fire. No documentário, é possível perceber o sofrimento de um casal ao reduzir o padrão de vida que já estavam acostumados. A frustração, a dor, o desapontamento, a dificuldade e a dúvida pairam durante boa parte do documentário.

Eu não passei por essa fase. Eu não senti esse sofrimento que o casal do documentário passou para adequar a vida para iniciar a jornada FIRE.

Eu e meu marido, já poupávamos em torno de 50 a 70% do nosso salário desde 2010.

Quando descobri sobre a existência de um movimento chamado FIRE, nós já éramos minimalistas e frugais, não havia muito o que mudar. Fizemos pequenos ajustes no orçamento, estudei sobre investimentos, mas o comportamento do dia-a-dia e o padrão de consumo não mudou muita coisa. Mesmo com 2 crianças pequenas, nosso aporte beira 60 a 70%, dependendo do mês.

Claro que ao longo desses 10 anos, melhoramos nosso padrão de vida, mudamos para um bairro mais residencial, estamos comendo alimentos mais saudáveis, praticando exercícios físicos. Mas quando comparamos o estilo de vida que os nossos colegas possuem, nós ainda vivemos abaixo não só de 1, mas de alguns degraus.

Compreenda que eu não odeio trabalhar. Eu só não gosto de não ter tempo para as coisas que eu tenho vontade de fazer. Eu não gosto de fazer tudo o que eu considero importante à noite, quando já estou cansada e com sono. Não acho normal trabalhar cada vez mais, para pagar boletos cada vez mais altos, ter cada vez menos tempo e se acostumar a ficar o dia todo dentro de um escritório, perdendo os melhores anos da minha vida.

Eu só queria ter mais tempo para fazer as coisas que eu tenho vontade de fazer (já expliquei nesse post aqui Independência Financeira: o início), e por isso, a solução que encontrei – veja bem, não é o caminho mais rápido –  foi ser FIRE.

~ Yuka ~

A vida é mais bela quando não temos pressa

Lindos filhos plaiyng em um dia chuvoso Foto gratuita

O início da semana passada foi de chuva intensa… Choveu praticamente todos os dias.

Finalmente eu aprendi a não lutar contra a chuva, nem enfrentá-la. Comprei uma sandália de plástico para deixar na minha bolsa. Nos dias de chuva, fui ao trabalho com essa sandália. Chegando no trabalho, enxuguei meus pés e calcei os sapatos secos. Tenho um aquecedor que deixo embaixo da mesa… se sentia frio nos pés, deixava o aquecedor ligado por alguns minutos até me sentir mais confortável.

Também entendi que nos dias de chuvas torrenciais, de que adianta se gabar que chegou no trabalho na hora certa, mas ensopado (e ficar o dia todo com a roupa molhada)? Ninguém vai morrer se chegar um pouco mais tarde.

Aliás, ligaram da creche pedindo para buscar minha filha mais cedo. Alguns professores não conseguiram chegar.

Na volta, já de mãos dadas com ela, vimos uma lagarta enorme. Ficamos paradas, hipnotizadas com os movimentos dela, olhando não sei por quanto tempo, tentando entender para onde ela estava indo com tanta pressa.

Depois, reparamos que os cogumelos que ficam nos troncos das árvores estavam gigantes, cresceram com a chuva, pareciam mini guarda-chuvas!!!

Não ter pressa significa ter oportunidade de prestar atenção nas coisas que acontecem ao nosso redor, é um aprendizado contínuo num mundo tão acelerado.

Tenho aberto mais a janela quando começa a chover… Pego uma cadeira, encosto na janela e as crianças começam a subir para olhar a chuva cair. As mãozinhas pequenas se esticam para tentar sentir o vento e as gotas da chuva.

– Olha as árvores, mamãe, parece que estão dançando.

E através dos olhos das minhas filhas, redescubro a todo momento que a vida é mais bela quando não temos pressa para viver.

~ Yuka ~

49 coisas que não compro mais

Shopping, Loja, Compras, Kielce, Coroa, Polônia

Depois do post anterior, onde falei sobre as 5 compras mais úteis que fiz no ano de 2019, chegou a hora de listar as coisas que não compro mais.

No início, foi meio difícil de lembrar as coisas que não usava mais. Como lembrar de algo que nem sinto mais falta? Com a ajuda do marido, fomos elaborando a lista, e não é que a lista ficou grande?

Casa

1.) Cabeceira de cama: antes, eu tinha uma cabeceira de cama, mas depois que me mudei para o apartamento atual, não senti necessidade e me desfiz.

2.) Produtos de limpeza muito específicos: limpa vidro, limpa pedra, limpa limo, limpeza pesada, limpeza para cozinha, limpeza para o banheiro, limpa rejunte etc. Eu uso somente as coisas básicas como água sanitária, sabão em pedra, desinfetante, desengordurante, bicarbonato de sódio…

3.) Lâmpada fluorescente: deixamos de comprar lâmpadas incandescentes e passamos a utilizar a fluorescente. Se notamos que a conta de luz ficou mais barata? Não…

4.) Sabão em pedra: de 2 em 2 anos, eu costumo fazer o meu próprio sabão em pedra. Basicamente é uma mistura de óleo e soda cáustica na proporção correta. Limpa muito melhor do que qualquer sabão em pedra vendido no supermercado.

5.) Amaciante: Não sentimos tanta diferença na roupa, e quando queremos deixar algo macio, usamos vinagre branco.

6.) Aromatizador de ambiente: eu pagava caro por esses aromatizadores de ambiente, hoje, o melhor cheiro é o da limpeza.

7.) Cama com vários travesseiros: eu já tentei ter uma cama arrumadinha, com vários travesseiros…. mas que trabalho que dava. Era um tira da cama pra dormir, põe de volta de manhã pra deixar arrumado, tira todas as fronhas pra lavar, passa ferro nas fronhas que foram recolhidas do varal, nossa, dava muito trabalho. E com isso, hoje eu só tenho 2 travesseiros na cama: 1 para o meu marido e outro para mim.

Higiene pessoal/maquiagem

8.) Desodorante: meu marido que anda muito de bike, sempre teve problema com o cheiro de suor que insistia em permanecer nas roupas esportivas. Ele testou desodorantes de diversos tipos e preços, passei a deixar as roupas esportivas de molho no desinfetante, mas nada foi tão eficaz do que o desodorante caseiro que eu aprendi a fazer (uma mistura de amido de milho, óleo de coco e bicarbonato de sódio). Como num passe de mágica, o mau cheiro se foi. Hoje, é o único desodorante que usamos.

9.) Demaquilante: retiro a maquiagem no banho, e quando quero fazer uma limpeza profunda na pele, uso o Clarisonic Mia.

10.) Perfume: há 6 anos, deixei de usar completamente.

11.) Adesivo para tirar cravo do nariz: depois que descobri que a gelatina em pó incolor tem o mesmo efeito, nunca mais comprei.

12.) Condicionador: todo mundo em casa tem cabelo liso. Deixamos de usar por não sentir necessidade.

13.) Absorvente: o coletor menstrual é um copo feito de silicone, uma das melhores invenções que traz liberdade para a mulher. Absorvente nunca mais.

14.) Escova de dente comum: a Curaprox possui cerca de 5.000 cerdas, enquanto as comuns, possuem de 500 a 800 cerdas. Já dá para perceber porque a limpeza dos dentes se torna mais eficiente.

15.) Tintura para cabelo: eu até que gostava de pintar o meu cabelo, mas um dia simplesmente parei de pintar. Prefiro na cor natural.

16.) Maquiagens em excesso: eu tinha inúmeras maquiagens, desde primer, base, máscara, iluminador, bronzer, creme anti-rugas, creme anti-celulite e por aí vai. Comprava também 20 batons, 5 bases, diversos hidratantes… e nunca usava até o fim, porque a validade dos produtos chegava antes. Hoje, compro somente o necessário e consigo usar todos os produtos antes do vencimento.

Moda

17.) Sapatos de diversos modelos: outro item que eu tinha bastante. Em breve, faço um post sobre os sapatos que tenho. São bem poucos.

18.) Relógio de pulso: depois da criação do celular, não vejo mais necessidade.

19.) Bota de cano longo: ocupa muito espaço para guardar, substituí pelo modelo ankle boots, que é uma bota de cano curto.

20.) Roupas da moda: parei de acompanhar a moda de perto e por não frequentar tanto o shopping, deixei de me interessar pelas roupas da moda.

21.) Sapato de salto alto: taí uma coisa que eu nunca mais usei, depois que minhas filhas nasceram. Salto alto e criança no colo é uma combinação que pra mim não deu certo.

22.) Vestido de festa: prefiro alugar o vestido.

23.) Jóias: já gostei, já quis, mas hoje não quero mais.

24.) Produto falsificado: quando compro algo (pode ser bolsa, carteira, roupas…) compro sempre produto original, nada de produto falsificado.

Alimentação

25.) Bebida alcoólica: quando eu era mais nova, até bebia socialmente, mas sempre achei o gosto ruim. Hoje, posso estar num barzinho, vou de refri. Posso estar numa choperia, vou de refri. Todos podem estar bebendo, mas eu vou de refri.

26.) Granola, iogurte grego, pizza, geléia de morango, extrato de tomate: eu não compro mais esses itens da lista, porque o meu é muito mais gostoso. Depois que aprendi a fazer a minha própria granola, acho os industrializados muito duros e sem gosto. O meu iogurte grego é muito mais consistente e sei exatamente os ingredientes. A pizza é muito mais saborosa, com ingredientes de primeira qualidade. A geléia de morango quem faz é a minha mãe, se experimentasse, nunca mais iria querer outra. E o macarrão, nhoque, lasanha ficam divinos com molho de tomate caseiro.

27.) Coador de café de papel: uso um coador sintético.

28.) Óleo de qualquer tipo (soja, girassol, canola), margarina, requeijão, leite desnatado: desde que fiz reeducação alimentar, passei a evitar principalmente estes produtos e substituí por azeite, manteiga, cream cheese e leite integral.

29.) Milho, feijão e soja: dou preferência para comprar produtos orgânicos para evitar os transgênicos.

30.) Nuggets: há muitos anos, assisti um vídeo do Jamie Oliver explicando o que era exatamente nuggets. Basicamente são restos de frango que não podem ser vendidos, colocados num grande liquidificador, com conservantes, estabilizantes, realçadores de sabor e outras coisas. Fiquei com tanto nojo que nunca mais comprei.

31.) Garrafa de água: eu tenho o costume de andar na rua com uma garrafa de água.

Objetos

32.) Livros físicos: não é que eu não compre mais, mas dou total preferência para livros eletrônicos.

33.) Objetos de uso esporádico: todo final de ano, eu alugo um extrator (um aspirador potente que espirra e suga água ao mesmo tempo) para fazer uma limpeza pesada no sofá, colchão e estofados de casa. Ao invés de comprar e deixar armazenado o aparelho por 1 ano sem usar, prefiro alugar. Desta forma, não ocupa espaço da casa. Tenho o mesmo princípio em relação ao carro. Meu marido trabalha de bicicleta, e eu de metrô. Quando precisarmos de um carro, alugaremos.

34.) Presente para terceiros: já foi o período em que eu comprava presente para todo mundo. Viajava e trazia lembrancinhas. Só que percebi que quando as pessoas viajavam, elas não traziam lembrancinhas para mim. Parei (de ser trouxa).

35.) Lembrancinhas de viagem: souvenir é algo que não tenho interesse. Tanto que quando faço as minhas viagens, costumo voltar de mãos vazias. Nenhuma roupa. Nenhum souvenir.

36.) Itens de papelaria como caneta, agenda, calendário: não sei vocês, mas eu ganho muitos itens de papelaria de fornecedores: bloco de papel, canetas, lápis, agenda. Não vejo necessidade de comprar.

37.) Eletroportáteis muito específicos: omeleteira, sanduicheira, tostadeira, máquina de fazer pão… nem tenho onde guardar. Os eletroportáteis que são úteis para mim são: iogurteira, máquina de arroz, batedeira e mixer.

38.) Brindes: já teve um período que eu adorava brindes. Se era de graça, eu queria. Hoje, sei que não vale a pena levar para casa coisas que não uso. Se recebo, recuso ou já ofereço para alguém.

39.) Sacola do supermercado: quando o supermercado cobra pelas sacolas, eu uso as minhas 2 ecobags dobráveis que carrego dentro da bolsa.

Serviços

40.) Pacotes de banco: tive a sorte de conseguir uma conta digital do Itaú (este produto não existe mais). Não pago tarifa, nem TED.

41.) Garantia estendida: nunca contratei.

42.) Planos de academia: eu já paguei um plano de academia por 6 meses e só fui umas 5 vezes, foi um dinheiro jogado no lixo. Hoje, prefiro pagar mais caro, mas pagar mês a mês.

43.) Pacote de celular: o meu é pré-pago.

44.) Mão de obra terceirizada: dificilmente contrato mão de obra terceirizada. Sei pintar, montar móveis pequenos e grandes, fazer pequenos reparos, costurar, limpar casa… o que eu faço é administrar bem o meu tempo para conseguir cuidar da casa sem precisar contratar alguém.

Passivos

45.) Carro: não ter carro significa não ter diversos gastos vinculados ao carro: gasolina, IPVA, seguro obrigatório, troca de óleo, troca de pneus, limpeza do carro, troca da pastilha, estacionamento, etc.

46.) Imóvel próprio: moro de aluguel e gosto dessa liberdade/mobilidade. Só compraria um imóvel próprio se estivesse por um preço de banana.

Comportamento

47.) Não compro algo maior do que a minha necessidade: se não sei correr, não vou comprar um tênis de corrida só porque está na moda. Se eu moro com meu marido e 2 filhas, não vou morar em um apartamento de 3 dormitórios. Não compro mais sapatos, roupas, bolsas, acessórios do que consigo usar.

48.) Não compro algo para deixar guardado: se compro um conjunto de talheres, um jogo de jantar, um lençol novo, uso no dia-a-dia, eu não guardo nem para visitas, nem para ocasiões especiais, porque eu entendi que ocasiões especiais são todos os dias com a minha própria família.

49.) Não compro muitas coisas iguais ou similares: isso significa que eu tento comprar roupas de cores diferentes, calças de modelos diferentes, bolsas de tamanhos diferentes, sapatos que têm funções diferentes. Tenho apenas 1 escova de cabelo, 1 cortador de unha, 1 lixa de unha, 2 cintos (de cores diferentes), e por aí vai. Veja que é diferente de fazer estoque. Se compro dois xampus iguais, porque é o meu preferido e está com um preço bom, é uma coisa (e isso eu faço com frequência). Sair comprando vários tipos de xampus e ter vários abertos no banheiro é outra coisa pra mim, é desperdício.

Acho que é isso. Espero que tenham gostado, foram as coisas que consegui lembrar.

~ Yuka ~

As 5 compras mais úteis do ano de 2019

Loja, Compras, Sacos, Dom, Brown, Em Branco, Mercado

Eu pensei em fazer os top 10 das compras mais úteis do ano de 2019… mas ao rever as compras do ano anterior, vi que não tinha 10 itens relevantes, já que a maioria das compras giraram em torno de alimentos, vestuário, contas a pagar, etc. Então tive que reduzir para 5 itens:

  • Stone in box
  • Alimentos orgânicos
  • Celular
  • A cama de casal “montessori” para as crianças
  • Viagem

Stone in Box

Eu publiquei um post sobre esse maravilhoso forno portátil que acopla no fogão comum e permite preparar pizzas profissionais em casa.

Foi uma das compras que mais me impressionou e valeu cada centavo. Nunca mais compramos pizza, pois prefiro fazer a minha própria pizza usando ingredientes melhores, o que me permite ter uma pizza mais saborosa. Segundo meu marido que já viajou para vários países, a minha pizza é a segunda melhor que ele já comeu até hoje. Detalhe: a melhor pizza que ele diz que comeu foi na Itália, com massa de fermentação longa. É ou não é um elogio?

Alimentos orgânicos

Comentei neste post sobre o motivo de ter decidido me alimentar com alimentos orgânicos, livre de agrotóxicos. Foi uma decisão que irá beneficiar a minha família a médio-longo prazo, pois acredito que ficaremos menos doentes.

Celular

Depois de quase 6 anos, meu celular já estava com sérios riscos de parar de funcionar a qualquer momento. Aproveitei a black friday e comprei um celular novo. Espero que dure outros 6 anos.

Cama de casal montessoriana para as crianças

Ao invés de comprar 2 camas de solteiro para as minhas filhas, comprei uma cama de casal bem baixinha, para que elas pudessem entrar e sair sem depender de mim, além de não correr o risco de cair de uma cama alta.

Elas compartilham a cama, dormem juntas todos os dias. É lindo de ver as duas juntas, como comentei neste post aqui.

Viagem

Eu considero viagem um gasto importante para a família. Fiz uma viagem perto de São Paulo, nada extravagante, mas foi muito divertido e relaxante.

E você? Quais foram seus gastos mais úteis do ano passado?

~ Yuka ~

FIRE: nunca é fácil, mas vai ficando cada vez mais fácil

Passeio De Balão De Ar Quente, Balão, Flutuar, Bagan

Lembro dos primeiros anos que comecei a guardar dinheiro. Naquela época, era só colocar o dinheiro que sobrava no fim do mês na poupança, já que eu não sabia nada sobre investimentos.

A gente quando não tem um objetivo de vida, vai arranjando desculpas para torrar todo o dinheiro.

Eu comprava roupas novas todos os meses, comia na rua por preguiça de cozinhar, comprava presentes caros para colegas de trabalho, trazia lembrancinhas para todos ao voltar de uma viagem internacional…

Eu só mudei, depois que compreendi que quando gastamos de forma desnecessária, gastamos tempo da nossa vida.

“Inventamos uma montanha de consumo supérfluo, e é preciso jogar fora e viver comprando e jogando fora. E o que estamos gastando é tempo de vida. Porque quando eu compro algo, ou você, não compramos com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta. E é miserável gastar a vida para perder liberdade.” José Mujica

No início de tudo, eu e meu marido, juntávamos dinheiro daquele jeito sem compromisso nenhum. Depois casamos e praticamente zeramos nosso dinheiro por conta do casamento. Naquela época, eu tinha apenas o meu pequeno apartamento quitado de 1 dormitório.

Não tínhamos nenhuma meta em especial, mas comentávamos que podíamos comprar um carro e um imóvel próprio de 3 dormitórios daqui a alguns anos (a típica armadilha da classe média).

A nossa sorte, é que já éramos frugais e minimalistas. Mesmo sem grandes esforços, poupávamos 70% do nosso salário. Saíamos todas as semanas, comíamos bem, fazíamos anualmente de 1 a 2 viagens internacionais, principalmente, porque não tínhamos filhos.

Com o tempo, descobri que eu tinha a habilidade de gastar dinheiro em coisas que trazia felicidade. Gastava nos lugares importantes, e reduzia nos ítens supérfluos.  

Foi nessa época que eu engravidei da minha primeira filha. 

Minha filha nasceu e eu entrei de licença-maternidade por 6 meses. Sem nenhuma pressa, continuamos no apartamento de 1 dormitório. Dividíamos o quarto com ela, com o berço bem perto da nossa cama.

Foi durante a licença-maternidade que aconteceu o despertar. Eu não queria mais voltar a trabalhar, queria cuidar da minha filha. Não via mais sentido em ficar 10 horas fora de casa, sendo que havia uma criança que esticava os braços para mim, toda vez que eu me afastava.

Comecei a pesquisar sobre pessoas que se aposentaram precocemente e descobri por acaso o movimento FIRE (Financial Independence Retire Early).

Depois de devorar muitos conteúdos, estava convicta de que FIRE era para mim. Contei sobre o que eu tinha acabado de descobrir para o meu marido. Ele não só acreditou em mim, mas foi o meu maior incentivador. Para a minha sorte, embarcamos nessa jornada juntos.

FIRE espalhou na minha vida como um rastilho de pólvora, foi como um despertar para a vida. Mergulhei no mundo dos investimentos e em tempo recorde, havia lido praticamente todos os livros mais importantes sobre o assunto.

Antes do nascimento da minha segunda filha, fiz um planejamento para tentar poupar o máximo possível enquanto as crianças fossem pequenas. Percebi que o momento para guardar dinheiro era enquanto elas eram pequenas, pois a partir dos 7 anos, os gastos tendem a aumentar, ou seja, eu teria mais 6 anos pela frente.

Os aportes aumentavam mês a mês e junto com isso, fui descobrindo a alegria dos juros compostos.

O mundo dos investimentos foi muito generoso comigo e tive uma sucessão de sortes (entenda sorte como estar preparado, eu já tinha poupado e estudado muito!). Vendi meu imóvel num período de alta valorização, reinvesti esse dinheiro num período em que a renda fixa estava com taxas pré-fixadas de 19% ao ano. As ações subiram, os bitcoins subiram. E nesse meio tempo, ainda fiz compra e venda de outros imóveis e obtive lucros. Mas não se iludam, também cometi erros e perdi dinheiro.

Nove anos se passaram desde o primeiro parágrafo deste post.

Moramos de aluguel, continuamos sem carro, continuamos com o mesmo estilo de vida, aportando cerca de 70% da renda familiar.

No fim do ano passado, ao fazer a análise do meu balanço patrimonial anual, tive a grata surpresa de que os rendimentos totais recebidos já superaram os meus aportes.

Ou seja, do total do patrimônio que possuo atualmente, 40% do dinheiro veio do meu trabalho, do meu suor. E 60% veio dos rendimentos e do poder dos juros compostos.

Nestes 9 anos de investimento, a curva dos juros compostos já está relativamente íngrime, porque os aportes foram altos e constantes desde o início. E não digo que foram anos de sacrifícios, foram anos de escolhas inteligentes.

Daí o título deste post: FIRE: nunca é fácil, mas vai ficando cada vez mais fácil.

~ Yuka ~

Vai continuar ignorando as vantagens dos programas de fidelidade?

cupons

Em 2015 eu publiquei o post “faça bom uso dos programas de fidelidade“.

Alguns programas de fidelidade, eu continuo usando, outros, já deixei de usar.

No ano passado, eu tive a paciência de anotar todos os centavos que pingaram na minha conta, referente aos programas de fidelidade. Desde janeiro até dezembro de 2019, anotei todos os valores que ganhei referente a todos os tipos de cupons, programas de recompensas, cashback, prêmios nos supermercados etc, para que eu pudesse compartilhar aqui no blog.

E para quem ignora os valores pequenos, porque acha que não vale a pena, eis que eu, vim provar por A+B, que se você não faz uso das vantagens dos cupons (ou qualquer outro tipo de vantagens que os programas de fidelidades oferecem), está deixando de ganhar dinheiro.

No total, eu recebi em 2019:

  • R$213,61 pelo Méliuz
  • R$90,19 antecipando parcelas do Nubank (todas as vezes que as lojas não davam desconto, parcelei e depois adiantei as parcelas para ganhar descontos)
  • R$477,08 pelo Nubank Rewards
  • R$1.068,00 pelo Programa Mais do Pão de Açúcar (ganhei cupons da Etna, da Natura, da L’occitani, compras no supermercado, ingressos de cinema etc)

Total: R$1.848,88

Além do valor acima, recebi créditos da Nota Fiscal Paulista e ainda vendi diversos objetos sem uso no site da OLX.

Essa é a maior prova de que de grão em grão, a galinha enche o papo.

~ Yuka ~

Eu sei, mas não devia

Paisagem, Montanha, Nevoeiro, Pôr Do Sol, Céu, Nuvens

O texto abaixo, foi escrito pela Marina Colasanti, no livro “Eu sei, mas não devia”, da Editora Rocco, 1996.

Eu sei, mas não devia – Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

~ Marina Colasanti ~


E por mais triste que seja, é a pura verdade. E ainda vou além, a gente se acostuma a trabalhar doente, a esconder a dor de cabeça, a febre, o cansaço no corpo, tomando remédios cada vez mais fortes.

A gente se acostuma a aceitar tomar veneno todos os dias, em doses homeopáticas, quando aceitamos que o uso de agrotóxicos nos alimentos é algo normal.

Um dia a gente para de sorrir, para de contar piada, para de sentir emoções, passa a achar que expressar amor é coisa de gente cafona, e quando a gente percebe, a gente já morreu por dentro.

Eu tento a todo momento fazer o caminho de volta.

Pra eu nunca esquecer de dizer ‘eu te amo’ para meu marido e minhas filhas. Pra eu sempre lembrar que as minhas filhas existem pelo fato de eu amar muito o meu marido. Primeiro eu amei meu marido, e desse amor nasceram as minhas filhas.

Não quero esquecer nunca de sentir o calor de um abraço, a ternura do olhar, viver uma vida mais tranquila, com mais amor.

Eu não quero parar de sentir, nem parar de viver.

~ Yuka ~

 

 

Como trazer o seu futuro para o presente

Eu sei que a maioria das pessoas, não foram encorajadas a pensar no futuro, muito menos incentivadas a fazer planejamentos. Somos imediatistas.

Apesar de saber que é difícil pensar em algo que nem aconteceu, e ainda por cima fazer um planejamento a longo prazo, eu tenho um truque que funciona bem.

Eu penso em mim velhinha…. com os meus 80, 90 anos de idade… e fico pensando que tipo de vida eu teria na minha terceira idade.

Quando contemplo o eu do futuro, vejo eu e meu marido cheio de rugas e cabelos brancos, felizes e saudáveis. Nossas filhas já são adultas e responsáveis, que me enchem de orgulho. Moro num apartamento confortável, do tamanho certo, nem grande, nem pequeno demais. Tenho tranquilidade financeira, que proporciona uma vida de muito conforto, o que permite fazer excelentes viagens na companhia dos meus bons e velhos amigos. Gosto muito de cuidar dos netos no meu tempo livre.

Ao ler o parágrafo acima, eu separo as frases em tópicos para facilitar:

“Vejo eu e meu marido…”

Ou seja, estarei com o meu marido. Para continuar feliz no meu casamento até os meus 90 anos, é preciso continuar cuidando do outro, conversar bastante, alinhar os interesses, tornar o casamento uma prioridade.

“… felizes e saudáveis”

Tudo bem que estou comendo de forma mais saudável, mas pratico algum exercício físico? Não. Então é algo que preciso pensar a respeito para tornar o meu corpo mais resistente.

“Nossas filhas já são adultas e responsáveis, que me enchem de orgulho”

Para que isso seja possível, não quero ter preguiça, quero continuar levando as crianças para brincar na rua, ler bastante livros, dar bastante atenção e amor.

” Moro num apartamento confortável”

Por essa frase já deu pra perceber que não faço questão de ter um imóvel próprio, desde que eu o transforme em um lar.

“Tenho tranquilidade financeira”

Já estamos no caminho certo para que isso se torne realidade.

“…permite fazer excelentes viagens”

No final do ano passado, voltei a estudar inglês, já que perdi a fluência. Vai ser bem útil nas minhas viagens internacionais.

“…na companhia dos meus bons e velhos amigos”

Taí uma coisa que eu quero melhorar. Apesar de ter os meus bons e velhos amigos de sempre, quero fazer novas amizades.

“Gosto muito de cuidar dos netos no meu tempo livre”

Para cuidar de netos, preciso ter disposição física. Mais uma vez, a necessidade de cuidar do meu corpo.

* * *

A partir destas constatações, elaborar metas se torna uma tarefa um pouco mais fácil. Cada item se transformará em uma meta (não do ano, mas meta da vida) que engloba as seguintes áreas da vida: casamento, saúde física e mental, filhos, estudar coisas novas, tranquilidade financeira, hobbies e relacionamentos.

É desta forma que trago o meu futuro para o presente.

Se eu quer manter o meu casamento feliz, o que eu tenho feito hoje para que isso se perpetue?

Se eu quero ter saúde na velhice, tanto mental como física, o que eu tenho feito?

Se quero ter filhas conscientes, educadas e bem criadas, o que tenho feito para que isso aconteça?

Se quero aposentar mais cedo, o que tenho feito para que isso seja possível?

Vai se surpreender como muitas vezes a resposta é um “Preciso melhorar” ou até mesmo um “Não estou fazendo nada”.

Vocês viram o meu caso em relação a saúde. Quero envelhecer com saúde, mas não tenho feito nada para que isso se torne realidade (já estou providenciando).

Se você quer criar o seu futuro, o segredo é pegar um grãozinho de areia hoje para criar seu castelo de amanhã.

~ Yuka ~

Minimalismo não é sobre não ter nada. É sobre ter tudo que é importante para você

Beco, Bowever, Construção, Centro Histórico

Eu coloquei essa foto para exemplificar o que eu acho em relação ao minimalismo.

Para muitos, as portas desta foto não significam nada, absolutamente nada. Essa é a minha vida: uma vida simples, sem glamour, sem ostentação.

Para muitos, uma vida totalmente sem graça.

A graça toda está justamente nos olhos de quem vê. Da mesma forma que eu vejo beleza nessa foto, na porta descascada perto da maçaneta, a beleza das marcas do tempo na madeira, eu vejo beleza na minha vida simples.

Quando falo isso, é porque realmente eu acho que vivo uma vida muito boa, cheia de abundância, com uma família que me apoia, um marido carinhoso, filhas saudáveis, um emprego bom que me proporciona morar em um bairro seguro. O que mais eu poderia querer? Como diz o meu marido, “nós já tivemos muito mais do que jamais poderíamos imaginar”.

Quando eu olho para as coisas que eu aprendi a fazer sozinha, tenho muito orgulho. Quando eu resolvo fazer as coisas por conta própria (como um DIY – do it yourself), tenho a plena consciência de que em muitos casos, sai mais caro do que se eu simplesmente comprasse algo ou contratasse alguém. Mas novamente, não faço pelo dinheiro, faço porque gosto de trabalhos manuais. A economia do dinheiro acaba se tornando a consequência.

No domingo passado, já no final do dia, eu e meu marido decidimos dar uma volta pelo bairro com as crianças, só para dar uma caminhada para esticar as pernas. No meio do caminho, minhas filhas encontraram um barranco e um pedaço de papelão, e as duas simplesmente começaram a escalar o barranco e descer sentadas no papelão. Só ouvia as gargalhadas das meninas. São esses momentos que eu tenho a certeza absoluta de que eu tenho uma vida rica.

Lembro muito bem desse momento, onde eu e meu marido nos olhamos e mesmo sem abrirmos a boca, sabíamos que pensávamos a mesma coisa: a felicidade genuína que sentimos nesses momentos de simplicidade. Enquanto algumas pessoas podem enxergar uma vida como a minha, como vida de escassez, eu e o meu marido só enxergamos abundância, gratidão e felicidade.

As pessoas que acham que eu não tenho nada, é porque possivelmente dão valores para coisas que eu não faço questão. E com isso, eu reafirmo que minimalismo não é sobre não ter nada. É sobre ter tudo que é importante para você.

Eu desejo a vocês, queridos leitores, um Feliz Ano Novo.

Que no ano de 2020, possamos reescrever a história da nossa vida.

Um grande beijo.

~ Yuka ~

O essencial é invisível aos olhos

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No mês passado, eu fiz para as minhas filhas, dois calendários de contagem-regressiva para o Natal. A intenção é colocar a partir do dia 1 de dezembro até o dia 24 de dezembro, algum docinho de acordo com a data: bala, chocolate, caramelo…

Virou a sensação do dia, quando chego em casa, elas pulam em cima de mim pedindo o álbum.

Daqui a alguns anos, para variar um pouco, eu pretendo colocar algumas moedinhas e frases de elogio.

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Nesse Natal, ao invés de tantos presentes, dê mais presença, mais tempo, mais disponibilidade para as pessoas que você ama.

Não se esqueça que as coisas mais importantes, são invisíveis aos nossos olhos.

Generosidade e gratidão devem fazer parte do nosso vocabulário não só no Natal, mas no ano inteiro.

Desejo a todos vocês, um Feliz Natal.

~ Yuka ~

A sua falta de interesse em investimentos pode custar muito caro

Menino, Sozinho, Sessão, Banco, Pôr Do Sol, Sol

Quando comento sobre investimentos com as pessoas, elas costumam ter uma desculpa na ponta da língua: vão começar daqui a algum tempo, talvez no ano que vem, quando conseguirem uma promoção, quando mudarem de emprego, quando terminarem de pagar as dívidas, quando as crianças crescerem etc.

O que elas não entendem, é que quando falamos de investimento, a cada ano postergado, a pessoa terá que trabalhar muito mais para alcançar a aposentadoria (ou tranquilidade financeira, ou independência financeira), já que receberá menos juros compostos.

Para quem não entende de investimentos, o parágrafo anterior não faz sentido nenhum, são apenas palavras soltas. Para quem entende de investimentos, significa ‘não dar valor ao dinheiro’, ‘rasgar dinheiro’, etc.

Desconsiderando a inflação, uma pessoa que ao invés de investir por um período de 30 anos, e resolve atrasar “apenas” 5 anos, achando que não vai ter tanta diferença assim no patrimônio final, terá uma surpresa desagradável. Esses 5 anos que a pessoa resolveu simplesmente ignorar, terá um efeito devastador no patrimônio, já que a diferença do valor acumulado entre uma pessoa que poupou por 25 anos e outra que poupou 30 anos será quase 50% menor.

E por quê toda essa diferença?

Por causa dos juros compostos.

INVESTINDO POR 25 ANOS INVESTINDO POR 30 ANOS
APORTE INICIAL R$ 5.000 R$ 5.000
APORTE MENSAL R$ 500 R$ 500
TAXA A.M. 0,80% 0,80%
VALOR ACUMULADO R$ 674.484,65 R$ 1.126.249,05

Reparem que a única variável que muda nos dois exemplos é o tempo investido, uma diferença de apenas 5 anos. O aporte inicial é o mesmo, a taxa mensal é a mesma, o valor do aporte mensal é o mesmo.

Essa única diferença de 5 anos, fez com que o valor acumulado, que seria de R$1.126.249,05, fosse reduzido para R$674.484,65.

Ou seja, por não ter investido R$30.000 (R$500 por 5 anos), a pessoa literalmente jogou no lixo R$421.764,40.

Vou dar outra informação que será chocante para quem não entende de investimentos.

Desse montante R$1.126.249,05, apenas R$185.000,00 foi dinheiro trabalhado do seu suor. Os outros R$941.249,05 foram juros compostos, ou seja, o seu dinheiro trabalhou para você.

Quem, em sã consciência, rasgaria 1 milhão de reais? Ninguém. Mas na prática, quando decidimos ignorar sobre a importância dos investimentos na nossa vida, a maioria da população rasga dinheiro todos os dias sem perceber.

Assustado?

Está na hora de correr atrás do prejuízo, antes que seja tarde demais.

Nota: Tem uma frase que eu não sei de quem é “Antes de correr, aprenda a andar. Tudo na vida tem sua hora, seu lugar”. Muitas pessoas me perguntam onde eu invisto, como consigo rentabilidades boas, só que esquecem que eu já faço isso há anos, esquecem que eu estudei todos os dias. Antes de querer se aventurar na renda variável, comece economizando parte do seu salário. Veja onde é possível enxugar gastos. Leia livros sobre investimentos, acompanhe blogs, sites e vídeos no YouTube sobre o assunto, comece devagar. Tudo tem o seu tempo. Eu não sei com qual educador financeiro você irá se identificar, então a alternativa que resta é pela tentativa e erro. Foi assim comigo, será assim com você. Faça a sua lição de casa, estude, há muitos conteúdos gratuitos. Só assim, irá entender como funciona o mercado financeiro e descobrir que investir não é difícil.

~ Yuka ~

A cada 10 anos, um renascimento: seu futuro está nas mãos de quem?

Pele, Olho, Íris, Azul, Mais Velhos, Dobre

O brasileiro no geral, não tem o costume de pensar no futuro… talvez estejamos mais acostumados a pensar sobre o passado. Então vamos falar um pouco sobre o passado.

Há dez anos, quantos anos você tinha? Onde morava? Onde trabalhava? Como era a sua vida? Estava feliz? Quais eram os seus sonhos, as suas ambições?

Dez anos se passaram e temos o dia de hoje.

Ao fazermos as mesmas perguntas, percebemos como as respostas são diferentes. E com isso, entendemos que o tempo passou, que nosso comportamento mudou, algumas vezes para pior, outras vezes para melhor.

Há dez anos, eu tinha acabado de me divorciar, morava sozinha, presa na armadilha do consumo, com quase nada de dinheiro.

Dez anos se passaram e hoje estou casada, sou mãe de 2 crianças, chegando perto da minha Independência Financeira.

Em 2015, lembro também de uma conversa que tive com algumas colegas de trabalho, sobre a possibilidade de viver de renda, sem depender do INSS. Todas se encantaram, vibraram, aplaudiram… até descobrirem que precisariam fazer 4 coisas: economizar, estudar sobre investimentos, aportar todos os meses e deixar o dinheiro trabalhar por pelo menos 10 anos. Desde a conversa, já se passaram 5 anos, e até onde eu sei, ninguém fez absolutamente nenhum movimento.

Pare para pensar agora: se tivesse feito algo diferente há 10 anos, a vida hoje, já não estaria muito melhor?

Um exemplo? Um orçamento doméstico, com gastos revistos, 500 reais investidos a uma taxa hipotética de 0,80% a.m., faria com que depois de 10 anos tivesse mais de 100 mil reais, sendo que 40 mil reais seriam de juros compostos. Em 20 anos, teria mais de 360 mil reais, sendo que 243 mil reais seriam de juros compostos. Em 30 anos, teria mais de 1 milhão de reais, sendo que 866 mil reais seriam de juros compostos.

Ou seja, um simples ato de poupar 500 reais por mês, faz com que um cidadão comum, tenha mais de 1 milhão de reais na conta, sendo que “só” poupou 180 mil reais.

As pessoas torcem o nariz por pequenas mudanças de hábito, mas um pequeno hábito pode se tornar algo gigante, quando os anos se sobrepõe.

Se queremos controlar uma parte do futuro, devemos começar a fazer algo a partir de hoje. Não vamos deixar nas mãos de terceiros.

Se o trabalho está chato, por que não mudamos de comportamento? Se o custo de vida está caro, por que não nos esforçamos para aumentar a renda ou reduzir os gastos?

O fim-de-ano, é um ótimo período para repensar nas atitudes, avaliar o ano que passou e fazer diferente a partir do ano que vem.

~ Yuka ~

Por que pensar em morrer é tão importante?

Pessoas, Mulher, Viagens, Aventura, Caminhada, Montanha

Há alguns dias, recebemos a notícia de que Gugu sofreu um acidente dentro de sua casa e faleceu. Assim, de repente.

Ainda nesses dias, estava conversando com o André, do Viagem Lenta, sobre o post que ele escreveu “Como usar sabiamente o tempo? Com a mala ou com a estrada?”, e acabei comentando que eu penso muito na morte.

O motivo de eu pensar tanto na morte não é algo proposital, macabro ou até mesmo pessimista. Eu sempre fui assim. Talvez, porque lidei com a morte do meu pai precocemente, aos 3 anos de idade…

Eu sempre penso na morte, não porque quero morrer, e sim, porque eu quero viver. 

Muitas pessoas não pensam na morte, não falam sobre a morte, porque é difícil a sensação de não estarmos mais aqui. Mas quando evitamos esse assunto, não nos preparamos também para morrer, e com isso, podem surgir arrependimentos.

Eu não deixo nada pra depois, porque eu não sei se eu vou ter o depois.

A vida é um cronômetro, e após meu pai ter morrido com 35 anos, tenho muita consciência de que estou tendo mais oportunidades de viver do que meu pai teve, já que tenho 38 anos. Tento aproveitar ao máximo (e isso não significa gastar dinheiro à toa), porque da mesma forma que aconteceu com o Gugu, posso não estar mais aqui daqui a 1 segundo.

E por reconhecer a finitude da vida, tenho algumas atitudes preventivas:

Fotos armazenadas na nuvem

De forma automática, todas as fotos que eu tiro do meu celular vão para o Google Fotos. Meu marido tem a senha, porque SE eu morrer, não quero levar para o túmulo as fotos da família que tanto nos emocionam, e meu marido nunca mais conseguir acessar as nossas fotos.

E passei a fazer isso, porque antes, eu armazenava as fotos no HD externo e um dia pensei que SE minha casa pegasse fogo, talvez eu voltasse para pegar o HD que estão todas as fotos da minha família. E eu não queria isso. Eu queria que a minha única preocupação fosse salvar a minha família (há diversos casos de pessoas que saíram ilesas de uma casa pegando fogo, mas acabam morrendo, porque voltam para pegar algo de valor).

Receitas culinárias armazenadas na nuvem

Apesar de achar mais fofo e prático ter um caderno de receitas, eu armazeno todas as minhas receitas aprovadas e testadas no Evernote (software que serve para organizar informações através de arquivos, notas) e compartilho a senha com o meu marido, porque SE eu morrer, não quero que minhas filhas não consigam reproduzir as receitas preferidas delas. Quando minhas filhas tiverem uns 12 anos, elas também terão a senha.

Despedidas virtuais

Meu marido tem a senha do meu blog Viver Sem Pressa, porque SE eu morrer, quero que ele venha avisar vocês o motivo de eu ter parado de escrever.

Armazenamento das senhas

Eu e meu marido temos instalado no nosso celular, o aplicativo 1Password (aplicativo que gerencia senhas em um cofre virtual criptografado e bloqueado). Todo final de ano, checamos se as nossas senhas mais importantes estão corretas. Compartilhamos senhas de e-mails, bancos, corretoras etc.

Planejamento financeiro

Eu cuido da vida financeira da minha família, porque SE eu morrer, minha família vai sentir a minha falta, mas não vai passar necessidades financeiras, como a minha mãe passou, quando ficou viúva aos 35 anos, com 3 filhas pequenas. Também sempre explico para o marido as decisões que eu tenho tomado em relação aos investimentos (o porquê de ter aumentado posição na renda variável, o porquê de não investir mais em CDBs de bancos pequenos etc), pois desta forma, acredito que SE eu morrer, ele vai continuar aplicando a mesma estratégia que eu tenho usado.

Alimentação saudável

Eu cuido da minha alimentação e da minha família, porque eu sei que SE nós continuarmos comendo muitos carboidratos e açúcares, a chance de termos doenças como diabetes, câncer e obesidade tendem a aumentar. Isso inclui aumento da ingestão de alimentos orgânicos, redução de produtos industrializados e redução de açúcar e carboidratos.

O último abraço

Trato meu marido com muito carinho, porque não quero me arrepender SE um dia ele sair de casa para trabalhar e não voltar nunca mais.

Quando minhas filhas me pedem para colocá-las para dormir, coloco para dormir (apesar de ainda ter que cozinhar a marmita do dia seguinte, limpar a casa, estudar), porque não quero me arrepender SE a última palavra que eu disser para elas forem um “não” (há algumas semanas, uma colega me falou que o melhor amigo do filho dela foi dormir no dia anterior e não acordou mais. Ele tinha 13 anos…).

O último desejo: doação de órgãos

Este item eu acrescentei depois que publiquei o post, pois apesar de ter vontade de doar os meus órgãos após a minha morte, fiquei me perguntando se meu marido sabia com clareza dessa minha vontade.

Se você for doador de órgãos, é muito importante deixar claro para a sua família, para que o seu último desejo seja respeitado.

E por fim…

Eu penso na morte a todo momento para lembrar como a vida é frágil, e que eu preciso viver de uma forma completa, feliz, sem arrependimentos.

O tempo passa rápido demais e eu preciso aproveitar a jornada da minha vida da melhor forma possível.

E sinceramente? Isso não é sobre comprar coisas, ter coisas para ostentar, viajar para lugares caros, ir em shoppings e torrar o dinheiro.

Quando digo aproveitar a vida é estar presente enquanto estou com as minhas filhas e com o meu marido. Registro mentalmente as brincadeiras que fazemos, os sorrisos, o abraço, o cheirinho, a vozinha infantil me dizendo espontaneamente “ti amu, mamã”, a sensação de ter as mãos pequenininhas em volta do meu pescoço, porque sei que essas mãos um dia vão crescer.

Outro dia, li em algum lugar a seguinte frase “o que você faria se soubesse que o mundo acabaria em 24 horas?”. A minha resposta é simples. Eu só não iria trabalhar. De resto, faria exatamente as mesmas coisas. Estaria com a minha família, preparando uma comida gostosa, abraçados no sofá até o mundo acabar.

São essas ações diárias que faço para não me arrepender. E são justamente essas pequenas ações que acabam me proporcionando uma vida com mais qualidade e toda vez que eu penso nisso, sinto que estou no caminho certo. Daí a percepção de que “coisas” são insignificantes; “pessoas” são importantes.

O post de hoje para alguns, pode soar sobre tristeza, mas não é. É sobre viver e aproveitar o tempo. É um ode à vida.

~  Yuka ~

A importância de ensinar as crianças a compartilhar

Menino, Nas Costas, Irmãos, Crianças, Bonito, Menina

Acho muito importante uma pessoa ser capaz de compartilhar. Só que o que era natural para a geração dos nossos pais, e (um pouco menos) na nossa geração, compartilhar está ficando cada vez mais raro, pois todo mundo vive isolado no seu mundo, no seu quarto, no seu sonho, no seu universo, girando em volta do próprio umbigo.

Hoje em dia, as crianças são estimuladas desde cedo a não compartilhar. Não compartilham o quarto, não compartilham a cama, não compartilham a roupa, não compartilham a comida, , nem o lanche, muito menos o brinquedo…. e quando crescem, acham natural não compartilhar acontecimentos, sonhos, segredos, dúvidas e medos. Não conseguem tolerar o diferente, pois nunca tiveram que compartilhar nada, não tiveram que aguardar a sua vez, a conviver com as diferenças.

Andando na contramão da maioria dos pais, tenho feito algumas coisas com as minhas filhas.

Elas compartilham o quarto

Sim, fiz questão de morar em um apartamento de 2 dormitórios para que elas fossem obrigadas a compartilhar o quarto.

Elas compartilham a cama

Desde que minha segunda filha nasceu, elas dormem em um colchão de casal. No início, fiz isso por uma questão de facilidade, pois eu precisava amamentar a caçula, sem deixar a mais velha de escanteio. Ter um colchão de casal para elas foi a forma que encontrei de estar em contato com as duas no momento do sono.

Só que depois de quase 3 anos, o colchão ainda continua lá (na verdade, consolidou, já que comprei no mês passado um colchão melhor para elas), com a minha filha com os seus quase 5 anos, e a mais nova com os seus quase 3 anos. Quando uma acorda no meio da noite, é esticando a mão e encontrando a outra irmã dormindo, que encontra a paz e adormece em seguida. Por diversas vezes encontrei as duas dormindo abraçadas, ou de conchinha, ou com a perna em cima da barriga da outra.

Quando perguntei para as duas se cada uma queria ganhar uma cama, a mais velha disse que sim, já a mais nova, disse que queria continuar dormindo junto com a irmã. E não é que a irmã resolveu mudar de ideia para atender o pedido da mais nova e  disse que tudo bem continuar dormindo na mesma cama?

Eu sei que daqui a alguns anos, quando elas se tornarem pré-adolescentes, existe a chance delas não quererem ficar tão perto uma da outra, pelo menos por um tempo. Por isso, quanto mais convívio elas tiverem agora, mais tiverem que dividir, compartilhar, melhor.

Elas compartilham o lanche

Quando vou passear em alguma praça, no SESC ou em algum lugar perto de casa, elas acabam pedindo alguma coisa pra comer. Eu geralmente levo frutas para beliscar, mas às vezes, pedem um sorvete. Quando está perto da hora do almoço, eu até atendo o pedido, mas compro apenas 1 e peço para elas compartilharem. E não faço isso pensando no dinheiro, e sim, na aprendizagem que esse ato traz. Chega a ser engraçado ver a cena das duas compartilhando o sorvete. A mais velha é mais ansiosa, então a boca morde mais vezes, enquanto a caçula é bem tranquila. As duas precisam respeitar o ritmo da outra para que elas tenham as mesmas oportunidades de comer e se sentirem satisfeitas.

Elas compartilham roupas

Outra coisa são as roupas. Elas ganham roupas das filhas das minhas amigas e primas. E com isso, sabem que elas ganharam roupa de alguém da mesma forma que no momento em que a roupa ficar pequena, vai passar para outra criança. É o exercício do desapego.

A caçula muitas vezes quer experimentar vestidos da  irmã, enquanto ela tem vontade de usar novamente algumas roupas que já foram passadas para a caçula. Elas já entenderam que quando uma cede, a outra cede também.

Elas compartilham brinquedos

Os brinquedos que compramos, geralmente não são de uso exclusivo para uma única criança (claro que tem coisas que elas ganham só para elas), então elas precisam brincar juntas, se quiserem se divertir para valer. E se brigam por não querer dividir, eu confisco o brinquedo e as duas ficam sem.

Elas compartilham eletrônicos

Muitas casas têm mais de 1 televisão. Na nossa casa, temos só 1. Na hora de assistir desenhos na Netflix, por conta da diferença de idade, elas querem assistir desenhos diferentes. Já ensinei que é 1 desenho para cada. Às vezes até eu entro na rodada só para elas esperarem um pouco mais. Apesar de ter tablet, eu nunca ligo o tablet quando a televisão está ligada e vice-versa para não criar a cultura de enquanto uma assiste algo, a outra vai jogar no tablet.

E qual tem sido o resultado?

Elas são pequenas, e claro que tudo na sua devida proporção, eu já vejo os benefícios pelas decisões tomadas.

As crianças estão aprendendo cada vez mais a pensar na outra pessoa.

A minha filha mais velha já sabe que tem que dar a mãozinha para a caçula na hora de andar na rua, colocando-a para o lado da calçada. Na hora do banho, por diversas vezes, sem eu precisar falar nada, a mais velha ajuda a tirar a blusa enroscada, dá a mão para a caçula não escorregar na hora de entrar na bacia. Eu e meu marido não estaremos aqui para sempre. Então é uma forma das duas se apoiarem, confiarem uma na outra.

Isso reflete inclusive quando vêem uma criança brincando sozinha na praça, elas chamam para brincar junto, oferecem os brinquedos para brincar junto.

Minha mãe olhando isso, passou a colocar o suco de laranja em apenas uma garrafa, ao invés de 2 garrafinhas, como ela fazia antigamente. Ao chegarem em casa, elas tomam um pouquinho e passa para a outra irmã, sempre pensando que a outra ainda não tomou o suficiente. É muito bonito ver crianças de 2 e 4 anos falarem uma para a outra “toma, pode tomar mais um pouquinho”,  “deixei o restinho pra você tomar tudo”.

Ontem mesmo, dei um pouquinho de granola no pote para cada uma, enquanto eu estava preparando o jantar. A caçula terminou antes e começou a chorar, foi quando a mais velha dividiu a sua granola (que já tinha pouco) no pote da irmã, e elas terminaram de comer felizes.

Com tudo isso, espero que elas compreendam o quanto é essencial saber esperar a vez, compartilhar, serem generosas, terem empatia, para que aprendam a importância de se amarem, apesar das diferenças.

~ Yuka ~

 

Alimentação: 16 dicas para economizar sem sacrifícios

Uvas, Cacho, Frutas, Exploração, Colheita, Maduro

Como andam seus gastos de alimentação?

Os meus não estão nada baratos, mas é por um motivo justo: introdução dos alimentos orgânicos.

Então aqui vou dar dicas do que tenho feito para economizar na alimentação, sem sacrifícios:

1.) Aproveite talos e cascas para fazer caldo de legumes

Essa eu aprendi com a minha mãe e também com uma chef de cozinha que fazia a mesma coisa para alimentar sua família de forma saudável, sem desperdício.

Sabe aquelas cascas de legumes e verduras que vão para o lixo? No meu caso, eu guardo tudo num pote de sorvete que fica no freezer. Guardo talos de espinafre, de couve-manteiga, de brócolis, cascas de batata, cenoura, alho, cebola, tudo que basicamente iria para o lixo orgânico, eu armazeno no meu pote.

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Quando o pote fica cheio, eu coloco numa panela de pressão cobrindo com água e deixo por uns 20 minutos. Escorro o caldo, espremo bem os vegetais para soltar mais caldo e guardo no congelador em cubos de gelo.

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Agora vem o pulo do gato. Em que situações eu uso?

  • Ao invés de usar água para cozinhar o feijão, uso o caldo.
  • Ao invés de usar água para fazer carne de panela, uso o caldo.
  • Ao invés de acrescentar água para amolecer uma abóbora (ou um brócolis, ou um chuchu) que está sendo refogada, uso o caldo.
  • Ao invés de usar caldo industrializado para fazer um risoto, uso o meu caldo caseiro.
  • Ao invés de usar água para fazer canja, uso o caldo.
  • Ao invés de fazer missoshiru com água, uso o caldo.

Basicamente no lugar de usar água, eu uso o caldo. Assim, mesmo oferecendo uma refeição básica, há diversos legumes e verduras embutidos dentro da minha comida graças ao meu caldo.

Na minha família, raramente ficamos doentes.

2.) Faça um cardápio semanal (no meu caso, de 3 dias)

Eu sempre tive muita preguiça em fazer o cardápio semanal, porque nunca dava certo. Eu comprava os ingredientes, só que ao longo da semana, me perdia toda na organização. No dia que estava planejado o estrogonofe, eu tinha vontade de comer feijoada. No dia que era para eu comer peixe, tinha vontade de comer ovo. Além de não saber lidar com as sobras. E ainda surgia a dúvida, como vou preparar mais comida, se ainda havia sobras na geladeira?

E com isso eu acabei adaptando o meu cardápio semanal para cardápio de 3 dias. E deu certo. Como o período é curto, consigo prever com mais facilidade, e os gastos com alimentação deu uma boa reduzida. Esse cardápio de 3 dias, muitas vezes acaba virando de 4 dias, 5 dias, dependendo da quantidade que comemos.

3.) Aproveite as promoções de produtos não-perecíveis

Na minha casa, não sei o que acontece, mas azeite e manteiga é uma coisa que consumimos bastante. E com isso, quando esses itens entram na promoção, aproveito e faço um estoque que dura meses!

4.) Compre na quantidade certa

Essa dica parece ser bem óbvia, mas não é que é difícil de acertar? Eu tento comprar na quantidade certa que dura uns 3 a 4 dias, por causa do meu cardápio de 3 dias.

5.) Aproveite os ossos para fazer caldo

Sabe aquele osso que você despreza quando limpa o frango? Adivinhem? Vira caldo. Meu freezer está cheio dessas coisas. Outro dia fiz canja de galinha com o caldo de galinha que a minha mãe sempre faz e deixa estocado no meu freezer. Não usei água. Só o caldo de galinha da minha mãe e o meu caldo de legumes. Ficou super saboroso, além de nutritivo

6.) Aproveite o soro que sobra quando fizer iogurte caseiro

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Esse soro (é o whey protein!) tem diversos nutrientes que podem ser aproveitados:

  • uso para deixar os grãos de molho (feijão, grão de bico)
  • uso substituindo o leite pelo soro quando faço bolo, pão
  • quando faço um omelete, coloco 1 colher de sopa para enriquecer
  • purê de batata? Ao invés de usar leite ou creme de leite, uso o soro
  • quando vou empanar um bife, acrescento um pouco deste soro no ovo.

7.) Use o freezer como aliado

Tem alguns pratos que eu gosto de fazer a quantidade dobrada, como o quibe recheado, feijoada.

Também tenho costume de preparar a massa do cookie e congelar em pequenas porções, assim, sempre tenho cookies quentinhos saindo do forno, disponíveis para comer a qualquer momento do dia.

8.) Transforme as sobras usando criatividade

A carne moída de hoje vira recheio de pastel de amanhã. Se ainda sobrar, vira macarrão bolonhesa. Se ainda sobrar, vira recheio de batata assada.

Sobra de molho branco? Acrescento alguns tipos de queijos e vira creme de queijo com pão italiano.

Vinagrete? Vira bruschetta.

Frango assado do domingo sobrou? E dá-lhe arroz de forno com queijo derretido com tomilho.

Pão velho vira torrada doce ou farinha de rosca.

Quando faço patê de ricota, gosto de temperar com sal grosso e chimichurri. Esse patê que sobra vira recheio do tomate recheado. O recheio do tomate (a polpa) eu guardo no congelador para complementar quando faço molho de tomate.

9.) Vai no supermercado? Não esqueça a lista

Leve uma lista, e seja firme para não comprar coisas desnecessárias, mas flexível o suficiente para substituir uma batata por batata-doce quando estiver na promoção.

10.) Não estoque alimentos além do necessário

Não esqueça que estoque é dinheiro parado na despensa. Organize os produtos de acordo com a validade. Os itens que você acabou de comprar, vai para o fundo da despensa.

11.) Frequente feira de rua

Sai bem mais em conta. Eu não frequento mais, porque agora tenho ido nos mercados que vendem produtos orgânicos. Mas na época em que frequentava feira de rua, era uma economia e tanto no orçamento.

12.) Frequente o açougue

É outro lugar que parei de frequentar por começar a consumir carnes orgânicas. Mas açougue é um lugar que o preço é bem mais em conta do que no supermercado.

13.) Não esqueça os cupons

A maioria dos supermercados já dão cupons para fidelizar os seus clientes. Não se esqueça deles no momento da compra. Aproveito também as promoções dos supermercados em compras online. Essa semana mesmo, ganhei um cupom de 30% para efetuar uma compra no Carrefour online, nem preciso dizer que aproveitei para fazer estoque de alguns produtos.

14.) Tenha um limite de gastos na alimentação

Eu só compreendi a importância de ter um limite de gastos há pouco tempo. Entendi que quando não há um limite de valor, é como se fosse um saco sem fundo. Coloque um valor limite para gastar na alimentação e use a criatividade para não ultrapassar o orçamento.

15.) Evite comprar sem necessidade

Sabe aquele salgadinho que você nem ia comprar, mas colocou no seu carrinho de compras, só porque está na promoção? Como diz o Julius:

16.) Tente reproduzir algumas receitas

Foi assim que eu aprendi a cozinhar coisas gostosas. As receitas tendem a ficar muito mais saborosas usando ingredientes de qualidade: manteiga ao invés de margarina, azeite extra-virgem ao invés de óleo, chocolate de verdade ao invés de achocolatado, leite integral ao invés de água e por aí vai.

E pra quem acha que eu faço todas essas delícias, porque eu amo cozinhar…. vai se decepcionar, porque eu nunca gostei de estar na cozinha. Sempre fui uma negação (minha mãe e meu ex-marido podem confirmar). A cozinha não é um lugar onde sinto prazer em estar, mas aprendi que cozinhar é um ato de amor, da mesma forma que lavar o banheiro não é o lugar que meu marido sente prazer em estar kkkk, mas é um ato de amor. Eu entendi que se eu não sei cozinhar, eu posso aprender. Se eu fizer uma comida ruim hoje, posso tentar novamente amanhã. E foi assim, dia após dia, que hoje, posso dizer que cozinho bem.

~ Yuka ~

Downsizing na vida pessoal: enxugue custos e aumente a eficiência

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No mundo corporativo, downsizing nada mais é do que redução de custos e processos visando a eficiência. É racionalizar todas as etapas com o objetivo de construir uma organização eficaz, mantendo os processos o mais enxuto possível. A médio-longo prazo, essa prática traz diversos benefícios como revitalização da empresa, visão sistêmica, redução nos gastos, eficiência nos resultados etc.

Basicamente é encolher para crescer.

Já pensou em fazer um downsizing da sua vida pessoal?

O downsizing pode ser aplicado em qualquer lugar: no seu guarda-roupa (ter menos roupas para ter mais roupas de qualidade), nos eletrônicos (menos eletrônicos, e ter eletrônicos melhores), nas roupas de cama (ter menos conjuntos para ter lençóis melhores), no relacionamento (ao invés de ter vários colegas, ter poucos melhores amigos), nos passeios (ao invés de gastar dinheiro em qualquer lugar, poupar dinheiro para ir à Europa).

Além disso, há um outro fator que todo mundo ignora, quando gastamos o dinheiro sem pensar: o efeito cascata. Vou dar alguns exemplos.

Quando uma pessoa decide morar em um bairro melhor, a pessoa pensa só no imóvel de forma isolada. Mas há um efeito cascata ignorado. Bairros melhores costumam ter produtos e serviços mais caros, desde supermercado, a feira, açougue, lanchonete, cabeleireiro, manicure, escola das crianças, entre centenas de outros serviços e produtos, porque a priori, as pessoas que vivem nesse bairro, possuem um poder de compra maior. O inverso acontece nos bairros populares.

Outro efeito cascata comum é quando decidimos fazer uma pequena reforma no imóvel. A reforma costuma começar num único cômodo, de repente, estamos reformando a casa inteira, e não o suficiente, passamos a trocar todos os eletrodomésticos, os móveis, enxoval da cama, mesa e banho, com o intuito de nos “adequar” ao novo e reformado imóvel.

Quando resolvemos comprar um carro maior e mais caro do que nosso orçamento permite, o que acontece? Acontece que o seguro do carro é mais caro, o IPVA é mais caro, queremos colocar um combustível melhor no carro, não iremos mais querer estacionar na rua, e assim, os gastos tendem a aumentar.

E sabendo de tudo isso, eu pergunto:

Já pensou em morar em uma casa um pouco menor?

Casas menores utilizam lâmpadas com menos watts, consequentemente gastamos menos energia. Casas menores são preenchidas com móveis menores, um sofá de 2 lugares, uma poltrona, uma televisão de menor polegada, mesa com menos lugares, menos cadeiras.

Morar em uma casa menor, significa gastar menos tempo para limpar a casa, usar menos produto de limpeza para limpar superfícies que são menores, demandam menos tempo de limpeza pelo tamanho de eletrodomésticos serem menores, menos janelas, leva menos tempo para limpar.

Casa menor custa mais barato, tanto para comprar, como para alugar, além de ser mais fácil vender, caso queira se desfazer do imóvel para mudar de bairro, mudar de cidade, mudar de país.

Ter um guarda-roupa compacto significa refletir quais roupas terão prioridades na nossa vida, poucos calçados, poucos acessórios, o suficiente para nos sentir feliz.

Viver em um lugar menor significa fazer escolhas. Não podemos ter diversas louças, diversas taças, copos, talheres, panelas. Temos menos espaço para armazenar tralhas. Então, aos poucos, aprendemos a fazer escolhas acertadas, a viver com o que nos agrada, e é aí que mora uma das maiores vantagens de viver em um lugar menor: a possibilidade de viver somente com as coisas que nos agradam.

Viver menor não significa morar com menos.

Se no geral, compraríamos um sofá grande e de qualidade mediana, podemos comprar um sofá menor com qualidade superior. Se geralmente usamos roupas de lojas fast-fashion, podemos passar a comprar roupas de qualidade, com tecidos que tenham caimento melhor no nosso corpo. Se comemos qualquer porcaria na rua, podemos deixar de comer essas coisas e gastar igual ou até menos, comendo alimentos melhores, fazer uma refeição mais saudável.

Fazer uma análise da situação atual, rever metas, redimensionar a vida (antes que seja tarde demais), acaba nos proporcionando uma vida com mais qualidade, com mais liberdade.

Experimente viver com menos, enxugando custos, e aproveite para aumentar a qualidade da sua vida.

~ Yuka ~