Felicidade fabricada

josh-rose-158801-unsplash Começo o post de hoje com um texto que li na internet, postado por Samer Agi, Juíz do TJDFT: “Marco Aurelio Lobo é psicanalista em Anápolis. Tornou-se, com o tempo, meu amigo pessoal. E, certa feita, Marco me disse: “super valorizamos nossas necessidades. Desrespeitamos nossos desejos”. Joana tem 30 anos. Namora Mário há 5. E ela não gosta mais dele. Só que Joana tem 30 anos. E ela precisa se casar. Joana tem um emprego. Ganha razoavelmente bem, é verdade. Não é o emprego que ela sempre quis, outra verdade. Mas ela precisa trabalhar. Joana tem amigas. Às sextas, reúnem-se para um happy hour. Não são as amizades que ela gostaria de ter. Mas ela precisa de companhias. Um dia, Joana descobre-se infeliz. As pessoas, ao redor dela, não entendem sua perene tristeza. Alguém dirá: “ela tem tudo o que precisa!” É verdade. Ela tem tudo o que precisa, mas não tem nada do que quer. Joana supervalorizou suas necessidades. E desrespeitou seus desejos. O texto de hoje é um convite à reflexão. Uma reflexão voltada a você que, apesar de ter tudo o que precisa, não tem o sorriso que quer. Você já se perguntou sobre os seus desejos? Você já se questionou sobre o que almeja? Não ter tudo o que se deseja é ensinamento que criança aprende em tenra idade. Há dois brinquedos na loja, mas ela só pode ganhar um. Geralmente, o mais barato. Mas não ter nada do que se deseja é doença de gente adulta. É fraqueza pessoal daquele que precisa da chancela da sociedade para tudo o que faz. Joana precisava se casar, ter emprego e amigas. Não importava quais. Se ela cumprisse os requisitos, seria aprovada socialmente. Pobre Joana, que se desaprovou para ser aprovada. Infeliz Joana, que se matou querendo viver. Seus desejos merecem um pouco mais de respeito. Respeite-os.” * * * Esse texto que você acabou de ler, vai de encontro com o comentário de uma leitora chamada Daniela, que sempre compartilha de seus conhecimentos. Há um tempo, ela escreveu a seguinte frase: “Talvez as pessoas que se pautam muito pelo que os outros pensam, não se conheçam o suficiente para saber do que realmente gostam e o que traz felicidade para elas. Daí tem que se pautar pelo que os outros acham, o tempo todo. E tem sempre a coisa de fazer parte do grupo, de precisar da aprovação desse grupo para se sentir amado (não vão gostar de mim se eu fizer diferente). O Contardo Calligaris escreve muito sobre essa questão da validação do grupo, as colocações que ele faz a respeito são muito interessantes e ajudam a gente a entender como funciona a cabeça da gente.” A felicidade genuína é algo raro nos dias de hoje. A insatisfação, não. Esse é um sentimento muito comum nos tempos atuais, assim como o medo, a ansiedade, a insegurança, a inveja, a angústia… Também temos em abundância, a felicidade fabricada, chamada de falsa felicidade que é sistematicamente e insistentemente publicada nas redes sociais. O que as pessoas não entendem, é que a felicidade nunca está fora. A felicidade está sempre dentro. É um trabalho interno, de autoconhecimento. Daí começamos a entender, porque tanta gente está infeliz. É porque olham para fora. Tentam reproduzir a felicidade alheia. Tentam copiar a felicidade do vizinho. Aquela viagem que deixou a outra pessoa super feliz, não vai te deixar tão feliz assim. Sabe por que? Por que você não sabe ainda, mas talvez a sua felicidade seja outra coisa. Uma das coisas que eu adorava fazer antes da pandemia, era passear na 25 de março. Aquele vuco-vuco de gente, era tão lotado que eu andava a passos curtos, parecendo um pinguim. Quando ia lá, acordava cedo, colocava meu tênis e dizia para o marido com um sorriso largo no rosto: “não me espere para almoçar, vou demorar bastante”. Para o meu marido, a 25 de março é a visão do inferno. Para mim, a 25 de março é um mundo encantado. O que traz felicidade para mim, traz desespero para ele. Da mesma forma que para o meu marido andar 50km de bicicleta em um domingo de manhã é libertação, para mim é castigo. Por esses dois exemplos, conseguimos compreender que felicidade não se procura fora, busca-se dentro de nós. As redes sociais amplia essa sensação de infelicidade, porque a vida do outro parece ser sempre melhor que a nossa. E surge a necessidade de querer provar para os outros que estamos feliz. Esquecemos de olhar para dentro, e passamos a olhar excessivamente para o outro. Tem um vídeo que assisti há um tempo, que ilustra bem essa felicidade fabricada, talvez seja um momento de refletir o que estamos fazendo com a nossa vida. Por hoje é só, mas semana que vem, continuarei o papo sobre como o excesso das redes sociais prejudica a nossa vida. ~ Yuka ~

32 Comments on “Felicidade fabricada”

  1. Bom dia querida amiga, concordo plenamente com o que diz no texto, realmente o que é felicidade para um ,não é necessariamente para o outro , amo acordar bem cedinho e caminhar por um longo tempo, meu marido detesta, ele gosta de ficar horas no sofá assistindo filme, eu detesto, temos que aprender a respeitar os desejos e o espaço do outro, para convivermos em harmonia!uma semana abençoada para vcs!!!bjssssss

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    • Oi Lindadrika, tudo bem? Isso mesmo, e o que a gente mais vê por aí é a padronização dos sonhos, todo mundo tendo o mesmo tipo de sonho, sendo que somos pessoas tão diferentes. Querendo ou não, procurar a felicidade significa fazer uma imersão interna. Um grande beijo!

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  2. Bom dia Yuka! Concordo com o texto apresentado. O efeito Instagram de parecer ser feliz ser mais importante que ser realmente feliz tem virado a regra e não exceção. Esse comportamento já vem gerando seus efeitos nas pessoas, geralmente através de depressão e descontentamento com a vida. O único ponto que faço uma ressalva em relação ao texto é que acredito que querer também ser plenamente feliz é uma ilusão que deve ser evitada da mesma forma que devemos evitar o “viver a vida dos outros”. A vida é feito de altos e baixos e temos que mirar o “estado de espírito médio”. Haverá momentos de felicidade quase plena e momentos de tristeza absoluta. Isso é normal. Trabalhar no que não gosta pode ser mais uma questão de visão interna que problema do trabalho em si. Se não gosta do trabalho mas ele te paga bem, uma alternativa é utilizar o dinheiro em coisas que compensem o “stress” trazido pelo trabalho. Vejo tudo na vida dessa forma. Teremos que fazer muitas coisas que não queremos… é normal…mas o importante é que essas coisas tragam oportunidades para que você faça muitas coisas que gosta e, na média, que você esteja “no positivo”…
    Desejar felicidade plena é a maior desilusão dessa geração Instagram. A vida é feita de altos e baixos e podemos ver o copo como meio cheio ou meio vazio. O desafio está dentro de nós e não fora…
    Grande abraço!

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    • “Teremos que fazer muitas coisas que não queremos… é normal…mas o importante é que essas coisas tragam oportunidades para que você faça muitas coisas que gosta e, na média, que você esteja “no positivo”…”

      Nossa, seus comentário me deixou bastante pensativa. Acho que faz muito sentido. O que mais vejo são comentários do tipo “largue seu emprego mesmo que pague bem pra um que te faça feliz!” e essa não é a realidade pra muita gente. Obviamente, tem casos e casos, mas a verdade é que, de fato, ninguém pode ser/é feliz o tempo todo e balancear é a chave.

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      • Tudo é questão de equilíbrio e alto conhecimento. O comentário do VVI é verdadeiro, mas pode se tornar comodismo.
        A pessoa não gosta do emprego, mas como ganha razoavelmente bem, permanece no mesmo anos a fio (muito comum no serviço público) e das duas uma: Ou se torna um “zumbi” no trabalho e fica lá assim mesmo ou em alguns casos desenvolve ansiedade, depressão, apatia, gastrite etc.

        Tem momento em que não existe mais o “balancear”, tem situações que exigem rompimento e isso só se enxerga com auto conhecimento. O não rompimento as vezes de certa forma pode ser fatal.

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        • Oi Anon, eu lembro que quando a minha filha nasceu, meu emprego (que até então era ok) se tornou insuportável. E se tornou insuportável durante alguns anos. Agora que elas (tenho 2 filhas) estão crescendo, o meu trabalho está se tornando ok novamente. Eu comecei a perceber que há fases da nossa vida em que é necessário esse rompimento. Talvez se eu já fosse independente financeiramente quando minha filha nasceu, eu teria saído do emprego, e talvez retornado depois de alguns anos. Não sei, são só hipóteses. Ou seja, como você bem escreveu, “tudo é questão de equilíbrio e autoconhecimento”. Um beijo!

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      • Oi Andrea, e mesmo no emprego dos sonhos, haverá coisas das quais não iremos gostar de fazer, e pessoas das quais não teremos afinidade. Por isso a necessidade do auto-conhecimento. Vou dar um exemplo, quando era adolescente, eu sempre quis ser veterinária. Até que eu trabalhei num pet shop e em uma clínica veterinária. Lá, eu vivi a realidade do que eu viveria. Eu cansei de abrir caixas de papelão com as mãos tremendo, porque pessoas abandonavam os animais na porta da loja. A médica veterinária nunca sacrificou um animal sem necessidade, e eu orgulhava muito do posicionamento dela, pois sei que não era isso que acontecia em outras clínicas. Mas isso tinha um preço. Ela convivia com mais de 40 animais nesse pet shop. Eram cachorros com deficiência, velhinhos, que dificilmente seriam adotados. Todos os dias, era preciso acordar muito cedo, para alimenta-los, limpar todo o quintal, várias vezes por dia, todos os dias, não havia fim-de-semana, não havia feriado. Eu aprendi muito nessa clínica, mas mais do que saber as coisas que queria fazer, aprendi o que não queria fazer também. E eu desisti de prestar vestibular de veterinária e escolhi outro curso. E com isso eu entendi que mesmo em um emprego dos sonhos, sempre teremos que fazer algo que não queremos também. Beijos.

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      • Com certeza Andrea! Não existe uma fórmula absoluta para todo mundo. Além disso tem casos e casos. Temos que saber filtrar esses comentários de “largue seu emprego”, pois primeiramente o problema pode não ser o emprego (e no final você fica sem emprego e com o problema). E em segundo que muitos que dizem isso trabalham em vender a imagem de uma vida perfeita que não existe (YouTubers/Instagramers que ganham por click nos seus vídeos/posts). Não são pessoas isentas para indicar este tipo de coisa.
        Grande abraço!

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    • Oi VVI, concordo com você, estar 100% feliz em todos os minutos da vida é algo impossível de acontecer, e que no balanço geral, é importante se sentir mais feliz do que mais triste. A felicidade genuína é poder ter esse tipo de sentimento de euforia e alegria em diversos momentos do dia. Neste sábado, levei minha família para passear em um local novo, de carro, só que não imaginei que iria pegar estrada. Fiquei um pouco apreensiva (já que não dirigia há 13 anos) quando me vi na rodovia, mas no final deu tudo certo. Quando chegamos no destino e desliguei o motor, bati palma para mim mesma, fiquei bastante orgulhosa hehehehe. Estava tão contente que na volta, voltei cantando Patatí Patatá com as crianças. Uma coisa que eu passei a entender também é que felicidade depende do ponto de vista, assim como você falou sobre ver o copo meio cheio ou meio vazio. Até escrevi um post há 6 anos sobre isso, se tiver um tempinho, passa lá. Beijos. https://viversempressa.com/2015/04/22/felicidade-tudo-depende-do-ponto-de-vista/

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      • Bom dia Yuka! Li o post e concordo totalmente! As vezes é mais fácil culparmos algo do exterior ao invés de olhar pra dentro e ver se o problema não está na nossa cabeça. Sobre a figura do post: Estou rindo até agora…rsrs…adorei!

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    • VVI, eu sempre falei isso! Às vezes o emprego não é aquelas coisas, mas paga as contas e vc curte a vida de outras formas. Não acho que toda a felicidade da pessoa deve vir de algo específico, como emprego ou relacionamento, pois na hora que um deles não é o que se idealiza, o chão treme. Mas olha, não acho que isso é o mesmo que comodismo, cada um sabe o calo que o aperta. Inclusive, ocorreram eventos na minha vida que, mesmo eu estando “acomodada” num emprego ok, me fizeram ter vontade de me realizar profissionalmente, e eu encontrei mais satisfação do que poderia imaginar num exercício profissional. Porém, o preço que eu pago, diariamente, em horas de vida e saúde só eu sei. E não recomendo a ninguém que não esteja vocacionado.

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  3. Yuka,

    Um dos melhores posts que já li.

    “Ela tem tudo o que precisa, mas não tem nada do que quer.”
    Desde muito cedo na vida ouvimos e tentamos os acostumar com frases como essa.

    E a coisa piora quando, como no caso da Joana, nos sentimos infelizes, porém temos que ouvir algo pior: “Mas você deveria ser mais grata! Tantas pessoas gostariam de estar no seu lugar.”

    E então acabamos nos sentindo culpadas por não termos alcançado esse nível de gratidão.

    Mas será que forçar a mente para encontrar um ar de gratidão ilusório é algo bom?

    Ainda bem, que lá no fundo, se procurarmos, nossa mente não se deixa enganar. Porém, muitas vezes perdemos tanto tempo tentando nos adequar ao mundo que nos cerca, tentando nos adequar ao que esperam de nós!

    O que é realização para alguns é frustração para outros. Simples assim.

    Seu exemplo da 25 de março ficou perfeito. Esse local faz sentido para você. Mas nem todos pensam assim. O que alegra alguns, entristece e esgota as energias de outros.

    Precisamos aprender a respeitar mais nossos próprios desejos. E também os de outras pessoas.

    A satisfação das necessidades é essencial. Porém, sem a satisfação dos nossos mais importantes desejos, é como se a vida fosse mais no estilo preto e branco e não em cores, alegre, com aquele sentimento de propósito.

    E no final, quantos de nós realmente poderemos dizer que a vida realmente valeu a pena? Eu estava pensando exatamente nisso hoje de manhã…

    Boa semana,

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    • Oi Rosana, isso que você escreveu faz total sentido, de que “muitas vezes perdemos tanto tempo tentando nos adequar ao mundo que nos cerca, tentando nos adequar ao que esperam de nós”. Desde criança, somos ensinados a nos padronizar, a não ser diferente dos outros, não é à toa que os sonhos das pessoas são todas iguais, todos têm exatamente o mesmo sonho. Outro dia contei em uma roda de conversa que um dos meus sonhos era aparecer no Google Maps, e isso é tão verdade que eu já até corri atrás de um carro da Google, e achando que tinha dado certo, depois fiquei acessando o Google Street View durante semanas para ver se eu aparecia… não deu certo kkkkkk. Virou a maior piada, eu também ri junto, mas é isso, quando o sonho é diferente, as pessoas estranham. Se eu tivesse falado que meu sonho era viajar o mundo, comprar uma casa, ninguém teria rido rsrs. Um beijo pra você.

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      • Amei seu sonho kkkkkkk
        Isso da padronização fazia muito sentindo enquanto espécie tribal e consideravelmente fraca perante predadores: todos pensando da mesma forma vai facilitar ataques e defesas. Além da questão de se alguém pensasse muito diferente e decidisse se afastar da tribo, morreria pela incapacidade de sobrevivência solitária. Porém, isso já não faz mais sentido hoje em dia. Nos resta lutar contra esses instintos de manada, para seguir a felicidade única de cada um de nós.
        Bjs

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  4. Autoconhecimento é o cerne do seu post. Algo que apesar de simples nem sempre é fácil, na realidade acho que o autoconhecimento é difícil para a maioria das pessoas.
    Porque depois que a pessoa chega às suas conclusões, sua prioridades, seus desafios, vem a segunda etapa: Ter a atitude e coragem de correr atrás.
    E esse correr atrás pode parecer algo quase impossível a maioria das pessoas por diversos motivos: A Joana personagem do texto serve de exemplo. Ela namora um rapaz que ela sabe que não é o “homem de sua vida” e mesmo assim está inclinada a permanecer com ele.
    A Joana possivelmente irá casar e ter filhos, anos de união para em algum dia quando já estiver de saco cheio dos rumos que sua vida tomaram, pedir a separação e tentar começar tudo de novo do 0.

    Veja a situação da Joana. Isso que descrevi acontece muito e pode ser evitado se a Joana tiver a coragem de dizer não a essa relação, não basta só ter consciência.
    O medo da solidão e talvez o medo de desapontar pessoas está vencendo a razão.
    Outro ponto se ela “ela tem tudo”, mas nada disso faz sentido pra ela, ela não tem nada.
    Pra conseguir o que faz sentido a ela, ela provavelmente terá que abrir mão de coisas que ela tem e esse abrir mão é outo ponto crucial, é difícil abrir mão de coisas ou “conquistas”, mesmo que essas não tenham mais tanto sentido e o apego nos mantém no mesmo lugar.
    Como disse a ideia é simples, mas não é fácil.
    Quero antes de encerrar um comentário fazer uma observação e espero não ser mal interpretado. Acho que os transtornos emocionais estão afetando muito as mulheres, em especial as mulheres jovens de 18 a uns 30 anos, já conheci na faculdade e no trabalho mulheres nessa faixa de idade, com boa aparência, nível superior, vida aparentemente feliz e bem resolvida no instagram que sofrem ou sofreram com problemas emocionais e sei disso porque elas me falaram, não é especulação.
    Homens sofrem com isso também e com homens isso tende a ser até mais cruel porque os mesmos não se abrem e tem sua masculinidade atingida por essas questões, não é a toa que o índice de suicídio masculino é muito maior em relação as mulheres, mas acho que o número de homens afetado por isso ainda é consideravelmente menor.

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    • Oi Anon, autoconhecimento é algo muito difícil mesmo, inclusive para mim. Percebo que é bem cada um por si, porque nós nunca fomos ensinados a buscar o nosso interior, a ir em busca da nossa essência, o que nós queremos. Ou seja, nós não sabemos o que queremos, o que gostamos, o que nos faz felizes, porque nunca incentivaram que buscássemos isso. Muito pelo contrário, incentivam a padronização, nesse exemplo da Joana, que vai casar com quem não ama. Eu já cansei de conhecer muitas Joanas que se casaram por conveniência… Se casaram porque não queriam ficar pra “titia”, porque queriam filhos, porque não queriam ficar sozinhos, porque se importavam com o que as outras pessoas iriam achar se estivessem solteiros na meia-idade, porque já estava há tanto tempo com aquela pessoa e que não iria jogar o tempo dela fora, e por aí vai. Ou seja, no fundo, qualquer pessoa serve. Eu já terminei um namoro gostando da pessoa, porque eu sabia que não teríamos futuro. Eu gostava dele, mas não amava o suficiente para passar a vida inteira. E eu sabia que enquanto estivesse com essa pessoa, eu não conheceria mais ninguém, pois eu não estaria aberta para conhecer talvez o homem dos meus sonhos. E veja só. Alguns meses depois de estar sozinha, comecei a namorar o meu marido. Tem uma amiga que fala pra mim que se eu não tivesse tido a coragem de terminar aquele namoro, talvez eu não estivesse com meu marido hoje. Concordo com você em relação a transtornos emocionais que afetam as mulheres. Os homens também, claro, mas nós mulheres, temos uma carga de responsabilidade maior, e uma pressão social absurda em cima. E isso com certeza afeta a nossa saúde mental. Um beijo!

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      • Yuka, sou o anon 12:07.
        Com relação as mulheres concordo parcialmente e vou dizer o porque: As mulheres de hoje em média ao meu ver não sofrem uma pressão social maior que nossas mães por exemplo.
        A pressão por casar e ter filhos já foi maior no passado, embora ainda exista. O homem de certa forma também sofre essa pressão, já que homem que não está em nenhum relacionamento ou fica muito tempo sem se relacionar pode e é muitas vezes tratado por homens e também mulheres como gay.
        Acho que um dos gatilhos para os transtornos que atingem as mulheres e no meu post especifiquei as mais jovens é basicamente um misto de vaidade e necessidade de formação e ter uma profissão.
        Vaidade: As mulheres costumam ter maior necessidade de vida social e aparentemente são as que mais gostam de expor suas vidas em redes sociais. Pra expor coisas em redes sociais é importante ter o que expor.
        O que se expõe? Relacionamentos, festas, viagens e o próprio corpo. Tem homens que fazem isso? Tem, mas acho honestamente que a forma como a mulher em média se expõe ganha fácil da maioria dos homens.
        Nessa sede por vida social e exposição, as mulheres gastam mais do que deveriam, bebem cada vez mais, se drogam, trocam de parceiros com frequência e muitas vezes escolhem parceiros de “qualidade” questionável e por consequência tem filhos não planejados, tem “amizades” que nem sempre são amizades mesmo etc etc.
        Fora isso as jovens ainda tem toda a questão de tentativa de independência financeira, que depende de formação e emprego, situação que está difícil pra todo mundo (homens e mulheres).
        Associo isso também ao cenário que descrevi no primeiro comentário.
        Claro que esses problemas emocionais são multifatoriais e é difícil refletir sobre isso em poucas linhas. Também deixo claro que não quero generalizar, mas acho que vale a reflexão.
        A Daniela (mais abaixo) falou sobre a questão hormonal (que também é fato), com relação a tarefas domésticas e maternidade, isso é um “peso” pra quem realmente se importa, mas vejo que muitas mulheres não dão muita importância a nenhuma das duas coisas.

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        • Oi Anon, concordo com você que dá uma impressão mesmo que as mulheres gastam mais tempo da sua vida para expor a vida nas redes sociais, mas que “pra expor coisas em redes sociais é importante ter o que expor”. E a maioria não tem. Não tem, porque a maioria de nós, incluindo eu, vive uma vida comum. E aí tem gente que quer forçar e apresentar uma vida que não existe. É um terreno perigoso… Um beijo!

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  5. Oie Yuka, boa tarde,

    Meus comentários virando parte de post! Que legal, gostei muito!

    Mas na real, o Calligaris foi quem me levou a pensar nessas questões. Para quem não conhece, o Contardo Calligaris era um psicanalista italiano que morava no Brasil há muitos anos. Há muitos anos eu assino a Folha de São Paulo só por causa dele. Ele faleceu em março de 2021. Até agora, meses depois que ele morreu, eu penso às vezes nas 5as feiras, ah hoje é dia da coluna do Calligaris, até lembrar que não vai ter mais. Mas ele falava muito isso, da aceitação dos grupos, das pessoas que se escondem atrás do grupo para fazer coisas que não teriam coragem de fazer sozinhas (no sentido político também, e principalmente). Ele falava também das desculpas que damos para nós mesmos para não seguir os nossos desejos, colocando muitas vezes a responsabilidade nos parceiros, para justificar a nossa falta de coragem de assumir o que a gente quer. Enfim, era alguém que sempre tinha um olhar diferente, que me fazia pensar. Inclusive uma frase clássica dele é sobre felicidade: não quero ser feliz, quero é ter uma vida interessante.

    Eu não acredito muito em felicidade também, acho que é um conceito que serve para vender. Acredito em momentos felizes, e são esses momentos que nos ajudam nas fases tristes. Saber que não vai ser sempre assim, que as coisas mudam. Um dos sinais clássicos de depressão é esse, a pessoa não conseguir ver que está se sentindo mal, mas que isso é temporário, que vai se sentir melhor no futuro. Para quem já viu os filmes do Harry Potter (eu vi e li os livros muito recentemente), tem a analogia dos dementadores, como sugadores de energia. A única coisa que pode combatê-los são as lembranças felizes. Então a gente precisa delas, dessas lembranças, para nos ajudar a sair do buraco.

    Concordo com o anônimo sobre a Joana, para conseguir o que quer, ela teria que abrir mão do que tem, esse é o pedágio, que a maioria não está disposta a pagar.

    Culpa por não ser feliz, essa é outra questão também. Uma coisa é a gente saber reconhecer os nossos privilégios, isso é o plano racional, outra completamente diferente é ter obrigação de se sentir feliz porque os outros acham. Ou de se sentir de qualquer forma.

    Sobre os problemas emocionais parecerem afetar mais as mulheres, isso não é de hoje. Porque tem as flutuações hormonais, tem a sobrecarga das tarefas domésticas, do cuidado com os filhos. E, principalmente, a cobrança externa. Talvez agora o que tenha de diferente é a idade das mulheres, antes isso pegava mais depois de casada, com filhos e agora com a questão das redes sociais, da cobrança pela aparência, afeta mais cedo. As mulheres falam mais de como se sentem, também. Os homens manifestam os problemas de formas diferente, bebendo, usando drogas, sendo violentos.

    E, finalmente, concordo sobre a questão de como as redes nos deixam mais infelizes. Mas também acho que a solução está dentro de cada um. É como um vício, a pessoa pode ser ajudada, mas em última instância é só ela própria que pode mudar.

    Beijo e ótima semana,

    Daniela.

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    • Oi Daniela, ahhh você viu, né? Seus comentários são tão bons que poderia facilmente fazer diversos posts rsrsrs. Eu também acredito na felicidade, mas nas pequenas e constantes felicidades. E aí na somatória geral, isso se transforma no que chamo de felicidade. Claro que ninguém é feliz 24 horas do dia, mas acho importante estar consciente quando vem a sensação de felicidade. Esse fim-de-semana, levei as crianças no zoológico. Fomos bem cedo, então para nossa alegria o zoológico estava vazio. Quando estávamos olhando a anta, um cuidador veio com uma bandeja cheia de frutas para alimentá-lo. Meu marido, vendo essa cena (da anta comendo), começou a chorar emocionado. Eu fiquei olhando pra ele, sem entender, porque a anta, faz cada careta na hora de comer que ver meu marido chorar nesse momento me fez gargalhar kkk. Meu marido foi tocado pela felicidade ao sentir gratidão de estar com a família, tendo momentos de lazer em um momento tão difícil para tantas pessoas. Já eu, senti felicidade ao achar engraçado a cena de ver meu marido chorando enquanto a anta fazia caretas pra comer rsrs. Um beijo, Daniela, bom início de semana pra você.

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      • algo me diz que a anta foi só um pretexto, que a emoção dele foi você estar bem de novo (e olha que nem conheço o teu marido). Que bom que estão aproveitando o carro, vi o teu orgulho de ter dirigido na estrada na outra resposta. Eu sou assim também, só eu dirijo aqui em casa e tenho um baita orgulho de dirigir em qualquer lugar.

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        • Oi Daniela, sim, a anta foi um pretexto mesmo rsrs, mas a cena foi hilária, fico rindo sozinha até agora. Para ele, por um outro aspecto diferente do meu, tem sido um período complicado, já que ele é a pessoa que está mantendo a família em pé durante todo esse tempo em que estive bem mal. Eu vejo que o carro veio num momento muito bom, as pessoas podem até se perguntar por que não comprei antes, mas é porque deu um clique na minha cabeça em relação a pandemia. Antes, eu achava que a pandemia iria terminar, que era só aguentar firme em casa, entreter as crianças de alguma forma, que em alguns meses, todo esse pesadelo iria terminar. Com diversas variantes surgindo, e vendo a irresponsabilidade de muitas pessoas, finalmente entendi que a pandemia não iria acabar tão cedo. Foi quando decidi comprar o carro (para poder levar as meninas para correr em lugar seguro), e por coincidência, na semana seguinte fui convocada para trabalhar de forma presencial. Eu, que odiava dirigir há 13 anos, percebo que hoje gosto de dirigir, pois tem trazido sensação de liberdade de poder ir e vir de forma segura. Obrigada pelo seu carinho, gosto muito dos seus comentários. Beijos.

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    • Amei a analogia com os dementadores: depressão é isso mesmo. Muito além da tristeza, há uma falta de energia, como se algo tivesse lhe sugando a força vital.

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  6. Oi Yuka! Tudo bem?
    Ótimo texto para a gente refletir!
    E Ja li todos os comentários pq tudo o que o pessoal pontua depois que vc posta são como um complemento da ideia principal as vezes compartilhada de outros ângulos rsrs .. no fim, junta uma galera bacana, como uma grande turma trocando ideias de boa 😎

    Por aqui, digo que pausei essa história de rede social por perceber que faz mais mal do que bem para mim.

    Minha opinião é que estamos num momento que parece um grande nó. Questionamos mais. E temos acesso a informações num piscar de olhos. E temos também algoritmos pescando tudo isso. Rs. Porque nossas vidas são conectadas praticamente 100% do tempo. Enfim… como a Daniela comentou aí em cima, é mais uma coisa interna de cada um mesmo, mas aí até a gente perceber isso……….
    Um amigo disse certa vez que eu perguntei pra ele “Que raios estamos fazendo aqui?” E ele respondeu rindo “ué, tentando ser o melhor que a gente pode”.

    Um beijo pra vc e Boa semana pra todos! :]

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    • Oi Vivi, também acho os comentários bem legais, fico lendo e relendo muitos deles, que me fazem refletir alguns pontos de vista que não havia pensado. Isso que seu amigo falou “tentando ser o melhor que a gente pode” é o que penso também. Por muitas vezes, minha filha me pergunta, porque fulana de tal está fazendo tal coisa se eu falei que era errado para a minha filha. E é difícil explicar isso para uma criança de 6 anos, mas digo que muitas pessoas fazem coisas erradas, e que nosso papel era mostrar para ela o que era certo e o que é errado, até ela ter a capacidade de pensar sozinha. Explico que muitas pessoas irão rir dela, por fazer a coisa certa, mas que o importante é ela entender dentro dela, que tomou a decisão certa, independentemente do que os outros irão falar. Um bejio!

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  7. Meu Deus, Yuka. Esse post foi uma chinelada na minha cara. Eu chorei. Nunca tinha ficado assim lendo algo, mas calhou de ser o texto perfeito pro momento que estou vivendo.
    Na verdade, acho que sempre tentei me encaixar em algo que não era pra mim. Não pq eu queria, mas pq andar na contramão incomoda os outros e eles não param de falar… Quando a gente é jovem, infelizmente a gente dá ouvidos…

    Sem palavras. Apenas continue.
    Como sempre vc me inspira.
    Inspira muita gente que vc nem imagina.

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    • Oi Tiemi, sim, lembro que você havia comentado há algum tempo que estava querendo sair das redes sociais, é algo tóxico, pensamos “só vou acessar só um pouquinho”, e quando vê, já se passaram horas. É algo que precisamos tomar cuidado, porque há muitas empresas por trás desse vício, querem que fiquemos cada vez mais tempo presas, já que é assim que conseguem angariar dinheiro para eles. Semana que vem vou falar um pouquinho mais sobre esse assunto. Um beijo pra você.

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  8. É exatamente isso. Estou na busca por me entender mais, buscar o que eu realmente gosto. Só sigo no instagram poucos amigos e familiares e uso para compartilharmos poucas coisas entre nós. Passo semanas sem usar. Meses sem postar nada. Sempre que possível, até desligo a internet e deixo o celular de lado pelo fim de semana inteiro. Para mim, é libertador. Me descobri mais analógica. E mais feliz também.

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    • Oi Júlia, você faz bem em se tornar mais analógica, para mim, o excesso das redes sociais é como se fosse uma balança, uma gangorra, quando aumenta o acesso, a felicidade diminui, e vice-versa. E é por isso que temos que tomar tanto cuidado, porque quando a gente menos percebe, já estamos imersos nesse mundo virtual. Um beijo!

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