Linha de tempo da minha jornada FIRE

Eu e meu marido costumamos conversar com frequência sobre nossa jornada, de como vivíamos antes e como nossa vida mudou para melhor depois que descobrimos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).

Ao longo destes anos, fui amadurecendo e tenho a consciência de como equilíbrio é fundamental para quem quer seguir essa jornada.

Há os que poupam em excesso para viver um futuro distante, e não percebem que estão desperdiçando o tempo precioso do hoje, sem nem saber se estarão vivos amanhã.

Já há outros que preferem fechar os olhos para o futuro e viver o presente como se não houvesse amanhã.

Também há os que acreditam que a felicidade só virá depois de ser FIRE e esse é um dos grandes erros no meu ponto de vista.

A jornada que deveria ser divertida e desafiadora, pode se tornar uma jornada de torturas, sacrifícios de anos se não for bem executada, e ainda levar embora a juventude, os amigos, a família, trazendo arrependimentos irreparáveis.

Foram tantos acontecimentos nesta última década que eu até disse para o meu marido que seria difícil criar uma linha de tempo da nossa jornada FIRE, mas que seria interessante tentar resgatar alguns pontos que consideramos importante.

Então esse post nasceu de um dos cafés da noite com o marido.

Eu sou bem ruim com linha de tempo, os anos se confundem na minha cabeça, o que é motivo de risada aqui em casa, então, já considerem que pode conter pequenos erros.

O que eu acho legal na minha jornada é que eu não mudaria nada nas decisões que eu tomei ao longo destes anos. Claro que cometi alguns (talvez seria melhor dizer… muitos?) deslizes no meio do caminho, mas ao observar como um todo, os benefícios foram muito maiores do que os pequenos erros que cometi durante a jornada.

2010

Início do namoro com o marido. Gosto de considerar este período como marco zero, porque é muito antes de ter conhecimento sobre FIRE (descobri esse termo em 2015) e dá pra ver como a gente tinha a cabeça totalmente padronizada à grande massa da população. Apesar de guardar dinheiro, não conversávamos sobre esse assunto, já que era um tabu. Foi nesse ano que comprei meu primeiro imóvel, claro, financiado em intermináveis 30 anos.

2011

Desde o início do namoro, sempre tivemos a certeza de que ficaríamos juntos. Por isso, começamos a guardar dinheiro na poupança já pensando em nos casar.

Tínhamos o que pode ser considerado o pensamento típico da classe média brasileira. Queríamos comprar um carro e um imóvel de 3 dormitórios, e o único investimento que conhecíamos era a poupança.

Tínhamos pouco dinheiro guardado, um imóvel financiado a perder de vista e o meu plano de previdência privada.

2012

Nós tínhamos uma vida regrada, eu, porque era econômica; meu então namorado, porque recebia um salário muito baixo, quase no limiar da sobrevivência. Ele comia todos os dias a mesma comida, porque não tinha condições de se alimentar de outra forma.

Já eu, funcionária pública, ganhava um pouco mais que ele, então obviamente eu vivia com mais conforto. Alguns meses antes de casar, decidimos morar juntos e isso acabou trazendo também benefícios financeiros, já que agora, pagaríamos apenas 1 aluguel, 1 conta de luz, 1 conta de gás etc.

Apesar de não ter nenhum conhecimento sobre investimentos, começamos a poupar por um motivo bastante convencional: queríamos comprar um carro e um apartamento. Não que estivéssemos precisando de um carro, nem de um apartamento grande, mas era apenas o percurso natural de um casal tradicional, ou seja, não paramos para pensar se aquilo fazia sentido na nossa fase de vida, se era o nosso sonho, ou se era o sonho de outra pessoa.

Poupávamos todos os meses, numa conta conjunta. Fizemos algumas viagens internacionais neste período, aproveitando que meu marido tinha boas oportunidades por causa do trabalho.

2013

Voltando um pouco no tempo para 2010, na época em que fiz o financiamento do imóvel, eu descobri, assim que assinei o financiamento do imóvel, que eu não posso ter dívidas. Voltei para casa sentindo o peso do papel que a gerente do banco havia me dado. Todo aquele contrato, as linhas e mais linhas das condições do financiamento, a planilha com todas as parcelas que ainda deveriam ser pagas… Eu cheguei em casa passando mal. Quando peguei a calculadora e somei todos os valores que eu iria pagar durante esses 30 anos, quase vomitei.

Foi aí que com fogo nos olhos e faca nos dentes, eu decidi que quitaria essa dívida o mais rápido possível. O ano de 2013 foi o ano que quitei o imóvel. Ou seja, consegui quitar em 3 anos o que deveria ser pago em 30 por 3 motivos: 1.) eu não comprei um apartamento novo, muito pelo contrário, era um apartamento meio que caindo aos pedaços; 2.) apesar de 2010 ter sido o período do boom imobiliário, a proprietária (que gostava muito de mim), não quis reajustar o valor do imóvel na hora da venda, então eu comprei esse apartamento por um valor bem abaixo do mercado; 3.) eu juntei cada real, cada centavo para amortizar o financiamento.

Foi o ano que casei também, apesar de todos esses eventos, alcançamos a meta anual de aporte que havíamos estipulado, pois o salário do marido havia dobrado. Festejamos e continuamos poupando, sem elevar nosso padrão de vida.

2014

Os aportes foram aumentando mês a mês. Eu não lembro direito o ano que eu recebi um bom aumento no meu salário, mas o meu salário também praticamente dobrou com o plano de carreira. Ainda não tínhamos nenhum conhecimento sobre investimentos, nosso maior investimento era colocar em um fundo de investimentos atrelado ao IPCA, em um banco grande. Em troca, ganhávamos um cafezinho e muita bajulação de gerente.

Começamos a anotar todos os gastos em um aplicativo, e isso turbinou os aportes, pois conseguimos identificar onde estávamos gastando mal. Poupamos cada centavo, poupávamos cerca de 60 a 70% do salário. Apesar do valor elevado de aportes, para nós, não foi difícil, porque desde o início, não havíamos aumentado nosso padrão de vida, mesmo quando os 2 salários aumentaram de valor. Posso dizer com convicção de que nós éramos bom poupadores.

Foi nesse ano que começamos a estipular um valor mensal de mesada para cada um. Essa iniciativa se mostrou muito acertada, pois tínhamos uma válvula de escape para gastar em qualquer coisa que quiséssemos.

Continuamos no mesmo apartamento de 1 dormitório, e sem carro.

Foi quando descobri que estava grávida.

Criei uma cota para usar livremente com táxi, na época, nem existia Uber. Não ter carro era uma opção nossa. Sofrer por não ter carro, não era uma opção, principalmente num período em que estava grávida.

2015

Eu descobri sobre FIRE com o nascimento da primeira filha. Pela primeira vez na vida, não quis mais trabalhar, pois queria ficar com ela. Sem minha filha, eu nunca teria descoberto sobre essa comunidade.

Estudei enlouquecidamente. Pausamos nossas viagens internacionais por um tempo para acelerar os aportes, as viagens se tornaram não só nacionais, como regionais, já que não víamos sentido em fazer uma viagem para tão longe com uma bebê tão pequena. Nós poderíamos retomar nossas viagens internacionais daqui a alguns anos.

Informei o gerente do banco que eu gostaria de transferir o valor total que eu tinha para uma corretora de valores, mas ele não permitiu, colocou diversos empecilhos, e no final ficou bravo comigo. Pois bem, comecei a transferir por conta própria todo limite diário disponível para a corretora, para finalmente começar a investir direito. O gerente do banco começou a me ligar desesperadamente, e só parou de me ligar quando a conta havia zerado. Foram mais de 50 ligações não atendidas.

Resgatei também o saldo total do plano de previdência privada que eu tinha, e fiquei muito frustrada quando descobri que eu não tinha a liberdade para resgatar facilmente o meu próprio dinheiro, além de taxas e impostos gordos que deveria pagar.

Decidi naquele momento que quem tomaria conta do meu dinheiro seria eu, e não mais as outras pessoas.

Nessa época, a renda fixa estava nas alturas, pagando 20% por ano.

Criamos uma meta. Decidimos que até que a nossa filha completasse 6 anos, início do ensino fundamental, todos os nossos esforços seriam concentrados em aumentar patrimônio. Como nós já tínhamos uma vida regrada, não havia muito o que fazer, apenas aperfeiçoar nas economias e continuar nos aportes, só que desta vez, direcionando nos investimentos certos.

Continuamos no nosso apartamento de 1 dormitório, e sem carro. O berço da minha filha ficava no nosso quarto. Fiz um enxoval somente com os produtos que achei necessário, e que maravilha, não senti falta de nada!

No final do ano, tínhamos superado a meta dos aportes novamente. Como o salário não aumentava, o que fizemos foi otimizar os gastos.

2016

Decidi vender meu único imóvel (não quis ficar com ele, porque descobri que o prédio tinha problemas estruturais) e voltei a morar de aluguel. Eu já tinha estudado tudo o que era conteúdo sobre investimentos, então todo o valor da venda do imóvel foi para investimentos. Renda fixa ainda pagava 18 a 20% por ano. Isso acabou gerando uma curva muito acentuada no patrimônio, pois tinha comprado o imóvel por um valor bem abaixo do mercado, e vendi em um período de alta. Esse aporte generoso deu um incentivo extra, pois começamos a enxergar o que estava acontecendo com a nossa carteira de investimentos.

Poupei décimo terceiro, poupei as minhas férias vendidas, poupei a restituição do imposto de renda, tudo. Já meu marido, não tinha décimo terceiro, não tinha férias para vender, nem imposto de renda para restituir. Mas desde o início do namoro, tudo sempre foi nosso. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, sempre foram as “nossas conquistas”.

No meio do ano, o salário do marido reduziu pela metade devido a sua bolsa de pós-doutorado, mas isso não nos abalou. Acostumados a viver apenas com parte do meu salário, apenas continuamos aportando.

Vendo que a nossa vida estava começando a mudar, comecei a contar para todo mundo sobre FIRE e sobre investimentos. Alguns deram risada, e a maioria, não me deram ouvidos.

2017

Nascimento da segunda filha.

Marido ficou na Espanha por 1 mês, e depois o chefe falou que era para ele ir pra Romênia por 3 meses (sendo que estávamos com uma bebê pequena, em época de virose). Foi a primeira vez que ele disse não no trabalho. Descontente, o chefe fez algumas ameaças para demiti-lo, mas nada o intimidou. Os investimentos estavam começando a dar frutos, ele já não tinha medo de ser demitido da empresa. Ele não só não foi demitido, mas como o chefe percebeu que meu marido não iria mudar de opinião, renegociou a data de permanência na Romênia de 3 meses para 15 dias. Agora sim.

Começamos a entender a psicologia por trás do dinheiro. Estávamos confiantes, mais seguros.

Apesar do nascimento de mais uma filha, os nossos aportes continuaram crescendo desde 2013.

2018

Começamos a entender a sensação de segurança financeira que a jornada FIRE trazia. Ver o plano dando certo, e ao mesmo tempo ver a indiferença e um certo deboche dos outros em relação a minha fascinação sobre esse tema, fez com que eu parasse completamente de contar para os outros sobre investimentos.

Compramos 2 imóveis para investimento. Um deles, após uma pequena reforma, foi vendido. E o outro, alugado para um inquilino.

2019

Em 2019 e 2020, meu marido conseguiu um contrato muito bom de trabalho que aumentou muito o seu salário. Era um trabalho com fim já programado, de apenas 2 anos (que encerrou em agosto deste ano). Esse contrato temporário aumentou novamente nosso aporte, já que nós continuamos com a nossa vidinha de sempre (desde 2014, quando meu salário dobrou, lembram?), para focar nos investimentos. Somávamos o nosso salário, pagávamos todas as contas da casa, separávamos uma pequena parte para cada um (a tal da mesada) e todo o resto, ia para os investimentos.

2020

Pandemia, trancados em casa.

Tanto o meu trabalho como a do marido, se tornaram online. Começamos a trabalhar de casa, foi um inferno, cá entre nós, mas por um outro lado, deixamos de ter gastos como viagem, Uber, restaurantes, transporte, roupas, etc. O mundo inteiro estava fechado, todo mundo dentro da sua casa, decidimos focar novamente em aumentar os aportes.

2021

Este ano, minha filha mais velha completou 6 anos. Fizemos tudo conforme havíamos planejado. Patrimônio aumentou e sei que continuará aumentando com os juros compostos.

Tenho dito para o meu marido que já não precisamos nos preocupar com o nosso futuro. Ainda não me considero FIRE, mas o patrimônio já consegue trabalhar sozinho sem interferência da nossa parte, graças ao poder do tempo e dos juros compostos.

Ou seja, daqui a alguns anos, seremos FIRE ou até mesmo FAT FIRE só com o poder dos juros compostos.

Isso nos elevou para um outro patamar de realidade, de que podemos focar apenas no presente.

Se antes poupávamos 40%, 50%, 60% e até mesmo 70% do salário em determinas fases, entendemos que podemos diminuir ou até mesmo zerar os aportes para trazer conforto e mais experiência para a família.

Desde que eu comecei a economizar, já se passaram 10 anos (de 2011 a 2021).

Desde que descobri sobre FIRE, já se passaram 6 anos (2015 a 2021).

Eu já disse em um outro post, que eu realmente acredito que a cada 10 anos, a vida pode dar uma reviravolta. Se parar para pensar, o tempo passou rápido, e não me arrependo nem por 1 segundo por ter tomado uma decisão diferente da maioria das pessoas.

~ Yuka ~

20 Comments on “Linha de tempo da minha jornada FIRE”

  1. Bom dia Yuka! Muito legal o seu relato! Obrigado por compartilhá-lo! Pensando no período FIRE você pretende manter sua estratégia atual de alocação de ativos ou pretende ir migrando a carteira para ativos com mais pagamentos recorrentes? Como está sua alocação atual (%) em RF, RV, FIIs, Internacional e outros?
    Grande abraço!

    VVI – vvibr.blogspot.com

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    • Oi VVI, tudo bem? Eu tenho tentado ter mais renda passiva com FIIs, mas é um movimento mais longo do que imaginava, pois não sou de fazer movimentos bruscos na carteira. Atualmente, minha carteira está bem desbalanceada, estou com 70% em ações brasileiras, 12% stocks, 10% em FIIs e 8% em renda fixa. Como a intenção é chegar em 30% nos FIIs, ainda tem chão. A minha ideia é ter em torno de 25% em stocks, 25% em ações, 30% em FIIs e 20% em renda fixa. Beijos.

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  2. Muito muito legal este relato e esta sua linha di tempo. Poderia contar um pouco os detalhes de como conheceu o movimento FIRE? O primeiro contato e tal.
    Abcs

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    • Oi Jorge, basicamente descobri depois que minha primeira filha nasceu e eu não quis mais retornar ao trabalho, pois queria ficar perto da minha bebê. Num ato de desespero, digitei no Google a procura de alguma resposta, e acabei caindo em blogs como o Viver de Renda, ou Mr. Money Mustache sobre o movimento FIRE. Na época, já havia diversos blogs brasileiros que falavam sobre FIRE, com detalhamento inclusive do patrimônio, o que me abriu para um mundo da qual não conhecia. Aí me joguei por inteiro, li muitos livros sobre esse assunto, comecei a estudar sobre investimentos, e acreditei que era possível. Um beijo.

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  3. Obrigada por mostrar seu caminho até hoje, é realmente inspirador!
    Eu estou ainda numa fase sem trabalho, vivendo do que tinha acumulado antes, e vai demorar para eu ainda ter qualquer renda. Você acredita que estudar agora sobre investimentos é útil, ou o cenário pode mudar daqui alguns anos e eu terei que estudar novamente? Claro que com o tempo as coisas mudam, mas me desanima estudar agora sendo que não poderei fazer qualquer investimento.
    Beijos e uma ótima semana para você

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    • Oi Diana, não acho que o cenário irá mudar tanto daqui a alguns anos, acho que investimento é sempre investimento, então o que você estudar hoje, poderá ser aplicado a qualquer momento. Tenho achado que finanças pessoas e saber investir é uma das coisas que mais pode mudar a vida de alguém, e não me surpreende como isso não é ensinado nas escolas. Claro, não querem que tenhamos independência financeira, que tenhamos controle dos nossos gastos. Então sempre que possível, estudar sobre investimentos é algo fundamental. Um grande beijo!

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  4. Sobre seu comentário no ano de 2013: “eu descobri, assim que assinei o financiamento do imóvel, que eu não posso ter dívidas”.

    Também descobri que não posso ter dívidas. Uma vez eu estava toda empolgada comentando com uma pessoa que não compro nada parcelado, pago tudo à vista, e a pessoa me solta essa: “Larga mão de ser arrogante, se você não fizer compras parceladas você nunca vai ter tudo o que quer.”

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    • Continuando o comentário porque cliquei em “enviar” sem querer…

      Na hora nem tive resposta, porque sério, de onde que pagar tudo à vista é ser arrogante? Como você sempre fala Yuka, tudo que é diferente e fora do padrão incomoda.

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      • Sim, Michelle, tudo o que é diferente do padrão incomoda. Se você consegue conquistar algo, mas os outros que ganham exatamente o mesmo salário que você não consegue, você é vista como arrogante. Por isso, o melhor que podemos fazer é contar as coisas boas da nossa vida para os nossos poucos e verdadeiros amigos, e voar sempre abaixo do radar pra não atrair olhares rs. Um beijo!

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    • Nossa Michelle, eu sempre me surpreendo como algumas pessoas podem soltar comentários tão desastrosos… “larga mão de ser arrogante” é muita prepotência dessa pessoa. E eu que já ouvi de uma colega invejosa de que “você ter escolhido seu marido eu entendo, mas não consigo entender por que seu marido te escolheu”. kkkkkkkk, na hora eu também não tive nenhuma reação, porque é algo completamente absurdo e inesperado… eu só fiquei olhando pra pessoa e ela saiu de fininho. Chegando em casa, contei para o marido e ele espumou de raiva, queria até tirar satisfação com ela, falei pra ele deixar pra lá, que não valia a pena.

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      • Caramba Yuka, que comentário maldoso dessa colega… você tem razão, comentários maldosos é sempre melhor deixar pra lá porque não vale a pena o esforço de contra argumentar, seria apenas perda de tempo. Gostei da sua frase “voar sempre abaixo do radar pra não atrair olhares”. Falou tudo!

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      • oi Yuka, bom dia,

        Que horror essa pessoa, comentário muito desagradável.

        Sobre dívidas, eu também não gosto nem um pouco. Já fiz 4 financiamentos imobiliários na vida, e me livrei de todos rapidamente. O primeiro eu vendi o apartamento e quitei, os outros fui amortizando com tudo quanto dinheiro que sobrava no mês e com os extras que ganhava – férias, irpf, 13o. Mas ainda acho que é uma boa para quem não consegue guardar o dinheiro se não tiver uma conta para pagar, principalmente se o juros forem menores do que o que a pessoa paga de aluguel. Mas claro que quem consegue guardar e pagar quase à vista é bem melhor, porque os juros compostos vão trabalhar a favor e não contra.

        Nessa frase aí (Larga mão de ser arrogante, se você não fizer compras parceladas você nunca vai ter tudo o que quer), tem várias questões. Nenhuma noção de educação financeira, confusão com o significado de arrogância. Talvez a Michelle seja arrogante porque consegue guardar dinheiro e os outros não e tem a opção de pagar à vista? Ou será que porque ela precisaria de menos coisas que os outros? Sem nem falar que muitas coisas que eu quero não dependem de ter dinheiro. Sei lá, estou especulando. Nessa linha aí, eu sou muito arrogante também.

        É aquilo né, dias atrás ouvi de um vendedor de carros que mais de 90% das pessoas que trocam de carro por um zero financiam a diferença. Eu sabia que eram muitos, mas não tinha ideia de que era quase todo mundo. Ou seja, quem vê carro novo, não vê as contas para pagar…

        Beijos,

        Daniela

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        • Oi Daniela, verdade, as pessoas podem nos achar arrogantes por sermos diferentes da maioria. Lendo seu comentário, pensei que eu também posso ser vista como arrogante kkkk. São aquelas piadinhas disfarçadas, fulana de tal é rica, mas não compreendem que fazemos escolhas e diversas renúncias. Eu também fico impressionada quando vejo pessoas com salários relativamente baixos, comprando carros caríssimos, incompatíveis com a renda. Nessa hora meu marido sempre me lembra que “eles não têm um carro, eles têm dívidas”. Beijos.

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    • Michelle, eu brinco que meu sonho de princesa é comprar o que preciso e falar “passa no débito!”, hahaha. No meu caso, realmente, se eu não parcelar, eu não tenho. 😦 Mas não acho arrogância, acho libertador e queria muito.

      Tem pessoas que são desagradáveis e nem sabem disso. Tenho me vigiado bastante a respeito de comentários que faço porque sinto, às vezes, que a pessoa entendeu “errado” o que eu exprimi (problema na emissão ou na recepção? Ainda não descobri).

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    • Oi Ficando Tranquilo, sim, o que fez muita diferença é que a gente já era bom poupador antes mesmo de conhecer FIRE. Então quando colocamos nossos investimentos no “trilho certo”, a coisa deslanchou como um foguete, para a nossa surpresa e alegria. Eu e marido conversamos que a fase mais difícil já passou, agora podemos relaxar um pouco e aproveitar a nova fase que entramos. Beijos!

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