FIRE: a verdadeira riqueza é ter liberdade de escolha

Liberdade, Menina, Viagens, Aventura, Verão, Dança

Há algumas semanas, o AA40 e o Viver, Viajar e Investir publicaram posts falando sobre o que seria FIRE (Financial Independence Retire Early). AA40 escreveu o post FIRE e a síndrome do escravo satisfeito, e logo em seguida, Viver, Viajar e Investir escreveu o post O que é realmente FIRE? A sigla ficou maior que seu significado? Os dois posts abriram algumas discussões sobre FIREs que continuam trabalhando, mesmo não precisando.

Achei os dois posts bem interessantes e resolvi também fazer um post explicando o que acho a respeito.

Durante muito tempo, meu marido odiou o trabalho dele. Foi só quando o dinheiro não era mais a força motriz é que a relação dele com o trabalho mudou. Hoje ele ama o que faz, e segundo as palavras dele, “trabalharia até de graça, pois gosta muito do que faz”. Vejo-o trabalhando nos fins-de-semana, quebrando a cabeça para resolver alguns problemas do trabalho. Quando pergunto por que ele faz isso, ele fala que sente prazer em sentar na frente do computador e ver os gráficos da pesquisa que ele faz.

Mas quando o dinheiro era uma peça fundamental da sobrevivência, isso nunca havia acontecido. Ele se via obrigado a aceitar projetos que não concordava, a fazer viagens que não queria, tudo pelo medo de ser cortado do projeto, de ser rejeitado pelas pessoas. Era o medo e a insegurança que comandava.

Eu enxergo FIRE como “ter possibilidades”. A jornada costuma ser longa, e junto com as oscilações de humor, as fases da vida em que estamos, o chefe que temos, o tipo de pessoas que trabalham conosco, a maturidade, percepções da vida, tudo isso vai interferindo em que tipo de FIRE que queremos ser.

Para quem tem um trabalho insuportável, a vontade é ser FIRE para nunca mais voltar a pisar em um escritório, e obedecer um chefe carrasco. Para quem tem um emprego onde não dá para ter previsibilidade, ou seja, tem o seu tempo raptado, ter de volta o seu tempo é o maior dos prêmios.

Eu entendo que não importa se a pessoa quer parar de trabalhar pra sempre, se quer tirar um período sabático, se quer continuar trabalhando no mesmo trabalho, se quer continuar trabalhando em outra área de atuação, se quer continuar trabalhando por dinheiro, se quer trabalhar de forma voluntária, se quer abrir um próprio negócio, se quer trabalhar em uma jornada reduzida, se quer curtir o tempo livre, se será um FI (Financial Independence) ou se será um FIRE (Financial Independence Retire Early) raíz, sem nenhum tipo de renda entrando além da renda dos investimentos.

A verdadeira riqueza da jornada FIRE é ter LIBERDADE DE ESCOLHA para fazer o que quiser.

E a liberdade de escolha é justamente poder ocupar seu tempo da forma como quiser, seja trabalhando, viajando, cuidando de familiares, estudando… Qualquer uma das opções só será possível por causa da liberdade de escolha.

E digo que tudo bem qualquer uma das opções, porque só nós sabemos lá no íntimo o que é suportável e insuportável na vida.

Da mesma forma que há diferentes tipos de FIRE como o Lean FIRE, Coast FIRE, Barista FIRE, Fat FIRE e outras formas novas de FIRE que vão surgindo, é saudável e permitido ter outras formas de vida pós-FIRE.

Vide o Mr. Money Mustache e a família Our Rich Journay. Ambos trabalham, mas nem por isso, deixaram de ser FIRE.

Sempre digo que a jornada FIRE não é uma jornada curta, e por isso mesmo, acontecem muitos solavancos no meio do caminho. Pessoas nascem, pessoas morrem, o ambiente de trabalho vai mudando, novas pessoas entram, outras pessoas vão embora, a percepção sobre o trabalho pode melhorar, ou até mesmo piorar. O que era bom hoje pode mudar de um dia para o outro. E o que era ruim, pode melhorar também de um dia para o outro.

Cada um que está prestes a se tornar FIRE, ou já é FIRE e que continua no trabalho, sabe o motivo de continuar no trabalho. Alguns continuam, porque querem continuar recebendo dinheiro. Outros porque sentem uma certa insegurança de terem feito as contas erradas. Outros, porque apesar de tudo, gostam do ambiente de trabalho. Outros, preferem interagir com outras pessoas a ficar em casa sozinho. Também tem os que querem aproveitar os benefícios que a empresa oferece. E em alguns casos, é uma mistura de tudo isso e um pouquinho mais.

Dentre tantas opiniões diversas sobre FIRE, uma delas pra mim é certeira.

A verdadeira riqueza de ser FIRE é ter liberdade de escolha para fazer o que bem quiser. Ou seja, poder viver da maneira que achar melhor.

Como já disse o Antônio Abujamra:

“A vida é sua, estrague-a como quiser”

~ Yuka ~

21 Comments on “FIRE: a verdadeira riqueza é ter liberdade de escolha”

  1. Exato, Yuka. Viver sem julgar as escolhas alheias também é um aprendizado da jornada.
    Gostaria que você falasse um pouco sobre como o blog tem te ajudado na sua jornada Fire. Te acompanho há muitos anos e não teve nenhum domingo sem postagens. Vc já falou um pouco que deixa postagens guardadas. Mas percebo que escrever neste espaço é importante pra você. Como

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    • Oi Anon, não julgar é uma tarefa difícil, mas como você bem lembrou, faz parte do aprendizado. Verdade, esse espaço aqui do blog eu digo que é o meu cantinho preferido rs. Mesmo nos períodos difíceis (quando eu não estou bem, quando estou ansiosa, estressada por alguma coisa, etc), o blog é o lugar onde consigo colocar minhas ideias em ordem. Deixar algumas postagens rascunhadas tem sido o segredo para conseguir escrever de forma ininterrupta. E quando falo que deixo rascunhado, é o rascunho do rascunho mesmo, são ideias soltas, alguns tópicos que quero abordar depois, alguma frase que li e gostei, e vou salvando. Só pra você ter uma ideia da quantidade das “ideias soltas”, tenho atualmente 332 posts rascunhados rsrsrs. Muitas delas, vão pro lixo depois de alguns meses, outros perdem totalmente o sentido, mas semanalmente, vou lá nessa pasta e pesco 1 tema que acho legal e escrevo. A parte boa é que não preciso escrever o texto do zero, então facilita muito o processo da escrita. O que incentiva mesmo é a interação que consigo com os leitores, as pessoas compartilham experiências bem pessoais, e acho isso muito valioso. Beijos.

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  2. A partir do momento que minha renda passiva passou a suprimir meus gastos (sem muita folga) minha relação com o meu trabalho (público) mudou. Pude, por exemplo, falar com o chefe que ia pedir exoneração se não conseguisse minha licença para acompanhar a esposa em Portugal por 6 meses. FI(RE) me permitiu fazer isso. Obvio que não queriam me perder e deixaram eu sair de licença. Se eu precisasse dos proventos, certamente ficaria prezo ao trabalho.
    É ótimo ter a tranquilidade de poder falar “tchau” para o trabalho quando quiser!
    Agora com o homeoffice, não vejo motivos para lagar. Estou do lado da minha filha e na minha casa (apesar de não poder ficar viajando com o computador na mão).
    Se o serviço me chamar de volta para ficar 8h/dia na minha mesa de trabalho eu digo “tchau”.

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    • Oi Zé Cotinha, o meu marido já está sentindo esses benefícios também, de poder recusar algumas propostas de trabalho, se não se sentir confortável em fazê-lo. A sensação em relação ao trabalho vai mudando mesmo, é como se os problemas que antes eram tão grandes, vai ficando cada vez menores, insignificantes, justamente por saber que tem um plano B. Beijos.

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  3. Olá Yuka. Obrigado pelo link e realmente aquele post foi polêmico mas justamente por apenas 13% da população amar de seu trabalho (segundo o TWP), é que precisamos alcançar esta liberdade o mais rápido possível para que tenhamos opções, tenhamos certa liberdade de fazer algo como o Zé cotinha acima fez.
    Abcs

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    • Oi AA40, hahaha, posts polêmicos são interessantes, porque faz a gente pensar. Meu marido se encaixa nessa porcentagem da população que ama o trabalho, mas ele mesmo já confidenciou que ama o trabalho da forma que está hoje. Se mudar a configuração, se as pessoas mudarem, se o chefe mudar, etc, pode ser que ele passe a não gostar mais do que ele faz hoje. Ou seja, de uma forma ou de outra, ter um plano FIRE é muito seguro, porque no momento que as coisas ficarem insuportáveis, podemos apertar o botão de emergência e declarar FIRE rs. Beijos.

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  4. Oi, Yuka! Não tem coisa mais importante na vida que ter escolha. Muitas vezes achamos que temos mas se estamos preocupados permanentemente com o que possa acontecer, somos livres de verdade? Eu estou morrendo de medo com o final do ano; as turmas da escola onde eu trabalho acabam e dependo de se abrirem novas turmas ou não ano que vem. E hoje eu sou o único salário da casa que não está sendo suficiente para cobrir as despesas. Eu certamente não me sinto livre de nada e olha que amo meu trabalho (eu também faria de graça se não precisasse o dinheiro, viu?). Por isso busco minha liberdade financeira ou pelo menos, uma folga financeira. Um abraço!

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    • São poucas as pessoas que realmente tem liberdade de escolha.
      O importante é que você está comprovando por si mesma a importância de como você mesma disse ter ao menos uma certa liberdade financeira, isso pode melhorar a sua qualidade de vida, emocional inclusive.
      Não sei se você tem filhos ou marido, mas comece a planejar o que você pode fazer caso seu emprego não continue, caso não tenha dependente a situação fica mais fácil.
      Creio que ano que a situação econômica esteja melhor, tomara que isso seja suficiente para que seu emprego continue, mas pense num plano B, outra escola ou mesmo outro tipo de emprego, concurso ou mesmo empregos temporários podem ao menos ajudar.

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    • Oi Bhuvana, a medida que a gente vai entendendo como as coisas funcionam neste mundo, percebemos que temos pouca opção de escolha. É aquilo, parece que temos opção de escolha, mas na realidade não temos tantas não. Quando precisamos do dinheiro, nossas escolhas vão ficando cada vez mais limitadas, e aí surge o medo e a insegurança. Estamos vivendo momentos instáveis, o achatamento da classe média é algo visível a olho nu. Conseguir ter uma folga financeira é muito importante mesmo, vá a passos pequenos, espero que dê tudo certo. Beijos.

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    • Oi João, sim, concordo. É ter a liberdade de escolha. Não importa se irá trabalhar ou não, se irá viajar ou não, tanto faz, é poder escolher. E escolher, é algo que a maioria de nós não podemos fazer (ainda). Beijos.

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  5. Algo que tenho a agradecer a família foi a importância de ser organizar financeiramente. Não que fossem bons investidores, mas estar no “negativo” era muito mal visto. Aos poucos, eu fui amadurecendo sobre isso e busquei ir um pouco além, além de simplesmente poupar (como fui ensinada): tentei aprender a gastar de forma inteligente (o minimalismo foi o grande ponto inicial). Assim, há poucos anos, depois dos 30, decidi mudar completamente de área, escolhendo me afastar do trabalho para estudar. Só pude fazer isso por ter uma boa reserva. Sou longe de ser FI, mas por alguns anos estou me sustentando tranquilamente.
    O mais interessante de tudo é ver as pessoas surpresas eu ter conseguido me afastar do trabalho e me sustentar. Por isso eu admiro muito o movimento FIRE: liberdade de escolha.
    Beijos

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    • Oi Diana, acho que um dos benefícios que o dinheiro pode trazer para alguém é justamente isso, a tranquilidade. Um problema que para uma pessoa pode ser grande, para uma pessoa que possui reservas financeiras, esse mesmo problema será um problema menor. Infelizmente, nós não fomos ensinados a poupar e investir, ou quando somos ensinados a poupar, ensinam que poupamos para comprar algo, ou seja, estamos sempre no zero. Mas a vantagem é que hoje em dia é muito fácil encontrar bons conteúdos na internet e sempre é momento de recomeçar. É aquela velha frase, antes tarde do que mais tarde. Um beijo!

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  6. Bom dia Yuka! Adorei a frase citada do Antônio Abujamra. Já anotei para referências futuras. Espero um dia chegar no ponto onde seu esposo está hoje… É muito ruim estar em um trabalho que muitos almejam estar mas não se sentir bem nele por motivos diversos…Aí coloque alguns anos nisso… Vai virando uma tortura. O poder da liberdade de focar no lado bom e simplesmente dizer “NÃO” para a burocracia, sacanagem, desorganização e desperdício seria incrível! Quem sabe um dia chego lá! Grande abraço!

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    • Oi VVI, também concordo com você, meu marido ter descoberto a área de trabalho que gosta, é um dos presentes que a jornada FIRE proporcionou. A área de pesquisa científica no Brasil é um grande funil com inúmeros pesquisadores tentando sobreviver em um país que encara a ciência e a pesquisa como um gasto, e não como um investimento. É uma área difícil, que paga mal pra caramba, mas é incrível como meu marido está lá, feliz e pleno com o trabalho dele rsrs. Beijos.

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