Questionar a rotina é o primeiro passo para viver com menos

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Nós crescemos e somos inseridos em um ambiente de constante estímulo ao consumo. Somos incentivados a comprar e descartar, comprar e desperdiçar, comprar sem precisar.

O consumismo em excesso é algo que precisamos manter distância, porque as indústrias nos manipulam demais, nos fazendo consumir da forma errada: ressaltando nossas fragilidades, medos, sensação de escassez e de urgência, além da sensação de pertencimento.

Nos fazem desacreditar nas nossas forças, jogam nossa autoestima no chão com o objetivo de consumirmos cada vez mais.

Para quem quer viver com menos, questionar a própria rotina pode ser um início interessante.

Um dos questionamentos mais simples que podemos fazer é por que devemos ter tantas roupas no guarda-roupa, se só temos apenas 1 corpo? Veja que quando temos roupas em excesso, o guarda-roupa tende a ficar mais bagunçado, mais amarrotado, difícil de encontrar as peças. Temos mais trabalho, mais roupas para lavar, mais roupas para passar, mais espaço para armazenar.

Passar roupa é outra coisa que podemos avaliar se é tão necessário. Passar lençóis, as fronhas, as toalhas de mesa, panos de prato, roupas de casa, pijama… Por que precisamos passar lençol, fronha, se na primeira noite que dormimos, tudo já fica amarrotado?

Por que insistimos em usar sapatos de salto alto se sabemos que são desconfortáveis? Para ficarmos 10 cm mais alta? E qual a vantagem de parecer mais alta? Eu tinha uma chefe que usava saltos altíssimos no trabalho, ela falava que usava porque era confortável, que parecia um chinelo para ela, mas ela sempre andava escorando nas pessoas, e na sala dela, estava sempre descalça, massageando a sola do pé. Tudo isso em nome da beleza.

É claro que as indústrias nunca incentivariam para que resgatássemos um móvel antigo na casa da vó para restaurar. Não querem que compremos roupas de segunda mão, por isso a moda é tão cíclica, criam a necessidade de estarmos sempre em dia com a moda.

Se não temos dinheiro à vista, será que precisamos tanto comprar um carro financiado, um imóvel financiado, pagando juros altíssimos para os bancos?

Será necessário mesmo dar e receber presentes em datas criadas por outras pessoas que apenas tinham o intuito de lucrar a própria empresa? Comprar mesmo não tendo dinheiro, mesmo não precisando de nada, mesmo nem sendo tão íntima daquela pessoa…

Será que é normal passar tanto tempo limpando a casa? E se tivéssemos menos coisas? Não seria mais fácil passar um pano em um cômodo livre de bagunça?

Quando permitimos que os outros ditem o que devemos fazer para alcançar a felicidade, entramos na armadilha do consumismo em excesso. O resultado disso? Menos tempo, mais pressão, menos dinheiro, mais preocupação, mais comparação.

Fazer questionamentos é um ótimo exercício para ir em busca da própria felicidade.

~ Yuka ~

20 Comments on “Questionar a rotina é o primeiro passo para viver com menos”

  1. Fico impressionada de como somos acumuladores e produtores de lixo. rs

    Na minha casa estou sempre doando algumas coisas e descartando outras.

    Atualmente moro numa casa bem menor e como estou amando! Aqui não cabe muita coisa, sempre penso antes de comprar. Uso tudo o que tenho, pois tudo está ao alcance das vistas,rs. E o melhor, super prática de limpar. Economia de tempo e dinheiro.

    Gosto muito do seu blog, Yuka. Me identifico com o seu estilo e acho sua maneira de escrever muito confortável, me sinto até uma amiga de longe, hahaha!

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    • Pois é, também fico impressionada de como quando baixamos a guarda, coisas começam a se acumular novamente. No meu caso, são mais as coisas das crianças, elas trazem objetos da casa da vó, gostam de uma caixa de papelão, laços de embrulhos, etiquetas das embalagens. Outro dia a caçula estava falando para os outros toda orgulhosa que ela “coleciona rolo de papel higiênico” kkkk… digo para o marido que são mini-acumuladoras. Beijos.

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  2. Oi, Yuka!
    Estou me preparando para a maternidade. Dentro dessa perspectiva minimalista, gostaria de saber se você tem algum post que compartilhe com mais detalhes sobre sua gestação? Vi que suas filhas estão em escola pública, o parto também foi pelo sus? Gosto do seu ponto de vista sobre esses assuntos. Obrigada.

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  3. oi Yuka, boa tarde,

    A chave da propaganda é a inadequação. Quando a gente se sente inadequada, fica ansiosa e gente ansiosa compra sem pensar.

    Eu só diria que a gente não permite que os outros decidam, a gente faz “como todo mundo faz”, sem questionar, porque tem um custo assumir que não quer ser igual. Tem que se bancar, aguentar comentariozinho, como você bem sabe. Nem todo mundo tem essa coragem, daí passam a vida fazendo o que os outros fazem esperando ficar felizes e, surpresa, não ficam. Daí olham mais para os outros para ver o que fizeram de errado.

    Enfim, é um ciclo difícil de quebrar, tem que se conhecer muito.

    Beijo e ótima semana!

    Daniela

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    • Que comentário cirurgico!

      Nessa perspectiva, penso que nos falta contentamento. Às vezes procuramos “coisas” para preencher nosso vazio interior.

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    • Oi Daniela, comentário maravilhoso, como sempre rs. Acho que até comentei em um outro post de uma amiga vegana que é importunada por todos, sendo que ela em nenhum momento, empurra a sua escolha para os outros. Agora ela grávida, está sendo importunada novamente, justamente pelo que você escreveu no comentário, porque não é “como todo mundo faz”. O conselho que dei? Falei pra ela fazer o que eu fiz, aprender a ser feliz em silêncio rsrs. Beijos.

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  4. Pensei em algo simples, mas perto da minha realidade: eu tenho poucas roupas, uso todas com certa regularidade. Meu namorado tem várias roupas, não gosta de se desfazer de nenhuma. Resultado: minhas roupas estão sempre cheirosas e às dele, algumas vezes, cheirando a mofo.
    Ótimo post como sempre!
    Beijos
    Diana

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  5. Oi, Yuka!

    Que bonita a frase: “Fazer questionamentos é um ótimo exercício para ir em busca da própria felicidade”. Muito a se pensar.

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  6. A frase final do seu post vale pra muita coisa. Um dos últimos livros que li (Previsivelmente irracional, Dan Ariely) pode ser resumido por ela, aliás. O ser humano toma inúmeras decisões irracionais no dia a dia que parecem razoáveis para quem não presta atenção. O remédio pra isso, quase sempre? Parar pra pensar e se perguntar. Trazer o inconsciente para o consciente e racional.

    “A vida não examinada não vale a pena ser vivida” (Sócrates)

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    • Oi Carlos, fazemos tudo no automático mesmo. Na casa nova, o que eu estou tentando fazer é estar consciente de algumas tarefas de casa que toma meu tempo. Por exemplo, há algum tempo que a lixeira no chão do banheiro me incomoda. Incomoda porque minhas filhas fazem uma molhação no banheiro, e toda hora preciso secar o fundo da lixeira, o fundo da escova sanitária, e por aí vai. Aí tive a brilhante ideia de deixar tudo suspenso. Comprei uma escova sanitária que fica colado na parede, e a lixeira estou em busca de um modelo que se adeque ao meu banheiro. Enfim, tudo isso pra falar que estar consciente no dia-a-dia, e tentar mudar algo que já está consolidado há anos é algo que exige esforço. Beijos.

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