Pessoas que ganham o mesmo salário, mas possuem vidas diferentes

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Você já deve ter percebido que há pessoas que ganham o mesmo salário, têm a mesma composição familiar, mas possuem vidas completamente diferentes: uma vive endividada, reclama da falta de dinheiro, está em completo desequilíbrio financeiro; enquanto a outra tem controle financeiro.

Eu percebo essa discrepância onde trabalho: são pessoas que recebem salários parecidos, mas possuem vidas financeiras completamente diferentes.

Algumas vivem de salário em salário, pagam gordas parcelas do financiamento imobiliário, negociam suas dívidas fazendo novas dívidas. Não abrem mão do carro, nem da diarista, nem dos restaurantes, das viagens, da manicure semanal, nem da vida que tem. Não conseguem parar de comprar produtos aleatórios pela internet, não abrem mão do conforto, nem dos pequenos luxos, mesmo fazendo dívidas.

Reclamam do salário, das obrigações que têm, dos boletos, das dívidas…

Há 7 anos, mais precisamente em 2015, numa roda de conversa no trabalho, comentei sobre FIRE (Financial Independence Retire Early). Como era um tema recém descoberto, fiquei muito entusiasmada e compartilhei tudo o que eu sabia sobre FIRE, sobre investimentos e sobre o poder dos juros compostos. Falei que se a gente enxugasse os gastos por um período de pelo menos 10 anos e investisse direito todos os meses, que isso poderia nos tornar livre.

Todo mundo se empolgou com tudo o que eu falei, exceto quando falei da parte de enxugar os gastos. Eu não desanimei. Eu coloquei em prática tudo o que estava ao meu alcance, pois acreditava que seria possível sim.

Eu sabia que teria que ter foco, já que esse meu entusiasmo inicial poderia diminuir ao longo dos anos, afinal, ninguém quer economizar a vida inteira. Além disso, eu era mãe de 2 bebês. Eu teria que aproveitar os aportes gordos enquanto as minhas filhas eram pequenas.

Fiz revisão de todos os gastos e enxuguei onde era possível. Fazer esse downsizing não foi difícil, afinal, eu já sabia onde poderia economizar para reduzir o padrão de vida e em que coisas queria gastar para melhorar a qualidade de vida.

O tempo passou e estamos em 2022. Vejo que todas essas inúmeras pequenas decisões que tomei lá atrás, trouxeram benefícios imensuráveis passados apenas 7 anos.

Contar essa história me lembrou do Experimento do Marshmallow:

“O Experimento do Marshmallow se refere a uma série de estudos de recompensa postergada, realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 liderados pelo psicólogo Walter Mischel, então professor da Universidade de Stanford. Nos estudos era oferecido a crianças a escolha entre uma pequena recompensa (algumas vezes um marshmallow, mas também um cookie ou um pretzel, etc.) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Em estudos de seguimento, os pesquisadores descobriram que as crianças que foram capazes de esperar por mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida, desempenho escolar, índice de massa corporal (IMC) e outros parâmetros de medição. Contudo, recente trabalho levanta a questão se o autocontrole, em oposição ao raciocínio estratégico, determina o comportamento das crianças.” Wikipédia

Para a maioria de nós, que não nasceu em berço de ouro, é essencial não ter luxo e conforto ANTES DA HORA.

Hoje eu tenho a consciência de que ter deixado de fazer viagens internacionais apenas por alguns anos, ter deixado de comer em restaurantes caros apenas por alguns anos, ter deixado de ter um plano de saúde top por alguns anos, ter aprendido a fazer inúmeros serviços (como pintura de parede, montagem de móveis, conserto de roupas), ter deixado os serviços de streamings por um tempo, ter deixado de gastar em supérfluos por alguns anos, além de diversos outros exemplos que sempre comentei neste blog, permitiu alcançar a tranquilidade financeira que hoje me encontro.

Para mim, não foram sacrifícios… foram escolhas.

Ter postergado alguns sonhos materiais, permite que hoje eu não me preocupe mais com a rentabilidade da carteira, nem fique fazendo contas na hora de comprar alguma coisa, principalmente, porque os aportes mensais irão continuar, já que ainda não pretendo parar de trabalhar.

Em 2019, publiquei um post que pode ser interessante a leitura: “A sua falta de interesse em investimentos pode custar muito caro.”

Os 5 anos da qual menciono nesse post já se passaram…

Ainda dá tempo de arregaçar as mangas para não perder mais 5 anos…

~ Yuka ~

17 Comments on “Pessoas que ganham o mesmo salário, mas possuem vidas diferentes”

  1. oi yuka, obrigada por mais uma vez compartilhar tua experiência e tua perspectiva das coisas aqui conosco… conheci teu blog faltando 1 ano para me formar e recém completei 3 meses no meu 1o emprego. abri meu relatório e percebi que consegui poupar 12% de tudo o que ganhei, o que é muito pouco sendo que eu sou solteira e não preciso ajudar ninguém. percebi que além do aluguel e demais despesas, eu literalmente comi todo o meu salário com idas frequentes às Americanas para pegar guloseimas, que comprei por impulso/ansiedade e com pedidos frequentes de delivery… agora quero me concentrar em poupar pelo menos 25% de tudo o que eu ganhar, de modo a estruturar os passos seguintes na minha carreira, já que não estou feliz de trabalhar 6 dias na semana nesta empresa para a qual presto serviços. parece que estou vivendo sem perspectiva, sem horizonte, de salário em salário, como você escreveu… guardando a quantia certa, pretendo buscar novos cenários para trabalhar. mas admito que fiquei orgulhosa de ter guardado pelo menos 12%, se nâo fosse isso, não teria nada guardado.

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    • Oi Belli, parabéns por ter guardado 12% de tudo o que recebeu. Já é um grande feito. Eu gosto de gamificar a minha vida, e comecei também exatamente igual a você, só que tentando me livrar de algumas dívidas que eu tinha (cheques parcelados em infinitos meses). Quando consegui finalmente me livrar de todos os cheques, comecei poupando 1%, depois 2%, depois 3% e por aí vai. Teve períodos em que eu e meu marido estávamos tão focados na jornada FIRE que começamos a poupar 70% de tudo o que recebíamos rsrsrs. Foi um período bom. Tente fazer isso com você também, como você conseguiu guardar 12%, tente guardar 15% no próximo mês (primeiro você investe esses 15% e literalmente tem que “se virar” com os 85% do salário, nem que tenha que vender algumas coisas que você tem no OLX). Essa forma de pensar me ajudou muito a economizar. Um beijo e continue na jornada.

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    • Oi Ras, pode ser mesmo viu. Aliás, somos incentivamos demais a gastar e a fazer dívidas. Por muitas vezes fui mal julgada só porque estava poupando parte do meu salário, não conseguia entender isso. Era como se fosse errado querer poupar. É algo enraizado, as pessoas acham bonito fazer dívidas. Um beijo.

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  2. Olá, Yuka!
    Acho que a grande questão é saber viver o presente sempre pensando no futuro. Ao longo destes 7 anos, você sempre esteve certa da sua decisão ou quando via algum colega fazendo algo que você deixou de fazer se sentiu mal de alguma forma?
    Por exemplo, eu tenho reservado aproximadamente 8,5% do meu salário líquido para saídas (shows, restaurantes, bares, delivery), tudo que diz respeito à lazer. Como absolutamente tudo aumentou este ano, aumentei o antigo limite em 25% quando houve reajuste do meu salário. Sou uma mulher solteira de 22 anos, e ao longo do tempo percebi que isso me faz muito mais feliz do que comprar roupas, cosméticos e gastar com coisas aleatórias. Por isso, me programo para usar esse dinheiro de forma consciente optando sempre pelo drink, hambúrguer, pizza… que mais gosto. Porém, com esse valor que tenho estipulado, não consigo sair toooodas às vezes que meus amigos saem, e apesar de saber que o valor que tenho investido só aumenta pensando que estou em casa por um bom motivo, às vezes me questiono se não estou sendo rude demais comigo, não me permitindo fazer mais do que gosto. O que você pensa a respeito?
    Observação: tenho poucos gastos, consigo guardar aproximadamente 65% do meu salário. Moro com a minha família e não tenho gastos relacionados à casa.

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    • Não sou a Yuka, mas vou dar minha opinião.
      Esse planejamento, disciplina e sobretudo hábito de poupar e investir funciona da melhor maneira quando está alinhado a quem você é, sua personalidade, seu comportamento.
      Quando se é naturalmente uma pessoa mais pacata, caseira, introvertida etc é mais fácil, mais natural e orgânico ter a condição de economizar mais e se os ganhos form ao menos razoáveis vislumbrar uma independência ou semi independência financeira.
      Ou seja são pessoas que seguem esse caminho com naturalidade e não por obrigação ou falta de opção.
      Muitos não conseguem ou não querem seguir esse caminho porque não tem nada haver com seus hábitos, sua personalidade ou aquilo que julgam importante. Simples assim.

      Você hoje tem a possibilidade de aportar um percentual alto de seu salário porque seus gastos são poucos. Se o que você destina ao seu lazer, que você parece valorizar bastante é o suficiente para o que você quer ou costuma fazer tá tudo ok.
      Quando você for morar sozinha, ou casar, se essas coisas fizerem parte dos seus objetivos aí então provavelmente você não conseguirá aportar tanto.
      Então se você está bem assim no momento aproveite. Crie uma gordura financeira.
      Se quiser gastar mais com o seu lazer, gaste, não creio que aumentar o percentual faça muita diferença nos seus aportes ou economias.
      Não é errado gastar com aquilo que te ajuda a manter uma vida emocionalmente equilibrada.
      Só tome cuidado com excessos. Não beba demais, não use drogas, seja atenta as suas amizades e veja aonde elas estão te levando, mantenha sua saúde em dia, não se envolva/relacione emocionalmente/afetivamente com qualquer um, caso queira isso pra sua vida, tenha filhos só quando de fato desejar e estiver planejada para tê-los e seja consciente na escolha do pai.

      Garanto que esses cuidados farão tanto ou mais diferença na sua vida mais á frente do que “apenas” a questão financeira. Suas escolhas de hoje é que vão determinar a sua vida futura.

      Boa sorte.

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    • Oi Julia, sobre a sua pergunta, eu não me sentia mal por ter deixado de fazer algo, porque sempre soube que essa restrição que eu estava passando seria temporária, não seria para sempre. Eu sempre soube que eram as minhas escolhas, então nunca interpretei como sacrifícios. Que nem as viagens. Se antes fazia viagens mais caras, eu comecei a fazer viagens bem econômicas. Ia pra Itu, pra Águas de Lindóia, pra lugares bem perto de São Paulo. Quando via pessoas fazendo viagens bem bacanas, eu sabia que eu também poderia fazer daqui a alguns anos, e o melhor, quando voltasse a fazer viagens internacionais, eu poderia fazer isso para sempre, porque já teria acumulado um patrimônio bacana, enquanto essas pessoas estariam correndo o risco de não poder fazer viagens internacionais nunca mais, já que nunca guardaram dinheiro (e não deixaram os juros compostos agir).
      Sobre sua outra pergunta, se deveria gastar mais em lazer, é difícil dar uma resposta pá-pum, principalmente porque não sei quanto seria 25% do seu salário falando em valor nominal. Mas eu acho que você está indo pelo caminho certo, você é nova, tem 22 anos, e tem uma consciência financeira que eu só tive aos 35 anos. Ou seja, você tem 13 anos a mais de vantagem do que eu, que inveja rsrs. Acho que você não precisa sair todas as vezes que seus amigos saem, mas poderia estipular metas financeiras para poder se presentear. Vou dar um exemplo, se você conseguir poupar por ano 70% de tudo o que recebeu, você pode gastar x reais em gastos extras. Isso dará um gás para se esforçar para economizar, porque saberá que depois poderá gastar mais. É um sistema ganha-ganha que eu e meu marido fizemos muito isso. Nos esforçávamos para alcançar a meta, porque no final do ano, poderíamos gastar x% de tudo o que havíamos conseguido poupar. Um beijo.

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  3. Oi, Yuka,
    Adorei o post. Realmente não são sacrifícios e sim escolhas, para aqueles que sabem realmente o que querem. Vejo muitos jogando os seus salários fora sem perceber. Muitos não estão prontos para uma vida confortável no futuro. Cabe a nós tentarmos alertá-los, mas a parte mais difícil será a sempre a deles de realmente seguir nossos conselhos.

    Grande abraço Yuka,

    https://caminhodaspedrasfire.blogspot.com/

    – André Cruz –

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    • Com certeza André. Muitos querem a vida confortável hoje, e essa escolha faz com que passe dificuldades no futuro. Eu já presencio isso com algumas pessoas a minha volta. São pessoas que insistiam em gastar tudo do salário, almoçavam em lugares bem caros, e torciam o nariz para quem trazia marmita. Com a economia atual e a inflação descontrolada, hoje, esta pessoa está passando por necessidades financeiras. Então eu entendo que é melhor passar por um aperto temporário e ter conforto pra sempre, do que passar conforto temporário e passar aperto para sempre. Um bejio.

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  4. Oi Yuka, sigo seu blog há alguns anos. Seus textos me conforta por saber que existem pessoas com o mesmo pensamento que o meu. Também iniciei o caminho por volta de 2015 e não me arrependo em nada. Em quantas vezes fui taxado de doido, louco, que a vida de vive apenas uma vez, mas hoje tenho ainda mais certeza que tomei a decisão mais acertada da minha vida e estou naquele momento que podemos dar o luxo “de relaxar” um pouco, que a bola de neve esta bem formada e podemos diminuir um pouco os aportes. Gostaria de parabeniza-la pelo excelente blog que em várias vezes me inspirou e não me fez desistir.

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    • Oi Bruno, então começamos praticamente juntos nessa jornada financeira. Era uma época em que as pessoas nos chamavam de loucos mesmo, como se estivéssemos falando algo muito absurdo. Também tenho certeza de que tomamos a decisão mais acertada da vida. Ao invés de relaxar antes da hora, sabemos que agora sim, podemos relaxar um pouco. Beijos.

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  5. Oi Yuka já faz algum tempo que acompanho o seu blog, pq comecei a pesquisar sobre a jornada fire e me deparei com o seu blog. Ainda não consegui montar uma carteira de investimento adequada, mas alcancei a liberdade financeira faz algum tempinho, e exatamente assim que me sinto como vc e, qdo li um texto sobre o emprego perfeito também, conforme fui adquirindo a independência financeira o serviço que nunca foi o meu sonho exato está menos “pesado” pq no começo dependia por completo do meu salário e hj com o patrimônio que juntei tenho a tranquilidade de saber que se eu parar de trabalhar consigo me virar. A única coisa da qual me arrependo e não ter conhecido a jornada antes no início da minha carreira, pq se tivesse conhecido teria alcançado a minha independência há 10 anos atrás e teria o dobro do que eu tenho hoje. O seu blog me trás muito alento qdo me sinta meio solitária nessa jornada e inspiração para continuar!

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    • Oi Erika, eu também tenho o mesmo pensamento que você, que poderia saber sobre FIRE antes, mas tenho que compreender que há alguns anos, esse termo não era tão difundido assim. Então sempre penso, “antes tarde do que mais tarde” rsrsr. Um beijo!

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