Quando se vive com paixão a jornada FIRE

woman sitting on grey cliff
Crédito da foto: @vladbagacian

Hoje resolvi escrever sobre esse tema, porque é um sentimento que eu tenho dentro de mim.

Diferente do que algumas pessoas já podem imaginar, a jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early) não é, nunca foi e nunca será um martírio para mim.

Eu acho que isso acontece por um mix de acontecimentos:

Meu trabalho não é insuportável

Eu tenho vontade de sair do meu trabalho, mas às vezes tenho vontade de ficar. A verdade é que eu sempre quis que meu trabalho não fosse uma obrigação financeira. Hoje, trabalho, porque preciso do dinheiro. Quero um dia poder trabalhar (inclusive em outras áreas) por simplesmente querer trabalhar, tirar essa obrigação, ser dona do meu tempo. Além disso, recebo um salário ok, a minha equipe é composta por pessoas responsáveis, ou seja, não tenho que cobrar serviço, não preciso falar duas vezes a mesma coisa, são pessoas acessíveis e confiam em mim.

Eu sou minimalista

Eu não reduzi meus gastos para ser FIRE. Eu já vivia assim, antes mesmo de conhecer o movimento FIRE. Já comentei isso antes, que FIRE será consequência do meu estilo de vida. Eu vivo alguns degraus abaixo do que permitiria a minha renda familiar. E não vivo assim com o intuito de economizar. Vivo assim, porque encontrei a minha suficiência, tenho poucas coisas, mas de qualidade. Aprendi a priorizar o que é importante e eliminar excessos.

Eu conheço a minha própria suficiência

Eu não tenho além do que eu preciso.

Se eu tenho 5 sapatos, é porque eu uso todos os meus sapatos. Não há nenhum sapato que fica de escanteio, esquecido no fundo da sapateira. Todos estão em bom estado e bem cuidados. E isso só é possível, porque tenho poucas unidades.

E isso se repete em praticamente todas as áreas da minha vida.

Meu marido acredita em mim

Meu marido acredita na jornada FIRE. Se eu digo para ele que preciso de algumas semanas para estudar sobre estratégia de investimentos, para reavaliar nosso plano FIRE, posso simplesmente largar tudo para focar nos estudos. Eu e meu marido compartilhamos serviços de casa. Mas nesses períodos do meu intensivão, ele cuida de tudo após colocarmos as crianças para dormir. Ele arruma a casa, coloca as roupas para lavar, recolhe, dobra e guarda as roupas, cozinha, lava louça, leva o lixo na lixeira do condomínio, enfim, faz tudo mesmo. É confortante ter um companheiro que rema junto, que não só acredita em mim, mas encoraja para seguirmos em frente.

Eu tenho gratidão por tudo o que já conquistei

Alguém pode olhar e pensar: “nossa, grande coisa…”, mas eu sinto gratidão em tudo que já conquistei nessa vida. Desde a roupa quentinha que uso para me proteger dos dias frios (antes, eu sentia muito frio no inverno, porque não tinha dinheiro para comprar roupas de qualidade), de ter uma internet de qualidade, até de poder comprar um simples sapato com a numeração correta para minhas filhas (eu usei por muito tempo sapatos doados de qualquer numeração, por falta de dinheiro. Sentia dores nos pés, porque ora usava sapatos apertados, ora usava sapatos largos).

Sinto gratidão nas coisas pequenas, como ter janelas boas que vedam vento. Nesse apartamento que acabei de mudar, a primeira coisa que falei pro meu marido foi isso: “olha como essas janelas são boas, você lembra quando a gente passava mais frio dentro de casa do que fora?”

O que para muitos pode ser pouco, para mim e para o meu marido, temos o que nunca tivemos até então.

Dizem que a gente se acostuma com coisas boas. Eu não me acostumo. Eu sempre lembro de onde eu vim e onde estou hoje. Eu sempre lembro do caminho que trilhei.

Lembrar que tudo poderia ser muito pior

Eu poderia ter começado a investir mais cedo. Poderia. Mas poderia não ter começado até hoje.

Eu poderia ter um trabalho melhor. Poderia. Mas poderia também não ter emprego.

Eu poderia não ter saúde…

E quando penso assim, tudo fica bem.

O prazer de viver a jornada FIRE

A jornada FIRE tem sido como uma construção de uma ponte. A cada etapa concluída, uma conquista. A cada conquista, a sensação de tranquilidade aumenta, aumenta a paz e a serenidade por saber que será uma questão de tempo alcançar a aposentadoria antecipada.

Posso dizer que vivo uma jornada FIRE de forma leve, divertida, sem precisar deixar os pequenos e médios sonhos para depois.

~ Yuka ~

42 Comments on “Quando se vive com paixão a jornada FIRE”

  1. Fala Yuka!

    Obrigado por compartilhar com a gente o seu sentimento de trilhar o caminho da independência financeira.

    Tem dois pontos no seu texto que me identifiquei bastante. Um ponto é a gratidão, acho importo de vez em quando agente refletir com carinho a respeito do que conquistamos na vida. A vida sempre poderia ser melhor, mas poderia ser pior também. Acho importante lembrar de onde viemos, da situação que vivíamos quando criança, a situação que nossos pais tiveram e onde estamos agora. É fácil esquecer da jornada e tomar a nossa vida como garantida, não é. Tudo pode mudar a qualquer momento.

    O segundo ponto é sobre o momento em que começamos a investir. Por vezes já pensei que deveria ter começado a investir mais cedo, que hoje estaria numa situação muito melhor, mas eu consegui fazer as pazes com esse sentimento. O importante é que eu comecei, tarde ou não. Eu descobri isso é agi. Quantas pessoas não descobriram o mundo dos investimentos e estão esperando a hora certa de começar a investir? Enquanto esperam, a vida passa.

    Mais uma vez obrigado por compartilhar o sentimento de trilhas o caminho da independência financeira.

    Bruno
    https://nasuaessencia.com

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    • Oi Bruno, exatamente, as pessoas podem até achar que onde chegamos é pouco, mas não sabem de que ponto partimos. Lembro que nos períodos em que minha mãe passou bastante necessidade financeira, por conta da morte do meu pai, ela oferecia para nós, arroz que estava quase estragando com um pouquinho de caldo maggi para disfarçar o sabor. Então tudo o que conquistamos, já é uma grande vitória. Essa conquista não precisa ser algo grande, e sim, coisas pequenas, como ter uma geladeira cheia, poder pagar as contas em dia, ter um teto para morar. Eu que agradeço pelo seu comentário. Um grande abraço.

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    • Opa, vou dar uma olhada, obrigada!!! Depois que você comentou sobre afiliados, deixei umas páginas abertas aqui no meu computador, para dar uma estudada sobre o assunto. Como é algo novo para mim, não sei de nada, não sei nem como funciona, mas vou estudar a respeito rsrs. Beijos.

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  2. Oi, Yuka,

    Eu também não tive que me ajustar para entrar na jornada FIRE, então creio que seja, mais fácil porque, como você disse, a jornada é uma consequência do nosso estilo de vida anterior.

    Também gosto muito do que faço, mas sinto que ser escravo do tempo é algo que realmente me deixa desconfortável. Poder trabalhar sem ter a necessidade imediata do salário seria o nirvana.

    Beijos e bom domingo.

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    • Isso Thiago, é isso que eu sinto também. Quero poder trabalhar sem ter aquela obrigação financeira. Vejo pelo meu marido, que durante muitos anos foi um escravo do dinheiro. Depois que nós nos casamos, e passamos a viver só com o meu salário, já que a dele é muito instável, ele finalmente pôde trabalhar sem aquela obrigação toda, porque sabia que no final do mês, conseguiríamos pagar as contas apenas com o meu trabalho. Algo mágico aconteceu. Ele percebeu que amava o trabalho. Ou seja, foi somente quando o trabalho deixou de ser uma obrigação financeira, que ele descobriu o quanto gostava daquele trabalho. Hoje ele até fala que como gosta tanto do que faz, trabalharia de graça, mesmo virando FIRE. Beijos.

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  3. Com certeza apreciar o caminho faz toda a diferença!
    Yuka, se puder, eu quero te pedir um conselho. Você disse que seu trabalho não é insuportável (e eu fico feliz por isso), mas.. o que faria se esse trabalho realmente fosse insuportável? Eu queria seu conselho se puder me dar… Eu acho o meu trabalho insuportável e a cada dia trabalhado, mesmo no home-office eu sinto que morri um pouquinho… Sexta-feira agora procurei um psiquiatra até, e acredite ele me receitou aqueles famosos remédios tarja preta… Eu sei que preciso encontrar maneiras de lidar com os problemas do dia-a-dia mas quando a gente está no olho do furacão, na fase mais aguda do descontentamento é bem difícil… Eu penso em simplesmente pedir demissão. Tem dias em que quase jogo a toalha sabe… Você sempre é tão ponderada, tão sábia… Se tiver algo que possa me ajudar eu agradeço muito.
    E obrigada, continuo aqui sempre aprendendo alguma coisa!
    Beijos!

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    • Olá, desculpe-me a intromissão, mas senti que poderia contribuir com o teu questionamento. Imagino o quanto deve ser difícil tomar a decisão de demissão, já passei por isso, estava em um trabalho onde não me sentia tão preenchida, vivia cansada, triste…Tomei a decisão precipitadamente, no fim acabou dando tudo certo em outro trabalho, na minha área, mas olhando para trás vejo que eu poderia ter feito algumas coisas para estar mais tranquila e confortável naquele momento difícil e que eu poderia ter tomado a decisão mais calmamente o que resultaria em menos estresse. O que vejo é que eu poderia estar levando uma vida mais sustentável, o que quero dizer é que a gente limita muito a nossa vida e a nossa identidade ao trabalho e como eu estava em algo que não me sentia completamente encaixada eu me frustrava e deixava isso se espalhar para o resto da minha vida, quero dizer que vc pode fazer coisas que te façam bem e que faça você se sentir você mesma mesmo quando não estiver trabalhando. Às vezes a gente cai nessa de desenvolvimento profissional a qualquer custo ou desenvolvimento pessoal que de pessoal não tem nada é só desenvolvimento para trabalho e mais trabalho. Tente pensar em coisas que você quer para vc se sentir bem e tranquila: leitura, pintura, momentos de contemplação, uma caminhada ao final do dia, é que quando temos pequenos prazeres no nosso dia nos sentimos mais vivos, mais nós mesmos e às vezes por mais difícil que seja nosso trabalho está tudo bem porque estamos bem na nossa vida. De nenhuma forma quis dar lição de moral ou soar arrogante, eu nunca faço comentários em lugar nenhum, só aqui nesse blog da Yuka mesmo porque acho que há uma troca muito boa. Eu espero que você fique bem. Que o Senhor Jesus te abençoe. Abraços fraternos

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      • Oi Elena, não soou arrogante ou lição de moral. Eu não senti isso não. Senti que você passou por algo semelhante e quis ajudar e ajudou sim. Obrigada.
        Eu sinto falta mesmo de coisas que me identifiquem no mundo como eu sou, como vivo, como entendo o mundo. Já reparou que quando a gente é apresentado a alguém, ou até mesmo quando a gente se apresenta, normalmente fala algo como ah, essa é fulana de tal, trabalha na empresa X, ela é técnica de blá blá blá lá. Ninguém diz essa aqui é fulana, ótima contadora de histórias, que ama viajar, conhece navios diversos e também faz artesanato nas horas vagas.
        Por que que realmente a gente acaba dando essa dimensão pro trabalho nas nossas vidas? E parece que isso nos define e nos engole… Gente… Nossa o que você disse pra mim fez total sentido… Tem tantas outras áreas na vida que na verdade estão sendo deixadas de lado pq eu simplesmente estou com o foco nesse problema chamado trabalho.
        Mas eu agradeço principalmente por compartilhar sua experiência de que no fim, ao pedir demissão deu tudo certo, mas que realmente poderia não ter dado e que incluir pequenos prazeres na vida cotidiana pode aliviar o fardo e talvez mudar o foco.
        Te agradeço demais Elena. E realmente o blog da Yuka é sensacional. Aqui não só aprendemos com ela mas com os demais. Esse espaço que ela criou é muito rico.
        Bom… Obrigada e um abraço pra você também!

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        • Ariane, o que a Elena escreveu faz muito sentido. Há um tempo, eu li um livro muito famoso inclusive no movimento FIRE: Dinheiro e Vida, da Vicki Robin. Eu andava meio frustrada por ser funcionária pública, e muito ansiosa para alcançar logo a minha independência financeira. Em um dos trechos do livro, os autores falavam que nós não éramos aquele funcionário desempenhando uma determinada função, nós ESTÁVAMOS naquela função. Trocar esse verbo, fez total diferença na minha vida. Eu não SOU funcionária pública, eu ESTOU funcionária pública. Ou seja, eu tinha outros valores, eu tinha hobbies, eu tinha amigos, e o meu trabalho não poderia determinar tudo o que eu representava. Era apenas uma pequena parte de mim. A partir disso, eu decidi que queria ter mais amigos dentro do meu trabalho, e comecei a conhecer melhor as pessoas, as pessoas perceberam o meu interesse, começaram a se abrir, e comecei a ter mais amigos no ambiente de trabalho, o que me fez ter mais ânimo para ir ao trabalho. É complexo, eu sei. Mas como disse no comentário anterior, precisa ser avaliado com muito carinho, balancear a razão e a emoção (e a parte financeira, claro), e tentar encontrar um equilíbrio. O comentário da Marcela completa o que eu quero dizer pra você. Faça as coisas com calma, sem pressa e siga os dois conselhos que ela deu. É o que eu faria também. Se puder, saia. Se não puder sair, encontre um bom terapeuta para te ajudar a lidar com essa situação. Um grande beijo. Vai dar tudo certo.

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          • Oi Yuka, como vai?
            Primeiro de tudo quero te pedir desculpas pq acabei te fazendo lembrar coisas bem doloridas né… Sei como é trabalhar com pessoas que não te querem bem e em um ambiente tóxico… E por isso imagino que não tenha sido tranquilo lembrar disso.
            Eu acabei realmente deixando outras áreas da minha vida de lado, amigos inclusive, e acabo tendo você e o pessoal que comenta aqui como amigos distantes que nem sei como são pessoalmente mas sei que em termos de ideias são pessoas muito legais ….. E eu estava tão desesperada nessa semana em que publicou esse texto que acabei desabando e desabafando por aqui. De toda forma eu agradeço teu carinho e do pessoal, da Elena, da Marcela. E te peço desculpas também.
            Eu fiquei praticamente esse mês mais afastada de tudo, de internet, de blog, Instagram, tudo… Apenas trabalhando, fazendo consultas semanais com uma psicóloga, o que tem sido muito bom, e refletindo sobre tudo isso… Por isso dei uma sumida.
            Sobre o livro que comentou eu li uma parte que está disponível pra visualização e leitura pelo Google, depois vou ver se encontro o livro pra comprar.
            E sobre o seu conselho de se puder saia, pois é. Eu te agradeço. Tô tentando viver um dia de cada vez no trabalho e ver até quando consigo ficar parar poder aumentar a reserva de emergência. Tenho medo de sair sem ter outro emprego, então pra sair com mais segurança estou tentando ir levando os dias, um de cada vez, e ir aumentando a reserva. De qualquer forma, apesar de não ser a empresa dos sonhos, os problemas maiores agora são com uma superior, então, paralelo a isso tenho conversado com o psicólogo da empresa e estamos vendo a possibilidade de trocar de setor. Não vou passar a amar a empresa por isso mas pode ser que em outro setor, novos colegas, nova chefia, novos desafios, eu consiga levar esses próximos meses de uma forma mais leve. Ainda não há nada certo mas existe essa possibilidade. Vamos ver. E estou tentando estudar para poder mudar de área. Confesso que nesse último mês e antes disso eu já não conseguia estudar muito por conta de todo desânimo e desespero que sentia, mas isso está começando a diminuir então já estou voltando a ler, a acompanhar alguns conteúdos pequenos.. enfim … Cada dia tem sido um novo dia e cada coisa que consigo fazer sinto que é uma pequena vitória pois eu estava bem mal… Estava tendo problemas até de memória, a cabeça não funcionava…
            Então é isso, te peço desculpas e agradeço pela sua gentileza e delicadeza em me dar seu conselho. Assim que for possível eu sairei, mas hoje já estou conseguindo levar os dias de uma forma melhor e com isso fortalecendo a reserva. Mês passado guardei toda a restituição do IR, esse mês já poupei todo o retroativo que caiu, nem era muito nas fingi que ele não existia e coloquei tudo na reserva. E é isso que tô fazendo. Desculpas. E obrigada. Um beijo.

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            • Oi Ariane, que bom tê-la de volta. Não precisa pedir desculpas de nada, pra mim não é sofrimento lembrar do que aconteceu, para mim é só uma fase da minha vida e sinceramente, tenho até um certo orgulho de ter superado isso e ter virado a página. No momento da turbulência que você se encontra, é natural que os caminhos fiquem embaçados e fique difícil de localizar a saída. A sua estratégia de pedir para mudar de setor foi muito boa. Vamos torcer que as mudanças aconteçam de forma rápida. O momento agora é viver um dia de cada vez, cuidar de você, ser mimada e cuidada pelo seu namorado, pelos seus pais, se colocar em primeiro lugar, tentar manter o equilíbrio. Vai ser difícil, está sendo difícil, mas veja que você já está fazendo o que está ao seu alcance. Já pediu para mudar de setor, já está aumentando sua reserva de emergência, já está fazendo terapia. É isso mesmo. Um passo de cada vez, e aos poucos vai encontrar a saída. Não sofra sozinha, peça ajuda, é o melhor que você pode fazer, deixe as pessoas ajudarem você. Quando me divorciei, eu sofri muito, meus colegas do trabalho sabiam, mas eu não deixei ninguém se aproximar pra manter o “profissionalismo”, sofri sozinha, e digo que foi muito mais difícil. Hoje quando estou triste, eu falo, peço ajuda, peço conselho, peço abraço, e as dificuldades parecem se tornar um pouco menores. Um grande beijo. Fique bem.

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    • Desculpa a intromissão.
      Entrei em colapso há alguns anos por conta do trabalho.Se pudesse voltar no tempo diria para mim:
      -Faça terapia;
      -Reflita bastante sobre sua situação financeira e se puder faça um plano financeira para sair.Caso contrário trabalhe na terapia e busque algum forma de lidar com o stress do trabalho.
      Fiz tudo errado por isso posso te dizer que deve ir com calma e não haja pela força das emoções.

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      • Oi Marcela, obrigada.
        Quem passa por algo semelhante entende a dimensão do problema.
        E eu vou procurar uma terapia sim, já estou buscando. Na verdade o psiquiatra mesmo recomendou pois disse que os remédios eram o menos importante de tudo que ele estava indicando. Na verdade a primeira coisa que ele recomendou foi procurar uma terapia, a segunda foi voltar a praticar alguma atividade física, depois um hobbie, por fim vinham os remédios.
        E agir no calor das emoções realmente leva a problemas né? Obrigada pelo comentário, me ajudou a refletir e lembrar de tudo que preciso fazer.

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    • Oi Ariane, tudo bem? Sobre a sua pergunta, vou compartilhar a minha história com você, que acabou culminando na criação deste blog. Eu trabalhei em uma empresa, que apesar de ser muito boa, tinha uma chefe tóxica e uma colega tóxica. Foi aos pouco que eu fui ficando mal, fui deixando, fui aguentando, fui engolindo sapos, até que depois de alguns meses trabalhando, simplesmente eu dirigia (naquela época eu tinha carro) até o trabalho chorando, e voltava chorando. Só não chorava dentro da empresa. Mas assim que entrava no carro, começava a chorar. Meu marido (ex-marido atualmente rs), insistiu diversas vezes para eu largar o emprego, que ele me sustentaria. Mas eu não quis, por puro orgulho. Ficava pensando: “eu não vou pedir demissão, o que as pessoas vão achar de mim? Não vou sair por baixo, só vou sair se encontrar um emprego melhor etc, etc”. Eu até consegui encontrar um emprego melhor (que é o trabalho que eu estou hoje), mas paguei o custo desse meu orgulho. Eu fiquei muito doente e meu casamento acabou. Eu tive depressão, ansiedade e meus nervos inflamaram, o que começou com uma pontada de dor na região do tórax, se tornou algo insuportável até a virilha. A dor era tanta que as gotas de água do chuveiro pareciam facas caindo sobre mim. Eu reclamava do trabalho, das pessoas que eu não suportava mais, meu ex-marido conviveu durante meses, com o meu lado mais negro. Até que finalmente, o casamento acabou. Aonde eu quero chegar com tudo isso, Ariane, é que cada caso é um caso, e deve ser avaliado com muito cuidado. Não sei se você mora com seu namorado, ou com seus pais, ou se mora sozinha, se tem filhos. Mas você precisa avaliar até que ponto vale a pena sacrificar sua saúde mental e física por um trabalho. Na época, eu também cheguei a ir no psicólogo, e na primeira sessão, deu um click na minha cabeça que eu não precisava de remédio, eu precisava era sair dessa empresa. O remédio é um paliativo, ele trata a consequência o problema, não a causa. A causa do meu sofrimento era o trabalho, então se eu saísse do trabalho, eliminaria meu problema pela raíz. E foi isso que eu fiz, mas por não ter agido tão rápido, acabei tendo sérias consequências na cabeça, no corpo, e no meu casamento. Até hoje, quando começo a me sentir muito estressada, começo a sentir as pontadas no tórax, reflexo daquele período. Se você tem alguém que pode te dar o suporte financeiro (por exemplo, se você mora com seus pais, ou até mesmo uma boa reserva financeira, ou se mora sozinha, cogitar voltar a morar por um período na casa dos pais até as coisas se acertarem, ou se mora com o namorado, se ele consegue segurar as pontas por um tempo), ao invés de tomar remédio, eu sugeriria para você sair do seu emprego. Vou continuar a conversa no comentário da Elena rs. Beijos.

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      • Oi Yuka.. acabei comentando ali no comentário de cima mas vou te falar mais uma vez pq depois que li o que escreveu acabei meio que me sentindo mal por ter feito você se lembrar de tudo isso. Eu nem imagino como pode ser essa dor que descreveu, parece horrível de mais… E eu espero que não precise mais passar por isso!
        Eu comecei a sentir que estava mal a alguns meses… Um mês depois do isolamento social… As cobranças no home office foram ficando maiores, sentia que além de trabalhar eu tinha que a todo momento provar que estava trabalhando. Não havia uma relação de confiança sabe? E a coisa foi piorando, foi piorando, foi tendo insinuações de que eu não trabalhava, ameaças de ter que voltar ao escritório sem QQ motivo plausível e sem que outros funcionários voltassem… Tarefas piores, tarefas que nem eram minhas…. Enfim … A coisa só foi piorando e como você falou a gente vai engolindo, vai guardando mas chegou um momento que não aguentei mais.
        Eu moro sozinha mas na verdade estou passando esse período de isolamento na casa dos meus pais, percebi que estava mal, mas não ainda ao ponto de admitir e entender que o problema era o trabalho e chegar aquela conclusão que você chegou de que se oras, se o problema é o trabalho é só sair do trabalho. Mas eu já tinha sentido que não estava bem pois não estava me alimentando direito, fazia as vezes uma refeição, e daí falei com a minha mãe e estou aqui tem alguns meses. Por conta disso estou economizando um pouco pois o custo da luz por exemplo caiu para o mínimo, mas agora que já estou em terapia há um mês já tenho sentido vontade de ter meu espaço de novo, mas também gosto de estar aqui e me sentir cuidada. E meus pais tem sido muito gentis e me deixado ficar pelo tempo que eu precisar.
        Então é isso… Estou economizando, fazendo terapia, também acabei iniciando um remédio, estava péssima demais, não sei como meus pais e meu namorado me suportaram nesses últimos tempos … E estou buscando maneiras de lidar com o trabalho para levar por mais um tempo enquanto eu engordo a reserva de emergência, e vendo a possibilidade de trocar de setor, se der certo ótimo, se não der tudo bem, eu tô encontrando ferramentas para lidar, para aguentar. Inclusive da o meu horário eu simplesmente passo o relatório e desligo a internet. Foi a maneira que encontrei de tentar me proteger fora do horário de expediente. Agora já tenho religado a internet e seguro a curiosidade (e raiva) quando tem mensagem de trabalho após o horário e só olho no dia seguinte… Inclusive dependendo do nível de stress durante o expediente eu me afasto do celular, eu tô me virando pra ir suportando e levando um dia de cada vez.
        E é isso… Mas ainda tomo remédio pra dor de cabeça quase que diariamente… isso ainda não passou… A memória tem melhorado mas sinto dor de cabeça… Bom, um dia de cada vez, um problema de cada vez né?
        E nossa, de verdade, não consigo imaginar isso que sentia, essa dor, essas pontadas, meu Deus. Mas que bom que hoje você está num ambiente melhor, com uma boa equipe, eu fico feliz! E torço pela sua independência! Trabalhar por obrigação é realmente algo complicado… Várias vezes senti que podia aproveitar meu tempo de formas melhores do que trancada no escritório, mas quando o ambiente era bacana, com gente legal e divertida, acabava que era mais fácil.
        Bom… Já falei horrores né… Então obrigada Yuka. Beijo grande. Desculpa pela lembrança desses tempos difíceis e seus comentários e seu blog são um espaço maravilhoso, me sinto “em casa”.

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        • Oi Ariane, acho que o isolamento deu uma piorada em todo mundo mesmo, minha ansiedade também aumentou, quem estava mal, também piorou um pouco mais, talvez esse tenha sido o seu caso. De verdade, não se culpe por eu lembrar do passado, pra mim são águas passadas e não sofro por lembrar do meu passado, que hoje parece ser tão distante. Falo de boa mesmo rs. O home-office invadiu a nossa vida particular, não é mesmo? Antes, eu trabalhava das 7h às 16h, e deixava o trabalho pra trás. Hoje, me pego trabalhando às 11 da noite, no sábado, no domingo, não tem mais hora, não tem mais limite. Hoje mesmo, ia começar a tomar café, e me pediram uma reunião urgente. Larguei o pão e entrei na reunião, que acabou às 11h da manhã. Então você faz bem de diminuir a exposição no celular, deixar o celular longe de você, focar em outras coisas que traz felicidade. Não sei se você está com cabeça pra isso nesse momento, mas a meditação é muito boa, poder focar no presente, reduzir a ansiedade. Há aplicativos de meditação guiada, gosto bastante do Meditopia, veja se interessa… Um beijo, e qualquer coisa estou por aqui.

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    • Oi Marcelo, maravilhoso essa frase… Ninguém sabe o quanto caminhamos para chegar onde estamos hoje. O que parece pouco para alguns, pode ser muito para outros. É o meu caso. Lembro quando bateram/rasparam no carro da minha mãe, e o moço deu dinheiro como forma de compensação. Minha mãe entrou no carro, dizendo que agora tinha dinheiro para comprar arroz. Esse foi o meu ponto de partida. Então o que tenho hoje é muito, só tenho a agradecer. Beijos.

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  4. Hey Yuka.
    Como a jornada fica mais gostosa quando temos uma pessoa ao lado que nos entende, né?! E que rema junto.
    Eu também sou muito grato por ter minha esposa.
    Dividimos essa grande jornada juntos, e também nos preocupamos com estes pequenos “detalhes”.
    Acho que a jornada fica muito boa quando gostamos do que fazemos, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. A independência financeira, em si, é apenas para ter a opção de escolher. Por exemplo, reduzir o ritmo de trabalho (ou parar), mudar totalmente a rota da carreira, etc.
    Eu também sou feliz da minha maneira, com as coisas que tenho.
    Fico sempre acalentado ao ler sobre os detalhes maravilhosos que você encontra no dia a dia e descreve pra nós.
    Um grande abraço pra vocês.
    Stark.
    http://www.acumuladorcompulsivo.com

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  5. Muito já se debateu e ainda se debate na blogsfera sobre essa busca pela IF.
    Há ainda muitos que criticam a postura de quem aspira um dia chegar a IF ou ao menos uma semi IF pelo suposto sacrifício que se faz necessário para que esse objetivo seja alcançado.

    Pra mim o comportamento de quem pretende conquistar a IF ou algo próximo disso tem muito mais haver com estilo de vida e personalidade, do que com finanças ou conhecimentos sobre economia.
    Pra algumas pessoas a vaidade menos exarcebada, os sonhos de consumo mais simples, a postura mais discreta são coisas quase que natas e essas fazem total diferença.
    Pra essas pessoas geralmente não há grandes sacrifícios, embora certamente terão que ter paciência e persistência, mas no fim das contas nada é de graça, tudo tem seus preços e não tomar atitudes e fazer escolhas também tem seus custos, portanto algo que não temos como escapar.

    Por fim, não sou casado, mas reconheço a importância e o bem que pode fazer um casamento na vida de uma pessoa. Um bom casamento, iniciado por uma escolha responsável pelo(a) cônjuge e pela administração posterior de um relacionamento saudável, evitando que essa relação se torne um “tortura” causada por vaidade, egoísmo e possessividade. Relacionamentos ruins podem levar pessoas ao fundo do poço.

    Boa sorte na continuidade pela busca de seus objetivos e continue fazendo sua parte pela manutenção saudável do seu casamento.

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    • Olá, concordo com essa frase que você escreveu “… tem muito mais haver com estilo de vida e personalidade, do que com finanças ou conhecimentos sobre economia”, pois quem já tem um estilo de vida mais adaptado ao minimalismo, sofre menos para trilhar essa jornada. Não sei se chegou a assistir o documentário “Playing with FIRE”, isso ficou muito claro com a moça que era a protagonista. Dava pra ver o sofrimento dela em ter que reduzir pertences, trocar o carro por um modelo mais popular, mudar de residência… chegava a dar uma agonia ao ver as expressões de sofrimento e descontentamento dela. Imagina fazer grandes sacrifícios por 5, 10, 15 anos? É viver na infelicidade na certa. E se ainda adoecer no caminho (porque isso sempre pode acontecer com qualquer um de nós), vai se arrepender amargamente de ter sacrificado tantas coisas que amava. Obrigada pelo comentário, gostei bastante! Beijos.

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      • Não assisti esse documentário…
        Entendo o apego das pessoas e a dificuldade de abrir mão de algumas coisas, mas principalmente dentro da relidade brasileira onde geralmente os salários não são altos, infelizmente fica difícil pra quem é muito vaidoso ou ostentador chegar a um equilíbrio financeiro.
        Mas se a pessoa entende que é feliz assim e vale a pena seguir assim, eu respeito.

        Depois lí os desabafos que algumas leitoras fizeram mais acima sobre seus empregos e vi também a história do seu antigo emprego. Estou em busca de motivação pra mudar de emprego, buscar algo novo pra fazer, meu emprego não chega a ser totalmente ruim, mas não sei se vale a pena continuar nele por muito tempo.
        Essa discussão sobre a hora de sair do emprego, sobre mudar de área é muito interessante (principalmente pra quem é funcionário público) acho que esse assunto poderia ser mais discutido na blogsfera.

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        • Pois é, quando o emprego não é ruim, com um salário ok, a gente vai ficando, ficando, mesmo não agregando muito a vida. Algumas pessoas foram feitas para ter um único emprego e ser feliz assim, se sentir satisfeita, meu marido é essa pessoa. Outras pessoas, gostam de novidade, de aprender coisas novas, em áreas inclusive bem distintas, eu sou essa pessoa. As duas pessoas não estão erradas, só são diferentes. Quanto mais estudamos e especializamos em uma determinada área, parece que vai ficando mais difícil de abrir esse leque. Se eu saísse do meu emprego, eu não voltaria a atuar na minha área, gostaria de fazer outras coisas, aprender coisas novas. Realmente, esse assunto é algo que poderia ser abordado na blogsfera, mas não com aquela ideia de “vou me livrar do emprego, nunca mais vou trabalhar” rsrs. Tem um vídeo sobre multipotencialidade, talvez você seja uma dessas pessoas. https://www.youtube.com/watch?v=6gLHhnSTfCw

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  6. Olá Yuka, boa tarde,

    Sobre essa relação com o trabalho, tem muitas questões interessantes para discutir. Para começar, essa questão que a gente tem que amar o que faz, etc,etc, eu sempre achei que é uma maneira (mais uma) da gente se sentir inadequada. Claro que é bom gostar do que se faz, mas daí amar, se realizar, preencher a vida, sempre me pareceu um exagero. A maioria das pessoas só trabalha porque precisa se sustentar, esse papo de realização me parece mais papo de rico. Mas claro, daí a trabalhar em ambientes ruins, com trabalhos estafantes e sem nenhum sentido e ainda com pessoas tóxicas, tem uma distância enorme.

    Dito isso, eu tenho uma questão que dias atrás ainda discuti com uma amiga, o porquê da gente se importar tanto. Não digo se importar em fazer um bom trabalho, não é isso, mas deixar que o trabalho nos afete tanto emocionalmente. Saber colocar limites, e às vezes não são nem limites externos, mas conseguir bloquear o tanto que aquela situação nos afeta. É difícil, eu tento, mas nem sempre consigo.

    Um trabalho ruim, ou em um ambiente ruim, pode ser o estímulo para mudar de vida, mas pode também ser motivo de adoecimento se você não consegue se dar conta do que está te fazendo mal. Eu mudei do meu emprego anterior por conta do ambiente, tinha coisas lá que não iriam mudar, mesmo eu mudando de local ou de chefia, porque tinha a ver com a cultura da organização.

    No local onde eu trabalho hoje, o ambiente é razoável, mas já teve períodos bem difíceis. Uma vez uma pessoa foi trabalhar na minha sala e conseguiu afetar completamente o equilíbrio. O sujeito falava o tempo inteiro, resolvia todos assuntos particulares por telefone, discutia política, criava polêmica. Nessa época, eu ficava tão irritada que trabalhar passou a ser um martírio. Não chegava a chorar, mas tinha muitas vezes que saía da sala para conseguir manter a calma. Mas era por prazo determinado, porque ele iria se aposentar (e se aposentou, tarde, muito tarde). Tem umas questões de machismo, sempre tem, mas é administrável.

    Eu sempre prezei muito a independência e depender de alguém, qualquer alguém, depois que comecei a trabalhar nunca esteve em cogitação. Nem era uma questão de orgulho ou do que os outros iam pensar, mas é um princípio. Eu não quero depender financeiramente de ninguém.

    Sobre a leitora que pediu um conselho, eu acho que a terapia é um ótimo passo, porque quando a gente começa a falar sobre os problemas em voz alta a gente costuma se dar conta de várias coisas, e às vezes só isso já ajuda. Procurar outras ocupações, distrações, também é bom, e claro, outro trabalho. Mas até para começar outro trabalho a gente tem que estar bem emocionalmente, porque aprender coisas novas, se adaptar a outras atividades e pessoas demanda energia e pode também acabar sendo estressante. Então cuidar-se, se tratar com carinho, sem ficar se cobrando tanto e evitar tomar qualquer decisão com raiva ou muito chateada porque a raiva é uma péssima conselheira.

    Beijo, Daniela

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    • Eu sou o anônimo que comentou mais acima também sobre essa questão do trabalho… Me desculpe por comentar sobre algo que não foi direcionado pra mim, mas como acho um tema importante e de certa forma passo por isso vou dar meu ponto de vista.

      Acho que deveríamos encarar o trabalho de forma profissional, ou seja, apenas como trabalho, sem essa obrigação de ser melhor que todo mundo, de ser super feliz ou motivado o tempo todo, de alcançar um determinado patamar financeiro até certa idade etc.
      Lógico que trabalhar no que se gosta e/ou num ambiente legal é bom. Mas independente disso o trabalho não deveria sugar a vida das pessoas como acaba acontecendo em alguns casos.
      Cuidado, com conteúdos motivacionais focados no mundo trabalho, eles às vezes podem funcionar como mordaças para que o funcionário faça mais, cobrando ou reclamando o mínimo possível, o que muitas vezes é injusto ou até mesmo exploratório.
      Passo raiva no meu trabalho também, felizmente não é sempre, mas também não foram poucas vezes, tanto que já “desisti” de esperar profissionalismo de um colega que pra mim é péssimo.

      Terapia, outras atividades, tudo isso pode ser importante para que não fiquemos focados apenas no trabalho e em seus problemas, ou para aliviar o stress mas acho que em alguns casos o que pode resolver mesmo é abandonar o emprego ou até mesmo a profissão quando essa já não faz sentido.
      Vejo também que funcionários comprometidos acabam trabalhando as vezes pelos funcionários folgados e isso também causa problemas.
      No caso do funcionalismo público há o agravante que as pessoas dificilmente saem do emprego, ficam doentes, mas não saem por conta da estabilidade. Fora o fato de você saber que aquele ambiente, aquele contexto, aquelas pessoas não mudarão, já que a rotatividade é pequena.

      No fim Daniela falta em muitos casos mesmo é coragem. Coragem de largar o emprego e procurar outra coisa, mas sei que nem sempre é fácil encontrar outro emprego do mesmo nível, por causa de idade, formação etc etc.
      Mas repito mesmo assim e me incluo também nisso, falta as vezes coragem, fico pensando em chegar aos 50, 60 anos e me arrepender de não ter feito outras coisas, tenho colega com 40 e pouco que já se prepara para esperar a aposentadoria.
      Só faço uma observação Daniela, não leve muito as coisas pelo lado do machismo, não sei pelo que você passa ou passou pra avaliar, mas tem mulher que leva tudo pra esse lado e fica difícil até de trabalhar com essas mulheres, se dirigir a elas, acaba se criando uma barreira no convívio.
      É isso, mas é um tema que merece atenção.

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      • Ola anonimo, é que eu trabalho em area de tecnologia, e só com homens, desde sempre. Eu vejo que normalmente os homens lidam melhor com essa questão de separar a vida pessoal e profissional. Eu administro bastante bem atualmente a questao do machismo, mas quando a gente é mais nova isso causa muito stress. A impressão é que a gente tem que trabalhar o dobro que os homens para ser respeitada e ouvida.

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    • Oi Daniela, tudo bem? Também tenho pensado nisso, que essa questão de que “precisamos ser felizes” no trabalho, é uma outra Matrix.
      Pra mim, há 2 coisas que faz o trabalho afetar muito: uma é a nossa imaturidade de não conseguir separar trabalho e vida particular (como no meu emprego anterior, onde eu achava que podia confiar em todo mundo e abria minha vida – santa inocência, até que descobri que havia pessoas muito maldosas e isso me afetou demais), e a outra é a questão financeira (depender do dinheiro faz a gente ter medo de perder o emprego, medo de fazer algo errado e desagradar o chefe).
      Quando passamos a dar um dane-se para essas duas coisas, as coisas tendem a melhorar bastante. O investimento ajudou muito para eu ter essa percepção. Apesar de ainda precisar do salário para alcançar a independência financeira, se o trabalho estiver me afetando muito, posso sair do emprego e viver alguns anos com salário zero. E saber disso me ajuda inclusive a não me estressar no trabalho, não levar as coisas tão a sério. Também concordo com você, que quando falamos em voz alta, organizamos nossas ideias. No meu caso, minhas amigas fazem esse papel de terapeuta rsrsrs. Um grande beijo pra você.

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      • Yuka, sabe que já tive/ainda tenho essa imaturidade.. além de meio que acreditar nas pessoas e acabar contando coisas pessoais (não agora, mas antes de tudo isso acontecer) eu já fui até a idiota que viajou e levou lembrancinha de viagem pra todo mundo do setor na época. Mal sabia eu que tinha gente ali que nem gostava de mim, mas enfim …. Realmente, o mundo do trabalho ensina muita coisa, e algumas aprendemos na porrada, infelizmente.

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        • Oi Ariane, bem-vinda ao meu mundo rsrs, já fiz muito isso, só parei de fazer (ainda faço um pouco rsrs) depois de levar muita porrada da vida. Eu também levei muitas lembrancinhas de viagem pra todo mundo, só depois que percebi que quando as pessoas viajavam, elas não traziam. São coisas que o tempo vai nos mostrando, a gente vai aprendendo a separar as coisas. Infelizmente, com o tempo vamos virando mais “cascudas”, perdendo a inocência.

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    • Oi Daniela, tudo bem?
      Então… Quando estava no escritório, antes da pandemia, eu usava essa tática de sair da sala pra não me estressar… Geralmente ia até a copa e tomava um água, um café e já ficava enrolando por ali um tempo até as coisas se acalmarem na minha sala. As vezes tinham umas discussões, briga mesmo, gente falando alto com a outra, gente batendo na mesa, chefia gritando, enfim, as vezes era uma loucura e eu fugia pra não me estressar. Então entendo isso que falou de sair da sala…
      Mas no home office, algumas coisas começaram a acontecer é enfim … Cheguei a este ponto.
      Mas sabe, você tem razão quando disse que “quando a gente começa a falar sobre os problemas em voz alta a gente costuma se dar conta de várias coisas, e às vezes só isso já ajuda”. Eu cheguei ao limite na semana desse post, e foi a partir da consulta na sexta, e de tudo que escrevi e li aqui que consegui ver a dimensão do problema realmente e entender que precisava de ajuda. E acabou que realmente há muitas coisas em que falhei, e eu deixei amigos de lado, pra mim existia trabalho, carreira, enfim… E como isso não andou como imaginava, e os problemas foram surgindo e aumentando, e eu acabei mesmo nem tendo muito com quem falar, acabei desabafando por aqui, mas graças a Deus encontrei pessoas ótimas aqui, gente que passou por coisas semelhantes, gente que com carinho me disse que ia ficar tudo bem. Assim como você, então muito obrigada.
      Falar aqui e ler tudo isso me ajudou sim. E a terapia tem ajudado a lidar com o dia a dia.
      E realmente eu preciso arrumar outro emprego, mas como disse até pra isso a gente tem que estar bem, e eu estou engordando a reserva para poder sair. Mas uma coisa que disse que eu preciso muito é parar de me cobrar, eu me cobro por não estar bem, me cobro por não estar estudando tudo que deveria estar estudando, mas agora entendi que do jeito como estava não era possível, e que agora estou me recuperando e que é mais fácil ir levando um dia de cada vez.
      E obrigada, precisamos mesmo nos tratar com mais carinho… Eu preciso fazer isso também…. E também pelo lembrete de não tomar decisões com raiva ou muito chateada. É que nem fazer supermercado com fome, é quase certeza de desastre rssss obrigada e beijo. E se cuide também no seu trabalho!

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  7. O texto estava ótimo, como todos os demais, mas dessa vez eu achei que a interação nos comentários superaram qualquer coisa. Que incrível ver as pessoas se ajudando e falando/aconselhando de forma tão empática.
    Inclusive, você poderia fazer um post sobre o assunto em debate(trabalho que amamos/odiamos e a relação disso com qualidade de vida/FIRE/minimalismo)? Acredito que é um tema muito refletido por todos, principalmente se pensarmos a parcela de tempo que passamos no trabalho.
    bjs

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    • Verdade, gosto bastante da interação das pessoas que passam por aqui. Não ter haters aqui no blog faz deste canto um refúgio para mim. Muito legal esse seu tema sugerido… vou dar uma pensada no assunto, vamos ver se surge algo bacana. Um beijo.

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