Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?

Aeroporto, Transporte, Mulher, Menina, Turístico

Eu sempre gostei de planejar, porque foi a maneira que encontrei para conseguir realizar sonhos, sem comprometer o orçamento.

Mas recentemente, comecei a fazer uma pergunta: qual é o valor máximo que poderia comprometer da minha renda para realizar mais sonhos, sem comprometer o projeto FIRE (Financial Independente Retire Early)?

Estou lendo o livro Die With Zero (ainda sem tradução para o português), onde o autor enfatiza que certos momentos da nossa vida tem data de validade para acontecer. Não adianta um pai comprar uma piscina inflável depois que as crianças já estiverem crescidos, pois a alegria dos filhos com certeza não será a mesma.

Da mesma forma, há viagens que fazemos com mais facilidade quando somos mais jovens, como mochilão, dividir quartos com desconhecidos, passar a noite em claro, ficar em albergues. Conforme ficamos mais velhos, buscamos por mais conforto, privacidade, limpeza, comida boa, chuveiro bom e colchão de qualidade nos lugares que hospedamos.

Certas diversões precisam ser feitas em uma determinada época da nossa vida para que a intensidade da felicidade seja aproveitada ao máximo. Há coisas que não podemos deixar para depois: depois que virarmos FIRE, depois que sairmos do emprego, depois que estivermos aposentados.

Há apenas uma pequena janela de tempo para cada uma das diversas fases da nossa vida. São momentos que se não aproveitados bem naquele momento, deixam de ser especiais. Então devemos aproveitar quando estivermos na melhor fase, na melhor idade, na fase do ápice.

Em 2020, escrevi o post: Quantos anos você tem pela frente? que explica bem esse conceito de como alguns momentos da nossa vida são mais preciosos do que outros. Quem já teve alguém que ama com uma doença terminal sabe muito bem do que estou falando. Não dá para postergar nem por algumas semanas o momento para passar com essa pessoa.

Reconhecer que alguns momentos da nossa vida são únicos, é um passo importante para tomar decisões importantes de forma mais consciente.

Ler o livro Die With Zero, ainda que esteja nos capítulos iniciais, me fez pensar em como poderia potencializar mais realizações. Estou há 1 ano e 3 meses em isolamento social – total, diga-se de passagem – e logo assim que a pandemia estiver sob controle, quero retomar os momentos de diversão com minha família, criar memórias, mas sem estourar o orçamento.

Pensei que se estipulasse um valor no início do ano facilitaria o meu planejamento para gastar ao longo dos próximos 12 meses nos “gastos com felicidade”. Mas afinal, quanto destinar sem prejudicar meus planos futuros?

Como eu e meu marido ainda trabalhamos e possuímos renda ativa, decidimos que gastaríamos uma parte de tudo o que foi poupado no ano anterior. Isso significa que quanto mais pouparmos, mais gastamos em felicidade. É um sistema ganha-ganha.

Usaremos uma porcentagem pré-definida do total de aportes feitos no ano anterior. Neste primeiro momento, começaremos com 20% de tudo o que aportaremos neste ano de 2021.

Essa faixa de 20% dá um valor bastante significativo, pois somos bons poupadores. Estamos numa fase bastante confortável da jornada FIRE, poupamos bastante e os investimentos têm dado ótimos retornos, então iremos avaliar essa porcentagem a cada ano, com tendência de aumento gradativo para 25%, 30%, 35% e assim por diante, aumentando ainda mais a exposição da família em experiências que tem data de validade para acontecer.

Esse plano será seguido enquanto estivermos trabalhando. Depois, decidiremos as próximas estratégias quando pararmos de trabalhar.

Então seria algo assim:

No primeiro momento, pode parecer esquisito, afinal, pra quê fazer essa separação de dinheiro? Não seria mais fácil só poupar menos? Investir menos e usar esse dinheiro durante o mês?

Bom, se eu decidisse poupar menos no mês para gastar mais, eu tenho certeza que apenas aumentaria minhas despesas e o padrão de vida, mas não necessariamente aumentaria a felicidade… uma comida de delivery, compras de supermercado, uma bobeirinha aqui e ali, pedir um Uber porque estou com preguiça de andar, ou qualquer outra coisa que depois de 10 anos, nem lembraria o que eu fiz com esse dinheiro.

Ao fazer essa separação de “gastos com felicidade”, posso planejar com calma tudo o que quero fazer ao longo do ano. Além disso, será um incentivo saber que quanto mais aportar, mais poderei gastar para realizar sonhos, afinal, o dinheiro terá destino certo.

Eu vejo 3 vantagens ao fazer isso:

1.) gastar mais com experiências sem dor na consciência de achar que estou sabotando o projeto FIRE, pois saberei que é um gasto previsto/planejado

2.) patrimônio já acumulado intacto, ou seja, dinheiro trabalhando para mim, usando o fator tempo e juros compostos ao meu favor

3.) aportes mensais contínuos potencializando o efeito bola de neve

Bill Perkins, o autor do livro mencionado no início do post, fala que há pessoas que conforme o patrimônio cresce, o tamanho dos seus potes vão mudando. Se antes a felicidade era ter 1 milhão de dólares, quando se alcança este número, surge uma nova meta numérica… 5 milhões, 10 milhões e assim por diante, ou seja, entra em uma espiral de “acumule, economize mais e nunca desfrute”, criando metas inalcançáveis para postergar sonhos.

A vida é valiosa demais para ficar só acumulando patrimônio e não gastar em experiências com pessoas que amamos no momento certo. Quero gastar tempo e dinheiro com coisas que tragam memórias, enquanto tenho disposição, enquanto minhas filhas amam ficar penduradas em mim. Quero dar um bom destino a esse dinheiro construindo mais memórias, fortalecendo vínculos afetivos, que remetam boas lembranças e aumente contato com pessoas que são importantes na minha vida.

Consciente de que o tempo é finito, temos que aproveitar enquanto somos jovens, enquanto temos disposição, temos saúde e pessoas que amamos por perto.

Este post é mais um lembrete de que o dinheiro deve nos servir, e não virar nosso patrão.

~ Yuka ~

44 Comments on “Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?”

  1. Bom dia!
    Me fiz essa pergunta em 2019, aos 33 anos. Matematicamente estou bemmmm longeeeee de ser fire. Mas tinha um dinheiro para comprar uma casa. E decidi que ao invés de compra-la iria tirar uma ano sabático em 2020.
    Tirei licença do meu trabalho em janeiro de 2020 e logo veio a pandemia. O “ano” sabático acabou se estendendo até 2021.
    E sinceramente estou outra pessoa. Estou construindo uma nova profissão, estou bem melhor de saúde física e mental. Não troco nada disso pela casa que teria hoje.

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    • Oi Marcela, o seu exemplo é um ótimo exemplo de como o mesmo dinheiro pode ter destinos diferentes. Muitos, sem sombra de dúvida, teriam comprado a casa. Mas ao olhar a sua vida (você feliz, você tirando um sabático, você mudando de carreira), poderiam dizer que você teve sorte. Você sabe que não foi sorte, mas muitos continuarão afirmando que foi sorte rs. Beijos.

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  2. Cara, eu me emocionei com o trecho “… o autor enfatiza que certos momentos da nossa vida tem data de validade para acontecer. Não adianta um pai comprar uma piscina inflável depois que as crianças já estiverem crescidos, pois a alegria dos filhos com certeza não será a mesma.”

    Me emocionei de verdade. Antes da nossa filha nascer eu e minha esposa viajávamos para destinos que iam da Cordilheira dos Andes às cachoeiras maranhenses da cidade de Carolina. Hoje nossos destinos se resumem a praia e fazenda, ela ainda é um bebê de 2 anos. Não imagino outros tipos de viagem.

    Por outro lado, algumas vivências só existirão porque ela existe. E mesmo essas vivências, como você falou, tem data de validade.

    Obrigado por compartilhar esse texto e a existência desse livro.

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    • Oi MDQG, recomendo muito este livro, não que eu concorde com tudo o que autor diz, mas é bom ler alguém que fale como gastar bem o dinheiro, já que a maioria dos livros que fala sobre dinheiro, fala justamente o contrário: poupar, economizar, investir. Antes de eu ter minhas filhas, eu e meu marido também fazíamos muitas viagens, depois que elas nasceram, resolvemos dar um tempo (principalmente as internacionais), pra justamente elas poderem aproveitar melhor as férias. Fomos para locais que elas iriam se divertir, locais próximos de São Paulo, e com isso, acabamos conseguindo economizar um bom dinheiro. Todo esse dinheiro economizado, renderão juros compostos que poderão ser convertidos em diversões daqui a alguns anos. Aproveite bastante sua filha, minhas filhas hoje tem 4 e 6 anos, e já tenho saudades de quando elas eram bebezinhas. Nessa idade, elas não se importam com luxo, só querem se divertir e ter os pais por perto. Beijos.

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  3. Bom dia!maravilhoso esse texto! estamos planejando uma viagem em família em 2022, será 15 anos de nossa filha, uma data especial, vamos aproveitar essa data tão especial.

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    • Oi Anon, aproveite bastante essa viagem em família, tire muitas fotos, curta cada momento, pois é isso que importa. São esses momentos especiais que sua filha irá lembrar, e irá criar conexões especiais com os pais. Beijos.

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  4. Bom dia.
    Em geral as pessoas esquecem que morrerão um dia. A consciência de que a vida acaba e não sabemos quando é a mola propulsora para reconhecermos a importância do agora.
    Uma das coisas mais úteis que podemos fazer ao meu ver é simplificar o que pode ser simplificado e isso serve praticamente pra tudo.
    Até nos investimentos, pra mim de novembro do ano passado pra cá vem sendo uma fase de reflexão em simplificar algumas coisas, me estressei (principalmente no trabalho) ano passado e isso gerou sintomas físicos que felizmente foram controlados, fiz exames médicos e deram resultados normais. Esse ano tive dificuldades na declaração do imposto de renda, (em 2020 fiz muitas compras e vendas de ações) e essas dificuldades me fizeram ver que ainda não sabia muitas coisas e em 2021 já reduzi drasticamente essas operações.
    Enfim, são dois exemplos banais, mas creio que simplificar as coisas e deixá-las mais leves vai de encontro ao que você descreveu em seu post.
    Pra aproveitarmos bem o presente, seja em momentos de lazer ou mesmo nas nossas atividades cotidianas é fundamental que estejamos em paz, leves e de bem conosco e aí entra a importância da simplificação, da objetividade.
    Temos que nos livrar, evitar ou na pior das hipóteses saber administrar as dificuldades, complicações, obstáculos e chatices do dia a dia, para que essas não roubem parte da nossa satisfação em viver.
    Muitos são os que se iludem que uma vida cheia de compromissos e coisas pra fazer é o que trará sentido as suas vidas, quando na maioria dos casos são compromissos artificiais que geram mais compromissos que mais distraem e tiram nossa atenção do que somam algo.

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    • Oi Anon, você disse tudo! Simplificar! Eu amo essa palavra rs. Simplificar nos investimentos, simplificar na forma de viver, simplificar na limpeza de casa, simplificar nos processos de trabalho, e tudo isso serve para focar no que é importante, como você bem escreveu, “Temos que nos livrar, evitar ou na pior das hipóteses saber administrar as dificuldades, complicações, obstáculos e chatices do dia a dia, para que essas não roubem parte da nossa satisfação em viver.” Seu comentário foi muito pertinente! Beijos.

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  5. Que texto incrível. Sou nova por aqui e adorando suas reflexões/diário?. Comecei a investir em 2017 e estou longe de atingir meu FIRE, mas quando você citou uma frase do autor sobre os tamanhos do pote mudarem, me vi nessa frase. Tenho 27 anos, muitos sonhos e só faço investir meu dinheiro e esqueço de viver o presente e meus sonhos de curto médio prazo. Hoje mesmo começarei a organizar melhor minha divisão do dinheiro para poder viver esses outros sonhos e tambem um dia chegar ao meu FIRE.

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    • Oi Anon, organização e planejamento é algo que faz com que sonhos e projeto FIRE possam andar de mãos dadas. Um não precisa anular o outro. Há diversos tipos de viagem, desde mochilão, ficar em albergue, se hospedar em casa de pessoas que estão dispostas a receber viajantes do mundo inteiro, tem locais que trocam hospedagem e comida por pequenos trabalhos de algumas horas por dia, enfim, o que estou querendo dizer aqui, é que não precisa de 10 mil reais para fazer uma viagem internacional. Uma viagem custa caro sim, mas o orçamento depende muito do dinheiro que a pessoa dispõe. Já fiz cada viagem barata que nem eu acredito que consegui rsrs. Hoje, com marido e 2 filhas, minhas viagens mudaram, mas é isso, o bom é saber que dá pra conciliar desde que façamos o planejamento com muito amor e calma rs. Só não postergue seus sonhos, porque há coisas que só dá pra fazer na sua idade. Beijos.

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  6. Demais Yuka! Já coloquei esse livro na minha lista rs, achei bem interessante.
    Mas sabe que lendo seu texto, eu não pude deixar de pensar nos amigos que estamos fazendo na estrada. A maioria é gente aposentada nos moldes “normais”, acima de 60 anos. Eles estão viajando como a gente, mas acho que infelizmente o físico deles acabam limitando um pouco. Já fizemos trilhas que fomos até o fim, mas eles tiveram que ficar pela metade porque não aguentavam mais. Já topamos dormir em lugares desconfortáveis para economizar e ficar mais dias, enquanto eles não aguentaram nem uma noite.
    As vezes eu penso que apertei o botão FIRE cedo demais, é inevitável pensar em quanto teria acumulado de patrimônio se tivesse ficado mais 10 anos. Mas com mais 10 anos, já teria 43 anos e provavelmente a disposição física seria outra e a viagem que estou fazendo com certeza seria outra.
    Enfim, acho que esse livro deve casar muito com o que eu sinto agora!
    Beijos e bom domingo Elsa

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    • Oi Elsa, recomendo a leitura desse livro, apesar de ainda não ter terminado de lê-lo, o principal motivo de eu ter resolvido aumentar as diversões em família será por causa deste livro. Ou seja, este livro terá papel fundamental na minha mudança de estratégia FIRE. Nós já nos divertíamos bastante, mas quero fazer mais coisas que só podem ser feitas nesta idade em que estamos. Não acho que vocês apertaram o botão FIRE cedo demais, essa viagem que vocês estão fazendo, não aconteceria aos 43 anos. Você sabe, eu sempre tive o sonho de viajar nestes moldes que você está fazendo, mas a cada ano que passa, eu sinto que é um sonho que já ficou para trás, ou seja, perdi o bonde. Hoje, com 2 crianças e quase 40 anos, eu tenho medo de fazer uma viagem assim, tenho medo do carro quebrar, de dormir em lugar aberto, rs, fico pensando em mil coisas, coisas que eu não pensava antes. Minha mãe falava que a gente vai envelhecendo e tendo medos… infelizmente, ela tinha razão kkk… Se eu tivesse feito essa viagem a 5 anos atrás, seria diferente, eu teria ido, porque estava numa fase diferente. Ou seja, o autor do livro tem razão, há sonhos que não podemos deixar para depois rsrs. Beijos.

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    • Alguns anos atras eu e minha atual esposa estávamos em uma pastelaria, quando decidimos que invés de acumular capital iríamos procurar conciliar as duas coisas novas experiencias com liberdade financeira, no nosso caso se chegássemos a um impasse entre o aporte e uma oportunidade de viagem ou experiência nova optaríamos pela segunda.
      Hoje vejo que foi uma decisão acertada.
      Estive em visita a familiares e cheguei nessa conclusão que o post da Yuka acima retrata bem. Boa parte deles estão financeiramente livres, com muito boa estrutura patrimonial porém, sem a menor vontade de viajar ou qualquer outra disposição para novas experiências, e eu respeito isso.
      Atualmente tenho um picotuxo de 4 meses em casa, além dos filhos já criados 21 e 19 anos, estimulo que eles, primeiro financeiramente não se arrisquem, eles tem tempo então não precisam correr atrás de taxas arriscadas, que parte do que conquistam troquem por boas experiências é o que fica.

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      • Oi Cleber, sabe que às vezes eu penso que é justamente estes acúmulos de experiências que faz um casal continuar junto? Um casal pode pensar em economizar loucamente, para poder aproveitar na aposentadoria, e no meio do caminho os sentimentos esfriam e o casamento acaba…. às vezes penso que se tivessem feito a viagem dos sonhos ainda não estariam juntos? Eu e meu marido lembramos muito das viagens que fizemos, nós damos boas risadas. Outra coisa que eu penso é que se a gente só poupa e não gasta nada, quando virarmos FIRE, será que conseguiria mudar os hábitos que já construiu ao longo dos anos? Acho difícil… Meu marido passou necessidade financeira por muitos anos, e até hoje eu vejo resquícios de muquiranice. É algo difícil de simplesmente mudar a chave da cabeça. Então o ideal é ir aprendendo aos poucos a gastar bem o dinheiro, aproveitar bem a vida (com ou sem dinheiro). Beijos.

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  7. Adorei o texto! Realmente é bem difícil não virar um “poupador” extremo e que esquece que também pode se dar ao luxo de aproveitar um pouquinho as economias no tempo atual! Eu mesma preciso me policiar quanto a isso, costumo dobrar as metas, e hoje mesmo podendo ter uma vida mais confortável várias vezes fico insegura para gastar, meu marido vive falando que tenho que cuidar isso. Acho que pela minha trajetória exagerei na frugalidade, é importante ter equilíbrio também. Boa semana!

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    • Oi Cleo, se você for uma boa poupadora igual eu, talvez esse método de usar uma porcentagem do que guardou no ano anterior funcione bem, afinal, quanto mais poupar, mais poderá gastar com felicidade, e você não terá dó de gastar. Isso dará um gás para poupar ainda mais, pois saberá que se transformará em passeios, viagens. Beijos.

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  8. oi Yuka,

    É bem legal essa reflexão. Eu nunca pensei em termos de percentual para se divertir, mas faço orçamento de viagem. A gente pensa para onde queremos ir e vemos se dá para fazer com o que a gente está disposto a gastar. Às vezes dá, às vezes fica para depois. Eu vou me aposentar daqui uns anos, eu guardo dinheiro como reserva e mantenho o meu padrão mais baixo que o salário para poder amortecer épocas que o salário fica menor ou a futura perda de renda com a aposentadoria, então não é nada muito amarrado, às vezes gastamos mais, às vezes menos.

    Essa situação do tamanho do pote eu vejo muito, gente que acumula por acumular, sem estratégia e sem pensar no conforto ou fazendo economias completamente sem sentido só pelo prazer da acumulação. Eu acho triste, porque quando a pessoa morre, os herdeiros vão gastar tudo e a pessoa não usufruiu nada daquilo. É bem a situação que você colocou no final do post, o dinheiro é o patrão. Quando a vida é muito difícil, com muitas privações, eu entendo isso, de viver sempre em função do dinheiro, mas quando é um caso de acumulação mesmo a pessoa perde muito a noção do valor das coisas.

    Quando a gente tem filho é que cai mesmo essa ficha, que as coisas com eles têm que ser feitas na hora certa. Antes de ter a minha filha, a gente viajava e fazia muita coisa nas viagens, planejava e aproveitava das 8h da manhã às 8h da noite. Depois que ela nasceu, passamos 5 anos indo a resorts onde a única diversão era a piscina e comer e beber. Daí tentamos fazer uma viagem nos moldes antigos com ela e foi um desastre. Parecia que eu estava com uma bola de ferro amarrada no meu pé, porque ela odiou e a gente tinha que arrastar ela para os lugares. Foi um erro da nossa parte, porque ela não tinha nenhum interesse no que a gente queria ver, mesmo eu fazendo paradas em pracinhas e planejando coisas que eu achava que ela ia gostar. Nunca pensei nisso de criar memórias, mas sim dela gostar de viajar e ver coisas diferentes e não achar que o mundo é só o umbigo dela. Não sei se vai funcionar, mas como eu gosto muito de viajar, ela ainda vai ser arrastada para algumas viagens até ficar maior de idade. Até porque quando ela for adulta é pouco provável que vá querer ou poder viajar conosco.

    Sobre a questão física mesmo, tem isso também, que talvez com 60 anos a gente não tenha saúde para aproveitar tanto, mas daí também tem que o que eu achava legal aos 20 não acho mais com 50. Eu nunca gostei de ficar mal instalada em viagem, acampar, ficar em albergue, dividir quarto com gente estranha, quarto sem banheiro, essas coisas que se faz quando se é bem jovem. Isso não é minha praia. Tenho um mínimo de conforto que é cama e chuveiro bons. Então essa parte eu não mudei muito, eu sempre fui assim. Eu gosto de viagem para ver natureza, com trilha, essas coisas, e gosto de viagem para ver museu e lugares históricos. Acho que eu só não gosto é de viajar para comprar, esse tipo eu passo. Aliás, viajar é o que eu mais sinto falta na pandemia.

    Beijo e boa semana!

    Daniela

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    • Oi Daniela, eu também sempre fiz orçamentos para viagens e dá muito certo mesmo. Mas desde o ano passado e metade desse ano que estou enclausurada dentro de casa, tenho pensado que poderia me divertir mais, planejar mais viagens ao longo do ano, ao invés de só nas minhas férias. Antes mesmo de conhecer este livro, eu já tinha combinado com o marido de fazer 1 viagem boa por ano, e fazer mini-viagens a cada 3 meses. Ou seja, seriam 3 mini-viagens e 1 viagem mais duradoura. Mas depois que comecei a leitura do livro, vi que poderia melhorar ainda mais, se estipulasse um orçamento para criar boas memórias. Ao estipular um valor total, poderia planejar melhor, poderia incluir mais passeios bate-volta para cidades próximas alugando carro, idas a museus, zoológicos, parques, viagens de trem, cinema etc. Eu me empolguei tanto que fiz uma lista das coisas que poderíamos fazer para o ano de 2022 (quando a pandemia passar), e para minha surpresa, ao fazer um orçamento, não deu nem metade do valor que temos disponível para gastar. Até falei para o marido que com certeza absoluta não faríamos tudo aquilo que está na lista se não fosse esse orçamento pré-estipulado (20% de tudo o que poupamos no ano anterior). Sobre viagens, eu também adoro viajar, antes das meninas nascerem, eu conheci muitos estados do Brasil, e depois com o marido, começamos a desbravar outros países. Teve ano que viajamos 2 vezes ao ano para o exterior, foi muito bom. Depois que as meninas nasceram, resolvemos dar um tempo nessas viagens longas, pois achávamos que seríamos muito cansativo (para elas e para nós). E com isso, as viagens se tornaram mais curtas e mais próximas de casa, o que foi muito bom, porque conseguíamos descansar e ao mesmo tempo, as meninas se divertiam horrores. Até então, não íamos para resorts, porque sabíamos que era muito para as meninas, iríamos pagar caro e elas não iriam conseguir aproveitar toda estrutura do hotel (antes da pandemia, elas estavam com 2 e 4 anos), então escolhíamos hotéis bacanas, com piscina, playground, comida boa, cidade pequena, mas nada de resorts. Já para o ano que vem, acho que resorts seria interessante, elas correm para todos os lugares, e acredito que a minha filha menor já não teria tanto medo de ir nos brinquedinhos. Isso que você falou, de que terá um momento que as nossas criança não vão querer mais viajar com a gente rsrs, penso nisso direto, por isso quero ter a oportunidade de criar memórias, criar conexões, lembranças boas, ao invés de ficar só na rotina do dia-a-dia. Há muitas coisas gratuitas que podem ser aproveitadas também, a gente sempre acha que para criar memórias, precisa de muito dinheiro, mas o que me divertia em São Paulo com as meninas não está escrito. Eu ia para todos os cantos com carrinho de bebê e aproveitava tudo que São Paulo oferecia de bom para crianças. Foi um período bastante proveitoso. Beijos.

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    • Aí que tá.
      Tem pessoas que realmente são frugais ao extremo. Mas essas pessoas sofrem por não estar gastando?
      Será que quem não está “curtindo a vida” viajando, bebendo, em festas está realmente triste por não estar fazendo essas coisas?
      E por fim. Será que quem está fazendo essas coisas está mais feliz?
      Aproveitar é algo muito particular, também acho que o equilíbrio é a melhor saída, até pra evitar arrependimentos futuros, mas o ser humano nem sempre é tão simples e óbvio.
      Conheci pessoas que aparentemente “curtem a vida”, com amigos, festas, churras e bebedeiras…
      Mas vivem a base de remédios para ansiedade. Será que curtem mesmo?
      Será que o cara que gosta de ler e assistir séries não está mais em paz que alguns desses?
      Será que pessoas que tem como evento social ir a missa no fim de semana não estão melhor?
      Há um conjunto de coisas envolvidas nessa resposta e que são particulares e singulares.
      Mas em todos os casos as aparências podem enganar.

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      • Olá Anon, isso que você escreveu vem ao encontro do que penso, o que é divertido para mim, pode não ser divertido para o colega do lado. Eu conheço pessoas aparentemente felizes, saindo para bares com os colegas de trabalho, mas que são extremamente infelizes. Por outro lado, também conheço pessoas que estão sozinhas, e que se sentem felizes com a própria companhia, apenas com os poucos e bons amigos. Tem gente que gosta de acumular dinheiro, e está tudo bem. Tem gente que troca a companhia da família por mais trabalho na empresa, e está tudo bem. Eu não faria isso, mas isso não significa que eu estou certa, serve baseado no meu estilo de vida, na minha forma de pensar e encarar a vida. Também entendo que cada pessoa está numa fase de vida e aprendizagem, muitas das minhas opiniões passadas não condizem com a minha opinião de hoje, então entendo que pessoas mudam de opinião ao longo dos anos. Eu mesma já fui a doida pra ser FIRE, e hoje, já não tenho essa pressa, prefiro curtir a jornada. Beijos.

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    • Oi Alexandra, acho que o importante é a pessoa ter essa consciência da troca, de que mais dinheiro significa mais tempo de trabalho. Não adianta alguém ser FIRE e ficar tendo pesadelos de que talvez tenha feito a conta errada, ou ficar com medo a cada reajuste do aluguel, do plano de saúde. A não ser que o trabalho seja insuportável, aí vale a pena jogar a toalha antes da hora, em prol da saúde mental e física. No início da minha jornada FIRE, eu tinha uma sede incontrolável de sair dessa corrida dos ratos. Eu ficava planilhando tudo, fazendo contas de quantos anos faltavam para me libertar, mas conforme os anos foram passando, o meu sentimento em relação a isso mudou. Em parte porque esta jornada FIRE é muito divertida para mim, em parte porque meu trabalho não é insuportável, em parte porque sei que é uma questão de tempo o patrimônio atingir a minha meta. Eu já não tenho aquela pressa que eu tinha antes para ser FIRE, porque sei que está tudo engatilhado, que é um plano que já deu certo. Não sei se é o mesmo caso da IFM, mas de qualquer forma, cada um sabe onde o sapato mais aperta. Um beijo!

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  9. Yuka, como vc é pé no chão. Amei esse post.
    Há coisas que o dinheiro não compra, duas delas é o tempo e a família ♥️

    Que alegria ler esse texto é saber que estou no caminho certo.

    Como sempre você me inspira!
    Quando puder poderia escrever um post sobre como lidar com FOMO? Você não me parece ter sofrido disso quando abandonou as redes sociais, mas ajudaria demais contar sua experiência, o que pensa… Estou sofrendo bastante. Percebi que o Instagram me deixava ansiosa e incentivava a compras erradas e uma vida editada. Acredita que eu ficava mega frustrada quando minha filha mais velha não reagia conforme eu esperava nas fotos e vídeos? Tudo pq precisava ficar perfeito pro Instagram 😞 Que horrível, Yuka! Tóxico!

    Dei um tempo faz uns dias… escondi o ícone e quando pego o celular pareço uma barata tonta. Mas desde que deixei de lado, consegui assistir 5 filmes com meu marido, finalizei 3 seriados, li 10 capítulos da Bíblia, 2 de um livro de educação infantil e vi alguns dos 30 vídeos que selecionei não minha playslist “assistir mais tarde” do YouTube. Percebi que não tenho mais vontade de consumir o que eu tanto queria há poucos dias atrás. Acho que a intenção era ter pra mostrar e me sentir aceita 😮‍💨

    Tudo isso não faz nem 1 semana… espero conseguir abandonar de vez! Me deseje sorte! Beijão

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    • Vejo isto direto. É preciso sair do Instagram e facebook. Fazem um mal danado pra mente e para o bolso. Vida editada é o cúmulo nos dias de hoje. Que bom que está tentando. O canal de vcs tbm era forçado demais, espero que consigam abandonar de vez e vivam uma vida real.

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      • Oi Lucas, exatamente, redes sociais em excesso, faz mal para a mente e para o bolso. O que muita gente não percebe quando acessa as redes sociais é que NÓS SOMOS O PRODUTO que a empresa busca. Não é à toa que eles fazem de tudo para que a gente passe cada vez mais tempo nas redes sociais. Beijos.

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    • Oi Tiemi, redes sociais é algo tóxico, as pessoas sabem disso, mas não conseguem sair, é preciso muita, muita força de vontade, pois já virou um vício dos tempos modernos, mas é um vício bem aceito pela sociedade, já que todos têm (eu não conheço ninguém pessoalmente que não tenha uma rede social nos moldes do Instagram, Facebook e Twitter). Quem não tem é que vira o esquisito. Em breve, vou escrever um post sobre esse tema, está aumentando as pessoas que têm me pedido para falar sobre esse assunto, envolve auto-estima, ego, auto-aceitação, sentimento de inveja, frustração, são vários sentimentos complexos que precisarão ser abordados. Um beijo Tiemi, força!!!

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  10. Oi Yuka,

    “A vida é valiosa demais para ficar só acumulando patrimônio e não gastar em experiências com pessoas que amamos no momento certo.”

    Essa frase do seu post possui uma profunda sabedoria. Ao longo da minha vida, meio sem querer, eu vivi bastante cada momento, nada muito planejado porem de maneira muito agradável e sem excessos.

    Hoje tenho planejado mais cada momento da minha vida, mas não deixo de curtir a família e os amigos. Esse período de pandemia e de estar trabalhando em trabalho-remoto teve uma vantagem que foi poder acompanhar o crescimento, primeiros sorrisos e passos do pequeno VAR. E essa presença na vida dele não tem preço e é isso que desejo para minha vida.

    Eu ainda continuo simulando minha FIRE, porem sinto que estou indo no caminho contrário de algumas tendências da firesfera de acumular até um valor e depois curtir. Gosto da minha área de atuação e avalio frequentemente a mudança de carreira (trabalhar em outra área de forma remota) e antecipar minha FIRE (um Barista Fire) para poder curtir minha vida finita e estar presente com minha família e amigos.

    Sou novamente grato por mais esse post que são uma fonte de sabedoria nesse ambiente um árido da internet.

    Abraços,

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    • Oi VAR, esses dias assisti um vídeo no YouTube de uma pessoa que estava dando um review do livro Die With Zero. Essa pessoa falava justamente isso, que por conta da pandemia, pôde passar bastante tempo com o segundo filho recém-nascido. Mas que não conseguia lembrar do rosto do primeiro filho quando ele era um bebezinho, porque ele simplesmente trabalhou demais e não passou tempo suficiente com o filho. Achei isso um pouco chocante demais pra ser verdade. Mas se pararmos para pensar, é a realidade do que acontece com a gente. Eu estou indo mais na linha Coasting Financial Independence, que serve mais para quem já aplicou um montante considerável e esse montante irá crescer sozinho, mesmo se não aportar mais (apesar de ainda continuarmos aportando, mas não na velocidade e no valor que estávamos fazendo). Vou ver se publico algo a respeito… Vamos continuar nessa jornada FIRE, mas sem esquecer que a vida é hoje. Um beijo.

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  11. oi Yuka, bom dia,

    Lendo alguns comentários aqui sobre as rede sociais, gostaria de dar a minha opinião. Bem, eu sou mais velha, acho, que a maior parte das pessoas que comenta aqui. Quando eu tinha 20 anos não tinha rede social, mas esse sentimento de estar por fora, da festa ser em outro lugar, de não ter a turma certa, sempre existiu. Eu entendo que algumas pessoas tenham a preocupação em ter uma imagem, para fins de colocação no mercado, então mostrar que tem uma família estruturada e alguns amigos pode ser útil na hora de arrumar emprego. Estou especulando, não sei, eu sou funcionária pública há muitos anos, então nunca tive esse dilema. Mas quando eu leio que as pessoas não conseguem sair das redes me vem à cabeça um texto que eu li uma vez sobre obsessão, no que você estaria pensando se não estivesse obcecada por isso? (Calligaris, talvez?).
    Ou seja, a gente é obcecada porque isso traz algum prazer em si, ou é exatamente para não fazer outras coisas e ter uma desculpa? O “não ter tempo” que a gente usa tão frequentemente, e que eu escuto como “não quero ter tempo para isso” ou “não acho isso tão importante para arrumar tempo para isso”. Aliás, eu mesma uso direto essa expressão quando quero dizer que é uma coisa que eu não dou importância. Dito isso, ficar vendo a vida falsa dos outros faz mal mesmo, porque todo mundo tem problema, alguns parecidos com os nossos, e outros muito diferentes. Claro que se conselho fosse bom a gente não dava, vendia, mas acho que dificultar o acesso é uma saída para quem não quer sair de vez (desinstalar o aplicativo, desabilitar as notificações, agendar horário, não usar o celular para acessar), para tirar o acesso do automático e ter mais consciência do que está fazendo. Eu uso muito pouco rede social, só o whatsapp mesmo e olhe lá. O resto é só para olhar alguma coisa eventual. Talvez porque essa coisa de estar por fora se choque com o meu medo de exposição. Embora, né, eu talvez me exponha mais comentando aqui do que qualquer post ou foto do instagram que eu publicasse.

    beijo,
    Daniela

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    • Oi Daniela, complementando seu comentário, as pessoas se iludem achando que temos tempo para todo mundo, e não temos. Se passamos 3, 5 horas todos os dias nas redes sociais, é porque algo está sendo deixado de lado. Às vezes é um filho pequeno que fica esperando que o pai saia das redes sociais, às vezes é um pai que fica esperando a ligação do filho que nunca vem, às vezes é um amigo que precisa de um ombro amigo, mas que estamos muito ocupados vendo o que os outros estão fazendo, algo que não nos acrescenta em nada saber por exemplo o que o outro está comendo ou o que está vestindo. Beijos.

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  12. Puxa vida, isto me faz pensar por que eu estou adiantando tanta coisa, inclusive fazer amigos, para quando atingir FIRE…. Não é legal eu sei mas preciso fuck you money para parar de trabalhar 90 horas por semana.

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    • FIRE Frustrado, você trabalha 90 horas por semana? Olha, sei que cada caso é um caso, cada um tem um salário diferente, um estilo de vida diferente, um custo de vida e padrão diferente, então não dá para colocar todos nós em uma única bacia e medir com a mesma balança. Mas algumas coisas não podem ser adiadas, por exemplo, isso de fazer amigos. Não sei quantos anos tem, mas você deve ser mais novo do que eu (tenho 39). A cada ano que a gente envelhece, fazer amigos vai se tornando uma tarefa mais difícil. Meus melhores amigos são da época da faculdade. Pouquíssimos são do meu trabalho atual. Eu cuido muitíssimo bem dos meus amigos, porque sei o quanto é difícil fazer novos amigos do peito. Se você tem seus amigos, saia com eles, se divirta sem precisar gastar dinheiro, faça viagens com pouco dinheiro com uma mochila nas costas, você não pode somente trabalhar 90 horas e esquecer de viver, de curtir a vida, de aproveitar sua juventude. Pegue uma pequena parte do dinheiro dessas horas trabalhadas para se divertir um pouco. Pense nisso com carinho. Beijos.

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  13. Bora torrar essa fauna que tem nas notas de real, Yuka! rs
    O principal é o que você já sabe: separar o que é essencial e o que você quer. Sabendo disso, guarde para o essencial + X para o que você quer. O resto a gente tem que comprar tempo e felicidade.
    Beijos

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    • Oi AC, pois é, dinheiro é importante, mas tempo de qualidade também é igualmente importante, temos que aprender a equilibrar a jornada FIRE para não postergar todos os sonhos somente para o fim. Beijos.

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  14. Bom dia Yuka e leitores. Deixa eu compartilhar meu pensamento!
    Com certeza este livro é muito legal e vai de acordo com muitas de minhas ideias. Realmente pra cada idade existe um tipo de sentimento, por isso é importante viver bem as fases da vida. Por exemplo eu tenho muitos amigos que tiveram filhos muito cedo e se frustraram em fazer algumas coisas que não é ideal fazer com filhos pequenos. Já reparou quantos casais se separam e o homem ou a mulher querem viver como se tivessem 20 anos de novo? ou seja, não viveram bem a solteirice, e normalmente se frustram. Pra mim frugalidade é a chave: aproveite bem o que está disponível pra vc e tenha em mente que felicidade é algo que vem do seu intimo, do seu interior. Condicionar a felicidade a novas experiências acredito que seja um grande erro. Uma vez um amigo meu foi em um sitio com seus amigos pescar no pantanal (ele é casado e tem dois filhos) e me disse que isso é uma experiência incrível que eu e todos os homens precisavam disso, se conectar com os amigos e com a natureza. Eu tento ter este sentimento de plenitude todos os dias com minha esposa e com meus filhos. Chegar do trabalho e ver meus pequenos correrem de alegria pela minha simples presença me faz perceber o verdadeiro sentimento de felicidade, não preciso de mais nada: só o sentimento de gratidão pela vida. Lembro que quando eu tinha vinte e poucos eu queria muito um carro legal, esportivo. Eu trabalhei muito, quase cinco anos juntando dinheiro e comprei o sonhado esportivo. Isso é totalmente irracional pois o dinheiro poderia ser investido em algo muito mais importante não é? mas comprei e foi muito emocionante e jamais esqueço aquele sentimento da conquista, ainda que eu tenha perdido dinheiro ao vendê-lo. Hoje com 40 anos eu vejo que era algo que eu queria muito naquela idade, hoje nem penso nisso, ou seja, aquele tempo passou. O dinheiro não leva desaforo, cuide bem dele e guarde uma parte para o seu futuro, está parte que vc guarda tem que ser imexível, só em caso de vida ou morte mesmo, e o resto usufruí com sua família e seus amigos, porque daqui não levaremos nada. Eu sempre sonhei em ser um servidor da Receita Federal e para isso eu mesmo me fiz a uma proposta: estudaria bastante e abandonaria rede sociais, por mais que isso era legal. O tempo passou, hoje já são vários anos sem redes sociais. Pareço um peixe fora dágua aqui, mas vejo que isso me trouxe mais benefícios do que prejuízos. Claro que é possível conciliar mas sou assim mesmo meio radical. kkkk. desculpa o texto grande. Ah só uma coisa legal também: Muitos querem se aposentar cedo para não fazer o que não gostam pelo resto da vida e ter mais liberdade para fazer o que gosta não é? Nisso eu levo vantagem pois trabalhei na roça até minha adolescência e hoje ter um bom emprego com ar condicionado estou no céu não é mesmo?KKK. Grande abraço.

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    • Olá Anon, com certeza a felicidade é algo que tem que vir de dentro mesmo. Há muitas pessoas que terceirizam a felicidade para o companheiro, para os amigos, ou que só são felizes o dia que alcançarem um determinado patrimônio, a determinada casa dos sonhos, o carro conversível, a viagem para o exterior. Enquanto não alcança os sonhos, se sente infeliz. E isso é complicado, porque logo que alcançar o sonho da compra de uma casa, surgirá um outro sonho, e depois mais outro, e com isso, sempre se sentirá infeliz e insatisfeito com a própria vida. Quando li o que você escreveu, dizendo que trabalhou na roça muitos anos e que hoje trabalha em um bom emprego com ar condicionado, isso se chama gratidão, saber de onde veio, as dificuldades que passou, ter orgulho do passado, e ser feliz com o que tem hoje. Beijos.

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  15. É antigo, mas é muito sábio: a virtude está no meio (Aristóteles). De vez em quando eu faço o seguinte teste: eu paro e penso se eu morresse agora, eu morreria satisfeita? Pois quando a resposta é não, significa que o caminho não está satisfatório e eu preciso mudar algo com urgência. Até porque, sendo realista, podemos mesmo morrer a qualquer momento, né? Assim, equilibrar a busca dos sonhos com a realização de outras vontades e desejos de imediato é mais sensato, para mim. Belo texto, Yuka!

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    • Oi Diana, esse teste que você faz é um dos melhores exercícios para uma vida sem (grandes) arrependimentos. Pensar na morte é considerado fúnebre por muitas pessoas, mas é um exercício de autoconhecimento. Há muitas coisas que eu mudei na minha vida depois que passei a fazer essa pergunta “se eu morresse hoje, morreria em paz?”. Eu ainda tenho muitas coisas que quero melhorar em mim, justamente para não ter arrependimentos. E como você escreveu, equilíbrio é uma peça fundamental. Beijos.

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  16. Pingback: Gastar ou poupar? O Coast FIRE pode ser a sua solução | Viver Sem Pressa

  17. Obrigado pela recomendação do livro. A cada capítulo é como se eu escutasse os vidros das minhas crenças se estilhaçando. Adoro quando um novo conhecimento destrói meus paradigmas. Já estou programando minhas próximas experiências com a família (algo que até agora vinha postergando para acumular dinheiro). Vou reler o livro com calma, registrando, em português, os conhecimentos passados pelo autor para poder compartilhar com meus familiares.

    O livro foi capaz até de me fazer redimir com minha irmã. Carregava uma mágoa enorme por ela ter recebido da minha mãe um apartamento de 400mil. Assim, de mão beijada. (tipo filho pródigo). Agora vejo que, inconscientemente, minha mão deu a ela algo na hora que ela precisava.

    Obrigado!

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    • Oi Zé Cotinha, fico feliz em saber que também está lendo o livro. Diferentemente dos outros livros que costumo ler numa velocidade fora do normal (geralmente termino de ler um livro em 2 ou 4 dias), esse, por ser um assunto que considero importante, estou lendo beeeem devagar, leio e tento digerir o capítulo durante alguns dias. Eu também sinto isso que você escreveu, as crenças se estilhaçando. Eu costumo ter experiências com minha família, mas percebi que podia muito mais, podia fazer mais coisas, principalmente porque estou numa fase confortável da jornada FIRE. Eu podia desacelerar um pouco a fase do acúmulo em que me encontrava para começar a desfrutar ENQUANTO percorro a jornada FIRE, e não somente no final da jornada. E que bom que você conseguiu encontrar a paz com algo que sua mãe fez para a sua irmã. Acho que todo mundo que está na jornada FIRE deveria ler o livro Die With Zero, juntamente com Dinheiro e Vida, e O milionário mora ao lado. Um grande beijo.

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