Substituindo hábitos para abandonar o celular

Após escrever dois posts sobre a minha decisão de me desconectar, recebi muitos comentários sobre como isso também afeta a vida de vocês.

Há algumas semanas, terminei de ler o livro “Ansiedade, como enfrentar o mal do século: a Síndrome do Pensamento Acelerado, como e por que a humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos”.

O livro, que tem poucas páginas e de fácil leitura, fala como o excesso de estímulos da qual estamos todos imersos, causa a Síndrome do Pensamento Acelerado.

A Síndrome do Pensamento Acelerado “caracteriza-se por uma grande dificuldade pessoal em relaxar a mente, acalmar e organizar os pensamentos, e uma busca incessante de informações e estímulos. O Excesso de informações, decorrente principalmente do ritmo acelerado dos grandes centros urbanos, satura o córtex cerebral, produzindo uma mente hiper pensante, agitada, impaciente, com bloqueio criativo e baixo nível de tolerância.” Fonte

O autor do livro discorre algumas das causas da Síndrome do Pensamento Acelerado:

  • Excesso de informação
  • Excesso de atividades
  • Excesso de trabalho intelectual
  • Excesso de preocupação
  • Excesso de cobrança
  • Excesso de uso de celulares
  • Excesso de uso de computadores

É justamente esta vida moderna, com excessos de estímulos que aumenta a ansiedade. Não é à toa que o autor afirma que a ansiedade é o mal do século.

Após iniciar meu projeto de “pular fora do barco” do excesso de estímulos, entendi 2 coisas:

1.) Todos só olham para o celular

Semana passada, aproveitando que estava sozinha, fui tomar café na padaria, coisa que não faço há 2 anos. Pedi pão na chapa e café com leite. Enquanto meu pedido não chegava, fiquei olhando ao redor.

Fiquei abismada como todos, TODOS, estavam olhando para o celular.

Olhavam para o celular enquanto comiam. Digitavam no celular enquanto comiam. Até mesmo pessoas que estavam acompanhadas, digitavam algo no celular enquanto falavam com a pessoa que estava sentada na frente.

Fiquei horrorizada ao perceber que assim como eu, eles também estavam tomando café, mas ninguém estava presente.

Aliás, somente duas pessoas estavam presentes: eu e uma senhora bem idosa. Só.

Se você parar para observar, será comum ver pessoas andando na rua e olhando para o celular, atravessando a rua sem prestar atenção no que está fazendo, cansei de ver pessoas dirigindo e olhando o celular ao mesmo tempo. Quando vou no parque levar minhas filhas para brincar, todos os pais estão olhando para o celular. Balançam seus filhos, enquanto olham para o celular. A maioria das pessoas estão sempre com o celular nas mãos.

Que mundo doido.

Olhando essas cenas diariamente, eu reforço para mim mesma que não quero essa vida para mim.

2.) O encanto da simplicidade aparece SOMENTE quando reduzimos o excesso de estímulos

Outro dia estava tentando explicar para o meu marido sobre a impressão que eu estava tendo de que minhas sensações estavam mais aguçadas, após a redução no uso do celular.

Não sei se vocês já fizeram jejum de açúcar. Eu lembro da primeira mordida que dei em uma fruta, após semanas sem açúcar. Fiquei emocionada de como uma fruta poderia ter um sabor tão intenso de doce, ser tão suculenta. Não é que eu não soubesse que a fruta era doce, claro que eu sempre soube. Mas era como se agora fosse muito mais doce, mais intensa, mais gostosa.

Eu percebi o quanto a fruta é verdadeiramente doce, quando deixei de comer tanto açúcar.

Da mesma forma, nós nos encantamos pela simplicidade, QUANDO deixamos de estimular excessivamente o cérebro.

Será que perceberíamos que as nuvens estão se movendo lentamente, que a brisa serena está balançando levemente as folhas das árvores, que a grama, aparentemente inerte, está cheia de vida com insetos minúsculos andando de lá para cá? Será que perceberíamos as ondas circulares cada vez que um peixe encosta na superfície da água?

Se estamos acostumados com shoppings com suas cores e iluminações vibrantes, assim como a tela do celular piscando e nos estimulando sem parar, de que forma seria possível apreciar e aquietar a mente com uma paisagem monótona na nossa frente, como um pasto?

Como eu sei que é difícil se afastar do celular quando o vício já está instalado, um dos truques é substituir por novos hábitos, e não simplesmente parar de mexer no celular.

Eu mesma fiz isso. Claro que cada um precisará garimpar os seus próprios substitutos de acordo com os interesses. No meu caso, ter 3 substitutos foram suficientes para mim:

Substituto 1 – ter um caderno para fazer anotações

Foto retirada do site da A.Craft

Eu utilizo a agenda e os cadernos da A.Craft, acho lindo, carrego todos os dias na minha bolsa.

Anoto todas as tarefas que preciso fazer, anoto também algumas informações importantes, lugares que quero conhecer. Serve para quando me sinto produtiva. Mas eu sabia que só esta agenda não seria suficiente para largar o celular. Então decidi voltar a ler livros físicos, ao invés de livros digitais.

Substituto 2 – ter um livro sempre comigo

Foto retirada do Pixabay

Ando com um livro para tudo quanto é lugar: na bolsa do trabalho, quando vou para o parque, quando vou na casa da minha mãe, etc. O livro serve para quando quero me distrair, informar, expandir meu conhecimento, e principalmente, para me entreter. Mas havia momentos em que eu não queria ler um livro, pois só queria relaxar, sem pensar em nada. Aí precisei de um terceiro substituto.

Substituto 3 – ter um caderno de desenho

Há anos (ou melhor, décadas) que eu não desenhava. Mas resgatei esse hobby do fundo do baú das minhas memórias. E não é que eu ainda continuo gostando de desenhar? Passei a carregar o caderno também na minha bolsa (que agora deve pesar uns 3 kg). Eu desenho quando não quero pensar em nada, quando quero esvaziar minha cabeça, quando quero me acalmar. Desenhar me faz relaxar, para mim, é quase como uma meditação.

Quando sinto vontade de mexer no celular por não estar fazendo nada, eu escolho uma dessas 3 coisas, e fica tudo bem.

~ Yuka ~

53 Comments on “Substituindo hábitos para abandonar o celular”

  1. Eu amo suas reflexões. Infelizmente meu momento profissional hoje (importante na minha jornada Fire) não me permite estar longe do celular. Estou hiper acelerada, tentando reduzir esses efeitos. Mas no momento tem sido bem difícil, confesso.

    Obrigada por compartilhar suas dicas. Vou introduzir aos poucos

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    • Oi Mel, há períodos da nossa vida em que realmente temos que dar mais do que gostaríamos, mas sabendo que será por um período determinado, será mais fácil de lidar. Tente reduzir no que for possível, sem prejudicar o seu trabalho. Beijos.

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  2. Excelente reflexão como sempre. Esta semana vi uma matéria que me deu uma certa esperança, de que jovens estão se atentando ao fato do excesso do celular. Infelizmente meu trabalho é mesmo em redes sociais, por isso de momento ainda estou muito conectada pela necessidade, mas começo a tentar me imaginar fazendo outra coisa para poder sair desse mecanismo sufocante da necessidade de olhar tantas vezes para a tela. A matéria é esta abaixo, só não concordo com a maneira a que se referem ao telefone, mas enfim….
    beijinho grande
    https://br.financas.yahoo.com/noticias/telefones-burros-como-os-celulares-130322131.html

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    • Oi Márcia, bem interessante a matéria, mas eu acho o celular tão útil rsrs. Acho que vale a pena para quem quiser fazer um teste por um período, ou até mesmo quem está totalmente descontrolado, viciado mesmo. Beijos!!!

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  3. Eu estava pensando nisso essa semana. Retornei ao trabalho presencial há duas semanas, e aí pegar o metrô fiquei abismada como todos olhavam para o celular. Tenho repensado o meu uso do celular, e apesar de usar para trabalhar, comprar, estudar, ouvir palestras, praticamente conduzir a vida. Tenho me atentado para estar presente em outros momentos: ler um livro, assistir uma série, brincar com os filhos, e quando estiver com o celular somente usando o celular. Já percebi o quanto faz meu cérebro está desacostumado com o ócio, por outro lado o cansaço mental e a qualidade do sono melhoraram muito. Seguimos buscando o equilíbrio!

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    • Oi Rose, desacostumamos com o ócio, isso é verdade. Não sabemos mais esperar num consultório médico e folhear umas revistas velhas como fazíamos antigamente ou conversar com alguém que está sentado do nosso lado. Apesar de estarmos conectados, nunca estivemos tão sozinhos. Beijos.

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  4. Caramba, preciso ler este livro Yuka. Vejo isto em todo lugar a todo momento. As pessoas coladas nos celulares e telas por toda parte. Não se tem mais diálogo, não se lê papel mais, não se desliga nunca. Não é possivel viver uma vida saudável desta forma.
    Estes dias comentei que estou querendo fazer um teste e viver sem celular por 1 mês e me chamaram de louco. E pensando bem, essa porcaria hoje se tornou o centro de nossas vidas pois quase todos os serviços dependem de ter um aparelho destes a mão. Onde isto vai parar? Nossos cérebros vão “explodir” antes de conseguir se adaptar. Precisamos mudar.
    Ótimo texto, grande abraço

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    • Oi AA40, leia o livro sim, o livro é fininho (esse eu já li no formato impresso, ao invés de ler no kindle), e dá para ter uma noção boa do quanto estamos prejudicando nosso cérebro e o mais preocupante, dos nossos filhos também. Beijos.

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  5. Um dos aplicativos que dificulta o desmame das pessoas em relação ao celular é o Whatsapp.
    Muitas pessoas e empresas substituíram o telefone pelo Whats e como é um aplicativo de mensagens e nem sempre você consegue iniciar e terminar uma conversa em poucas mensagens, as pessoas acabam alongando conversas a conta gotas por horas.
    Pelo telefone você geralmente inicia e termina um assunto em um telefonema. Por mensagem muitas vezes não, já que as respostas muitas vezes são mandadas ou acrescentadas depois que a pergunta foi feita e assim volta e meia você está alí dando continuidade a uma conversa que já poderia ter terminado.
    Muita gente adora mandar mensagem porque qualquer besteira e tantos outros mandam besteiras como mensagens, “prendendo” as pessoas no celular.
    Eu tenho Whats porque “todo mundo tem” e como trabalho, não tem muito como ficar de fora, pelo menos para um ou outro assunto referente ao trabalho.
    Eu faço compras no local que trabalho e quando liga para algum lugar que não conheço para fazer um orçamento, a primeira coisa que geralmente falam é: Manda pelo Whats que depois eu te respondo, e as vezes o depois demora…

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    • Oi Anon, em relação ao whatsapp, dificilmente eu respondo na hora, ou seja, raramente estou digitando enquanto a outra pessoa também está digitando, porque é isso que você falou, amarra a pessoa por horas, e quando vê a troca de mensagens, nem falou tanta coisa assim. Com as minhas amigas, nós já nos acostumamos a fazer dessa forma, digitamos quando é algo curto, mas mandamos mensagens de áudio quando queremos contar algo mais longo, mas já sabemos que a resposta pode vir no dia seguinte, daqui a 3 dias, daqui a 10 dias depois, e está tudo bem, pois respondemos quando podemos. É como se fosse uma troca de correspondência, só que mais moderna, onde a pessoa fala tudo o que quer falar primeiro, e depois eu falo. Claro que no trabalho não dá para fazer dessa forma, pois as mensagens costumam exigir uma resposta breve. Beijos.

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  6. Olá Yuka!
    Lhe sigo há algum tempo. Excelentes posts. Esses últimos relativos à diminuição do uso do celular e redes sociais são ótimos. Parabéns pelo trabalho. Abc!

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  7. Oi Yuka, tenho acompanhado suas postagens e assinando embaixo de todas…desde o inicio deste ano.
    Desde sempre gostei da tecnologia, mas hoje vejo que ela está em um caminho desenfreado… e isso afetará muito e não precisa ser muitos anos a frente…é breve.
    Tenho saudades da vida de antes… as vezes fico nostálgica e no mundo artesanal também, já não é mais o mesmo. Eu mesma perdi o interesse em estar no meio e querer interagir e fazer amizades…tudo esta muito diferente, o mundo hoje mudou completamente, de uns tempos para cá vi como mudou a maneira de olhar para um trabalho artesanal as competições desenfreadas e as comparações. Isso e outros fatores me fizeram ficar cansada e cansada de ter rede social, estou no Pinterest, mas uso ele mais com uma revista, para inspirar. Até uso para postar meus trabalhos. O Blog até estou tentando manter. Confesso que ando meio exausta…querendo mudar o meu tempo ao viver a vida, ao acordar; Acho que também preciso cuidar de mim. E da mente sempre!!!

    Acho que precisamos nos avaliar e tentar nos vermos no nosso dia a dia, o que dá para mudar enquanto a tempo.
    O celular rouba tempo, e do jeito que anda a carruagem, acho que ele será necessário, pois, tudo está sendo feito para isso…ele nos controla e seremos controlados sem ter opção.
    Procurar ter menos apps baixados no celular…eu detesto o WhatsApp e gosto do Telegram, ele tem um uso diferente do WhatsApp e com o Telegram tenho mais sossego hahaha.
    Bom, para ser sincera, acho que tudo mudou e se for parar para pensar muito a gente pira, pois, para onde olho vejo o tempo sendo roubado de certa forma….eu detesto estar em lugares comendo com pessoas usando celular, aqui em casa ninguém usa nas refeições tento limitar o máximo….e acho que as pessoas no geral perderam a noção da vida e o que é viver uma vida saudável …eu só observo….só observo.
    E por muitas vezes, pensei em fechar tudo….blog …Pinterest…e acessar menos a internet…sei que é um pouco radical.
    E fazer um teste para ver o que mudaria….rs

    bjs

    Dri 😀

    https://atelieradrianaavila.blogspot.com/

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    • Oi Dri, acho que o segredo é ter equilíbrio. Eu adoro navegar no Pinterest e pegar inspirações de decoração da casa, de desenhos, para as brincadeiras das crianças, mas sempre lembrando que de nada adianta eu criar uma pasta com várias inspirações e nunca colocar em prática. Então geralmente eu foco em algo que estou querendo fazer, funciona bem para mim. Beijos.

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      • Comecei a usar diferente, estou usando para inspirar quando tiver algo para fazer…vou nesta linha como você. Acho que pesará menos…não adianta guardar ideias e ficarem esquecidas, ou na hora de executar ter que ficar procurando, ai é mais fácil digitar o que precisa do que procurar em pastas rs…
        bjs e obrigada por tudo!!!

        Dri

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  8. Oi Yuka, também estou me preparando para ficar longe das redes sociais que tem tomado meu tempo, principalmente Instagram, ainda estou pensando se só deixo para ver algumas poucas vezes na semana com controle de horário ou se já deleto de uma vez. Estou lendo o livro Minimalismo digital que, junto ao seu blog, tem me incentivado a sair dessa armadilha.

    Tbm estou analisando novos hábitos para a substituição, a leitura já faz parte da minha rotina, a ideia dos desenhos e do caderno são legais, sempre gostei de desenhar mas já tem tempo que não faço essa atividade.

    Tenho uma curiosidade, se puder responder. Você ainda visita outros blogs e canais do YouTube? Se sim, se possível, compartilha com a gente, sinto falta de mais lugares de inspiração para manter o minimalismo e vida simples sempre como uma reflexão para o meu estilo de vida.

    Um abraço e parabéns pela criatividade, os desenhos são lindos!

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    • Oi Silvia, fui até ver os canais que eu ainda sigo, mas olha que engraçado, muita gente que sigo, posta tão pouco, mas tão pouco que eu até acho que a pessoa desistiu também dessa vida de redes sociais. Eu sigo o CKSPACE (sobre minimalismo), Cristal Muniz (sobre viver sem produzir lixo), Fê-liz com a vida (autoconhecimento), Joshua Becker (minimalismo), Pouca Nuvem (só tem 3 vídeos snif snif, mas vá lá e assista os 3), Ricota não derrete (decoração e DIY acessível). Como eu sei japonês, eu ainda sigo alguns youtubers de lá como o Kominka solo life (estilo de vida frugal) esse aqui tem legenda em português. Mas este canal por exemplo não tem legenda disponível: https://www.youtube.com/channel/UC6221cixGtzOBFJyLoSEuQQ
      Um beijo!

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  9. Eu já passei por inúmeros processos de desintoxicação de celular. Não apenas para deixar de perder tempo com ele, mas também por questões de privacidade (como aquela exposta pelo filme o dilema das redes sociais).

    Nunca entro em redes sociais (apesar de ter conta). Whatsapp no Brasil tornou-se quase obrigatório. Então estou nele. 1 grupo de irmãos. Nada mais.

    O meu dilema é: smartphone é uma baita invenção. É muito prático. Uma excelente ferramenta para locomoção, pesquisas e aprendizado. O problema é o uso que fazemos desta ferramenta.

    Todas as vezes que decidi deixar o celular de lado, voltei para ele. Mas voltei mais consciente.

    Faço minhas anotações, atualizo meu calendário, verifico o trânsito antes de ir a um lugar. Mas nunca fico passando o dedo ao léu nos infinitos down-scrollings das redes sociais.

    Acho que o problema do smartphone é:
    1) jogo
    2) redes sociais

    Tirando isso, restam boas ferramentas.

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    • Oi Zé Cotinha, também tenho a mesma opinião que você. Smartphone é uma baita de uma invenção que revolucionou o mundo. Só que usamos de forma errada e não nos damos conta disso. Não acho que precisamos abandonar o celular, nem conseguiríamos (pelo menos eu não conseguiria rsrs), mas o importante é justamente isso que você escreveu, “voltar mais consciente”. Beijos.

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  10. Bom diaaa!
    Pensou que você trocou 1 relação passiva por 2 (das 3 opções), ativas? Você escreve e você desenha. Você cria o (seu) mundo, ao invés de ser criada/moldada por ele.
    Vou pensar opções para mim também 🥰
    Excelente texto. Muito obrigada e uma ótima semana!

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  11. oi Yuka,

    Cheguei a conclusão que eu sofro desse mal muito antes da existência do celular. Essa coisa de não conseguir desligar vem há muito tempo, acho que desde que comecei a trabalhar e comecei a ter mais responsabilidades. Quando a vida fica complicada, cheia de demandas, daí é que não desligo mesmo. O interessante é que a primeira pessoa que me classificou como ansiosa foi o pediatra da minha filha, quando eu estava grávida e fui conversar com ele para conhecê-lo. Até ali, eu nunca tinha pensado nisso, que essa necessidade de controle que eu tenho vem da ansiedade, porque por fora sempre pareço muito calma. Depois que a minha filha nasceu, as preocupações aumentaram exponencialmente, então isso piorou muito.

    Eu não vejo o uso do celular como causa disso, ao menos para mim. O que piora são os problemas – reais ou imaginários – e o fato de eu ter pouco tempo de ócio. Quando estou em férias em casa, por exemplo, que tenho tempo de fazer as coisas com calma, sem tanta amarração de horários, eu sinto que fico mais calma, com mais paciência.

    Trabalhar menos horas adiantaria, fazer mais exercício físico – funciona para mim quando não estou muito agitada, porque quando estou, não durmo direito e daí não tenho energia para fazer exercício. Enfim, mudar o estilo de vida, o que, talvez, não seja possível para mim nesse momento.

    Um abraço, boa semana

    Daniela

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    • Oi Daniela, minha psicóloga (que comecei a fazer há 4 meses) também falou que essa minha ânsia de planejar a vida, é para tentar ter controle para não gerar ansiedade. Que coisa, não? Eu também nunca tinha parado para pensar nisso. Eu sempre me classifiquei como uma pessoa organizada, que gosta de planejar, mas não sabia que isso era ansiedade. Eu gosto da minha vida agitada, sempre gostei de ter coisas para fazer, gosto de uma cidade grande, não me vejo morando em uma cidade pacata. Então acho que o segredo, ao menos para mim, é tentar ter equilíbrio, de permitir relaxar, mas também não matar o que eu sou por natureza. Beijos.

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  12. Yuka, essas fotos dos desenhos no caderno, são suas mesmo, ou apenas uma referência aí seu posto?
    Pq se forem, parabéns…belos traços!
    Há muito tempo atrás lembro que escreveu dizendo que gosta de costurar. Continua ?
    Eu gosto de bordar a mão, como distração.
    Meu sonho é ter um mini ateliê, uma mesa que fosse pra produzir minhas artes. Mas minha casa é muito pequena. Como vc organiza seu espaço de costura( se ainda tiver nessa vibe)?

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    • Oi Cintia, os desenhos no cadernos são meus, fui eu que desenhei rsrs. Eu costumo desenhar para as minhas filhas para elas pintarem, elas não querem caderno de colorir, querem que eu desenhe para elas. É surpreendente que hoje, eu desenho todos os dias, um caderno novo acaba num piscar de olhos. Sobre a costura, desde que me mudei para este apartamento de 60m2 há 2 anos, não tenho lugar para deixar montado a minha máquina de costura, e nem tenho bancada para fazer os artesanatos que fazia. Percebi que dá muita preguiça ter que tirar a máquina de costura do guarda-roupa, abrir o box da cama de casal para tirar o pedal da máquina, as linhas, os tecidos, abrir espaço na mesa… aff. Então em breve, terei novas boas notícias a respeito disso… estou para modificar estar situação rsrs. Beijos.

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  13. Esses dias, numa assembleia religiosa que assisti online, entrevistaram uma mãe que cuida sozinha de dois filhos adolescentes. Ela mencionou que tiram um dia na semana ( normalmente aos domingos) para não mexer no celular. Um dia off line. Claro que para isso funcionar, ela precisa planejar atividades interessantes para os filhos, mas eles tem gostado e participado muito do processo. Achei interessante e quis compartilhar aqui.

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    • Sim, que legal. Aqui em casa, agora que as crianças conseguem assistir um filme, estamos fazendo a “sessão cinema na sexta-feira”. Sexta à noite, depois que todos chegam em casa, abrimos o sofá, escolhemos um filme, escolhemos algo que queremos comer, e podemos comer assistindo filme, elas adoram! E eu também. Acho muito saudável esse tipo de atividade, pois trará lembrança para a família. Beijos.

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  14. Preciso começar esse comentário enaltecendo a artista que habita em você e eu não sabia! Que incrível Yuka! Você desenha muito bem! Também amo desenhar e escrever (como você deve já ter percebido! Rs). Minha filha ama quando desenho na lousinha dela e ela tenta adivinhar o que é. Mas faz muito tempo que não desenho pra mim…

    Sobre esse post, me lembrei do meu dia ontem. Estava no consultório médico aguardando minha vez, que a propósito demorou muuuuuuito! Cerca de 1h30! Pois não havia feito agendamento prévio, apenas apareci lá. Eu mexi por 1h seguida no celular. Vasculhei Instagram, Facebook, YouTube… e já não havia mais nada novo há ser visto. Que tédio, meu Deus! Não levei livro. Nem caderno.

    Havia um quadro de recados gigantesco na parede. Fiquei lendo os informativos. Observando a decoração. Havia um brinquedo em cima do balcão da recepção. E nem era um consultório pediatra. Por que tinha um brinquedo lá? Brinquedo dentro da caixa. Era novo! Percebi que minha coluna estava doendo. Eu sempre sentei torta assim? Vi uma palavra no cartaz em japonês que não conhecia e fui pesquisar o que significava. Observei as roupas dos pacientes aguardando na sala. Japoneses realmente tem um estilo bem próprio. Senti um cheiro estranho, será que era meu? Contei quantas pessoas ainda tinham pra ser atendidas antes de chegar minha vez. E finalmente chegou a minha vez.

    A minha mente estava inquieta. Todos estavam no celular, eu também queria estar. Será que era FOMO? Mas não tinha mais nada de “novo” lá pra eu ver. Até porque sigo poucas pessoas nas redes sociais.

    Que difícil sair do barco, Yuka! Amando acompanhar sua jornada. Como sempre você me inspira. Espero logo conseguir pular fora do barco também. Mas confesso que tá difícil…

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    • Oi Tiemi, ri lendo seu comentário “enaltecendo a artista que habita em você” kkkkkkkk. Olha, eu consigo entender perfeitamente a sua mente inquieta, a vontade de pegar o celular, já que não está fazendo nada no consultório. É aí que entraria o livro para ler, ou até mesmo um caderno para desenhar (no meu caso, claro, você precisa descobrir o que funcionaria para você). Também faço meditação guiada em qualquer lugar, quando posso. Ajuda a aquietar a mente. É difícil, mas vá fazendo aos poucos, trará benefícios na sua vida. Um grande beijo.

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  15. Olá Yuka,

    Esse é um passo que eu preciso dar urgentemente. Acredito que esta síndrome está tirando meu sono, algo de mais precioso que temos e muitas vezes não damos valor.

    É aquela velha mania de darmos valor somente quando perdemos.

    Meu sono estava voltando ao normal justamente ao desacelerar, muito graças a minha filha que sempre acaba me tirando do celular e computador me levando para suas brincadeiras.

    Mas ultimamente voltei a utilizar o computador em demasia. Sabe, é aquela de “tenho que desenvolver projetos, melhorar isso, aquilo..”

    Logo uma receita perfeita para a síndrome do pensamento acelerado voltar a incomodar.

    Felizmente está mais claro o que tenho que fazer. Já desinstalei jogos do celular, e quando volto a instalar eles, me policio para que não ultrapassem um certo tempo de uso.

    Os livros também estão sendo fundamentais. Além da já citada filha, que só em casos extremos de cansaço nego brincar com ela.

    Uma coisa que tenho que destacar em seu texto, é sobre diminuir os excessos para aproveitar mais a simplicidade das coisas.

    As vezes eu brigo com a minha mulher por não aproveitar de forma mais simples alguns momentos sabe?

    Não gosto da excessiva tiração de fotos. As vezes tiramos tanta foto de um lugar, que acabamos não o sentindo.

    Abraço!

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    • Oi Investidor, da mesma forma que quando tomamos sorvete e depois chupamos uma laranja, a laranja tem sabor horrível, e não conseguimos sentir a doçura dela, também acredito que não conseguiríamos ver a beleza das coisas que acontece ao nosso redor, se somos estimulados em excesso. É como se subíssemos uma montanha para olhar toda aquela imensidão de paisagem e não achar nenhuma graça. Ou pior, tirar uma foto para mostrar na rede social e já querer descer logo da montanha. É isso que tem acontecido, e é isso que devemos evitar a todo custo. Beijos.

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  16. Faz um tempão que acompanho o blog gosto muito …também estou vivendo tentando diminuir este uso e não dou celular aos meus filhos …noto uma diferença enorme de comportamento comparado a crianças que usam muito o celular ….

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    • Oi Ana, tudo bem? Também percebo uma diferença enorme no comportamento da família. Como minhas filhas não têm acesso ao celular, precisam aprender a se comportar quando estão dentro de um ônibus, quando estão aguardando a comida no restaurante, quando estamos esperando o médico em um consultório, quando estão dentro do carro aguardando chegar em um determinado lugar. E olha que a minha filha mais velha é ansiosa, fico imaginando como a ansiedade dela seria muito pior se ela tivesse acesso a um celular nesta idade. Beijos.

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