Por que eu desisti de procurar pelo emprego perfeito

Desde que alcancei um determinado valor de patrimônio e de renda passiva, o dinheiro passou a não ser mais uma preocupação na minha vida.

Se antes eu estava com a ideia fixa para ser FIRE (Financial Independence Retire Early) para poder sair do emprego, hoje, a situação mudou.

Não que eu tenha paixão pelo que faço, mas sinceramente? Eu gosto do meu trabalho. Gosto de me arrumar para ir ao trabalho, de encontrar as pessoas, gosto das atividades que desempenho, gosto da forma que a minha equipe interage comigo, gosto de receber meu salário todos os meses, do local onde fica meu trabalho (bem localizado e de fácil acesso), gosto de ter a minha rotina bem estabelecida.

Quando eu ainda tinha uma meta financeira a ser alcançada, o dinheiro ocupava um lugar importante na minha vida. Eu gostava de fazer os fechamentos mensais, de calcular rendimentos, descobrir quanto de renda passiva estava recebendo, quanto tempo faltava para ser FIRE, além de acompanhar o desempenho da bolsa brasileira e americana.

Após a descoberta de que eu já tinha acumulado patrimônio suficiente, a vontade de sair do emprego começou a diminuir e comecei a enxergar todas as coisas positivas do meu trabalho. Não que eu já não soubesse das coisas positivas, mas com o tempo eu entendi que eu não estava mais trabalhando porque precisava, e sim porque eu queria. Não era mais obrigação, poderia sair a qualquer momento se assim eu desejasse. Trabalhar tinha se transformado em algo opcional, ou seja, eu estava no controle.

Foi aos poucos que eu entendi 2 coisas:

1.) Eu não preciso procurar por um emprego perfeito

Porque convenhamos, qualquer emprego que eu fosse escolher, sempre, sempre terei prós e contras.

A questão é quais prós eu quero, e quais contras eu aceito. No meu trabalho atual, eu tenho muito mais prós do que contras. Reconheço que qualquer outro emprego que eu procurasse, teria muito mais contras do que prós.

2.) Posso ter diversas habilidades e não preciso transformar um hobby em uma profissão

Eu já tive diversos hobbies que poderiam ser transformados em atividades remuneradas.

Desde educação financeira, reforma de imóveis, lettering, scrapbooking, jardinagem, cartonagem, confecção de bijuterias, sabonetes artesanais, lembranças de casamento e de maternidade, corte e costura, patchwork, edição de vídeos, sei fazer pequenos trabalhos de marcenaria, além de claro, desempenhar atividades da minha área de formação acadêmica… e olha que eu não contei nem metade das coisas que gosto de fazer.

O que eu percebi é que posso continuar fazendo tudo isso sem transformar em obrigação, sem transformar em trabalho. Posso costurar quando eu quiser, posso fazer bijuterias com minhas filhas, fazer pequenos móveis para mim, comprar um imóvel, reformar e vender, porque é isso, eu não preciso ser uma única pessoa, não preciso ter uma única paixão, nem uma única habilidade. Posso ter diversas paixões, em momentos distintos da minha vida.

Eu ainda tenho vontade de fazer um curso de cerâmica artesanal, aprender a técnica de soprar vidro, pintura em aquarela…

Então ao invés de focar no que eu não tenho, ou no que eu ainda não encontrei, ou o que as pessoas querem que eu encontre, eu estou focando no que está na minha frente. E na minha frente, eu tenho um trabalho agradável, uma família incrível que me admira e me acolhe, tenho um ateliê que me permite fazer (quase rs) tudo que eu quero. Eu crio coisas, porque isso faz bem para mim, faz bem para a minha saúde mental, é quando entro em flow (quando experimento uma sensação de plenitude, de satisfação e nem percebo o passar do tempo, nem o barulho externo).

Se eu transformasse meus hobbies em trabalho, ele se transformaria em obrigação. Este blog só funciona bem, porque não é obrigação para mim.

Ao invés de ir em busca de um emprego perfeito (que nem acredito que exista), eu preferi transformar o setor em que trabalho da qual sou responsável, em um local agradável, com pessoas que se importam com o bem-estar coletivo.

Assim, quero deixar bem delimitado que trabalho é trabalho, e hobby é hobby. Quero que muitas das atividades que faço atualmente por hobby, continue me oferecendo felicidade e leveza.

~ Yuka ~

28 Comments on “Por que eu desisti de procurar pelo emprego perfeito”

    • Oi Anon, eu sou concursada. Sobre largar o emprego, quando comecei a jornada FIRE, a intenção era pedir demissão. Foi só quando o dinheiro não era mais o principal motivo para ir trabalhar que percebi todas as coisas boas do meu trabalho, então hoje, não sairia do emprego. Beijos.

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    • A idéia central desse post é boa, mas vale comentar que o post é traduzido e nem tudo que lemos que tem origem em outros países se aplica muito no Brasil.
      Aqui há uma cultura muito própria de vida social no trabalho, diferente dos EUA e outros países.
      Mas ainda assim, concordo que as pessoas tem que procurar diminuir a pressão sobre si mesmo e o perfeccionismo, ainda mais quando se trabalha em ambientes medianos ou nivelados por baixo em questão de compromisso com o trabalho e eficiência.

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      • Verdade Anon, por isso a Independência Financeira é um marco muito importante, porque o dinheiro passa a não ser mais o motor principal para a engrenagem funcionar. E ao saber que mesmo saindo do emprego as contas serão pagas com a renda passiva, faz com que consigamos dar menos importância para ele. Beijos.

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    • Oi Renata, li o artigo e acho que o grande segredo é justamente esse, dar menos importância. A questão é que muitas vezes, só conseguimos dar menos importância, quando ele de fato, não é mais relevante para a sobrevivência. Enquanto o dinheiro que origina do trabalho for algo extremamente importante para pagar as contas do mês, não conseguimos dar menos importância. Pelo menos, comigo aconteceu isso. Eu só comecei a me divertir aqui no trabalho quando o dinheiro não era mais importante. Um beijo!

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  1. muito bom artigo, parabéns e obrigado por compartilhar isso.
    Desde muito cedo eu sabia que queria em relação a trabalho uma coisa que não fosse repetitiva e que pudesse ter ações criativas, baseado nisso já fui chargista de jornal, redator, radialista, designer e sou desenvolvedor de sistema
    além de jogar xadrez, desenhar quadrinhos, caricaturas , ser músico tenho projetos de ensino e aprendizado
    Minha grande indagação sempre foi: é melhor ser foda em uma coisa apenas ou ser mais ou menos em várias ?
    escolhi ter vários universos ( quase como o doutor estranho ) e obter dinheiro fazendo apenas as coisas que gosto
    🙂

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    • Oi Cliff, sobre a pergunta “melhor ser foda em uma coisa apenas ou ser mais ou menos em várias?”, acho que depende muito do perfil de cada um. Eu por exemplo, não consigo ser feliz fazendo uma única coisa. No meu trabalho, acabo não tendo grandes novidades, então eu compenso isso, me desenvolvendo em outras áreas. Sei fazer de tudo um pouco e me orgulho bastante disso. Já o meu marido é o meu oposto, ele se especializou em uma área e é muito feliz assim. Beijos.

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  2. Eu gosto de algumas coisas no meu trabalho, mas por outro lado não gosto de outras tantas…
    Sou servidor público e estou estagnado no cargo em que trabalho e não tenho perspectiva de mudanças significativas, nem quanto ao trabalho em si, nem quanto ao ambiente.
    5 hoje seria minha nota de satisfação com meu emprego. E só ainda atribuo esse 5 por conta de 2 ou 3 fatores, porque tem coisas que são nota zero.
    Já pensei e ainda penso em sair daqui, mas a realidade do mercado de trabalho da região onde moro me desencoraja, já pensei em empreender, mas ainda não fiz.
    Em resumo: Caí na “armadilha” do serviço público que é o fato de muitos servidores não estarem satisfeitos, mas continuarem em seus trabalho. Me considero um bom funcionário, procuro fazer as coisas da melhor forma, apesar de burocracias e pouca agilidade de colegas, fornecedores, parceiros comercial etc, enfim vários fatores que só tornam as coisas mais morosas.
    Nem culpo tanto o governo, porque vejo que é uma questão generalizada entre funcionários e outras empresas da iniciativa privada.
    Você parece ter função de gerencia, aparentemente sua equipe de trabalho é bom, se for já é uma grande coisa. Ter cargo de gerencia ou qualquer outro com subordinados no serviço público pode ser complicado, já que os subordinados muitas vezes não estão nem aí e se escoram na estabilidade de seus cargos.

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    • Poxa vida, mesma coisa por aqui… Acho que o pior do funcionalismo público são os colegas preguiçosos. Realmente não se trata de governo, parece ser uma questão cultural mesmo. É fogo tentar fazer o certo enquanto todos os outros remam contra. Mas olhando pro lado, especialmente com filho pequeno, é melhor ficar onde estou.

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      • Sou o anon 11:31
        Infelizmente muitos servidores fazem só o indispensável. Não ajudam os colegas quando necessário, são indiferentes ao que acontece ao redor.
        O Zap e o cafezinho pra muitos são muito mais interessantes que as ativiades relacionadas ao trabalho, aliás como é chato conversar com quem não tira a cara do celular…
        Como comentei, quem tem cargo de liderança no serviço público e pega uma equipe pronta tem que ter muita sorte, caso contrário é raiva e dor de cabeça na certa.

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        • Oi Anon, dificilmente pegamos uma equipe pronta, geralmente as pessoas chegam até mim em frangalhos, machucados, na defensiva. São irônicos, despeitados e desconfiados. Mas é com o tempo e muita paciência que eles voltam a confiar de novo, sentem-se respeitados, sentem-se acolhidos. Os laços começam a ser construídos e com isso as pessoas começam a cuidar um do outro. Mas vejo também o outro lado, vejo chefe desrespeitando e ainda há chefes fazendo assédio moral com seus funcionários.

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      • Oi Poupando Centavos, o funcionalismo público tem as vantagens e as desvantagens. Então a ideia é aproveitar todas as vantagens para compensar as desvantagens. Por exemplo, a desvantagem é que não tenho aumento salarial decente, nem plano de carreira por aqui. Mas a vantagem é que recebo um bom salário e ainda tenho estabilidade. Então eu compenso essa falta de aumento salarial investindo boa parte do meu salário. Beijos.

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    • Oi Anon, sim, tenho um cargo de diretoria, e aos poucos, a equipe se tornou muito boa. Se antes aqui era visto como um dos piores setores para trabalhar, hoje, se tornou um dos lugares mais cobiçados. E isso é algo de que me orgulho muito, pois como você escreveu, ter cargo de confiança no serviço público é complicado. Sobre estar estagnado no trabalho, eu te entendo, já que não há planos de carreira, aumentos substanciais de salário, etc. Eu tento compensar isso aprendendo coisas novas para mim. Não em relação a minha área de trabalho, mas em áreas que me interesso. Então eu mantenho as coisas metódicas para o meu trabalho e a uso a minha parte criativa em casa. Beijos.

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  3. Faz uns 3 anos ou mais que passei a gostar menos do meu trabalho, muita responsabilidade e comprimento que mesmo pagando bem(não o meu caso) não justificava. Porém resolvi tirar a prova real quando sai de um emprego após 9 anos para assumir outra vaga com ganhos 50% superior, então percebi que mais dinheiro não é a resposta. De um ano para cá, venho operando DT, nada que comprometa meus planos, mas também nada que os alavanque(ainda que com calma e prudência é possível) . Porém supondo que passasse a ganhar em 1 dia o que levo 1 mês , cheguei a uma conclusão similar a do seu post. Decidi trabalhar free lancer, e tomar mais as rédias do meu lado profissional, os ganhos melhoraram tem mais risco, mas confio nas minhas competências e evito dívidas. É uma jornada, não tenho ainda um patrimônio que me faça FIRE mas bem gerenciado tive ótimas conquistas desde 2015 .

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    • Oi Cleber, acho que é isso mesmo, nós somos jovens, com o cérebro a todo vapor, e não acho saudável largar emprego para fazer nada, porque o cérebro irá definhar. Para sair de um emprego e ir para o outro, no outro também irá surgir os mesmos problemas, terão os mesmos tipos de pessoas, as mesmas confusões. Por isso eu entendi que eu tenho um emprego muito bom, onde tenho liberdade para gerenciar pessoas e trabalhar da forma que quero e ainda ganhar dinheiro para isso. Beijos.

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  4. Excelente posto e melhores ainda são os comentários! Amo minha profissão, e acho o meu ambiente de trabalho razoável. Mas, como já disseram antes a falta de perspectiva dentro do serviço público desanima bastante. Sigo estudando, aprendendo outras habilidades! Não tenho patrimônio para ser uma FIRE, mas não viver endividada e ter um vida feliz e saudável pensando no futuro já tem me animado bastante.

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  5. Olá! Seu post me lembrou a questão da renda básica universal. Eu acredito que se não trabalhássemos apenas pra sobreviver, realizaríamos melhor nossas funções e até poderíamos ser mais desenvolvidos. Não tem emprego que motive quando as condições ao redor são ruins.

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    • Oi Andrea, nossa, verdade. Se não tivesse essa discrepância salarial, e se todos tivessem uma renda básica, as pessoas trabalhariam mais por prazer, e não por obrigação. Não acho que as pessoas ficariam em casa assistindo Netflix, pode até ser que faça nos primeiros meses, mas pouca gente aguentaria ficar sem fazer nada e acabaria procurando uma ocupação.

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      • a questão da renda básica universal chegou a ser debatida seriamente na Suiça e outros países mas, ela sempre empaca na questão dos serviços mais básicos, com uma renda garantida muita gente poderia se dedicar as artes, música e outras profissões no entanto muito poucas pessoas estariam dispostas a ser lixeiro, garçom ou outras funções que mesmo hoje são oferecidas para estrangeiros imigrantes com salários mais baixos
        A solução é um enigma até aqui

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        • Oi Cliff, verdade, não tinha pensado nisso. Será que aumentando o salário dos serviços básicos não seria uma das alternativas? Enfim, o caminho é longo e penoso, já que muitos poderosos têm interesses próprios na desigualdade social, mantendo boa parte da população pobre e ignorante.

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  6. É exatamente isso que penso, e é nesse nível que pretendo chegar: um ponto em que o trabalho deixa de ser obrigação, a aí a visão sobre ele inevitavelmente muda. Isso se chama liberdade.
    Obrigado por compartilhar e mostrar que isso é possível.

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    • Sim Alisson, já havia acontecido com meu marido há alguns anos, só não imaginei que iria acontecer comigo, porque eu estava com a ideia fixa de largar o emprego. Beijos.

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  7. Pingback: A Jornada FIRE e como acontece as mudanças na rota | Viver Sem Pressa

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