Filhos e dinheiro: como temos lidado

mesada

Aqui neste texto, eu vou dividir a questão de dinheiro vs filhos em 3 partes. A primeira é como estamos lidando atualmente, depois como pretendo lidar com a mesada e depois sobre herança.

COMO ESTAMOS LIDANDO ATUALMENTE

Quando eu estava grávida, o gerente do meu banco entrou em contato para conversarmos sobre abertura de um plano de previdência privada para a minha filha. Ouvi atentamente toda a explicação, e no fim, saí da agência com uma única certeza: de que eu deveria me preocupar mais com a minha aposentadoria, e não com o plano previdenciário da minha filha. Entendi que se abro um plano no nome das minhas filhas, e se por algum motivo eu realmente estiver precisando do dinheiro quando elas completarem 18 anos (posso estar desempregada, doente etc), eu não poderei usar este dinheiro – a não ser que elas concordem em abrir mão – já que o dinheiro estará no nome delas.

Eu tenho muito claro para mim que as minhas filhas terão todo o tempo do mundo para conquistar a própria independência. Quando elas tiverem os seus 37 anos, – idade que eu tenho hoje – eu terei 71 anos. E por isso mesmo, sei que preciso pensar na minha tranquilidade financeira.

Vejo muitos pais pagando mensalmente uma previdência privada para os filhos, mas não terem uma reserva de emergência para si. Claro que acreditamos que os filhos irão nos ajudar em caso de necessidade, mas não podemos, nem devemos contar com essa possibilidade. E se eles estiverem desempregados? E se eles estiverem em dificuldades?

Considerando isso, atualmente, eu faço 2 coisas com as minhas filhas:

1.) quando elas vão ao supermercado comigo, às vezes deixo elas escolherem algo para levar até um determinado valor. Se querem levar mais de 1 coisa, precisam escolher qual item quer levar mais. Assim, já vai aprendendo desde cedo que não se pode ter tudo na vida, que a vida são feitas de escolhas e principalmente, renúncias. Por muitas vezes, vi (com muito orgulho) a minha filha mais velha franzindo a testa, quebrando a cabeça para decidir o que iria levar: uma barra de chocolate ou um saquinho de pipoca. E é exatamente esse exercício que eu quero que ela faça: de fazer escolhas.

2.) Outra coisa que eu faço com elas é a “sexta-feira feliz”. Toda sexta-feira quando voltamos da creche, deixo elas escolherem alguma bobeirinha pra comer, pode ser pipoca, sorvete, pirulito, milho cozido, passar em uma loja de doces, ou no supermercado, o que elas preferirem. Isso tem feito com que elas aprendam a esperar, a ter paciência. Quando elas pedem para comprar algo na segunda, terça, quarta ou quinta-feira, eu explico que “hoje” ainda não é sexta-feira. E elas compreendem. Ou seja, como elas sabem que em um dia da semana poderão comprar o que têm vontade de comer, não fazem birra quando digo “não”. Se eu nunca deixasse comprar, ou melhor, se elas não soubessem quando seria a próxima vez que conseguiriam comer o que têm vontade, talvez fizessem birra. Outra coisa que eu costumo falar é que “eu não estou falando que você não pode comer pipoca, só estou dizendo que não compraremos pipoca hoje, mas podemos fazer pipoca em casa”. Quero que elas saibam que se não podemos comprar, podemos fazer, podemos criar, podemos inventar, podemos substituir…

Essa prática de fazer a “sexta-feira feliz” nos trouxe um outro benefício: a de entrar em lojas de brinquedos, sem que eu precise comprar algo. Sim, elas não fazem birra nas lojas de brinquedos, nem na loja de doces. Eu já expliquei que elas ganham presentes 3 vezes por ano: no aniversário, no dia das crianças e no Natal.

Elas entram nas lojas, olham, brincam, “anotam mentalmente” o que querem, e depois saem das lojas sem fazer birra, pois sabem que ainda não é o momento certo para ganhar brinquedos.

Às vezes dou algumas moedas para comprarem pirulito na doceria do bairro. Outro dia minha filha mais velha ficou triste, porque percebeu que quando se compra o pirulito, fica sem a moeda. Expliquei que é assim mesmo, trocamos o nosso dinheiro por comida, brinquedos…

COMO PRETENDO LIDAR COM A MESADA NO FUTURO

Como as minhas filhas são muito pequenas, elas ainda não ganham mesada. Já ouvi dizer que o valor é muito subjetivo para cada família. Ele não deve ser pouco a ponto da criança desanimar por demorar demais para conseguir poupar para comprar o que quer, mas também não pode ser muito a ponto de achar que dinheiro cresce em árvore.

Cada família precisa avaliar o valor ideal, considerando as necessidades da idade.

Considerado o valor, eu pretendo dar um pouco a mais, mas isso porque tenho o intuito de incentivar a poupar desde pequenas. No início, claro, a criança não vai entender o que está fazendo, mas pretendo orientar a guardar de 30 a 40% do que recebe de mesada. Aos poucos essa prática vai se tornando natural.

No início, pretendo falar algo do tipo: “se você não usar o seu dinheiro por 10 dias, você terá uma moeda no décimo primeiro dia”, o que iria sugerir as noções básicas dos juros compostos. Afinal, o dinheiro “brotaria” três vezes por mês.

Quando estiverem alfabetizadas, e sabendo noções básicas de matemática, pretendo abrir conta em corretoras independentes para auxiliar nos investimentos, não com o meu dinheiro, e sim, com o dinheiro economizado das suas mesadas.

Claro que terá outras iniciativas, por exemplo, se me ajudarem a economizar na conta de luz, metade do valor economizado irá para elas, ou algo parecido.

Se elas souberem desde cedo, o que eu só descobri depois dos 30 anos de idade, com dedicação e foco, conseguirão alcançar a independência financeira ainda jovens.

SOBRE HERANÇA

Outra coisa que eu tenho muito claro na minha cabeça, é a ordem de prioridades: se os pais estão bem, os filhos ficarão bem. Sabe aquela orientação que recebemos quando embarcamos em um avião? Coloquem as máscaras primeiro e somente depois nos filhos? É basicamente assim que eu penso.

Isso significa que enquanto muitas famílias pensam em deixar um imóvel ou uma herança no nome dos filhos, eu penso no meu marido, e ele em mim.

Tenho a consciência de que sou um caso à parte por pensar mais no marido do que nas filhas se eu vier a falecer. Isso acontece, porque eu confio plenamente no meu marido e também confio na integridade dele, como pai e principalmente como pessoa. Tenho certeza de que meu marido faria de tudo, até o impossível, para que nunca falte nada para as nossas filhas.

Quero ensiná-las desde cedo a compreenderem que o dinheiro que nós estamos juntando para a aposentadoria, é nosso dinheiro: da mãe e do pai. Não serão delas. E por isso mesmo elas precisarão também pensar no próprio futuro. Não quero que elas cresçam achando que podem contar com o nosso dinheiro, pois já vi pessoas brigando sobre herança de pais que nem doente estavam.

Na minha casa, dinheiro definitivamente não é um assunto tabu.

~ Yuka ~

 

 

 

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33 comentários em “Filhos e dinheiro: como temos lidado

  1. Yuka, texto maravilhoso! Todo domingo de manhã, eu espero ansiosa, pelos seus textos. Não tenho filhos, mas se tivesse, gostaria de criá-los da mesma forma que você faz. Seria tão mais fácil aprender desde pequenos a cuidar do dinheiro. Aproveitando, que corretora você indica para investir? Bjs

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    • Oi Tattiane, meu marido diz isso também, só espero que elas me ouçam kkkkk. Sobre a corretora, ela é bem particular, eu comecei pela Easynvest, e atualmente estou na XP. A Easynvest tem a plataforma extremamente amigável, talvez seja interessante começar por ela. Apesar de ter a XP, não acho ela tão intuitiva como a outra. Beijos.

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      • Oi Yuka, Eu também invisto na XP. Na minha cidade um rapaz montou um escritório aqui associado a XP, dai vou la conversar com ele qdo quero investir e me deu mais segurança devido a ter alguém com quem conversar… Mas estou mais no CDB e multimercado… a hora que tiver mais um bom valor quero me arriscar no tesouro direto…

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        • Oi Andrea, vou te contar um segredo rs…. o CDB e o multimercado são mais arriscados do que o Tesouro Direto. Tente pegar uns 100 reais e aplique no Tesouro Direto IPCA (sem os juros semestrais heim), com o ano de vencimento que mais agradar. Vai perceber que dará um passo importante. Um beijo.

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  2. Leio sempre seu blog, mas nunca comentei. Mas hoje preciso dizer: essa é uma das formas de amor mais verdadeiras que já vi – ensinar, com clareza e afeto, suas pequenas a serem responsáveis por si mesmas. Admiro muito sua atitude! Parabéns! 🙂

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    • Oi Iva, obrigada pelo seu primeiro comentário rs. Tenho feito o possível e o impossível para educa-las para o mundo. Não é fácil, tem dias difíceis, dias cansativos, mas a gente faz o possível, dentro da nossa realidade. Beijos e obrigada. 😍

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  3. Sou muito críticada por pensar assim.Meus pais eram muito pobres e sempre tive que ajudar em casa.Faleceram sem deixar bens.Se minha mãe não tivesse me ensinado o valor do dinheiro e a importância de ser independente hoje não sei como seria minha vida.
    Tenho certeza que suas meninas vão agradecer imensamente, como agradeço a minha mãe, por ter tido uma criação assim.
    Não conto com ajuda financeira de ninguém,economizo, faço investimento e planejo meu futuro financeiro.

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    • Oi Marcela, o fato da sua mãe ter despertado essa consciência em você, sobre a importância de ser independente já foi um grande passo. Na época dos nossos pais não existia internet. A melhor coisa que fazemos é isso que você comentou “economizo, faço investimento e planejo meu futuro financeiro”. Beijos.

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  4. Boa noite, Yuka
    Texto espetacular! Eu acredito ter criado meus filhos muito bem mas, lendo o texto, acredito que poderia ter feito umas coisinhas a mais. Mandei para eles, para as noras e uma sobrinha. Eles não tem filhos ainda, mas adoraram seu texto. Parabéns!
    Cláudia

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    • Oi Claudia, tudo bem? Obrigada pelo comentário 😊, me senti muito lisonjeada. Eu e meu marido conversamos muito sobre a criação das crianças. Não é tarefa fácil, principalmente quando já chegamos do trabalho cansados. Mas a gente tem feito o que está ao nosso alcance. Um beijo pra você.

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  5. Olá, Yuka!

    “Na minha casa, dinheiro definitivamente não é um assunto tabu” – que lição maravilhosa. Exatamente como fala Robert Kiyosaki. Pra mim, se a criança não aprender dos pais sobre o dinheiro, vai aprender de quem? Dos gerentes de banco, provedores de cartão de crédito e piores. Infelizmente, em muitas casas nem mesmo os pais conhecem a educação financeira, então são todos crianças, financeiramente falando.

    Eu resolvi “por” o assunto do dinheiro à mesa junto com a comida na janta após começar a estudar a educação financeira, e falar sobre o dinheiro com a minha mulher. No começo, ela não comprava muito a idéia, mas vejo que hoje muitas vezes é ela que começa o assunto. Esta mudança de mindset foi crucial, e cada vez mais estudamos sobre o assunto.

    Quanto a idéia dos juros sob a mesada, lembro que o Mr Money Mustache uma vez falou num podcast que mantia a conta do filho num “Daddy Bank,” uma planilha de depósitos que rendia 10% ao ano, pra ensinar como funciona na vida real. Interessante, né?

    Abraços e seguimos em frente!

    Pinguim Investidor
    https://pinguiminvestidor.home.blog

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    • Oi Pinguim. Você fez muito bem em incluir o assunto sobre educação financeira no seu jantar. Hoje percebo que isso é crucial se queremos manter um casamento saudável. Precisamos do apoio do marido/esposa, precisamos estar no mesmo barco. Eu já comentei com o meu marido que se ele não tivesse mudado a cabeça dele, daqui a alguns anos iríamos nos separar, porque quando menos percebesse, eu teria me tornado a pessoa que ele mais odiava no mundo: um rico. E eu não iria suportar o olhar de desprezo dele, por uma coisa que eu tenho muito orgulho. Sore o MMM, adorei saber sobre o “Daddy Bank” kkkk. Com certeza vou fazer algo parecido. Beijos.

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      • É verdade, Yuka.

        É sutillmente que se começa o preconceito, as crenças limitantes e um mindset ruim que não leva o indivíduo a lugar algum.

        É na companhia que nos realmente completamos como seres humanos, e senão a pessoa mais próxima de você, quem mais estará sempre lá para te apoiar? Eu passei muito tempo sozinho anteriormente, e posso confirmar uma coisa: com apoio, tudo fica melhor.

        Que bom que gostou, infelizmente não tenho o link do post, porque era um dos inúmeros podcasts que tinha ouvido.

        Abraços e seguimos em frente!

        Pinguim Investidor

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  6. Em primeiro lugar, parabéns pelas iniciativas.
    E parece até que estou lendo sobre a minha casa, rsrsrs. Eu também tenho duas meninas e também coloco algumas regras, muitas delas iguais às suas. A minha filha mais velha tem 9 anos e esse ano a escola inseriu o conteúdo Matemática Financeira. Estou adorando, porque ela mesmo está vendo que antes das coisas terem preço, elas precisam ter valor, principalmente para ela. Eu e minha esposa tentamos a todo momento mostrar para elas que quando elas decidem por algo, mesmo que seja um brinquedo de pequeno valor, elas deixam outras coisas para trás. Tentamos fazer isso da maneira mais natural possível. E estamos vendo que essa atitude frente ao dinheiro se torna natural. Hoje em dia nem precisamos mais falar tanto sobre o preço das coisas, ou falar ‘não’ muitas vezes.
    Sobre a herança, novamente eu concordo com você. Eu sempre digo a elas: “O seu avô não me deixou nenhum bem material, como carro ou casa, mas me deu coisas muito mais importantes, como educação, saúde e valores. Essas coisas são as únicas que eu carregarei comigo para o resto da vida. E são essas coisas que eu pretendo deixar de herança para vocês.”
    Novamente parabéns, Yuka!
    Aprendo muito com seus textos.
    Abraço

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    • Oi Gabriel, é uma delicia ter duas meninas em casa, né? Sou apaixonada por elas. Que fantástico saber que sua filha tem Matemática Financeira. Isso é incrível, dar noções básicas sobre finanças para crianças, uma pena que a maioria de nós não tivemos isso. Eu só aprendi a diferença entre preço e valor com muito custo, depois de muita porrada, depois de muitas compras e escolhas erradas. Se nossas crianças puderem aprender isso desde cedo, a fazer escolhas acertadas, tenho certeza que suas vidas serão mais fáceis. Um beijo pra você e para as suas meninas.

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  7. Eu não tenho filhos então não tenho essas experiências, mas lembro que meu avô abriu uma poupança para os quatro netos dele quando éramos bem pequenos. Durante toda a infância tínhamos conhecimento da existência dessa conta e tanto eu quanto meu irmão procurávamos economizar o pouco dinheiro que ganhávamos para, de tempos em tempos, fazer depósitos na nossa poupança. Lembro bem da gente indo na agência da Caixa preencher o envelope para fazer o depósito. Na adolescência, minha avó dava mesada para os quatro netos também e eu sempre procurava economizar para engordar a poupança. Era muito satisfatório tirar o saldo de tempos em tempos e ver o dinheiro aumentando. Acho que isso contribuiu muito para que eu desde cedo pensasse em poupar para o futuro. Esse dinheiro só foi usado de fato, e apenas uma pequena parte, quando fui morar em outra cidade para fazer mestrado. A maior parte continua até hoje rendendo frutos, hoje melhor aplicado claro, pois não tenho mais a poupança há anos.

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    • Oi Adriana, que lindo sua história… muito legal também da sua parte ter tido essa consciência desde nova de gastar apenas para coisas importantes. Minha mãe tentou fazer algo parecido comigo e com as minhas irmãs, abrindo uma poupança na Nossa Caixa Nosso Banco e depositando um valor inicial de 300 reais. Isso há anos atrás era muito dinheiro. Eu gastei em livros (o que de todo não foi ruim, afinal, acabei virando bibliotecária hahaha) e diversos aquários com peixes. Minha mãe ficou triste, porque não consegui entender o objetivo do ato dela, mas enfim, antes tarde do que nunca, né? rsrs Um beijo.

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  8. Nossa Yuka, muito legal! E além do que a gente ensina e tenta ensinar, as crianças também aprendem muito nos observando né? Sempre penso nisso e tento melhorar o que posso, para ser um exemplo positivo para minha fllha.
    Sobre as atitudes em si, aqui em casa também praticamos muito esta questão da escolha. Há umas duas semanas fomos no shopping e minha filha queria de qualquer jeito ir naqueles brinquedos (pula-pula, etc..), que custava 20,00 para 15 min. Explicamos que poderia brincar se quisesse mesmo, mas que não faríamos um lanche no shopping, porque não daria para fazer os dois. Ela pensou, pensou e escolheu o lanche. E depois, enquanto comíamos, ainda nos disse “É melhor o lanche”, ainda estava refletindo sobre a escolha.
    Desde pequena, nós vendemos roupas, calçados e acessórios dela que não servem mais (claro que também doamos) e ela aprendeu a não ter apego por coisas que não têm mais utilidade. Ano passado estava calçando um tênis nela já bem surradinho e comentei que estava na hora de comprar um tênis novo, e achei muito bonitinho ela comentar “Esse aqui vai ficar para outro amigo?”.
    Doces por aqui só “no dia que não tem escola”, assim também vai aprendendo a esperar 🙂
    Esses dias comentou comigo que nem precisava de mais presentes no próximo natal “porque eu já tenho muita coisa” 🙂 Às vezes me preocupo se não exageramos, mas acho importante que aprenda que o dinheiro tem valor e que ele é recebido em troca de outro bem tão valioso que é nosso tempo.
    Adorei seu post ❤

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    • Oi Bruna. Achei tão lindo sua filha ter falado “É melhor o lanche”, sinal de que ela ainda estava pensando na decisão que havia tomado, e que sim, tinha sido a melhor decisão, saboreando o lanchinho hahaha. Lindo demais. Quando tiver oportunidades, vou fazer o mesmo. Sobre a sua preocupação em exagerar, acho que não precisamos nos preocupar, tenho certeza de que mimamos na medida certa. Aposto que da mesma forma que para mim, nossas filhas têm muito mais brinquedos do que nós tínhamos, muito mais roupas novas do que nós ganhávamos. E sim, crescemos saudáveis, felizes, sem ressentimentos. Não me preocupo com a escassez (dando suas devidas proporções, claro), mas me preocupo bastante com os excessos. Excesso de televisão, excesso de brinquedos, excessos de vontades atendidas, etc. E isso tenho certeza de que tanto você como eu estamos de olho rs. Beijos.

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  9. Oi Yuka, voltei 🙂 Não sei se vc já conhece, um livro que li quando ainda nem era mãe e gostei muito foi o “Smart Money, smart kids”, escrito pelo Dave Ramsey com a filha dele.
    Se não leu ainda, fica a indicação 🙂

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  10. Aaaah Yuka que vontade de te colocar num potinho e guardar! Que fofura na hora de lidar com um assunto sério como o dinheiro! Estou encantada, por favor, me adota! Kkkkkkkkkk

    Brincadeiras à parte, estou encantada com a sexta-feira feliz! Imagino o quanto suas meninas esperam ansiosas por esse dia! Como vc sabe, não tive nenhum preparo financeiro na infância, mesmo meu pai sendo contador e um ótimo administrador da casa. Infelizmente ele deixava a parte da minha “educação” pra minha mãe. E ela, coitada, como alguém que já passou muita necessidade na vida, nunca soube diferenciar o querer do precisar. Então, devido nossas boas condições financeiras, ela nunca quis me privar ou negar coisas. Até hoje tenho dificuldades em ouvir não.
    Lembro-me que quando íamos no mercado, ela dava uma cesta pra mim e me deixava no corredor de doces e salgadinhos pra escolher o que quisesse. Essa era uma forma de me entreter (enquanto ela passeava por outros corredores) e tbm de me ensinar a ser “independente”. Eu tinha uns 4, 5 anos…

    Já na adolescência, eu ganhava ¥10.000 por final de semana. Eu tinha só 14 anos! Hoje me dou conta da quantidade! É muito dinheiro pra um adolescente! E esse dinheiro era só pra passeio com os amigos. Roupas e objetos de desejos, meus pais que compravam. Lembro que fiz um mega drama aos 14 anos por conta de um IPod! Meu pai, mesmo contrariado e sob pressão da minha mãe, acabou cedendo e comprando, mesmo sem poder! Mas ele escondeu dentro de uma caixa de bombom e me deu de Natal. Pensa minha cara de frustração quando ganhei? E ele disse: “Tiemi, hoje eu posso te dar, amanhã eu não sei… por isso vc precisa aprender que nem tudo acontece na hora que vc quer”.

    Nunca me esqueci desse dia. Senti culpa por meu pai ter trabalhado tanto pra conseguir me dar o iPod. Hoje, trabalhando e ganhando meu próprio dinheiro, entendo pq ele nunca estava em casa. Ele sempre precisou trabalhar muito pra manter nossos luxos. Fico pensando que talvez o casamento deles nem tivesse acabado, se tivessem priorizado o que era realmente importante.

    Enfim, espero poder ensinar tudo diferente pra minha filha. Que ela possa saber o valor do dinheiro e desenvolver a paciência. Coisas que eu nunca soube.

    Acabei de comentar com meu marido sobre a sexta-feira e sobre a “escolha no mercado”. Imagino que as vezes vc deva ficar com dó, pois tem condições de levar tudo que elas querem… mas é muito importante essa consistência no ensinamento, pois fará muita diferença no futuro delas. Como sempre vc me inspira! Beijão

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    • Oi Tiemi, se gostou da sexta-feira feliz, vai gostar de um post que estou preparando rsrsrs. Tem várias semanas felizes em casa, você vai ver logo logo. Minhas filhas adoram a sexta-feira… sabem que é o dia da farra, comer do jeito do papai (é comer assistindo desenho rsrs), dormir um pouco mais tarde, elas adoram. A minha filha mais velha, quando sabe que é sexta-feira, começa a balançar os braços e cantar “hoje é kinyoubi, hoje é kinyoubi” tem que ver a alegria da pessoinha. Sobre o casamento dos seus pais, não deve ter sido fácil para eles. Eles queriam te agradar, fazer suas vontades, ver você sorrir. Infelizmente o preço disso é o tempo que ficaram fora de casa. Meu marido, já teve algumas oportunidades para trabalhar em outra cidade, e nós abrimos mão de todas as oportunidades, porque entendemos que precisamos estar todos os dias juntos, que ele precisa jantar em casa, dormir em casa, dividir as tarefas de casa, estar presente. Isso é melhor do que dinheiro. Sua filha vai aprender sim, porque você já tem essa consciência da mudança. Eu mesma, tem coisas que faço como a minha mãe, mas tem coisas que faço diferente. Sobre o supermercado, tem dias que ela vai comigo e antes de entrar, eu já combino que “hoje não vou comprar nada supérfluo, só vou comprar coisas que realmente estou precisando”. Ela entende (às vezes não rsrs) e fica perguntando se estou precisando de suco, de iogurte, de pipoca, etc. Mas vou te falar uma coisa. No início era mais difícil ela entender, ela não sabia explicar o que estava sentindo, mas a cada dia tem se tornado mais fácil. Eu faço tudo o que faço (de não dar tudo para elas), porque eu não quero tirar delas o sentimento de conquista. Acredito que eu não tenho esse direito. Quero que elas ralem, se esforcem, lutem e conquistem seu espaço. Quero que elas tenham orgulho do próprio esforço, da mesma forma que eu tenho orgulho da minha história (que não foi fácil). Eu sou do jeito que sou por tudo o que não tive, por tudo o que eu tive que correr atrás, por todos os nãos que eu levei.
      Tiemi, vou te passar uns vídeo de um psicólogo sobre filhos. Acho que vai gostar.



      Beijos!!!

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  11. Sobre a educação dos filhos também penso da mesma forma. Fui a um banco esses tempos atrás e o gerente isistiu tanto pra vender a previdência privada, ficou até tenso: ele falava assim: e se vc tiver um câncer? e se vc morrer? como sou um pouco sarcástica eu levante a mão pro alto e disse: nossa, agora é ameaça de morte de não ficar com a previdência? Pretendo cria-lo sem achar que ele tem que esperar herança pra ter alguma coisa na vida. Eu com 23 anos comprei meu primeiro apto, financiado, pq na época fui nas ideias dos meus pais. Imagina se fico esperando meus pais falecerem pra ter direito a casa ( Se Deus quiser vão passar dos cem anos, dai já estarei com 80!!!)

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    • Eita Andrea, esse gerente estava desesperado para atingir a meta mensal dele, credo… Sobre a previdência privada, o próprio banco investe a maior parte desse dinheiro no Tesouro Direto… seria mais inteligente a gente mesmo investir direto no Tesouro Direto, sem precisar pagar para os atravessadores, né? Beijos.

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  12. Olá, Yuka. Tenho me sentido motivada a poupar lendo seus textos. Por favor, poderia indicar tipos de aplicações, de que forma tem feito ou algum post que tenha feito à respeito? amo seus textos. gratidão! um abraço,

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    • Oi Josi, que bom que está se animando para poupar dinheiro. Isso é muito importante para que não dependamos de ninguém no futuro. Se puder, leia os textos do Leandro Ávila, do Clube dos Poupadores. Ele tem uma didática muito boa e não tem ligação com nenhuma corretora, nenhum banco, nenhuma empresa. Vou deixar o link aqui, tá? Beijos. https://www.clubedospoupadores.com/

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  13. Yuka! Leio teus textos todos os domingos. Nesta semana, em especial, precisei de uma semana para “digerir” tudo que havia lido e analisar os comentários. Acho que isso é o mais legal do teu blog, ele realmente nos faz pensar e questionar a forma em que vivemos, Eu já me considero minimalista há tempos(mesmo antes de conhecer o viversempressa), mas aqui a sensação é diferente. Ele não abarca somente aquela velha máxima de temos que viver com pouco e ponto final, sem analisar as variantes da vida de cada um. Cada vez tu me surpreendes mais.
    Lembro que as primeiras vezes que te vi escrevendo sobre finanças, virei os olhos. Tu continuaste escrevendo sobre o tema. E eu continuei lendo. Gostei tanto dos textos que mudei de opinião a respeito da importância de saber como investir. Percebi que a primeira parte (economizar) eu sabia fazer bem, mas quando chega a parte de investir e fazer este dinheiro render é realmente um caos. Vejo que muita gente te questiona sobre como investir e eu gostaria de reiterar tal pedido.
    Beijos.

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    • Oi Luana, tudo bem? Fiquei feliz com seu comentário. E também compreendi quando você revirou os olhos quando passei a escrever sobre finanças rsrs. É que realmente está na moda falar sobre dinheiro, já percebeu? Todo mundo fala sobre isso, sobre aposentadoria, sobre investimentos… parece até aquele sorvete paleta mexicana. Fico imaginando que daqui a pouco a moda passa e começarão a falar sobre outro assunto, da mesma forma que as paletas mexicanas sumiram. Descobrir como investir foi um mundo que se abriu para mim. Quando vejo alguns posts antigos do meu blog, vejo como os assuntos vão mudando. Antes falava bastante sobre artesanato, sobre destralhamento, depois passei a ter mais consciência política, direitos humanos, depois foi a maternidade e atualmente estou na fase dos investimentos (que eu às vezes tenho a impressão de que nunca deixarei de falar, pois descobri que tenho paixão sobre esse assunto) e da alimentação saudável. Outro dia mandei um e-mail para uma leitora e estava justamente falando sobre a importância de saber investir, e não apenas economizar. Num exemplo bem grosso, se a pessoa não tiver pressa, dá para juntar mais de 1 milhão de reais em um período de 20 anos, sendo que R$740.000 seriam juros compostos… ou seja, o dinheiro do trabalho seriam “apenas” os R$285.000. Quem em sã consciência jogaria no lixo R$740.000? Pois bem, quem não sabe investir, está jogando dinheiro dos juros compostos no lixo. E depois que eu aprendi sobre isso, eu faço meu dinheiro trabalhar para mim. Se você já economiza, já está a mil passos a frente da pessoa que não sabe economizar. Tenho um amigo que ensinei a investir que eu sempre digo que o mais importante é estar no trilho certo. Antes, eu estava no trilho errado. Então por mais que o meu trem andasse, corresse, acelerasse, eu estava indo sempre sentido errado, da pobreza, estava sendo enganada pelas pessoas. A partir do momento que eu aprendi a estar no trilho certo, compreendi que a velocidade eu controlo. Posso andar mais rápido (acelerando através dos meus aportes mensais, tentando melhorar a minha renda etc) ou andar mais devagar (diminuindo os aportes mensais para realizar algum sonho meu de curto prazo). Mas uma coisa eu tenho certeza: que é uma questão de tempo eu alcançar a minha independência financeira. Já faz um tempo que as pessoas têm pedido mesmo sobre como investir. Parece simples de responder, mas é meio complexo por causa da realidade de cada um. Vou tentar fazer um post sobre o caminho que trilhei, talvez se a pessoa fizer um checklist e fizer passo por passo, dê pra entender e começar a investir aos poucos. Um beijo pra você.

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  14. Pingback: Crie rotinas que tornam a sua vida melhor – Viver sem pressa

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