Coisas que eu comecei a gastar mais depois do minimalismo

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Apesar do minimalismo ser visto por muitas pessoas de que é apenas viver com menos posses, posso garantir que ele é como um iceberg, só enxergamos uma pequena parte, sendo que toda parte submersa é adquirida conforme entendemos o minimalismo com mais profundidade.

Eu, depois que adotei o minimalismo como um princípio de vida, aprendi a gastar menos em coisas que não tinha valor para mim e passei a gastar muito mais em outros itens que irei compartilharei a seguir.

O minimalismo não é sobre viver com miséria e economizar a qualquer custo. É sobre se conhecer, gastar dinheiro em coisas que tenham real significado na vida de cada um. É sobre reduzir excessos de coisas desnecessárias para justamente focar nas coisas que são importantes.

O dinheiro não gasto, faz com que sempre tenhamos dinheiro disponível para gastar em coisas que são importantes para nós. Fora todo o resto que vem junto, como qualidade nas escolhas, redução do estresse, mais tempo disponível, mais auto-conhecimento, foco nas coisas essenciais, mais disposição física e mental. Ou seja, a vida vai ficando cada vez menos complicada.

Todo o dinheiro que economizei ao longo destes anos fazendo escolhas conscientes, me permitem hoje, gastar em coisas que acho importante para mim e para a minha família.

Comprar as coisas que eu realmente quero

Antes do minimalismo, eu costumava olhar as coisas que comprava pelo preço. Depois que entendi que quando comprava o que eu realmente estava querendo, me sentia tão satisfeita que não precisava comprar outras coisas para me sentir feliz, passei a ter um outro olhar sobre as coisas que eu realmente queria.

Costumo fazer a escolha de traz para frente, ou seja, primeiro escolho o que eu quero, e depois me viro com o preço. Posso dar como exemplo o carro que eu comprei para ficar mais fácil o entendimento. Primeiro eu defini o que eu queria em um carro… no meu caso era segurança, espaço confortável para 4 pessoas, um espaço generoso no porta-malas e um carro que desse pouca manutenção. Descobri que os carros japoneses são robustos e quebram pouco. A frase “se todos os carros do mundo fossem japoneses, os mecânicos estariam falidos” me fez decidir por um. Bom, agora era a hora de definir os modelos que eu não queria. Não queria os carros tipo sedan, picape, SUV, pois sempre gostei de carros mais compactos. Eu acabei me apaixonando pelo Honda Fit, um carro japonês, compacto por fora, mas espaçoso por dentro, tem um dos porta-malas mais espaçoso dentro da categoria hatch. Só depois de ter definido o modelo, eu vejo o valor que estou disposta a dar em um carro, ou seja, decido pelo ano do carro que irei comprar.

A escolha de um apartamento também acontece da mesma forma. Primeiro escolho o bairro que quero morar, depois a rua que quero morar, e por fim, fico acompanhando os sites de imobiliária semanalmente até encontrar um apartamento exatamente na rua que quero morar e no preço que posso pagar.

Isso também serve para serviços. Já compartilhei aqui no blog que minha filha mais nova tem gagueira. A gagueira dela era tão severa, que por muitas vezes, ela desistia de falar por conta da dificuldade. Se uma palavra tinha 3 sílabas, ela gaguejava por muito tempo nas 3 sílabas. Era muito difícil conseguir falar uma frase concisa. Escolhemos uma fonoaudióloga muito boa, mas era mais cara que os demais profissionais. Poderia ter contratado uma mais em conta? Poderia. Mas isso nem passou pela nossa cabeça. Eu entendo que o orçamento familiar é como uma gangorra, gasta-se aqui, economiza-se ali. E foi exatamente isso que fizemos. Passamos a gastar na fono para a minha filha, e começamos a economizar nas outras coisas que não eram tão importantes para nós.

Viagem e Lazer

Uma das coisas que não vejo a hora de fazer, é viajar. Viagens são como alimentos para a nossa memória. Desde o início da pandemia, eu nunca mais viajei, nem mesmo para lugares próximos. A última viagem que eu fiz foi antes da pandemia, e pasmem, minhas filhas ainda lembram dessa viagem que fizemos há 2 anos.

Além disso, a pandemia tirou muitos dos lazeres que curtíamos, como cinema, restaurantes, conhecer lugares novos, mas enfim, estamos dando tempo ao tempo.

Produtos que aumentam o lazer para a família

Itens que podem aumentar a convivência familiar, nós não economizamos. Como um sofá grande, uma boa televisão, uma cama confortável, um jogo que a família toda consegue se divertir, itens de cozinha que traz alegria para a casa como as pizzas deliciosas que faço usando a Stone in Box, ou até mesmo o churrasco na Table Grill.

Álbum de fotos

Há tempos estava querendo fazer isso, e finalmente consegui montar um álbum de fotos durante as férias que tirei no meio do ano.

Eu lembro como eu adorava folhear os álbuns de fotos quando criança. E isso é algo que perdemos depois que as fotos se tornaram digitais. Como minhas filhas não têm acesso ao computador, eu sempre quis que elas também tivessem a oportunidade de folhear o álbum da nossa família.

Resolvi esse problema imprimindo álbuns anuais. Este ano, montei e imprimi 4 álbuns.

A minha intenção é todo final de ano, sentarmos os 4 no sofá para projetar na televisão todas as fotos que tiramos ao longo do ano, e selecionar de forma democrática as melhores 100 fotos para montar um álbum de fotos do ano que está para terminar.

Cursos e esportes

Minha mãe já havia me criado dessa forma. Apesar de não ter tido dinheiro para supérfluos, minha mãe sempre permitiu que fizéssemos diversos cursos. Fiz curso de inglês, de japonês, de natação, instrumentos musicais, até de datilografia (quem lembra?).

Livros

Não costumo economizar em livros. Compro livros como quem compra pipoca na rua. Mas tem um porém, eu não compro para ler depois, eu só compro no momento em que irei ler. A maioria dos livros comprados estão no formato kindle, e os que não possuem formato digital, compro livros físicos.

Roupas de qualidade

Já comprei muitas roupas em grandes lojas de departamento como Renner, C&A, Riachuelo, mas essas roupas não costumam durar muito. Gosto de comprar nessas lojas quando é algo temporário, alguma blusa para usar por um curto período de tempo. Mas quando é para montar o meu guarda-roupa, prefiro roupas de tecidos naturais, que tenham bom caimento, boa textura, boa costura.

Também sou adepta a comprar roupas em brechós, esses dias encontrei um modelo de uma saia que estava querendo há tempos, que não conseguia encontrar em nenhuma loja. A saia estava nova, inclusive com etiqueta, mas por 1/3 do preço. É muito bom ter essa opção de compra, principalmente quando as roupas que se escolhe são atemporais.

A qualidade das roupas foi algo que eu comecei a prestar atenção a partir de 2010, quando eu ainda passava muito frio no inverno, mas não sabia que era por causa das roupas que eu usava. Eu colocava 3, 4 camadas de roupas, 3 meias-calças e passava frio mesmo assim. Até que num intercâmbio que fiz para o Canadá, meu então namorado (atual marido) emprestou o casaco dele para eu passar o inverno em Vancouver (com neve!), e não passei frio. Como assim? Eu passava frio no inverno tropical do Brasil e não passei frio embaixo de neve no Canadá? Era a roupa.

Comida de verdade

Em 2019, quando fiz minha reeducação alimentar, eu li bastante sobre comida industrializada e doenças associadas. Desde então, temos reduzido a quantidade que ingerimos de comidas industrializadas, principalmente os óleos vegetais (de qualquer tipo, girassol, canola, soja etc), margarinas, molhos industrializados etc.

Damos preferência para azeite e manteiga, molhos caseiros, leite fresco, legumes e vegetais in natura, além de consumir ovos, carnes e peixes.

Tempo

Toda vez que invisto parte do meu salário em ativos financeiros que me geram renda, sei que estou comprando meu tempo de volta.

Eu adoro receber o salário do mês e “comprar” meu tempo de volta, é algo que realmente me dá prazer.

Como vocês puderam perceber, eu gosto de gastar bem o meu dinheiro. Mas para que a conta do mês feche com saldo positivo, sei que a lista das coisas que não compro é muito maior. E é justamente esse equilíbrio que me permite viver com qualidade de vida.

~ Yuka ~

22 Comments on “Coisas que eu comecei a gastar mais depois do minimalismo”

  1. Olá, Yuka! Gostei de saber o redirecionamento sábio do dinheiro. Porém, fiquei com uma curiosidade: quando você compra um livro físico, depois de lê-lo, você guarda ou dá outra destinação?

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    • Oi Etty, eu costumava levar num sebo perto de casa quando morava em São Paulo. Agora que mudei de casa, os livros estão na minha estante, mas é porque ainda não tive oportunidade de procurar sebos e bibliotecas municipais perto de casa para fazer a doação. Beijos.

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  2. Bom dia, Yuka! Também adoro comprar meu tempo de volta quando recebo meu salário investindo em ativos de valor. Aprecio a sua perspicácia para avaliar as situações e fazer escolhas inteligentes e ainda passar a dica para nós. Bom final de semana!

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    • Oi Márcia, meu marido falou que nunca conheceu ninguém como eu, que fica feliz quando chega uma conta pra pagar rsrs, mas no meu caso, não é o pagar em conta que me deixa feliz, mas sim, saber que depois de pagar todas as contas, poderei comprar ativos de valor kkkk. Beijos.

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  3. sempre gosto dos seus textos!
    “Eu colocava 3, 4 camadas de roupas, 3 meias-calças e passava frio mesmo assim.” Eu sou assim, que tipo de roupa é esse casaco? qual tecido? eu preciso achar algo assim…
    Também acho muito importante priorizar a qualidade nas coisas e serviços que compramos/ contratamos.. o velho ditado que o barato sai caro…
    E estudo tanto sobre investimentos, que hoje a maior parte da renda é proveniente de ações (valorização da cotação e dividendos, ok, ultimos meses estão dificeis, mas tem tanta ação barata no micro, tendo lucro e ganhando market share; o macro que está atrapalhando, mas isso vai passar, e muita coisa venho carregando desde 2015, algumas com muita valorização) e ultimamente de renda fixa (lca, lci, cdb) que voltou a ser razoavel.
    Na minha cabeça, investimentos são como uma torneira pingando dinheiro p vc, gerando renda sem vc fazer nada, acho que sou meio muquirana… kkkk

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    • Oi Grazziela, eu não sei qual o tecido do casaco. Na época quando eu fui pro Canadá, o casaco que meu marido tinha me emprestado era beeem grosso e pesado, comprado numa mega-promoção quando ele foi para a França. O que eu tenho percebido é que roupas européias são bem melhores do que as roupas que são vendidas no Brasil, não só roupas de inverno, mas as roupas de verão também, elas duram mais no meu guarda-roupa. Como faz tempo que não faço viagem internacional, tenho comprado minhas roupas nesses brechós online como Enjoei, Repassa e Troc, sempre avaliando se na etiqueta consta algo como Made in Spain, Made in Italy… Quando as roupas chegam em casa, sempre fico surpresa com a qualidade do acabamento. Também tenho essa mesma sensação que você, de que investimentos são como torneira pingando… ou até mesmo a vaca dando leite rsrs. Não se come a vaca, toma-se o leite. Ou seja, eu não vendo meus ativos, só acumulo cada vez mais. Um beijo.

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      • é verdade, aqui no brasil parece que não se prioriza muito qualidade, até os imoveis são mais frios no inverno, as janelas deixam passar vento, etc… mesmo no sul. já morei no RS na serra gaucha, e o apto era bem frio no inverno, mesmo fechando tudo e pondo cortinas.

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        • oi Yuka e Grazziela,

          As roupas que são vendidas aqui no Brasil para frio não são adequados para o frio do hemisfério norte. E o contrario também, os casacos bons para o frio deles são muito quentes para usar aqui, mesmo no sul do Brasil. Eu moro no sul, e um casaco que “funciona” na Europa dá para ser usado aqui poucos dias no inverno (basicamente quando está menos de 5o C, o que é raro). Então quando for comprar casaco para ir para lá no inverno tem que ver isso. Casacos esportivos, em lojas como Decathlon e Columbia, por ex, tem a indicação para qual o tipo de frio que aguentam. O importante é ser corta vento, se for impermeável é ótimo. Existem uns casacos tipo boneco michelin que são muito leves e quentes, embora não muito elegantes.
          O pessoal aqui no sul não se importa muito de passar frio dentro de casa, muita gente acha natural estar 15o C ou menos dentro de casa ou no trabalho. Eu sempre digo que nós passamos mais frio que os europeus, porque com o aquecimento que eles têm, a temperatura dentro de casa e nos ambientes internos em geral é sempre bem agradável. Aqui, até em restaurantes caros temos que ir entrouxados, porque é bem difícil ter aquecimento como lá. Eu odeio passar frio e calor, então acabo usando muito o ar condicionado, porque aqui faz um calorão no verão e frio no inverno.

          Abraço,

          Daniela

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          • Oi Daniela, sabe que nunca percebi isso que você falou, de que nas roupas tem indicação para qual tipo de frio… a próxima vez que passar na Decathlon, vou dar uma olhada pra ver como funciona isso, muito interessante. Aqui em casa, meu apartamento costuma não ser tão gelado, porque bate sol no inverno e no verão, mas no meu trabalho, passava um frio danado, até que comprei um aquecedor pequeno e portátil pra deixar na minha sala, ele fica esquentando as minhas pernas, é uma maravilha. Pena que nessa sexta-feira, ele desligou sozinho, acho que queimou… preciso dar uma olhada quando voltar ao trabalho na terça rsrs. Beijos.

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          • oi Daniela,
            Também nunca tinha reparado sobre os casacos esportivos com indicaçao do tipo de frio que são indicados, vou prestar atenção nisso.
            Nos filmes que se passam nos eua ou europa, dá p perceber que os ambientes internos são quentes mesmo com neve lá fora, os personagens não ficam encapotados…

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        • Sim verdade, eu passo mais frio aqui no Brasil do que quando viajo para o exterior, já que as casas no exterior possuem sistema de calefação, ônibus tem aquecedor, todos os locais são quentinhos. Se digo isso para algum gringo, soa até estranho, já que moramos num país tropical rsrs. Beijos.

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  4. Yuka, o Honda Fit é um ótimo carro sim, acho que o melhor que tem na verdade, mas ele vai parar de ser fabricado a partir do ano que vem junto com o Civic, tem que ver se vai ter mais gastos com seguro/peças depois.

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    • Oi Hrq, pois é, descobri isso depois que havia comprado um. Bom, de qualquer forma, pretendemos ficar com o carro durante uns bons anos, talvez a próxima aquisição poderá ser um Honda (de novo rs) HR-V. Mas eu não tenho olhos para outros carros por enquanto, estou amando o meu Fitizinho hehehe. Uma pena que aqui no Brasil não emplacou esse carros estilo van, no Japão, é sucesso total! Beijos.

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  5. Oi Yuka! Que saudade de comentar por aqui..! Adorei essas reflexões, tbem tenho feito algumas alterações, por exemplo, trocar o colégio da filhota por um mais em conta – que tem incentivo do governo, e indústria, o Sesi, assim consigo pagar aulas de violão e canto pra ela.

    Tbem já tive um Fit e me arrependo até hoje de ter vendido o carro, ele era 2008, hj tenho um Toyota 2010, que tbem é ótimo, mas arrependo pq na época que vendi o Fit foi para reformar uma casa que eu nem gostava… Enfim, muito importante mesmo a gente priorizar aquilo que aquece nosso coração!

    Essa questão de fotos é bem interessante mesmo, elas lembram nosso cérebro como “fomos felizes” e criam lembranças fortes das viagens e infância.

    Como sempre, vc acerta “em cheio”

    Bjs!!

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    • Oi Cinthia, logo depois que comprei o Fit, fiquei sabendo que ele deixará de ser produzido a partir deste ano. Que tristeza, me senti órfã, agora que eu me apaixonei por ele rsrsrs. O bom que ficarei com ele uns bons anos ainda. Olha, sobre o álbum de fotos, fiquei com muita preguiça de montar os primeiros álbuns, porque haja fotos no computador… mas vejo que foi muito bom para as minhas filhas, volta e meia vejo as duas folheando o álbum de fotos da família, e agora não vejo a hora de fechar o ano para escolhermos todos juntos as 100 melhores fotos do ano rsrs. Beijos!

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  6. Leio todos os seus posts. Fico feliz quando vem a notificação no e-mail. Obrigada por compartilhar. Você escreve de uma forma tão legal , que parece ser uma eu no universo paralelo me dando dicas kkkkk beijão!

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  7. Ei Yuka, tudo bem? Eu quase nunca comento por aqui, mas estou sempre lendo você (e gosto bastante dos seus textos e forma de ver a vida.)

    Amei essa proposta de “selecionar de forma democrática as melhores 100 fotos para montar um álbum”. Ainda não tenho uma família pra chamar de minha, mas com certeza posso fazer isso com minhas fotos. Minha auto retrospectiva.

    Quero agora compartilhar contigo uma técnica energética que pode auxiliar no tratamento de gagueira da sua filha. Não sei se você “acredita” em técnicas energéticas, eu como terapeuta integrativa amo todas elas kkkkk, mas respeito aqueles que não as entendem ou não gostam.
    Recentemente conheci o HTG – hexagrama terapia genética e estou encantada com a facilidade e a potência. Deixo aqui a sugestão. Pesquise no instagram a página para entender um pouco mais.

    Agradeço por você compartilhar conosco suas experiências. Bjs

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