Vou contar a minha experiência individual, então não considere isto como uma regra, são apenas devaneios pessoais.
Enquanto eu estava focada em FIRE (Financial Independence Retire Early), acumulando patrimônio, acreditava em uma linha de chegada, ou seja, conseguir alcançar um determinado valor de patrimônio.
Essa linha de chegada era como se fosse um grande divisor de águas, como se fosse o pico de uma montanha, o meu destino final, o fim de todos os problemas, o nirvana.
Eis que o patrimônio cresce e chego no valor que eu havia determinado, e aí descubro que depois da montanha… somente há mais montanhas.
A vida segue, as pessoas continuam ocupadas, cada um vivendo as alegrias e as dificuldades da vida.
Há os que confortavelmente vivem de renda. Há também os que decidem mudar de emprego. Alguns reduzem a jornada de trabalho, e outros, continuam trabalhando.
Se antes não via a hora de ser FIRE, hoje, a única coisa que desejo é que o tempo passe bem devagar, para que eu possa curtir a vida.
Passei a enxergar o trabalho de outra forma, vejo que trabalhar me faz bem.
Curtir a vida é aproveitar minhas filhas pequenas que amam estar comigo. Curtir meu casamento que é tão bom. Estar em companhia dos amigos. Curtir a vida sem sentir dores no corpo.
Isso só reafirma como o dinheiro não é e nem pode ser o centro da vida.
Ele deve ser a ferramenta que facilita, que traz conforto, segurança. Ele nos liberta de ambientes tóxicos, colegas tóxicos, de chefes assediadores (ou de subordinados assediadores), de sofrimento, de fazer algo que está contra os nossos princípios.
Acumular dinheiro faz com que alguns problemas desapareçam aos poucos… o medo de passar necessidade na aposentadoria, de não ter um atendimento decente no momento de alguma doença séria, o medo de ser demitido, de não ter comida na mesa, a situação política do país, o sobe e desce da economia, desemprego, inflação.
Ter dinheiro significa poder morar em um lugar mais seguro, ter tranquilidade para ter uma folga mental que faz querer viver mais tempo e com saúde. E viver mais tempo significa querer dormir melhor, melhorar a alimentação, pensar mais no bem estar, estreitar as amizades, fazer as pazes com o passado e ser saudável, já que a intenção é viver bem e por bastante tempo.
As dificuldades financeiras vão ficando para trás, e com isso alguns medos e ansiedade também vão sendo eliminados, o que faz com que consigamos focar em outras áreas da vida.
No meu caso, a independência financeira permitiu que eu parasse de ficar pensando no futuro e começasse a focar mais no presente.
O foco no presente veio também em momento oportuno, pois na pandemia, minha saúde mental deteriorou, afinal, ansiedade nada mais é do que ter excesso de futuro pelo que ainda não aconteceu, e excesso de pesadelos pelo que já aconteceu. É o medo de perder o controle.
Apesar de estar bem hoje, sei que preciso estar atenta para colocar a minha saúde em primeiro lugar.
Se antes eu justificava que precisava pensar no futuro devido a instabilidade financeira, hoje, não preciso mais ter essa preocupação, o que faz com que eu não tenha mais desculpas que eu dava para mim mesma.
Continuo gostando de economizar, afinal, não é porque não preciso pensar em dinheiro, que vou rasgar dinheiro, mas já não conto as moedas como gostava de contar antes, tanto em relação às quantias que sai (gastos) como não me importo mais com a quantia que entra (renda passiva).
Também comecei a gastar mais em lazer (livros, restaurantes, viagens etc), em conforto (carro, lava-louça, robô aspirador, etc), em saúde (plano de saúde melhor, natação, psicólogo, etc).
Parei de acompanhar o mercado financeiro, não sei mais as altas ou baixas da bolsa de valores, eu só junto tudo no início do mês (parte do meu salário e o que entra de renda passiva na conta da corretora) e invisto em algo de valor. É simples e monótono, assim como deve ser.
Só de parar de fazer esse acompanhamento mensal, já me deu uma boa desestressada, afinal, eu não preciso desse dinheiro investido hoje, não é o meu sustento ainda, então o que eu quero é que ele fique muito tempo adormecido para que os juros compostos faça o seu trabalho.
Só depois que a gente trilha um caminho, a gente consegue discernir melhor, olhar para trás e analisar o que faria de diferente, certo?
Agora que estou na fase mais tranquila financeiramente, eu tenho avaliado até que ponto a jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early) é saudável e construtiva, em um contexto em que muitos brasileiros não recebem um salário razoável a ponto de permitir aportes gordos de 40 a 70% da renda familiar.
A ideia deste post não é contestar FIRE, mas mostrar outros caminhos possíveis, sem precisar abrir mão do que é mais importante: o HOJE.
Sabe aquela viagem que você quer fazer com sua esposa, para estreitar a relação do casamento? Acho que deve ser feita.
Sabe aquele passeio que você tem certeza que seu filho vai amar e você também? Também acho que deve ser incluído como prioridade.
Sabe aquela viagem que seu amigo te chama há um tempão? Já passou da hora de ir.
Ou aquela academia que fica do lado da sua casa, que você morre de vontade de se inscrever, mas vai naquela bem longe, que é mais barata e aí você fica com preguiça de frequentar?
E se o preço para todas essas escolhas, for a aposentadoria aos 60 anos, 65 anos, tudo bem, pelo menos você vai ter a certeza de que viveu a vida por completo, sem arrependimento.
Afinal, de que adianta ser FIRE, se o casamento acabar, se o filho não tiver conexão com você, se não tiver mais amigos, se não tiver saúde? Isso se tiver a sorte de estar vivo, porque existe a real probabilidade de morrer no meio do caminho, sem ter vivido.
Hoje, eu acho que ao invés de buscar FIRE, as pessoas deveriam buscar ter uma boa reserva financeira.
O que estou querendo dizer é que não precisa ter 30 vezes o salário anual para ter uma vida boa, porque isso, sinceramente falando, é muito dinheiro, e sendo bem realista, impossível e inalcançável para a maioria dos brasileiros.
Ao invés de almejar FIRE, abrindo mão do que é mais importante hoje (cuidar da saúde, ter uma vida confortável, ter bons relacionamentos, se divertir com os amigos, ter boas experiências, viajar, passear, comprar algo que está precisando), talvez o melhor seja poupar para buscar o Coast FIRE, já que tudo isso que você está abrindo mão hoje, pode fazer muita, muita falta no futuro.
Para quem pode abrir mão de mais da metade do salário, sem afetar a sobrevivência e a qualidade de vida, que ótimo, esse foi o meu caso.
Eu tive meu momento eureka na fase certa, casei com uma pessoa muito econômica e que acreditou na minha ideia maluca de se aposentar cedo. Coincidentemente, já vivia abaixo do padrão de vida desde solteira, eu morava de aluguel, não tinha carro, minha primeira filha tinha acabado de nascer, ou seja, os gastos ainda estavam baixos.
Eu era minimalista, investidora, e não gastava dinheiro. Meu marido era um misto de frugal com muquirana. Juntos, éramos imbatíveis: éramos o Pinky (ele) e o Cérebro (eu) kkkk.
Somando tudo isso, a bolsa brasileira estava subindo, a renda fixa também, os imóveis também, enfim, foram vários fatores que colaboraram para alcançar um patrimônio bacana em 7 anos. Foi uma janela de oportunidade que agarramos com todas as forças.
Maaaaas se para você, entrar na jornada FIRE significa afetar a sobrevivência, ou seja, PIORAR a qualidade de vida, PIORAR a qualidade dos seus relacionamentos, não pense em FIRE, pense em ter uma boa reserva financeira, ou seja, Coast Fire.
Essa reserva financeira já te dará a segurança que precisa, já será capaz de segurar crises de 2 a 5 anos, já será suficiente para dar coragem para mudar de emprego, para pagar um curso para melhorar a posição no trabalho, talvez até mesmo para mudar de cidade ou país.
Essa reserva financeira, se colocada em bons investimentos, poderá dar um bom montante financeiro em 10 a 20 anos, conquistando até mesmo uma aposentadoria tranquila, graças ao poder dos juros compostos.
Eu mesma, achei que sairia do trabalho quando alcançasse um determinado valor de patrimônio, mas no final, cá estou eu, trabalhando todos os dias; e outra, o marido ainda passou em um concurso público. Ou seja, não precisaria ter acumulado tanto dinheiro assim.
A mesma coisa acontece com muita gente que alcançou um determinado valor de patrimônio, tirando algumas exceções de pessoas que param por completo, outras continuam trabalhando fazendo exatamente a mesma coisa, ou saem do trabalho, mas começam a trabalhar em outra atividade. Ou seja, pode ser que você também não precise acumular tanto dinheiro assim.
Há 2 anos, eu contei para elas que existia a “Caixa Mágica do Dinheiro”.
– “Essa Caixa Mágica faz brotar dinheiro. Coloco 1 moeda, e depois de um tempo, aparece outra moeda”.
Minhas filhas batiam palma, ficavam eufóricas. Para elas, era como se eu estivesse apresentando um show de mágica. Elas pediam para mostrar onde estava essa caixa e eu só dava risada, dizendo que no momento certo, apresentaria a caixa para elas. Fiz isso durante alguns anos, porque achava que elas ainda eram muito novas para lidarem com dinheiro. A intenção era só plantar uma sementinha na cabeça delas sobre os juros compostos.
Veja o que eu tinha escrito no 2º post sobre dinheiro:
“E se eu falar que se você colocar nesta caixa amarela, os seus 30 M&Ms continuarão sendo 30 M&Ms. Mas que se você colocar os seus M&Ms na caixa certa, deixar por um tempo sem comer, eles podem virar 60 M&Ms?”
Os olhos dela brilharam. E ainda perguntou:
“Onde mamãe? Qual é a caixa que eu tenho que guardar para que eu tenha mais chocolates?”
Pronto, o conceito dos juros compostos foi plantado nela.
Eu falei para ela que no momento certo, eu iria apresentar a caixa que faz isso.
Neste momento, é isso que tenho feito com as crianças.
Passados 2 anos, as meninas continuavam doidas para descobrir onde estava essa caixa mágica hahaha. De tempos em tempos, elas lembravam dessa conversa e me perguntavam sobre a caixa. Este ano, decidi comprar 2 pequenas caixas, uma para cada. Falei que a caixa verdadeira onde eu guardava meu dinheiro ficava em outro lugar, mas que eu explicaria o funcionamento da Caixa Mágica do Dinheiro utilizando aquelas caixinhas.
Expliquei que quanto mais velho o dinheiro fica, mais herdeiros eles tem, assim como acontece com os adultos: minhas filhas não tem nenhum filhos; já eu, tenho 2 filhas; minha mãe, além de filhas, tem genro, tem netos, etc.
– “Com o dinheiro, acontece a mesma coisa. A moedinha depois de um tempo, cresce, vira moedão e, que depois de um tempo, vira nota. E a nota, depois de um tempo, começa a gerar novas moedinhas e assim sucessivamente. Quanto mais notas velhas eu tiver, mais moedinhas nascem. E assim como acontece com as crianças, quanto mais dormem, mais crescem.”
Elas entenderam muito bem o conceito dos juros compostos desta forma.
Eu ainda não dou mesada, mas às vezes dou um dinheirinho, e acho legal que elas pedem para guardar na Caixa Mágica.
Engraçado que elas não pedem dinheiro para nós, pais. Elas se viram “fabricando” dinheiro. Na ânsia de querer colocar dinheiro na Caixa Mágica, as duas se juntaram para fazer pulseiras para vender na escola. E voltaram com uns 90 reais, vendendo 1 pulseira por 1 real. Até eu fiquei impressionada com a proatividade das duas.
Quando elas pedem pra abrir a caixa e olhar, eu coloco algumas moedas só para elas se animarem, e logo, já fecham, porque sabem que o dinheiro precisa descansar para multiplicar.
Também tenho ensinado as minhas filhas a gastarem bem, afinal, a vida não é feita só de poupar.
Esses dias, uma delas quis comprar uns cards do Pokémon. Ela ganhou alguns dos amigos, mas queria ter mais. Então sugeri usar o dinheiro que estava guardado. Mostrei as opções que achei mais vantajosas, e pedi para ela escolher. Ela foi eliminando um a um até sobrar 2 opções (método que ensinei para ela quando era bem criancinha), e no final, escolheu a opção que tinha uns cards especiais, ao invés de quantidade. Fiquei feliz dela ter ficado bastante satisfeita com a sua escolha.
Vou copiar aqui o trecho que escrevi no meu primeiro post sobre esse assunto: “quando elas vão ao supermercado comigo, às vezes deixo elas escolherem algo para levar até um determinado valor. Se querem levar mais de 1 coisa, precisam escolher qual item quer levar mais. Assim, já vai aprendendo desde cedo que não se pode ter tudo na vida, que a vida são feitas de escolhas e principalmente, renúncias. Por muitas vezes, vi (com muito orgulho) a minha filha mais velha franzindo a testa, quebrando a cabeça para decidir o que iria levar: uma barra de chocolate ou um saquinho de pipoca. E é exatamente esse exercício que eu quero que ela faça: de fazer escolhas.”
Eu percebo que esses pequenos exercícios do dia-a-dia que elas fazem desde que são muito pequenas, tem ajudado muito na hora de tomar as decisões hoje em dia.
Elas já entendem que nem sempre o mais caro é o melhor, nem que o mais barato é o melhor, que é preciso avaliar caso a caso.
Meu marido costuma fazer algumas compras erradas e ele acaba sendo o exemplo do que não fazer rsrs.
Ele comprou um fone bluetooth barato, deixou cair no chão e quebrou no mesmo dia, e olha que eu falei para ele comprar o melhor que existe no mercado, principalmente, porque música é algo muito importante para ele.
Também comprou uma sapatilha para bicicleta da China, e durou apenas 1 ano… Achou que durou muito? Que nada, a outra que ele tinha de uma marca muito boa, durou 8 anos.
Descobri recentemente que ele tinha comprou um relógio esportivo baratinho, e adivinhem? O relógio parecia de brinquedo.
A gente dá risada em casa, e meu marido também, e aproveitamos para utilizar essas situações como exemplo para as nossas filhas, que aprendem na prática de que forma podemos gastar bem o nosso dinheiro, sem aquele ar de seriedade.
Aqui em casa, desde que as crianças nasceram, eu criei o que chamo de Método Compasso na hora de viajar.
Antes de engravidar, eu e o marido fizemos diversas viagens nacionais e internacionais, mas depois que a minha primeira filha nasceu, eu estava exausta, e só queria descansar.
Logo depois, minha segunda filha nasceu, o cansaço físico e as noites mal dormidas continuaram.
Eu até queria viajar, mas não queria pegar longas estradas, viajar de avião, não queria conhecer cidades novas, só queria me hospedar em um hotel com uma boa cama e um bom chuveiro para descansar. Procurei um hotel relativamente pequeno, perto de São Paulo, que tinha uma piscina aquecida bem gostosa e percebi como aquela viagem havia feito bem para mim, e também para as minhas filhas. Elas eram pequena, então não precisavam de um lugar grande. Um hotel com um jardim bem cuidado e um pequeno playground foi mais do que suficiente.
Tem até um post que eu escrevi sobre esse tipo de hotel aqui.
Foi bem nesse período que eu comecei a avaliar que não compensava levar as minhas filhas, ainda bebês, em resorts (com piscinas gigantes, animadores infantis, passeio a cavalo, arvorismo etc), já que elas não tinham idade para aproveitar ao máximo o que era (muito bem) cobrado pelos hotéis.
Para explicar para o marido qual critério eu achava bacana para viajar com as crianças, eu usei a palavra “compasso”, e esse termo acabou pegando. Ou seja, conforme as crianças fossem crescendo, a perna do compasso que abrange regiões no mapa também aumentaria.
Enquanto as meninas eram pequenas, de 0 a 4 anos, viajamos para locais bem perto de São Paulo:
Conforme elas foram crescendo (atualmente estão com 6 e 8 anos), aumentamos também o raio das cidades que visitamos, como se utilizássemos mentalmente, um compasso.
Ano que vem, irei ampliar ainda mais o raio, adicionando regiões como Nordeste e Sul.
Quando elas estiverem com 9 a 12 anos, acredito que já estaremos viajando por todo o Brasil, incluindo alguns países da América Latina:
Quando elas tiverem de 12 a 14 anos, pode ser que inclua a América do Norte.
E depois Europa, Ásia, etc.
Para mim, fazer isso, é utilizar o conceito máximo de aproveitar muito bem o que é ofertado.
Lembra quando eu falei há muitos anos que eu tenho um fogão de 4 bocas, porque não sei pilotar 6 panelas simultaneamente? Ou seja, comprar um fogão de 6 bocas, era jogar dinheiro fora, porque 2 bocas não seriam utilizadas. Outro exemplo, pra que comprar um tênis de corrida com super tecnologia de amortecimento envolvida, se mal corre atrás de um ônibus? É jogar dinheiro fora, é aproveitar mal o dinheiro. Estou utilizando a mesma regra, só que aplicando em viagens.
Pra mim, não faz o menor sentido pagar resorts caríssimos com diversos tipos de entretenimento, se elas mal andavam, mal se socializavam com outras crianças. Era uma época em que eu mal sentia o sabor da comida, já que comia rapidinho para trocar de posto com o marido no cuidado de 2 bebês que ainda usavam fraldas, isso quando uma não começava a chorar para mamar bem na hora que eu ia dar a primeira garfada. Não valia a pena pagar caro por um restaurantes gourmet.
Assim, né? Quem tem dinheiro, faz o que quer. Mas quem tinha um objetivo bem delimitado com orçamento contado que nem eu, tinha que administrar bem o dinheiro para conseguir realizar todos os sonhos.
Claro que não pretendo usar essa regra a ferro e a fogo. Por exemplo, meu marido tem o sonho de participar do Tour de France, na categoria amador. Para ele participar desse torneio, não pode estar muito velho, já que precisa ter condicionamento físico para pedalar muito. Neste caso, não usarei a regra do compasso, e sim, a regra do livro Die With Zero, onde o autor explica que não podemos perder a oportunidade de fazer determinadas coisas em determinadas idades.
Desde que acumulei patrimônio suficiente, eu passei por algumas fases.
Primeiro veio a fase da gastança louca.
Não fiz nada de extravagante, mas de repente, fiquei com preguiça de fazer controle orçamentário e comecei a fazer inúmeras compras pequenas pela internet. E eis que depois de alguns meses, os gastos aumentaram consideravelmente.
O dinheiro ia embora, mas como meu salário entrava todos os meses na conta bancária, continuei não me importando, até que um dia, a fatura do meu cartão de crédito tinha superado o valor do meu salário. Eita.
Vi como era fácil aumentar os gastos quando a gente relaxa e deixa a coisa rolar solta.
Agora voltei a fazer controle orçamentário, mas desta vez, sem o rigor de antes.
A minha intenção no momento, é tentar manter o mesmo padrão de vida, para gastar mais em coisas que facilitam a rotina, além de claro, gastar em experiências que tragam boas memórias para a minha família.
Por já ter um bom montante financeiro, não tenho a pretensão de economizar tanto, seguindo a regra do livro Die with zero.
Bom, questão das finanças resolvidas!… até que…
… meu marido passou no concurso público dos seus sonhos.
Ou seja, agora nós temos:
– dinheiro já acumulado para uma tranquilidade financeira (investimentos)
– dinheiro para viver tranquilamente o hoje (salário do casal)
O dinheiro que está guardado continuará guardado por tempo indeterminado, crescendo com o efeito bola de neve.
Do salário que eu e o marido recebemos mensalmente, tem sobrado cerca de 50%. Ou seja, gastamos menos do que ganhamos, a fórmula perfeita para a tranquilidade financeira.
Como a ideia é continuar aportando, mas sem o rigor de antes, aumentamos o número de viagens por ano, aumentamos em gastos com saúde (academia, natação, alguns itens esportivos) os gastos em lazer, em bem-estar, em cursos, em livros e também em gastos que facilitam a rotina. Resumindo, quero aumentar os gastos das categorias: “felicidade”, “comprar tempo” e “mais saúde”.
Se antes, as economias pequenas eram muito importantes, hoje, já não as considero. Hoje não quero ganhar mais dinheiro, hoje quero ganhar tempo.
Eu tenho achado legal essa mudança de pensamento e de comportamento conforme as coisas vão acontecendo na minha vida. Quem me acompanha há um tempo, sabe que nem sempre foi assim. Houve uma fase que economizei cerca de 70% do salário e que qualquer valor, incluindo cashbacks, eram muito importantes pra mim.
Desde que alcancei a tranquilidade financeira, eu parei de acompanhar as notícias sobre investimentos, não faço mais o controle mensal da rentabilidade.
Eu basicamente entro na minha corretora 1 vez por mês e faço investimentos com o dinheiro que tenho disponível. Não fico (mais) olhando se a bolsa subiu, se a bolsa caiu, se o dólar está alto ou baixo.
A minha vontade agora é melhorar meu estilo de vida (praticar esportes, melhorar a alimentação, melhorar o sono, ter mais tempo para hobbies) e desacelerar o tempo para poder curtir as minhas filhas, o meu marido, minha família, meus amigos.
Desde que relaxei um pouco no quesito finanças por acreditar que alcancei um valor de patrimônio confortável, meu esforço atual tem sido em construir uma vida da qual não preciso fugir.
Acho que muitos que estão na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early) compreendem o que estou tentando explicar.
Foi querendo fugir de situações específicas que eu sempre mirei no futuro, e aprendi muito bem a planejar as coisas que eu queria. E posso dizer que isso funcionou muito bem e me achava o máximo rs.
No meu caso em particular, eu acabei acostumando a criar “cenários de fuga” de forma proposital, pois foi assim que eu aprendi desde criança a ir atrás das coisas que eu queria muito.
Quem está na jornada FIRE, também quer que o futuro chegue logo, afinal, quem não quer ser livre e dar tchau ao emprego que nos prende por tantas horas do dia.
Foi na terapia que eu entendi que eu estou numa fase que não preciso mais fugir de ninguém nem de algo, ou seja, não preciso mais criar cenários de estresse para gerar motivação para a mudança. Não preciso correr, nem jogar meus pensamentos lá para o futuro.
Eu estou a todo momento fazendo o exercício de estar no momento presente, e ao mesmo tempo, tentar compreender a finitude de certos momentos.
Hoje eu compreendo que estou no trabalho porque eu quero. Moro na cidade e no apartamento da qual resido atualmente porque quero. Compartilho a minha vida com meu marido, porque eu o amo. Mantenho contato com os meus amigos, porque eles são importantes para mim.
E assim, de tarefas pequenas até sonhos grandes, estou construindo mentalmente um local onde se é agradável e seguro para se viver, sem a necessidade de querer fugir para o futuro.
As dificuldades da vida estarão sempre ali perto, faz parte do pacote “viver”, com ou sem FIRE, com ou sem trabalho, com ou sem casamento.
Afinal, há coisas que o tempo não espera e que precisa ser aproveitada hoje.
Você já deve ter percebido que há pessoas que ganham o mesmo salário, têm a mesma composição familiar, mas possuem vidas completamente diferentes: uma vive endividada, reclama da falta de dinheiro, está em completo desequilíbrio financeiro; enquanto a outra tem controle financeiro.
Eu percebo essa discrepância onde trabalho: são pessoas que recebem salários parecidos, mas possuem vidas financeiras completamente diferentes.
Algumas vivem de salário em salário, pagam gordas parcelas do financiamento imobiliário, negociam suas dívidas fazendo novas dívidas. Não abrem mão do carro, nem da diarista, nem dos restaurantes, das viagens, da manicure semanal, nem da vida que tem. Não conseguem parar de comprar produtos aleatórios pela internet, não abrem mão do conforto, nem dos pequenos luxos, mesmo fazendo dívidas.
Reclamam do salário, das obrigações que têm, dos boletos, das dívidas…
Há 7 anos, mais precisamente em 2015, numa roda de conversa no trabalho, comentei sobre FIRE (Financial Independence Retire Early). Como era um tema recém descoberto, fiquei muito entusiasmada e compartilhei tudo o que eu sabia sobre FIRE, sobre investimentos e sobre o poder dos juros compostos. Falei que se a gente enxugasse os gastos por um período de pelo menos 10 anos e investisse direito todos os meses, que isso poderia nos tornar livre.
Todo mundo se empolgou com tudo o que eu falei, exceto quando falei da parte de enxugar os gastos. Eu não desanimei. Eu coloquei em prática tudo o que estava ao meu alcance, pois acreditava que seria possível sim.
Eu sabia que teria que ter foco, já que esse meu entusiasmo inicial poderia diminuir ao longo dos anos, afinal, ninguém quer economizar a vida inteira. Além disso, eu era mãe de 2 bebês. Eu teria que aproveitar os aportes gordos enquanto as minhas filhas eram pequenas.
Fiz revisão de todos os gastos e enxuguei onde era possível. Fazer esse downsizing não foi difícil, afinal, eu já sabia onde poderia economizar para reduzir o padrão de vida e em que coisas queria gastar para melhorar a qualidade de vida.
O tempo passou e estamos em 2022. Vejo que todas essas inúmeras pequenas decisões que tomei lá atrás, trouxeram benefícios imensuráveis passados apenas 7 anos.
Contar essa história me lembrou do Experimento do Marshmallow:
“O Experimento do Marshmallow se refere a uma série de estudos de recompensa postergada, realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 liderados pelo psicólogo Walter Mischel, então professor da Universidade de Stanford. Nos estudos era oferecido a crianças a escolha entre uma pequena recompensa (algumas vezes um marshmallow, mas também um cookie ou um pretzel, etc.) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Em estudos de seguimento, os pesquisadores descobriram que as crianças que foram capazes de esperar por mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida, desempenho escolar, índice de massa corporal (IMC) e outros parâmetros de medição. Contudo, recente trabalho levanta a questão se o autocontrole, em oposição ao raciocínio estratégico, determina o comportamento das crianças.” Wikipédia
Para a maioria de nós, que não nasceu em berço de ouro, é essencial não ter luxo e conforto ANTES DA HORA.
Hoje eu tenho a consciência de que ter deixado de fazer viagens internacionais apenas por alguns anos, ter deixado de comer em restaurantes caros apenas por alguns anos, ter deixado de ter um plano de saúde top por alguns anos, ter aprendido a fazer inúmeros serviços (como pintura de parede, montagem de móveis, conserto de roupas), ter deixado os serviços de streamings por um tempo, ter deixado de gastar em supérfluos por alguns anos, além de diversos outros exemplos que sempre comentei neste blog, permitiu alcançar a tranquilidade financeira que hoje me encontro.
Para mim, não foram sacrifícios… foram escolhas.
Ter postergado alguns sonhos materiais, permite que hoje eu não me preocupe mais com a rentabilidade da carteira, nem fique fazendo contas na hora de comprar alguma coisa, principalmente, porque os aportes mensais irão continuar, já que ainda não pretendo parar de trabalhar.
Outro dia, conversando com uma amiga, surgiu o assunto de um conhecido que era rico. Morava em um apartamento bonito, viajava todos os anos para o exterior, tinha uma profissão consolidada, o carro do ano…
E fiquei pensando… isso pode até ser a definição de um rico, mas será que a pessoa é rica de verdade? Ou ela só parece ser rica? Afinal, é só prestar um pouco mais de atenção para perceber que há muitos pobres que parecem ricos.
Quem apenas parece ser rico, costuma viver um padrão de vida acima do que a renda permite. Gasta o dinheiro em coisas mensuráveis, já que o intuito é mostrar, provar para os outros o “sucesso” que alcançou, afinal, esse tipo de sucesso é muito visível. Gasta o dinheiro elevando o padrão de vida, pois acredita que assim, está aumentando a qualidade de vida.
Só que uma coisa é padrão de vida, e outra coisa é qualidade devida.
Quem tem um padrão de vida elevado, pode até trazer status, mas não necessariamente, qualidade de vida,
Quem tem uma qualidade de vida elevada, não necessariamente tem padrão de vida elevado, nem pode trazer status.
No momento que compreendermos a exata diferença entre os dois, saberemos se estamos gastando dinheiro em qualidade de vida ou padrão de vida.
Cada pessoa tem o seu próprio entendimento sobre qualidade de vida.
Tem gente que gasta dinheiro comprando apartamentos cada vez maiores, carros cada vez mais potentes, roupas cada vez mais caras. Só que essas coisas não necessariamente trazem qualidade de vida.
Veja que o problema não é morar em apartamentos de alto padrão localizados em bairros nobres, ter plano de saúde com cobertura total, dirigir carros exclusivos, usar roupas de grife, ou ir em busca de entretenimento de luxo.
O problema é fazer isso sem ter condições reais, ou seja, viver uma vida de aparência, para impressionar os outros.
Aprender a gastar dinheiro em coisas que aumentam a qualidade de vida pode trazer benefícios para a vida toda, mas é preciso compreender que é algo pessoal, ou seja, cada um terá que descobrir o que significa qualidade de vida.
Para algumas pessoas, qualidade de vida é morar numa casa com quintal grande. Para outras, qualidade de vida é poder morar em um bairro bom de uma grande capital.
Eu por exemplo, sempre mantive um padrão de vida abaixo do que eu poderia ter, mas sempre fui em busca para ter uma alta qualidade de vida. Hoje não preciso me preocupar com dinheiro, tenho um casamento saudável, moro numa casa que me traz bem estar, moro em um bairro agradável, tenho um trabalho que sou respeitada, estou com a saúde em dia, tenho meus amigos, gosto do meu estilo de vida e tenho consciência do caminho que trilhei para chegar onde estou atualmente.
Agora, tem gente que mesmo depois de saber exatamente a diferença entre padrão de vida e qualidade de vida, ainda assim vai preferir escolher viver no padrão errado, fingindo viver uma vida que não é dela.
Tem pessoas que escolhem viver para manter o padrão de vida. São pessoas que tornaram escravas do consumo, do estilo de vida que criou.
Para essas pessoas, só há uma frase para compartilhar: bem-vindo à corrida dos ratos.
Quando eu ainda falava para as pessoas sobre aposentadoria antecipada, eu percebia sempre um padrão no comportamento.
As pessoas queriam desesperadamente aposentarem cedo, alcançar FIRE (Financial Independence, Retire Early), mas não queriam abrir mão de absolutamente nada. Queriam viver igual a todo mundo, com carro na garagem, com apartamento grande e reformado, comendo em restaurantes diariamente, comprando diversos itens todos os fins-de-semana, além de claro, não quererem estudar por conta própria.
Mas se você quer viver de forma diferente dos outros, será necessário fazer coisas diferentes hoje.
Enquanto a maioria achava que era normal não poupar dinheiro, ou poupar até 10% do salário, eu decidi que iria poupar 70%.
Enquanto a maioria continuava achando que era normal se aposentar com 65, 70 anos, eu decidi que iria me aposentar quando eu bem entendesse.
Especificamente falando do meu caso, acredito que foram 3 fatores que influenciaram muito:
1.) O trabalho do marido
Meu marido tem um trabalho com contratos que variam em torno de 1 a 2 anos.
Isso significa que de uma hora para outra, nós podemos perder a renda dele. E por isso nós nunca nos achamos no direito de aumentar os gastos de forma descontrolada, pois não sabíamos o dia de amanhã.
O que poderia ser péssimo para a maioria das pessoas, acabou se mostrando como uma grande oportunidade para nós.
Sempre tivemos medo de não conseguirmos manter o padrão de vida que estabelecemos para nós.
Uma das formas de controlar o incontrolável (a renda do marido), foi centralizar todos os gastos da nossa família apenas no meu salário. Todo o salário dele vai para investimentos. Quando o salário dele aumenta, aumentam os aportes. Quando o salário diminui, diminuem os aportes. E se a fonte secar (o que nestes 12 anos que estamos juntos, nunca aconteceu), os aportes seriam mais comedidos, mas constantes, mesmo contando apenas com o meu salário.
2.) Os dois remando juntos na mesma direção
Toda vez que meu marido fala “sem você, não estaríamos onde estamos hoje”, eu veementemente discordo.
Se ele não tivesse concordado com a minha ideia de ser FIRE, de aceitar entregar todo o seu salário todos os meses para mim para que eu pudesse fazer aportes generosos até a nossa filha mais velha completasse 6 anos de vida, de aceitar sorrindo quando comecei a enxugar os gastos, nada disso teria sido possível.
Foi de comum acordo que decidimos não aumentar o padrão de vida por alguns anos. Sabíamos que era melhor apertar naquele momento, para ter conforto daqui a alguns anos, do que ter conforto por alguns anos e passar necessidade a vida inteira.
3.) O minimalismo como um grande aliado
Há diversos tipos de armadilhas do consumo: armadilhas financeiras, armadilhas da moda, da educação, do medo, da beleza, da ostentação, do medo…
O minimalismo trouxe diversos benefícios na minha vida. Um dos benefícios foi ter permitido dar um basta em medos que são inseridos na nossa cabeça.
Isso acontece porque o minimalismo nos obriga a parar de olhar para a vida dos outros para focar na própria vida. É como se não tivéssemos mais muleta para fazer escolhas, pois teríamos que parar de olhar a vida dos outros para encarar a própria.
Não é uma tarefa fácil, pois temos que colocar a cabeça para funcionar para tomar decisões próprias, descobrir o que gostamos e principalmente o que não gostamos.
A médio prazo, essa decisão trouxe benefícios imensuráveis: aprendi a fazer boas escolhas, a viver com as coisas que eu realmente valorizo e que são importantes para mim. Isso acabou eliminando o sentimento de escassez e a sensação de gratidão se tornou presente, porque aprendi a olhar para a abundância que já tinha na minha vida.
Fazer as próprias escolhas, me permitiu não ter redes sociais, mesmo todo mundo estando presente. Não precisando de aprovação dos outros nas redes sociais, permitiu que eu pudesse ser autêntica nas coisas que eu gostava, e com isso, novamente o minimalismo veio à tona.
Quanto mais eu me conhecia, menos compras erradas eu fazia e mais o dinheiro sobrava. Sobrava, não porque eu estava deixando de gastar, afinal, eu continuava gastando. A diferença é que eu comecei a gastar melhor o meu dinheiro, em coisas que trazia felicidade para mim, e não para os outros.
E aí vem uma sensação de satisfação, de felicidade, de segurança financeira, sem a necessidade de mostrar para os outros. Os benefícios são reais, mas a experiência é individual.
Essa decisão tomada lá atrás, permitiu por exemplo, que eu comprasse um carro em agosto de 2021, utilizando apenas os dividendos que havia recebido naquele ano.
Então sempre que possível, lembre-se da frase: se quer viver de forma diferente dos outros, é necessário fazer coisas diferentes hoje.
Posso afirmar com convicção de que ter descoberto sobre FIRE (Financial Independence and Retire Early) foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida.
Até então, eu levava uma vida comum. Morava em um pequeno imóvel próprio, e tinha pretensões de comprar um carro e um apartamento maior fazendo dívidas de financiamento.
Foi só quando descobri sobre investimentos e sobre FIRE que parei com essa ideia de que eu teria que sempre comprar algo, que poderia simplesmente acumular patrimônio, sem ter a obrigação de consumir.
Se antes eu e meu marido tínhamos preocupações e inseguranças com o dia de amanhã; com o tempo, conseguimos entender o que era ter o dinheiro trabalhando pra gente, e nossa vida começou a se tornar mais fácil.
Com o tempo, pudemos aumentar os gastos para criar mais memórias, mais momentos de lazer.
Eu tive a grande sorte de ter “acordado” em 2015, ano em que minha primeira filha nasceu. Foi nesse ano que descobri sobre FIRE, e desde então, muita coisa mudou. Naquela época, não era tão fácil encontrar conteúdos brasileiros sobre o tema, bem diferente de hoje, que há diversos blogs de qualidade, canais no YouTube, PodCasts, etc.
Se antes a falta de dinheiro poderia ser uma preocupação constante, essa preocupação tem diminuído a cada ano, graças ao orçamento controlado, aos aportes constantes e mensais, por ter feito bons investimentos e deixar o tempo agir para gerar juros compostos.
Pra quem já sentiu na pele a fragilidade e o medo de não ter dinheiro, a grande vantagem de estar na jornada FIRE, é sentir que a tranquilidade vai aumentando a cada ano.
Muitos podem achar que FIRE é sobre dinheiro, mas pra mim, nunca foi sobre dinheiro, e sim, sobre liberdade e tranquilidade.
Não há mais desespero, não é preciso ter pressa.
Enquanto pessoas continuam céticas ao mundo FIRE, eu sigo feliz nessa jornada solitária.
A primeira é comprar tempo hoje, neste exato momento.
E a outra é comprar tempo no futuro.
1.) Como comprar tempo HOJE:
Já é consenso que todos nós queremos ter mais tempo. E há diversas formas de comprar tempo, principalmente nas tarefas que podemos terceirizar. Claro que para isso, precisamos colocar a mão no bolso em alguns casos, mas em outros casos, só é necessário organizar melhor o tempo.
Ter comidas prontas
Aqui, pode-se comprar comidas prontas, ou até mesmo se planejar para ter sempre comida pronta no congelador, que é o meu caso. Se faço uma feijoada, congelo diversas porções. Se faço molho de tomate, também divido e congelo as porções. É uma alternativa muito viável para quem quer otimizar o tempo.
Quando faço massa dos cookies, duplico, ou até mesmo triplico a receita e congelo. O tempo da preparação é o mesmo, só que aí eu passo meses sem precisar fazer a massa, lavar a louça e tudo mais. Coloco alguns cookies congelados na assadeira e depois de 15 minutos tenho cookies quentinhos saindo do forno. Faço a mesma coisa quando faço lasanha, quibe recheado, pastel, etc. Essas porções de comida me ajudam a alimentar a família, quando por algum motivo algo sai do controle (que no caso, é a preguiça).
Pagar frete
Há lojas que oferecem a opção de buscar o produto comprado na loja física para ter o frete zerado. Como eu entendo que meu tempo é dinheiro, eu prefiro pagar o frete e ter a comodidade do produto ser entregue na porta de casa.
Ter alguém para limpar a casa
Eu não contrato ninguém para limpar a minha casa, porque não me sinto confortável de ter uma terceira pessoa entrando em casa, mas para quem não tem isso, acho muito legal não ter que limpar embaixo do fogão, em cima da geladeira, lavar as janelas, tirar poeira dos quadros etc.
Delivery de produtos alimentícios
Hoje, já podemos comprar itens do supermercado pela internet. Temos também produtores que entregam verduras, legumes e frutas semanalmente no conforto da nossa casa.
Fazer algo quando está inspirado
Eu já entendi que quando não estou a fim, não adianta eu ficar sentada na frente do computador por horas que eu não consigo escrever nada para este blog. Mas quando estou inspirada, consigo escrever vários textos de uma única vez.
Da mesma forma, acho bacana tentar internalizar isso para as outras áreas da vida.
Eu faço isso na cozinha. Tem semanas que eu passo na maior preguiça, sem vontade de fazer nada, aí de repente vem aquela vontade e eu aproveito para cozinhar bastante coisa e congelar tudo.
Foi a forma que encontrei para respeitar a minha vontade e o meu tempo.
2.) Como comprar tempo para o FUTURO:
Essa parte é a que mais gosto, e faço isso sempre.
Toda vez que eu invisto parte do meu salário em investimentos à longo prazo, eu tenho consciência de que estou comprando meu tempo do futuro. É esse dinheiro que somado com o poder dos juros compostos, vai permitir comprar a minha liberdade, sem que eu precise trabalhar por dinheiro.
Tenho essa consciência todos os dias, e é isso que me faz esforçar e fazer escolhas inteligentes no meu dia-a-dia. Ao invés de comprar roupas sem precisar, trocar o celular que ainda está funcionando, eu prefiro comprar bons investimentos. Para os mais entendidos, eu compro ativos, ao invés de passivos.
Como a gente não vive de vento, claro que precisamos consumir. Mas quando faço isso, gosto de fazer uma avaliação minuciosa no momento da compra e reflito se aquilo que estou prestes a comprar tem o valor que julgo importante para entrar na minha casa.
Muitas vezes, se é uma roupa para ir ao trabalho, prefiro não gastar tanto dinheiro. Aliás, é surpreendente como podemos nos vestir bem, sem torrar pequenas fortunas.
Vou dar um exemplo pessoal. Eu antes usava sapato de marcas mais caras. Eram sapatos que custavam 300, 500 reais. Mas comecei a perceber que esses sapatos além de serem caros, não duravam muito no meu pé (no máximo, 1 ano). Ou seja, para o meu pé, era muito caro, pouco durável e caro. Passei a comprar sapatos de outra marca que custa em torno de 100 a 150 reais que me atende muito bem. Ou seja, tem o mesmo estilo, o mesmo conforto, mas com preço menor. E é toda essa avaliação no momento de gastar que eu entendo que é “gastar dinheiro de forma inteligente”. Se o sapato mais barato é tão bonito quanto, e durar o mesmo tempo que os sapatos mais caros, vale o custo-benefício.
Quando faço essas análises, sinto que dou valor não só ao meu dinheiro, mas no tempo que eu demorei trabalhando para conquistar esse dinheiro, afinal, tempo é o nosso maior patrimônio.
Daqui a 3 dias, entraremos no mês de dezembro… o ano está para terminar em algumas semanas.
Final de ano é sempre um ótimo período para refletir tudo o que fizemos (e o que não fizemos) ao longo do ano.
Afinal, você sabe para onde foi todo o dinheiro que passou pelas suas mãos no ano de 2021?
Esses dias assisti o vídeo do Ben Zruel: “Deixe de viver no padrão de vida errado de uma vez por todas”.
Achei o vídeo muito bom, um vídeo que dói, porque ele enfia o dedo na ferida, mas essencial para muitas pessoas que ainda não entenderam como fechar o mês no positivo.
“Viver no padrão de vida errado, é quando não sobra dinheiro no final do mês. Ah, mas eu ganho pouco, não está sobrando, porque tenho 3 filhos pequenos, não interessa, padrão de vida errado, é padrão de vida que não sobra dinheiro. Ponto.” Ben Zruel
Independentemente de quanto recebemos, é sempre bom avaliar para quem saímos distribuindo nosso valioso dinheiro. Pagamos contas, pagamos impostos, pagamos para o dono do supermercado, dono de escola, empresas de streaming, para a pizzaria da esquina…
Distribuímos nosso dinheiro pra muita gente, mas afinal, quanto ficou na nossa mão? Quanto destinamos para o nosso futuro?
Trabalhamos o ano todo, 8 horas todos os dias (às vezes até mais que isso), deixamos de ficar com pessoas que amamos e fazemos tudo isso, porque queremos um presente e um futuro melhor.
Dezembro é quando faço o fechamento anual: analiso quanto dinheiro passou pela minha mão, e desse valor total que recebi, vejo quanto e de que forma gastei, quanto poupei, quantos sonhos consegui realizar, e quais sonhos novos quero ter para o ano seguinte.
É o momento em que permito sonhar, ao mesmo tempo em que mantenho os dois pés no chão.
Eu e meu marido costumamos conversar com frequência sobre nossa jornada, de como vivíamos antes e como nossa vida mudou para melhor depois que descobrimos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).
Ao longo destes anos, fui amadurecendo e tenho a consciência de como equilíbrio é fundamental para quem quer seguir essa jornada.
Há os que poupam em excesso para viver um futuro distante, e não percebem que estão desperdiçando o tempo precioso do hoje, sem nem saber se estarão vivos amanhã.
Já há outros que preferem fechar os olhos para o futuro e viver o presente como se não houvesse amanhã.
Também há os que acreditam que a felicidade só virá depois de ser FIRE e esse é um dos grandes erros no meu ponto de vista.
A jornada que deveria ser divertida e desafiadora, pode se tornar uma jornada de torturas, sacrifícios de anos se não for bem executada, e ainda levar embora a juventude, os amigos, a família, trazendo arrependimentos irreparáveis.
Foram tantos acontecimentos nesta última década que eu até disse para o meu marido que seria difícil criar uma linha de tempo da nossa jornada FIRE, mas que seria interessante tentar resgatar alguns pontos que consideramos importante.
Então esse post nasceu de um dos cafés da noite com o marido.
Eu sou bem ruim com linha de tempo, os anos se confundem na minha cabeça, o que é motivo de risada aqui em casa, então, já considerem que pode conter pequenos erros.
O que eu acho legal na minha jornada é que eu não mudaria nada nas decisões que eu tomei ao longo destes anos. Claro que cometi alguns (talvez seria melhor dizer… muitos?) deslizes no meio do caminho, mas ao observar como um todo, os benefícios foram muito maiores do que os pequenos erros que cometi durante a jornada.
2010
Início do namoro com o marido. Gosto de considerar este período como marco zero, porque é muito antes de ter conhecimento sobre FIRE (descobri esse termo em 2015) e dá pra ver como a gente tinha a cabeça totalmente padronizada à grande massa da população. Apesar de guardar dinheiro, não conversávamos sobre esse assunto, já que era um tabu. Foi nesse ano que comprei meu primeiro imóvel, claro, financiado em intermináveis 30 anos.
2011
Desde o início do namoro, sempre tivemos a certeza de que ficaríamos juntos. Por isso, começamos a guardar dinheiro na poupança já pensando em nos casar.
Tínhamos o que pode ser considerado o pensamento típico da classe média brasileira. Queríamos comprar um carro e um imóvel de 3 dormitórios, e o único investimento que conhecíamos era a poupança.
Tínhamos pouco dinheiro guardado, um imóvel financiado a perder de vista e o meu plano de previdência privada.
2012
Nós tínhamos uma vida regrada, eu, porque era econômica; meu então namorado, porque recebia um salário muito baixo, quase no limiar da sobrevivência. Ele comia todos os dias a mesma comida, porque não tinha condições de se alimentar de outra forma.
Já eu, funcionária pública, ganhava um pouco mais que ele, então obviamente eu vivia com mais conforto. Alguns meses antes de casar, decidimos morar juntos e isso acabou trazendo também benefícios financeiros, já que agora, pagaríamos apenas 1 aluguel, 1 conta de luz, 1 conta de gás etc.
Apesar de não ter nenhum conhecimento sobre investimentos, começamos a poupar por um motivo bastante convencional: queríamos comprar um carro e um apartamento. Não que estivéssemos precisando de um carro, nem de um apartamento grande, mas era apenas o percurso natural de um casal tradicional, ou seja, não paramos para pensar se aquilo fazia sentido na nossa fase de vida, se era o nosso sonho, ou se era o sonho de outra pessoa.
Poupávamos todos os meses, numa conta conjunta. Fizemos algumas viagens internacionais neste período, aproveitando que meu marido tinha boas oportunidades por causa do trabalho.
2013
Voltando um pouco no tempo para 2010, na época em que fiz o financiamento do imóvel, eu descobri, assim que assinei o financiamento do imóvel, que eu não posso ter dívidas. Voltei para casa sentindo o peso do papel que a gerente do banco havia me dado. Todo aquele contrato, as linhas e mais linhas das condições do financiamento, a planilha com todas as parcelas que ainda deveriam ser pagas… Eu cheguei em casa passando mal. Quando peguei a calculadora e somei todos os valores que eu iria pagar durante esses 30 anos, quase vomitei.
Foi aí que com fogo nos olhos e faca nos dentes, eu decidi que quitaria essa dívida o mais rápido possível. O ano de 2013 foi o ano que quitei o imóvel. Ou seja, consegui quitar em 3 anos o que deveria ser pago em 30 por 3 motivos: 1.) eu não comprei um apartamento novo, muito pelo contrário, era um apartamento meio que caindo aos pedaços; 2.) apesar de 2010 ter sido o período do boom imobiliário, a proprietária (que gostava muito de mim), não quis reajustar o valor do imóvel na hora da venda, então eu comprei esse apartamento por um valor bem abaixo do mercado; 3.) eu juntei cada real, cada centavo para amortizar o financiamento.
Foi o ano que casei também, apesar de todos esses eventos, alcançamos a meta anual de aporte que havíamos estipulado, pois o salário do marido havia dobrado. Festejamos e continuamos poupando, sem elevar nosso padrão de vida.
2014
Os aportes foram aumentando mês a mês. Eu não lembro direito o ano que eu recebi um bom aumento no meu salário, mas o meu salário também praticamente dobrou com o plano de carreira. Ainda não tínhamos nenhum conhecimento sobre investimentos, nosso maior investimento era colocar em um fundo de investimentos atrelado ao IPCA, em um banco grande. Em troca, ganhávamos um cafezinho e muita bajulação de gerente.
Começamos a anotar todos os gastos em um aplicativo, e isso turbinou os aportes, pois conseguimos identificar onde estávamos gastando mal. Poupamos cada centavo, poupávamos cerca de 60 a 70% do salário. Apesar do valor elevado de aportes, para nós, não foi difícil, porque desde o início, não havíamos aumentado nosso padrão de vida, mesmo quando os 2 salários aumentaram de valor. Posso dizer com convicção de que nós éramos bom poupadores.
Foi nesse ano que começamos a estipular um valor mensal de mesada para cada um. Essa iniciativa se mostrou muito acertada, pois tínhamos uma válvula de escape para gastar em qualquer coisa que quiséssemos.
Continuamos no mesmo apartamento de 1 dormitório, e sem carro.
Foi quando descobri que estava grávida.
Criei uma cota para usar livremente com táxi, na época, nem existia Uber. Não ter carro era uma opção nossa. Sofrer por não ter carro, não era uma opção, principalmente num período em que estava grávida.
2015
Eu descobri sobre FIRE com o nascimento da primeira filha. Pela primeira vez na vida, não quis mais trabalhar, pois queria ficar com ela. Sem minha filha, eu nunca teria descoberto sobre essa comunidade.
Estudei enlouquecidamente. Pausamos nossas viagens internacionais por um tempo para acelerar os aportes, as viagens se tornaram não só nacionais, como regionais, já que não víamos sentido em fazer uma viagem para tão longe com uma bebê tão pequena. Nós poderíamos retomar nossas viagens internacionais daqui a alguns anos.
Informei o gerente do banco que eu gostaria de transferir o valor total que eu tinha para uma corretora de valores, mas ele não permitiu, colocou diversos empecilhos, e no final ficou bravo comigo. Pois bem, comecei a transferir por conta própria todo limite diário disponível para a corretora, para finalmente começar a investir direito. O gerente do banco começou a me ligar desesperadamente, e só parou de me ligar quando a conta havia zerado. Foram mais de 50 ligações não atendidas.
Resgatei também o saldo total do plano de previdência privada que eu tinha, e fiquei muito frustrada quando descobri que eu não tinha a liberdade para resgatar facilmente o meu próprio dinheiro, além de taxas e impostos gordos que deveria pagar.
Decidi naquele momento que quem tomaria conta do meu dinheiro seria eu, e não mais as outras pessoas.
Nessa época, a renda fixa estava nas alturas, pagando 20% por ano.
Criamos uma meta. Decidimos que até que a nossa filha completasse 6 anos, início do ensino fundamental, todos os nossos esforços seriam concentrados em aumentar patrimônio. Como nós já tínhamos uma vida regrada, não havia muito o que fazer, apenas aperfeiçoar nas economias e continuar nos aportes, só que desta vez, direcionando nos investimentos certos.
Continuamos no nosso apartamento de 1 dormitório, e sem carro. O berço da minha filha ficava no nosso quarto. Fiz um enxoval somente com os produtos que achei necessário, e que maravilha, não senti falta de nada!
No final do ano, tínhamos superado a meta dos aportes novamente. Como o salário não aumentava, o que fizemos foi otimizar os gastos.
2016
Decidi vender meu único imóvel (não quis ficar com ele, porque descobri que o prédio tinha problemas estruturais) e voltei a morar de aluguel. Eu já tinha estudado tudo o que era conteúdo sobre investimentos, então todo o valor da venda do imóvel foi para investimentos. Renda fixa ainda pagava 18 a 20% por ano. Isso acabou gerando uma curva muito acentuada no patrimônio, pois tinha comprado o imóvel por um valor bem abaixo do mercado, e vendi em um período de alta. Esse aporte generoso deu um incentivo extra, pois começamos a enxergar o que estava acontecendo com a nossa carteira de investimentos.
Poupei décimo terceiro, poupei as minhas férias vendidas, poupei a restituição do imposto de renda, tudo. Já meu marido, não tinha décimo terceiro, não tinha férias para vender, nem imposto de renda para restituir. Mas desde o início do namoro, tudo sempre foi nosso. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, sempre foram as “nossas conquistas”.
No meio do ano, o salário do marido reduziu pela metade devido a sua bolsa de pós-doutorado, mas isso não nos abalou. Acostumados a viver apenas com parte do meu salário, apenas continuamos aportando.
Vendo que a nossa vida estava começando a mudar, comecei a contar para todo mundo sobre FIRE e sobre investimentos. Alguns deram risada, e a maioria, não me deram ouvidos.
2017
Nascimento da segunda filha.
Marido ficou na Espanha por 1 mês, e depois o chefe falou que era para ele ir pra Romênia por 3 meses (sendo que estávamos com uma bebê pequena, em época de virose). Foi a primeira vez que ele disse não no trabalho. Descontente, o chefe fez algumas ameaças para demiti-lo, mas nada o intimidou. Os investimentos estavam começando a dar frutos, ele já não tinha medo de ser demitido da empresa. Ele não só não foi demitido, mas como o chefe percebeu que meu marido não iria mudar de opinião, renegociou a data de permanência na Romênia de 3 meses para 15 dias. Agora sim.
Começamos a entender a psicologia por trás do dinheiro. Estávamos confiantes, mais seguros.
Apesar do nascimento de mais uma filha, os nossos aportes continuaram crescendo desde 2013.
2018
Começamos a entender a sensação de segurança financeira que a jornada FIRE trazia. Ver o plano dando certo, e ao mesmo tempo ver a indiferença e um certo deboche dos outros em relação a minha fascinação sobre esse tema, fez com que eu parasse completamente de contar para os outros sobre investimentos.
Compramos 2 imóveis para investimento. Um deles, após uma pequena reforma, foi vendido. E o outro, alugado para um inquilino.
2019
Em 2019 e 2020, meu marido conseguiu um contrato muito bom de trabalho que aumentou muito o seu salário. Era um trabalho com fim já programado, de apenas 2 anos (que encerrou em agosto deste ano). Esse contrato temporário aumentou novamente nosso aporte, já que nós continuamos com a nossa vidinha de sempre (desde 2014, quando meu salário dobrou, lembram?), para focar nos investimentos. Somávamos o nosso salário, pagávamos todas as contas da casa, separávamos uma pequena parte para cada um (a tal da mesada) e todo o resto, ia para os investimentos.
2020
Pandemia, trancados em casa.
Tanto o meu trabalho como a do marido, se tornaram online. Começamos a trabalhar de casa, foi um inferno, cá entre nós, mas por um outro lado, deixamos de ter gastos como viagem, Uber, restaurantes, transporte, roupas, etc. O mundo inteiro estava fechado, todo mundo dentro da sua casa, decidimos focar novamente em aumentar os aportes.
2021
Este ano, minha filha mais velha completou 6 anos. Fizemos tudo conforme havíamos planejado. Patrimônio aumentou e sei que continuará aumentando com os juros compostos.
Tenho dito para o meu marido que já não precisamos nos preocupar com o nosso futuro. Ainda não me considero FIRE, mas o patrimônio já consegue trabalhar sozinho sem interferência da nossa parte, graças ao poder do tempo e dos juros compostos.
Ou seja, daqui a alguns anos, seremos FIRE ou até mesmo FAT FIRE só com o poder dos juros compostos.
Isso nos elevou para um outro patamar de realidade, de que podemos focar apenas no presente.
Se antes poupávamos 40%, 50%, 60% e até mesmo 70% do salário em determinas fases, entendemos que podemos diminuir ou até mesmo zerar os aportes para trazer conforto e mais experiência para a família.
Desde que eu comecei a economizar, já se passaram 10 anos (de 2011 a 2021).
Desde que descobri sobre FIRE, já se passaram 6 anos (2015 a 2021).
Eu já disse em um outro post, que eu realmente acredito que a cada 10 anos, a vida pode dar uma reviravolta. Se parar para pensar, o tempo passou rápido, e não me arrependo nem por 1 segundo por ter tomado uma decisão diferente da maioria das pessoas.
É muito importante entender a função de cada ativo do portfólio de investimentos, para não fazer giro de patrimônio, ou seja, fazer vendas e compras de ativos de forma desnecessária, indo em busca de “grandes oportunidades”.
Mas nem sempre temos clareza do objetivo de cada ativo financeiro que temos na nossa carteira de investimentos.
Então detalho a seguir, o que cada ativo financeiro significa para mim:
Reserva de emergência
Serve para emergência. Que tipo de emergência? Qualquer tipo de emergência. Se encontro algo que estava querendo muito, numa promoção imperdível, vou lá e uso a reserva de emergência, e depois reponho o valor que saquei.
Dizem que é bom deixar de 6 meses a 1 ano de salário na reserva de emergência, mas eu não coloco muito. Deixo de 1 a 2 salários em cada conta (minha e do marido), mas isso, porque sou bem organizada financeiramente e porque tenho uma previsão boa de recebimento de salário por ser funcionária pública.
Pra mim, reserva de emergência é isso, tem que poder sacar e poder fazer transferência bancária a qualquer momento, então o meu está na Poupança de um banco tradicional. Eu não ligo para rendimentos, porque sei que a poupança não tem esse propósito.
Renda Fixa
Serve para manter parte da carteira de investimento em algo estável, sem grandes oscilações. A ideia é manter até o vencimento, mas acabo usando quando enxergo alguma oportunidade, como a compra de um imóvel abaixo do valor de mercado, ou até mesmo para comprar investimentos que estão fora do seu preço normal, como por exemplo, quando a bolsa de valores caiu até 70 mil pontos em março de 2020, eu usei praticamente toda a renda fixa para comprar ações que estavam baratas demais.
Enquanto todo mundo estava vendendo, eu estava comprando.
Apesar da minha tendência é sempre querer investir em renda variável, me policio para manter parte da carteira nesse tipo de ativo.
Fundo de Investimento Imobiliário
Serve para criação de fluxo de caixa. Apesar de preferir investir em ações, acabei me rendendo e passei a incorporar no meu portfólio de investimentos para criação de fluxo de caixa.
Eu odeio vender ativos, ou seja, não me sinto confortável em vender ações de boas empresas para pagar o meu aluguel futuramente. Então os FIIs acabam sendo uma ótima opção, principalmente no quesito psicológico.
Imóvel Físico
Serve como segurança psicológica em saber que tenho onde morar caso o país colapse. Na pior hipótese, é só pedir para o inquilino sair do imóvel e eu passo a morar nesse imóvel.
O imóvel que eu tenho é pequeno, muito bem localizado, próximo de uma boa linha de metrô, tem uma varandinha num andar alto, bate bastante sol, então raramente ele fica vago por muito tempo.
Já pensei em vender várias vezes, mas sempre lembro que eu o tenho para a minha segurança psicológica.
Ações
Já faz um tempo que dá a sensação de que estamos em uma montanha-russa com muita emoção, e sei que ano que vem também será. Mas como eu analiso muito bem as empresas antes de compra-las, não perco o sono com as oscilações do mercado.
Stocks (ações internacionais)
Serve para aumentar a diversificação da carteira de investimento.
Também serve para manter a certeira mais estável, já que dólar e o Ibovespa possuem correlação negativa, ou seja, se movem em direções distintas.
Outros motivos: ter a consciência da importância em investir em um país com economia mais sólida para diminuir o risco Brasil, ter parte da carteira de investimentos atrelada ao dólar para proteger da desvalorização do Real, além de ter renda dolarizada para viajar.
Previdência Privada
Eu tenho uma previdência privada atrelada à empresa que trabalho, naquele esquema de ‘eu faço aporte e a empresa também aporta o mesmo valor’ (até um determinado teto).
Se eu pudesse escolher hoje, não teria feito, mas como já fiz e não consigo sair, continuo aportando todos os meses. O bom é ser livre de inventário.
Criptomoedas
Tenho uma pequena parcela da minha carteira em criptomoedas.
Enxergo como oportunidade, então separo uma parte da minha carteira para quem sabe puxar a rentabilidade da minha carteira de investimentos para cima. O pior que pode acontecer é perder tudo, e o melhor que pode acontecer são as criptomoedas subir até o infinito.
Eu e meu marido costumamos abrir as janelas do passado e ficar observando como era a nossa vida de alguns anos atrás.
Esses dias estávamos lembrando de como era a nossa vida depois que as nossas filhas nasceram. Como a gente não tinha carro, tudo era feito a pé, de metrô, de ônibus e raramente, de Uber. Era desta forma que a gente se locomovia pela cidade.
Quando minha primeira filha nasceu, eu comprei um carrinho de bebê que deitava completamente, porque já tinha a intenção de ter um segundo filho, e a minha ideia era colocar as duas no mesmo carrinho, simultaneamente. O carrinho escolhido era bem simples, um dos mais leves do mercado. Existem carrinhos específicos para quem tem 2 crianças pequenas, mas eu achava um trambolho, além do carrinho ser bem mais pesado.
Sempre tivemos o costume de leva-las em diversos parques, e um dos parques que gostávamos de ir era o Parque da Água Branca, que fica na Zona Oeste de São Paulo, que cá entre nós, não era muito perto de casa.
Era um local muito agradável, primeiro, porque tinha muitas galinhas soltas, o que pra mim era uma atração à parte, já que eu dava boas risadas observando a quantidade de galinhas atrás de mim, e ainda mais, ver as crianças correndo atrás delas. Segundo, porque o parque tem um clima bem familiar, não é lotado, nem agitado como o Parque Ibirapuera. E terceiro, porque esse parque sempre me remeteu àqueles parques mais antigos, por ter um sorveteiro que vendia sorvete americano, desses que fazem sorvete a partir de um suco concentrado, das garrafas de vidro com os xaropes de ponta cabeça. Tinha ainda o trenzinho todo colorido para as crianças, que dava voltas por todo o parque. O local contava ainda com um mini-parque de diversões, típico de quando éramos crianças. Ou seja, era como se estivéssemos entrando em um túnel do tempo, um lugar que nos trazia nostalgia e muita paz.
Para chegar nesse parque que não era perto de casa, íamos de metrô. Colocávamos as duas sentadas no carrinho, bem comportadas, uma atrás da outra. A pequena sentava na frente, e a mais velha, sentava atrás. Muitos transeuntes olhavam para nós, e sorriam, pois não era uma cena tão comum. Subíamos a ladeira empurrando o carrinho com a língua pra fora, e finalmente, chegando no parque, elas pulavam, brincavam e se divertiam a tarde toda.
Na hora de retornar para casa, as meninas, já cansadas de tanto brincar, dormiam no meio do caminho. Colocávamos a mais velha deitada no carrinho (por ser a mais pesada) e a caçula ia no colo. Como meu marido tem mais força no braço, ele carregava a caçula e eu empurrava o carrinho com a minha filha capotada lá dentro. Como não gosto de carregar peso, ainda pendurava todas as mochilas e tudo o que eu tinha direito no guidão do carrinho.
Andando pelas calçadas tortas de São Paulo, eu e meu marido ríamos alto falando que um dia, esse carrinho iria desintegrar na nossa mão. Porque esse carrinho, minha gente, andou tanto por essa cidade de São Paulo que eu nem sei como nunca quebrou.
Nós éramos um casal sacoleiro. Andávamos com um carrinho de bebê com 2 crianças dentro, sempre com uma mochila grande nas costas (com fralda, paninho, mudas de roupa extra, garrafa de água, leite, papinha, trocador, frutas, guarda-chuva, capa de chuva, etc), fora quando inventávamos de levar brinquedos… Pendurávamos tudo no carinho e saíamos de casa satisfeitos. Não é à toa que um dia fui reconhecida por uma leitora…. claro, só podia ser eu com aquele carrinho.
Quando passava no supermercado com as meninas, também pendurava todas as sacolas possíveis nesse carrinho de bebê, e com isso, precisava tomar muito cuidado para ele não tombar para trás, tamanho o peso das compras. Com as sacolas das compras penduradas, não era raro me enroscar na porta do prédio, na porta do elevador, na porta de casa.
E olhando para trás, posso dizer que na época, estávamos tão empenhados, tão decididos, acreditando e vivendo intensamente a jornada FIRE (Financial Independence Retire Early), que nada disso foi difícil para nós, não era complicado como as pessoas costumam achar.
Sempre encaramos tudo na esportiva, era algo necessário para quem tinha um projeto de vida bem definido, que era juntar o maior valor possível de patrimônio em um curto espaço de tempo, justamente por entender que a época de aportes gordos poderiam não durar para sempre.
Nós sempre soubemos que era uma escolha que estávamos fazendo. E estava tudo bem pra gente.
Hoje a gente lembra com bastante carinho dessa época, reconhecemos nosso esforço, e damos boas risadas, porque olhando pra trás, é engraçado mesmo lembrar que a gente corria pela rua com um carrinho de bebê cheio de penduricalhos, ou da gente secando a parede da sala em períodos de chuvas torrenciais. Na época, não era engraçado, mas nunca enxergamos isso como sacrifício, pois era algo que encarávamos com naturalidade, uma fase importante que precisávamos passar.
E é por isso que bato na tecla de que quando temos consciência do que queremos e para onde queremos chegar, os “sacrifícios” se tornam “escolhas”.
Termino o post de hoje com um texto retirado do blog da Claudia Ganhão, sobre o significado de viver de forma intencional:
“Viver de forma intencional, significa viver com intenção, colocando sempre a nossa intenção em tudo o que fazemos, em vez de vivermos somente em piloto automático, desresponsabilizarmo-nos das escolhas diárias, fazendo o que se espera de nós ou o que a maioria faz, sem pensarmos nas razões que nos levam a agir. É um convite para pensarmos nas nossas prioridades e motivações, a planejar e a agir de acordo com as mesmas.”
Quando eu ouvi pela primeira vez sobre FIRE (Financial Independence Retire Early), eu tinha uma bebê recém-nascida no meu colo. Foi um marco inesquecível na minha vida, já que a vontade de voltar ao trabalho era zero.
A gana para me libertar do sistema foi tão grande, que em pouco tempo eu devorei muitos conteúdos FIRE, li centenas de livros sobre investimentos e aprimorei meu controle financeiro. Aprendi a investir e também a economizar, já que no meu trabalho, tenho o agravante do meu salário não ter reajustes anuais por longos períodos, ou seja, apesar dos gastos terem a perspectiva de aumento, a receita diminui; uma péssima combinação.
Aprender a economizar nas coisas certas para gastar em coisas que eram importantes para mim, permitiu que eu continuasse com a mesma qualidade de vida, mas aumentasse os aportes. Eu já era bem controlada financeiramente, então não tive mudanças radicais no meu estilo de vida, mas a forma como eu passei a enxergar o dinheiro, e consequentemente, a investi-lo, mudou da água para o vinho.
Os bons resultados vieram relativamente rápido, por uma sucessão de acontecimentos. A renda fixa que estava dando taxas altas de retorno, o boom imobiliário, a renda variável que ainda não tinha começado a sua subida, aliado com muito estudo, consegui enxergar o poder dos juros compostos em alguns anos, e meu foco se consolidou em acumular patrimônio suficiente para ser FIRE.
Em 2020, eu alcancei o que podemos chamar de Lean FIRE.
Lean FIRE significa que você é independente financeiramente, pois consegue pagar todas suas despesas básicas.
Eu já consigo pagar todas as minhas despesas atuais, e não apenas as despesas básicas, o que me alçaria para o patamar de FIRE, mas como minhas filhas ainda são pequenas e os gastos estão aumentando, acho prudente me considerar no patamar de Lean FIRE. Além disso, nessa crise política e financeira que todos nós nos encontramos, meu patrimônio sobe e desaba numa velocidade impressionante, já que a maior parte dele é composto de renda variável.
Neste ano, comentei que li o livro Die With Zero onde o autor fala sobre a importância de não deixar alguns sonhos para depois, pois alguns eventos têm data de validade.
Depois da leitura do livro, eu percebi que eu seria uma ótima candidata a ser uma Coast FIRE.
Coast FIRE é quando você acredita que possui patrimônio suficiente para deixar rendendo durante alguns anos, enquanto você ainda tem o trabalho ativo.
Há alguns anos, eu escrevi um post falando sobre a minha estratégia FIRE, de que a partir do ano de 2021 (oh, esse ano!!!), eu poderia ficar 5 ou 6 anos sem aportes, e que mesmo assim, seria FIRE por conta do efeito bola de neve. Nessa época, eu ainda não conhecia o termo Coast FIRE, mas pensando agora, é exatamente isso que estou prestes a fazer.
Eu tinha escrito “a partir do ano de 2021”, porque em 2021, minha filha mais velha completaria 6 anos.
A partir dos 6 anos dela, eu tinha muitos planos. Sabia que viagens com crianças seriam mais tranquilas (só não contava que estaríamos no meio de uma pandemia). É uma idade em que a criança está aberta e começa a mostrar interesse para aprender coisas novas como esportes, instrumento musical, dança, ou qualquer outra coisa que ela tenha interesse.
A verdade é que após alcançar determinados marcos FIRE, eu me sinto livre.
Claro que ainda não chegou o momento de sair do trabalho pelos motivos citados acima (e sinceramente falando, após 1 ano e meio trabalhando de casa, trabalhar presencialmente está me fazendo um bem danado), mas eu me sinto livre por saber que não preciso me preocupar com a minha aposentadoria, de saber que se caso eu venha morrer, minha família não vai passar necessidade como minha mãe passou para criar 3 crianças pequenas.
Eu me sinto livre para proporcionar experiências para as minhas filhas, permitir “usar” meu salário sem precisar me preocupar se vai faltar amanhã. É como se o final do arco-íris estivesse agora entrelaçando os meus dedos…
Iniciei o projeto FIRE com 34 anos, e no meu planejamento inicial, eu iria alcançar a Independência Financeira bem mais tarde, mas com os bons ventos dos investimentos, esse prazo antecipou bastante.
Ter começado a estudar finanças, assim que descobri sobre FIRE e ter acreditado nessa “vida de utopia” como muitos dizem por aí, fez muita, mas muita diferença.
Aos 39 anos, cheguei no Lean FIRE.
Aos 40 anos, entendi que cheguei num ponto, que eu posso deixar meu patrimônio crescer por mais alguns anos e fazer o estilo Coast FIRE, talvez até completar 45.
Poderia também ser uma Barista FIRE.
Barista FIRE é quando você atinge a independência financeira, mas trabalha em um emprego tranquilo, muitas vezes de meio período, que oferece alguns benefícios como plano de saúde, ticket alimentação, seguro odontológico.
Ou até mesmo quem sabe, uma Fat FIRE daqui a alguns anos, apenas com o poder do tempo e juros compostos.
Fat FIRE é quando uma pessoa tem dinheiro suficiente para pagar suas despesas e ainda sobra para fazer o que deseja.
Acho que o importante nessa jornada FIRE é não se amarrar em uma única regra, pois é uma jornada longa, na maioria das vezes de 10, 15, 20 anos. É claro que conforme o tempo passa, começamos a ter uma percepção diferente do que tínhamos no início da jornada.
Muitos começam essa jornada solteiros, depois encontram um companheiro, casam, tem filhos, alguns se divorciam, porque viver é isso, temos sempre mudanças acontecendo na nossa vida.
Para mim, foi muito importante não ter me amarrado em um único conceito existente, nem de me colocar dentro de uma única caixa, e sim, ter adaptado os conceitos existentes para abraçar FIRE de acordo com a minha própria realidade e necessidade.
Eu tomei algumas decisões acertadas ao longo destes anos, vivi de uma forma um pouco mais modesta, mas nada absurdo aos olhos das pessoas, tanto que passo despercebida pelo meio em que vivo.
Eu nunca me senti privando de nada, pois eu sabia que estava fazendo algo muito importante, não só transformando a minha vida, mas a vida do meu marido e das minhas filhas.
FIRE sempre foi uma jornada para a liberdade, e é por isso que eu nunca enxerguei como uma jornada de sacrifícios, e sim, de escolhas inteligentes.
Já assisti diversos YouTubers dizendo que ninguém fica rico economizando no cafezinho, torcem o nariz para quem faz economia pequena.
Mas eu enxergo 3 contrapontos nessa frase:
1.) Ninguém começa grande.
2.) O problema não é o cafezinho em si, mas os gastos que ele representa ao longo do ano, acumulado com outros gastos igualmente pequenos.
3.) Quando ignoramos valores pequenos, ignoramos também o valor do dinheiro.
Ninguém liga para um desconto de internet de apenas R$20. Mas não são R$20. Em um ano, são R$240.
Somado com aquela taxa de manutenção bancária de R$30 mensais, vezes 12 meses ao ano, dá R$360, só por não ter uma conta digital sem taxas.
E aquele Uber que pegamos por preguiça, sendo que poderíamos ir andando ou pegar transporte público. Supondo que seja uma economia de somente R$100 por mês, no final do ano já são R$1.200.
Aquela feira semanal que vamos, ao invés de gastar o valor costumeiro, poderíamos economizar R$20 semanais. São mais R$960 de economia ao ano.
Poderia ficar aqui dando 1 milhão de exemplos de onde poderíamos rever o consumo, mas para não cansa-los, vamos somar só estes poucos exemplos: R$2.760,00.
Esse valor poderia facilmente subir para 5 mil, 10 mil reais de economia ao ano, mas quem não se preocupa em economizar valores pequenos, também não vai perceber que está rasgando todo esse dinheiro fora.
A verdade é que ninguém começa grande. Todo mundo começa pequeno. Ninguém começa ganhando um salário alto. Quem fala que temos que ignorar valores pequenos, é porque esqueceu do tempo que ganhava um salário baixo.
Eu concordo que esse controle não precisa ser feito para sempre, mas é muito importante ter uma boa noção do quanto está sendo gasto, e quanto está sendo poupado, principalmente nos primeiros anos de investimento.
Eu sempre comento por aqui que a vida tem fases e ciclos.
Há determinadas fases em que é preciso poupar com mais intensidade, da mesma forma que há fases em que podemos afrouxar um pouco o cinto. Há fases em que entra mais dinheiro no bolso, enquanto há fases em que entra menos.
Comigo não foi diferente. Houve fases em que eu juntei moedas, poupei dinheiro que as pessoas negligenciavam dizendo que era dinheiro do cafezinho. Em cima dessas piadas disfarçadas de brincadeiras, eu poupei tudo o que sobrava, porque sabia que da mesma forma que há períodos que sobra dinheiro, há períodos que não sobra dinheiro, principalmente para quem não tem um salário tão alto.
Muitos influenciadores falam que não devemos nunca diminuir os gastos, e sim, aumentar a renda. Mas vamos ser realistas, não é todo mundo que tem essa facilidade de aumentar o salário.
Temos que reconhecer que podemos ter controle nos gastos, não na renda. E é por isso que meu foco sempre foi economizar.
Todo esse controle que eu tive foi essencial para entender para onde estava indo meu dinheiro. Afinal, “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”. Ou seja, se não sabemos onde está o cano furado, não temos como conter o vazamento.
Após anos poupando e investindo, e depois de acumular um certo patrimônio, cheguei numa fase que não preciso ser tão rígida no controle como era no começo, pois hoje sei quais são os meus ralos e aprendi com erros e acertos, a gastar dinheiro de forma inteligente.
Mas repito, para mim, economizar nas pequenas coisas foi fundamental.
Há muito tempo, assisti um vídeo no YouTube que falava sobre o ponto de ebulição da água.
Ponto de ebulição é quando a temperatura do líquido vence a pressão atmosférica, passando do estado líquido para o estado gasoso.
Para se ter uma ideia da força do vapor, é possível mover uma locomotiva.
Mas veja que a 1 grau Celsius antes, a água estava no seu estado líquido.
A imagem acima também traduz bem o que estou querendo dizer. Muitas vezes, acabamos desistindo um pouco antes de conquistar as coisas.
O desânimo aparece, pessoas começam a desacreditar na gente, as coisas parecem não dar certo… não estou falando das pessoas que insistem nas coisas que estão dando errado, que continuam cavando o buraco errado.
Mas se temos a convicção e a certeza de que estamos cavando o “buraco certo”, que tenhamos força e coragem para continuar nessa jornada, mesmo que ninguém mais além de nós, acredite nisso.
Muito se diz por aí “gaste dinheiro de forma inteligente”. E aí vem a pergunta: como gastar dinheiro desta forma?
Foi com o tempo que eu aprendi a gastar bem o dinheiro. Veja que não é gastar mais, é gastar bem.
Hoje, eu considero que sei gastar o dinheiro de forma bastante inteligente, fazendo manobras para diminuir em alguns gastos, para poder aumentar em outros locais.
Para isso, invariavelmente, há algo que precisa ser feito… é preciso olhar para dentro.
Olhar para dentro significa analisar quais coisas traz felicidade, e entender o motivo desse sentimento.
Quando iniciamos essa análise, nos surpreendemos negativamente, de como vivemos para agradar e tentar impressionar os outros. Que as necessidades foram criadas e impostas e não porque nós realmente precisamos.
Quando fazemos uma viagem e postamos fotos na rede social, fazemos isso com qual propósito? Será que as fotos, as poses preparadas não seriam uma tentativa de surpreender os outros?
Quando compramos uma roupa, um relógio, um sapato, o propósito real é para o conforto próprio ou para as outras pessoas falarem como estamos bonitos?
Quando escolhemos um modelo de um carro, não estaríamos escolhendo para impressionar os colegas de trabalho e familiares?
E assim, de escolhas em escolhas, entendemos finalmente que vivemos sempre pensando em alguém, nunca em nós mesmos.
Quando esvaziamos muitos desses conceitos (nossos e dos outros), sobra o que podemos chamar de essência, aquilo que é mais básico, o mais importante.
E talvez pela primeira vez, olhamos para dentro antes de fazer algo.
Começamos a questionar por que compramos um apartamento grande, com vários quartos, em um bairro completamente distante do trabalho, se não havia necessidade de ter tudo isso? Será que foi para impressionar a família e amigos? Talvez até para provar para nós mesmos o quanto somos capazes… O resultado é que a vida poderia ser mais fácil se tivéssemos comprado um apartamento menor, mais simples, mas próximo dos serviços que mais usamos.
E aquela viagem para uma cidade , ou um país famoso? Quantos de nós conseguiríamos não falar para ninguém que estamos fazendo uma determinada viagem, não postar as fotos nas redes sociais? Aliás, essas fotos estão sendo publicadas com qual intuito?
E assim, de pergunta em pergunta, começamos a derrubar o principal agente motivacional da nossa falsa felicidade: os outros; e passamos a enxergar o que há muito tempo nem sabíamos que ainda existia: a nossa própria vontade.
O julgamento alheio passa a não ser o centro da atenção, porque agora você sabe o motivo da SUA escolha.
“Moro num apartamento de 1 dormitório, porque não preciso de um maior”
“Comprei um celular caro, porque uso e gosto dele.”
“Não tenho carro, porque tenho um propósito maior”
Não importa a justificativa, desde que seja honesto.
Fazer essas perguntas nos ensina como devemos gastar o dinheiro para aumentar a felicidade.
Há um ponto importante. Não adianta não abrir mão de nada e querer tudo, porque haja dinheiro pra realizar tantos desejos. Não quer abrir mão da empregada doméstica, dos restaurantes nos finais de semana, das viagens para o exterior nas férias e ainda quer aposentar cedo? Só se seu salário for muito alto. Se for salário mediano, como a maioria das pessoas, terá que fazer escolhas. O que eu mais vejo são pessoas que querem tudo, mas não estão dispostas a abrir mão de nada.
Outra coisa que não devemos esquecer é o efeito em cadeia de certas decisões que tomamos.
Por exemplo, quando escolhemos uma determinada escola particular para os filhos, os gastos nunca ficarão só na mensalidade. Além da mensalidade, temos os cursos extracurriculares, as viagens que os amigos fazem, o tênis que eles usam, o relógio, onde eles vão passear nos fins de semana, a casa e o bairro que os amigos moram, o valor da mesada que ganham…
Se todos os amigos do seu filho vão para a Disney nas férias e vocês foram para Santos (nada contra Santos heim, é que minha mãe mora lá), se os amigos ganham uma mesada de 500 reais para comer e torrar no shopping enquanto seu filho nem mesada ganha… Nesse caso, não seria melhor escolher uma escola um pouco abaixo do padrão? Alguns pais podem dizer que isso é irrelevante e que precisamos avaliar somente a qualidade do ensino. Bom, aí cada um tem a sua forma de criação, mas para mim, ser socialmente aceito também é algo que devemos considerar para a felicidade das nossas crianças, principalmente numa fase em que as crianças carregam muitas inseguranças.
Para alguns, gastar em roupas é muito importante. Para outros, a roupa nem é tão importante, mas viajar é. Para outros, a viagem pode não ser tão necessário, mas a alimentação sim.
Usar o dinheiro de forma inteligente é isso. É conciliar a sua possibilidade com a vontade.
Errada por morar de aluguel, errada por não ter um carro durante tantos anos mesmo com o nascimento das minhas filhas, errada pelas minhas filhas estudarem em uma creche pública, errada por economizar boa parte do meu salário, errada por querer me planejar e pensar em algo que ainda iria demorar para acontecer.
A diferença é que eu sempre soube que estava certa, e eu sempre tive o meu marido que confiou em mim.
Antes mesmo de conhecer o conceito FIRE (Financial Independence Retire Early), eu e ele já vivíamos de modo diferente da maioria, nós éramos frugais. Nós não importávamos com o que os outros falavam de nós, porque tínhamos um ao outro.
Quando eu comprei meu primeiro imóvel próprio, caindo aos pedaços, muitas pessoas falaram que eu estava fazendo a maior besteira da minha vida, mas eu enxergava potencial. Era um imóvel muito bem localizado, onde os dois quintais (de uma cobertura) estavam na justiça. Comprei assim mesmo, porque avaliei que só a parte de dentro do apartamento, sem os quintais, valia o que estava sendo cobrado. Contratei um bom advogado e deixei rolar. Enquanto isso, fiz uma reforma básica para morar bem e depois de alguns anos, vendi com muita facilidade. Ah, ganhei a causa dos quintais.
Quando coloquei minhas filhas na creche municipal, ouvi uns comentários maldosos sobre esse assunto. Mas o que ninguém sabia era a nossa motivação, o objetivo principal de colocarmos as meninas em uma escola pública. Talvez para quem já veio de uma família de classe média e alta, e sempre estudou em uma escola privada, colocar os próprios filhos numa escola pública seja o fim do mundo. Mas para mim e para o meu marido que estudou a vida inteira em escola pública, nós tínhamos outras motivações, que não eram apenas financeiras.
Quando descobri sobre FIRE e comecei a falar para os amigos e colegas próximos, algumas pessoas riram na minha cara e a maioria das pessoas nem quiseram ouvir o que eu tinha para falar. Comportamento bem diferente do meu marido, que desde o primeiro momento em que sentei do seu lado para explicar sobre o conceito FIRE, ele não só acreditou em mim, como entrou no mesmo barco e começamos a remar juntos. Passados 6 anos, nossa vida deu uma reviravolta (apesar de ninguém perceber essa diferença, porque quase não aumentamos nosso padrão de vida), não há se quer 1 único dia que eu não agradeça por ter tomado essa decisão lá atrás.
Quando as crianças nasceram, decidimos interromper temporariamente as viagens para o exterior, pois queríamos aumentar os aportes e também porque sabíamos que fazer um tour por um país desconhecido com 2 bebês que usavam fraldas não seria uma tarefa das mais fáceis. Sabíamos também que teríamos uma janela de tempo para poupar, pois conforme as crianças crescem, os gastos tendem a aumentar.
Eu e meu marido sempre vivemos abaixo do padrão que poderíamos viver. Então enquanto todos tinham carro, eu andava de ônibus e metrô, o marido de bicicleta. Enquanto todos compravam uma casa, eu continuava no meu apartamento alugado. Quando os amigos começaram a reformar seus imóveis, lá estava eu morando de aluguel ainda. Quando vieram os filhos e todos colocaram em creche particular, eu coloquei na creche municipal do bairro.
Essas são algumas das coisas que as pessoas viram. O que ninguém viu, é que eu não vivi na frugalidade à toa. Eu investi toda essa diferença não-gasta.
Eu poupei todo o dinheiro por não ter um carro. Também poupei todo dinheiro da reforma de um apartamento que não comprei. Poupei todas as vezes que não saí comprando algo desnecessário.
Minha mãe trabalhava para algumas pessoas que tinham um poder aquisitivo elevado. E ela viu muitas destas pessoas quebrarem. Veja que eram pessoas milionárias, que eram donas de empresas, tinham negócios que envolvia toda a família.
Ela sempre falou que não era feio ser pobre (como nós éramos). Feio, era esbanjar dinheiro e no futuro ser pobre, porque isso significava que você geriu mal o seu dinheiro.
Foi com essa frase que eu comecei a minha vida, lá de baixo. Eu entendi que eu poderia aumentar meu padrão de vida se eu tivesse condições de mantê-lo, ou seja, deveria ser uma escolha consciente, e vir de forma constante e devagar.
E é justamente por isso que nesses 11 anos que eu e marido estamos juntos, nunca recuamos nosso padrão de vida, porque crescemos muito mais devagar do que os outros.
Já morei em diversos tipos de apartamento, e em todos eles, vou melhorando um pouquinho. Comecei morando em uma república na época da faculdade, depois dividi quarto com uma amiga, depois morei nos fundos de uma casa de uma família, para finalmente conseguir morar sozinha.
A mesma coisa acontece com a escolha dos bairros. Comecei morando em uma rua encostada em uma favela, porque era o único lugar que eu conseguia pagar com o meu salário que era muito baixo. Depois fui morar em um outro bairro mais simples, e aos poucos fui melhorando, até conseguir morar em um bairro que eu sempre quis morar.
Hoje compro móveis e eletrodomésticos novos, mas cansei de comprar itens usados, de segunda mão, com preços extremamente acessíveis. Já comprei mesa, geladeira, fogão usado, porque nunca foi vergonhoso, eu sempre soube que era uma fase da vida.
Há um exemplo que eu gosto muito de dar, porque exemplifica muito bem o poder do tempo e dos juros compostos que a gente costuma negligenciar.
Imagine uma pessoa começando a investir aos 20, e continua fazendo aportes todos os meses no valor de R$1.000 (vamos desconsiderar a inflação, ok?) até os seus 40 anos, a um retorno hipotético de 10% ao ano. E dos 40 até os 60 anos, não faz absolutamente nada, não coloca mais nenhum dinheiro, só deixa rendendo. Ou seja, investiu por 20 anos, e deixou o dinheiro rendendo por mais 20 anos.
Enquanto a segunda pessoa investiu os mesmos 20 anos do que a pessoa do primeiro exemplo, mas ao invés de começar aos 20 anos de idade, decidiu começar ao 40 e foi até os 60 anos.
Os dois têm 60 anos hoje. Adivinhem quanto cada um tem?
A primeira pessoa tem R$ 4.877.348,19
A segunda pessoa tem R$ 724.986,73
Uma diferença de mais de 4 milhões de reais, sendo que o valor poupado foi exatamente o mesmo. A vantagem está no tempo, para quem começou a investir mais cedo. E é aí que está o grande segredo. Poupar no início da vida financeira para que os juros compostos tenham tempo para crescer. Agora imagine se esse valor inicial investido não fosse de R$1.000, fosse mais?
Os valores impressionam.
O que eu quero dizer aqui é que sempre é tempo de começar, alguns podem dizer, ah, pra mim é tarde demais, mas a verdade é que nunca é tarde. Claro que quanto mais cedo começar, melhor, mas se isso não foi possível, por qualquer que seja o motivo, é importante começar hoje.
Achei os dois posts bem interessantes e resolvi também fazer um post explicando o que acho a respeito.
Durante muito tempo, meu marido odiou o trabalho dele. Foi só quando o dinheiro não era mais a força motriz é que a relação dele com o trabalho mudou. Hoje ele ama o que faz, e segundo as palavras dele, “trabalharia até de graça, pois gosta muito do que faz”. Vejo-o trabalhando nos fins-de-semana, quebrando a cabeça para resolver alguns problemas do trabalho. Quando pergunto por que ele faz isso, ele fala que sente prazer em sentar na frente do computador e ver os gráficos da pesquisa que ele faz.
Mas quando o dinheiro era uma peça fundamental da sobrevivência, isso nunca havia acontecido. Ele se via obrigado a aceitar projetos que não concordava, a fazer viagens que não queria, tudo pelo medo de ser cortado do projeto, de ser rejeitado pelas pessoas. Era o medo e a insegurança que comandava.
Eu enxergo FIRE como “ter possibilidades”. A jornada costuma ser longa, e junto com as oscilações de humor, as fases da vida em que estamos, o chefe que temos, o tipo de pessoas que trabalham conosco, a maturidade, percepções da vida, tudo isso vai interferindo em que tipo de FIRE que queremos ser.
Para quem tem um trabalho insuportável, a vontade é ser FIRE para nunca mais voltar a pisar em um escritório, e obedecer um chefe carrasco. Para quem tem um emprego onde não dá para ter previsibilidade, ou seja, tem o seu tempo raptado, ter de volta o seu tempo é o maior dos prêmios.
Eu entendo que não importa se a pessoa quer parar de trabalhar pra sempre, se quer tirar um período sabático, se quer continuar trabalhando no mesmo trabalho, se quer continuar trabalhando em outra área de atuação, se quer continuar trabalhando por dinheiro, se quer trabalhar de forma voluntária, se quer abrir um próprio negócio, se quer trabalhar em uma jornada reduzida, se quer curtir o tempo livre, se será um FI (Financial Independence) ou se será um FIRE (Financial Independence Retire Early) raíz, sem nenhum tipo de renda entrando além da renda dos investimentos.
A verdadeira riqueza da jornada FIRE é ter LIBERDADE DE ESCOLHA para fazer o que quiser.
E a liberdade de escolha é justamente poder ocupar seu tempo da forma como quiser, seja trabalhando, viajando, cuidando de familiares, estudando… Qualquer uma das opções só será possível por causa da liberdade de escolha.
E digo que tudo bem qualquer uma das opções, porque só nós sabemos lá no íntimo o que é suportável e insuportável na vida.
Da mesma forma que há diferentes tipos de FIRE como o Lean FIRE, Coast FIRE, Barista FIRE, Fat FIRE e outras formas novas de FIRE que vão surgindo, é saudável e permitido ter outras formas de vida pós-FIRE.
Sempre digo que a jornada FIRE não é uma jornada curta, e por isso mesmo, acontecem muitos solavancos no meio do caminho. Pessoas nascem, pessoas morrem, o ambiente de trabalho vai mudando, novas pessoas entram, outras pessoas vão embora, a percepção sobre o trabalho pode melhorar, ou até mesmo piorar. O que era bom hoje pode mudar de um dia para o outro. E o que era ruim, pode melhorar também de um dia para o outro.
Cada um que está prestes a se tornar FIRE, ou já é FIRE e que continua no trabalho, sabe o motivo de continuar no trabalho. Alguns continuam, porque querem continuar recebendo dinheiro. Outros porque sentem uma certa insegurança de terem feito as contas erradas. Outros, porque apesar de tudo, gostam do ambiente de trabalho. Outros, preferem interagir com outras pessoas a ficar em casa sozinho. Também tem os que querem aproveitar os benefícios que a empresa oferece. E em alguns casos, é uma mistura de tudo isso e um pouquinho mais.
Dentre tantas opiniões diversas sobre FIRE, uma delas pra mim é certeira.
A verdadeira riqueza de ser FIRE é ter liberdade de escolha para fazer o que bem quiser. Ou seja, poder viver da maneira que achar melhor.
Outro dia, uma leitora perguntou como não me aborreço com possíveis julgamentos de amigos e família, vivendo de uma forma vamos dizer, um pouco fora do convencional.
E fiquei pensando que talvez nunca deixei isso claro nos posts, mas eu não divulgo o meu estilo de vida para as pessoas que estão ao meu redor.
É estranho falar isso, já que compartilho uma pequena parte da minha vida aqui no blog, mas não falo abertamente sobre esses assuntos na vida real. Então a minha família, os parentes e colegas de trabalho não sabem que eu sigo um estilo de vida minimalista, não fazem ideia de que entendo sobre investimentos, que estou na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early), ou seja, não sabem dos meus planos audaciosos, dos meus sonhos ditos utópicos…
Eu costumo não ser uma pessoa radical, nem na religião, nem na política, nem nos investimentos, eu tenho a minha própria opinião, mas não saio levantando bandeira sobre essas questões, pois sei que cada um tem a sua opinião.
E é por isso que meu marido inventou um termo para isso. Ele diz que aqui em casa, vivemos o “Yukismo”, um estilo de vida que criamos baseado na nossa própria experiência de vida, que funciona muito bem para minha família.
Quando familiares e amigos nos visitam, é inevitável o comentário de que a casa é bem clean, mas eu não começo a discursar sobre o conceito de “como o minimalismo pode ser importante na vida de alguém”. Eu só dou um sorriso concordando.
Às vezes fico sabendo de algum comentário aqui e ali, algum comentário por a gente morar de aluguel, da gente não ter carro, pelo meu marido “ainda” ser um pós-doutorando, por a gente não ter feito uma festa para 300 pessoas no nosso casamento, e por aí vai.
Eu sempre fui uma pessoa discreta. Então fazer uma festa de casamento para 300 pessoas estava completamente fora de cogitação. Eu não conseguia me imaginar no meio de tantas pessoas, cumprimentando pessoas desconhecidas (porque assim, né, sempre tem uns penetras), como daria atenção para todos? Por uma decisão unânime entre eu e marido, fizemos um casamento pequeno, dito mini-wedding, para 35 pessoas em um bistrô francês e ainda emendamos uma lua-de-mel em Paris. Foi maravilhoso ter os meus melhores amigos todos perto de mim celebrando a nossa união. Foi um dos dias mais felizes da minha vida, não teria feito nada de diferente, foi tudo lindo e perfeito.
Outro exemplo fácil de dar é a festa de 1 ano dos filhos. Convenhamos, é uma festa para os adultos, já que o bebê costuma estar de olhos arregalados, assustado com tanto barulho, excesso de luz e pessoas desconhecidas.
No aniversário de 1 ano das minhas filhas, eu fiz festa estilo vovó, brigadeiro feito em casa, um bolo, alguns salgadinhos, e lá vai eu encher algumas bexigas, e chamei meia dúzia de pessoas que minhas filhas conheciam muito bem. Eu não fiz festa em buffet para as minhas filhas, mas não vejo problema em quem faz a festa, sempre que posso participo das festas dos filhos das minhas amigas, e me divirto demais. Para a família que achar esse registro importante, claro que é pra fazer essa festa, porque são momentos que não voltam nunca mais.
O que na verdade faz muita diferença, é que eu e meu marido estamos sempre muito alinhados, e SABEMOS o motivo de todas as nossas escolhas. E com isso, sabemos que se não estamos fazendo, é porque NÃO É IMPORTANTE para nós.
Sempre que for possível, precisamos fazer o que temos vontade, porque de uma forma ou de outra, as pessoas vão nos julgar. Julgar por não ter tido filhos, ou por ter tido 4 filhos. Julgar por morar em uma casa grande demais, ou em uma casa pequena demais. Julgar por sempre estar arrumada, ou por estar desleixada. As pessoas têm uma opinião formada de nós, e não acho que elas mudariam de opinião tão facilmente.
Então ao invés de gastar energia tentando convencer o outro, o que eu e meu marido fazemos é conversar muito entre nós dois, para termos essa consciência de que essa escolha só diz respeito a nossa família, que devemos respeitar a escolha dos outros, e os outros devem respeitar a nossa escolha, mas como as pessoas não costumam respeitar as nossas escolhas, nós nem comentamos sobre detalhes da nossa vida.
Infelizmente, o mundo está muito polarizado. As pessoas querem empurrar goela abaixo o seu próprio estilo de vida, a opinião, querendo ter sempre razão, como se na vida existisse apenas uma única forma de viver. E nada disso é verdadeiro.
Eu não tenho nenhuma pretensão de mostrar que a forma como eu vivo é melhor ou não, claro, ela é muito boa para mim e para a minha família, tanto que compartilho parte do que faço aqui no blog para quem tem interesse ou curiosidade, mas na vida real, não mostro nada disso que compartilho no blog.
Eu sou uma pessoa extremamente comum aos olhos das pessoas que me rodeiam. Eu faço questão de voar abaixo do radar, não chamar atenção (não quero atrair sentimentos de inveja), e por isso consigo transitar bem no ambiente familiar, no ambiente profissional, com os amigos.
A parte ruim é que são poucos os que me conhecem de fato, profundamente. Apenas alguns dos meus amigos. Quem me conhece mesmo, é o meu marido, ah esse me conhece bem.
Como tenho as minhas próprias opiniões que fogem um pouco do padrão convencional, eu percebo que quando resolvo falar o que penso para algumas pessoas, elas se sentem na obrigação de justificar por que não fazem o mesmo, e em alguns casos, tentam me atacar criticando a minha forma de viver. Ora, mas ninguém está falando que a minha forma de viver serve para a outra pessoa, ou seja, uma coisa não tem nada a ver com a outra. É assim que percebo que essa pessoa não está pronta para ouvir opiniões diferentes, e eu corto o assunto e parto para assuntos genéricos.
Já há pessoas que aceitam o jeito que sou, sem julgamentos. Acham legal, mas sabem que não servem para elas, sabem que não precisam seguir o mesmo caminho que o meu, pois cada um tem o seu ponto de vista.
São pessoas que aceitam a minha forma de pensar, não julgam se têm opiniões diferentes, respeitando o meu estilo de vida. São com essas pessoas que eu busco estar sempre por perto, apesar de ser bem difícil encontrá-los.
Quem está na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early) tem o costume de querer poupar tudo, para gastar em um futuro muitas vezes não muito próximo.
Só que não adianta poupar tudo hoje, se não puder gastar amanhã.
E essa frase, vale para praticamente todas as áreas da nossa vida: saúde, alimentação, diversão, sonhos, relacionamentos…
Há certas coisas que precisam ser feitas hoje, e não somente quando chegar o dia de ser FIRE.
Chegará o dia em que começaremos a sentir dores nos joelhos, nas costas, nos ossos, e sentiremos saudades do dia que não sentíamos nenhuma dor no corpo.
Aliás, uma das coisas fundamentais para uma boa vida FIRE é justamente ter saúde. De que adianta todo dinheiro do universo, se não tivermos saúde?
Para este post, irei considerar 4 tipos de saúde:
saúde física
saúde social
saúde mental
saúde financeira
Saúde física
Além de exercício físico, uma boa alimentação é fundamental para ter saúde. Economizar na alimentação pode significar comer alimentos que não são tão saudáveis. E se o alimento não é saudável, pode trazer riscos para a saúde a médio e longo prazo.
De nada adianta correr na esteira todos os dias para depois comer salgadinhos, refrigerantes, biscoitos, miojos etc.
Cada um segue uma linha de alimentação (tem os veganos, os vegetarianos, os low carb, paleo, cetogênica, etc), então vá atrás do que acredita e tente se alimentar da melhor forma possível.
Saúde social
Ao economizar tudo para o amanhã, pode ser que o ideal de relacionamentos que temos dentro da nossa cabeça nem exista mais quando o tão sonhado dia chegar.
Talvez o casamento não aguente tantos períodos de contenção de gastos, talvez os filhos não tenham tantas experiências e estímulos como poderiam, talvez nem tenhamos tantos amigos no futuro se continuarmos recusando convites dos encontros.
Eu considero a saúde social um dos pilares fundamentais para ter uma vida feliz. Ter pessoas de confiança por perto, que não nos julgam, que respeitam as opiniões apesar das diferenças, poder conversar, dar risada, compartilhar confidências e dificuldades é algo valioso demais.
Entendo relacionamento como um costume. Se não cultivamos de forma contínua, perdemos o costume de relacionar com pessoas, e podemos perder inclusive o costume de nos divertir.
Se não consegue se divertir hoje, não será no futuro que aprenderá a se divertir.
E volta a questão anterior. Vai se divertir com quem? Com o cônjuge que não existe mais? Com os filhos que não criou vínculos? Com os amigos que já não têm mais contato?
Saúde mental
Ter saúde mental significa ter uma boa vida emocional, conseguir organizar as ideias, cuidar do bem-estar, ter equilíbrio emocional, e pedir ajuda de profissionais quando necessário.
Saúde financeira
Aqui é importante destacar que equilíbrio é a chave do sucesso da jornada FIRE. Há pessoas que alcançam a Independência Financeira em 5 anos, mas a maioria demora muito mais tempo para conseguir ser FIRE. Estamos falando de uma jornada de muitos anos, e que geralmente há outras pessoas envolvidas como cônjuge, filhos crescendo, pais envelhecendo, então não podemos sair radicalizando.
A última vez
Temos que sempre lembrar de como somos finitos e as pessoas que estão à nossa volta também são.
Quem garante que lá no futuro estaremos vivos? Vivos e com saúde?
Quem garante que lá no futuro, a pessoa que amamos esteja viva? Viva e com saúde?
Precisamos conviver bem com as pessoas que amamos hoje, porque ninguém sabe o que vai acontecer amanhã.
Nós nunca saberemos quando será a última vez das coisas.
A última vez que os filhos irão pedir para dormir junto.
A última vez que daremos boa noite para o cônjuge.
A última vez que iremos conversar com os pais.
A última vez que não sentiremos nenhuma dor no corpo.
O último pôr-do-sol, o último show, o último ano novo, o último encontro.
Tem certeza? Pois é muito mais difícil do que parece, e está muito mais internalizado do que imaginamos.
A gente acha que não, mas comprar é um vício. A diferença é que esse vício é bonito, muito bem aceito pela sociedade.
Hoje em dia, eu não tenho mais essa tara para comprar coisas: comprar roupas, comprar bolsas, comprar sapatos, comprar maquiagens, comprar eletrônicos, comprar presente para os outros.
Claro que eu também adoro comprar, mas costumo comprar coisas que estou precisando ou algo que eu quero muito. Avalio muito bem antes de comprar, compro com bastante planejamento, e dificilmente me arrependo das minhas compras.
Para chegar nesse ponto, eu demorei muito, muito tempo.
Primeiro, porque eu não sabia comprar direito, então comprava qualquer coisa, chegava em casa, passava a euforia e depois não usava. Segundo, porque eu tinha vontade de comprar por comprar. Queria passear no shopping, procurar algo para gastar meu dinheiro. Eu nem sabia o que eu queria comprar, só queria gastar meu dinheiro.
Nos fins-de-semana, queria bater perna na rua para olhar as vitrines e comprar alguma coisa pra mim. Qualquer coisa servia. O ato de comprar tinha se tornado um vício para aliviar o estresse, uma válvula de escape.
E como consegui parar de comprar?
Consegui, quando passei a ter as coisas que eu realmente queria.
Tudo começou com uma carteira. Eu sempre tive o costume de trocar a carteira a cada 4, 6 meses, porque sempre gostei de fazer isso. Fiz isso praticamente durante uma década, de 2000 até 2010. Eu tinha uma coleção de carteiras…
Quando fui assaltada e fiquei sem a minha carteira, eu decidi pela primeira vez, comprar uma carteira muito boa, mas que não comprava antes, porque achava cara. Quando comprei, senti algo que não sabia direito o que era, era uma sensação boa, de satisfação, mas desta vez, uma satisfação duradoura, bem diferente do sentimento descartável que eu tinha quando fazia compras por impulso.
O que me surpreendeu, é que depois desta compra, a vontade de trocar minha carteira a cada 4 meses cessou por completo. Isso mesmo, nunca mais troquei de carteira. Essa história aconteceu em 2010. Estamos em 2021 e estou com a mesma carteira desde então, são inacreditáveis 11 anos. Ela continua conservada, e fico satisfeita toda vez que vejo, porque sei que fiz uma ótima compra.
E aos poucos, passei a fazer isso com tudo na minha vida.
Eu parei de me importar com preço e quantidade, e comecei a prestar atenção no valor que um determinado produto tinha para mim (e não para os outros).
Ao invés de ter um guarda-roupa abarrotado, decidi ter um guarda-roupa enxuto. Tenho poucas roupas, porque durante mais de 1 ano, estudei que tipo de roupas eu gostava, descobri quais modelos e cores combinavam comigo, e ainda eliminei as roupas que eu tinha dificuldades de combinar.
Muitos de vocês leram meu post sobre a bicicleta que eu comprei. Eu demorei 4 anos para acha-la, pois perdi a oportunidade de comprar na loja e depois a bicicleta deixou de ser comercializada no Brasil. Eu preferi esperar pacientemente alguém se desfazer da bicicleta, acompanhando sites de desapego, do que comprar qualquer modelo de bicicleta, pois sabia que iria ficar descontente rapidamente.
Hoje eu tomo meu chá na minha caneca preferida, sento na cadeira de um modelo que eu gosto, durmo no colchão que escolhi a dedo, sento no sofá que me dá satisfação toda vez que vejo minha família bem acomodada, uso há anos a mesma marca de sapatos que não machucam meus pés, visto as roupas que me caem bem, enfim, estou rodeada de objetos que me traz satisfação.
Nem sempre o produto que eu compro é o mais barato, mas não necessariamente é o mais caro. Eu simplesmente escolho o que eu mais desejo (dentro dos meus padrões orçamentários, claro).
Em relação ao preço das coisas, comecei a entender que mesmo se eu escolhesse algo mais caro, valia a pena, desde que eu soubesse que era realmente algo que EU queria, e não algo que era somente para ostentar para os OUTROS. Ao comprar algo da minha preferência, comecei a cuidar melhor dos objetos, e as coisas começaram a durar mais. Também não enjoava, então não precisava mais ficar substituindo os produtos por outros novos, porque dava muito prazer vê-los comigo.
Alguns produtos, eram sim mais caros, mas agora eu precisava em menor quantidade. Não sentia mais necessidade de ter 50 calças jeans. Alguns pares já me bastava, desde que o modelo ficasse perfeito no meu corpo.
Até minhas filhas estão compreendendo isso. Quando a caçula diz que quer um chinelo novo, a minha filha mais velha já explica que quando esse chinelinho que serve perfeitamente no pé dela ficar pequeno, iremos numa loja para escolher um chinelo que ela desejar. Sim, ela pode escolher o modelo que mais gostar.
Quando a gente gosta do que tem, a gente cuida bem. A gente não sente aquela necessidade de trocar, de substituir, de jogar fora, nem tem medo do julgamento alheio. E com isso, mesmo sendo itens um pouco mais caros, no final, acaba saindo mais barato, porque só aquele único objeto te atende muito bem.
Quando eu passei a fazer isso, comecei a me sentir mais satisfeita com as coisas que eu tinha, e parei de querer comprar coisas sem parar, que pensando agora, não passava de um ato automático de repetição infinita.
Então é aquela velha história da suficiência. Eu não passo vontade, porque tudo o que eu deixei de comprar, eram coisas que não eram importantes para mim.
A conversa sobre não postergar sonhos anda rendendo.
Nos posts anteriores, escrevi sobre a importância de reconhecer que não somos eternos e como alguns momentos são mais importantes do que outros (post Quantos anos você tem pela frente).
Depois escrevi um post sobre uma dúvida que muitos têm, Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?, compartilhando como eu pretendo utilizar melhor meu tempo e dinheiro após este período pós-pandemia.
Gastar dinheiro parece ser algo contraditório para quem está na jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early), já que a intenção de quem quer ser FIRE é poupar o máximo do salário para se aposentar cedo.
Bill Perkins, autor do livro Die With Zero fala que alguns sonhos têm data de validade e recomenda que criemos um “Bucket List” (algo como uma lista de tudo o que queremos fazer antes de morrer), só que em blocos de tempo, no caso, de 5 anos.
Foi a grande oportunidade para resgatar a minha lista chamada “Um dia, Talvez”. Nesta lista, eu coloco tudo o que quero fazer um dia, todos os sonhos possíveis (e os meio impossíveis também).
Achei interessante que ao distribuir os itens dessa minha lista em cada balde, saí da condição “eu farei um dia” e entrei na condição “farei quando tiver entre 40 a 44 anos”, ou “quando tiver entre 45 a 49 anos”, e assim, um sonho que até então era abstrato, começa a tomar forma.
Criei um balde para cada bloco de 5 anos até os meus 80 anos (é a expectativa da minha vida, segundo a tábua da vida do IBGE):
Só nesse exercício, eu já fiquei surpresa como tenho poucos baldes… se eu tiver a sorte de viver até os 80 anos e com saúde, eu tenho 8 baldes.
Como eu tenho marido e filhas, achei legal colocar a idade dos integrantes da minha família também:
Tendo “apenas” 8 baldes e agora sabendo a idade de todos os membros da família, fui colocando tudo o que constava na minha lista do “Um dia, Talvez”.
E ao fazer a distribuição de cada sonho nos baldes, tive a certeza de que alguns dos meus sonhos precisam ser realizados com uma certa rapidez.
Por exemplo, há resorts que tem muita coisa legal para as crianças pequenas brincarem. Estes resorts, foram colocados como prioridade no primeiro balde quando minhas filhas ainda terão entre 5 até 11 anos de idade.
Alguns parques temáticos e museus, também têm data de validade para elas alcançarem o que podemos chamar de “topo da alegria”, ou até mesmo “a melhor idade para ir”.
Há também algumas viagens específicas que precisamos fazer no momento certo. Meu marido quer subir algumas montanhas, não vamos conseguir fazer isso com 70 anos de idade.
Também pretendo fazer uma viagem para o Japão com minha mãe. Ela está esperando as netas crescerem um pouco mais para poder aproveitar a viagem, e o mais importante, para elas se lembrarem dessa viagem. Tenho que colocar esta viagem no balde certo, pois na mesma velocidade que minhas filhas crescem, minha mãe envelhece.
Já se eu quisesse fazer um Cruzeiro, poderia colocar em um dos últimos baldes, pois sei que é uma viagem tranquila para terceira idade.
Veja como é importante fazer certas coisas no momento certo.
Há coisas que eu fiz e que foi muito divertido, coisas que talvez eu não fizesse mais hoje, como participar de uma corrida fantasiada de Wally… sim, eu quis pagar esse mico e ainda arrastei o marido junto.
Por outro lado, tem um tipo de viagem que eu acho que já perdi o bonde. Eu sempre falei que queria viajar de trailer, mas conforme vou ficando velha, estou ficando medrosa. Eu tenho medo do trailer quebrar no meio da estrada, tenho medo de dormir em lugares abertos, sentiria falta de tomar um banho quente no meu chuveiro, coisas que se eu fosse 10 anos mais nova, eu não pensaria duas vezes em me aventurar. Hoje eu tenho medo até de insetos… Quando vou para parques e praças com as minhas filhas, fico olhando excessivamente a grama pra ver se não tem cocô de cachorro, se não tem aranhas, se não tem um formigueiro por perto…. quando eu era mais nova, eu não ligava pra essas coisas, eu até deitava no chão da calçada.
Claro que pra fazer a maioria das coisas, precisamos de dinheiro. Mas também dá pra fazer muitas coisas com pouco dinheiro, desde que a pessoa não se importe com luxos.
Quando falo em experiências, cada família possui uma condição financeira diferente. O que é muito para mim pode ser pouco para a outra família e vice-versa.
Aqui neste post Como curtir uma viagem e economizar ao mesmo tempo, eu dei um exemplo de uma viagem em família econômica. É um resort? Não. É um hotel 5 estrelas? Claro que não. Mas para quem estava com 2 crianças pequenas (na época 2 e 4 anos) e queria descansar um pouco, o hotel atendeu muitíssimo bem. Um hotel com todas as refeições inclusas, piscina, uma área para as crianças brincarem, e comida muito boa.
Na época (foi em 2019) eu paguei R$739 por 3 noites para toda família. Significa que a diária para o casal saiu R$246,33, ou seja, R$123,16 por pessoa (com café da manhã, almoço e jantar inclusos). Além de tudo, as crianças não pagaram, entraram como cortesia.
Só estou querendo dizer que há espaço para vários orçamentos. Há viagens mais econômicas, viagens de lazer que podem ser barateadas em troca de trabalho, há até pessoas que estão dispostas a hospedarem viajantes do mundo inteiro em troca de boas histórias.
Por isso cada pessoa deve avaliar o próprio orçamento, analisar em que fase da vida está, se é o momento certo para gastar, ver o que é possível fazer e de que forma.
O importante é não deixar passar alguns sonhos, pois muitos deles têm data de validade.
Não podemos nos iludir achando que a vida só vai começar depois que atingirmos FIRE. Quem tem mais idade já sabe, quanto mais a idade avança, mais difícil se torna a tarefa de encontrar bons amigos. Quanto mais tarde começarmos a fazer exercícios físicos, mais o nosso corpo sente. Quanto mais tarde resolvermos nos alimentar bem, lá na frente pode ser tarde demais, pode ser que já estejamos doentes.
Quem está percorrendo a jornada FIRE precisa tomar muito cuidado para não exagerar no Poupar (postergar sonhos, deixar para viver só depois que alcançar FIRE), nem exagerar no Gastar (pensar apenas no presente e esquecer do futuro).
Tá, então qual seria a solução?
O Coast FIRE pode ser a sua solução.
Por definição, Coast FIRE significa juntar dinheiro suficiente no início da jornada para não precisar mais se preocupar com a independência financeira na data da sua aposentadoria. Com o montante inicial, o patrimônio ficará adormecido durante décadas, e com a ajuda do tempo e juros compostos, poderá alcançar a curva íngreme dos juros compostos até o ponto de chegar na independência financeira.
Pode ser que não consiga ser FIRE (no caso, aposentar cedo), mas saber que terá uma aposentadoria digna é um grande alívio.
Apenas para mostrar a diferença entre um e outro:
Ser um FIRE significa que você não precisa ter um trabalho para viver, pois pode viver com o rendimento dos investimentos.
Ser um Coast FIRE, significa que você precisa cobrir suas despesas atuais, mas não precisa se preocupar com a sua aposentadoria.
“Coast FIRE é o ponto de inflexão matemático em que o dinheiro que você investiu é suficiente para crescer a uma quantia suficiente para a aposentadoria sem exigir contribuições adicionais.” Fire the Family
Ou seja, desde que você consiga acumular um valor razoável, poderá parar de poupar (ou poupar menos) e começar a usar boa parte do seu salário para diversões. Claro que é preciso ainda pensar em como pagar as contas do mês, mas não precisará se preocupar com a aposentadoria lá na frente.
Para quem não quer perder o timing de fazer as coisas que tem vontade de fazer, o Coast FIRE pode ser a solução.
Eu sempre gostei de planejar, porque foi a maneira que encontrei para conseguir realizar sonhos, sem comprometer o orçamento.
Mas recentemente, comecei a fazer uma pergunta: qual é o valor máximo que poderia comprometer da minha renda para realizar mais sonhos, sem comprometer o projeto FIRE (Financial Independente Retire Early)?
Estou lendo o livro Die With Zero (ainda sem tradução para o português), onde o autor enfatiza que certos momentos da nossa vida tem data de validade para acontecer. Não adianta um pai comprar uma piscina inflável depois que as crianças já estiverem crescidos, pois a alegria dos filhos com certeza não será a mesma.
Da mesma forma, há viagens que fazemos com mais facilidade quando somos mais jovens, como mochilão, dividir quartos com desconhecidos, passar a noite em claro, ficar em albergues. Conforme ficamos mais velhos, buscamos por mais conforto, privacidade, limpeza, comida boa, chuveiro bom e colchão de qualidade nos lugares que hospedamos.
Certas diversões precisam ser feitas em uma determinada época da nossa vida para que a intensidade da felicidade seja aproveitada ao máximo. Há coisas que não podemos deixar para depois: depois que virarmos FIRE, depois que sairmos do emprego, depois que estivermos aposentados.
Há apenas uma pequena janela de tempo para cada uma das diversas fases da nossa vida. São momentos que se não aproveitados bem naquele momento, deixam de ser especiais. Então devemos aproveitar quando estivermos na melhor fase, na melhor idade, na fase do ápice.
Em 2020, escrevi o post: Quantos anos você tem pela frente? que explica bem esse conceito de como alguns momentos da nossa vida são mais preciosos do que outros. Quem já teve alguém que ama com uma doença terminal sabe muito bem do que estou falando. Não dá para postergar nem por algumas semanas o momento para passar com essa pessoa.
Reconhecer que alguns momentos da nossa vida são únicos, é um passo importante para tomar decisões importantes de forma mais consciente.
Ler o livro Die With Zero, ainda que esteja nos capítulos iniciais, me fez pensar em como poderia potencializar mais realizações. Estou há 1 ano e 3 meses em isolamento social – total, diga-se de passagem – e logo assim que a pandemia estiver sob controle, quero retomar os momentos de diversão com minha família, criar memórias, mas sem estourar o orçamento.
Pensei que se estipulasse um valor no início do ano facilitaria o meu planejamento para gastar ao longo dos próximos 12 meses nos “gastos com felicidade”. Mas afinal, quanto destinar sem prejudicar meus planos futuros?
Como eu e meu marido ainda trabalhamos e possuímos renda ativa, decidimos que gastaríamos uma parte de tudo o que foi poupado no ano anterior. Isso significa que quanto mais pouparmos, mais gastamos em felicidade. É um sistema ganha-ganha.
Usaremos uma porcentagem pré-definida do total de aportes feitos no ano anterior. Neste primeiro momento, começaremos com 20% de tudo o que aportaremos neste ano de 2021.
Essa faixa de 20% dá um valor bastante significativo, pois somos bons poupadores. Estamos numa fase bastante confortável da jornada FIRE, poupamos bastante e os investimentos têm dado ótimos retornos, então iremos avaliar essa porcentagem a cada ano, com tendência de aumento gradativo para 25%, 30%, 35% e assim por diante, aumentando ainda mais a exposição da família em experiências que tem data de validade para acontecer.
Esse plano será seguido enquanto estivermos trabalhando. Depois, decidiremos as próximas estratégias quando pararmos de trabalhar.
Então seria algo assim:
No primeiro momento, pode parecer esquisito, afinal, pra quê fazer essa separação de dinheiro? Não seria mais fácil só poupar menos? Investir menos e usar esse dinheiro durante o mês?
Bom, se eu decidisse poupar menos no mês para gastar mais, eu tenho certeza que apenas aumentaria minhas despesas e o padrão de vida, mas não necessariamente aumentaria a felicidade… uma comida de delivery, compras de supermercado, uma bobeirinha aqui e ali, pedir um Uber porque estou com preguiça de andar, ou qualquer outra coisa que depois de 10 anos, nem lembraria o que eu fiz com esse dinheiro.
Ao fazer essa separação de “gastos com felicidade”, posso planejar com calma tudo o que quero fazer ao longo do ano. Além disso, será um incentivo saber que quanto mais aportar, mais poderei gastar para realizar sonhos, afinal, o dinheiro terá destino certo.
Eu vejo 3 vantagens ao fazer isso:
1.) gastar mais com experiências sem dor na consciência de achar que estou sabotando o projeto FIRE, pois saberei que é um gasto previsto/planejado
2.) patrimônio já acumulado intacto, ou seja, dinheiro trabalhando para mim, usando o fator tempo e juros compostos ao meu favor
3.) aportes mensais contínuos potencializando o efeito bola de neve
Bill Perkins, o autor do livro mencionado no início do post, fala que há pessoas que conforme o patrimônio cresce, o tamanho dos seus potes vão mudando. Se antes a felicidade era ter 1 milhão de dólares, quando se alcança este número, surge uma nova meta numérica… 5 milhões, 10 milhões e assim por diante, ou seja, entra em uma espiral de “acumule, economize mais e nunca desfrute”, criando metas inalcançáveis para postergar sonhos.
A vida é valiosa demais para ficar só acumulando patrimônio e não gastar em experiências com pessoas que amamos no momento certo. Quero gastar tempo e dinheiro com coisas que tragam memórias, enquanto tenho disposição, enquanto minhas filhas amam ficar penduradas em mim. Quero dar um bom destino a esse dinheiro construindo mais memórias, fortalecendo vínculos afetivos, que remetam boas lembranças e aumente contato com pessoas que são importantes na minha vida.
Consciente de que o tempo é finito, temos que aproveitar enquanto somos jovens, enquanto temos disposição, temos saúde e pessoas que amamos por perto.
Este post é mais um lembrete de que o dinheiro deve nos servir, e não virar nosso patrão.
Passado dois anos, vim atualizar o que tenho feito com as crianças.
Minhas filhas atualmente estão com 4 e 6 anos.
Eu ainda não dou mesada para elas.
O que faço é preparar o terreno para poder plantar sementes no momento certo:
A importância de esperar e sentir alegria enquanto espera
Eu tenho uma agenda em que coloco as minhas metas.
E resolvi acrescentar algumas páginas e envelopes para que elas também pudessem participar dessa construção das metas.
Para que fique mais fácil o entendimento para elas, elaboramos metas coletivas para que todos pudessem se divertir juntos. E com isso, elas criaram 3 metas: juntar moedinhas pra comprar doces, fazer uma pequena viagem de fim-de-semana, e ir de novo ao Parque da Turma da Mônica.
Toda moedinha que aparecia em casa, elas acrescentavam no envelope das balas e pintava um quadradinho. Elas sabem que quanto mais quadradinhos coloridos, mais próximo da meta estamos.
Veja que não estamos falando de preço aqui. Vinte reais é um valor pequeno, que eu poderia simplesmente ir na doceria e comprar balas. Mas o que estou fazendo aqui com minhas filhas é o exercício da espera, de sentir alegria enquanto tenta alcançar a meta. Elas pulam de alegria toda vez que abrimos a agenda, pois sabem que a meta está cada vez mais próxima. Como o valor é simbólico, sempre conseguimos alcançar essa meta relativamente rápido.
Enquanto esperamos esse dia especial chegar, elas gostam de conversar entre si sobre quais doces irão comprar, como irão dividir, etc.
Eu acho essa “espera” muito saudável.
Na foto abaixo, todos os quadradinhos já haviam sido pintados por elas, ou seja, meta alcançada.
Já para a meta da viagem de fim-de-semana, todo início do mês, separamos uma quantia para que elas possam colocar no envelope da viagem. Como há 2 metas (a viagem de fim-de-semana e o Parque da Turma da Mônica), expliquei que começaríamos com a meta da viagem, e somente depois de alcançarmos esta meta, partiríamos para a meta do Parque.
Essa meta de ir no Parque da Turma da Mônica ainda não foi iniciada, por isso a página está em branco, mas o importante é que elas folheiam as páginas e ficam sonhando.
Eu quero que elas entendam que não dá pra fazer tudo de uma vez, precisamos priorizar as metas.
Primeiro tentamos a meta mais fácil (a da bala), depois a metas que temos mais vontade (a viagem de fim-de-semana) e por último a meta que pode esperar um pouco mais (a do Parque da Turma da Mônica, pois elas já foram).
Acho importante saber esperar e aprender a sentir alegria na espera (e não frustração).
Afinal, a espera é um exercício, assim como nós, adultos, também precisamos praticar.
Ensinar que quem guarda sempre tem
Esse é o nosso lema em casa, pra tudo.
Se elas pedem para brincar de barbante, peço para usar o que precisam e guardar na gaveta o que não for usar.
Se querem brincar de cola, entrego o pote, e digo para elas usarem o necessário.
E como sempre falo “quem guarda sempre tem”, elas estão aprendendo naturalmente que tudo bem usar, consumir, comprar. O problema está no desperdiçar.
A importância de saber sobre juros compostos
Particularmente falando, acho um pouco cedo ensinar sobre dinheiro. Sei que há pais que ensinam os filhos bem cedo, mas eu ainda prefiro esperar um pouco mais.
Há pouco tempo, comprei um cofrinho para elas, mas as moedinhas viraram brinquedos e elas sumiram com metade dessas moedas. Ou seja, não estão prontas.
Mas isso não significa que não falamos sobre investimentos (eu e o marido) e elas acabam ouvindo bastante coisa, apesar de não entenderem absolutamente nada.
Em uma das conversas, tentei explicar sobre o conceito dos juros compostos para a minha filha mais velha, com o M&M que ela segurava firmemente nas mãos.
“E se eu falar que se você colocar nesta caixa amarela, os seus 30 M&Ms continuarão sendo 30 M&Ms. Mas que se você colocar os seus M&Ms na caixa certa, deixar por um tempo sem comer, eles podem virar 60 M&Ms?”
Os olhos dela brilharam. E ainda perguntou:
“Onde mamãe? Qual é a caixa que eu tenho que guardar para que eu tenha mais chocolates?”
Pronto, o conceito dos juros compostos foi plantado nela.
Eu falei para ela que no momento certo, eu iria apresentar a caixa que faz isso.
Neste momento, é isso que tenho feito com as crianças.
Daqui a 2 anos, eu volto para contar as novidades.
Eu ainda tenho alguns anos pela frente para alcançar a tão sonhada Liberdade Financeira.
Mas conforme os anos vão passando e o patrimônio aumentando, sinto a necessidade de olhar para a minha carteira de investimentos com mais carinho, pensar qual estratégia funcionaria melhor para mim.
Há diversas estratégias espalhadas por aí, além da mais conhecida regra da Taxa Segura de Retirada de 4%.
Vou colocar aqui alguns posts muito bons sobre o assunto:
Depois de ler e pensar bastante, tenho pensado em me apoiar na criação de renda passiva com Fundo de Investimentos Imobiliários, os famosos FIIs.
Eu não concentraria num único tipo de ativo, ou seja, teria outras fontes de renda, como os dividendos das ações e também o aluguel do meu imóvel físico, mas gostaria de pagar as minhas despesas mensais com os FIIs.
Vale lembrar que Gleison do Sapien Livre usa esta estratégia (carteira previdenciária com FIIs) desde que declarou sua independência financeira, e acompanhei sua tranquilidade, mesmo nos períodos em que o mercado financeiro teve quedas pavorosas por conta da pandemia. Essa tranquilidade vem justamente por não precisar se desfazer de nenhum ativo que está descontado para pagar as contas do mês.
Mesmo quando os ativos perderem 30% ~ 50% de valor e parte da renda passiva mensal reduzir, graças à previsibilidade dos FIIs, temos mais chance de suportar com menos abalo psicológico, períodos longos e de grandes oscilações no mercado financeiro, pois não precisamos vender nenhum ativo.
O Diego do Aposente Cedo também utilizou esta estratégia quando iniciou sua vida FIRE (Financial Independence Retire Early) há poucos meses. A sua carteira está alocada em diversos ativos, mas as suas despesas básicas são pagas com folga pelos aluguéis dos FIIs.
Atualmente, minha carteira está 90% alocada em renda variável e 10% em renda fixa.
Isso aconteceu, porque eu basicamente zerei posição na renda fixa para comprar ações, no momento em que a bolsa estava batendo os seus 70 mil pontos, no início da pandemia em 2020.
E com a subida da bolsa, minha exposição em renda variável aumentou ainda mais.
A ideia agora é reduzir parte da minha carteira de ações e aumentar gradativamente a exposição em FIIs, até 30%. Eu já estava fazendo isso apenas com os meus aportes mensais, mas caiu a ficha recentemente que fazer esse rebalanceamento da carteira apenas com os meus aportes, demoraria muitos anos.
Quando chegar em 30% em FIIs, vou avaliar se aumento a exposição um pouco mais ou não, dependendo da renda passiva que o portfólio de FII irá gerar.
Eu não pretendo alocar 100% da minha carteira em FIIs, mas para quem tiver interesse, vale a pena a leitura do e-book gratuito do Rodrigo Medeiros, do Desmistificando FIIs e não esquecer que mercado imobiliário tem períodos de recessão e de expansão.
Ponto 1: FIIs para geração de renda passiva
Sabemos que as ações dão mais retorno do que Fundos de Investimento Imobiliário e renda fixa no longo prazo.
A renda fixa gera ótimas oportunidades se bem aproveitadas, e também dá uma sensação de segurança quando a carteira de ações desaba 30, 40, 50%.
Por esse motivo, tento manter pelo menos de 20% a 25% da minha carteira em Renda Fixa, apesar de atualmente estar em 10% pelos motivos citados acima.
De qualquer forma, meu foco hoje é na geração de renda passiva com FIIs, pela previsibilidade.
Ponto 2: Manter o imóvel físico para renda passiva futura
Já pensei por diversas vezes em desfazer do imóvel que atualmente está alugado, e transformar em FIIs, mas por enquanto, como o valor do financiamento é menor que o valor que o inquilino paga, vou mantê-lo, afinal, quem está pagando o meu financiamento é o inquilino.
Depois de alguns anos, a diferença do fluxo de caixa será um plus na renda passiva.
Ponto 3: Tentar uma TSR menor que 4%
Na regra dos 4%, eu teria que anualmente vender parte da minha carteira para compor a minha renda mensal.
Mas com a estratégia de geração de renda passiva com FIIs, pretendo não sacar nada do principal, e usar apenas os aluguéis dos FIIs.
Então resumindo, a minha estratégia será:
Aluguéis dos FIIs: servirá para pagar minhas despesas com folga
Aluguel do imóvel físico: inquilino paga o financiamento imobiliário
Dividendos das ações: reinvestir
Renda extra: reinvestir
Como pretendo pagar as despesas mensais com os aluguéis dos FIIs, vou deixar uma folga financeira de uns 20~30%.
Este valor que irá sobrar mensalmente, penso em colocar em algum fundo DI para ser gasto em viagens, lazer, ou qualquer outra coisa que eu ache importante.
O reinvestimento seria feito apenas com os dividendos das ações e de eventuais rendas extras.
Com essa estratégia, eu acredito que conseguiria ter mais chances de sobreviver a uma crise econômica (que a gente nunca sabe quando vai acontecer), já que a carteira de ações, stocks, renda fixa e reserva de emergência (eu ainda tenho uma previdência complementar da empresa que trabalho), estariam intactos, permitindo o crescimento saudável do patrimônio ao longo dos anos.
Em caso de uma crise extrema, inflação completamente descontrolada, tenho a opção de ir morar no imóvel que hoje está alugado.
Sei que não há um único caminho para alcançar a Independência Financeira, da mesma forma que não há um único caminho para definir o que é certo e errado em relação a renda FIRE.
É apenas uma das estratégias dentre as diversas estratégias, para o mesmo objetivo.
E você, já sabe qual estratégia irá utilizar para gerar sua renda FIRE?
Vocês sabem que gosto de listas, então, segue as minhas dicas pessoais para evitar compras impulsivas:
1. Compre apenas no momento de usar
Uma coisa que eu aprendi nesta pandemia foi parar de comprar com tanta antecedência. Era uma coisa que eu fazia com frequência, gostava de planejar com meeeeeses de antecedência, mas percebi que nem sempre fazer isso é bom.
Lembro de um dia ter comprado maiô pra fazer natação. Depois deixei guardado na gaveta, resolvi fazer uma reeducação alimentar e emagreci 12kg e aí aquele maiô que eu tinha comprado, e que estava guardado na gaveta, ainda com etiqueta, não serviu pra mais nada.
Seria mais inteligente da minha parte comprar o maiô somente depois que eu tivesse feito a matrícula na escola.
Fora as outras coisas que comprei, e que de uma forma ou de outra, acabou perdendo o sentido depois de esperar alguns meses para ser usado.
Agora já aprendi que é melhor comprar somente quando chegar o momento de usar.
2. Tenha uma lista de compras
Eu tenho uma lista chamada Compras.
É nesta lista que eu coloco o cardigã que eu quero comprar, e que está lá há mais de 2 anos, porque não achei a cor que eu quero, o kit de brocas para a furadeira, entre outras coisas.
O bom de ter essa lista é que depois de alguns meses, eu desisto de comprar a maioria dos itens que estão lá. Ou seja, não era importante, seria uma compra por impulso.
Esse kit de brocas por exemplo, está nesta lista há pelo menos 3 meses, e não tenho pressa para comprar. Já pesquisei pela internet, mas prefiro escolher na loja. Fazer isso faz com que eu tenha menos arrependimentos na hora da compra.
3. Não se emocione com as liquidações
Aproveitar uma liquidação é sempre muito bom, se conseguirmos comprar somente o que iremos usar de verdade. Agora, comprar só porque está barato, só por este único motivo, não vale a pena.
Eu já me emocionei muito com liquidações, achava que estava perdendo grandes oportunidades se não aproveitasse.
Hoje prefiro comprar algo mais caro sabendo que é algo que irei usar, do que comprar algo mais barato sem saber se irei usar.
4. Não compre por estar na moda
Eu lembro que há alguns anos, se tornou tendência a calça pantacourt (uma calça larga e curta, ou uma bermuda longa rs).
Era muito comum ver várias, várias mulheres usando aquelas calças largas e listradas que iam até a canela.
A verdade é que são poucas as pessoas que ficam bem naquele tipo de modelo, que encurta as pernas.
Mas era impressionante a quantidade de pessoas que eu via na rua usando.
Ao invés de comprar porque está na moda, eu acho melhor comprar porque combina.
5. Antes de comprar, pesquise a opinião de outros consumidores
Há alguns anos, eu comprei um termômetro digital da marca Omron por justamente conhecer bem a marca.
Só que eu esqueci de pesquisar o produto em si, e não apenas confiar na marca.
Eu só descobri que aquele modelo específico de termômetro era descartável, quando minha filha estava ardendo de febre e o termômetro relativamente novo estava sem bateria.
Se eu tivesse feito essa pesquisa antes, saberia desse detalhe importante.
6. Jogue os e-mails de lojas para a pasta do spam
Tem períodos que eu resolvo me descadastrar de todas as lojas (elas me encontram mesmo eu não me cadastrando).
Mas em alguns momentos, tenho a impressão de que quanto mais me descadastro, mais e-mails eu recebo.
É uma coisa de doido.
Então eu oscilo entre fases em que saio descadastrando tudo, com fases que simplesmente ignoro e levo para a pasta de spam.
7. Pare de acompanhar canais que incentivam o consumo
Se tem uma período da minha vida que eu comprei maquiagens caras, foi justamente na época em que eu acompanhava os reviews de maquiagens das YouTubers.
Assistir esses vídeos atiçava a minha vontade de experimentar.
Eram tantos produtos novos, que eu nem dava conta de usar.
O produto vencia e eu tinha que jogar o produto que estava quase sem uso no lixo.
Depois que parei de segui-las, a minha vontade de consumir cessou completamente.
8. Estipule um limite de valor para gastar
Eu limito o valor em 2 ocasiões.
1.) Uma para não gastar demais,
2.) E outra para lembrar de gastar mais.
Exemplo de situação para não gastar demais: eu costumo fazer as compras da casa no supermercado. Mas às vezes, vou para a feira, principalmente quando as frutas do supermercado não estão tão boas. E eu já percebi que se eu levo 100 reais para a feira, gasto 100 reais. Se levo 80, gasto 80. E se levo 50, gasto 50. Então avalio o valor a ser gasto e só levo esse dinheiro.
Exemplo de situação para gastar mais: agora na pandemia, isso pode ser desconsiderado, mas em tempos normais, gosto de estipular valores para gastar no Uber, em passeios, lazer. Então quando passa o mês e eu vejo que gastei pouco, eu presto atenção para gastar mais no mês seguinte, afinal, dinheiro foi feito para gastar também.
9. Entenda a diferença entre preço e valor
Nós podemos comprar coisas pelo Preço e também pelo Valor. Os dois estão certos, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nesse período que minhas filhas crescem rápido (há fases em que as roupas duram uns 3 meses) eu tenho a plena consciência de que compro roupas para as meninas pensando no preço. Não vou comprar roupas de marca, não penso na durabilidade, não compro roupas caras, porque sei que a roupa vai evaporar.
Agora, quando fui comprar o colchão para as meninas, eu comprei pensando no valor, porque sabia que era um bem durável, importante para estabelecer o bom sono delas.
Esses dias comprei 2 blusas pra mim, comprei pensando no preço, já que só queria uma blusa confortável para usar em casa.
Já quando compro sapato, compro pensando no valor, porque não gosto nem um pouco de usar sapatos duros ou apertados. Não precisa ser algo caro, mas precisa ser algo de qualidade.
Saber reconhecer a diferença entre preço e valor no momento da compra é muito importante, pois evita comprar coisas importantes pensando no preço, ou, comprar coisas sem utilidade pensando no valor.
10. Cuide de você
Muitas compras por impulso acabam sendo feitas por causa da nossa instabilidade emocional: tristeza, ansiedade, frustração, inveja, insegurança, preguiça, tédio, medo.
Essa correlação é algo negligenciado por muitas pessoas, mas vale a pena avaliar como anda a nossa estabilidade emocional.
Há 15 anos, me tornei servidora pública do Estado de São Paulo, e iniciei as atividades com um salário considerado muito bom para a minha área. Depois de alguns anos, vi meu salário literalmente dobrar com plano de carreira, bonificações, cargos de chefia etc.
Mas há alguns anos, percebo o achatamento descarado no salário, já que eu nem lembro quando foi a última vez que tive um reajuste salarial que acompanhasse pelo menos a correção da inflação.
Não tenho reajustes salariais, mas os outros reajustes não dão trégua: aluguel, condomínio, os reajustes abusivos do plano de saúde, gastos com alimentação, educação, etc. Não podemos esquecer os aumentos repentinos na arrecadação da alíquota do INSS que aumentou de 11 para 14% no ano passado.
Ver as contas aumentarem gradativamente e de forma constante, enquanto o salário continua estagnado há anos, me faz ter a certeza de como acertei em ter poupado boa parte do salário durante muitos anos.
Vejo pessoas que gastaram todo o dinheiro, e atualmente, possuem pouca ou nenhuma reserva financeira.
Essas pessoas estão reduzindo os gastos como podem, pois não pouparam quando poupar ainda era uma opção.
Estão mudando de bairro, trocando apartamento por um menor, deixando de ter plano de saúde, trocando escola dos filhos para reduzir mensalidade…
Desde 2010, toda vez que meu salário entrava na conta, eu poupava, mesmo conhecendo naquela época só a poupança, título de capitalização e previdência privada.
Por conta da instabilidade no trabalho do meu marido, acostumamos a poupar em períodos de bonança e apertar o cinto nos períodos de vacas magras. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, o que importava era que estávamos no mesmo barco, remando na mesma direção.
Foi só em 2015 que eu descobri sobre FIRE (Financial Independence Retire Early) e comecei a “investir direito”.
Conforme meu salário aumentava gradativamente, pude melhorar a qualidade e padrão de vida, e com isso, os gastos aumentaram, mas os aportes também aumentaram na mesma proporção.
Sempre soube desde criança que a vida era feita de períodos de baixa e de alta, que há momentos bons, mas momentos difíceis que podem nos acompanhar por longos anos. Então nada mais inteligente do que cuidar das finanças de forma que nunca falte, ou melhor, que nunca falte de novo.
Todos nós podemos passar por períodos difíceis, e por isso mesmo, devemos nos preparar para esses momentos, sempre torcendo para que esse dia nunca chegue.
Quando estamos pensando no futuro, planejando, poupando, se prevenindo para os dias sombrios que podem chegar, algumas pessoas podem se ofender por economizarmos parte do salário, pois não é uma prática muito comum. Podem achar que somos precavidos demais, prevenidos demais, pessimistas demais.
Mas quando continuamos aportando parte do salário todos os meses, os juros compostos faz o seu trabalho e com isso, teremos no mínimo, uma boa tranquilidade financeira, pois o tempo estará trabalhando a nosso favor.
E para os que acreditam (que é o meu caso), que essas escolhas nos possibilitem comprar o que mais queremos: a nossa liberdade.
Você já parou para pensar qual será a cidade escolhida para usufruir sua vida FIRE (Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada)?
Eu já.
Eu cresci numa cidade de médio porte (400 mil habitantes), e depois fui morar numa cidade um pouco menor para fazer faculdade (200 mil habitantes).
Já o meu marido, cresceu em uma cidade pequena (40 mil habitantes). Ele, inclusive, tem horror a cidade pequena, pois todo mundo conhece todo mundo e aí já viu, né? Qualquer coisa que alguém faz, todos ficam sabendo… “sabe a Josefina, sobrinha do Seu Mario e vizinha da Dona Carlota?”. Quando visitamos a mãe dele nessa cidade pequena, e damos uma volta na praça para tomar um sorvete, eu sinto que sou uma aberração ambulante, já que todos ficam me encarando dos pés à cabeça, na maior cara dura, ninguém nem disfarça que estão olhando para mim.
Já faz um tempo que eu percebi que gosto de São Paulo mais do que gostaria. Digo mais do que gostaria, porque São Paulo é uma cidade que está longe de ser organizada, com abismo sócio-econômico, violência, trânsito, poluição etc.
Mas também é a cidade que moro há 16 anos, onde a minha família mora, e onde a maioria dos meus amigos moram também. São Paulo é uma cidade cosmopolita, possui uma variedade de opções de lazer, de cultura, alimentação, de etnias, o que me agrada bastante.
Ao longo desses anos em São Paulo, me descobri uma pessoa urbana, que gosta e usufrui das diversas oportunidades que uma grande metrópole proporciona.
Como eu sei que muitas pessoas possuem o sonho de se aposentar em uma cidade pacata, calma, eu decidi escrever este post para apresentar o outro lado, de uma pessoa que tem opinião completamente oposta a respeito.
Que tipo de pessoa você é?
Essa pergunta na minha opinião, é a pergunta mais importante que devemos fazer.
Tem gente que se sente bem no meio do mato. Gosta de cachoeira, de fazer trilhas. Gosta da terra. Não se importa com pernilongos ou com pequenos bichinhos, com o barro que gruda na sola do sapato, não tem medo de morar sozinho em uma chácara, gosta de ouvir o barulho que a natureza produz.
Tem gente que gosta do calor da praia, do clima sempre úmido e agradável, de sentir a areia nos dedos dos pés, de caminhar na orla da praia, sentir o cheiro e a brisa do mar.
Tem gente que gosta de cidade pequena, pacata, tranquila, sem trânsito. De conversar com os vizinhos da rua, de encontrar as pessoas da cidade na praça central, ver o movimento tranquilo da rua.
E tem pessoas como eu, que gosta de grandes metrópoles, de cidade urbana, que gosta do caos, de bairros populosos, onde há intensa movimentação de pessoas, da ver a cidade funcionar 24h por dia, 7 dias por semana, de poder ter diversas opções de escolha, e do anonimato de uma cidade grande.
Cidade tranquila ou Cidade 24 horas?
Gosto de uma cidade com muitos movimentos, que tenha muitas opções de lazer, da variedade de produtos e serviços oferecidos, ter um complexo gastronômico à disposição, e o melhor, no horário que eu quiser.
Além disso, eu tenho diversos hobbies, e São Paulo é uma cidade que definitivamente oferece de tudo, desde cursos gratuitos a pagos, diversas palestras, além de lojas especializadas em tudo o que se possa imaginar.
Morar em grandes capitais significa que sempre há eventos acontecendo por toda a cidade, parques com programações bacanas, além de bibliotecas públicas remodeladas que se assemelham às livrarias.
Hoje eu sei que se eu fosse morar nos EUA, escolheria Nova York. Se morasse no Japão, escolheria Tokyo. Porque é isso, eu gosto de cidade grande.
Quais são seus hobbies?
Se você gosta de surfar todos os dias, gosta de tomar sol, sentir a água do mar, deveria fazer de tudo para morar no litoral, pois isso trará felicidade.
Já eu… gosto de tantas coisas…
Parece bobeira, mas não é toda cidade que tem papelarias especializadas em materiais artísticos. Não estou falando de uma Kalunga da vida, estou falando de papelarias como a Casa do Artista, ou até mesmo a Papelaria Universitária, que vendem papéis específicos de diversas gramaturas, texturas e cores, tintas nacionais e internacionais etc.
Foto do interior da loja da Casa do Artista
Eu amo comer comida japonesa, e faço com frequência o que chamo de festival do temaki, onde cada pessoa vai montando seu próprio temaki. Uma das minhas frustrações morando fora de São Paulo é que não encontro alguns ingredientes que até então eram básicos para mim, como broto de nabo e shisô verde (ingredientes para fazer o temaki), comprados com frequência no bairro da Liberdade.
Um dos meus hobbies é o artesanato. E transito bem entre os diversos materiais existentes, como tecido, patchwork, bijuterias, MDF, papel, pintura, desenho, feltro, tricô, cartonagem etc. E onde mais seria o paraíso de quem ama artesanato? Claro, a 25 de março. O que pode ser um inferno para alguns, para mim, a 25 de março é como se fosse meu pote de ouro no fim do arco-íris, meu oásis.
Já meu marido, tem vontade de cursar alguma faculdade de ciências políticas ou filosofia na sua vida FIRE. Além de claro, fazer academia de escalada. Não é qualquer cidade que teria diversas faculdades públicas e privadas à disposição, nem uma academia tão específica de escalada.
Quais são as vantagens e desvantagens da cidade que escolheu?
No meu caso, a desvantagem de São Paulo é o trânsito. Só que para isso, há 2 poréns:
quando for FIRE, isso não será mais um problema. Afinal, eu terei tempo livre
se escolher um local estratégico para morar, trânsito não será um problema
Tem gente que contornaria isso morando em uma cidade próxima de uma capital, mas eu prefiro morar na capital mesmo, numa região bem localizada.
Pra mim, é muito importante morar em uma cidade onde as pessoas não sejam tão conservadoras. Sabemos que cidades pequenas costumam ter pessoas mais conservadoras e tradicionais em relação à moralidade, machismo, racismo, religião, etc.
Outra vantagem de morar em uma capital é quando viajamos. Os aviões costumam sair de grandes capitais. E morar em uma capital facilita, pois não precisamos fazer uma nova viagem para chegar na cidade do interior. Lembro das vezes que viajei com as minhas amigas, enquanto a minha viagem terminava quando chegava em São Paulo, o das minhas amigas ainda não haviam terminado, já que elas precisavam encarar uma nova viagem de algumas horas, desta vez de ônibus, para conseguir chegar em casa.
Não podemos esquecer dos hospitais e rede de profissionais. Há excelentes médicos e hospitais bons, não gostaria de ter que viajar para uma cidade grande para ser atendida por um médico de uma especialidade específica, justamente num período que terei mais idade.
E a pergunta que eu sempre faço:
No momento em que eu terei tempo livre, vou morar numa cidade que não tem nada para fazer?
E por não ter tantas contas para pagar, não sinto tanto o peso dos boletos. E de quebra, faz com que eu possa investir parte do meu salário todos os meses rumo ao plano FIRE.
Imóvel
Eu moro de aluguel, ou seja, sempre pago um valor total que eu considero justo. No momento em que achar o valor do aluguel abusivo, ou até mesmo, caro para o meu padrão de vida, só preciso procurar um outro imóvel que tenha o valor aceitável para minha situação financeira atual.
Boletos que não pago:
Documentação na compra de um imóvel (ITBI, escritura, registro de imóvel, certidão negativa de dívidas, corretor de imóveis)
Prestações do financiamento imobiliário
Fundo de reserva para melhorias do imóvel: quem paga é o proprietário do imóvel
Manutenção da casa como pintura, pequenos consertos: eu mesma faço
Carro
Tenho o costume de usar transporte público, já o marido, faz tudo de bicicleta. Para passear em locais um pouco mais distantes, usamos Uber.
Boletos que não pago:
Prestações do financiamento de carro
Combustível
IPVA
Licenciamento
Seguro DPVAT
Seguro do carro
Estacionamento
Manutenção do carro como lavagem, reparo, revisão
Filhos
Mensalidade escolar: filhas atualmente na creche pública
Festa em buffet: minhas festas são estilo vovó
Brinquedos: não somos pais que enchem as crianças de brinquedos
Assinaturas
Spotify
Amazon Prime
YouTube Premium
GloboPlay
TV a cabo
Pacote de celular
Jornais/Revistas
Combos (de qualquer tipo)
Serviços
Diarista
Passadeira
Lavanderia
Manicure/pedicure: faço em casa
Salão de beleza
Plano odontológico: pago as consulta de rotina no momento da necessidade
Agência de viagem: eu mesma organizo as viagens
Anuidade de cartão de crédito
Tarifa bancária
Manutenção da conta bancária
Multa/juros por atraso de pagamento de conta
Frete: aquela velha história, se comprar acima de R$99, o frete é “grátis”, eu não compro mais do que preciso só pra poder ser contemplada com esse frete “grátis”
Datas comemorativas
Blackfriday
Liquidação/Promoção
Aniversários: compramos apenas para as crianças
Páscoa: compramos apenas para as crianças
Dia das mães: mãe e sogra ganham um mimo, mas eu não acho importante ganhar coisas
Dia dos pais: meu marido é outro que não faz questão de ganhar coisas em datas comemorativas. Como sempre compramos quando precisamos de algo, não precisamos ganhar nada em datas que foram criadas apenas com o intuito comercial
Dia dos namorados: idem ao anterior
Natal: apenas as crianças
Alimentação
Rotisseria: faço tudo em casa, desde nhoque, pizza profissa!, churrasco, pão recheado, etc.
iFood: é muito esporádico pedirmos algo da rua, já que eu cozinho razoavelmente bem
Não desperdiço alimentos
Nenhum alimento passa do vencimento (gestão da despensa)
Não tenho muitos boletos, porque não assumo compromisso de produtos e serviços que não uso.
Quis facilitar a minha vida de forma a não depender de passivos (carros, imóveis, dívidas, financiamento etc) que tiram dinheiro do bolso todos os meses.
Claro que esse estilo de vida não traz nenhum status, mas isso é o que menos importa pra mim.
Os boletos que tenho são de serviços que uso como aluguel e condomínio, luz, gás, plano de saúde, internet e Netflix.
Os outros gastos basicamente são alimentação, fonoaudiólogo da minha filha, transporte (que está R$0 por conta da pandemia) e celular.
Eu sempre gostei do assunto economia doméstica e finanças pessoais, e durante muitos anos, esse assunto nunca foi a bola da vez aqui no Brasil.
Quando viajei para o Japão em 2008, fiz questão de passar em um sebo e fiz a festa lá. Comprei tantos livros sobre esse assunto, que resolvi despachar caixas e mais caixas para o Brasil, pois não cabia na minha mala. Felizmente, hoje, há diversos canais no YouTube que me permite consumir esse tipo de conteúdo.
Um dos temas frequentes de alguns canais japoneses que acompanho é a economia na alimentação. E eu até entendo, porque quando todos os seus gastos já estão controlados, a alimentação e os gastos gerais são basicamente as únicas categorias que conseguimos fazer revisão.
Apesar de conhecer esse método há mais de 2 décadas, confesso que eu não nunca dei muito crédito, achava simplista demais, ficava pensando que não faria tanta diferença dos métodos que eu usava.
Antes de compartilhar o método, compartilho o que eu fiz, ao longo destes anos:
Método 1: Comparar preços
Comecei anotando os preços dos produtos. Passava em 2 a 3 supermercados. Não deu muito certo. Tudo bem que eu economizava nos produtos, mas além de ficar cansada, em todos os supermercados encontrava algo com preço bom, e acabava comprando produtos que não estava precisando, só porque estava num preço imperdível.
Método 2: Comprar produtos na promoção e estocar
Depois comecei a ir no supermercado para comprar o que considerava barato, legumes e verduras da estação, além de produtos não perecíveis. Até certo ponto funcionava, mas também me limitava, já que não conseguia elaborar cardápios que queria preparar durante a semana, ocupava espaço da casa e o dinheiro ficava parado em formato de estoque.
Método 3: Fazer compra mensal
Também fiz muitas compras mensais, mas também não deu muito certo, já que a geladeira ficava muito cheia no início do mês, e vazia no final do mês. Não me agradou nem um pouco.
Fora o sufoco para trazer tudo de uma vez né? Não se esqueçam que não tenho carro, então todos os meus movimentos precisam ser calculados.
Método 4: Comprar em supermercados atacadistas
Passei a frequentar supermercados atacadistas. No início foi euforia total, os preços eram muito bons. Mas acontecia a mesma coisa, comprava muita coisa que não precisava, ao invés de comprar algo em pequena quantidade como sempre fazia.
Passei a comprar peças inteiras de carne por ser um supermercado atacadista, ao invés de uma bandeja como costumava fazer. Tudo bem que o quilo estava mais barato, mas acabava consumindo muito mais. E esse padrão foi se repetindo. Ao invés da batata palha do pacote pequeno, passei a comprar o pacotão grande, mas acabava consumindo mais e mais rápido. Comprava sucos naturais para o mês inteiro, mas em menos de 15 dias, já tinha consumido o que costumávamos consumir no mês inteiro.
Outra coisa que não era agradável era o peso de ter que carregar tudo. Eu pedia para o marido ficar em casa para cuidar das crianças para que eu pudesse ir no atacadista. Mas tudo era muito pesado, desde o carrinho para circular dentro do mercado, empacotar tudo, colocar as sacolas no Uber, descarregar no prédio, depois era o trabalho de carregar tudo até o elevador, para finalmente descarregar pra dentro de casa. O que era para ser uma atividade prazerosa, virou uma tarefa hercúlea.
Insatisfeita com os métodos, passei a vasculhar conteúdos deste tipo no Japão. Gente, se tem um país que gosta de economizar, esse país é o Japão, é surpreendente como tem conteúdo sobre esse assunto.
Método 5: O que os japoneses fazem
E eis que lembrei desse método clássico.
Claro que aqui, estou falando de uma maneira geral. Não são todos os japoneses que são econômicos, que vivem com pouco, ou que não possuem estoques. Da mesma forma que no Brasil, há pessoas que economizam e que não economizam, lá também é igual.
Eu acabo seguindo alguns canais de Youtube de pessoas que são minimalistas, que vivem com pouco e que não fazem estoques, então vou compartilhar esse pequeno universo:
1.) Definir o valor máximo que poderá ser gasto no mês.
No Brasil, quando fazemos um orçamento mensal:
primeiro precisamos saber o que receberemos no mês: salário, renda extra, etc.
estabelecer os gastos mensais
poupar o que sobra
No Japão:
estabelecer quanto vai poupar no mês
se virar com o que sobra
Essa é a enorme diferença que nos separa. Eles estipulam PRIMEIRO o valor que será poupado. E se viram com o valor que sobra, colocando um teto de gastos para cada categoria (alimentação, celular, habitação etc).
Como vamos falar de alimentação, vamos nos concentrar nesta categoria.
Utilizaremos um exemplo hipotético de R$1.000 mensais para gastar em alimentação, mas você pode usar qualquer valor que condiz com a sua própria realidade.
2.) Dividir o valor a ser gasto no mês em envelopes.
Sabendo que podem gastar até R$1.000 por mês, eles separam esse valor em envelopes que simulam semanas.
Se temos 4 semanas no mês, serão 4 envelopes com R$250,00 cada.
Se temos 5 semanas no mês, serão 5 envelopes com R$200,00 cada.
Em cada envelope, há a anotação de qual é a semana, e a data de inicio e fim – dessa semana. A data de início pode ser considerada a data que recebeu seu salário. Por exemplo:
Envelope 1: R$250,00 – 04 a 10 de fevereiro
Envelope 2: R$250,00 – 11 a 17 de fevereiro
Envelope 3: R$250,00 – 18 a 24 de fevereiro
Envelope 4: R$250,00 – 25 de fevereiro a 03 de março
Toda vez que for no supermercado, padaria, feira, hortifruti, é necessário ir descontando o valor para saber quanto ainda tem de dinheiro que pode ser usado na semana. Pode anotar no próprio envelope:
2.) Elaborar o cardápio da semana e fazer a lista de acordo com o cardápio semanal
Antes de usar o dinheiro que está dentro do envelope, é necessário elaborar o cardápio da semana.
E esse é um ponto positivo, fazer o cardápio semanal ANTES de ir no supermercado, VERIFICANDO o que já tem na geladeira. Nada muito rebuscado, algo simples está bom.
Se você já está fazendo há algum tempo como eu, nesse dia, a geladeira deverá estar vazia, ou quase vazia.
Então no momento de elaborar o cardápio, basicamente vou até a geladeira e a despensa e vejo o que sobrou da semana anterior, porque a intenção é usar nesta semana que vai começar.
Esse é outro ponto positivo desse método. Ter a geladeira vazia ou quase vazia, elimina a possibilidade dos alimentos estragarem. Lá pelo quinto, sexto dia, é muito perceptível que a geladeira vai ficando vazia. Dependendo da semana, bate até uma certa preocupação rsrs… E aí que entra a criatividade, porque acabamos nos virando com o que temos na geladeira e na despensa. Veja que não é passar fome, ou não ter o que comer. É usar as coisas que estão adormecidas no freezer e na despensa, ou porque não queríamos comer, ou porque estávamos com preguiça de descongelar.
Pois é, ao não fazer estoque, consumimos todos os produtos disponíveis em casa, evitando desperdícios. Aliás, zero desperdício.
Depois de pensar no cardápio, elaborar a lista do supermercado de acordo com o cardápio. Além disso, aproveite para verificar se precisa repor os mantimentos básicos como arroz, farinha, açúcar, sal, temperos. Já teve um dia que enquanto estava preparando um bolo, percebi que quase faltou farinha. A sorte é que deu certo raspando o tacho, mas eu tinha esquecido completamente de olhar esses mantimentos básicos.
Olhe também outros produtos que são vendidos no supermercado como detergente, sabão em pó, água sanitária, sabonete, shampoo, etc.
Você pode ir no supermercado quantas vezes quiser durante a semana, desde que fique dentro do orçamento semanal.
3.) Não frequentar diversos supermercados
No momento da compra, calculadora na mão. Aí vale a substituição de ingredientes para entrar no orçamento. Por exemplo, se pretende fazer uma lasanha à bolonhesa, e viu que o frango está mais barato, pode fazer uma lasanha com frango desfiado. Se ia comprar mamão, mas viu que o abacate está na promoção, leva o abacate.
No primeiro momento, sei que soa estranho não precisar pesquisar preços nos outros mercados, principalmente quando você está habituada a fazer comparações e sabe que aquele produto que você quer levar está mais barato no outro supermercado.
Mas eu finalmente entendi por que esse método funciona.
Primeiro, porque ao parar de frequentar diversos supermercados, você para de procurar promoções e passa a focar na sua lista de compras. As promoções não interessam mais, o que interessa é o que consta na sua lista.
E segundo, como não precisa passar em outros mercados, dá pra fazer tudo com calma e raciocinar no mercado. Isso mesmo, raciocinar. Não dá pra sair colocando tudo no carrinho, de forma automática e anestesiada (como eu fazia, e toda vez levava um susto na hora de pagar). É necessário pensar. Como disse lá em cima, com a calculadora na mão, some e verifique se ajusta no orçamento da semana. Sobrou dinheiro? Ótimo, vá fazer o pagamento. Faltou dinheiro? É só substituir alguns produtos. Ao invés de comprar algo de uma marca conhecida, pode substituir por outra mais barata. Entenderam a diferença? As promoções não interessam mais, o que interessa são os ajustes. Só isso.
Eu parei de frequentar outros supermercados, parei de ir em supermercado atacadista e parei de comparar preço, parei de olhar panfletos de supermercados, mesmo tendo a consciência de que pago mais caro em alguns produtos.
Tudo isso faria a conta aumentar, certo? Mas não. Pasmem, o valor que eu gasto mensalmente reduziu.
4.) Não fazer estoque
Essa é a parte que eu mais estranhei no início. Comprar 1 detergente. Comprar 1 shampoo. Comprar 1 azeite. Comprar 1 pacote de café. E percebi as vantagens de não ter estoque. A gente compra achando que está se dando bem, por conta daquela promoção.
Eu pensava assim também. Ia no supermercado atacadista e comprava muitas coisas, porque estava barato. Ao começar a frequentar apenas um único supermercado, passei a acompanhar de perto as variações de preço, e não é que aquele produto que eu comprava achando que estava barato também abaixava o preço nesse supermercado?
E quando chega o sexto dia, começa tudo de novo: pega o envelope novo, faz o cardápio da semana olhando primeiro o que sobrou na geladeira, freezer e na despensa (ver também mantimentos básicos, produtos de higiene e limpeza), ir no supermercado com calculadora na mão e fazer os ajustes no cardápio lá dentro do supermercado.
Listando as vantagens desse método, e as minhas considerações:
a principal vantagem é que toda semana tem um “início”. É fácil segurar as pontas por 1 dia, quando sabemos que amanhã podemos abrir o novo envelope.
por estar separado por semana, é muito fácil fazer o controle. Se geralmente no final do mês, já estamos sem dinheiro, nesse método, toda semana estamos com dinheiro. Não faz diferença se é a primeira semana ou se estamos na última semana, toda semana é igual. É reconfortante chegar na última semana do mês, e perceber que não faz a mínima diferença ser primeira ou última semana, já que o orçamento semanal é sempre o mesmo.
evita desperdício de comida. De verdade. No sexto dia, enxergo minha geladeira como a cartola do mágico onde saem coelhos. Sempre dá pra preparar uma boa refeição.
as crianças começaram a comer melhor: minha filha é maluca por tomate. Recusa sorvete, bala, chocolate se tiver tomate à disposição. Antes, quando acabava um produto, era só ir no supermercado e repor. Então as crianças acabavam ficando mal acostumadas, já que sempre estavam à disposição o que elas mais gostavam. Com esse método, se acabar algo, acabou. Por exemplo, se antes elas ficavam com frescura de comer algumas frutas, porque sempre tinha à disposição as frutas que elas mais gostavam, agora a situação mudou. Se elas querem maçã, mas não tem mais, ou aprende a comer a goiaba ou fica sem fruta. E vejam só como é maravilhoso, sem opção, elas passaram a comer as coisas que tinham em casa, mesmo não sendo necessariamente o que elas queriam comer. Não há mais fruta que amadureceu demais na fruteira, porque enquanto não terminar todas as frutas da casa, eu não vou no supermercado. Não há mais verduras esquecidas no fundo da geladeira, nem no freezer.
facilidade para limpar o freezer, geladeira, despensa. É difícil limpar uma despensa cheia, mas é muito fácil limpar uma despensa vazia, uma geladeira vazia.
a cada semana que passa, vai ficando mais fácil. No início pode bater uma certa preguiça, mas pra minha família esse método funcionou tão bem que só tecemos elogios, com um leve arrependimento: por que não começamos antes?
Eu praticamente não uso dinheiro, só cartão. Então ao invés de criar envelopes com dinheiro, tenho um caderno onde anoto o valor que tenho disponível para gastar e vou subtraindo conforme acontecem os gastos, para saber quanto eu ainda tenho disponível na semana.
Desconsiderando um mês que eu extrapolei loucamente no orçamento do supermercado por conta da ansiedade que a pandemia me causou, eu sempre tive um gasto contínuo na alimentação.
Como queria mensurar quanto estava conseguindo economizar, eu peguei os gastos de alimentação dos últimos 24 meses, e fiz uma média mensal para ter uma noção mais real, já que há oscilações de mês em mês.
Depois que passei a usar esse método que aprendi nos blogs e canais japoneses, a economia foi de 35%.
Foi o melhor método para mim até hoje. Foi muito fácil de seguir (acho que é até por isso que não dava tanta bola no início), e se engana quem acha que passamos a comer pior. Aconteceu justamente o contrário. A qualidade das refeições melhoraram.
Não é tudo o que uma pessoa mais gostaria? Comer melhor e ainda reduzir custos?
A pegar o cartão de crédito e comprar qualquer coisa sem pensar.
Desprezamos valores pequenos, ah são só 10 reais, são só 20 reais, mas não dar importância para valores pequenos, significa não dar importância também para valores altos, já que o cerne da questão é que não damos importância para o tempo que gastamos para ter aquele dinheiro.
Não questionamos se o que estamos prestes a comprar, é algo que estamos precisando, ou se é algo que fomos induzidos a acreditar que é essencial.
Será mesmo tão necessário? Qual é o motivo da compra?
Recebemos tantos estímulos a todo momento que não consumir e não comprar, se tornou o novo anormal.
Rever o consumo significa usar o dinheiro de forma consciente. E com o despertar da consciência, vai perceber que muitas das coisas que compramos, tem a ver com impressionar pessoas, tem a ver com preencher um vazio. Aliás, muitas coisas que temos em casa são desnecessárias, resultado do nosso consumo exagerado.
Aquela blusa preta que está na vitrine. Não teria algo similar no seu guarda-roupa?
Aquele sapato. Quantos sapatos você já tem na sua sapateira? Não seria melhor terminar de usar alguns para depois comprar mais um?
O celular recém-lançado. Não seria mais oportuno aguardar mais um pouco, já que o seu celular ainda funciona bem?
Tem também os objetos de decoração… pense bem, daqui a algumas semanas estará tirando poeira de cima dele.
Tem também a impressora. Quantas páginas você imprime por ano? Se imprime apenas algumas folhas, talvez seja mais inteligente ir numa gráfica quando for necessário.
E os produtos de beleza? Que promete acabar com a flacidez da pele, elevar a autoestima. Será que vai mesmo?
Com tantas coisas abarrotadas, vivemos imersos em uma casa recheada de eletroportáteis sem uso, um guarda-roupa com roupas amassadas, estantes com centenas de livros que nunca mais serão folheados, armários lotados com objetos sem valor.
A casa vai ficando cada vez mais cheia, e a vida cada vez mais vazia.
Imagine quantos sonhos poderíamos realizar com todo o dinheiro que já desperdiçamos?
Chega um momento (ou diversos momentos) da nossa vida que precisamos decidir se vamos ou se voltamos.
Tenho percebido muitas, muitas pessoas ao meu redor que estão com os gastos extremamente elevados para o salário. Ou seja, estão com o padrão de vida acima do que o salário permite. Pagam condomínio, algumas contas fixas como luz, internet, celular. Alguns pagam escola dos filhos, outros pagam plano de saúde, mas muitos, depois de pagar todos os boletos, não tem mais dinheiro para absolutamente mais nada.
Pensando nisso, vou compartilhas algumas dicas de como economizar de forma inteligente:
1.) Economize nas coisas grandes
De nada adianta ter gastos elevados na habitação, transporte, escola etc, e ficar contando moedas para economizar na luz, no gás, na cervejinha. Se é pra economizar, economize nos gastos grandes, ao invés de ficar focando nas economias pequenas. Vale muito mais a pena.
Se paga um aluguel de R$1.500 (ou qualquer outro valor), talvez valha a pena pensar em procurar com calma um de R$1.000. Nisso, já será uma economia de R$500 mensais. Muito melhor do que ficar sofrendo em economizar R$10 na conta de luz.
Claro que é importante considerar gastos pequenos, mas o foco maior deve ser nos gastos maiores, é onde o resultado aparece.
Eu mesma fiz isso ao fazer a mudança de cidade no ano passado. Eu tive tempo para procurar um imóvel que tivesse uma localização boa, tamanho confortável, e acabei me mudando um pouco antes do que imaginava quando encontrei o imóvel. Eu sabia que não iria encontrar um imóvel na região que alugamos naquele valor que estava sendo anunciado. A economia mensal foi de R$660.
O mesmo aconteceu com o plano de saúde. Em 2018, fizemos uma revisão dos valores do plano que tínhamos. Os reajustes anuais e a mudança de faixa etária estava exorbitantes. Em 2016, um aumento de 30%. Em 2017, outro aumento de 35% e em 2018 haveria não só o reajuste anual, como o reajuste de faixa etária. Será que iria beirar a 50% de aumento? Não duvidaria nem um pouco. Antes de tomar um novo susto, decidimos migrar para um outro plano de saúde. A economia mensal foi de R$1.000.
Outra coisa era o Netflix. Assinávamos o plano de R$32,90, até perceber que nunca assistíamos 2 pessoas simultaneamente aqui em casa, e com isso, fizemos o downgrade para o plano de R$21,90.
Tenho outros exemplos também, mas só nesses três exemplos, a economia anual é de R$20.052. Aí você pega uma parte desse dinheiro para fazer algo legal com a família, como uma viagem.
2.) Deixe dinheiro extra para os supérfluos, é o que traz alegria para viver
Mensalmente, eu e meu marido temos o que denominamos mesada. É um dinheiro que não precisamos prestar contas para a casa, posso fazer o que quiser com ele, ou seja, comprar supérfluos sem culpa. Faz muito bem ter esse tipo de gasto.
Apesar da nossa mesada não sofrer correção monetária há pelo menos 5 anos, estamos bastante satisfeitos e felizes.
3.) Evite desperdício a todo custo
Toda vez que eu desperdiço algo, eu tenho consciência de que estou rasgando dinheiro. Por isso, tente eliminar todo e qualquer tipo de desperdício, desde alimentos que vão para o lixo, roupas sem uso, produtos de higiene fora de validade etc.
O problema não é comprar em grande quantidade. O problema é desperdiçar.
Eu já dei várias dicas de como elimino desperdícios, visite aqui alguns dos posts para relembrar:
Receber alertas de promoção e novidades parece ser algo inofensivo no início, mas vai normalizando a cultura do consumo. Se não recebêssemos e-mails, muitos dos gastos nem seriam feitos.
No ano passado, apesar da preguiça, eu comecei a entrar na minha pasta spam e descadastrar todos os e-mails de lojas. No início, deu bastante trabalho, mas aos poucos, a quantidade de e-mails diários foi diminuindo e hoje, recebo poucos spams.
Eis que hoje, recebi um mailing de uma loja de móveis e decoração, e me surpreendi o fato de nem ter me lembrado mais da existência dessa loja há meses. Eu entrei no e-mail sem olhar as promoções, e me descadastrei. Se um dia eu precisar de algo, sei que vou me lembrar da loja. A loja não precisa ficar me mandando alertas a todo momento. Aliás, quanto menos eu souber das “novidades imperdíveis”, melhor.
5.) Reavalie os gastos fixos
Início do ano é um bom período para fazer isso. Eu particularmente gosto de fazer no fim de ano, assim, já começo o ano com as contas redondas.
É o momento que tiro para reavaliar todos os meus gastos. Se o plano de saúde está adequado à minha expectativa de custo x benefício. Avalio quanto pago de internet. Se há algum serviço de streaming ou assinatura que não está sendo usado.
No ano passado por exemplo, ao fazer essa avaliação, fiz upgrade de 2 serviços: melhorei a internet de casa por conta do meu trabalho e passei a assinar Disney Channel para as crianças. São dois gastos que se não fosse a pandemia, eu tenho certeza que não teria feito. Mas neste momento, achei interessante. Ano que vem, farei uma nova avaliação se permanecemos ou cancelamos o plano.
Quando eu era mais nova, era viciada nesse jogo. Jogava na casa dos meus primos e mais pra frente, consegui comprar um Game Boy só pra jogar esse jogo. Os outros jogos não me interessavam. Só esse.
Não é a primeira vez que penso nisso, mas eu enxergo a minha jornada FIRE como um jogo de videogame.
Eu enxergo os 12 meses do ano como 12 fases para passar. Isso significa que todo início do mês, tenho algumas tarefas que precisam ser cumpridas como fazer aportes, eliminar gastos supérfluos e tentar reduzir os gastos sem reduzir o padrão de vida. Veja bem, não é parar de consumir, nem deixar de gastar em coisas que traz conforto e felicidade pra família, estou falando em eliminar supérfluos, eliminar gastos desnecessários.
Depois vem o fechamento patrimonial do ano, esse fechamento anual é o chefão que preciso enfrentar para passar para a fase seguinte.
Se tudo estiver nos conformes, eu mudo de “mundo”, e tenho um novo ano (no caso, 2021) para começar tudo de novo. E assim, estabeleço recompensas como viagens com a família.
Eu sem saber, utilizava uma técnica chamada de gamificação:
“Gamificação é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora do contexto de jogos.” Fonte: Edools.
O desafio desse ano, era aportar um determinado valor. Esse valor era algo um pouco irreal, mas não importava, para mim era o desafio, a sensação do jogo. A pandemia chegou, ficamos mais tempo em casa do que gostaríamos, não viajamos, não fomos para restaurantes, não passeamos, não fizemos grandes compras e eis que esse valor irreal de alcançar a meta do aporte não foi só alcançada, como foi superada.
Esse ano, meu IPCA pessoal ficou em 4%, em parte por conta dos aumentos nos itens do supermercado, mas também porque tive gastos extras ao mudar de cidade, contratação de caminhão, pintura e a adequação do novo apartamento, compra de alguns móveis, o que gerou alguns gastos a mais. Ainda estou pensando o que irei gamificar no ano que vem. Talvez me desafiar à uma deflação de 10%, com o desafio de reduzir 10% dos meus gastos anuais, sem reduzir o padrão de vida? Talvez um novo número de aporte anual? Vamos ver, ainda não decidi.
Gamificar a própria vida financeira tem tornado a minha jornada FIRE mais divertida.
Dezembro é o período em que eu faço revisão da minha vida. Afinal, é o fechamento do ano.
Reservo alguns dias para analisar o que fiz de importante no ano e, principalmente, o que não foi feito, já que dezembro é um ótimo período para revisitar os planos da vida, renovar projetos e desenhar um ano seguinte melhor.
Então basicamente faço o seguinte:
1.) Avaliação das conquistas
Ao longo do ano, vou listando as minhas pequenas conquistas e também as conquistas da minha família. Na minha lista deste ano, tem várias coisas, desde a maravilhosa notícia de que minha filha mais velha finalmente conseguiu parar de roer unha (era uma coisa desesperadora de se ver, até sangrava), o desfralde da caçula e também o início do seu tratamento da gagueira. Também descobri uma receita de pão melhor do que a minha (que se tornou a oficial desde então), ter me mudado de São Paulo, ter atingido a meta do aporte anual… Não posso esquecer também de ter tido a grata oportunidade de ler o livro do André, do Viagem Lenta, antes de ser publicado, e dar meus humildes pitacos para alguém que já é FIRE há 10 anos (Já leu? Recomendo muito! Viagem Lenta: a jornada para a liberdade e independência financeira).
Como vocês sabem, faço essa Lista das Conquistas desde 2008, um ano que foi muito difícil, pois foi quando divorciei. Desde então, nunca mais parei, porque descobri que quando faço essas anotações, tenho a oportunidade de ter meu momento de reflexão, de relembrar todas as coisas boas que aconteceram no ano.
Esse ano é um exemplo de como essa lista foi importante. Num ano com tantas perdas, ler essa lista me faz enxergar que aconteceram muitas coisas boas também.
É como se fosse um caderno de memórias, que me dá a oportunidade de revisitar todas as listas dos anos anteriores, mas que só contém notícias boas. Alimentar essa lista ao longo desses 13 anos, permitiu perceber que o que considero como “conquistas” têm mudado ao longo dos anos. Antes, a conquista era muito material, relacionado sempre com dinheiro: a compra de uma bicicleta, a compra de um eletrodoméstico, um eletroportátil, uma roupa. Com o tempo, os meus valores de vida e a percepção do que é realmente importante começaram a maturar, e hoje, consigo ficar feliz de forma sincera a descoberta de uma receita nova, da família estar jantando juntos, de ter minhas plantinhas, das minhas filhas não ficarem doentes.
2.) Fechamento patrimonial
O fechamento patrimonial é uma das minhas diversões. Desde 2015 (quando descobri sobre FIRE, aposentadoria antecipada), faço religiosamente o fechamento patrimonial do ano.
É por meio dessa planilha que acompanho a minha evolução financeira.
Ver a evolução do gráfico é algo gratificante, já que todos os dias são como grãos de areia. Tomamos decisões minúsculas para construir algo quase imperceptível. Por isso, quando vejo a curva acentuada do gráfico anual, os juros compostos mostrando a sua força, é algo que realmente me faz sentir que as escolhas que fiz lá atrás foram acertadas.
3.) Revisão e previsão orçamentária anual
Basicamente, tudo o que acontece na minha vida financeira, consta no aplicativo Minhas Economias, desde salário, restituição do imposto de renda, renda extra, aluguel, condomínio, contas, boletos, tudo.
Anoto tudo, porque quando chega o final do ano, vem a recompensa: o meu único trabalho é entrar no site do aplicativo e gerar o relatório/gráfico para descobrir meus gastos em todas as categorias, como alimentação, moradia, restaurantes, viagens. É tudo muito simples e maravilhoso.
Avalio quanto gastei no ano, analiso as categorias de gastos, se extrapolei em algo, se devo mudar algum mau hábito financeiro, ou até mesmo gastar mais em alguma determinada categoria.
4.) Cálculo do meu IPCA pessoal
A partir do relatório gerado pelo aplicativo Minhas Economias, transfiro os gastos totais de cada categoria para uma planilha para descobrir o meu próprio IPCA. Em 2018 por exemplo, a minha inflação pessoal foi de 35,96%. Foi com esse número exorbitante que no ano seguinte, consegui ter uma deflação do meu IPCA em -20,63%. Este ano, está em 4%.
5.) Definição (e revisão) de prioridades
Dou uma olhada nas metas do ano, se deixei de fazer algo importante, e se ainda a meta faz sentido pra mim. Por várias vezes, percebi que algumas perdem o sentido, então não vejo motivo de levar para o ano seguinte.
Além disso, tenho o costume de nomear o ano que vai vir. Claro que há sempre diversas prioridades, mas dar um título para o ano é a forma que eu encontrei para lembrar o meu norte, onde tenho que colocar mais força. Por falar em força, a desse ano de 2020, foi “Força no aporte”, por causa do contrato de trabalho de 2 anos do meu marido. Não queríamos deixar passar essa oportunidade.
O tema de 2021 ainda não decidi, mas acredito que será algo ligado às minhas filhas.
6.) O que eu não quero levar para 2021
Siiim, isso é algo que penso também.
O que eu fiz este ano que não quero levar para 2021?
São tantas coisas que não quero levar para o ano seguinte…. rsrs.
Esse ano foi difícil. Com a pandemia, eu vi o trabalho invadindo minha vida privada e foi bem difícil lidar com isso (na verdade, ainda está sendo). Eu tive dificuldades em lidar com o isolamento, vi minhas filhas ficarem muito ansiosas e com mais birras que o normal, isso me desestabilizou, principalmente por conta das demandas do trabalho.
Minhas amigas e meu marido dizem que é por causa do isolamento, que foi a pandemia que está causando o estresse, mas sendo bem sincera, eu não gostei de mim como mãe esse ano.
Há algumas semanas, decidi que iria mudar a forma como lido com as birras homéricas das minhas filhas, e comecei procurando por conteúdos sobre psicologia infantil para que eu pudesse ajustar o meu comportamento, dar uma orientação melhor no momento da birra, e não simplesmente fechar a cara e colocar de castigo. Afinal, se eu não ensina-las a como lidar com as frustrações do dia-a-dia, quem irá ensinar? O óbvio tinha deixado de ser óbvio e foi preciso me distanciar para perceber que algo não estava legal.
Futuramente, pretendo escrever um post sobre esse assunto, mas não será hoje.
E fazendo esses 6 passos, consigo deixar 2020 para trás, e começar o ano de 2021 com a cabeça erguida. É um ritual de passagem de ano, o momento de ser honesta comigo mesma, afinal, o que eu quero mudar em mim? Para onde quero ir? Quais são as pessoas que quero do meu lado?
Tudo o que faço sempre foi, e sempre será para que eu não tenha uma vida com tantos arrependimentos.
Para continuar com a tradição que comecei no ano passado com o post “As 5 compras mais úteis do ano de 2019“, fiz a lista dos meus 5 gastos mais úteis do ano de 2020:
Table Grill
Airfryer
Tatame de E.V.A.
Mochila da Xiaomi
Sessões de fonoaudiólogo
Os 3 primeiros itens, talvez se não fosse pela pandemia, eu nem teria tido interesse, mas depois de 9 meses em casa, foram as compras que mais valeram a pena:
Table Grill
Em junho, publiquei um post detalhando sobre a Table Grill, uma churrasqueira portátil que usa carvão. Passados 7 meses, posso dizer que essa churrasqueira é simplesmente maravilhosa, diversão garantida aqui em casa.
Airfryer
Eu relutei muito em comprar uma airfryer (fritadeira elétrica), porque era mais uma coisa para ocupar espaço em casa. Mas nessa pandemia, me rendi. Eu passava muito tempo na cozinha e isso já estava começando a me incomodar.
Aproveitei a Black Friday e comprei o modelo Turbofryer, da Philips Walita. Não foi barato, mas já que é pra comprar, quis comprar um que realmente fosse bom. Estou usando há algumas semanas, e estou aproveitando bastante. Ela é bem versátil e consigo fazer várias receitas sem sujar o fogão, muito boa mesmo.
Tatame de E.V.A.
Esse item eu comprei por conta das crianças. Minhas filhas (assim como nós), passam praticamente 24 horas do dia em casa desde a pandemia. Duas crianças trancadas em casa, querendo fazer coisas de crianças é algo desesperador em relação a barulho (escrevi um post quando estava com 1 mês de quarentena… imagina a minha situação depois de tantos meses em isolamento). Como o vizinho de baixo é um aposentado, ele também fica em casa o dia todo, ou seja, ouvir o barulho estrondoso das minhas filhas não deve ser algo fácil de tolerar.
Colocamos feltros anti-ruído em todas os pés das cadeiras, mesa, sofá, cama, tudo para evitar barulho desnecessário. Mas eu ainda achava que não era o suficiente.
A compra mais acertada em relação a esse assunto, com certeza foi o tatame de E.V.A. Não comprei aqueles tatames infantis (que eu já tive por sinal e não adiantou para muita coisa). Comprei tatames que academias de jiu-jítsu e muay thai utilizam para amortecer a queda dos lutadores. Que ma-ra-vi-lho-so!!! Eu devia ter comprado isso há mais tempo. Forrei o espaço entre o rack e o sofá, onde elas costumam brincar de casinha (cada tatame mede 1m x 1m, então comprei 3). Agora as panelinhas que antes batiam no chão, são amortecidas com o tatame. Elas pulam, dão cambalhotas e não ouço nenhum ruído.
Mochila da Xiaomi
A leveza da mochila da Xiaomi foi algo que me surpreendeu. Eu comprei antes da pandemia, bem no início do ano, e fiquei impressionada de como era leve, compacta, e bem feita. Cabe muita coisa (capacidade de 10 litros), era algo que usava muito quando ainda saía de casa.
Sessões de fonoaudiólogo
Eu outubro desse ano, minha filha caçula que tem gagueira, começou com as sessões semanais de fonoaudiólogo. Já nas primeiras sessões, percebi uma melhora na fala. Claro que ainda tem um loooongo caminho que terá que ser percorrido, principalmente, porque ela gagueja muito, dificultando inclusive no entendimento de frases simples. Por isso, eu nem considero isso como gasto, e sim como investimento na qualidade de vida dela. Posso economizar em qualquer outra coisa, menos nessas sessões.
E você? Quais foram as compras mais úteis do ano de 2020?
Há alguns anos, eu ainda falava para todos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).
No início de 2015, quando descobri sobre FIRE, a sensação era de que havia tirado um coelho da cartola, era uma sensação de “como eu não sabia disso até hoje?”, e contar para os outros era uma forma de descobrir se mais alguém sabia disso ou não.
Era tanta euforia, que eu queria falar e ensinar sobre finanças pessoais, deixava de almoçar para ensinar alguém que tinha interesse em aprender sobre investimentos.
Aos poucos fui entendendo, que por mais que eu explicasse, a pessoa não colocava em ação as coisas que eu tinha ensinado. E isso se repetia de forma constante, com muitas, muitas pessoas, até que eu entendi que estava perdendo tempo precioso da minha vida, ensinando pessoas que se quer faziam as coisas que eu pacientemente ensinava.
Eu deixava de almoçar, deixava de descansar, deixava de ficar com as minhas filhas para ensinar os outros, pra nada. Eu literalmente gastava tempo da minha vida, para pessoas que não valorizavam o meu tempo.
Claro que houve amigos que se engajaram tanto quanto eu, e hoje, trilham a jornada FIRE, mas foram poucos.
Foi aí que eu entendi que FIRE é uma jornada solitária.
Quem não acredita na possibilidade, tenta nos desmotivar. Quem quer e não consegue, tenta desmoralizar.
Sigo firme a minha jornada, com a consciência de que estou cada vez mais perto da saída.
Eu já fui enganada tantas vezes que até perdi as contas rs.
Hoje eu sei que se eu perguntar para um vendedor de uma loja de roupas se “Esta roupa é de qualidade?” é claro que ele vai responder que sim.
Da mesma forma que se eu perguntar “Qual é o melhor investimento para mim?” o gerente do banco vai me indicar um título de capitalização ou uma previdência privada, porque vai perceber que eu não entendo nada de investimentos.
Um bom exemplo, foi o que aconteceu com uma amiga. Ela queria abrir uma conta em uma corretora de valores. Indiquei o meu assessor de investimentos, pois ele sempre foi rápido nas respostas e muito prestativo. Qual não foi a surpresa quando minha amiga disse que ele indicou uma previdência privada? Perguntei qual foi a pergunta que ela tinha feito, e ela prontamente respondeu: “Qual o melhor investimento para longo-prazo?”. E aí o assessor percebendo que ela não sabia de muita coisa, disse que era uma previdência privada.
Corretor de imóveis
Fiquei sabendo que a creche onde minha filha frequentava, estava procurando um imóvel maior, e que tinham encontrado uma casa maravilhosa, por R$9.000 o aluguel. O corretor de imóveis aconselhou o proprietário a não alugar para a creche municipal, pois a prefeitura poderia não pagar os aluguéis. Sinceramente, não sei nem de onde ele tirou essa ideia, eu já acharia justamente o contrário, imagina como seria bom alugar para a prefeitura, quantos anos de aluguel estaria garantido… Mas o proprietário decidiu não alugar para a creche, seguindo o conselho do corretor de imóveis, e o imóvel ficou vazio. Depois veio o coronavírus, as escolas fecharam, e agora com a crise pairando o nosso país, não acho que ele irá conseguir alugar um imóvel tão grande facilmente.
Gerente de banco
Muita gente já deve ter passado pela mesma situação. Lembro quando recebi meu primeiro salário de estagiária em uma empresa multinacional. Havia uma agência bancária do Itaú dentro dessa empresa. Saí da agência com um título de capitalização, pois o gerente disse que era o melhor investimento que eu poderia ter, para quem estava começando a investir. E ainda ficou tentando me empurrar um seguro…
Nutricionista
Também já fui numa nutricionista que falava que eu não iria emagrecer se não praticasse exercícios físicos, e que deveria comer de 3 em 3 horas (mesmo sem fome), lanchando pão com frios, que nem é algo tão saudável para se comer. Nem preciso dizer que não emagreci.
Foi só depois que comecei a estudar sozinha, que entendi como funciona o meu corpo. Emagreci 12 quilos em 3 meses, sem ter passado 1 único dia de fome e zero de exercício físico.
Contador
Eu até tinha um contador, mas parei de pedir os serviços dele, quando ele me aconselhou a abrir uma previdência privada no nome da minha filha.
Eu já estava investindo em renda variável, então se fosse para ter um contador, gostaria de ter um contador que também investisse em renda variável, pois nada como a prática para alcançar a excelência. Com o tempo, passei a estudar por conta própria.
Aliás, eu não tenho conta de investimentos no nome das minhas filhas, porque eu já tive 18 anos e sei o que elas vão fazer com o dinheiro (vai virar pó). Então antes de me preocupar com elas, eu me preocupo com a minha própria estabilidade financeira. Claro que quando elas crescerem mais um pouco e quiserem abrir uma conta pra guardar uma parte da mesada, aí sim, irei auxiliá-las com muito prazer.
Por essas e mais outras que sempre que possível, o melhor é não sair acreditando na primeira pessoa, nem na segunda, nem na terceira. Estudar e verificar se aquele conselho realmente faz sentido, é o melhor que podemos fazer.
Há algumas semanas, recebi do Renato, do Reminiscências, o seguinte comentário em relação à minha jornada FIRE:
“Encarar a questão pelo aspecto do minimalismo me pareceu uma estratégia inteligente da sua parte. Você encara como uma maratona, um investimento de longo prazo onde se escolhe um ritmo confortável e segue com ele. É justamente esse aspecto da sua estratégia que acho muito inteligente. Isso te alivia de um tremendo stress e descreve o aspecto da disciplina (suave) necessária na sua caminhada.”
Quando li esse comentário, senti um “Eureka!”.
Que frase genial. É exatamente isso!!!
Quem corre uma maratona sem administrar a própria potência, não tem fôlego para chegar até a linha de chegada.
A mesma coisa acontece com dietas radicais. De um dia para o outro, a pessoa simplesmente para de comer tudo o que gosta, para viver de alface. É claro que não vai durar. É claro que vai ter um dia em que a pessoa vai se esbaldar nos alimentos que cortou e ter o efeito rebote.
Isso também acontece nas finanças pessoais. Quem já fez corte de gastos de forma radical sabe, que no início as coisas tendem a dar certo, mas depois de algumas semanas, alguns meses, o suportável se torna insuportável e como uma avalanche, vai acabar comprando tudo o que não comprou (e mais um pouco) nas últimas semanas.
Para evitar esses cenários desastrosos, o minimalismo pode ser o grande aliado da independência financeira. Viver uma vida significativa, sem precisar “empurrar” os sonhos para depois, já que minimalismo é viver com o que você considera suficiente para ser feliz (ou seja, ter a quantidade exata das coisas que ama e acha importante) e eliminar os excessos.
Se você gosta de sentir o cheiro das páginas dos livros, mas compra e-books para economizar, você vai sentir um vazio lá na frente.
Se você sempre gostou de viajar, mas não viaja para economizar, vai sentir um vazio lá na frente.
Não significa reduzir ou deixar de comprar algo que considera importante. Significa reduzir o consumo de coisas que não possuem valor para você, para gastar nas coisas que são importantes.
Eu parei de comprar presentes para terceiros por obrigação, parei de trazer souvenirs para todo mundo toda vez que fazia uma viagem, parei de comprar sapatos caros que não duravam 6 meses no meu pé, parei de comprar livros que nunca vou ler, cursos que nunca vou fazer, roupas que nunca vão entrar em mim, aliás, parei de comprar tantas coisas… E foi assim que o dinheiro começou a sobrar para gastar nas coisas que eram importantes para mim.
O quesito moradia é algo muito importante para mim. Eu já fui assaltada algumas vezes em São Paulo, e por esse motivo, tive medo de sair de casa durante um período da minha vida. Morar em um bairro seguro foi a forma que encontrei para manter a minha saúde mental.
Para poder gastar mais na moradia e ainda manter minhas contas equilibradas, abri mão de coisas que não eram importantes. Mas vejam só, por não serem importantes, não senti falta de nada do que ficou pra trás.
Descobrindo o equilíbrio, pronto, descobriu o “ritmo confortável” para correr a maratona da Independência Financeira.
Hoje resolvi escrever sobre esse tema, porque é um sentimento que eu tenho dentro de mim.
Diferente do que algumas pessoas já podem imaginar, a jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early) não é, nunca foi e nunca será um martírio para mim.
Eu acho que isso acontece por um mix de acontecimentos:
Meu trabalho não é insuportável
Eu tenho vontade de sair do meu trabalho, mas às vezes tenho vontade de ficar. A verdade é que eu sempre quis que meu trabalho não fosse uma obrigação financeira. Hoje, trabalho, porque preciso do dinheiro. Quero um dia poder trabalhar (inclusive em outras áreas) por simplesmente querer trabalhar, tirar essa obrigação, ser dona do meu tempo. Além disso, recebo um salário ok, a minha equipe é composta por pessoas responsáveis, ou seja, não tenho que cobrar serviço, não preciso falar duas vezes a mesma coisa, são pessoas acessíveis e confiam em mim.
Eu sou minimalista
Eu não reduzi meus gastos para ser FIRE. Eu já vivia assim, antes mesmo de conhecer o movimento FIRE. Já comentei isso antes, que FIRE será consequência do meu estilo de vida. Eu vivo alguns degraus abaixo do que permitiria a minha renda familiar. E não vivo assim com o intuito de economizar. Vivo assim, porque encontrei a minha suficiência, tenho poucas coisas, mas de qualidade. Aprendi a priorizar o que é importante e eliminar excessos.
Eu conheço a minha própria suficiência
Eu não tenho além do que eu preciso.
Se eu tenho 5 sapatos, é porque eu uso todos os meus sapatos. Não há nenhum sapato que fica de escanteio, esquecido no fundo da sapateira. Todos estão em bom estado e bem cuidados. E isso só é possível, porque tenho poucas unidades.
E isso se repete em praticamente todas as áreas da minha vida.
Meu marido acredita em mim
Meu marido acredita na jornada FIRE. Se eu digo para ele que preciso de algumas semanas para estudar sobre estratégia de investimentos, para reavaliar nosso plano FIRE, posso simplesmente largar tudo para focar nos estudos. Eu e meu marido compartilhamos serviços de casa. Mas nesses períodos do meu intensivão, ele cuida de tudo após colocarmos as crianças para dormir. Ele arruma a casa, coloca as roupas para lavar, recolhe, dobra e guarda as roupas, cozinha, lava louça, leva o lixo na lixeira do condomínio, enfim, faz tudo mesmo. É confortante ter um companheiro que rema junto, que não só acredita em mim, mas encoraja para seguirmos em frente.
Eu tenho gratidão por tudo o que já conquistei
Alguém pode olhar e pensar: “nossa, grande coisa…”, mas eu sinto gratidão em tudo que já conquistei nessa vida. Desde a roupa quentinha que uso para me proteger dos dias frios (antes, eu sentia muito frio no inverno, porque não tinha dinheiro para comprar roupas de qualidade), de ter uma internet de qualidade, até de poder comprar um simples sapato com a numeração correta para minhas filhas (eu usei por muito tempo sapatos doados de qualquer numeração, por falta de dinheiro. Sentia dores nos pés, porque ora usava sapatos apertados, ora usava sapatos largos).
Sinto gratidão nas coisas pequenas, como ter janelas boas que vedam vento. Nesse apartamento que acabei de mudar, a primeira coisa que falei pro meu marido foi isso: “olha como essas janelas são boas, você lembra quando a gente passava mais frio dentro de casa do que fora?”
O que para muitos pode ser pouco, para mim e para o meu marido, temos o que nunca tivemos até então.
Dizem que a gente se acostuma com coisas boas. Eu não me acostumo. Eu sempre lembro de onde eu vim e onde estou hoje. Eu sempre lembro do caminho que trilhei.
Lembrar que tudo poderia ser muito pior
Eu poderia ter começado a investir mais cedo. Poderia. Mas poderia não ter começado até hoje.
Eu poderia ter um trabalho melhor. Poderia. Mas poderia também não ter emprego.
Eu poderia não ter saúde…
E quando penso assim, tudo fica bem.
O prazer de viver a jornada FIRE
A jornada FIRE tem sido como uma construção de uma ponte. A cada etapa concluída, uma conquista. A cada conquista, a sensação de tranquilidade aumenta, aumenta a paz e a serenidade por saber que será uma questão de tempo alcançar a aposentadoria antecipada.
Posso dizer que vivo uma jornada FIRE de forma leve, divertida, sem precisar deixar os pequenos e médios sonhos para depois.
Que a felicidade incomoda, não é mais segredo para ninguém. Além da felicidade, o sucesso dos outros também incomoda muita gente.
Eu aprendi com o tempo a voar abaixo do radar.
Isso significa que aparento ser bem menos do que de fato eu sou, ou do que possuo.
Não converso sobre investimentos com os outros, às vezes alguém resolve me dar conselhos financeiros, e eu ouço-os com atenção, mesmo sendo bem ruins, eu tenho preferido demonstrar desconhecimento e desinteresse sobre o assunto.
Moro num apartamento alugado onde as pessoas do meu condomínio não fazem ideia do meu objetivo de sair fora do sistema. Apesar de eu adorar meu apartamento, ele é mais modesto quando comparo com os apartamentos dos meus amigos.
Uso roupas simples, de marcas aleatórias, ando de transporte público.
No meu ambiente de trabalho, interajo com pessoas conformadas em terem que trabalhar até os seus 70 anos. Quando alguns (ou todos?) começam a lamentar a vida dura, de ter que trabalhar até morrer, de que temos o dever de gastar todo nosso dinheiro para aproveitar um pouco dessa vida sem graça, meu amigo (que eu ensinei sobre a independência financeira e foi um dos pouquíssimos que resolveu embarcar na mesma jornada) costuma me chutar embaixo da mesa para eu falar algo, mas eu não digo nada.
Com muito custo, compreendi que o diferente ofende, e o que faço (buscar a aposentadoria antecipada), beira algo próximo à aberração. Para os olhos dos outros, poupar parte do meu salário para o meu futuro parece ser algo muito, muito errado. E esse julgamento, não vem apenas de colegas, mas de amigos e familiares próximos.
E com isso, parei de compartilhar conhecimentos e comecei a voar abaixo do radar para não chamar atenção das pessoas.
Em hipótese alguma eu deixo de estudar, adquirir novos conhecimentos, conhecer novas pessoas. Eu continuo evoluindo. Eu só não compartilho isso numa roda de conversa.
Tenho achado mais fácil acharem que sou um deles do que mostrar que estou trilhando um caminho diferente.
Meu marido adora isso. Ele diz que é como se vivêssemos em um mundo paralelo, um mundo secreto, onde só nós dois compartilhamos desse segredo.
“Mostre menos do que tem e fale menos do que sabe” ~ William Shakespeare ~
O documentário gira em torno do casal Scott e Taylor (e a filha de 2 anos) tentando se opor ao consumismo desenfreado e à vida padrão: ir para a faculdade, fazer empréstimo estudantil, comprar um carro, hipotecar uma casa, depois trocar o carro por um modelo mais novo, comprar várias coisas sem necessidade, trabalhar por 40 anos para pagar tudo que comprou, e torcer para conseguir se aposentar aos 65 anos de idade.
O documentário mostra o casal embarcando na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposente-se Cedo), e uma coisa que eu fiquei pensando enquanto assistia, era justamente o título que originou este post: “Por que muitos não conseguem chegar lá?”
Muitas pessoas (e aqui, estou falando de pessoas que recebem um salário razoável) não conseguem ser FIREs, porque se preocupam demais com as coisas que estão deixando para trás, das coisas que estão desistindo, do que estão abrindo mão, ao invés de pensar em todas as outras coisas boas que o FIRE proporciona.
No próprio documentário, é muito claro perceber isso. Taylor demonstrava a todo momento como as escolhas novas eram doloridas: a troca por um carro popular, a mudança da cidade, a escolha de uma casa mais modesta. A todo momento ela falava o quanto era difícil não ter o que queria, e era difícil não notar sua expressão de insatisfação.
Viver uma jornada FIRE desta forma, pensando sempre na escassez, é torturante. É viver sem viver de fato. É viver querendo ter outra vida. É viver querendo estar em outro lugar. E ninguém, ninguém aguentaria viver uma vida de privação por décadas.
Eu lido bem com a minha jornada FIRE, porque eu sei que não é uma jornada de privação, e sim uma jornada para a liberdade.
O segredo para uma jornada tranquila é encontrar o equilíbrio do quanto está disposto a abrir mão de certas coisas, sem prejudicar a qualidade de vida. Um exemplo? Que tal abrir mão de morar em um apartamento de 3 dormitórios e morar em um de 1 ou 2 dormitórios (principalmente se você não tiver filhos)? Ao invés de almoçar todos os dias em restaurantes, que tal cozinhar a própria comida durante a semana, e deixar os restaurantes para os fins-de-semana em companhia agradável dos amigos? Já pensou em comprar roupas melhores, e abandonar o fast-fashion para ter roupas mais duráveis, mas em menor quantidade? E se pudesse morar próximo do trabalho e abrir mão do carro? Até que não seria uma troca tão sofrida.
Há algumas coisas que considero importante para uma jornada FIRE mais tranquila:
Aprender a se divertir sem precisar gastar tanto dinheiro;
Compreender o que é essencial para parar de se comparar com o colega do lado;
Aprender a fazer escolhas inteligentes para aprender a gastar BEM o dinheiro, e não gastar MAIS dinheiro.
Todas as escolhas que fiz até hoje, não foram privações. Foram escolhas feitas de forma cuidadosa. E por isso mesmo, vivo um presente sem arrependimentos.
Quando estiver desanimado, lembre-se que a jornada FIRE é uma jornada para a liberdade.
Eu sei que não há um caminho único para alcançar a Independência Financeira, pois cada um tem a sua fórmula e a sua própria realidade.
Hoje vou compartilhar os passos que eu tenho trilhado. São pequenas decisões, que foram e estão sendo fundamentais na minha jornada FIRE.
Minimalismo como filosofia de vida
O minimalismo permite inicialmente o destralhe de objetos sem uso como roupas, itens de cozinha, acessórios etc. Só que aos poucos, é possível compreender que o minimalismo permite o auto-conhecimento. Viver com menos não significa viver passando vontade, nem passando necessidade. Viver com menos significa viver com aquilo que é importante, eliminando tudo aquilo que não tem importância.
Descobre-se a suficiência, a viver baseando-se na própria régua, e não mais na régua dos outros, passando então a fazer escolhas acertadas, e gastos inteligentes.
Não ficar chorando pelo leite derramado
Eu também não sabia investir. Eu também já gastei muito dinheiro em coisa inútil e fútil. Não comecei a investir tão cedo como gostaria, perdi dinheiro cometendo vários erros.
Mas enfim, ao invés de ficar lamentando as perdas, é muito melhor assumir as besteiras que fez, levantar, superar os erros e seguir em frente.
Rever todos, TODOS os gastos
A revisão de todos os gastos foi algo muito importante para mim. Fazer a revisão dos gastos desde habitação, transporte, alimentação, educação, vestuário fez uma diferença enorme no meu orçamento.
Rever os gastos baseando nas coisas que eu achava importante, significou fazer diferente do que a maioria fazia.
A maioria tem assinatura de TV a cabo, a maioria tem pacotes de planos de celular, a maioria tem imóvel próprio, carro na garagem, casa reformada, alguém para limpar a casa, a maioria que trabalha em escritório come em restaurantes na hora do almoço, compra roupas com frequência, viaja mesmo sem dinheiro, vive fazendo dívidas.
O que me ajudou a não comparar com as pessoas que eu conhecia, foi lembrar que a maioria está presa na corrida dos ratos. De que nós temos objetivos diferentes.
Não subestimar valores pequenos
Em vários sites e principalmente nos canais de finanças do YouTube, vejo pessoas falando para subestimar valores pequenos como o cafezinho. De que ninguém fica rico cortando cafezinho. Eu discordo. Na minha opinião, principalmente para quem está começando, avaliar todos os gastos supérfluos faz muita diferença.
Eu poupava a diferença da conta de luz, o dinheiro que achava no bolso do casaco, o décimo terceiro, a restituição do imposto de renda, a água que não comprava na rua por levar uma garrafa na bolsa e por aí vai.
Fazer isso fez muita, mas muita diferença. Eu entendi que cortando cafezinho, parando de comprar roupas todos os meses, e cortando todos os outros gastos que nem eram tão importantes para mim, permitia por exemplo, uma viagem internacional por ano. Ou seja, conseguia poupar boa parte do meu salário, sem precisar cortar o que mais gostava de fazer, que era viajar.
Não se limitar a um valor na hora de poupar
A gente tem o costume de se acomodar achando que só porque poupa 10% todos os meses, o resto que sobra pode ser usado em coisas supérfluas. Aprendeu a viver com 90% do salário? Reavalie os gastos e desafie-se a viver com 80% do salário (sem abaixar o padrão de vida, rá, ficou difícil, né?). Acostumou a viver com 80%, que tal tentar 70%?
Foi assim que, de conta em conta, de mês em mês, passei a viver com 30% da minha renda familiar, investindo os 70% restantes.
Não depender dos outros para investir
Não pergunte para os outros, estude, aprenda por conta.
Os “outros” não sabem.
Atualmente, temos um pouco mais de 2 milhões de pessoas físicas na bolsa de valores (sendo que cerca de 1 milhão dessas pessoas entraram somente neste ano).
Só que nós somos 209 milhões de brasileiros. Há de concordar comigo que a probabilidade dos nossos advogados, contadores, gerentes e assessores financeiros não terem tanto conhecimento sobre investimentos é muito grande.
Ao invés de perguntar para quem (provavelmente) não sabe, estude por conta própria. A internet está aí pra isso.
Os integrantes da família remando juntos
Como vocês já sabem, eu e meu marido não só estamos no mesmo barco, mas remamos de forma sincronizada. Fazer isso tem aumentado a eficiência e a velocidade do nosso barco, o que antecipa a chegada ao nosso destino FIRE.
Esqueça a televisão e as redes sociais
Perde-se muito tempo assistindo e fuçando a vida dos outros.
Há 5 anos, eu desisti de assistir televisão. No início do ano, eu estava em uma lanchonete e fiquei abismada com a violência na TV… muito medo, muita desconfiança, muita escassez. É praticamente uma lavagem cerebral sobre interpretação da vida, concentrando todos os acontecimentos trágicos em um único noticiário.
Quando entra os comerciais, inicia a grande armadilha: o forte incentivo ao consumo.
Não se comparar com o outro
Se eu resolvesse comparar a minha vida com as pessoas ao meu redor, tenha certeza que eu estaria presa na armadilha da classe média, torrando todo meu dinheiro até o último centavo.
Não use a vida dos outros para medir a própria vida. Não ache que não dá pra viver sem carro, dá sim. Não ache que os filhos não terão oportunidades da vida e serão uns fracassados se não puderem estudar numa escola de elite. Não ache que só porque todo mundo faz alguma coisa, nós também temos que fazer. Se eu ficasse olhando para os outros, minha vida seria completamente diferente, ou seja, teria coisas que são importantes apenas para os outros, não para mim.
Carteira diversificada
Carteira diversificada é ter reserva de emergência, reserva de valor, renda fixa, ações, FIIs, imóveis físicos e investimentos no exterior.
Acreditar na possibilidade de ser FIRE
Acreditar que era possível, foi fundamental para mim. Enquanto as pessoas riam da minha “visão utópica de aposentar cedo”, lá no fundo eu já sabia, eu tinha (o que meu marido chama de) fogo nos olhos, uma certeza absoluta que eu estava certa e no caminho certo. Enquanto as pessoas estavam consumindo, eu estava comprando meu tempo de volta.
Esses passos têm sido fundamentais para mim. Gosto daquela célebre frase do Mark Twain: “Por não saber que era impossível, foi lá e fez”.
Estive conversando com meu marido como a nossa carteira teve uma ascensão meteórica.
E é sobre esse histórico que hoje vou escrever.
O primeiro imóvel a gente nunca esquece
Em 2010, eu comprei o que seria meu primeiro imóvel. Era um imóvel antigo que eu morava de aluguel, e a proprietária me ofereceu por um valor muito abaixo do mercado. A documentação para financiar com o banco durou 9 meses (um vai e vem de documentos, falta de assinaturas etc que culminou em um atraso excepcional, já que a proprietária não morava em São Paulo). E nesses 9 meses de vai e vem de papeladas, por conta do boom imobiliário, o imóvel havia se valorizado. Lembro até hoje da gerente do banco perguntando para a proprietária se não queria fazer uma revisão do preço do imóvel, já que o valor não correspondia mais o valor do mercado. Para a minha sorte, ela disse que não precisava. E com isso consegui quitar em 3 anos.
O segundo casamento a gente nunca esquece
Como eu já havia lidado com um divórcio, achei prudente da minha parte quitar o imóvel antes de casar, assim, se acontecesse um novo divórcio, o imóvel seria meu no momento da divisão de bens. Quitei em 2013, exatamente 1 semana antes do casamento (hoje, já não penso assim, tudo é nosso).
O sonho de viver o sonho pré-fabricado
Eu tinha uma lista de todas as coisas que nós queríamos. E isso incluía obviamente um carro e um imóvel de 3 dormitórios.
Até que com o nascimento da minha primeira filha em 2015, eu meio que despertei, e percebi como eu vivia o sonho que não era meu. Descobri a tempo que não precisava de um carro, muito menos de um imóvel grande. Surge então a vontade de ser livre, de ser FIRE (Financial Independence Retire Early).
Viver sem patrimônio, venda do imóvel por 30% abaixo do mercado
Após devorar todos os conteúdos mais importantes sobre investimentos, tomei a decisão de viver sem bens, ou seja, vender meu imóvel.
Eu já estava pensando em engravidar da minha segunda filha, e chamei um corretor imobiliário para fazer uma avaliação do imóvel.
Algumas pessoas me orientaram a não vendê-lo, pois era algo que eu tinha adquirido antes do casamento, mas isso já era tão irrelevante para mim… Meu marido embarcou na jornada FIRE e desde então (até antes disso, na verdade), não via sentido nenhum em separar o nosso patrimônio.
Na avaliação do imóvel, o corretor imobiliário definiu um valor muito acima do que eu esperava (pela boa localização, pela reforma recente e por ser cobertura), mas eu, sabendo que o mercado não estava tão aquecido, e ainda sabendo que eu não teria paciência de aguardar 1 a 2 anos para vender um imóvel, resolvi por conta própria, derrubar 30% do valor que o corretor havia passado para mim.
Não preciso nem dizer que vendi o imóvel em menos de 1 mês.
E olha só como é o destino… depois de algumas semanas, já na casa nova (alugada), comecei a sentir enjôos e descobri que eu estava grávida da minha segunda filha. Detalhe que eu carreguei sofá, desmontei guarda-roupa, carreguei peso sem saber que estava grávida. Ai ai.
E aí que fui coroada novamente. Após 2 a 3 meses da venda do imóvel, a renda fixa teve a sua alta histórica por conta do impeachment da Presidente da República em 2016.
Se eu tivesse agarrado na ideia de que “só vou vender o imóvel com o preço que o corretor sugeriu”, eu não teria pegado esta oportunidade. Veja que eu não vendi meu imóvel no prejuízo, muito pelo contrário, vendi no lucro (lembra que eu comprei barato?), só achei que não precisava ter um lucro fenomenal para me sentir satisfeita.
Nesse meio tempo, comprei mais 2 imóveis para investimento, e vendi 1, também por um preço bem barato, desta vez para um amigo. Vendi barato de forma consciente, porque fiz as contas e percebi que para o meu amigo ter um bom retorno no aluguel, eu teria que abater parte do meu lucro. Sim, fiz isso, primeiro porque eu queria vender mesmo, segundo porque ele é meu amigão, e terceiro, porque ele estava iniciando nos investimentos, seria uma forma de incentivá-lo.
Renda fixa pré-fixado a 19% ao ano
Alguém lembra dessas taxas? Pré-fixado a 19,50% ao ano, IPCA + 8,70% ao ano… eu peguei essas taxas. Todos os investimentos de renda fixa que comprei estão atrelados às taxas daquela época.
No turbilhão econômico de 2016, eu consegui investimentos pré-fixados rendendo 19% ao ano. Lembrando que só consegui essas taxas, porque estava com dinheiro líquido que veio da venda do meu único imóvel na época, por um preço abaixo do mercado, me desfazendo do imóvel por um valor que achei justo para mim.
Nessa época, as taxas da renda fixa ainda não estavam tão altas, mas a parte boa é que eu já estudava finanças há algum tempo. Depois de 3 meses, eu compreendi que estava passando pela minha frente, uma das grandes oportunidades da renda fixa e eu travei todo o dinheiro do imóvel investindo em renda fixa pré-fixados a 19% ao ano e IPCA+8%, além de ter sacado o dinheiro que eu tinha no Itaú Personnalité (que cá entre nós, não rendia muita coisa).
Bitcoin
Comprei bitcoins quando estava em 11 mil reais, e ainda achei que tinha chegado muito tarde para a festa. Ledo engano, em poucos meses, bitcoin alcançava os seus 70 mil reais. Hoje, não tenho mais posição em Bitcoin.
Renda variável andando de lado
Quando comecei a estudar sobre renda variável em 2015 ~ 2016, a bolsa de valores andava de lado.
Eu estudei os balanços das empresas, fiquei acordada de madrugada com uma bebê de colo e ainda por cima grávida, lendo relatórios para tentar entender um pouco mais sobre as empresas. Não conhecia ninguém que pudesse me orientar, ninguém para me ensinar, então foi na base da porrada que eu aprendi, na base de (muitos) erros e acertos.
Foi no final de 2016, com a bolsa em 57 mil pontos que eu comecei a investir pesado em ações, e pra minha sorte, a bolsa começou a sua subida vertiginosa até os 120 mil pontos.
Queda da bolsa de valores
Chegando em 2020, a bolsa despencou e eu estava com bastante renda fixa que estava para vencer, daquela época que comprei em 2016.
Para minha grata surpresa, as quedas intensas não me afetou (psicologicamente), muito pelo contrário, tomei a decisão de me desfazer de boa parte da renda fixa para comprar diversas empresas que estavam claramente abaixo do preço normal. Volatilidade não é risco, é oportunidade, quando se sabe o que está fazendo.
Pra vocês terem uma ideia do retrato da minha carteira atual:
Ações: 77% (proporção ideal: 25%)
FIIs: 6% (proporção ideal: 25%)
Renda fixa: 14% (proporção ideal: 25%)
Investimento no exterior: 3% (proporção ideal: 25%)
Economizar para ter aportes gordos
Junte a isso tudo, aportes gordos que eu e meu marido fizemos e continuamos fazendo todos os meses, que gira em torno de 60 a 70% da nossa renda mensal.
Claramente, eu e meu marido temos propósitos diferentes da maioria das pessoas que conhecemos. Isso significa que enquanto nossos amigos e colegas moram em imóveis próprios, com carro na garagem, eu moro de aluguel e ando de transporte público.
Já publiquei em algum post que do total de patrimônio que possuo atualmente, 40% do dinheiro veio do meu trabalho, do meu suor, e 60% dos rendimentos e juros compostos. Para facilitar o entendimento, isso significa que se uma pessoa tem um total de R$500 mil de patrimônio, recebeu R$300 mil de juros compostos. Se uma pessoa tem um total de R$1 milhão de patrimônio, recebeu R$600 mil de juros compostos. Nada mal, não é mesmo?
Isso só foi possível, porque os aportes foram altos e constantes desde o início, além das oportunidades que foram surgindo nos momentos certos.
Não sei ainda quanto tempo irei demorar para alcançar a Independência Financeira, mas essa é a minha história.
Com a constante redução da taxa Selic, o sobe e desce da bolsa de valores, o caos político, a crise econômica… vejo pessoas desesperadas e impacientes querendo começar a investir para enriquecer da noite para o dia. Não é à toa que a Bolsa de Valores teve seu salto no número de pessoas físicas desde o início da pandemia.
Mas “entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar”.
Antes de investir, é necessário controlar os gastos. Somente depois de acompanhar os gastos é que será possível rever os gastos. Com a revisão, será possível identificar excessose enxugar gastos supérfluos.
Finalmente com dinheiro sobrando, será possível montar uma reserva de emergência. Também será necessário estudar sobre investimentos, já que é algo que percebi que não dá para terceirizar.
Mas daí eu pergunto:
Quantas pessoas estão dispostas a poupar e investir parte do salário todos os meses, por 10, 20, 30 anos para somente depois colher os frutos?
Quantas pessoas estão dispostas a sentar na cadeira e estudar tarde da noite, após trabalhar o dia todo, cuidar da casa e das crianças?
Muitos, se não a maioria, irão desanimar no meio do caminho e até desistir, quando a economia entrar em recessão e ver o patrimônio ser reduzido a pó.
Querem enriquecer da noite para o dia como num passe de mágica, não querem estudar, não querem correr atrás, ficam procurando de forma incessante a tal da fórmula mágica.
Para ter a tranquilidade financeira, é necessário fazer escolhas.
Pessoas dizem que querem empreender, mas não querem abrir mão do conforto atual, nem trabalhar por mais de 12 horas nos primeiros anos do negócio. Querem tudo, mas não estão dispostas a fazer nada, a abrir mão de nada, nem das pessoas, nem do tempo, nem do dinheiro.
Querem ganhar milhões apostando a sorte na mega-sena, mas não tem ouvidos quando alguém mostra o caminho das pedras para ficar rico devagar, de forma consistente, de forma lícita.
O que você tem plantado? Se a resposta for “nada”…. bom, já sabe o que te espera no futuro.
Assim como quem navega sabe disso, nós não temos como controlar o vento, mas podemos ajustar as velas de acordo com a posição do vento.
Esse coronavírus + crise política + recessão econômica prejudicou também os FIREs (Financial Independence Retire Early) que estão caminhando a jornada para a aposentadoria precoce.
Sabemos que crises acontecem de tempos em tempos, e de fato, não podemos evita-los, principalmente uma crise mundial desta magnitude que estamos presenciando. Mas, podemos desenvolver a capacidade de se adaptar às novas situações, às novas realidades, compreender que as coisas mudaram e buscar novas soluções.
A verdade é que o vento mudou a direção.
Ele não está mais nos levando diretamente para onde queríamos chegar. E está tudo bem. Não significa desistir, significa que uma nova rota está sendo traçada a partir de uma nova realidade.
Desde o início da pandemia tenho questionado o quanto ser FIRE é realmente seguro. Eu, que tenho crianças pequenas, e sei dos gastos que só aumentam conforme elas crescem, fico me perguntando qual o valor ideal para ser FIRE: 3 milhões, 6 milhões, 10 milhões? Sinceramente, eu não tenho mais essa resposta.
E por não ter essa resposta, tenho seguido o mesmo caminho que o Quero Virar Vagabundo explica nesse post.
No meu caso, tenho a regra dos 4% como uma direção a seguir, mas não é mais a única bússola que uso. Eu tenho considerado um mix de teorias:
a TSR (taxa segura de retirada) de 4%;
a TNRP (taxa necessária para remuneração do portfólio) do André, do Viagem Lenta;
aumentar o portfólio em investimentos que gerem renda passiva, como dividendos, aluguéis das ações, aluguéis de FIIs e aluguéis de imóveis físicos;
rebalanceamento da carteira em 75% renda variável e 25% renda fixa, sendo renda variável: 25% ações, 25% FIIs, 25% investimentos no exterior.
Esses foram alguns dos ajustes que eu fiz na vela do meu barco, tendo a plena consciência de que pode ser que leve um pouco mais de tempo, mas eu sei que chegarei lá.
Outro dia, li que uma empresa que produz lençóis, adaptou a sua manufatura para começar a lavar os lençóis dos hospitais, já que ao produzir lençóis, eles já utilizavam caldeirões de altíssima temperatura. Que sacada!
Outras indústrias também não ficaram para trás… Indústrias de cosméticos começaram a produzir toneladas de álcool gel. Fábricas de engenharia e indústrias automobilísticas começaram a produzir respiradores artificiais. De marcas de luxo que começaram a produzir uniformes médicos e máscaras de proteção, até a marca de brinquedos da Galinha Pintadinha que passou a produzir máscaras para profissionais da saúde.
Nós também devemos ajustar as nossas velas. Claro que não será como era antes, mas devemos nos adaptar e fazer os ajustes, se não quisermos ficar para trás.
Orçamento Base Zero é uma abordagem contábil que inverte a lógica tradicional do orçamento de uma empresa, também utilizada nas finanças pessoais. Normalmente, pensamos assim: “tenho 300 reais mensais para pegar ônibus para ir ao trabalho”. No OBZ pensamos assim: “qual é o valor mínimo necessário para ir até o trabalho?”. Como não há um orçamento pré-estipulado, nem conceitos pré-moldados, o valor tende a ser reduzido, porque outras formas para ir ao trabalho serão pensadas. Talvez uma carona com um colega que mora perto de casa? Ir de bicicleta? E por aí vai.
Eu explico o OBZ numa única frase: “Como posso ter aquele produto/serviço sem pagar nada ou quase nada?”
Eu gosto de pensar no OBZ, porque é uma forma de estimular a criatividade, e ver como conseguimos fazer tantas e tantas coisas sem envolver dinheiro. Fui ensinada pela minha mãe a criar coisas, já que não tínhamos dinheiro na infância. Ao invés de ficar chorando pelas coisas que não tinha, agradecia pelas roupas que ganhava da vizinhança e fazia pequenos (e grandes) ajustes, tingia para mudar a cor da roupa, transformava a calça jeans em uma saia, uma bermuda em um shorts, uma camiseta que virava regata… Também aprendi a fazer minhas próprias bijuterias, por descobrir desde cedo que acessórios faziam muita diferença para quem tinha um guarda-roupa enxuto.
Pois bem, em tempos de confinamento, quem tem criatividade, se adapta mais rápido à nova realidade.
Pensando nisso, compartilho aqui algumas coisas que tenho feito:
1. Confecção de máscaras
Fiz vários modelos e de diversos materiais, desde guardanapo, tecido de linho, e até um lençol egípcio que havia ganhado de presente de casamento. Este último ficou top!
2. Improvisando vaso de plantas e multiplicando as mudas
Tenho feito mudas através das próprias plantas que já tenho em casa. Estou cortando a parte de cima de uma embalagem plástica de suco e aproveitando a parte de baixo para usar como vaso temporário. Quando as mudas crescerem, transfiro para um vaso.
3. Apoio para sapatos
Depois da chegada do Covid-19 no Brasil, parei de guardar os sapatos que uso na sapateira, e criei uma zona suja em casa, para não “contaminar” a sapateira. Deixava em cima de uma folha de jornal no chão para delimitar um espaço, perto da porta de entrada, e usava apenas 1 único sapato para ir ao supermercado e farmácia. Só que visualmente era bem feio. Como eu tinha uma bandeja grande que estava sem uso, resolvi adaptar.
Não que agora esteja a coisa mais linda do mundo, mas tem funcionado bem.
4. Lavar edredom de casal
As lavanderias estão fechadas e eu queria lavar meu edredom de casal, antes da chegada do inverno. A minha máquina de lavar roupa não consegue lavar esse edredom, por ser muito grande.
Peguei a bacia enorme onde minhas filhas tomam banho, coloquei o edredom, sabão e enchi de água. Chamei as crianças e ficamos pisando e cantando, como se estivéssemos pisando em uvas para produzir vinho.
5. Corte de cabelo
Quem cortava o cabelo das minhas filhas era a minha mãe. Como não estou me encontrando com ela, eu mesma comecei a cortar o cabelo delas. Às vezes sai um pouco torto, mas fazer o que. Como eu sempre digo, é o que temos para o momento.
6. Brinquedos / artesanato
Aqui em casa, na fase da pandemia, paramos de jogar caixas de papelão no lixo. Temos criado diversos brinquedos com ele. Já fizemos tablet e notebook de papelão, casinha de bonecas, kit de maquiagem, bonecos, jogos de tabuleiro… Nada como incentivar trabalhos manuais, minha filha de 3 anos já sabe manusear bem uma tesoura.
7. Produzindo a própria cola
Aliás, sumiram com a minha cola de artesanato. Não sei onde elas esconderam. Mas não tem problema. Quando eu era criança, minha mãe produzia cola com água e farinha. Ela simplesmente colocava água e farinha na frigideira, cozinhava um pouco e pronto. Funciona muito bem.
8. Cozinhando pra valer
Como não estamos pedindo delivery, estou melhorando meus dotes culinários para comer coisas gostosas e diferentes, para não ficarmos comendo mesmices. Pizza vocês já sabem que faço um bem gostoso, também comecei a fazer churrasco de carvão dentro de apartamento, além do pão caseiro, e outras cositas mais.
9. Adaptando ingredientes na hora de preparar comida
Isso é uma coisa que antes da pandemia, eu tinha dificuldades em fazer, talvez por morar perto de um supermercado. Como agora evito sair de casa a qualquer custo, o jeito foi sair adaptando os ingredientes.
10. DIY (do it yourself) como presente
Minha filha mais velha fez aniversário no início do mês de maio. Eu resolvi fazer um estojinho para ela guardar o espelho e um pente, já que ela é bem vaidosa. Fiz um bolo simples, coloquei 5 velas em cima, além de brigadeiros. Decorei as paredes com algumas bexigas, e a mesa com algumas plantas que já tinha em casa. E eis que ela vem, me agarra, e fala que foi o melhor aniversário que ela já teve.
Aqui em casa, o Orçamento Base Zero funciona muito bem, inclusive, as crianças já estão com este pensamento. Se elas querem brincar de “chá da tarde”, mas não têm as xícaras de plástico, pegam uma folha em branco, desenham, pintam, recortam e ficam brincando de faz de conta por horas.
Enquanto isso, guardo o dinheiro para ter paz, para usar em situações de real necessidade.
Nesse período em que muitos estão de quarentena, perceberam que há gastos que não estamos tendo?
No meu caso, não tenho gastos com transporte, a mensalidade da natação que foi interrompida pela própria escola, uma ajuda financeira mensal que eu dou para a creche, passagem de ônibus intermunicipal para visitar a casa de praia da minha mãe, nem gastos com cafés que tomo com meus amigos.
Vocês já devem saber que dinheiro extra que entra na conta, some na mesma velocidade que aparece.
Por isso, todo o meu dinheiro tem nome e sobrenome.
Isso significa que todo dinheiro que eu sei que vai entrar na minha conta, coloco nome (gastos) e sobrenome (categoria) para deixar provisionado.
Por exemplo, se eu sei que vai entrar um dinheiro na minha conta no dia 10, já faço a distribuição anotando em algum lugar (no meu caso, no aplicativo Minhas Economias) de que:
Valor
Nome
Sobrenome
R$ 100
Luz
Casa
R$ 190
Metrô
Transporte
R$ 265
Natação
Saúde
Supondo que a conta de luz, ao invés de vir R$100 veio mais barata, R$90. E por causa da quarentena, os gastos do transporte público e da natação seriam R$0. E para onde iria a diferença de R$465 (R$10 da luz, R$190 do metrô e R$265 da natação)?
Valor
Nome
Sobrenome
R$ 90
Luz
Casa
R$ 10
Luz
Investimento
R$ 190
Metrô
Investimento
R$ 265
Natação
Investimento
Pronto. A diferença do valor do mês atual, ganhou novo sobrenome: ‘Investimento’.
E isso se repete nas outras contas, de qualquer valor. Supondo que deixei reservado 2.000 reais para comprar uma geladeira, mas consigo uma promoção e gasto 1.500 reais:
R$ 1.500 – Geladeira – Manutenção da Casa
R$ 500 – Geladeira – Investimento
E isso dá certo, porque eu tenho o costume de deixar o dinheiro sempre provisionado, ou seja, separado para cada finalidade.
É desta forma que eu visualizo não só os gastos, mas também as economias do mês. Além de poupar o valor mensal que já é de praxe, me permite investir a diferença do valor.
Agora que o mundo inteiro parou e muitos de nós estamos confinados, já parou para pensar se todas as coisas acumuladas em casa faz algum sentido?
Sapatos de diversas cores e modelos parados na sapateira.
Roupas e mais roupas sem uso no guarda-roupa.
Bolsas, cintos, acessórios. Relógios, perfumes, óculos de sol.
Podemos analisar também os objetos caros… Um carro parado na garagem, um relógio de 5 mil reais no pulso, uma bolsa de luxo ou até mesmo roupas de marca, se não há para “quem mostrar”?
A verdade é que muitas pessoas viveram até o momento olhando para fora, ao invés de olhar para dentro. Ou seja, se preocuparam mais com a aparência e com o julgamento de terceiros do que com a própria qualidade de vida.
Claro que esse isolamento foi algo inesperado, mas podemos tirar uma lição disso tudo. E uma das lições é rever o consumo.
Talvez seja o momento de rever comportamentos. Será que faz sentido ter tantos pratos e copos no armário da cozinha? Ter tantas roupas abarrotadas no guarda-roupa? Reveja o tecido das suas roupas, principalmente daquela roupa que dá tanto trabalho para manter. Vale a pena ter tanto trabalho por uma blusa? Aliás, há um exercício muito bom para se fazer nesse período de quarentena: contar quantos objetos sem uso temos dentro de casa. Vai se surpreender.
Estamos tendo a oportunidade de enxergar a própria vida com outros olhos, avaliar se o nosso comportamento consumista tem valido a pena.
Aproveite para ressignificar o dinheiro, analisar o gatilho do consumo e se preocupar mais com o interno (com a qualidade de vida) ao invés do externo (com a aparência).
Há uma frase oriental em que diz que “em noites de tempestade, as árvores rígidas são as primeiras a quebrar, enquanto as árvores flexíveis se curvam e deixam o vento passar”.
O QUE PODE ACONTECER DE PIOR?
Alguns dos meus amigos dizem preferir viver um dia de cada vez. Já eu, acho que viver um dia de cada vez, significa levar susto a cada curva do caminho. “Reduziram meu salário!”, “Fui demitido!”, “Fiquei doente, para onde eu vou?”, “Não consigo pagar mensalidade da escola, onde meus filhos irão estudar?” e por aí vai.
Eu e meu marido já conversamos e compreendemos que o pior que pode acontecer nesta crise, é morrer. Claro que não pretendemos morrer, mas deixamos algumas coisas ajeitadas como:
uma reserva de emergência em ambas contas bancárias;
um pouco de dinheiro guardado em casa, em caso de urgência extrema;
se ficarmos com falta de ar, qual hospital devemos ir (que o convênio cubra);
se ficarmos com uma doença aleatória, qual hospital devemos ir (que o convênio cubra);
se o hospital do convênio estiver sem leito de UTI, quais hospitais particulares/públicos iremos?
Também temos tomado sol (na medida do possível), nos alimentando bem, e principalmente, cuidando da nossa saúde mental.
MEU SALÁRIO
Há uma possibilidade real do meu salário ser reduzido.
Apesar disso, não me preocupo muito com isso, porque além de ter uma boa reserva financeira, tenho algumas cartas na manga para enxugar ainda mais o orçamento, se assim eu desejar. Uma das vantagens de morar de aluguel é isso, a flexibilidade para aumentar ou reduzir o padrão de vida de acordo com a minha necessidade atual. Posso me mudar para um apartamento menor, para um bairro mais barato e pagar um aluguel mais em conta.
SALÁRIO DO MARIDO
Se o contrato de trabalho do meu marido for renovado por mais 1 ano, continuarei poupando 70% da nossa renda familiar.
Se o contrato dele não for renovado… bom, ainda bem que nunca paguei nenhum boleto com o salário dele. Eu nunca me iludi, quando meu salário aumentou, ou quando meu marido passou a ganhar um salário mais alto. O nosso padrão de vida sempre foi mantido apenas com o meu salário, e ainda consigo poupar uma parte dele.
QUANDO SEREI FIRE
A minha intenção era ser FIRE (Financial Independence Retire Early) aos 45 anos, ou seja, daqui a 6 anos. Agora com essa crise e recessão que estamos enfrentando, fico pensando quando será. Como eu não sou sozinha, tenho uma família junto comigo, e ainda mais 2 crianças em idades pré-escolares, todo cuidado é pouco para não me antecipar e ser FIRE antes da hora.
De qualquer forma, tenho saúde e disposição. Então, penso que na pior hipótese, continuo trabalhando e atraso alguns anos para ser FIRE. Ainda assim, continuará sendo uma aposentadoria antecipada.
MINIMALISMO
O fato de levar um estilo de vida minimalista (de viver com o que julgo ser importante para mim, e eliminar tudo aquilo que não acho importante), me fez perceber que eu não tinha gastos relevantes a serem cortados.
Eu já tinha ajustado o valor da internet há pouco tempo, eu já tinha ajustado o plano de saúde no ano passado, já economizava na luz de casa, já controlava as idas aos restaurantes, as compras por impulso, os gastos supérfluos.
Todos os gastos que eu possuo hoje, são gastos que eu acho importante para a minha família:
consumir alimentos orgânicos: frutas, legumes, verduras, carnes e produtos de mercearia;
ter plano de saúde;
morar em um bairro agradável e próximo de metrô;
ter internet de qualidade;
atividades ligadas à qualidade de vida como natação, lazer, viagens (interrompidas temporariamente).
Então, não houve algum gasto que eu tenha passado a economizar por conta da crise, pelo menos, enquanto não houver de fato a redução salarial.
A LIÇÃO DE CASA
Eu já tinha controle do meu orçamento mensal;
Já fazia revisão dos gastos do mês anterior há pelo menos 5 anos;
Já tinha reduzido gastos supérfluos;
Já poupava;
Já tinha estudado sobre investimentos;
Já tinha reserva de emergência;
Já vivia uns 4 degraus abaixo do padrão de vida que me era possível;
Já vivia de forma minimalista;
Já vivia sem desperdiçar dinheiro, alimentos e tempo;
Já tinha um planejamento, sempre esperando pelo melhor, mas me preparando pelo pior cenário;
E o mais importante, nunca coloquei o dinheiro na frente da minha família.
E assim, quando menos esperar, espero que a tempestade tenha passado, e que tenhamos sido flexível o bastante para deixar o vento passar por nós, e sagaz o suficiente para aprendermos lições valiosas desse período turbulento que estamos passando.
Estou confinada no meu apartamento, assim como alguns de vocês.
A bolsa de valores sobe e desce loucamente todos os dias, mas surpreendentemente, estou muito, muito tranquila. Para quem tem curiosidade, até o momento, minha carteira desvalorizou -24%, mas continuo com a minha estratégia de sempre, que é de longo prazo.
Aproveitando os momentos em casa, estou tentando fazer algo útil e aprender coisas novas para não passar por essa fase que por si só é complicada, em branco.
Balanceamento da carteira de investimentos
Com a constante queda e colapso na bolsa de valores, e o meu patrimônio sendo jogado para baixo numa velocidade recorde, tenho tentado tirar algum aprendizado com toda essa volatilidade.
Muitas das coisas que estou passando neste exato momento, eu já sabia na teoria, mas nada como a vivência para ter uma compreensão melhor, para fazer ajustes na estratégia de investimentos.
Como a bolsa de valores só subia há alguns anos, confesso que estava tentada a aumentar a porcentagem da renda variável da minha carteira. Entretanto, a queda inesperada e constante da bolsa, numa velocidade surpreendente, me mostrou a importância da renda fixa, no meu caso, não para reduzir a volatilidade da carteira, e sim, para usar como uma grande reserva de oportunidades.
Depois de diversos aportes que fiz nas últimas semanas, minha carteira está basicamente 80% em ações brasileiras e 20% em renda fixa. Apesar de estar bem confortável com essa alocação, resolvi abrir o leque da diversidade e acrescentar Fundos de Investimentos Imobiliários e Investimentos no exterior.
Depois do rebalanceamento, a minha carteira continuará com boa parte em renda variável (75%), mas estará melhor diversificada:
25% Ações
Tenho 20 empresas na carteira, mas considerando o momento delicado, manterei as 20, mas continuarei aportando apenas em 10 empresas que considero sólidas, resilientes e vencedoras.
25% FII
Apesar de não gostar muito de FIIs, entendi que é importante ter um pouco de renda passiva. Atualmente tenho 3.
25% Stocks (investimentos no exterior)
Acabei de abrir uma conta no exterior. A carteira ainda está sendo montada, estou estudando e escolhendo as empresas, acredito que fecharei em 20 empresas.
20% Renda fixa
Depois de estudar sobre testamento e herança, entendi que em caso de falecimento do cônjuge, preciso ter 10% do valor total do patrimônio para desbloquear os bens: 4% seria para o ITCMD (imposto sobre doações e heranças) e 6% para advogado.
Para nos resguardar de possíveis dores de cabeça, cada um (eu e marido) manterá 10% em um CDB de liquidez imediata na conta bancária.
5% Reserva de Oportunidades
Esta reserva servirá para aproveitar futuras oportunidades.
Testamento e herança
Vou compartilhar o que eu descobri até o momento. Eu e meu marido casamos no regime de comunhão parcial de bens, apesar de eu ter tido um imóvel no meu nome quando era solteira, vendi e transformei em dinheiro após o casamento, então já parto do pressuposto que tudo é nosso, ou seja, que não tínhamos nada antes do casamento. Além disso, temos 2 filhas.
Se eu morrer SEM testamento, meu marido entra como meeiro (recebe 50% do que já pertence a ele) e minhas filhas como herdeiras, recebendo 50% restante (25% para cada uma). Ou seja, meu marido terá 50% do patrimônio preservado em seu nome.
Pela lei do nosso país, posso doar até 50% do meu patrimônio para qualquer pessoa.
Então irei fazer um testamento onde:
50% já será do meu marido por ele ser o meeiro;
50% restante (que é a parte que me cabe), doarei metade 50% (que equivale a 25% do total) para meu marido, e os outros 50% (que equivale a 25% do total) para minhas filhas.
Com isso, ele terá 75% do patrimônio preservado em seu nome.
Ele também irá fazer um testamento.
Ler livros
Ano passado eu li muitos livros. Esse ano ando na marcha lenta… estou tentando aproveitar essa fase de quarentena forçada para reler alguns livros dos quais gostei mais, apesar de estar bem complicado… é a arte da paciência tentar conciliar home-office com crianças enérgicas, confinadas dentro de casa há 11 dias.
Diferentemente do que muitas pessoas podem imaginar, a minha vida não é frugal por buscar FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada).
FIRE é uma a estratégia financeira para reduzir gastos de forma eficiente, economizar e investir boa parte do salário para que o dinheiro trabalhe para você com a ajuda dos juros compostos. O intuito é viver de renda ainda jovem, e assim, sem a obrigação financeira, possa trabalhar em algo que alimente a sua alma.
Temos prazer de viver uma espécie de frugalidade opcional, conseguimos enxergar (e viver) a beleza nas coisas simples da vida.
Meu marido, por exemplo, vai para o trabalho de bike (anda 40km ida e volta), não pra economizar dinheiro, mas porque ele AMA pedalar. Não importa se está fazendo sol, ou se está tendo chuvas torrenciais, ele vai de bicicleta.
Eu por exemplo, não sinto que estou deixando de viver hoje, para desfrutar o amanhã, ou que estou aproveitando menos a vida.
Há um documentário sobre o movimento FIRE que foi lançado no ano passado, o Playing with Fire. No documentário, é possível perceber o sofrimento de um casal ao reduzir o padrão de vida que já estavam acostumados. A frustração, a dor, o desapontamento, a dificuldade e a dúvida pairam durante boa parte do documentário.
Eu não passei por essa fase. Eu não senti esse sofrimento que o casal do documentário passou para adequar a vida para iniciar a jornada FIRE.
Eu e meu marido, já poupávamos em torno de 50 a 70% do nosso salário desde 2010.
Quando descobri sobre a existência de um movimento chamado FIRE, nós já éramos minimalistas e frugais, não havia muito o que mudar. Fizemos pequenos ajustes no orçamento, estudei sobre investimentos, mas o comportamento do dia-a-dia e o padrão de consumo não mudou muita coisa. Mesmo com 2 crianças pequenas, nosso aporte beira 60 a 70%, dependendo do mês.
Claro que ao longo desses 10 anos, melhoramos nosso padrão de vida, mudamos para um bairro mais residencial, estamos comendo alimentos mais saudáveis, praticando exercícios físicos. Mas quando comparamos o estilo de vida que os nossos colegas possuem, nós ainda vivemos abaixo não só de 1, mas de alguns degraus.
Compreenda que eu não odeio trabalhar. Eu só não gosto de não ter tempo para as coisas que eu tenho vontade de fazer. Eu não gosto de fazer tudo o que eu considero importante à noite, quando já estou cansada e com sono. Não acho normal trabalhar cada vez mais, para pagar boletos cada vez mais altos, ter cada vez menos tempo e se acostumar a ficar o dia todo dentro de um escritório, perdendo os melhores anos da minha vida.
Eu só queria ter mais tempo para fazer as coisas que eu tenho vontade de fazer (já expliquei nesse post aqui Independência Financeira: o início), e por isso, a solução que encontrei – veja bem, não é o caminho mais rápido – foi ser FIRE.
Eu pensei em fazer os top 10 das compras mais úteis do ano de 2019… mas ao rever as compras do ano anterior, vi que não tinha 10 itens relevantes, já que a maioria das compras giraram em torno de alimentos, vestuário, contas a pagar, etc. Então tive que reduzir para 5 itens:
Stone in box
Alimentos orgânicos
Celular
A cama de casal “montessori” para as crianças
Viagem
Stone in Box
Eu publiquei um post sobre esse maravilhoso forno portátil que acopla no fogão comum e permite preparar pizzas profissionais em casa.
Foi uma das compras que mais me impressionou e valeu cada centavo. Nunca mais compramos pizza, pois prefiro fazer a minha própria pizza usando ingredientes melhores, o que me permite ter uma pizza mais saborosa. Segundo meu marido que já viajou para vários países, a minha pizza é a segunda melhor que ele já comeu até hoje. Detalhe: a melhor pizza que ele diz que comeu foi na Itália, com massa de fermentação longa. É ou não é um elogio?
Alimentos orgânicos
Comentei neste post sobre o motivo de ter decidido me alimentar com alimentos orgânicos, livre de agrotóxicos. Foi uma decisão que irá beneficiar a minha família a médio-longo prazo, pois acredito que ficaremos menos doentes.
Celular
Depois de quase 6 anos, meu celular já estava com sérios riscos de parar de funcionar a qualquer momento. Aproveitei a black friday e comprei um celular novo. Espero que dure outros 6 anos.
Cama de casal montessoriana para as crianças
Ao invés de comprar 2 camas de solteiro para as minhas filhas, comprei uma cama de casal bem baixinha, para que elas pudessem entrar e sair sem depender de mim, além de não correr o risco de cair de uma cama alta.
Elas compartilham a cama, dormem juntas todos os dias. É lindo de ver as duas juntas, como comentei neste post aqui.
Viagem
Eu considero viagem um gasto importante para a família. Fiz uma viagem perto de São Paulo, nada extravagante, mas foi muito divertido e relaxante.
E você? Quais foram seus gastos mais úteis do ano passado?
Lembro dos primeiros anos que comecei a guardar dinheiro. Naquela época, era só colocar o dinheiro que sobrava no fim do mês na poupança, já que eu não sabia nada sobre investimentos.
A gente quando não tem um objetivo de vida, vai arranjando desculpas para torrar todo o dinheiro.
Eu comprava roupas novas todos os meses, comia na rua por preguiça de cozinhar, comprava presentes caros para colegas de trabalho, trazia lembrancinhas para todos ao voltar de uma viagem internacional…
Eu só mudei, depois que compreendi que quando gastamos de forma desnecessária, gastamos tempo da nossa vida.
“Inventamos uma montanha de consumo supérfluo, e é preciso jogar fora e viver comprando e jogando fora. E o que estamos gastando é tempo de vida. Porque quando eu compro algo, ou você, não compramos com dinheiro, compramos com o tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida. A vida se gasta. E é miserável gastar a vida para perder liberdade.” José Mujica
No início de tudo, eu e meu marido, juntávamos dinheiro daquele jeito sem compromisso nenhum. Depois casamos e praticamente zeramos nosso dinheiro por conta do casamento. Naquela época, eu tinha apenas o meu pequeno apartamento quitado de 1 dormitório.
Não tínhamos nenhuma meta em especial, mas comentávamos que podíamos comprar um carro e um imóvel próprio de 3 dormitórios daqui a alguns anos (a típica armadilha da classe média).
A nossa sorte, é que já éramos frugais e minimalistas. Mesmo sem grandes esforços, poupávamos 70% do nosso salário. Saíamos todas as semanas, comíamos bem, fazíamos anualmente de 1 a 2 viagens internacionais, principalmente, porque não tínhamos filhos.
Com o tempo, descobri que eu tinha a habilidade de gastar dinheiro em coisas que trazia felicidade. Gastava nos lugares importantes, e reduzia nos ítens supérfluos.
Foi nessa época que eu engravidei da minha primeira filha.
Minha filha nasceu e eu entrei de licença-maternidade por 6 meses. Sem nenhuma pressa, continuamos no apartamento de 1 dormitório. Dividíamos o quarto com ela, com o berço bem perto da nossa cama.
Foi durante a licença-maternidade que aconteceu o despertar. Eu não queria mais voltar a trabalhar, queria cuidar da minha filha. Não via mais sentido em ficar 10 horas fora de casa, sendo que havia uma criança que esticava os braços para mim, toda vez que eu me afastava.
Comecei a pesquisar sobre pessoas que se aposentaram precocemente e descobri por acaso o movimento FIRE (Financial Independence Retire Early).
Depois de devorar muitos conteúdos, estava convicta de que FIRE era para mim. Contei sobre o que eu tinha acabado de descobrir para o meu marido. Ele não só acreditou em mim, mas foi o meu maior incentivador. Para a minha sorte, embarcamos nessa jornada juntos.
FIRE espalhou na minha vida como um rastilho de pólvora, foi como um despertar para a vida. Mergulhei no mundo dos investimentos e em tempo recorde, havia lido praticamente todos os livros mais importantes sobre o assunto.
Antes do nascimento da minha segunda filha, fiz um planejamento para tentar poupar o máximo possível enquanto as crianças fossem pequenas. Percebi que o momento para guardar dinheiro era enquanto elas eram pequenas, pois a partir dos 7 anos, os gastos tendem a aumentar, ou seja, eu teria mais 6 anos pela frente.
Os aportes aumentavam mês a mês e junto com isso, fui descobrindo a alegria dos juros compostos.
O mundo dos investimentos foi muito generoso comigo e tive uma sucessão de sortes (entenda sorte como estar preparado, eu já tinha poupado e estudado muito!). Vendi meu imóvel num período de alta valorização, reinvesti esse dinheiro num período em que a renda fixa estava com taxas pré-fixadas de 19% ao ano. As ações subiram, os bitcoins subiram. E nesse meio tempo, ainda fiz compra e venda de outros imóveis e obtive lucros. Mas não se iludam, também cometi erros e perdi dinheiro.
Nove anos se passaram desde o primeiro parágrafo deste post.
Moramos de aluguel, continuamos sem carro, continuamos com o mesmo estilo de vida, aportando cerca de 70% da renda familiar.
No fim do ano passado, ao fazer a análise do meu balanço patrimonial anual, tive a grata surpresa de que os rendimentos totais recebidos já superaram os meus aportes.
Ou seja, do total do patrimônio que possuo atualmente, 40% do dinheiro veio do meu trabalho, do meu suor. E 60% veio dos rendimentos e do poder dos juros compostos.
Nestes 9 anos de investimento, a curva dos juros compostos já está relativamente íngrime, porque os aportes foram altos e constantes desde o início. E não digo que foram anos de sacrifícios, foram anos de escolhas inteligentes.
Daí o título deste post: FIRE: nunca é fácil, mas vai ficando cada vez mais fácil.
Alguns programas de fidelidade, eu continuo usando, outros, já deixei de usar.
No ano passado, eu tive a paciência de anotar todos os centavos que pingaram na minha conta, referente aos programas de fidelidade. Desde janeiro até dezembro de 2019, anotei todos os valores que ganhei referente a todos os tipos de cupons, programas de recompensas, cashback, prêmios nos supermercados etc, para que eu pudesse compartilhar aqui no blog.
E para quem ignora os valores pequenos, porque acha que não vale a pena, eis que eu, vim provar por A+B, que se você não faz uso das vantagens dos cupons (ou qualquer outro tipo de vantagens que os programas de fidelidades oferecem), está deixando de ganhar dinheiro.
No total, eu recebi em 2019:
R$213,61 pelo Méliuz
R$90,19 antecipando parcelas do Nubank (todas as vezes que as lojas não davam desconto, parcelei e depois adiantei as parcelas para ganhar descontos)
R$477,08 pelo Nubank Rewards
R$1.068,00 pelo Programa Mais do Pão de Açúcar (ganhei cupons da Etna, da Natura, da L’occitani, compras no supermercado, ingressos de cinema etc)
Total: R$1.848,88
Além do valor acima, recebi créditos da Nota Fiscal Paulista e ainda vendi diversos objetos sem uso no site da OLX.
Essa é a maior prova de que de grão em grão, a galinha enche o papo.
O brasileiro no geral, não tem o costume de pensar no futuro… talvez estejamos mais acostumados a pensar sobre o passado. Então vamos falar um pouco sobre o passado.
Há dez anos, quantos anos você tinha? Onde morava? Onde trabalhava? Como era a sua vida? Estava feliz? Quais eram os seus sonhos, as suas ambições?
Dez anos se passaram e temos o dia de hoje.
Ao fazermos as mesmas perguntas, percebemos como as respostas são diferentes. E com isso, entendemos que o tempo passou, que nosso comportamento mudou, algumas vezes para pior, outras vezes para melhor.
Há dez anos, eu tinha acabado de me divorciar, morava sozinha, presa na armadilha do consumo, com quase nada de dinheiro.
Dez anos se passaram e hoje estou casada, sou mãe de 2 crianças, chegando perto da minha Independência Financeira.
Em 2015, lembro também de uma conversa que tive com algumas colegas de trabalho, sobre a possibilidade de viver de renda, sem depender do INSS. Todas se encantaram, vibraram, aplaudiram… até descobrirem que precisariam fazer 4 coisas: economizar, estudar sobre investimentos, aportar todos os meses e deixar o dinheiro trabalhar por pelo menos 10 anos. Desde a conversa, já se passaram 5 anos, e até onde eu sei, ninguém fez absolutamente nenhum movimento.
Pare para pensar agora: se tivesse feito algo diferente há 10 anos, a vida hoje, já não estaria muito melhor?
Um exemplo? Um orçamento doméstico, com gastos revistos, 500 reais investidos a uma taxa hipotética de 0,80% a.m., faria com que depois de 10 anos tivesse mais de 100 mil reais, sendo que 40 mil reais seriam de juros compostos. Em 20 anos, teria mais de 360 mil reais, sendo que 243 mil reais seriam de juros compostos. Em 30 anos, teria mais de 1 milhão de reais, sendo que 866 mil reais seriam de juros compostos.
Ou seja, um simples ato de poupar 500 reais por mês, faz com que um cidadão comum, tenha mais de 1 milhão de reais na conta, sendo que “só” poupou 180 mil reais.
As pessoas torcem o nariz por pequenas mudanças de hábito, mas um pequeno hábito pode se tornar algo gigante, quando os anos se sobrepõe.
Se queremos controlar uma parte do futuro, devemos começar a fazer algo a partir de hoje. Não vamos deixar nas mãos de terceiros.
Se o trabalho está chato, por que não mudamos de comportamento? Se o custo de vida está caro, por que não nos esforçamos para aumentar a renda ou reduzir os gastos?
O fim-de-ano, é um ótimo período para repensar nas atitudes, avaliar o ano que passou e fazer diferente a partir do ano que vem.
No mundo corporativo, downsizing nada mais é do que redução de custos e processos visando a eficiência. É racionalizar todas as etapas com o objetivo de construir uma organização eficaz, mantendo os processos o mais enxuto possível. A médio-longo prazo, essa prática traz diversos benefícios como revitalização da empresa, visão sistêmica, redução nos gastos, eficiência nos resultados etc.
Basicamente é encolher para crescer.
Já pensou em fazer um downsizing da sua vida pessoal?
O downsizing pode ser aplicado em qualquer lugar: no seu guarda-roupa (ter menos roupas para ter mais roupas de qualidade), nos eletrônicos (menos eletrônicos, e ter eletrônicos melhores), nas roupas de cama (ter menos conjuntos para ter lençóis melhores), no relacionamento (ao invés de ter vários colegas, ter poucos melhores amigos), nos passeios (ao invés de gastar dinheiro em qualquer lugar, poupar dinheiro para ir à Europa).
Além disso, há um outro fator que todo mundo ignora, quando gastamos o dinheiro sem pensar: o efeito cascata. Vou dar alguns exemplos.
Quando uma pessoa decide morar em um bairro melhor, a pessoa pensa só no imóvel de forma isolada. Mas há um efeito cascata ignorado. Bairros melhores costumam ter produtos e serviços mais caros, desde supermercado, a feira, açougue, lanchonete, cabeleireiro, manicure, escola das crianças, entre centenas de outros serviços e produtos, porque a priori, as pessoas que vivem nesse bairro, possuem um poder de compra maior. O inverso acontece nos bairros populares.
Outro efeito cascata comum é quando decidimos fazer uma pequena reforma no imóvel. A reforma costuma começar num único cômodo, de repente, estamos reformando a casa inteira, e não o suficiente, passamos a trocar todos os eletrodomésticos, os móveis, enxoval da cama, mesa e banho, com o intuito de nos “adequar” ao novo e reformado imóvel.
Quando resolvemos comprar um carro maior e mais caro do que nosso orçamento permite, o que acontece? Acontece que o seguro do carro é mais caro, o IPVA é mais caro, queremos colocar um combustível melhor no carro, não iremos mais querer estacionar na rua, e assim, os gastos tendem a aumentar.
E sabendo de tudo isso, eu pergunto:
Já pensou em morar em uma casa um pouco menor?
Casas menores utilizam lâmpadas com menos watts, consequentemente gastamos menos energia. Casas menores são preenchidas com móveis menores, um sofá de 2 lugares, uma poltrona, uma televisão de menor polegada, mesa com menos lugares, menos cadeiras.
Morar em uma casa menor, significa gastar menos tempo para limpar a casa, usar menos produto de limpeza para limpar superfícies que são menores, demandam menos tempo de limpeza pelo tamanho de eletrodomésticos serem menores, menos janelas, leva menos tempo para limpar.
Casa menor custa mais barato, tanto para comprar, como para alugar, além de ser mais fácil vender, caso queira se desfazer do imóvel para mudar de bairro, mudar de cidade, mudar de país.
Ter um guarda-roupa compacto significa refletir quais roupas terão prioridades na nossa vida, poucos calçados, poucos acessórios, o suficiente para nos sentir feliz.
Viver em um lugar menor significa fazer escolhas. Não podemos ter diversas louças, diversas taças, copos, talheres, panelas. Temos menos espaço para armazenar tralhas. Então, aos poucos, aprendemos a fazer escolhas acertadas, a viver com o que nos agrada, e é aí que mora uma das maiores vantagens de viver em um lugar menor: a possibilidade de viver somente com as coisas que nos agradam.
Viver menor não significa morar com menos.
Se no geral, compraríamos um sofá grande e de qualidade mediana, podemos comprar um sofá menor com qualidade superior. Se geralmente usamos roupas de lojas fast-fashion, podemos passar a comprar roupas de qualidade, com tecidos que tenham caimento melhor no nosso corpo. Se comemos qualquer porcaria na rua, podemos deixar de comer essas coisas e gastar igual ou até menos, comendo alimentos melhores, fazer uma refeição mais saudável.
Fazer uma análise da situação atual, rever metas, redimensionar a vida (antes que seja tarde demais), acaba nos proporcionando uma vida com mais qualidade, com mais liberdade.
Experimente viver com menos, enxugando custos, e aproveite para aumentar a qualidade da sua vida.
Um dos segredos que eu descobri com o minimalismo é que a sensação de satisfação e gratidão chega na nossa vida quando encontramos o equilíbrio da nossa própria suficiência.
Suficiência é a quantidade que basta para sentirmos satisfeitos.
Eu entendo que quando ultrapassamos a linha da suficiência, dá início ao desperdício. E o que mais vemos no mundo de hoje, são excessos.
1.) IMÓVEL MAIOR DO QUE O NECESSÁRIO
Você mora em uma casa maior do que a sua necessidade? Quantas pessoas moram com você? Às vezes moramos sozinhos, em 2 pessoas, até mesmo um casal com 1 filho, e mesmo assim, moramos em um apartamento de 3 dormitórios.
O quarto excedente se torna escritório, quarto de hóspedes (que raramente é utilizado para tal finalidade) ou até mesmo o quarto da bagunça.
Já vi também aposentados morando sozinhos em casas desproporcionais à sua nova realidade, onde os filhos já cresceram e saíram de casa.
Para todos esses casos, o potencial do apartamento não está sendo utilizado.
E tudo isso vem acompanhado de 2 coisas: gasto de dinheiro e de gasto de tempo.
A conta de luz que vem mais alta por ter uma metragem maior, além do condomínio e o IPTU que pagamos a mais também pela metragem extra. Não podemos esquecer do tamanho dos móveis que devem ser proporcionais ao tamanho da casa, e também no valor da reforma que custaria para trocar um piso, pintar a parede etc.
Além do dinheiro, gastamos também tempo. Tempo para limpar uma casa maior, tempo para organizar, tempo que você precisa trabalhar para poder gastar dinheiro para manter o seu estilo de vida com excessos.
2.) MAIS ROUPAS, SAPATOS, BOLSAS DO QUE O NECESSÁRIO
Você tem mais roupas do que precisa? Mais sapatos do que o necessário? Mais bolsas, acessórios? Tudo isso é dinheiro parado dentro do guarda-roupa. Além de perder mais tempo no momento de escolher a roupa (é muito mais fácil escolher entre 10 opções de roupa, do que 100), a chance das roupas ficarem amarrotadas e perdidas dentro do guarda-roupa é muito grande.
3.) MAIS COMIDA DO QUE CONSEGUE COMER
No restaurante, você coloca mais comida no prato do que consegue comer? Compra mais verduras, legumes e frutas do que a sua família consegue consumir na semana? Quanto de comida vai para o lixo toda semana?
Durante a refeição, você já se sente satisfeito, mas continua comendo? Novamente, são os excessos. Aqui, desperdiçamos comida, desperdiçamos dinheiro, perdemos saúde e ganhamos peso.
4.) MAIS ESTOQUE DO QUE O NECESSÁRIO
Os produtos de higiene que comprou em excesso por estar na promoção, chegou a ver a data do vencimento? O produto de beleza, produtos de higiene, os mantimentos, todos possuem data de validade.
5.) COMPRAS POR IMPULSO
Se empolga nas promoções de Natal, Black Friday, e compra além do necessário? Quantas coisas têm em casa que simplesmente você não usa?
6.) UM MODELO DE CARRO MAIS POTENTE DO QUE REALMENTE PRECISA
E o carro? Talvez você tenha um carro mais potente do que precisa realmente. Anda só pela cidade, mas tem um modelo off-road. Tem um carro esportivo, mas mal tem tempo para curtir. Se usa apenas para ir e vir ao trabalho, não compensaria ter um carro mais simples?
7.) ASSINATURAS… PACOTES…
Será que você tem um plano de celular superior ao que você usa? Já chegou a conferir? Será que um plano um pouco inferior não daria no mesmo?
Você assina TV a cabo, mas tem tempo para assistir tudo?
Você assina o plano de internet, mas chegou a conferir se está pagando um plano superior ao que você utiliza no mês?
8.) A IMPORTÂNCIA DE OLHAR COM OUTROS OLHOS
Reveja tudo o que tem dentro da sua casa. Você realmente usa tudo? Já pensou que tem muito dinheiro adormecido? Se você tivesse menos coisas acumuladas, talvez pudesse morar em uma casa menor, pagar menos IPTU, menos luz, menos em móveis, televisão com polegada menor… Você demoraria menos tempo limpando a casa, gastaria menos com manutenção dos objetos. E talvez com todos os “menos” da vida, poderia ter mais qualidade de vida morando em um bairro melhor, gastar menos tempo no trânsito, fazendo mais coisas que gosta, gerando menos estresse, gastando menos dinheiro com terapia, remédios…
Aliás, quantas cadeiras tem na sua casa, e quantas são usadas diariamente? Quantos jogos de prato tem na sua casa? Quantas xícaras, quantas canecas? A gente guarda para as visitas e ocasiões especiais, mas será que as visitas vêm com tanta frequência assim, que vale a pena ter um conjunto só para as visitas? Ocasião especial não seria todos os dias com a sua própria família?
Veja que em nenhum momento esse post faz apologia à pobreza, a economizar com sacrifícios, a viver abaixo do que você merece. Todos nós trabalhamos duro, e sabemos que o dinheiro não vem fácil. Por isso mesmo, precisamos aprender a gastar de forma inteligente e impedir os gastos inúteis, para justamente usar o dinheiro em coisas que nos traz felicidade.
Repense e reavalie.
“Todo excesso é energia acumulada em local inapropriado, estagnando o fluxo da vida. Excesso de excessos corresponde à falta de si mesmo. E se o que te falta é você, nada poderá preencher esse vazio…” Eurípedes Barsanulfo
Hoje vou compartilhar o caminho que eu percorri até chegar num ponto de poupar cerca de 70% da renda familiar.
Para os que me seguem recentemente e acham que vivo na miséria, segue um panorama geral da minha vida: moro em São Paulo, em um bairro de classe média, a 1 quadra de uma linha de metrô, sou casada e tenho 2 crianças pequenas. Tenho plano de saúde familiar, apesar de não ter carro, ando de Uber e alimento minha família com alimentos orgânicos. Não sou empresária, nem ganho um super-salário.
E o que eu fiz para conseguir poupar cerca de 70% da renda familiar?
Lembrando que há uma série de fatores que faz com que a pessoa consiga (ou não) fazer o que eu vou compartilhar aqui, desde valor do salário, o custo familiar, se precisa ajudar alguém da família, o bairro que mora, a cidade que mora etc. Então avalie as dicas de acordo com a sua realidade, ok?
1.) Anote todos os gastos de forma minuciosa
Anote tudo, tudo, tudo, desde a bala Juquinha até o eletrodoméstico que precisou trocar. Sem anotação, não terá como fazer o diagnóstico da situação financeira. E sem diagnóstico, não dá para saber onde poupar e onde gastar. Faça disso um hábito.
2.) Crie grandes grupos de gastos
Agora que já temos listado todos os gastos, separe em grandes grupos.
3.) Faça uma análise de onde e como o dinheiro está sendo gasto
Agora que os gastos foram classificados em grandes grupos, você terá uma noção de quanto se gasta em cada grupo. Avalie onde está sendo gasto o seu dinheiro. Vai se surpreender o quanto gasta em lazer, o quanto gasta em alimentação e no transporte, ou até mesmo em coisas que nem julga ser prioridade. A partir do momento que entender onde o seu dinheiro é gasto, poderá avaliar como está sendo gasto. Será que o Uber está sendo utilizado mais do que o necessário? Será que está indo a restaurantes numa frequência muito maior do que o esperado por mês? Só você poderá ter essa resposta.
4.) Estipule cotas mensais
Estipule um valor mensal a ser gasto em cada grupo.
Se decidiu que o teto mensal para gastar na alimentação será de R$1.000,00, dê os pulos necessários para alcançar a meta. Vale ir na feira, eliminar desperdícios, procurar promoções nos supermercados, fazer estoque de alguns produtos que não são perecíveis etc.
Faça a mesma coisa em todos os outros grupos como Lazer, Transporte, Educação…
O truque é estipular um teto de gasto mensal. Quanto quer gastar na alimentação? E no transporte? E no lazer?
5.) Seu companheiro é do seu time, e não o seu adversário
Você deve conhecer aqueles casais que possuem tudo separado, conta separada, investimentos separados, um não sabe o que o outro faz com o salário que recebe.
Quando a gente une forças e passa a remar no mesmo ritmo, o barco anda muito, muito mais rápido.
Meu marido acredita tanto no meu projeto FIRE, que faz de tudo para me ajudar a tampar os ralos dos gastos desnecessários, para que possamos gastar em coisas que traz felicidade para a família.
6.) Comece poupando 10% (ou com qualquer porcentagem que conseguir)
Ninguém ‘normal’ consegue poupar 60% a 70% do salário assim, de cara (a não ser que a pessoa ganhe um super-salário). É um processo que demora anos, e também reconheço que não é todo mundo que conseguiria fazer isso, pois dependeria muito do valor que recebe de salário. Comece com 1%, 5%, 10%, e vá aumentando aos poucos.
7.) Toda vez que tiver um aumento de salário, finja que nada mudou e poupe a diferença que recebeu a mais
Vou dar um exemplo do que aconteceu mês passado. Meu marido foi contratado por uma Universidade e ele teve aumento salarial, mas nós continuamos com os nossos gastos de sempre, fazendo o que sempre fizemos. A única coisa que mudou na nossa rotina do mês anterior para esse mês foi no valor do aporte que aumentou.
8.) Toda vez que receber o 13 salário, poupe
“E vou pagar o IPVA como?”, “Vou viajar como?” Bom, temos o ano inteiro para planejar, então não conte com o dinheiro do 13. salário.
9.) Toda vez que receber restituição do imposto de renda, poupe
O mesmo conselho que o item anterior.
10.) Toda vez que alcançar a meta anterior, tente superar no mês seguinte
Faça avaliação constante para ver onde há ralos nos gastos. Aprenda a substituir os gastos, sem diminuir a qualidade. A intenção aqui não é economizar por economizar, e sim, eliminar apenas os gastos desnecessários.
11.) Faça revisão do orçamento sempre que puder
Eu faço sempre. Toda vez que o mês termina, eu avalio os gastos do mês anterior, e analiso onde eu abusei, se comprei coisas sem necessidade, se comi demais em restaurantes, se gastei além da conta no lazer… Fazemos essa revisão orçamentária com o único intuito de usar o dinheiro de forma inteligente. Às vezes, isso significa gastar mais no mês atual, por termos economizado muito no mês anterior.
12.) Aprenda a viver com o suficiente
Todo excesso gera desperdício. Não compre comida em excesso, não compre mais roupas do que consegue usar, não compre mais sapatos do que consegue calçar, não more em um apartamento grande que não consiga limpar sozinho. Avalie seus excessos e viva com foco no que é essencial para você.
13.) Aprenda a fazer as coisas por conta própria
Aprenda a consertar coisas básicas. Aprenda a cuidar da sua casa vendo vídeos no YouTube. Aprenda a fazer pequenos consertos na roupa. Aprenda a cozinhar pelo menos o básico. Aprenda a cuidar de si mesma (cuidar do cabelo, da pele, unha, pés, hidratação etc). Aprenda a limpar a sua casa.
E como arranjar tempo para fazer tudo isso se o tempo já é tão escasso?
Ué, é só deixar de acompanhar a vida dos outros pelo Facebook, Instagram, WhatsApp, assistir televisão ou perder horas navegando na internet, que tenho certeza que vai começar a sobrar mais tempo.
14.) Saiba a diferença entre padrão de vida e qualidade de vida
Padrão ou nível de vida se refere à qualidade e quantidade de serviços disponíveis a uma pessoa ou a uma população inteira. (Wikipedia)
Qualidade de vida leva em conta não só o nível de vida material, mas também fatores mais subjetivos envolvidos na vida humana, como lazer, segurança, recursos culturais, de saúde mental, etc. (Wikipedia)
Eu e meu marido aumentamos sempre a qualidade de vida, raramente o padrão de vida. As pessoas não entendem como a gente consegue viver bem e poupar bastante, mas o segredo é esse: colocamos como prioridade a qualidade de vida da família.
Ao invés de morar longe do trabalho e ter um carro, decidimos morar perto e eliminar o gasto do carro. Assim, com o dinheiro que eu não gasto com o carro, eu consigo pagar a diferença do valor do aluguel do meu apartamento em um bairro bom. O fato de morar em bairro bom acaba me permitindo economizar em outras áreas, como na escola e no lazer, já que há praças, parques, centros culturais, bibliotecas, SESC etc à disposição.
15.) Seja sincero: é necessidade ou ostentação?
Toda vez que eu compro algo, faço a seguinte pergunta: é necessidade ou ostentação? E não vale mentir, dizendo que algo é necessidade, sendo que é ostentação. Eu não tenho necessidade de ter, nem de ostentar, nem de mostrar, nem de provar. Eu tento viver a minha vida da melhor forma possível, e nem sempre isso significa abrir a carteira.
Posso dizer que eu e meu marido estamos muito satisfeitos com a vida que temos hoje.
Há algum tempo, uma leitora fez a seguinte pergunta:
“Se só dispomos de R$1.000 por mês para investir e ainda não tenho reserva de emergência, mas tenho muitos sonhos, como poupar para uma viagem (curto prazo), a compra de um carro (médio prazo), compra de um imóvel (longo prazo) e fazer uma reserva para a independência financeira (aposentadoria, como quiser)? Devo dividir este valor em partes iguais ou proporcionais e começar vários investimentos, ou focar em um de cada vez? Porque se vou focar na reserva para a aposentadoria, isso quer dizer, que não poderei usufruir de uma viagem ou de ter meu imóvel? Não sei se ficou claro o que eu quero dizer, mas sinto que toda esta questão me paralisa, porque parece que se invisto em somente um sonho para alcançá-lo mais rápido, ou um pouquinho em todos, não chegarei a lugar algum.”
Eu achei essa dúvida maravilhosa, porque é a mesma dúvida que eu tinha quando estava iniciando meus investimentos. Só que no meu caso, eu não tinha ninguém pra perguntar e acabei aprendendo na base do erro mesmo.
Então fui lá nos comentários, resgatei a resposta, complementei mais um pouco, e resolvi postar aqui como um dos posts, pois tenho certeza que poderá servir de “guia” para muitas pessoas.
1.) A reserva de emergência é uma necessidade
Esse item, não há discussão. É uma necessidade.
Tente poupar todos os meses até conseguir juntar a quantia referente a pelo menos de 3 a 6 meses do seu custo mensal. Se ganha um salário de R$4.000, mas seu custo de vida é de R$3.000 mensais, tenha pelo menos R$9.000 na poupança. “Ah, mas a poupança não tem rendimento bom”. Não é para se preocupar com rendimento, a reserva de emergência é para conseguir resgatar o dinheiro numa situação hipotética de um domingo às 3h da madrugada.
Muita gente, na ânsia de começar a investir, já vai direto na corretora para investir nos CDBs, no Tesouro Direto, FIIs, ações etc. E isso é um grande erro. A reserva de emergência existe justamente para evitar que paguemos juros (do cheque especial) ou multa por resgatar um investimento antes da hora, por um surgimento de uma emergência. Se você for uma pessoa controlada, não precisa ter 6 meses a 1 ano do salário na reserva de emergência. Eu mesma, tenho apenas 2 meses de salário, mas toda vez que preciso usar uma parte do valor por qualquer motivo que seja, logo no mês seguinte, reponho o valor que retirei.
2.) O próximo passo é começar a investir
Eu preciso falar sobre 2 coisas:
1.) Você vai aprender errando. Isso será inevitável. A pessoa que não investe por medo de errar nos investimentos, infelizmente, nunca vai entender que é errando que se aprende.
2.) Escolhas deverão ser feitas. Sim, você não vai ter tudo nessa vida. Se seu salário for baixo, e você decidir ter um carro, pode ser que não dê para custear as viagens. E o motivo é muito simples: um carro custa caro, não só no momento da compra, mas para mantê-lo. O preço que pagaríamos em um carro, poderíamos investir na própria aposentadoria. E o preço para manter um carro, poderia nos custear 1 viagem internacional por ano.
Compreende quando falo em escolhas?
Não dá para ter tudo.
3.) Aprenda a fazer escolhas modestas (pelo menos no início)
Se quer viajar nos primeiros anos de aporte, opte por viagens nacionais, diria até regionais, no próprio Estado onde mora, evitando o período de alta temporada que é mais caro.
Se por exemplo, você consegue juntar R$1.000 por mês, crie metas. Esses R$1.000 mensais iriam para a conta da aposentadoria. Quando conseguir juntar R$15.000, dê um presente para você, fazendo uma viagem gastando R$1.000 para algum lugar perto da sua cidade. E dá pra viajar sim, nas férias passada eu mesma fui para Águas de Lindóia levando 4 pessoas por 3 noites, e paguei R$1.200 com tudo incluso (hospedagem, ônibus, 3 refeições por dia, etc).
Realizar sonhos é importante, porque é o que nos anima para economizar mais e rever os gastos, pois sabemos que chegando na meta dos R$15.000, poderemos gastar R$1.000 para curtir uma viagem.
Depois, cria-se a próxima meta: juntar mais R$15.000 para fazer uma outra viagem. Se demoramos para juntar o dinheiro, a viagem pode ser postergada em mais de 1 ano, 2 anos, só dependerá da nossa capacidade de poupar.
E é assim que realizamos os sonhos e juntamos dinheiro para a aposentadoria.
Vai ter uma hora, que você terá R$100.000 ~ R$300.000 investidos que renderão de juros aproximadamente de R$1.500 a R$4.000 por mês.
Concorda que nesse momento, você pode até pensar em fazer uma viagem internacional que não vai afetar o bolso?
4.) E o imóvel?
Referente ao imóvel próprio, eu prefiro aguardar alguns anos para comprar.
Pagar aluguel não é jogar dinheiro fora, por mais que as pessoas insistam nisso. Seria jogar fora se não juntasse dinheiro, mas se consegue guardar dinheiro, é só fazer uma pesquisa rápida no Google que vai entender a matemática por trás desta conta e que morar de aluguel é algo vantajoso na maioria dos casos.
Eu moro de aluguel e posso dizer que meus investimentos alavancaram depois que passei a entender isso.
5.) Mesada pra que te quero…
Não pense que só por que você tem suas metas de aposentadoria, ter um carro, um imóvel ou qualquer outro sonho, que nunca mais vai poder comprar alguma bobeirinha, almoçar com os amigos, comprar roupa, presente para os outros etc.
Estipule uma mesada mensal (de valor baixo, pelo amorrr). É com essa mesada que você vai poder almoçar com seus amigos, comprar alguma coisa que esteja com vontade, sem passar por grandes privações.
Esses pequenos mimos são importantes para conseguir manter o plano em pé, já que o sonho de ser FIRE é um projeto longo, muito longo. Conforme a conta de investimentos for engordando, a sua vontade de comprar coisas supérfluas começa a cessar e seus sonhos começam a se concretizar.
Nem parece, mas já faz 8 anos que eu invisto meu dinheiro todos os meses, sem falta.
Na verdade, destes 8 anos, foram 3 anos poupando e 5 anos investindo.
Atualmente, eu invisto cerca de 70% da renda familiar. Muito? Sim, até pra mim. Eu nunca imaginei que um dia conseguiria poupar tanto, mas eu e meu marido além de sermos minimalistas, acreditamos firmemente no FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposente-se Cedo).
Quem quiser saber mais sobre FIRE, há diversos posts no blog sobre esse assunto:
Em 2012, eu comecei economizando os 10% do meu salário. Só que conforme eu fui acostumando a viver com 90% do salário e a poupar os 10% restantes, fui revendo o orçamento, avaliando e substituindo os gastos, alguns eu consegui eliminar, e assim, passei a viver com 80% do salário, depois 70%, depois 60%. Quando recebia aumentos salariais (o que é raríssimo acontecer onde eu trabalho), mantinha o foco e poupava a diferença. E depois de tantos anos, a partir desse mês passei a poupar cerca de 70% da renda familiar, mesmo com o nascimento de duas filhas nestes últimos 4 anos.
Se nossas crianças já fossem adultas, eu e meu marido já seríamos FIRE, pois nós já alcançamos o valor que duas pessoas conseguem viver de renda passiva de forma confortável pelo resto da vida.
Mas como vocês sabem, eu tenho 2 filhas pequenas, e tenho consciência de que os gastos ainda irão aumentar ao longo dos anos. Terei gastos com escola, uniforme, roupas, cursos, lazer, viagens, alimentação, mesada… então o valor para alcançar a independência financeira da família é mais alto, considerando que quero uma vida confortável para 4 pessoas por um período muito, muito longo.
E AFINAL, QUAL É O MEU PLANO PARA ATINGIR FIRE?
Posso dizer que o meu plano está bem adiantado.
Se tudo sair como esperado, faltarão 8 anos para atingir FIRE.
Como já disse em posts anteriores, gosto de fazer projeções extremamente pessimistas, então eu projetei que daqui a 2 anos nós não aportaríamos mais nada. Meu marido está com um contrato numa universidade pública de professor visitante por 2 anos (daí a certeza de que ainda posso contar com a renda do marido até 2021). Depois desse contrato, não sei se ele conseguirá continuar na área da pesquisa, visto as decisões do governo atual em cortar o financiamento das pesquisas no Brasil. Por isso, considerei um cenário (que cá entre nós, é bem improvável de acontecer) que daqui a 2 anos, teremos APORTE ZERO por mais 6 anos. Ou seja, eu passaria a viver somente com o meu salário, e deixaria o patrimônio intacto por mais 6 anos, para engordar somente com o poder dos juros compostos.
Eis o resultado:
de hoje até 2021: aporte de quase 70% da renda familiar (2 anos)
de 2021 a 2027: aporte zero (6 anos)
Se a partir de 2021, eu não aportar mais nada, absolutamente nada, conseguirei ser FIRE em 2027, ou seja, daqui a 8 anos.
Minhas filhas terão 12 anos e 10 anos. Eu terei 46 anos.
COMO É POSSÍVEL ALCANÇAR FIRE COM APORTE ZERO?
Eu e meu marido tivemos um grande plano, antes da primeira filha nascer. Apesar de muitos falarem que filhos davam gastos, sabíamos que nos primeiros 6 anos, elas não dariam tantos gastos. Optamos em não gastar dinheiro com festas em buffet, álbum de fotos com fotógrafos profissionais, compra de roupas novas com frequência, creche particular, brinquedos fora de períodos festivos e viagens internacionais.
Eu e meu marido já viajamos juntos para diversos países como a Grécia, Holanda, França, Estados Unidos, Canadá, etc. Então resolvemos dar uma pausa nas viagens para o exterior durante 6 anos, primeiro porque achamos que vale mais a pena fazer viagens longas quando as crianças fossem maiores, e segundo porque daria uma acelerada no projeto FIRE.
Eu sempre soube que o maior gasto ainda estava por vir: educação, escola, saúde, cursos extracurriculares, viagens, experiências, alimentação… O valor da fralda, roupas e remédios esporádicos seriam valores até que controláveis, se comparado com o valor que passaríamos a gastar com todo o resto que vem junto com o crescimento das crianças.
Sabendo que bebê e criança não reclama se está usando roupa usada, se está usando roupa da moda, se ganhou brinquedo caro ou barato, eu e meu marido prometemos um ao outro que enquanto elas não completassem 6 anos, nós continuaríamos vivendo de uma forma frugal. Hoje minha filha mais velha tem 4 anos. E com isso acabou que coincidentemente juntando com o contrato de 2 anos do meu marido, já que ela terá 6 anos daqui a 2 anos, ou seja, o tempo que havíamos estipulado para permanecermos firme e forte na meta FIRE.
Colocamos a cabeça para funcionar e percebemos que as creches municipais de bairros de classe média alta possuíam vagas sobrando (porque a maioria dos ricos não querem colocar seus filhos em creches públicas), enquanto creches municipais de bairros de periferia estavam com filas gigantescas. Dito isso, nos mudamos para um bairro melhor e as crianças passaram a frequentar a creche municipal do bairro (o que para muitos seria considerado um gasto, para nós foi economia). Além disso, compramos brinquedos bons somente 3 vezes por ano (aniversário, dia das crianças e Natal), ganhamos roupas das filhas das minhas amigas e primas. Ao invés de comprar pronto, faço muitos cookies, bolos, pães, salgadinhos, tortas, coisas gostosas pra gente comer.
Apesar do orçamento enxuto, tomamos decisões inteligentes na hora dos gastos. Há alguns anos, meu marido quase comprou um óculos escuros de uma marca que ele nunca tinha ouvido falar, porque estava 50% mais barato do que o óculos que ele queria, um Ray-ban. Falei pra ele parar de fazer economia porca e comprar o mais caro, que é o que ele sempre quis. Passados 3 anos, ele está muito satisfeito com o óculos dele. Talvez se tivesse comprado o mais barato, ainda estaria com vontade de ter o modelo que ele sempre sonhou.
Uma situação semelhante aconteceu no mês passado, ele precisava comprar um casaco para ir trabalhar. Ficamos na dúvida entre um mais barato, um médio e mais caro. Após avaliar a boniteza do casaco, o tecido e durabilidade, optamos por comprar o mais caro, pois achamos que vai durar pelo menos 10 anos.
A minha vida é simples, não tenho luxo, apesar de ter bastante conforto. Moramos em um bairro bom, comemos alimentos orgânicos, temos plano de saúde, internet rápida em casa, mas além de termos colocado as crianças na creche pública, não temos carro, moramos de aluguel, marido vai de bicicleta pro trabalho e eu de metrô, levo marmita para o trabalho, não temos TV a cabo, nem frequentamos restaurantes renomados. São decisões muito acertadas que tomamos.
A contagem regressiva para aporte zero são de exatos 24 meses a partir deste mês. Em 2021, poderei passar a usar todo o meu salário (se assim eu desejar) para a educação das crianças, cursos, viagens, etc. Ainda não irei largar o emprego, porque a estratégia é engordar o patrimônio por mais alguns anos, mas poderei permanecer no aporte zero, pois já terei o montante mais que suficiente para gerar o efeito bola de neve.
E QUANDO CHEGAR O MOMENTO?
Bom, aí vou ver o que faço, mas acredito que irei pedir exoneração do meu serviço público.
Mas seguindo o conselho do Sr.IF365, não direi que será uma aposentadoria, e sim um período sabático, já que muitas pessoas torcem o nariz achando que vamos ficar sem fazer nada pelo resto da vida (e se eu não quiser fazer nada, qual seria o problema?).
Eu gosto muito dessa área de finanças, tenho prazer em ler tudo que é relacionado a finanças e investimentos. Talvez eu faça algo nessa área, talvez não. Eu só quero ter o tempo livre para fazer do mundo o meu parque de diversões. Eu sempre achei um desperdício uma pessoa ficar trancada em um escritório pelo resto da vida. Quero aprender diversas coisas, não quero me amarrar em um único trabalho.
Será o início de uma vida onde terei domínio sobre o meu próprio tempo. Poderei fazer o que eu quiser.
Há muito tempo, quando minha filha nasceu, eu ganhei uma semente.
Essa semente, não era uma semente normal que conhecemos. Era uma ideia. Uma ideia de que era possível ser livre, através da Independência Financeira. Até então, eu achava que aposentadoria era só após os 60 anos. Acreditava que era financeiramente independente. Eu pagava as minhas contas e vivia por conta própria. Esse era o meu entendimento sobre o conceito independência financeira.
Foi por um acaso que eu descobri que o termo Independência Financeira tinha um outro significado: na comunidade americana FIRE (Financial Independence and Retire Early – na tradução livre, significa Independência Financeira, Aposente-se Cedo) dizemos que alguém alcançou a Independência Financeira quando os rendimentos financeiros oriundos dos investimentos são suficientes para manter o seu estilo de vida, pelo resto da sua vida. Ou seja, a pessoa está livre para trabalhar no que quiser, mesmo que ele não gere nenhuma renda.
Muitas pessoas também ganharam a mesma semente, mas a maioria não acreditou que ela daria frutos e simplesmente jogaram fora.
Eu levei essa semente para casa e mostrei ao meu marido, que também acreditou que era possível germinar essa ideia para tornar real o nosso sonho de ser livre.
Antes de plantar a semente em qualquer lugar, eu estudei muito. Estudei qual seria o melhor local para a semente germinar, fincar raiz, multiplicar e produzir frutos.
E decidi plantar a semente em uma terra fértil, escolhendo um bom lugar para colocar meus ativos financeiros. Então eu abri uma conta em uma corretora financeira independente, ao invés de permanecer na comodidade que os bancos traziam. Meu marido me ajudou a regar, dia após dia, economizando nosso salário, ajudando a analisar o orçamento familiar.
Estava tão empolgada com essa nova possibilidade de viver e contei para muitas pessoas, muitas mesmo. Mas a maioria preferiu não prolongar a conversa, outras foram descrentes e algumas até debocharam de mim, dizendo que eu estava regando algo que não daria em nada, que eu era muito inocente por acreditar nisso, que eu acreditava numa utopia.
Eu ignorei todas essas pessoas e durante muitos anos, reguei a semente, cuidei da terra, tirei os insetos, aguei. Poupei todos os meses, fiz anotações no meu orçamento mensal, repensava os gastos, e não só aprendi a poupar, como aprendi a gastar o dinheiro de forma inteligente e finalmente a investir.
Percebi que não adiantava somente regar com água. Era necessário adubar a terra. Eu comecei a aumentar o tamanho do meu aporte, cortando gastos desnecessários.
Como sou funcionária pública, não tenho a opção de receber aumento por metas, nem ganhar participação de lucro, muito menos reajustes anuais para acompanhar a inflação. O que eu podia fazer e que estava ao meu alcance era descobrir onde estava gastando meu dinheiro e economizar no que podia.
Os primeiros anos foram os mais difíceis: cuidar de algo que ainda não era visível. Mas superado os primeiros anos, mais especificamente entre o quinto e sexto ano, percebi que a muda, antes tão pequena, estava crescendo cada vez mais rápido. Era o meu patrimônio crescendo.
Como a muda era pequena e frágil, eu precisava tomar muito cuidado para que qualquer vento não a derrubasse. Ficava atenta em não gastar meu dinheiro em coisas desnecessárias, consumir de forma irresponsável, não ir atrás das modinhas etc. Da mesma forma que muitos ventos derrubam as plantas que ainda são frágeis, também sentia isso na pele. Algumas pessoas questionavam o meu estilo de vida. Só que eu sempre soube onde eu queria chegar, sabia qual era o caminho que estava trilhando, sabia que eu tinha escolhido um caminho que poucos se aventurariam.
A árvore tem crescido e depois de tantos anos, finalmente os frutos começaram a brotar. Foi quando pude perceber que tinha feito a escolha certa no momento certo. Digo momento certo, porque eu e meu marido éramos jovens, não tínhamos filhos, nossos gastos eram pequenos. Os juros compostos começaram a surtir o efeito da bola de neve.
Quanto mais tempo eu deixava, mais a árvore crescia, mais o tronco engrossava e mais sólida ela se tornava, dando cada vez mais sombras e frutos frescos. Essa sombra, que antes mal me protegia, protegia agora a minha família do sol e da chuva.
Os frutos começaram a dar novas sementes e agora tendo o conhecimento e sabedoria do que fazer com as sementes, novas árvores começam a brotar.
Com novas árvores nascendo, pude começar a testar se algumas fórmulas funcionavam. Se algo desse errado com as novas sementes, sabia que as árvores antigas iriam me proteger dos períodos difíceis. Com isso, passei a ter mais coragem para arriscar, a ir atrás dos meus sonhos antigos. Se antes, o fracasso poderia acabar com a minha vida financeira, hoje, o fracasso nada mais é do que uma parte fundamental para o meu crescimento. E não posso deixar de concordar com a frase que ouvi outro dia: “o fracasso é o suor do sucesso”.
Uma única atitude tomada há muitos anos, de cuidar de uma semente, me trouxe segurança financeira para várias gerações.
Quem não conhece minha história de vida, se me conhecerem daqui a alguns anos, pode achar que eu tive sorte. Mas para usufruir desta sombra, eu fiz muitas escolhas. Fiz renúncias que a maioria das pessoas desdenharam.
Mas engana-se quem pensa que vivo uma vida de miséria e sacrifícios. Vivo uma vida de abundância, onde cada escolha reflete na decisão que eu acho mais importante, graças ao minimalismo. Minimalismo é sobre ter o que nós mais queremos. Minimalismo é saber o que é essencial e eliminar o resto.
Todas as decisões que eu tomei, entre gastar e economizar, fazer escolhas inteligentes e eliminando gastos desnecessários, culminaram na minha vida de hoje.
Deixei de assistir televisão, acompanhar as redes sociais, comecei a focar no que era importante. Também estudei nas madrugadas, enquanto dava de mamar para as minhas filhas, li diversos livros com uma luz baixa para não acordá-las. Já perdi as contas de quantas vezes adormeci de cansaço, na mesa do escritório, enquanto estava estudando.
Hoje a gente sabe o porquê disso tudo. A grande sombra da árvore que está se formando, foi fruto de uma decisão, de centenas de escolhas e milhares de pequenos esforços que fiz há muitos anos e que continuo fazendo. Não nasci em berço de ouro, sou assalariada, não ganho salário alto.
Daqui a poucos anos, eu e meu marido não precisaremos mais aportar. Nossos aportes se tornarão insignificantes se comparado ao rendimento que recebemos todos os meses. Os rendimentos continuarão sendo reinvestidos para engordar o patrimônio, até o momento que decidirmos parar de trabalhar.
Enquanto isso, toda a nossa renda oriunda dos salários poderão ser gastos para colocar as nossas filhas em uma escola de qualidade, continuar morando onde moramos atualmente, colocar as duas (no momento certo) em alguns cursos que achamos importante como música, esporte, idioma, além de proporcionar viagens e experiências.
As sementes estão aí, sendo distribuídas a todo momento. Quantas você já jogou fora?
Hoje era para publicar um outro post, mas como Sapien Livre publicou uma entrevista que eu fiz para ele sobre Independência Financeira para casais com filhos, resolvi postar aqui também.
Aliás, hoje à tarde vou conhecer pessoalmente o Sapien. Tomaremos um café. Em tempos de internet, conhecer uma pessoa que admiro, que busca igualmente ser FIRE como eu, será divertido.
Independência Financeira para casais com filhos
Por: Sapien Livre
Foto: Imagem por publicCo – Pixabay
Muitos casais que eu conheço costumam me falar que gostariam muito de buscar a independência financeira (IF), porém por serem casados e com filhos isso seria impossível.
Para provar que é possível, tenho a honra de apresentar um casal que está nesta caminhada pela IF e já poderão se aposentar (se quiserem) nos próximos cinco anos.
A Yuka é autora do site Viversempressa.com, e no formato perguntas e respostas nos dá uma verdadeira aula de como podemos buscar a independência financeira se fizermos escolhas inteligentes buscando valorizar aquilo que é importante.
1 – Com que idade começou a pensar em IF?
A IF ainda é uma coisa recente na minha vida. Tem a mesma idade que a minha filha: 4 anos. Foi por causa da minha filha que eu tive vontade de ser livre, e foi assim que descobri sobre a Independência Financeira.
2 – Sempre teve disciplina financeira?
Mais ou menos. Eu já juntava dinheiro, mas por não ter objetivos claros, gastava tudo quando surgia oportunidade. Como eu também não tinha conhecimentos sobre investimentos, rentabilidade, juros compostos, a impressão que me dá hoje é que eu não saía do lugar.
3 – Quantos anos ao total acredita que precisam para alcançar a IF?
Na minha concepção, é preciso uma média de 20 anos. Os 10 primeiros anos com aportes fortes e os 10 anos seguintes para que o tempo trabalhe a favor dos juros compostos. Eu já poupava e investia há 9 anos. Hoje, mesmo se eu zerar os aportes, a minha IF será garantida em breve, graças ao poder dos juros compostos em cima do montante já acumulado.
4 – Com que idade, de acordo com seu planejamento chegará a IF?
Na minha projeção pessimista, quando comecei a pensar na IF, a aposentadoria seria aos 50 anos. Conforme os anos e os meses vão passando, os valores e a rentabilidade são reajustados, e na minha última projeção (ainda pessimista) eu alcançaria a IF com 46 anos, ou seja, daqui a 8 anos. Mas sinceramente? Ultimamente tenho achado que alcançarei a IF daqui a 5 anos.
5 – Teria alguma dica prática para o casal que deseja iniciar essa jornada?
Vejo muitos casais que fazem as contas isoladamente. Uma pessoa paga o condomínio, a outra as contas de luz, gás, água etc. Em outros casos, decidem pagar as contas proporcionalmente de acordo com a porcentagem do salário recebido. Ou seja, lutam isoladamente, e não como um time. Acho fundamental que unam forças, independentemente do salário recebido. Isso significa somar os salários, descontar todos os pagamentos e aportar tudo o que sobra. No meu caso, isso fez total diferença no controle dos gastos, na eficiência dos aportes, na velocidade que estamos conseguindo alcançar a IF, e consequentemente na união do casamento.
6 – Qual o seu conhecimento em investimentos? Acha que é necessário manjar muito de números para investir?
Eu sou da área de humanas, e sou péssima em números. Meu marido que é da área de exatas fala que eu sou a prova viva de que não é preciso ser expert em matemática para entender sobre investimentos. É mais um mito criado para que fiquemos dependentes dos gerentes dos bancos, analistas financeiros, etc.
7 – Qual característica/comportamento você considera ser essencial para ser um FIRE?
Acreditar que é possível ser FIRE. Eu percebo que as pessoas desistem antes mesmo de começar. Desistem sem tentar, porque simplesmente não acreditam ser possível aposentar cedo. A outra coisa que eu considero importante, é entender que quando estamos deixando de ter algo hoje, não estamos fazendo sacrifícios, e sim, escolhas, já que há uma diferença enorme entre as palavras “sacrifício” e “escolha”.
8 – Para casados e com filhos, a IF é só para quem tem alta renda?
Para quem já tem filhos, compreendo que a IF será um pouco mais demorada, pois o período de maior gasto já se iniciou. Aquela sua pergunta inicial onde respondi que dos 20 anos de jornada, os 10 primeiros anos seriam aportes fortes, eu entendo que para um casal que já tenha filhos, o aporte seria mais restrito, e consequentemente os juros compostos dos 10 anos seguintes seriam menores. O que não significa que não é possível trilhar a jornada para alcançar a independência financeira, mas o casal terá que se ajustar e fazer escolhas acertadas para que a IF seja possível.
9 – Qual a maior dificuldade na caminhada FIRE para um casal?
É fazer com que o seu parceiro acredite no seu sonho. Não é uma caminhada rápida, e sim uma longa e demorada jornada. Já faz um tempo que eu tenho ensinado investimentos e FIRE para alguns amigos. Para os casados, a primeira coisa que eu sempre falo é para nunca, nunca, nunca deixar o parceiro para trás. Ele PRECISA estar no mesmo barco que o seu, porque se isso não acontecer, a médio/longo prazo, acredito que o casamento irá acabar. Nós, que acreditamos no FIRE, sabemos que a independência financeira é uma jornada muito solitária. E esse é mais um motivo para não deixar o parceiro para trás.
10 – O que diria para casais que usam os filhos como “desculpa” para não investir?
A desculpa não é somente filhos. É o emprego chato, é o salário baixo, é o cansaço, é a falta de tempo, é não ter ninguém para incentivar… enquanto a culpa for sempre do outro, nada mudará. Há pessoas que falam que fariam o que eu faço SE tivesse um salário maior, SE tivesse mais tempo, SE os filhos fossem maiores… Só que o que funciona é trocar o SE pelo APESAR. Apesar de não ter um salário alto, vou enxugar os gastos para aumentar o aporte. APESAR de não ter tempo, vou começar a estudar mais, deixando de acessar as redes sociais. APESAR dos filhos serem pequenos, farei escolhas inteligentes para gastar menos sem eles passarem necessidades. Essa é a pequena diferença que faz total diferença.
11 – O que acredita ser o maior diferencial para seguir rumo a IF?
Ser minimalista. O minimalismo nos ensina a fazer escolhas inteligentes, já que focamos no que é essencial e eliminamos o resto. Quando passamos a focar no que é essencial, todas as coisas mais importantes passam a sobressair: família, momentos, prioridades, escolhas… Eu tenho consciência de que o fato de saber exatamente o que eu quero e o que eu não quero, ajuda a fazer escolhas melhores, compras eficientes, que consequentemente traz economia e aportes maiores.
12 – Como lida com o orçamento familiar e os naturais desejos das crianças por brinquedos e diversão?
Em relação à diversão, eu sou meio que contra pagar por diversão. Eu cresci em Santos, brincando na areia da praia, nadando no mar, frequentando orquidários e parques gratuitos. E é isso que eu tento reproduzir, apesar de morar em São Paulo. Minhas filhas frequentam parques, praças, Sescs, centros culturais, eventos gratuitos em Shoppings, além de brincarem na areia da praia e nadar no mar quando vou para Santos.
Em relação a brinquedos, eu ensinei desde cedo que elas precisam fazer escolhas. Não pode ter todos os brinquedos, mas pode escolher 1 para o dia das crianças (mais aniversário e Natal). Só que eu compro apenas quando a data está próxima, e isso faz com que eu possa frequentar lojas de brinquedo sem estresse, pois elas sabem que irão apenas olhar e anotar mentalmente o que vão querer pedir de presente. Saber fazer escolhas é fundamental.
13 – Tem alguma pergunta que eu não fiz que gostaria que tivesse feito? ( Poderia perguntar e responder? rsrs)
Dizem que só é possível enriquecer (ou no caso dos FIREs, tornar livre) quando empreendemos. E não é verdade. Pelo menos não é somente desta forma que se enriquece. Mesmo sendo assalariada, com carteira assinada, estou prestes a ter a minha liberdade em alguns anos. Tudo se resume a gastar menos do que recebe e investir a diferença. Não é mágica, é comprometimento. Aliás, um comprometimento de décadas, daí a importância de se divertir durante a jornada FIRE.
Olha só que incrível, um casal jovem com filhos que irá alcançar a independência financeira antes dos cinquenta anos de idade. Em um momento em que aposentadoria tradicional está virando conto de fadas ou coisa para privilegiados, mais do que nunca é importante planejar nossas finanças.
E você, ainda acredita que a Independência financeira é impossível para casais com filhos?
A maioria das pessoas que eu conheço que não investem, é porque têm medo de cometer erros.
Se essas pessoas soubessem que errar faz parte do processo de aprendizagem, perderiam o medo que impede de ganhar dinheiro. Outro dia li em algum lugar que o fracasso é o suor do sucesso. E essa frase faz todo sentido, fracassar faz parte natural do processo de quem busca o sucesso.
Dito isso, hoje vou compartilhar os erros nos investimentos que cometi ao longo desses anos:
1.) Não ter começado mais cedo
Esse com certeza é o calcanhar de Aquiles de todo investidor. Se soubéssemos naquela época o que sabemos hoje, muitos de nós já seríamos financeiramente independentes. Maaaas, como a realidade nunca é cor-de-rosa, tento sempre lembrar da frase “antes tarde do que nunca”. Essa frase serve para os que estão começando a investir aos 40, aos 50, aos 60…
2.) Comprei Títulos de Capitalização
Fiz essa “cagada” com o primeiro salário de estagiária que recebi. Fui na agência bancária toda contente dizendo que queria investir, e o gerente muito gentil, me vendeu Títulos de Capitalização como se fosse o supra-sumo dos investimentos. Até que depois de alguns meses, descobri que o saldo total estava menor do que o valor inicial e só então entendi que título de capitalização não era investimento.
3.) Deixar o dinheiro na poupança por medo de perder dinheiro
Deixar dinheiro na poupança é a única certeza que temos que perderemos dinheiro por conta da inflação.
4.) Fiz uma Previdência Privada
Durante muitos anos, minha mãe sempre insistiu para que eu tivesse um plano de previdência privada. Para a época que a minha mãe contratou, o plano realmente poderia ser razoavelmente bom. Mas lá fui eu de novo cair no canto da sereia do gerente e saí do banco com um plano de previdência privada VGBL. Depois de alguns anos, já com o salário maior, me orientaram para alterar o plano para PGBL, mas teria que sacar todo o saldo para iniciar tudo de novo. Não preciso nem dizer que perdi uma parte do dinheiro para impostos e taxas.
5.) Fiz uma Previdência Privada para meu marido
Não bastasse eu ter colocado meu dinheiro na previdência privada, ainda obriguei meu marido a ter um. Só que depois de alguns meses, já mais educada financeiramente, vi que a rentabilidade era muito abaixo do esperado. Quando resolvi sacar, simplesmente perdemos 30% do montante total em impostos e taxas. Meu marido espumou pela boca nesse dia rs.
6.) Iniciei pagamento do INSS para o marido
Como meu marido era bolsista de doutorado e ele nunca tinha contribuído para o INSS, comecei a pagar INSS para ele garantir a aposentadoria. E depois de 1 ano eu mudei de ideia. Achei mais inteligente investir por conta própria.
7.) Aceitei ter uma conta Personnalité do Itaú
A condição para que fosse taxa zero era que tivesse investimentos na conta. E eu achava que meu dinheiro estava em boas mãos, até que um dia parei para fazer as contas, e descobri que o cafezinho estava me custando muito caro. Era muito mais inteligente da minha parte colocar o dinheiro no Tesouro Direto e ter rendimentos maiores, do que deixar no Personnalité e ganhar um descontinho na taxa da conta-corrente.
8.) Vendi as ações da Petrobrás e da Vale do marido
Eu simplesmente liquidei as posições das ações da Petrobrás e da Vale do marido, sem ao menos ter estudado sobre ações. Logo depois, as ações tiveram uma alta.
9.) Comprei ações de empresas sem estudar fundamentos
Esse é outro caso. Comprei ações de empresas que não tinham fundamentos, e a cotação não parava de cair, até que vendi.
10.) Vendi ações na hora errada
Quem compra ações utilizando o método Buy & Hold sabe que da mesma forma que compramos ações devagar, o ideal é sair devagar. Eu não fiz isso. Apesar de nessa época já saber como analisar empresas, eu simplesmente liquidei todas as posições quando no início o ano surgiu uma notícia que me desagradou da Qualicorp. Desde então, ele não para de subir, e só essa semana, deu uma alta de 35%…
11.) Vendi bitcoin…
De novo, o mesmo erro. Eu tinha comprado bitcoin quando a cotação estava a 9 mil reais. Ele começou a subir, subir, subir, até que chegou aos inacreditáveis 70 mil, e eu lá, firme, forte e feliz. Até que a cotação começou a cair, a cair, a cair, e eu vendi quando chegou nos 13 mil reais. Detalhe, depois que vendi, ele começou a subir de novo. Fiz a famosa “compra na euforia, vende no pânico”.
12.) Perdi dinheiro fazendo day-trade, operando com robôs
Meu marido é um santo. Cometi todos esses erros e a única coisa que ele faz é sorrir e dizer que só aprende quem erra. Eu perdi 35 mil reais fazendo day-trade… Sem comentários.
13.) Giro de patrimônio com imóveis
Ano passado comprei uns imóveis a um preço muito bom. Só que depois que comprei, vi o trabalhão que dá, gestão de imóveis, taxa de administração para imobiliária, além de ter que pagar imposto de renda sobre os aluguéis. Resolvi vender. Não foi bem um erro, já que tive lucro na venda, mas não posso negar o trabalhão que eu tive reformando o apartamento… poderia ter curtido a minha sombra.
Esses são os erros que eu lembro no momento, mas tenho certeza que já errei muito mais. Vê que errar faz parte da aprendizagem? Eu nunca tive um mentor, um guru que me guiasse para qual caminho deveria seguir. A cada erro cometido, uma lição aprendida. Então eu tenho muito orgulho dos erros cometidos e do que cada erro me proporcionou de aprendizagem.
Acho que todo mundo que busca alcançar a Independência Financeira tem uma história boa para contar. Comigo não é diferente.
Desde que passei a ter um emprego, poupava um pouco todos os meses. Não tinha grandes objetivos, pensava em talvez comprar um carro e uma casa própria antes de ter filhos e só. Por justamente não ter objetivos financeiros, gastava meu dinheiro com facilidade, comprando roupas, presentes, restaurantes, viagens…
“Investia” o que sobrava no meu banco, e aconselhado por experientes gerentes, após recomendação de riqueza garantida, cheguei a ter título de capitalização e previdência privada, para “garantir um futuro tranquilo para mim e para as futuras gerações”.
A vida era boa (pelo menos eu achava assim) e tudo ia caminhando bem.
…
Até que minha filha nasceu e minha vida virou do avesso…
Não queria mais trabalhar, queria estar com ela. Não queria deixa-la na creche, nas mãos de pessoas que nunca tinha visto.
Chorei muito. Minhas amigas me consolavam dizendo que a vontade de trabalhar iria voltar até o fim da licença-maternidade. Mas essa vontade não voltou até hoje (e olha que minha filha mais velha tem 4 anos).
Comecei buscando respostas na internet colocando perguntas aleatórias como “como não precisar trabalhar”, “como viver de renda”, “como se aposentar mais cedo” etc. E foi aí que encontrei o termo FIRE (Financial Independence Retire Early) e tudo passou a fazer sentido.
Comecei fazendo umas contas no papel, depois fui para calculadora de juros compostos e ao ver o valor final, não conseguia acreditar nos resultados. Como assim, juntar 200 mil e ganhar 800 mil de juros compostos? Como assim, juntar 400 mil e ganhar 4 milhões de juros compostos? A única variável que mudava era o tempo. Quanto mais tempo, mais os juros compostos faziam o seu magnífico trabalho.
Descobri a TSR (Taxa Segura de Retirada) de 4%, muito comum entre FIREs, e com isso descobri o meu próprio número mágico para correr atrás.
Com a calculadora, vi que era altamente possível alcançar FIRE em alguns anos.
Mostrei para o meu marido (cético como todo físico) todo o raciocínio do Movimento FIRE, mostrei o meu plano, o resultado na calculadora, e vi seu rosto clarear. Sim, era a confirmação que eu precisava de que realmente era possível.
Desde 2010 eu e meu marido já poupávamos, e a partir de 2015 passamos a investir pesado. No total, são 9 anos de muita dedicação: 5 anos poupando e 4 anos sabendo exatamente para onde estamos caminhando e para onde queremos chegar.
Já ouvi mais de uma vez que precisamos escolher em qual década pouparemos mais e investiremos para garantir um futuro melhor.
Ao fazer uma simulação/previsão, percebi que a minha década de “sacrifício” já havia passado, já que estou no nono ano. Isso significa que a fase mais difícil já passou, sem nem ao menos ter tido essa noção de sacrifício.
Saber que em breve terei a minha liberdade de Tempo, me faz andar a passos largos.
Apesar de todo o esforço, não precisei abrir mão das coisas mais importantes da minha vida. O que fez diferença na minha vida foi ter aprendido a fazer escolhas inteligentes.
Para quem busca a Independência Financeira como eu, qual foi o seu ponto de virada?
Dinheiro é um assunto que infelizmente no Brasil, ainda é tabu.
Apesar de nos últimos anos o número de consultores financeiros, coaches financeiros, YouTubers, blogs e sites que falam sobre investimentos e finanças pessoais terem aumentado significativamente, na vida real, o assunto “dinheiro” ainda é falado aos sussurros.
Quando o assunto surge em mesas de bar, num encontro de amigos ou festa familiar, geralmente envereda para dois lados: sobre dívidas (financiamento de casa, carro, empréstimos pessoais…) ou debocham de pessoas que pensam diferente (chamando de mão-de-vaca, que gente rica é desonesta, que não vale a pena guardar para o futuro…).
Por mais que a gente explique, por mais que tenha inúmeros conteúdos gratuitos disponíveis na internet, as pessoas querem interpretar da forma mais conveniente, de acordo com as suas crenças limitantes: que quem fala sobre dinheiro são fanáticos por dinheiro.
Claro que há casos e casos.
No meu caso específico, eu não sou fanática por dinheiro, e sim por liberdade. Uma pena que cada vez mais percebo que são pouquíssimas pessoas que me conhecem de verdade.
E o que é liberdade?
É poder fazer o que quiser, na hora que quiser, por quanto tempo quiser.
E é atrás dessa liberdade que corro atrás, para um dia poder escolher a profissão que eu desejar, de ter liberdade para trabalhar no que eu quiser (e se eu quiser), de estar mais próxima de pessoas que amo, fazer as coisas cotidianas com mais calma, viajar quando quiser e por quanto tempo desejar.
Para muitos, o que eu falo não faz sentido.
Realmente, para quem não tem consciência de que é um escravo do sistema, simplesmente não faz sentido buscar liberdade.
Semana passada, Sapien Livre escreveu um post sobre esse assunto em que explica que “falamos de dinheiro para não falarmos sobre dinheiro”. Essa frase fez muito sentido pra mim. Eu falo sobre dinheiro, sobre acumulação de patrimônio, investimentos, juros compostos, justamente porque não quero me preocupar com o dinheiro.
Ser financeiramente independente significa não depender do dinheiro para fazer as coisas que temos vontade.
Eu não tenho grandes vontades consumistas, não quero morar em uma mansão, ter um carro importado na garagem, não preciso de roupas de marca, não tenho necessidade de mostrar nem provar para os outros a minha felicidade.
O que eu queria mesmo era poder ir no supermercado e comprar apenas produtos orgânicos, livre de agrotóxicos. Eu queria poder cozinhar com calma. Dar uma volta pelo bairro no fim da tarde sem precisar me preocupar em voltar cedo para casa para preparar tudo para o dia seguinte. Fazer uma caminhada pelo parque quando o ar ainda é fresco. Tomar café da manhã com as pessoas que amo.
E é para fazer essas coisas simples que eu corro atrás da minha Independência Financeira.
Hoje, o Tempo não me pertence. Ou melhor, uma pequena parcela do tempo pertence a mim. O resto fica perdido no trabalho, no trânsito, na burocracia, na rotina, por aí.
O dinheiro para mim é apenas uma ferramenta que me aproxima para onde quero chegar. O dinheiro é o meio, e nunca o fim.
O tempo tem me mostrado que as escolhas que tenho feito para a minha vida estão acertadas.
Há 9 anos, quando eu e meu marido nos apaixonamos, decidimos que viveríamos juntos para sempre.
Desde então, muitas coisas mudaram. A minha forma de amar mudou, tornando-se mais madura, mais completa, mais plena.
A minha forma de viver mudou, passei a focar mais no que era essencial, no que era importante, vivendo uma vida mais minimalista.
Mesmo com o nascimento de duas filhas, continuamos com o nosso estilo de vida simples e o dinheiro passou a sobrar todos os meses.
O interesse pelos investimentos aumentava a cada dia. Aliás, desde que eu aprendi a investir direito, a vida foi se tornando cada vez mais fácil. Isso porque o minimalismo fez com que eu focasse no que era realmente importante e também porque após 8 anos investindo, os benefícios dos juros compostos já começaram a surtir efeito.
Eu não compro roupa para estar na moda, não compro presentes para pessoas que não tenho afinidade, não compro algo só para agradar alguém.
Aprender a diferenciar o que traz felicidade genuína com a felicidade momentânea foi essencial. Perceba que somos nós que damos poder ao dinheiro.
Para mim, uma roupa, é uma felicidade momentânea. Já uma viagem, é uma felicidade genuína. A lembrancinha da viagem, um chaveirinho, um souvenir são felicidades momentâneas, mas uma toalha de mesa comprada nessa cidade, é uma felicidade genuína, já que todas as vezes que preparo a mesa para jantar, lembro do prazer que senti em conhecer o local. Almoçar em restaurantes durante a semana com os colegas de trabalho é felicidade momentânea. Já almoçar com os melhores amigos é felicidade genuína.
Essas sensações do que é felicidade genuína e momentânea é muito pessoal, não dá para generalizar, cada pessoa tem a opinião do que é importante.
Vou dar outros exemplos.
MORADIA
Para mim, o bairro que eu moro traz felicidade genuína. Sinto gratidão todos os dias (não estou exagerando), sinto segurança mesmo andando à noite, é u m bairro com bastante iluminação, próximo de metrô, mas é um bairro caro. Para conseguir morar em um bairro assim, eu equilibro as contas deixando de ter algumas outras coisas como:
Carro: eu e meu marido decidimos não ter um;
Creche: decidimos morar em um bairro melhor, porque creches municipais em bairros mais centrais não são tão concorridas como as creches das periferias;
Lazer: por morar perto de praças, parques e Sescs, economizamos no lazer.
Repare que são economias grandes. Não é uma economia de 1 café, e sim de 1 carro e de todos os outros gastos que vem junto (IPVA, seguro, manutenção, etc); mensalidade escolar para 2 crianças, etc.
ALIMENTAÇÃO
Desde o mês passado, após assistir a alguns documentários e ler bastante a respeito sobre os efeitos dos alimentos industrializados, agrotóxicos e transgênicos na nossa saúde, eu decidi que passaria a consumir mais alimentos orgânicos, livres de venenos.
Tomar essa decisão fez com que eu gastasse mais na alimentação da família, mas a felicidade que sinto quando vejo minhas filhas comendo um morango sem veneno, um ovo sem antibióticos e hormônios, um milho sem ter sido geneticamente modificado, não tem preço.
Eu acredito que a médio, longo prazo, aumentar o consumo dos alimentos orgânicos vai nos proporcionar ainda mais saúde, menos ida aos médicos, menos gripes, menos alergias etc.
CONFORTO
Há quase 2 anos, eu e meu marido trocamos o nosso colchão. Na época, ficamos em dúvida qual compraríamos, mas depois pensamos “Quantas horas dormimos por dia?” e “Compramos um colchão pouquíssimas vezes na vida”. E com isso decidimos comprar um colchão mais caro, de uma qualidade infinitamente superior. Até hoje comentamos como o nosso colchão é confortável.
Outro item que eu tenho há alguns anos é a geladeira inverter da Panasonic. Conheci essa geladeira que tem o freezer na parte de baixo quando fui ao Japão em 2008. Além do freezer ser enorme, não ter todo aquele ar gelado em cima do meu rosto toda vez que abria a porta do freezer era (e continua sendo) um atrativo enorme para mim.
O sofá também foi um outro item que escolhemos a dedo. Na época, dos sofás que gostamos, acabamos escolhendo o mais caro por 3 motivos: eu tinha gostado demais do design, meu marido tinha gostado demais do conforto e nós dois tínhamos consciência da qualidade da estrutura do sofá. Com 2 crianças pequenas, sabíamos que o sofá teria que ser resistente, para que elas pudessem pular por muitos e muitos anos.
Pessoas que ganham o mesmo salário que eu, às vezes se surpreendem como consigo “esticar” tanto o dinheiro. Pois bem, eu mesma pinto as paredes do apartamento, eu não tenho diarista, nem passadeira, quando compro algum móvel eu mesma monto (desde uma simples sapateira até um guarda-roupa enorme), meu marido faz conserto elétrico simples, não frequento salões de beleza, a lista na verdade é bem longa…
PEQUENOS GASTOS DIÁRIOS
Tenho diversos exemplos de valor menor, mas de gastos constantes:
Eu não costumo comprar algo pelo preço, e sim pelo seu valor, por exemplo os esmaltes. Eu compro sempre da marca Revlon ao invés das marcas mais populares como Impala, Risqué ou Colorama. O esmalte da Revlon é mais caro, mas dura muito, muito mais. Todos os esmaltes que comprei da Revlon eu consegui usar até o final, enquanto de outras marcas, sempre acabo jogando fora por ficar duro;
Eu e meu marido somos pessoas simples, então um passeio pelo bairro já nos deixa felizes, um pão na chapa com um cafezinho à noite já nos alegra. Ontem mesmo ele comentou que estava com vontade de comer um brigadeiro e lá fui eu abrir a lata de leite condensado para fazer um brigadeiro bem gostoso. Para deixar com uma aparência mais gostosa, eu sempre tenho em casa forminhas coloridas de papel e chocolate granulado. Assim, o brigadeiro tem sempre cara de festa;
Todos os meses, faço um aporte considerável para alavancar os investimentos. Um dos motivos (dentre os vários que já citei por aqui) é que não tenho plano de saúde top de linha. Tenho um que atende as necessidades da família. Se nós tivéssemos alguma doença crônica ou até mesmo ficássemos doentes com frequência, talvez teria um plano top, mas como raramente ficamos doentes, preferi ter um plano bom e investir a diferença;
Minhas filhas possuem brinquedos relativamente caros, como a cozinha de madeira, a casa da Peppa Pig e outros brinquedos. Mas em compensação, não costumam ganhar presentes fora das datas que estipulamos (aniversário, dia das crianças e Natal):
Elas também têm a casa da Peppa Pig:
São brinquedos caros, mas que mesmo após semanas, meses e anos, elas continuam brincando quase que diariamente.
E assim, cada vez mais, a nossa casa tem se tornado um lugar gostoso de estar, pois estamos rodeados de coisas que nos fazem feliz.
Escrevi esse post para deixar claro que para termos algo, precisamos abrir mão de outras coisas. O que eu mais vejo são pessoas que querem tudo, mas não estão dispostas a abrir mão de absolutamente nada.
Então para gastar melhor o dinheiro, é preciso:
desaprender o que nos ensinaram sobre consumo;
não se comparar com outras pessoas;
deixar de ter/fazer/comprar coisas desnecessárias;
aprender a gastar dinheiro em coisas que traz felicidade genuína.
Esse post é mais um complemento do post anterior, onde comentei sobre rotinas que tornam a nossa vida melhor.
Aqui neste texto, eu vou dividir a questão de dinheiro vs filhos em 3 partes. A primeira é como estamos lidando atualmente, depois como pretendo lidar com a mesada e depois sobre herança.
COMO ESTAMOS LIDANDO ATUALMENTE
Quando eu estava grávida, o gerente do meu banco entrou em contato para conversarmos sobre abertura de um plano de previdência privada para a minha filha. Ouvi atentamente toda a explicação, e no fim, saí da agência com uma única certeza: de que eu deveria me preocupar mais com a minha aposentadoria, e não com o plano previdenciário da minha filha. Entendi que se abro um plano no nome das minhas filhas, e se por algum motivo eu realmente estiver precisando do dinheiro quando elas completarem 18 anos (posso estar desempregada, doente etc), eu não poderei usar este dinheiro – a não ser que elas concordem em abrir mão – já que o dinheiro estará no nome delas.
Eu tenho muito claro para mim que as minhas filhas terão todo o tempo do mundo para conquistar a própria independência. Quando elas tiverem os seus 37 anos, – idade que eu tenho hoje – eu terei 71 anos. E por isso mesmo, sei que preciso pensar na minha tranquilidade financeira.
Vejo muitos pais pagando mensalmente uma previdência privada para os filhos, mas não terem uma reserva de emergência para si. Claro que acreditamos que os filhos irão nos ajudar em caso de necessidade, mas não podemos, nem devemos contar com essa possibilidade. E se eles estiverem desempregados? E se eles estiverem em dificuldades?
Considerando isso, atualmente, eu faço 2 coisas com as minhas filhas:
1.) quando elas vão ao supermercado comigo, às vezes deixo elas escolherem algo para levar até um determinado valor. Se querem levar mais de 1 coisa, precisam escolher qual item quer levar mais. Assim, já vai aprendendo desde cedo que não se pode ter tudo na vida, que a vida são feitas de escolhas e principalmente, renúncias. Por muitas vezes, vi (com muito orgulho) a minha filha mais velha franzindo a testa, quebrando a cabeça para decidir o que iria levar: uma barra de chocolate ou um saquinho de pipoca. E é exatamente esse exercício que eu quero que ela faça: de fazer escolhas.
2.) Outra coisa que eu faço com elas é a “sexta-feira feliz”. Toda sexta-feira quando voltamos da creche, deixo elas escolherem alguma bobeirinha pra comer, pode ser pipoca, sorvete, pirulito, milho cozido, passar em uma loja de doces, ou no supermercado, o que elas preferirem. Isso tem feito com que elas aprendam a esperar, a ter paciência. Quando elas pedem para comprar algo na segunda, terça, quarta ou quinta-feira, eu explico que “hoje” ainda não é sexta-feira. E elas compreendem. Ou seja, como elas sabem que em um dia da semana poderão comprar o que têm vontade de comer, não fazem birra quando digo “não”. Se eu nunca deixasse comprar, ou melhor, se elas não soubessem quando seria a próxima vez que conseguiriam comer o que têm vontade, talvez fizessem birra. Outra coisa que eu costumo falar é que “eu não estou falando que você não pode comer pipoca, só estou dizendo que não compraremos pipoca hoje, mas podemos fazer pipoca em casa”. Quero que elas saibam que se não podemos comprar, podemos fazer, podemos criar, podemos inventar, podemos substituir…
Essa prática de fazer a “sexta-feira feliz” nos trouxe um outro benefício: a de entrar em lojas de brinquedos, sem que eu precise comprar algo. Sim, elas não fazem birra nas lojas de brinquedos, nem na loja de doces. Eu já expliquei que elas ganham presentes 3 vezes por ano: no aniversário, no dia das crianças e no Natal.
Elas entram nas lojas, olham, brincam, “anotam mentalmente” o que querem, e depois saem das lojas sem fazer birra, pois sabem que ainda não é o momento certo para ganhar brinquedos.
Às vezes dou algumas moedas para comprarem pirulito na doceria do bairro. Outro dia minha filha mais velha ficou triste, porque percebeu que quando se compra o pirulito, fica sem a moeda. Expliquei que é assim mesmo, trocamos o nosso dinheiro por comida, brinquedos…
COMO PRETENDO LIDAR COM A MESADA NO FUTURO
Como as minhas filhas são muito pequenas, elas ainda não ganham mesada. Já ouvi dizer que o valor é muito subjetivo para cada família. Ele não deve ser pouco a ponto da criança desanimar por demorar demais para conseguir poupar para comprar o que quer, mas também não pode ser muito a ponto de achar que dinheiro cresce em árvore.
Cada família precisa avaliar o valor ideal, considerando as necessidades da idade.
Considerado o valor, eu pretendo dar um pouco a mais, mas isso porque tenho o intuito de incentivar a poupar desde pequenas. No início, claro, a criança não vai entender o que está fazendo, mas pretendo orientar a guardar de 30 a 40% do que recebe de mesada. Aos poucos essa prática vai se tornando natural.
No início, pretendo falar algo do tipo: “se você não usar o seu dinheiro por 10 dias, você terá uma moeda no décimo primeiro dia”, o que iria sugerir as noções básicas dos juros compostos. Afinal, o dinheiro “brotaria” três vezes por mês.
Quando estiverem alfabetizadas, e sabendo noções básicas de matemática, pretendo abrir conta em corretoras independentes para auxiliar nos investimentos, não com o meu dinheiro, e sim, com o dinheiro economizado das suas mesadas.
Claro que terá outras iniciativas, por exemplo, se me ajudarem a economizar na conta de luz, metade do valor economizado irá para elas, ou algo parecido.
Se elas souberem desde cedo, o que eu só descobri depois dos 30 anos de idade, com dedicação e foco, conseguirão alcançar a independência financeira ainda jovens.
SOBRE HERANÇA
Outra coisa que eu tenho muito claro na minha cabeça, é a ordem de prioridades: se os pais estão bem, os filhos ficarão bem. Sabe aquela orientação que recebemos quando embarcamos em um avião? Coloquem as máscaras primeiro e somente depois nos filhos? É basicamente assim que eu penso.
Isso significa que enquanto muitas famílias pensam em deixar um imóvel ou uma herança no nome dos filhos, eu penso no meu marido, e ele em mim.
Tenho a consciência de que sou um caso à parte por pensar mais no marido do que nas filhas se eu vier a falecer. Isso acontece, porque eu confio plenamente no meu marido e também confio na integridade dele, como pai e principalmente como pessoa. Tenho certeza de que meu marido faria de tudo, até o impossível, para que nunca falte nada para as nossas filhas.
Quero ensiná-las desde cedo a compreenderem que o dinheiro que nós estamos juntando para a aposentadoria, é nosso dinheiro: da mãe e do pai. Não serão delas. E por isso mesmo elas precisarão também pensar no próprio futuro. Não quero que elas cresçam achando que podem contar com o nosso dinheiro, pois já vi pessoas brigando sobre herança de pais que nem doente estavam.
Na minha casa, dinheiro definitivamente não é um assunto tabu.
Uma leitora perguntou semana passada em qual hotel eu havia me hospedado em Águas de Lindóia, e com isso resolvi escrever sobre esse assunto, pois sei que viajar está ficando caro para todo mundo.
Uma das táticas que eu uso é acompanhar de vez em quando o site do Groupon. A maioria das promoções, não são tão proveitosas, mas às vezes surge uma oportunidade no meio deles que vale muito a pena aproveitar.
Um exemplo disso é a hospedagem que comprei em Águas de Lindóia. Uma cidade perto de São Paulo, bem pequena e tranquila, perfeita para descansar.
Este foi o hotel que nos hospedamos (fotos do próprio hotel Mantovani):
Paguei R$739 pelas 3 noites. Caro? Talvez sim, talvez não, já que caro ou barato é muito relativo, depende do orçamento disponível familiar.
Para mim, o preço foi bom.
1.) A primeira vantagem é que as crianças não precisavam pagar. E apesar delas não serem pagantes, o hotel nos ofereceu um quarto com 1 cama de casal com 2 camas de solteiro.
2.) Esta promoção valia para a baixa temporada, ou seja, de fevereiro até junho. Como teria um feriado no dia 1 de maio, resolvi emendar a segunda e terça-feira para tirar a minha “mini-férias”. Lembrando que uma viagem sem a promoção, eu pagaria o dobro do valor pago. Se fosse em alta temporada, pagaria o triplo do valor.
3.) Esse hotel oferece pensão completa, ou seja, café da manhã, almoço e jantar inclusos. Com isso, não precisamos nos preocupar com nada.
Agora vou desmembrar os números para clarear um pouco mais o título deste post:
As 3 noites para 2 adultos e 2 crianças (cortesia) custaram R$739. Significa que a diária para o casal seria de R$246,33. Por pessoa R$123,16.
Esse valor de R$123,16, se descontasse o café da manhã (R$20), o almoço (R$35) e a janta (R$35), daria R$33,16 a diária por pessoa. O valor do café da manhã e o almoço eu estipulei, mas acredito que até gastaria mais.
Isso sem esquecer que levei 2 crianças não pagantes que puderam dormir cada uma na sua cama, e apesar delas terem 2 e 4 anos, elas comem bem. Melhor impossível.
Agora pensa numa comida boa…. pensou? O restaurante deste hotel é ma-ra-vi-lho-so. Gente, de verdade, valeu cada centavo. A cidade é bem pequena, não tem muito o que visitar. Mas valeu muito por causa da comida, da hospedagem, da piscina aquecida com hidromassagem, dos funcionários educados, do paisagismo, dos diversos espaços disponíveis no hotel, a infra-estrutura, etc. Aliás, o hotel investe bastante no quesito paisagismo, e havia diversos lugares pra gente aproveitar e curtir a família. Eu que moro em São Paulo, às vezes só quero sossego.
Vocês acham barato uma diária de R$33,16 por pessoa? Eu acho rs.
É dessa forma que economizamos gastando. Fazendo a mesma viagem, no mesmo local que queríamos ir, mas fazendo escolhas inteligentes.
Para quem não conhece o termo, FIRE é um acrônimo do termo em inglês: Financial Independence Retirement Early que significa “Independência Financeira, Aposente-se Cedo”.
Pessoas que estão em “firing”, são pessoas que por motivos pessoais, aderem ao minimalismo e à frugalidade, poupando cerca de 30 a 70% do salário com o objetivo de se aposentarem cedo (geralmente aos 30, 40 ou 50 anos).
Entenda que neste caso o “aposentar” não significa que nunca mais irá trabalhar. Significa que terá a opção de trabalhar no que quiser (e se quiser), já que terá patrimônio suficiente para viver de renda pelo resto da vida.
Eu faço parte desse movimento e poupo cerca de 60% da receita familiar.
Reconheço que quem ganha um salário baixo, não tem a possibilidade de poupar uma grande fatia do salário como eu estou fazendo. Com o salário mínimo batendo quase R$1.000, sabemos que é praticamente impossível alguém viver com dignidade sobrevivendo com 40% do salário, o que equivaleria a R$400.
No meu caso, que recebo um salário interessante, aproveitei a oportunidade e não aumentei o padrão de vida ao longo dos anos, como todos ao meu redor fizeram.
Digo que poucos conseguem aderir ao movimento FIRE, porque as pessoas não estão dispostas a sacrificar prazeres de curto prazo em detrimento de um futuro melhor.
Os adeptos a esse movimento geralmente são pessoas minimalistas e frugais. São pessoas que curtem o estilo de vida minimalista, aproveitam a jornada até à aposentadoria, e não somente com a chegada do grande dia. Isso significa que o que as pessoas comuns enxergam como sacrifício, os FIREs enxergam como escolhas acertadas. Por serem adeptos ao minimalismo, conhecem a fundo suas necessidades reais e não cedem às necessidades impostas pela sociedade.
Vejamos um exemplo. Você compraria um cabo náutico? A maioria diria que não. Mas por que a resposta é não? É porque você não vê utilidade, não é mesmo? Não teria sentido em ter um cabo náutico, se você não pratica iatismo.
O minimalista vai a fundo utilizando sempre essa regra. Pessoas que aderem ao minimalismo, escolhem itens essenciais e fundamentais para a sua própria felicidade. Vou repetir o trecho da frase que acabei de escrever: “ESCOLHEM ITENS ESSENCIAIS E FUNDAMENTAIS PARA A PRÓPRIA FELICIDADE”. Ou seja, cada pessoa deve ir em busca do auto-conhecimento para saber o que é essencial para si. Infelizmente, posso dizer que a maioria das pessoas não buscam auto-conhecimento e por isso mesmo seguem a vida utilizando a régua alheia. Não é a toa que o sonho das pessoas se assemelham…
Voltando ao exemplo do cabo náutico, a mesma regra (de saber se é essencial ou excesso) vale para todas as escolhas que fazemos ao longo da vida. Quando é uma coisa discrepante, é fácil saber se é essencial ou não. Difícil é ter discernimento para os itens mais comuns, do nosso cotidiano. Eu já dei esse exemplo do fogão: eu tenho um fogão de 4 bocas, ao invés de 6, porque não cozinho utilizando as 6 bocas simultaneamente. Eu simplesmente não tenho coordenação, nem destreza para utilizar as 6 bocas sem queimar uma das panelas. Então por qual motivo gastaria meu dinheiro tendo um fogão maior, que além de ser mais caro, ocupa espaço da minha casa?
Esse pensamento é a base para todo o meu raciocínio: não tenho um tênis de corrida, porque eu só caminho pelas ruas da cidade. Não moro em um apartamento de 3 dormitórios, pois uso somente 2 quartos. Não tenho muitas roupas, porque simplesmente não dou conta de usar tudo durante o ano. Não tenho muitos itens de maquiagem, porque não consigo terminar de usa-los até a data do vencimento. Não tenho carro porque não julgo necessário.
Não tenho porque não quero. Não tenho porque não preciso. Ponto.
As pessoas se acostumaram com o excesso.
Querem morar em uma casa grande, mesmo usando a maior parte do espaço como depósito. Querem ter várias roupas no guarda-roupa, mesmo usando somente 20% do que tem nele. Pagam um plano de TV a cabo, mesmo passando a maior parte do tempo na internet. Moram em um apartamento de 3 quartos, sendo que utilizam um único quarto. Compram um carro modelo off-road, mesmo não pegando estrada com tanta frequência. Assinam mensalidade da academia, sendo que vai só algumas vezes por semana. Possuem um plano de saúde que abrange os melhores hospitais da cidade, mas sempre que precisa vai nos hospitais do bairro. Compram um celular novo, mesmo o antigo estar funcionando perfeitamente.
Compram sem necessidade, sem pensar, só pelo ato de gastar… Como podem ver, exemplos são infinitos.
Alguns atos que julgamos como normal: comprar presentes para outras pessoas, só porque a sociedade impôs. Ou até mesmo comprar roupas e quinquilharias para preencher o vazio interno… são atitudes que vão aumentando os gastos e elevando o padrão de vida até se tornar insustentável a longo prazo. Para essas pessoas, o dinheiro não traz felicidade, ele é apenas uma fuga.
Eu consigo investir quase 60% da renda familiar, porque sei exatamente onde gastar e onde poupar. Todas as escolhas que eu faço são pautadas em cima do meu objetivo de vida, e é justamente por saber onde gastar e onde poupar que eu e meu marido não sentimos escassez, e sim, abundância e gratidão.
Quando a gente aprende a gastar o dinheiro de forma inteligente, coisas boas começam a acontecer…
Há pesquisas que comprovam que quando acordamos, temos o que denominamos de “tanque de decisões”. Conforme tomamos decisões, esse tanque vai se esvaziando. Que roupa usar hoje? O que comer no café da manhã? Que horas sair de casa para ir ao trabalho? Quais são as minhas prioridades do dia? Etc.
Depois de inúmeras decisões tomadas ao longo do dia, quando chegamos em casa à noite, já estamos com o tanque quase vazio. É quando a nossa energia vital fica baixa, estamos cansados física e mentalmente. Nesse momento, muitos de nós, com a intenção de descansar um pouco, assistimos televisão, o YouTube, o Instagram… E a sutil lavagem cerebral se inicia.
Vemos o mundo colorido das celebridades. Mesmo sabendo que aquela vida perfeita foi totalmente editada, começamos a achar a nossa vida monótona. Aliás, é tão monótona que começamos a consumir o que as celebridades consomem, quem sabe ficamos um pouco mais parecidas com elas?
Assistimos de camarote às diversas propagandas camufladas (ou explícitas…) incentivando o consumismo ao extremo. Assistimos também as tragédias do mundo inteiro, pois não basta mais mostrar apenas as tragédias de um único país.
Toda essa visão de mundo nos provoca ansiedade e medo. E trabalhamos cada vez mais com o intuito de amenizar a ansiedade e o medo que são gerados diariamente.
O trabalho nada mais é do que uma troca. Você vende seu tempo em troca de dinheiro. Se trabalhamos o mês inteiro em troca do tempo, e não conseguimos poupar nada, significa que gastamos todo o nosso tempo. Já quando o dinheiro sobra, temos a possibilidade de recomprar o nosso tempo.
O salário é a moeda de troca para desistimos dos nossos sonhos.
Acabamos nos tornando um escravo pagador de contas.
Pagamos um financiamento caríssimo achando que estamos fazendo um ótimo negócio, sem nem ao menos saber quanto de juros estamos pagando todo os meses. Ou até sabemos, mas ficamos ao lado dos bancos, típico comportamento de síndrome de Estocolmo.
Cada vez mais o salário vai sendo comprometido com algum boleto bancário. Parcelas do financiamento do apartamento, do carro, da escola, do convênio médico, assinatura da internet, do celular, TV a cabo… Ou seja, largar o emprego, nem pensar.
E assim, o uniforme do escravo moderno vai se tornando a camisa social com uma gravata que aperta cada vez mais o pescoço.
Mesmo em situações descritas acima, a maioria não sabe quanto recebe de salário, muito menos quanto gasta. Não tem interesse em estudar sobre investimentos. Prefere ficar na ignorância, pois assim, não precisa alterar a própria rotina.
Vive um mês após o outro, rezando para que nada de errado aconteça. E quando surge um imprevisto, parcela as dívidas, já que não possui reserva financeira.
Espera-se o mês inteiro para receber o salário, e no dia do pagamento, todo o dinheiro vai embora nos boletos bancários… Resta esperar por mais 1 mês inteiro para receber o próximo salário e continuar fazendo a mesma coisa, mês após mês, ano após ano.
Somos ou não somos um escravo moderno pagador de contas?
“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.” Aldous Huxley
Como vocês sabem, eu acompanho poucos sites, blogs e canais do YouTube. Primeiro, porque não tenho tempo para acompanhar todo mundo, e segundo, porque dou foco na qualidade do conteúdo publicado.
Um destes sites que acompanho, entrou em contato comigo e não fico sabendo que ele também gosta do meu trabalho? Que dia feliz!!!
E com isso gostaria de prestigiar o trabalho do SapienLivre.com indicando uma leitura de um de seus posts: “Diferença entre o minimalismo e o movimento FIRE”. Para quem tiver interesse, depois de terminar de ler o post, clique aqui para conhecer o site.
DIFERENÇA ENTRE O MINIMALISMO E O MOVIMENTO FIRE
“Onde foi que eu me perdi tanto de mim que, agora, nesse exato momento…”
Esta frase da escritora Clarice Lispector descreve bem como todos nós já nos sentimos em algum momento ou ainda estamos nos sentindo agora mesmo.
Todo mundo em algum momento já se sentiu perdido na vida. No sentimento de não pertencimento… sabe? Eu particularmente já me questionei e continuo me questionando quase todos os dias.
Neste sentido costumamos responder a esses questionamentos de diferentes formas, coisas do tipo:
Buscamos compensar a nossa frustração consumindo coisas que não precisamos, se endividando e caindo em um buraco ainda maior;
Procurar alternativas para a vida de consumo e algumas se encontram no minimalismo, tentando viver com menos coisas para dar espaço maior para as relações humanas;
Busca trabalhar duro e fazer grande esforço por um período determinado de tempo para tentar alcançar a independência financeira e se aposentar por volta dos 40 ou 30 anos ( Movimento FIRE).
Diferença entre o minimalismo e o movimento FIRE
Bom, fácil de concluir que o materialismo não faz ninguém feliz. Nossa geração, de modo geral, nunca foi tão rica e também tão infeliz.
Então entre as alternativas que temos eu costumo chamar de contra cultura, o Minimalismo e o Movimento FIRE.
O que é Minimalismo
Usando as palavras dos The Minimalist, Minimalismo é:
“O minimalismo é uma ferramenta para se livrar do excesso da vida em favor de se concentrar no que é importante – para que você possa encontrar felicidade, realização e liberdade”.
Em outras palavras é a busca de reduzir excessos para liberar espaço e tempo para as relações humanas.
E o Movimento FIRE
O FIRE é abreviação das palavras em inglês Financially Independent, Retiring Early. Este movimento ainda pouco conhecido no Brasil, representam as pessoas que buscam a Independência Financeira e Aposentadoria Precoce ( eu prefiro falar antecipada).
Imagine poder se aposentar aos 40, alguns ainda aos 30 anos. Em uma sociedade que vem discutindo aposentadoria tradicional cada vez mais tarde, parece uma realidade impossível mas a fórmula é simples e aplicável.
A ideia é ganhar o máximo que puder, poupar entre 30% a 70% da renda. Fazer investimentos com qualidade e depois de uns 10, 15 anos viver de renda e curtir a vida.
Deixar de trabalhar neste momento passa a ser uma opção já que o dinheiro deixa de ser o fator determinante.
Qual destes é a melhor escolha para você
Se pararmos para observar estes dois movimentos são de certa forma parecidos. Todos eles buscam uma alternativa para o modelo atual de sociedade. No sentido de dar menor importância as coisas e maior liberdade para fazer escolhas.
Os FIREs trabalham mais a questão financeira reinvestindo seus ganhos, para assim ter maior liberdade de escolhas quando alcançar a independência financeira; viajar pelo mundo; viver sua paixão, mesmo que ela não remunere de forma adequada.
Os Minimalistas trabalham a limpeza geral de excessos na vida, seja de coisas materiais como também no sentido de ter uma vida menos estressante. Seja morando em uma casa menor ou controlando seus próprios desejos para diferenciar o que realmente é necessário.
Obvio que para cada uma destas estratégias existem vantagens e desvantagens. Qual destas você se identifica mais?
Eu particularmente acredito que não preciso escolher entre um ou outro. Por que não aproveitar o melhor do dois movimentos?
Afinal de contas eles se complementam. É totalmente possível ser um FIRE e também minimalista, mesmo porque não existe uma definição exata para um ou para o outro.
Temos uma péssima mania de querer rotular as pessoas de ou jeito ou de outro. O que realmente importa é saber o que te faz feliz e buscar viver de acordo com seus próprios valores.
No meu entendimento aproveitar o melhor que cada uma destas filosofias tem à oferecer é o melhor caminho. O que não fizer sentido para você descarte, simples assim.
Entre um e outro, quem disse que não é possível escolher os dois e criar um só seu?
Quando nos tornamos pais, é comum ouvirmos por aí de que abrimos um plano de previdência privada no nome do filho com o intuito de garantir o seu futuro. Esse singelo gesto de amor, de preocupação e de esperar por um futuro melhor é lindo… mas tenho que perguntar: e pra você? Você tem um plano para a sua aposentadoria?
Não estou dizendo para não pensar no futuro dos filhos. Afinal, quem não gostaria de ver os filhos felizes, realizando sonhos, com o “futuro garantido”?
O problema começa quando os pais pensam somente no futuro deles, esquecendo do seu próprio futuro, que chegará muito antes do deles.
Além da reforma da previdência que está chegando, temos um outro porém: nós viveremos por mais tempo. E com isso trabalharemos por mais tempo, aposentaremos mais tarde e ainda ganharemos (se não morrermos antes) uma aposentadoria pífia.
Sem contar com a possibilidade de ficarmos desempregados. Já parou para pensar que teremos jovens entrando no mercado de trabalho, junto com a constante automatização da mão-de-obra, e idosos trabalhando com um salário bem mais alto do que um salário inicial de um jovem? Na hora da demissão, adivinhe quem a empresa irá demitir? O jovem com cabeça fresca e que ganha pouco, ou nós, com cabeça mais lenta, ganhando mais? Não haverá vaga de emprego para todos e isso poderá gerar a nossa demissão.
Caso essa situação venha a acontecer, quais serão os seus planos? Como irá se sustentar? Como irá sobreviver? Como irá pagar suas contas? Seus remédios?
O melhor presente que podemos dar para os nossos filhos, é não depender financeiramente deles. Já deve ter percebido que há situações em que muitos pais precisam ajudar os filhos financeiramente.
Imagine se você estiver contando com o dinheiro do seu filho, que ainda nem se tornou adulto, e do salário que ele ainda nem recebeu, para garantir a sua própria sobrevivência?
Os gastos na terceira idade naturalmente costumam aumentar: plano de saúde, remédios, e gastos por ter mais tempo livre, consequentemente mais lazer…
Se esse for o seu caso, repense. Talvez esteja na hora de pensar primeiro no seu futuro, antes de pensar no futuro dos filhos.
Imagine que num mundo encantado há somente 2 tipos de bebidas: água e café.
Esse é o menu que nos disponibilizaram.
Somos felizes e satisfeitos por saber que somos livres para escolher o que queremos tomar: um copo de água ou uma xícara de café.
Só que depois de um tempo, alguém nos conta que há outras opções de bebidas no mercado. Cappuccino, chocolate quente, sucos dos mais variados sabores e o pior, por um preço bem mais em conta.
Começam as dúvidas: Por que ninguém falou antes? Por que não nos avisaram sobre a existência de outros sabores? Por qual motivo escondem isso de nós? E por que sempre nos falaram que éramos livres, dizendo que tínhamos liberdade de escolha? Só esqueceram de um detalhe: não mostravam todas as opções existentes do menu.
Isso é exatamente o que sinto, quando penso sobre política e educação, incluindo a educação financeira.
Nos fizeram acreditar de que éramos livres, mas não somos.
Na escola, nos ensinam apenas o suficiente para sermos ótimos funcionários, mas não o suficiente para pensarmos com a própria cabeça. Sabemos operar máquinas e computadores, mas não sabemos pensar, apenas repetimos o discurso de pessoas importantes (e que nem sempre, ou melhor, na maioria das vezes, não é benéfico para nós). Nunca fomos incentivados a pensar criticamente, nem a discutir política de uma forma decente, pelo contrário, nos ensinaram a jogar panos quentes para abafar problemas.
Para passar o tempo na escola, nos fizeram decorar fórmulas complexas de matemática, química e física. Quanto do que aprendeu na escola está sendo útil no seu dia-a-dia? Não poderiam ensinar economia doméstica? Sobre desenvolver habilidades em potencial? Discutir sobre propósito individual? Sobre política? Sobre a importância de ajudar o próximo?
Nos ensinaram que pessoas consumistas são bem vistas, consideradas bem sucedidas, generosas. E que pessoas frugais, que poupam dinheiro, são pessoas egoístas e de espírito pobre. Para a maioria das pessoas, não importa se a pessoa tem dívidas, o importante mesmo é gastar e movimentar a economia do país, às custas do empobrecimento da população.
Repetem a todo momento que temos que viver o hoje, gastar tudo para se divertir como não houvesse amanhã, pois “caixão não tem gaveta”.
Nos fizeram acreditar que quem poupa dinheiro é mercenário, avarento e que não aproveita a vida. Enquanto quem faz dívidas vive intensamente a vida, é o bacana da história. Esse discurso de valores invertidos possibilitou o enriquecimento dos bancos, governo e indústrias, enquanto continuamos pobres. A mídia “colabora” passando apenas notícias que nos trazem medo, insegurança, fúria.
Nos ensinaram que quem trabalha muito é esforçado, que quem está sempre sem tempo é bem visto, que quem faz hora extra e vive estressado é merecedor de respeito.
Nos ensinaram que rico é desonesto, que ricos roubam de pobres. Também nos ensinaram que temos que juntar dinheiro para comprar uma casa financiada, comprar um carro financiado e troca-lo a cada 3 anos.
Vendem a ideia de que dinheiro não traz felicidade, mas tenha certeza que a falta dele traz infelicidade, preocupação, insegurança, medo.
O que me deixa de cabelo em pé é perceber que gasto a maior parte da minha energia no trabalho, e quando volto para casa, com a energia baixa, é quando tenho as coisas mais importantes da vida para cuidar: cuidar de mim, do marido, filhos e da casa.
Chegamos em casa exaustos e não conseguimos pensar em mais nada. Olhamos através da tela da televisão, do celular, ou do computador, a vida de pessoas que nem conhecemos. Deixamos de questionar. Deixamos de lutar pelos nossos direitos. Estamos cansados demais para isso. Somos como uma bexiga murcha.
Quando estamos nessa condição, é muito fácil sofrer lavagem cerebral. Estamos frágeis.
O governo, as indústrias e as mídias sabem que é muito fácil manipular uma população ignorante e passiva, que desconhecem seus direitos. Utilizam a tecnologia para nos manterem quietos, incapazes de pensar e refletir por nós mesmos, repetindo centenas de vezes frases feitas que lemos na internet, sem ao menos refletir se serve para a nossa realidade.
Querem nos manter na ignorância, porque assim é mais fácil de nos controlar. Não querem cidadãos inteligentes que saibam dos seus deveres, principalmente seus direitos.
Nós somos sabotados a vida toda.
Já parou para pensar que o que achamos que é liberdade não condiz com a liberdade?
Deixar os filhos com febre na escola para ir trabalhar, porque o chefe não entende e não tem ninguém para ficar com eles é liberdade?
Sair para ir ao trabalho no meio de um temporal só para não chegar atrasada, e ainda permanecer com as roupas e sapatos úmidos durante todo o expediente é liberdade?
Trabalhar com gripe e febre, tomando remédio para melhorar logo, só porque “não está doente o suficiente para faltar” é liberdade?
Trabalhar por 40 anos ininterruptamente, até os 65, 70 anos de idade (ou até mais), para no final da vida receber uma aposentadoria ridícula e nós somos o povo que sorri e aplaude, nós somos o povo que concorda com quer quer nos ferrar. Como diz o economista Eduardo Moreira, nós somos a barata que defende o chinelo, a barata que defende a inseticida.
Fazemos passeatas contra o aumento de 20 centavos no transporte público, mas nos calamos quando o ex-presidente Temer perdoou uma dívida das empresas de 47,4 bilhões de reais. Sim, 47,4 BI-LHÕES. Ou quando o novo presidente está prestes a perdoar outra dívida, desta vez do agronegócio, de 17 bilhões de reais.
É a indignação seletiva. Ninguém parece se importar. Ninguém parece querer perceber.
Para os que defendem o Sistema, sempre ouço que a roda precisa girar, que essa correria tem de continuar. Afinal, como eu já ouvi dizer de uma colega, “o que faríamos com o tempo livre”?
Para pessoas que estão cansadas desse pão e circo, a independência financeira é a possibilidade de ter uma vida diferente. Uma nova vida. Uma vida sem dependências.
Muitos de vocês já estão carecas de saber o conceito da Independência Financeira: é quando a renda passiva gerada pelos seus investimentos se torna superior ao seu custo de vida mensal.
Não tenha preguiça de ser livre, não tenha preguiça de pensar.
Você ainda acha que é livre? Você realmente acha que é livre?
Desenhei essa imagem do guarda-chuva para explicar a importância que a independência financeira tem para mim.
Geralmente as pessoas acham que a categoria “investimento” é 1 das 8 armações que um guarda-chuva possui: investimento, família, trabalho, relacionamento, etc.
Aqui em casa, a categoria investimento, que denominamos “independência financeira”, é o guarda-chuva em si. É ele que PROTEGE todo o resto que está embaixo.
COMO ASSIM? Calma, vou explicar item por item:
CASAMENTO
Ter dinheiro investido traz paz para o casamento. Dizem que 80% dos divórcios têm em sua origem a falta do dinheiro. Eu e meu marido não temos nenhum tipo de estresse por dinheiro.
FUTURO DOS FILHOS
Tenho tranquilidade em saber que no momento certo, poderei oferecer para as minhas filhas o que elas precisarem. Não, não pretendo presentear com carro, nem apartamento. Mas terei oportunidade em oferecer uma educação de qualidade e conhecimentos que só obtive depois dos meus 30 anos.
MUDANÇA DE GOVERNO
O meu trabalho e a do meu marido tem relação direta com verbas federais e estaduais. Isso significa que mudança de gestão pode gerar cortes de verbas, e ter consequências como a não reposição da inflação salarial (o que já tem acontecido), e no caso do meu marido, até mesmo desemprego. Estamos na situação que independentemente de quem governar este país, estaremos seguros.
DESEMPREGO
Há 2 anos, na fase em que diversas pessoas estavam sendo demitidas, eu tive tranquilidade para conduzir as principais decisões familiares. Um grande exemplo que eu já contei aqui, foi quando no mês em que a minha filha nasceu, meu marido ficou desempregado. Em nenhum momento eu senti insegurança ou raiva, muito pelo contrário, fiquei feliz em saber que ele poderia participar ativamente dos primeiros meses da nossa caçula, estando em casa comigo.
SEGURANÇA
Eu que já fui assaltada pelo menos 10 vezes, sei bem o valor da segurança. Por isso mesmo, escolho muito bem o bairro e também a rua em que vou morar, principalmente agora que tenho crianças. A rua precisa ser bem iluminada, com boa circulação de pessoas, próxima de metrô, com diversos comércios como farmácia 24 horas, açougue, supermercado, bancos, padaria etc. Apenas para ficar claro, são os meus investimentos que pagam o aluguel do meu apartamento.
CONFORTO
É inegável o prazer do conforto. E quando falo conforto, não estou falando só da cama que dormimos, o sofá que sentamos, a roupa que vestimos. Estou falando também do conforto de poder chamar um Uber em dias de chuva, o conforto de poder pedir comida em algum restaurante quando estou muito cansada para cozinhar.
OPORTUNIDADE
Já aconteceu de você saber que algo é a oportunidade de ouro, mas não tinha dinheiro? Comigo já aconteceu 2 vezes. As 2 oportunidades perdidas foram imóveis que eu queria comprar pra investir, mas não tinha dinheiro. Sabia que estava muito barato, mas a única forma de comprar naquela época era fazendo dívidas e eu perdi a oportunidade. Ter dinheiro significa que você está dentro do jogo. Hoje, estou dentro do jogo.
SAÚDE
Eu pago um plano de saúde para a minha família. E isso me traz tranquilidade. Um exemplo, semana passada, meu marido foi avisado por um médico para ele ir atrás de um médico especialista, pois detectou na tomografia que ele estava com uma massa densa no fígado. Deu um gelo na hora. Mas se eu não tivesse um plano de saúde, acho que ficaria mais preocupada.
AUTO-CONHECIMENTO
Considero que a busca pela Independência Financeira (IF) obriga a pessoa ter um auto-conhecimento, vamos dizer, fodástico. Digo isso porque a IF não é um evento passageiro, uma mania. É um estilo de vida. E por ser um estilo de vida, não dá para viver a vida toda na miséria, fazendo longos sacrifícios por 10, 20 anos de sua vida, pois isso não seria viver com plenitude. Ter o auto-conhecimento, encontrar o equilíbrio e a tão famosa suficiência, é essencial para que alcancemos a satisfação em todas as coisas que temos.
VELHICE TRANQUILA
Saber que poderei usufruir da minha aposentadoria, sem precisar depender do salário das minhas filhas, nem da ajuda do governo é muito bom. Isso traz paz.
Depois de ler todos esses itens, algumas pessoas podem perguntar: “mas como eu também posso buscar a minha independência financeira?”
Sabem como? Começando a juntar o primeiro real. Não menospreze nenhum centavo. Pode ser R$1, R$10 ou R$100.
Dia após dia, mês após mês, ano após ano juntando dinheiro, vai chegar um momento em que os juros compostos começam a surtir efeito.
Muito se fala em desperdício de luz, água e alimentação, mas pouco se fala sobre desperdício de tempo, dinheiro e espaço.
Entre tantas coisas que são difíceis de mudar (mudar o mundo, mudar as pessoas, mudar de opinião…), reduzir o desperdício é relativamente fácil. A vantagem ainda em reduzir o desperdício, é a “recompensa” que vem depois: o dinheiro que conseguimos poupar. A seguir, listei alguns dos principais desperdícios:
Desperdício 1: Tempo
Eu levo muito a sério quando digo que tento aproveitar o máximo do tempo que eu tenho. Antes das minhas filhas nascerem, eu tinha bastante tempo, mas hoje, com o tempo escasso, aproveito cada minuto disponível para fazer coisas que eu gosto.
Aproveitando os momentos de espera:
Quando estou no metrô indo para qualquer lugar, eu leio livros pelo Kindle (como ele é fininho e leve, sempre está dentro da minha bolsa). Também aproveito para ler nos pequenos momentos de espera, como na fila do supermercado e enquanto estou esperando para ser atendida no consultório médico. Às vezes, o tempo de espera é tão pequeno que mal dá para ler 1 página, mas mesmo assim, é melhor ler 1 página do que não ler nenhuma.
Aproveitar as saídas e passeios para comprar o que preciso:
Tenho uma lista denominada “Compras” no celular. Essa lista, é diferente da lista “Supermercado”. Na lista Compras, eu anoto tudo o que estou precisando comprar, geralmente são coisas que não consigo comprar no supermercado. Para exemplificar, na minha lista atualmente há os seguintes itens: garrafa térmica para café, chinelo para as filhas, lenço umedecido, cardigã vermelho e escorredor de louça. Toda vez que eu vou sair de casa (pode ser shopping, pode ser um passeio, pode ser visitar alguém) eu tenho o costume de olhar essa lista. Se no caminho do passeio, vou passar na frente de alguma loja onde vende garrafa térmica, aproveito para comprar. Se no caminho vou passar perto de uma farmácia, aproveito para comprar o lenço umedecido. Desta forma, não preciso sair de casa só para comprar a garrafa térmica ou o lenço umedecido. Isso me faz ganhar tempo.
Aproveitar os momentos em que faço tarefa doméstica para estudar:
Tenho o costume de salvar vídeos do YouTube no meu perfil para assistir depois. Ouço os vídeos enquanto estendo roupa no varal, enquanto estou cozinhando, lavando a louça, guardando os brinquedos das crianças, etc.
Saber utilizar bem a lista de Supermercado vs Despensa:
Basicamente eu tenho 3 tipos de controle em casa:
geladeira e “estoque em uso” (farinha, açúcar, arroz etc guardados em potes herméticos)
despensa (lugar onde armazeno os produtos novos, lacrados)
lista de supermercado
Costumo estocar alguns produtos que sempre uso (como farinha, açúcar, óleo) na despensa. Se inicio o mês com 3 pacotes de farinha, conforme eu vou abrindo os pacotes, transfiro para os potes herméticos. Quando eu pegar o último pacote da farinha na despensa para encher o pote hermético, já anoto na lista de Supermercado. Faço isso porque até eu terminar de usar a farinha que está no pote hermético, vai levar alguns dias/semanas, então não preciso sair correndo para o mercado porque descobri que não tem farinha justamente na hora em que estou fazendo um bolo. Tem coisa pior que isso?
Desperdício 2: Dinheiro
Muitas pessoas acabam não associando que o desperdício no geral significa desperdiçar dinheiro? Se jogo fora os alimentos estragados, estou jogando dinheiro no lixo. Se deixo a água da torneira aberta sem necessidade, é dinheiro no lixo. Se compro uma roupa que fica sem uso no guarda-roupa, é dinheiro parado que foi para o lixo. Se tenho remédios em casa e compro mais remédios similares, é dinheiro no lixo, já que provavelmente os remédios terão a sua validade vencida. O mesmo acontece com as maquiagens. Maquiagens e esmaltes possuem data de validade, portanto se compro vários e não consigo usar até a data de validade, também foi dinheiro para lixo. Pare de gastar dinheiro com besteiras.
Desperdício 3: Espaço
Eu moro em um apartamento que é adequado para o tamanho da minha família. O apartamento possui 2 dormitórios, sala, cozinha, lavanderia, 2 banheiros e um quartinho de despensa. Isso significa que eu pago um condomínio de acordo com o que estou usando. Se você é uma pessoa solteira ou até mesmo recém-casado e sem filhos, morar em um apartamento de 2 ou 3 dormitórios significa que está desperdiçando espaço, e também dinheiro, já que se estivesse morando em um apartamento menor, pagaria menos condomínio, menos IPTU, menos luz (a potência da lâmpada que ilumina uma sala de 5m2 é bem diferente de uma que precisa iluminar 10m2) etc.
Desperdício 4: Energia (humana)
Muitas pessoas perguntam como consigo fazer tantas coisas, apesar de ter tantas obrigações no trabalho e em casa. Posso dizer que eu aprendi a gastar a minha energia de uma forma eficiente. Isso não significa que eu faço mais esforço que as outras pessoas. Na verdade, às vezes desconfio até que eu faço menos esforço que a maioria. Sabe como? Graças ao planejamento que faço do meu dia, semana, ano et. Por exemplo, vejo muitas pessoas cavando buraco nos lugares errados. Elas cavam, cavam, cavam, não param para pensar se está fazendo a coisa certa, se está usando a ferramenta certa, se está cavando o buraco certo. Quando não fazemos um planejamento, a chance de cavar o buraco errado é grande, a chance de usar a ferramenta errada é grande. E isso significa retrabalho e desperdício de tempo e de energia.
Temos o costume de negligenciar o planejamento através do “fazejamento”, planejando enquanto fazemos. E isso é uma das piores coisas que podemos fazer, já que muitas vezes, o buraco que foi feito é tão grande, que custamos a compreender e admitir que aquele buraco não vai nos levar a lugar nenhum.
Então, minha gente, não negligenciem o desperdício de energia.
Desperdício 5: Alimentação
Esse item eu ainda não consegui incorporar na minha rotina. Já reduzi bastante o desperdício, mas ainda jogo comida fora.
Uma das coisas que diminuiu bastante o desperdício aqui em casa foi cozinhar menos comida. Parece óbvio, mas quando eu tinha 700g de carne moída, eu costumava cozinhar os 700g de carne. Se eu tinha 1 batata-doce gigante, eu usava toda a batata-doce. E aí o que acontecia? Eu ficava comendo sobras de comida a semana toda, e no fim, não queria mais comer, também achava que estava velho demais para congelar e ia direto para a lixeira.
Hoje eu faço assim, ao fazer o almoço do fim-de-semana, uso para cozinhar somente o que iremos consumir naquela refeição. Isso significa que muitas vezes uso 1/2 pimentão, 1/4 da cebola, 1/2 do pepino, e guardo o que sobrou na geladeira. E para preparar a próxima refeição, uso essas sobras de verduras e legumes para fazer uma outra receita. Assim ninguém enjoa da comida e diminui o desperdício.
Desperdício 6: Roupas
Um dos desperdícios que eu costumava ter há muitos anos era em relação ao vestuário. Eram 20 blusas pretas, 10 brancas, 50 coloridas, 10 calças jeans, diversos cintos, vários sapatos, bolsas, maquiagens… todo mês comprava alguma coisa pra mim. Até que conheci o minimalismo e passei a me conhecer melhor. Encontrei o meu equilíbrio, um guarda-roupa pequeno, mas suficiente para mim. Ao invés de comprar roupas fast-fashion, passei a escolher roupas melhores, de tecidos mais duráveis, de modelagem mais adequada ao meu corpo. E com isso, a vontade de trocar de roupa a todo momento passou. Um bom exemplo é a minha carteira, que comprei em uma loja que adoro há 8 anos. Não foi barato, mas ainda está em perfeito estado.
Desperdício 7: Luz
No início deste ano, percebi que a minha conta de luz do ano de 2018 aumentou consideravelmente, já que costumo fazer uma análise dos gastos do ano que passou. E com isso, conversamos com os integrantes da família (eu, marido, filha de 3 anos e filha de 1 ano) de que precisaríamos economizar a luz da casa. Foi uma conversa simples, de que devemos desligar as luzes do quarto que estiver vazio. E adivinhem quem deixa sempre a luz ligada? Eu e meu marido. E adivinhem quem avisa que a luz está acesa, pega o banquinho e apaga as luzes dos quartos? Minha filha de 3 anos. Ela virou a general daqui de casa, sempre nos avisa quando deixamos a luz acesa. E assim, vamos nos acostumando de desligar a luz quando saímos de um cômodo.
Desperdício 8: Água
Diferentemente da luz, que chega um boleto com o valor a ser pago mensalmente, a água já está inclusa no condomínio, então não sabemos exatamente qual é nosso consumo mensal de água. Apesar disso, sempre tentamos não desperdiçar a água. As crianças já sabem disso e ao ensaboar as mãos, peço sempre para fechar a torneira. Outra coisa que costumamos fazer é encher uma bacia e dar banho nas duas. Elas até pedem para deixar o chuveiro ligado, mas quando explico que a água é finita, e que deixar o chuveiro ligado pode acabar a água do mundo, elas compreendem e se contentam com a água da bacia.
Esses são os 8 maiores vilões do desperdício que eu encontrei.
Essa nova geração que cresceu e está entrando no mercado de trabalho, tem percebido que há uma nova modalidade de ricos:
Os ricos sem bens.
São pessoas que ao invés de ter bens e status, escolhem a segurança, mobilidade e experiências.
Isso significa que não é mais necessário ter um carro, se é possível alugar um.
Não é necessário comprar uma casa, se é possível alugar uma residência em qualquer lugar. Morar perto do trabalho se torna uma necessidade (e um luxo), e sabendo que nenhum emprego é permanente, a decisão de morar de aluguel significa ter mobilidade para mudar de bairro, de cidade, de país.
Para quê comprar uma bicicleta, se é possível aluga-lo?
E isso tem se repetido em diversos lugares, inclusive alugando eletroportáteis e ferramentas, como furadeira, aspirador de pó, etc. No fim do ano passado, eu mesma aluguei uma extratora e limpei o sofá, as poltronas e os colchões. Tudo foi entregue e retirado no maior conforto, na porta do meu prédio.
Ter bens significa ter gastos e preocupações extra.
Quando se tem uma chácara, há custos como contratação de um caseiro, manutenção das calhas, preocupação com invasores, cortar grama, podar árvores etc…
Quando se tem uma casa na praia, surgem “amigos” a todo momento querendo se hospedar sem você estar presente na casa. É preciso limpar a sujeira dos outros, além dos gastos de mobiliar mais uma casa, manutenção, pagamento de contas como condomínio, luz, gás, IPTU, limpeza etc.
Quando se te um carro de luxo, eleva-se o preço do IPVA, seguro, manutenção, além do olho gordo, preocupação com assalto etc…
Quando se tem uma casa/apartamento grande, é necessário mais esforço para mantê-lo limpo, além de pagar condomínio mais caro, IPTU, gás, consumo maior de energia, mais dinheiro para mobiliar toda a residência etc…
Roupas de grifes e jóias? Preocupações com a segurança, risco de assalto, conservação e manutenção das joias, medo de andar na rua (dependendo da cidade e bairro que mora) etc…
E com tudo isso, há pessoas que escolheram ser ricos sem bens. São pessoas aparentemente comuns, que vivem entre nós, usam roupas comuns, moram no mesmo bairro que o nosso, não ostentam, mas possui um patrimônio consideravelmente alto.
O Thomas J. Stanley retrata esta interessante perspectiva no livro O milionário mora ao lado.
Se a pessoa não se importar com status, muitas vezes é melhor escolher ser um rico sem bens, do que um rico com bens.
Para quem ainda não tem controle financeiro pessoal, o início de ano é sempre um bom momento para começar a se organizar.
Ter controle financeiro eficiente evita os gastos desnecessários, o que consequentemente aumenta o valor a ser poupado e investido por mês, possibilitando a concretização dos sonhos sem tanto sacrifício.
Há pelo menos 5 anos eu uso o gerenciador financeiro chamado Minhas Economias, que funciona muito bem como um aplicativo de celular, mas permite o acesso também pelo computador.
Eu organizo todos os gastos mensais, desde o salário que entra, até o pão que compro na padaria.
Como eu e meu marido organizamos as finanças da família de forma conjunta, nós compartilhamos o mesmo login e senha para que tudo fique sincronizado no nosso celular.
saúde: farmácia, dentista, remédios, plano de saúde
transporte: uber, táxi, ônibus, metrô
educação: cursos, livros
manutenção da casa: consertos, reposição
vestuário
gastos gerais
investimentos
entre outros
No final do mês, o aplicativo cria um gráfico em pizza com as grandes categorias que eu criei: casa, alimentação, lazer, saúde, transporte, investimentos etc e com isso consigo visualizar de uma forma muito fácil qual é o meu custo de vida e quanto gasto em cada categoria.
Essa imagem, eu peguei do próprio site Minhas Economias para vocês poderem ter uma ideia de como é no site, o layout está um pouco desatualizado, mas tudo bem, é mais para ter uma noção.
Ele é bem fácil de usar e não troco esse gerenciador por nenhum outro.
Todo fim de ano eu gero o relatório detalhado dos meus gastos do ano inteiro para calcular a minha inflação pessoal. Sim, enquanto o IPCA de 2018 ficou em 3.86%, o meu IPCA pessoal ficou em 23%.
Essa é a grande vantagem de anotar todos os gastos mensais nesse aplicativo. É a possibilidade de visualizar através de gráficos e relatórios, qual foi o maior gasto anual da família. É a chance de ouro que temos de rever onde gastamos mais, onde estamos economizando demais, e fazer um ajuste fino do balancete financeiro.
No ano de 2018 por exemplo, eu e meu marido percebemos que gastamos muito no Uber, na luz e nos gastos gerais. Então concordamos que continuaremos utilizando o Uber para as nossas necessidades, mas não com tanta frequência como estávamos utilizando (tinha dias que eu tinha tanta preguiça que eu usava de 4 a 5 vezes). Luz também aumentou muito. E estamos nos esforçando para desligar a luz quando saímos de um cômodo. É uma questão de hábito que ainda estamos nos esforçando. Outra coisa que aumentou foi a categoria dos “gastos gerais”. Aqui entra todas as bugigangas que compramos e que não se encaixam nas outras categorias. Geralmente são coisas que não estamos precisando. Como este ano acabamos poupamos menos do que gostaríamos, decidimos tentar economizar nessas categorias que extrapolamos, para aumentar o valor a ser investido no ano de 2019.
Todo esse diagnóstico só foi possível, porque nós temos um controle financeiro pessoal.
Não é propaganda, estou recomendando, porque uso e gosto. Então, para quem tiver interesse, recomendo que baixe o aplicativo Minhas Economias no celular, e depois entre no site para configurar as categorias (site: Minhas Economias).
Há algumas semanas, assisti a um vídeo do GuiaInvest com esse título: Eles não querem que você enriqueça.
Assisti despretensiosamente, mas me surpreendi com o vídeo e resolvi transcrever para deixar registrado aqui no blog (fiz pequenas alterações para a leitura ficar mais fluida).
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Eles não querem que você enriqueça
Você já teve a sensação de que por mais esforço que você faça, não consegue ganhar dinheiro suficiente? Isso acontece por causa da forma como o sistema funciona.
Você pode ter o melhor salário do mundo, receber uma gorda herança, ganhar na mega-sena! Mas se não souber como administrar e proteger o seu dinheiro, vai perder tudo!
O sistema é desenhado para que as empresas e as pessoas precisem o tempo todo de dinheiro e não parem nunca de produzir. Por isso o consumismo, a cobrança social e a ostentação são muito incentivados. Isso obriga as pessoas a correrem cada vez mais atrás do dinheiro para poder consumir e se sentirem protegidas financeiramente.
Então toda vez que você trabalha e consegue juntar um dinheiro, logo vem um lançamento de um telefone novo, um carro novo, uma roupa nova, para levar justamente o que você juntou.
A intenção é bem clara: tentar te convencer a gastar todo o seu dinheiro a qualquer custo. Essa é a grande verdade, é assim que o sistema sobrevive.
Eu não estou julgando se isso é bom ou ruim para a sociedade. Estou apenas dizendo que isso pode ser ruim para você. As próprias crises servem para limpar a sociedade de empresas e pessoas fracas financeiramente. Muitas pessoas acabam ficando presas nessa roda pelo resto da vida por não ter o conhecimento sobre o dinheiro.
Todos os problemas são orquestrados por alguns membros da sociedade que não querem que você tenha dinheiro de jeito nenhum, porque quanto menos dinheiro você tiver, mais terá que obedecer aquilo que eles desejam.
Hoje você vai entender quem eles são, como eles te impedem de enriquecer, como combate-los para poder alcançar a sua liberdade financeira.
Primeiramente, vou falar sobre os bancos. Alguns bancos criam complexos esquemas para arrancar o seu dinheiro, evidentemente sem que você perceba. A intenção dos bancos é fazê-lo endividar para mantê-lo como escravo, fazendo seu dinheiro suado ir para o bolso deles todos os meses através de juros e taxas. Por isso eles odeiam que você pague as contas em dia, ou que você tenha dinheiro sobrando, ou que você se recuse a ter um cartão de crédito. Basta ter um dinheiro na conta e eles farão de tudo para colocar a mão, oferecendo todos os tipos de armadilhas. Portanto, fazer o oposto do que eles querem é a melhor atitude para quem deseja enriquecer. Jamais dependa dos bancos, assim, você não se tornará escravo deles.
Agora eu vou falar sobre alguns membros da elite.
Você já deve ter ouvido falar que menos de 0,1% dos brasileiros possuem mais de 1 milhão de reais. Existe um erro muito comum na nossa sociedade que é denegrir todos os ricos como se eles fossem algo ruim. Muitas dessas pessoas conquistaram suas riquezas por mérito próprio, poupando e combatendo o consumismo exagerado. Porém, uma outra parte conquistou a riqueza se aproveitando das pessoas menos favorecidas, como eu e você, seja por corrupção, seja por formas ilícitas, por crimes, fraudes, etc. Eu não estou falando só de políticos. Como todo dinheiro que eles ganham vem do bolso de alguém que gastou, esses membros não querem que outras pessoas enriqueçam, pois toda vez que alguém enriquece, eles perdem uma fatia do bolo do dinheiro e de poder. Portanto, enriquecer é uma forma de você combater as maçãs podres que se aproveitam do sistema.
Agora vou falar sobre a mídia. A mídia não é má por si só, mas quando usadas por indivíduos maus, pode ser uma ferramenta muito cruel. Esses membros usam sua influência de seu poder financeiro para impedir que as pessoas evoluam financeiramente. Eles fazem isso estimulando o consumismo exagerado e convencendo você a fazer o que eles querem através da televisão. Por exemplo, eles mudam a moda o tempo todo para que você sempre se sinta desatualizado. E não fazem isso só com roupas, mas também com celular, carro, viagens… Quanto mais desatualizado você se sentir, mais terá que correr atrás da roda do dinheiro para voltar a se sentir incluído pelo padrão da sociedade. Ignorar a mídia é o caminho para você se libertar das amarras, das exigências inúteis da sociedade.
Agora vamos falar sobre o governo. O governo deveria existir para facilitar a vida das pessoas da sociedade. Mas às vezes, ele mais atrapalha do que ajuda. A começar pelo conhecimento. O governo não quer que você aprenda como administrar seu dinheiro, pois quanto mais você souber rentabilizar seu dinheiro, menos você precisará trabalhar. E é por isso que a educação financeira não é ensinada na escola. Se as pessoas soubessem lidar com o dinheiro, nós nos tornaríamos um país rico e isso seria insuportável para aqueles membros da elite que dependem de escravos financeiros para sobreviver.
O governo usa diversos mecanismos para te impedir de acumular dinheiro. Um dos mecanismos é a inflação. A inflação é uma forma de corroer o poder de compra de seu dinheiro. É como um imposto escondido que você paga obrigatoriamente e nem percebe. Outro mecanismo é o próprio imposto. Toda vez que você consome algo, paga cerca de 30% sobre o preço. Ou seja, se você consumir menos e aprender a investir seu dinheiro para superar a inflação, o governo não conseguirá abocanhar a sua grana tão facilmente. O governo também usa a mídia para incentivar o consumismo exagerado, porque quanto mais as pessoas consomem, mais dinheiro ele arrecada com impostos.
É por isso que muitas coisas que parecem boas, são na verdade horríveis para a economia.
Vou dar alguns exemplos.
Os ciclistas são horríveis para a economia. Eles não compram carro, não compram gasolina, não gastam com mecânicos, não pagam seguro, não pagam estacionamento, não pagam IPVA, não trocam pneus, não pagam pedágios, ficam mais saudáveis, acabam indo menos a médicos, e portanto gastam menos remédios.
As comidas orgânicas são péssimas para a economia, porque quem as consome não fica tão doente, não assina plano de saúde, não gasta com remédios, não gasta com consultas em hospitais, não gasta com exames…
E o mais importante, quem poupa e investe também é péssimo para a economia. Quem poupa não gasta dinheiro, não incentiva o consumismo em outras pessoas, não trabalha pelo resto da vida, não sustenta bancos pagando juros e taxas, não sustenta o governo pagando excessivos impostos, não sustenta as maçãs podres da elite, não rende dinheiro para a mídia. Mas o pior de tudo é que quem poupa e investe fica livre financeiramente, podendo realizar o que quiser, sem se preocupar com nada. Isso é péssimo para a economia, porque não ajuda a roda girar.
Mas a reflexão que fica é: aquilo que é bom para a economia, pode não ser bom para você. E aquilo que é bom para você, pode não ser bom para a economia. Qual das duas opções você prefere? Deixo para você essa reflexão.
*Texto extraído do vídeo do Canal do YouTube GuiaInvest.
Aqui em casa, desde que eu e meu marido começamos a morar juntos, decidimos que todo o dinheiro que entrasse em casa seria nosso, e não meu ou dele. Isso significa que o meu salário é nosso, o salário dele é nosso, o meu vale-alimentação é nosso, o meu décimo terceiro salário é nosso, e assim por diante.
A partir do momento que nosso salário virou “proventos da família”, percebemos que não teríamos mais dinheiro individual. E aí surgiu a ideia de termos uma mesada.
Sim, mesada. Mesada na fase adulta.
Funciona da seguinte forma:
Todos os meses, quando recebemos o nosso salário no início do mês, somamos os proventos e pagamos todas as contas: conta de luz, gás, aluguel do apartamento, condomínio, plano de saúde, fatura do cartão de crédito etc. Depois, cada um separa uma parte para os gastos do celular, transporte (no caso, metrô) e finalmente, a mesada. O que sobra na conta, é tudo destinado aos nossos investimentos.
Na prática, é assim: meu marido recebe o salário, separa a parte que lhe cabe (celular, transporte e mesada) e transfere tudo para mim. Eu pago todas as nossas contas, separo o que é meu (celular, transporte e mesada) e transfiro tudo para os nossos investimentos. É bem prático e fácil.
Essa mesada, que é uma porção bem pequena do nosso salário, pode ser gasto no que a gente quiser.
Meu marido é o que fica mais feliz com a mesada. Fala com um brilho nos olhos e com uma emoção de que nunca na vida tinha ganhado uma mesada.
Sinto um pouquinho de vergonha quando estamos numa cafeteria e ele cisma que quer pagar pra mim, e acaba falando em voz alta e empolgante “pode deixar que eu vou pagar com a minha mesada!!!”. Afeeeee eu peço pra ele ser discreto, ninguém precisa saber que ele tem uma mesada com quase 40 anos de idade.
A nossa mesada não recebe reajustes anuais há pelo menos 4 anos, o que já virou até um desafio entre nós. Para nós, o valor está ok, não passamos vontade, nem necessidade. A decisão de não fazer reajustes no valor da mesada, é porque além de não sentirmos necessidade, temos o projeto de alcançar a independência financeira o mais rápido possível. Sabemos que quanto mais a mesada for gorda, mais futilidades iremos comprar (entenda como futilidade, coisas que não estamos precisando).
Como nós somos bem frugais, o mais incrível é que sobra mesada. E aí acabamos gastando na pipoca que a nossa filha quer comer na rua, num almoço com amigos, nos passeios de fins-de-semana com a família. Meu marido adora pastel e chama os amigos para almoçar pastel toda semana. Já eu, gosto de passear na 25 de março e ficar comprando quinquilharias e matéria-prima para fazer artesanatos.
Claro, às vezes queremos comprar coisas um pouco mais caras que a mesada do mês não supre. Nesses casos, ou pagamos com o “dinheiro da casa” e fica como um presente, ou parcelamos para que a compra caiba no orçamento da mesada.
Tem sido muito bom cada um ter um dinheiro livre para gastar, sem ter que ficar dando satisfação ao outro. Nós temos consciência de que esse sistema de mesada é o que tem nos proporcionado a oportunidade de fazer investimentos volumosos todos os meses.
Apesar de gostar de economizar, também gosto de gastar bem, principalmente onde gasto bastante parte do meu tempo.
Geralmente, quando compro algo, costumo avaliar quanto tempo usaria aquele determinado item por dia.
Na minha cabeça, funciona da seguinte forma: não compensa comprar algo caro, se sei que vou usar somente algumas vezes por semana ou por mês.
Gosto de comprar coisas de qualidade e de conforto para os itens onde gasto tempo da minha vida.
Alguns itens onde gasto um pouco mais em prol do conforto:
Cama
Das 24 horas por dia, quanto tempo passamos dormindo na cama? 6 horas? 8 horas? São muitas horas por dia. Ao invés de comprar um colchão “maomeno”, prefiro comprar um de qualidade, principalmente porque alguns colchões possuem durabilidade superior a 10 anos.
Celular
Quanto tempo passamos olhando para o celular? Eu confesso que passo bastante tempo. Não só navegando na internet, mas principalmente porque toda a minha rotina de organização está dentro do meu celular. Eu uso a agenda, o bloco de notas, listas, aplicativos que me auxiliam nas finanças pessoais, aplicativos de bancos, tudo sincronizado e organizado para não me perder. Ouço audiobooks e assisto conteúdos para meu aprimoramento pessoal no YouTube. Então prefiro ter um celular de minha preferência, mesmo que o valor seja um pouco mais elevado. Outro dia uma colega insinuou que meu celular era muito caro. E eu perguntei para ela quantas vezes ela já tinha trocado o celular nos últimos 5 anos? Duas, três vezes? Eu não troquei nenhuma vez. Funciona perfeitamente e pretendo ficar com ele por mais alguns anos. Agora, se fizer os cálculos, quem está gastando mais no celular, eu ou ela? Tenho certeza que não sou eu.
Sapato
Sapato é uma coisa que eu parei de economizar. Na verdade, durante anos da minha vida, como minha mãe não tinha dinheiro, eu usava muito sapato ganhado. Quem usou ou usa roupas doadas sabe que tamanho é a última coisa que a gente pode reclamar. Ou seja, apesar do meu pé ser do tamanho 36, eu usava 35, 37 e até 38. E isso machucava demais o meu pé. Depois que comecei a ganhar o meu próprio salário, passei a comprar sapatos confortáveis que possuem um preço justo. Como não tenho zilhões de pares de sapatos, gosto de comprar os que considero bonitos e confortáveis.
Fogão, frigideira, etc.
Fogão é outra coisa que eu não economizo. Durante anos, usei aqueles fogões mais baratos, onde a chama do fogo era bem irregular. Nem sei quantas vezes a chama do forno havia se apagado sem eu perceber, enquanto estava assando um bolo. Também passei a usar frigideiras boas, e essa combinação frigideira vs fogão é tudo de bom. É uma das coisas, que se bem cuidada, duram mais de 10 anos.
Sofá
Outra coisa que me deixa feliz é quando sento no meu sofá. Antes, eu tinha um sofá de 2 lugares, pequeno, que era suficiente só para mim. Depois meu marido chegou, casei, e o sofá pequeno continuou entre nós durante muitos anos. Quando a minha primeira filha nasceu, o sofá ainda estava lá, mas já achávamos pequeno demais. Hoje temos um sofá bem grande, que cabe 4 pessoas lindamente (na verdade dá para sentar umas 6 pessoas). Fofo como deve ser, grande e confortável, vai durar muitos e muitos anos.
Eletrônicos
Costumo comprar eletrônicos como televisão, computador, bateria, de marca reconhecida. Essa semana um colega estava falando que acabou queimando um celular novinho, porque tinha comprado uma bateria recarregável de marca duvidosa. Além de ter perdido dinheiro com a bateria que não funciona, queimou o celular. Duplo prejuízo.
Esses são os itens que eu definitivamente não gosto de economizar. Em todos os outros lugares, eu penso duas vezes antes de gastar demais.
Quando meu pai morreu ainda jovem, tudo ficou muito difícil para a minha mãe. Ela, que até então era dona de casa, teve que aprender uma nova profissão para sustentar a família e criar as suas 3 filhas de 1, 3 (eu) e 5 anos.
Há várias lições que ela ensinou. Dentre as mais notáveis, são elas:
1.) Não ter vergonha do passado
Em um período muito difícil, logo após o falecimento do meu pai, minha mãe não tinha dinheiro para comprar comida. Meu pai morreu de leucemia, e minha mãe tinha gastado todo o dinheiro de suas economias tentando salvá-lo. Sim, teve uma época que para ela foi bem complicado. Ela pegava os alimentos que eram descartados na feira, próprios para consumo, mas não apresentáveis para venda. Tanto eu como ela, temos orgulho do nosso passado difícil. As dificuldades que enfrentamos é o que gera o sentimento de gratidão pelas pequenas coisas.
2.) Saber que nada dura para sempre
Nada dura para sempre. Nem as coisas boas, nem as coisas ruins. Ela sabia disso. E usou essa frase como um mantra para se reerguer.
3.) Não é feio passar necessidade: feio é viver ostentando hoje para depois passar necessidade no futuro
Minha mãe conheceu diversas pessoas com uma renda considerável, mas que se endividaram depois de alguns anos. Ela conheceu pessoas que tiveram que sair do apartamento de alto padrão que moravam, porque as empresas que possuíam decretaram falência. Ela sempre explicou a importância de poupar uma parte do nosso dinheiro para os períodos de vaca magra. A vida é feita de ciclos e da mesma forma que há períodos de fartura, há períodos difíceis. Não é SE um dia acontecer, mas QUANDO acontecer. Por isso, para ela era tão importante poupar para se preparar para o dia incerto de amanhã.
4.) Me ensinou a importância de poupar através da dor (já que pelo amor eu não aprendia)
Na época da faculdade, minha mãe depositava dinheiro na minha conta todos os meses. Como eu estudava no interior de São Paulo, o dinheiro deveria (teoricamente) servir para me alimentar durante o mês, pagar a pensão, o transporte, material escolar, passagem de ida e volta para visitá-la, e ainda sobrar para poupar. Deveria… mas eu gastava tudo. E toda vez que o dinheiro faltava, eu ligava para ela pedindo para depositar mais um pouquinho. Foi assim durante 3 anos. Até que em um mês fatídico, ela falou que não iria mais depositar o dinheiro, porque estava cansada de falar todos os meses para eu poupar e desligou o telefone. Meu Deus! Naquele mês, vivi todos os dias com muita emoção! Como eu iria me alimentar? Tive que vender minhas roupas, meus eletrônicos, vendi tudo que foi possível. Passei cerca de 2 semanas comendo só arroz e pão, que eram as únicas coisas que eu conseguia comprar. Depois desse susto, eu aprendi a importância de guardar dinheiro e nunca mais parei. Valeu a pena heim, mãe! rs
5.) Não faça dívidas. Nunca!
Isso significa viver com o dinheiro que temos. Mesmo na fase difícil, onde nós fomos transferidas de uma escola privada para pública (e permanecemos até o colegial), mesmo quando meu tio insistiu em pagar as mensalidades de nós 3 para que continuássemos na mesma escola, minha mãe não quis viver com o dinheiro que não era dela, nem fazer dívidas. Resolveu baixar (e muito!) o padrão de vida de acordo com o que era possível. Como na época, o possível era o impossível, significou vivermos com muito, muito pouco.
6.) Pense na aposentadoria
Quando ela era mais nova, olhava para as pessoas que tinham uma vida confortável e sempre pensava “será que um dia vou conseguir chegar a ter esse estilo de vida?”. Depois de algumas décadas, a vida pregou uma peça e muitas das pessoas que viviam de forma confortável, atualmente, estão passando necessidade. E a minha mãe, que sempre foi econômica e disciplinada, hoje vive uma vida confortável.
7.) Tenha várias rendas
Mesmo sem completar o estudo, minha mãe soube praticar isso. Ela possui diversas rendas como o INSS, a previdência privada, o aluguel de imóvel, etc.
8.) Não depender de alguém para fazer as suas próprias coisas
Nem sei se ela lembra dessa história. Quando eu tinha uns 6 anos, lembro que o pneu do nosso carro tinha furado. Um homem muito gentil, vendo uma mãe com 3 filhas pequenas, se ofereceu para trocar o pneu. Só que ela, muito teimosa, não deixou. O homem comentou “sua mãe é bem orgulhosa heim”, e ela pediu para entrarmos no carro imediatamente. Já dentro do carro, explicou o motivo: “não dependa de alguém para fazer as suas próprias coisas”.
9.) Não subestime a outra pessoa pela aparência
Outro exemplo interessante é que minha mãe conheceu um catador de papelão que morava em um apartamento de luxo. Ele trocava de roupa na hora de trabalhar, ou seja, usava roupas surradas para puxar seu carreto. As pessoas achavam que ele passava necessidade, mas na verdade, ele tinha uma vida muito confortável. A lição é nunca julgar as pessoas pela aparência.
10.) O poder da criatividade
Durante muitos anos, eu vi a minha mãe trazendo móveis da rua, jogados no lixo. Ela trazia os móveis, lixava, pintava, literalmente transformava o móvel sujo e esquisito em um móvel digno para se colocar no centro da sala de estar. Vi uma porta velha se transformar na nossa mesa de estudo e também em uma mesa de ping-pong, vi o tampo de uma mesa redonda se transformar em um aparador meia lua para o hall de entrada.
Por não querer mais morar em um prédio mal cuidado, decidiu que iria ser síndica e transformou o lugar: criou vagas de garagem para carros, antes inexistentes, criou um jardim, dividiu o hall em entrada e de serviço, reformou elevadores, trocou as janelas e a fachada do prédio, além de melhorias invisíveis como reforma da caixa d’água entre outros.
Por ela não ter dinheiro, aprendia olhando o serviço dos outros. Foi assim que aprendeu a pintar paredes, usar a furadeira, instalar armários, trocar chuveiro, consertar pequenos problemas elétricos, costurar etc. Com criatividade e boa vontade, dá para conseguir muita coisa.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir. ~ Cora Coralina ~
Existe uma forma muito bacana de economizar dinheiro sem sofrer: substituindo as despesas.
Há diversas formas como podem ser conferidos a seguir:
1.) Substituir a TV a cabo por Netflix:
Ao invés de continuar assinando a TV a cabo, e não ter tempo para assistir nem 1 centésimo do que ele oferecia, cancelei e assinei a Netflix. Economia de R$1.470 ao ano.
2.) Substituir o plano de saúde atual por um plano um pouco inferior:
Estou tentando há alguns meses, mas o plano de saúde está me dando um chá de cadeira. A minha intenção é permanecer com o mesmo plano, só que escolher o plano enfermaria. Economia de R$4.224 ao ano.
3.) Substituir marcas dos produtos do supermercado:
Esse eu já tinha até comentado em um post, de que o leite de coco do supermercado Dia é fabricado pela Sococo. Experimentar marcas novas pode te surpreender. Economia de R$2.400 ao ano.
4.) Substituir plano de celular pós-pago para um pré-pago ou plano controle:
Dependendo do uso do celular, nem compensa ter um plano pós-pago. Eu e meu marido, temos internet em casa e no trabalho (inclusive wi-fi no celular). O único momento em que ficamos sem internet: 1.) eu: enquanto estou no metrô, o que pra mim é ótimo porque uso esse tempo para ler livros. 2.) marido: enquanto está andando de bicicleta. Economia de R$720 ao ano.
5.) Substituir roupas de marca por roupas de departamentos:
Eu sempre gostei de andar pelos bairros populares de São Paulo. Aprendi desde cedo a comprar roupas legais em lojas de departamentos e de rua, como o Bom Retiro e Brás, ao invés de fazer as compras em shoppings. Economia de R$1200 ao ano.
6.) Escolher restaurantes mais em conta:
Ao invés de almoçar em um restaurante caro, já pensou em almoçar em um restaurante um pouco mais barato, ou até mesmo levar almoço para o trabalho? Eu e meu marido levamos marmita todos os dias ao trabalho e escolhemos alguns dias do mês para comermos fora. Economia de R$7.200 ao ano.
7.) Trocar a academia grande por uma intermediária ou até mesmo substituir o plano:
Hoje em dia a gente consegue encontrar academias com planos bem acessíveis. Eu já paguei uma academia que tinha mensalidade de R$350, atualmente, há academias por R$70, R$90 reais. Economia de R$3.120 ao ano.
8.) Ao invés de fazer uma viagem de R$3 mil, R$5 mil, fazer uma viagem mais barata aproveitando as promoções:
As passagens de avião, quando compradas com antecedência e fora de temporada, costumam ser bem mais acessíveis do que se compradas em cima da hora. Há várias promoções em sites de compras coletivas que valem a pena acompanhar. Economia de R$2.000 ao ano.
9.) Comprar frutas da estação:
Ao invés de comprar frutas fora da estação, passar a comprar frutas da estação que além de mais saborosas, são mais baratas. Economia de R$480 ao ano.
10.) Ao invés de andar de táxi todas as vezes que precisar, usar mais o transporte público:
Eu até que ando bastante de Uber quando vou passear aos fins de semana, mas durante a semana, economizo usando o metrô para buscar minha filha na creche. Economia de R$1.200 ao ano.
11.) Fazer portabilidade do banco para economizar nas tarifas:
É possível fazer a portabilidade mesmo se receber salário de um outro banco. Eu por exemplo, recebo o salário pelo Banco do Brasil, mas fiz portabilidade para o Itaú, e de quebra ainda consegui o iConta, a conta digital do Itaú, que infelizmente não existe mais. Então além de não pagar nenhuma taxa mensal, não pago para fazer DOC, TED etc. Meu marido fez a mesma coisa. Economia de R$1296 ao ano.
12.) Ao invés de comprar brinquedos em lojas grandes como Ri Happy, PBkids, comprar em lojas como a Armarinhos Fernando (25 de março, em São Paulo):
Sério, com isso compra-se o mesmíssimo brinquedo, por um valor de 10 a 40% mais barato. Economia de R$400 ao ano.
13.) Ao invés de comprar itens de papelaria em papelarias grandes ou de bairro, comprar em lojas como a Armarinhos Fernando (de novo, é que essa loja vende quase tudo):
Essa semana comprei cadernos de desenho com a Peppa Pig na capa, na Armarinhos Fernando e paguei R$4,99. Me surpreendi quando vi o mesmo caderno sendo vendido por R$24,99 nas Lojas Americanas. Compro tintas, pincéis, canetas, lápis de cor, massinha de modelar, livros para pintar etc. Economia de R$720 ao ano.
14.) Ao invés de comprar frutas, legumes e verduras no supermercado, comprar na feira:
Todo mundo sabe como conseguimos preços interessantes na feira. Além da mercadoria ser mais fresca, os preços são bem atrativos. Economia de R$720 ao ano.
15.) Se sempre vai em um salão para cortar cabelo por um determinado preço, que tal procurar outras opções pelo bairro?
16.) Se tiver um carro de grande porte que consume mais gasolina, além dos gastos mais elevados do seguro e IPVA, substituir por um carro de menor porte.
Ideias não faltam. São pequenas ações que se somadas, dá um valor considerável por ano.
Veja o meu caso, somente nesses exemplos que eu lembrei, dá uma economia anual de R$27.150.
A parte interessante é que como não há corte e sim uma redução ou troca, muitas vezes nem sentimos que os serviços foram reduzidos, partindo da premissa de que não estavam sendo utilizados no seu potencial máximo.
É desta forma que eu tenho conseguido economizar todos os meses, mesmo com a alta da inflação e sem aumento salarial por anos.
Não sei como foram para as pessoas que estão caminhando nesta jornada para a Independência Financeira, mas para mim, tudo começou graças ao minimalismo.
Quando eu estava cansada de tanto excessos, de acompanhar as redes de “mentiras” sociais, eu quis focar em mim, descobrir o que era realmente importante. Tinha passado por um divórcio, que apesar de ter sido de forma amigável, me marcou muito, já que o pedido de divórcio não havia partido de mim.
Queria cuidar melhor de mim, a escolher melhor o que eu queria para a minha vida. Mas afinal, o que eu realmente queria mesmo? Foi difícil partir do zero, descobrir que eu não me conhecia o suficiente.
Foi quando o minimalismo entrou na minha vida.
Passei a escolher melhor o que eu queria. Não sabia por onde começar, então comecei pelo guarda-roupa abarrotado que deu lugar a poucas roupas de qualidade. Uma sapateira abarrotada deu lugar a poucos sapatos, mas confortáveis.
O minimalismo não se resume a roupas, é verdade! Mas não posso negar que o guarda-roupa é um bom lugar para começar a se conhecer melhor.
O conceito máximo do minimalismo é: foque no que é essencial e elimine o resto. Eu realmente passei a fazer isso. Depois de eliminar roupas e sapatos, parti para os objetos de decoração, eletrônicos, cozinha, banheiro… Depois, comecei a me distanciar das pessoas que não me procuravam, das pessoas que me faziam sentir pra baixo, passei a jogar fora alguns sentimentos ruins.
O dinheiro começou a sobrar por 2 causas:
Quando parei de me importar com opinião de pessoas que não eram importantes
Quando parei de comprar coisas que não tinham valor para mim
Não foi por ter parado de fazer compras que o dinheiro começou a sobrar. Foi porque não sentia mais necessidade de preencher um vazio dentro de mim, fazendo compras sem sentido.
Mujica diz que quando compramos coisas desnecessárias, gasta-se tempo de vida. Pude compreender que o Tempo escorre pelos dedos das nossas mãos quando compramos coisas que não são importantes para nós, já que gastamos tempo de vida para conseguir dinheiro.
Passei a questionar o estilo de vida que nos é imposto: “trabalhe mais, compre mais, mostre para os outros, tome mais remédios, finja que está feliz”.
Eu não conseguia entender como os outros se conformavam de uma forma tão fácil.
Entendi que desde que nascemos, não aprendemos a questionar, então não sabemos como tomar iniciativa. Ao invés disso, aprendemos a reclamar e culpar os outros pelas coisas que não dão certo na nossa vida.
Nesse momento, entrei em uma crise solitária, me sentia sozinha no mundo, comecei a questionar o motivo de termos que trabalhar tanto tempo fora de casa, de termos tão pouco tempo para o lazer…
Por mais que as pessoas dissessem “eu também sinto isso”, não percebia esse desespero por parte dessas pessoas. Para elas, a vida estava ruim, mas estava tudo bem também.
O minimalismo me fez sentir leve como há tempos não sentia. Ao mesmo tempo que eu me sentia livre do consumismo, livre de pessoas negativas, livre para ser eu mesma, eu ainda me sentia presa. Algo me incomodava.
A ficha caiu na minha licença-maternidade. Esse “algo” que me incomodava, é que eu não era livre como acreditava ser. Eu não podia acompanhar minha mãe no médico, não podia faltar no trabalho para ficar com minhas filhas nas férias escolares, não podia ficar descansando em casa em dias que eu tinha crise de enxaqueca. Eu era uma escrava do sistema moderno:
Pronto, a peça do quebra-cabeça estava completa.
A peça que faltava para que a minha liberdade pudesse ser reconquistada (ou conquistada, já que não sei se um dia já fui livre), foi descobrir o termo Independência Financeira, tão difundido nos EUA (FIRE – Financial Independence Retire Early).
A figura abaixo mostra o que geralmente acontece na nossa vida. Quando jovem, temos tempo e energia, mas não temos dinheiro. Na fase adulta, temos dinheiro e energia, mas não temos tempo. E na terceira idade, temos tempo e dinheiro (alguns nem isso), mas não temos energia.
E como podemos ter essas 3 coisas simultaneamente?
Alcançando a independência financeira.
No mundo das finanças, dizemos que uma pessoa alcançou a independência financeira quando esta, tem dinheiro suficiente para viver de renda, ou seja, não possui mais necessidade de trabalhar por dinheiro.
A independência financeira era a peça que faltava para fechar o ciclo de liberdade da minha vida.
Preciso ser sincera… não foram esses livros que mudaram a minha forma de pensar. Foram um “multi-combo de várias coisas”… os livros de auto-ajuda que sempre li (e que as pessoas torcem o nariz rs), os vídeos sobre motivação, o fato de eu sempre ter sido uma pessoa otimista, o meu marido que sempre acreditou no meu potencial, e nas centenas de livros sobre diversos assuntos que li.
Sim, eu sou dessas que lê livros no metrô, no ponto de ônibus, dentro do elevador, na fila do supermercado, no consultório médico, antes de dormir. E entre tantas linhas lidas, acabei absorvendo muita coisa boa, mesmo quando o livro não era tão bom.
Então essa lista de livros, não é uma lista estática, podem ter muitos outros livros e até mesmo textos de blogs que me transformaram, mas é uma tentativa de mostrar o que eu ando lendo:
Quantas vezes já lemos nos jornais e nas principais revistas de finanças de que precisamos poupar 10% do nosso salário?
Sinto te informar, mas esses 10% mensais poupados, só trará uma única certeza: da necessidade de trabalhar a vida inteira para conseguir se aposentar por conta própria. Ou melhor, precisará trabalhar por 51 anos (ou até mais, se comprar uma casa ou um carro) para conseguir alcançar a independência financeira (quando os rendimentos recebidos dos investimentos forem suficientes para cobrir os gastos mensais).
Se um jovem, na melhor das hipóteses, começar a trabalhar aos 22 anos de idade, uma idade em que geralmente está se formando na faculdade, isso significa que só conseguirá alcançar a independência financeira aos 73 anos de idade.
Esse ‘número mágico’ dos 10% em que é insistentemente publicado em todas as mídias e repetida de forma vazia por toda a população, tem um grande preço: se tornar um escravo pagador de contas.
No site do AA40, há uma tabela que mostra os anos que precisamos trabalhar conforme a porcentagem que poupamos:
Quando eu digo que vivo com cerca de 50% do nosso salário, significa que aposentaremos em pouco menos de 17 anos (como eu já iniciei essa jornada há alguns anos, agora falta bem menos tempo). Quando comento isso entre os amigos e colegas, a maioria das pessoas são céticas e alguns até acham que eu estou postergando meu prazer de viver.
O que eles não entendem é que eu vivo muito bem e não postergo nada. Só que ao invés de viver em um padrão de vida superior e de luxos (que sinceramente, não acho necessário), preferi escolher o minimalismo como base da minha vida.
Para quem não sabe o que é o minimalismo, em uma frase curta, significa dar prioridade ao que é importante e eliminar todo o resto. Ou seja, por que eu daria prioridade para o que não é importante na minha vida? Quando as pessoas falam que eu estou postergando a minha vida por ser econômica, eu só consigo compreender essa fala dessa forma: “por que você não gasta em coisas que não são importantes para você, só para rasgar dinheiro, assim como eu faço?”
Muitos preferem viver como vivem, gastando de forma irresponsável por décadas. Eu preferi seguir meu estilo de vida minimalista por 15 anos e me tornar livre financeiramente. Se eu viver até os 90 anos, significa que serei livre por 40 anos, além de permitir que minhas filhas também sejam livres e suas próximas gerações.
Esse estilo de vida não é por falta de opção, é por pura e simples opção de viver bem. Reconhecemos esse estilo como nosso estilo e não sentimos que estamos fazendo esforço ou passando vontade. Só gostamos das coisas simples.
Isso tudo só é possível porque descobrimos a nossa suficiência. Para quem tiver dúvidas em relação a suficiência, escrevi estes posts há algum tempo:
Outro dia recebi um comentário muito pertinente de uma leitora que estava preocupada por achar que eu não vivia uma vida confortável, vivendo sempre no limite.
Isso me chamou atenção, porque por mais que eu já tenha escrito em vários posts que eu não tenho as coisas porque não preciso, talvez isso ainda não esteja claro o suficiente.
A maioria das pessoas que eu conheço, não possuem um propósito de vida, ou não sabem o que querem da vida. Eu mesma ainda estou em busca do meu propósito de vida, mas sei o que quero. Quando se vive por viver, não avaliamos como gastamos nosso tempo e como utilizamos a nossa energia vital. Talvez por isso passamos tanto tempo de nossas vidas vagando em lojas, shoppings, usando nosso precioso tempo consumindo, comprando coisas sem precisar, sem questionar, somente porque todos estão fazendo o mesmo, ou porque não tem outra coisa mais interessante para fazer.
Vejamos o meu caso. Eu moro a 1 quadra do metrô e trabalho a uma distância de 5 estações do metrô. Demoro 20 minutos da porta de casa até a porta do meu trabalho. Perto de casa (e quando falo perto, é perto mesmo, tipo 1 quadra ou no máximo 2 quadras) tem 3 supermercados, 2 padarias, 2 farmácias, 2 hospitais, açougue, floricultura, doceria, restaurantes, cafeterias, lotéricas, agências bancárias… Nos fins de semana, por morar perto de metrô, tenho mobilidade para sair para os principais pontos turísticos de São Paulo. Praticamente todos os lugares que gosto de frequentar está a 10 minutos de metrô ou a 10 reais de Uber.
Dada a explicação, vamos analisar o meu caso com muita sinceridade. Vocês acham que eu preciso de um carro? Pra que eu teria um carro? Pra deixar parado na garagem? Pra sofrer depreciação, para preocupar em ligar o motor para não arriar a bateria? Para lavar o carro, não esquecer de pagar os boletos do IPVA, do seguro obrigatório, etc?
Esse exemplo do carro, é apenas para ilustrar 1 exemplo do que acontece na minha vida. A mesma coisa acontece com o apartamento em que vivo, com as roupas que eu tenho, com eletrodomésticos que comprei, e com todo o meu estilo de vida. Eu realmente avalio se aquilo é necessário.
Quando algumas pessoas dizem que pareço que eu vivo no limite é porque não me conhecem de verdade. Quantas pessoas vocês conhecem que já viajou por praticamente todos os Estados do Brasil? Eu e meu marido, juntos, conhecemos os EUA, França, Holanda, Grécia, Japão, Canadá, Itália, Argentina, Alemanha, Chile, Bolívia, Espanha.
A diferença entre as pessoas que “parecem viver melhor” e eu, é que eu não gasto em coisas que não acho necessário (e também não mostro e não falo para os outros).
É diferente de não gastar. Eu gasto sim, só que gasto bem. Gasto em coisas que eu acho importante. E isso acaba gerando muitos julgamentos:
Como assim ela consegue viajar todo ano para o exterior e eu não, se recebemos o mesmo salário e ela ainda tem 2 filhas?
Como ela consegue viver sem ter um carro, já que é uma necessidade de “todos”?
Como assim ela usa transporte público se ela tem um cargo de diretora?
Como assim, ela leva marmita para o trabalho?
Como assim, ela pinta a própria casa, usa furadeira e monta os próprios móveis?
Tudo isso são julgamentos infundados. São diversos os conceitos errados que ouvimos por aí: de que quem poupa posterga a vida. De que mulher não sabe consertar elétrica e hidráulica. De que diretor tem que vir trabalhar de carrão e almoçar em lugares caros.
Já contei essa história aqui, mas uma colega que não me via há muitos anos perguntou se eu tinha carro, e quando eu respondi que não, ela falou “ai credo, como você é pobre”. E eu só ri, e nem quis explicar nada. Para essas pessoas, eu não perco tempo explicando.
Apesar de eu ter certeza que eu tinha a conta bancária infinitamente mais gorda que a dela, tive a confirmação de que ela media a riqueza de forma diferente da minha: ela faz a avaliação da riqueza pelas coisas externas, enquanto eu faço avaliação da riqueza pelas coisas internas.
Para muitas pessoas, é “coisa de pobre” não ter experiências caras, não frequentar restaurantes estrelados do Guia Michelin, não fazer viagens internacionais e conhecer os principais pontos turísticos (como assim foi para Paris e não subiu na Torre Eiffel?), não ter um carro, um imóvel próprio…
Para mim, ser rica é ter mobilidade em uma cidade caótica como São Paulo. É poder morar em um bairro seguro que me permite fazer tudo a pé. Ser rica é poder chegar em casa mais cedo (por não ficar presa no trânsito), preparar um jantar para a família e ainda sobrar tempo para dar banho nas minhas filhas e ler um livro antes de dormir.
Ser rica é ter um marido que se sente satisfeito com a vida que tem e ainda agradece por eu ter aberto os olhos dele dessa vida vazia de consumismo. É ter tempo para costurar uma casa de tecido para as minhas filhas em um fim de semana qualquer, só para ter o prazer de vê-las brincando.
É uma pena que a maioria das pessoas enxergam apenas a riqueza externa e são felizes apenas quando tem experiências caras. Para essas pessoas, o sucesso é vinculado com bens materiais.
A riqueza interna não traz status, nem olhar de inveja dos outros, nem admiração. É uma vida simples, sem fogos de artifícios.
Essa vida, infelizmente, não serve para a maioria, pois não tem brilho e é “insistentemente sem graça”.
Algumas pessoas, no meio do caminho, entendem que a maior riqueza da vida são coisas que não envolvem dinheiro.
Apesar de muitas pessoas falarem que pagar aluguel é jogar dinheiro fora, essa “verdade absoluta” não é tão verdadeira assim.
Ter um imóvel envolve várias questões. Além de ser o sonho de muitos brasileiros, ter um imóvel dá a sensação de segurança, de acolhimento, de poder, de status.
Só que para todo esse discurso de comprar um imóvel próprio, há 2 pontos invisíveis:
1.) Imóvel próprio não é investimento. É um bem de consumo
Quando compramos um imóvel para morar, ele não pode ser considerado como investimento, e sim, como bem de consumo. Muitas pessoas não concordam com esse pensamento, porque já foram induzidas pelas construtoras, pelos bancos, pelas financiadoras, pelas empresas, de que imóvel próprio é investimento, da mesma forma que acreditam que carro é investimento. Como diz Robert Kiyosaki, tudo o que tira dinheiro do nosso bolso, não é um ativo, e sim, um passivo. O mesmo imóvel pode se tornar um ativo, se ele estiver alugado. Um carro pode se tornar um ativo, se ele gerar renda, como por exemplo, para um motorista de Uber.
2.) Imóvel financiado não é seu, é do banco
Apesar do banco insistir que imóvel é um investimento muito bom que você faz para sua vida, na verdade, é uma dívida que você assume para a sua vida (e que gera renda para o banco). Enquanto a pessoa não quitar o apartamento, o imóvel ficará no nome do banco. Fique alguns meses sem pagar o financiamento para ter certeza de quem é o imóvel.
Só para esclarecer, não há certo ou errado, são apenas decisões.
Eu, por exemplo, decidi viver de aluguel e investir a diferença.
Não vou repetir aqui o conteúdo, mas é sabido que já existem vários posts de sites e blogs que provam (em números) que vale a pena viver de aluguel.
Eu já tive um apartamento e pasmem, como dava dor de cabeça. Era reunião do condomínio, infiltração no andar de baixo, infiltração do andar de cima, picuinha de condôminos.
A melhor coisa que eu fiz, foi vender o apartamento e ir morar de aluguel, feliz da vida, livre, leve e solta.
Ter investido o dinheiro do meu imóvel em aplicações rentáveis e morar de aluguel me possibilitou novas escolhas:
não estou amarrada em lugar algum, posso simplesmente entregar o apartamento e sair daqui se não gostar mais do bairro ou da cidade, ou até mesmo do país.
se eu mudar de emprego, posso facilmente mudar de apartamento, facilitando a minha locomoção. É esse estilo de vida que me permite viver de forma extremamente confortável mesmo não tendo carro, já que moro a 1 quadra do metrô.
hoje as minhas filhas moram comigo, então convém morar em um apartamento de 2 dormitórios. Quando elas saírem de casa, talvez a ideia seja morar em um apartamento menor.
Não ter um imóvel significa ter mobilidade (mudar de bairro, de cidade) e flexibilidade (morar em um apartamento de 2 dormitórios, depois 1 dormitório), e de quebra como não fico comprando-vendendo-comprando imóveis, economizo em taxas e impostos.
invisto o valor do imóvel em aplicações rentáveis, pago o meu aluguel e ainda sobra para reinvestir.
Muitos casais, quando casam, decidem que comprar um imóvel será a melhor decisão. Como pretendem aumentar a família, compram um apartamento grande para a sua necessidade atual, de 3 dormitórios. Só que:
é raro encontrar um casal no início de sua juventude ter dinheiro suficiente para comprar um imóvel à vista. Geralmente fazem uma dívida, ou seja, um financiamento de 20, 30 anos.
escolhem um local distante do trabalho, já que bairros bons possuem um preço inacessível.
a dívida diminui pouco mês a mês, mesmo pagando o boleto em dia. No final, percebe (ou nem percebe) que se somasse os valores de todas as parcelas, teria tido de 2 a 3 imóveis, só não teve porque não teve paciência para esperar.
com uma dívida enorme, o casal já virou um escravo pagador de contas.
terá medo de perder o emprego, de mudar de emprego por causa da dívida.
Tem gente que fala que só consegue ter um apartamento, se tiver um boleto para pagar. Para essas pessoas, infelizmente, o imóvel custará muito caro. Esse será o preço a pagar pelo descontrole financeiro.
É fato que morar de aluguel é barato (do ponto de vista financeiro). Um apartamento de R$200.000,00 por exemplo, o aluguel sai na média de R$1000,00, variando um pouco para cima ou um pouco para baixo. Eu por exemplo, moro em um apartamento todo reformado, piso laminado, 2 banheiros, vaga de garagem (que eu alugo para meu vizinho) e pago em torno de 0,35% do valor do imóvel.
Tenho um amigo que acabou de comprar um apartamento financiado. Foi uma decisão que ele tomou. Agora ele vai começar a juntar dinheiro do zero. Ou seja, nunca vai sentir a felicidade que sinto de ver o dinheiro multiplicar. Estamos em lados diferentes, ele paga juros, eu recebo juros.
Se um dia ele ficar desempregado, perceberá que o apartamento que ele diz todo orgulhoso que é dele, nunca foi seu. Era do banco.
Viver de aluguel só é vantajoso quando pagamos o aluguel e investimos a diferença.
Há 4 artigos que explicam a questão matemática. Se estiver pensando em comprar um imóvel, leia antes e tome a sua própria decisão:
Desde 2010 eu e meu marido começamos a investir pesado, pensando na nossa independência financeira.
De todas as dicas possíveis, há 10 que eu acho extremamente importante para quem tem um objetivo de vida igual ao meu.
1. Não ter posses
Não ter posses me possibilita ser livre: posso ir para qualquer cidade, morar em qualquer bairro.
Não ter posses me possibilita economizar: não tenho apartamento (não preciso reformar, consertar infiltrações), nem carro (IPVA, seguro, gasolina, depreciação), nem moto, ou seja, não tenho gastos.
2. Ser minimalista
Tenho tudo o que preciso. Não preciso ter 20 bolsas, 20 sapatos, 20 calças. Ser minimalista é ter o essencial e eliminar tudo o que não é importante. Ser minimalista me possibilitou viver com o que é importante e não sentir falta do resto.
3. Ser frugal
Apesar de ser muito similar a ser minimalista, há diferenças sutis. Ser frugal é ter a qualidade de poupador, econômico, prudente no uso dos recursos de consumo como alimentos, tempo ou dinheiro, e evitando desperdício, esbanjamento ou extravagância (Wiki).
4. Não se comparar com o outro
Pouco me interessa se o salário de um amigo é maior que o meu, se moram em um bairro melhor, se moram em um apartamento próprio e eu não, se ganham joias no aniversário de casamento e eu chinelo. Prefiro me aposentar mais cedo do que ter 10 anéis de brilhante no meu dedo e ser uma escrava do sistema.
5. Não ter redes sociais
Instagram, Facebook, Snapchat e outros que nem conheço. Me pergunto por qual motivo eu perderia o tempo precioso da minha vida olhando a vida dos outros (muitas vezes que nem é uma vida de verdade)?
6. Aumentar o aporte a cada ano
Mesmo não ganhando aumento anual, mesmo tendo 2 filhas pequenas, mesmo meu marido não tendo emprego fixo, a cada ano, nosso aporte aumenta.
7. Reduzir custos
Esforçar para reduzir custos todos os meses. A todo momento avalio meus gastos para ver se há algum ralo aberto, algum gasto desnecessário. Não sou contra gastar, só gosto de gastar bem o meu dinheiro.
8. Aprender a investir
Estudar. Estudar. Estudar. E estudar mais um pouco.
9. Reinvestir
Reinvestir aluguéis, juros sobre capital, dividendos, rendimentos, restituição do imposto de renda, nota fiscal paulista, Méliuz, qualquer pingo que entrar na conta.
10. Baixe seu padrão de vida
Aprendi cedo a sempre viver abaixo do padrão. Isso significa que eu pinto as paredes do meu apartamento, monto os móveis que compro, faço minhas próprias unhas, instalo cortina, levo marmita para o trabalho, uso transporte público, etc.
Não pensem que eu passo necessidade. Longe disso. Eu não gasto para impressionar outras pessoas. Eu aprendi a reconhecer o que é importante para mim e o que não é.
Uma leitora perguntou se eu utilizo cartão de crédito.
Sim, uso e gosto muito.
Mas já aviso que cartão de crédito é bom para quem já está com as finanças em dia, para quem já sabe quanto recebe e quanto gasta por mês, ou seja, para quem está com as contas em dia.
Se a pessoa ainda não chegou nessa fase, melhor nem chegar perto de um cartão de crédito, é preciso fazer a lição de casa antes. Caso contrário, poderá contrair uma dívida tão grande por causa dos juros rotativos que será muito difícil sair do vermelho.
DICAS PARA USAR O CARTÃO DE CRÉDITO FORMA EFICIENTE
1.) Anote todos os gastos feitos no cartão de crédito
Eu uso o aplicativo de celular Minhas Economias. Toda vez que eu compro algo no meu cartão de crédito, anoto no aplicativo para não perder o controle. Eu gosto de anotar sempre no dia 30 do mês atual. Por exemplo, se compro algo no dia 2, eu anoto no aplicativo no dia 30. Se compro algo no dia 15, anoto no dia 30. E assim sucessivamente. Desta forma, quando fecha a fatura, sei que todos os gastos do dia 30 refere-se à gastos do cartão de crédito.
2.) Use cartão de crédito sem anuidade
Há diversos cartões sem anuidade disponíveis no mercado. Eu uso o Nubank. A partir de agora, vou falar das vantagens do Nubank, ele é o meu queridinho.
3.) Faça parcelamento das compras sem juros
O Nubank possui esta vantagem: parcelar as compras sem juros e depois permite antecipar o pagamento total no aplicativo. Com isso, ganho de 5 a 7% de desconto em cima do valor total da compra.
4.) Aproveite os pontos do cartão de crédito
O Nubank possui o Nubank Rewards. Paga-se R$170,00 por ano e acumula-se pontos (pontos que nunca expiram). Para quem tem gastos no cartão de crédito acima de R$1.600, compensa. Além de possibilitar apagar (isso mesmo, apagar) gastos como Uber ou Netflix mensalmente, também permite apagar gastos em hotéis e passagens de avião.
5.) Concentre os gastos em um único cartão
Eu e meu marido possuímos o Nubank, mas já combinamos que gastos grandes são feitos no meu cartão de crédito para acelerar o acúmulo dos pontos.
6.) Aproveite os combos Meliuz + Nubank Rewards
O Meliuz é um site que tem sistema cashback, ou seja, devolvem uma parte do dinheiro gasto. Por exemplo, comprei uma bicicleta para a minha filha, paguei R$200 no Ponto Frio pelo Meliuz. Ele me retornará 5% do valor gasto. Faço o pagamento utilizando meu Nubank, e como o Ponto Frio me permite dividir em até 12x sem juros, faço o parcelamento. Depois entro no Nubank e antecipo todas as parcelas, ganhando mais 5 a 7% de desconto. Então na verdade a bicicleta não custou R$200. Custou R$176. Nada mal.
Com isso já deu para perceber que eu concentro todos os meus gastos no cartão de crédito, desde compras pequenas de padaria e docerias até compras grandes de móveis e eletrodomésticos.
Com a inflação em alta, o nosso dinheiro tem valido cada vez menos. Uma forma de contornar essa situação é fechar a torneira para conter desperdícios.
Eu andei fazendo uma análise da minha situação para ver se tinha algum dinheiro dormindo em casa e descobri o seguinte:
ALIMENTAÇÃO
Desperdiçar comida é a mesma coisa que rasgar dinheiro. Uma das formas para não desperdiçar comida é esvaziar bem a despensa antes de repor os estoques. Na prática funciona assim:
1ª semana: despensa cheia, geladeira cheia: receitas diferentes para o jantar.
2ª e 3ª semana: despensa em uso, repondo alguns produtos da geladeira principalmente verduras, frutas e legumes
4ª semana: é a semana da criatividade. É nesta semana que o desperdício é eliminado utilizando tudo o que temos na despensa e geladeira, antes de fazer uma nova compra do mês no supermercado. Por exemplo: se não tiver ovo nem farinha de rosca para empanar um bife, uso maionese e queijo ralado. Se não tiver carne suficiente para todos, eu faço espetinho de carne com bastante legumes.
SUPERMERCADO
Ignorar a comparação dos preços dos produtos em supermercados diferentes pode fazer uma diferença considerável no fim do mês. Por várias vezes vi preços de produtos que dobravam de valor nos supermercados pesquisados.
INTERNET
De tempos em tempos eu costumo entrar no site da empresa que comercializa planos de internet. Na última vez, percebi que havia um plano de 15MB sendo comercializado por um valor menor do que o meu plano, que era de 10MB. Liguei no 0800 e solicitei a alteração do meu plano. Além de pagar mais barato, a velocidade da minha internet melhorou.
MOEDAS INTERNACIONAIS
Quando voltamos de viagens internacionais, meu marido tem o costume de guardar as notas (para uma nova eventual viagem) ao invés de trocar por Real nas casas de câmbio. E eu percebi que tínhamos euro, dólar americano e dólar canadense guardados na gaveta há anos. Como não temos previsão para viajar, eu vendi.
OBJETOS EM DESUSO
Eu costumava comprar muitos livros quando era mais nova. Mas conforme os livros foram ocupando um espaço considerável da casa, eu passei a comprar livros digitais. Atualmente, a maioria dos meus livros já estão no formato digital, então não via mais sentido em ver meus livros pegando poeira nas estantes. Um ótimo jeito de desapegar das coisas é na OLX. Eu já vendi bicicleta, cabeceira de cama, aspirador de pó, livros…
ÁGUA E LUZ
Passei a dar banho na minha filha de chuveiro ao invés de encher a banheira. O tempo do chuveiro ligado reduziu e consequentemente a conta de luz abaixou.
São pequenos exemplos de como podemos economizar fazendo uma simples análise das nossas atitudes do dia-a-dia.
E você? Tem dinheiro dormindo por aí? Já pensou em acordá-lo?
Devo estar nostálgica… É o terceiro post seguido que comento sobre meu ex-marido.
Mas é por uma boa causa, vou explicar como a gente se organizava financeiramente.
Quando casei pela primeira vez, por uma sugestão minha, eu e meu ex-marido dividíamos as contas de uma forma muito democrática. Ele ganhava 60% dos nossos rendimentos somados, e eu 40%. Ele pagava 60% das contas e eu pagava 40%.
Só que com o tempo, parecia que morávamos em uma república, já que tudo era muito meticulosamente dividido. Conheço muitos casais que dão certo fazendo isso, mas para mim, não deu muito certo.
Já com o meu atual marido, decidi fazer diferente.
Meu marido é muito econômico, daqueles que anda 20 km de bicicleta, para na frente da sorveteria pingando de suor, passa vontade, mas não compra o sorvete. Quando fico sabendo dessas histórias, eu sempre pergunto o motivo dele não ter comprado. “Compra! Não passe vontade!” E a resposta dele é que como ele passou necessidade financeira durante muitos anos, acabou se acostumando a não comprar, diz que nem percebe quando tem esses comportamentos de racionamento.
Por ele ser assim (mãozinha fechada), as nossas finanças são organizadas de uma forma muito fácil.
1.) Soma-se nossos salários.
2.) Paga-se todas as contas.
3.) Cada um pega uma parte (chamamos carinhosamente de mesada).
4.) Poupamos o restante.
Eu sou CLT, meu marido não tem carteira assinada. Eu recebo vale alimentação, vale refeição, 13º salário, adiantamento de férias. Ele não. Mas aqui em casa a regra é: quando entra dinheiro na conta de um, o dinheiro vira nosso.
Não temos competição, nem orgulho de quem ganha mais que quem. Hoje meu salário pode ser maior que o dele, amanhã, o salário dele pode ser maior que o meu. Tanto faz.
Como tudo é “nosso”, nos empenhamos em economizar juntos, porque a economia de um, vira a economia dos dois. Quando um quer gastar em algo mais caro, sentamos ao redor da mesa e conversamos sobre prioridades.
Não recomendo esse tipo de divisão para todos os casais, pois há casais em que um gasta mais, ou que tem um hobby mais caro.
Para mim e para o meu marido, tem funcionado muito bem.
Sentimos mais cumplicidade, pois um acaba policiando o outro nos gastos, nos esforçamos para alcançar as metas de uma forma mais rápida, além de termos mais clareza e transparência nos gastos.
E se um ficar desempregado? Tudo bem, acontece. E se um ganhar mais que o outro? Que legal, parabéns, alcançaremos a nossa meta mais rápido. E assim vamos levando a vida de uma forma leve.
Aqui em casa até as finanças se tornou minimalista.
Se há alguns anos era possível fazer uma compra semanal por R$50,00, hoje esse valor não enche nem uma geladeira.
Para tentar manter a mesma quantidade e qualidade dos itens que compro, comecei a tomar algumas atitudes para não apertar tanto o orçamento:
1.) Eu basicamente faço 1 compra grande no início do mês. É quando reponho a minha despensa com farinha, açúcar, arroz, feijão… Para isso, eu comparo preços em 2 supermercados perto de casa. A diferença de preço às vezes é assustadora, já percebi que não há um padrão, às vezes o requeijão pode estar barato no mercado x, e na outra semana, o mesmo requeijão estar barato no mercado y. Como o supermercado é caminho para mim, eu entro, anoto os preços e já vou para o segundo. Compro tudo o que está mais barato, e na volta passo no outro supermercado para comprar o restante dos itens. Às vezes o produto pode custar até 100% mais caro como foi o caso da essência de baunilha. Em um custando R$4,50 e no outro inacreditáveis R$8,50.
2.) Para as compras semanais (verduras e frutas), eu prefiro ir na feira. Além de achar os produtos de melhor qualidade, consigo preço melhor.
3.) Antes de ir no supermercado ou feira, gosto de olhar o que tem na geladeira para não comprar coisas duplicadas.
4.) Compro legumes e frutas da estação. Além de estarem mais saborosas, o preço é mais atrativo.
5.) Meu marido recebe pelo e-mails as promoções da semana dos supermercados próximo de casa. Sempre conseguimos promoções que valem muito a pena.
6.) Quando há aquelas promoções imperdíveis, fazemos estoque de produtos como leite em caixa, sabonete, papel higiênico.
7.) Alguns supermercados mandam cupons pelo correio. Quando recebo, tomo cuidado para não passar da validade da promoção.
8.) Eu separo os lugares onde faço as compras: frutas e verduras na feira, carnes no açougue e o restante no supermercado.
9.) Compro somente o necessário para o consumo da semana para evitar desperdício.
10.) Tento jogar o mínimo de comida no lixo. Misturo talos de espinafre na massa da panqueca, sementes de tomate no molho de tomate, sementes de abóbora viram petiscos assados, uso quase tudo com casca (cenoura, batata, etc).
11.) Não ter preconceito das marcas próprias do supermercado. Perto de casa tem um supermercado Dia que eu vou com frequência. Sabia que o leite de coco do supermercado Dia é produzido pela Sococo? Que o “nutella” do Dia é produzido pela mesma empresa italiana Nutkao que produz para a marca francesa Casino? Que o chocolate amargo do Dia é importado da França? Que o chocolate em pó do Dia é melhor que o chocolate “do padre” da Nestlé (e o preço é 55% menor)? Pois é.
Chocolate em pó solúvel: Dia (R$5,00) vs Nestlé (R$13,80)
Leite de coco: Dia (R$3,00) vs Sococo (R$4,80)
Chocolate em barra: Dia (R$5,00) vs Casino (R$9,80)
Creme de avelã (nutella): Dia (R$7,00) vs Casino (R$16,00)
12.) Logo que saio do mercado, já confiro os preços na nota fiscal. Já peguei muitos preços principalmente da promoção, com preço sem desconto. Peço para estornar meu dinheiro. Por incrível que pareça, isso é muito-muito-muito recorrente. Outro dia comprei um iogurte por R$3,99, mas passou por R$6,50 no caixa, mais de 60% de diferença no preço.
13.) O freezer é o meu amigo (e o forno também rs). Se a fruta está amadurecendo rápido, faço um sorbet. Se percebo que não dou conta de comer todo o queijo e presunto, congelo para depois usar em algum outro prato. Eu ralo queijo e congelo. Aproveito para congelar o soro do iogurte para hidratar o feijão, guardo caldo de frango, peixe e carne para fazer ensopados. Quando compro temperos frescos como salsinha, cebolinha, alecrim e tomilho, eu já lavo, seco, pico e congelo. Assim não desperdiço nada.
14.) Reaproveito a receita de um prato para fazer novos pratos. Almôndegas vira recheio de panqueca. Molho branco vira recheio de batata assada.
15.) Levo marmita para o trabalho ao invés de comer na rua.
16.) A cada dia, me esforço para aprender a cozinhar mais… eu faço iogurte grego, minhas queridas granolas, meu amado pão, pretzels, os deliciosos cookies, esfiha, batata rosti, etc.
17.) Se faço pão, aproveito para usar todo o fermento biológico, e asso 2 pães de uma vez. Além de evitar que o fermento estrague, economizo no gás, já que asso os 2 de uma vez.
18.) Analiso o preço dos pacotes dos produtos usando como referências as gramas. Por exemplo: eu comprava caixa de chá preto de 25g que contém 15 saquinhos por R$4,50. Mas passei a comprar um pacote de chá preto de 300g que não vem em saquinhos por R$5,50. Ou seja, antes eu pagava R$4,50 por 25g, hoje pago R$0,45.
19.) No fim do mês, tento cozinhar usando tudo o que tiver na geladeira, usando a criatividade. É uma forma de limpar a despensa e a geladeira.
Essas foram as dicas que eu uso aqui em casa. Espero que tenham gostado.
Outro dia, conversando com as minhas amigas, percebi como eu não gasto dinheiro. Falei até orgulhosa para o meu marido, que ele deveria se orgulhar de mim (cof cof), já que sou uma mulher que não dá tantos gastos assim.
Eu aprendi a fazer as minhas unhas em casa, a limpar a minha pele. Eu aprendi a fazer colares, pulseiras e brincos, aprendi a fazer artesanatos. Aprendi a fazer pequenos reparos nas roupas, a incluir a limpeza da casa na rotina do dia-a-dia, a lavar roupa durante a semana, preparar comida no dia anterior para levar marmita ao trabalho. Eu aprendi a trocar o chuveiro, trocar lâmpadas, usar a furadeira, colocar prateleiras, pintar as paredes, consertar pequenas trincas, vazamento de torneiras. Eu aprendi a plantar temperos em casa. Eu aprendi a fazer pequenos móveis como uma mesa de escritório e uma mesa lateral para o sofá.
Talvez no Brasil temos o costume de terceirizar tudo pela mão-de-obra “ser barata”?.
Eu tenho muito carinho pelo dinheiro suado que recebo 1 vez por mês. E apesar de não me importar em gastar, não gosto de gastar mal o meu dinheiro. Por isso avalio muito bem antes de comprar ou contratar algum serviço. Tem que valer muito a pena.
Você sabe quanto vale a sua hora trabalhada?
Vamos considerar que uma pessoa recebe R$1.000,00 (líquido) todos os meses. Divida o salário por 22 (dias) para descobrir quanto recebe por dia. Depois divida por 8 (horas) para descobrir o valor da hora trabalhada.
No exemplo acima daria:
R$1.000,00 / 22 = R$45,45 (valor que recebe por dia trabalhado)
R$45,45 / 8 = R$5,68 (valor que recebe por hora trabalhada)
Uma pessoa que recebe R$1.000,00 que quer comprar um celular de última geração, terá que trabalhar 704 horas para conseguir pagar um celular de R$4.000,00… será que vale a pena?
Depois que aprendi a pensar desta forma, parei de comprar sapatos a R$250,00. Hoje calço sapatilhas que custam 20% desse valor e que cumprem a mesma função.
Muitas das coisas que eu aprendi, foi assistindo vídeos no YouTube. Você vai se surpreender como poderá economizar, aprendendo a fazer coisas que antes eram impensáveis.
Com a nova reforma da previdência chegando, a possibilidade de pessoas como eu, na faixa dos 30 anos, se aposentar aos 65, 70, 75 anos será inevitável.
Eu não me oponho a trabalhar, mas eu não quero trabalhar até os 75 anos por obrigação, principalmente porque não sei como estarei, se terei forças físicas e mentais para aguentar uma jornada de 8 horas todos os dias.
Eu quero sim trabalhar até ficar velhinha se eu estiver bem de saúde, saudável, disponível. Talvez possa diminuir a minha jornada de trabalho, ou até quem sabe, ter a possibilidade de parar de trabalhar para ficar mais perto dos netos, mas tudo é muito hipotético ainda.
Durante a minha licença-maternidade, em 2015, minha ficha caiu de que sim, era possível aposentar antes dos 60 anos.
E com essa ficha nas mãos, eu e meu marido traçamos um objetivo de vida: nos aposentar daqui a 15 anos. Ou seja, me planejo aposentar aos 51 anos e meu marido aos 53.
Não queremos nos aposentar para parar de trabalhar e ficar sem fazer nada. Queremos nos aposentar para dedicar naquilo que gostamos, no que acreditamos, queremos nos descobrir, nos redescobrir.
Você pode até pensar “ué, por que não faz hoje o que gosta, ao invés de esperar a aposentadoria?”
É que o que nós queremos fazer não dá dinheiro, e agora com a minha família crescendo, tenho medo de chutar o pau da barraca, largar o meu emprego estável para depois não conseguir pagar as contas no final do mês, principalmente porque o emprego do meu marido é instável demais.
Por isso resolvi dar um passo de cada vez. A vida é muito longa e na minha cabeça, dará para fazer tudo no tempo certo.
Vivemos o Hoje com intensidade, mas lembrando que o Amanhã um dia chegará.
Para que este plano dê certo, gosto sempre de ilustrar com este exemplo: um sonho, um futuro, uma meta é como se fosse uma ilha paradisíaca pra mim. Só que eu estou do lado de cá da ilha. Para atravessar, eu preciso construir uma ponte. E aí entra a pergunta que faço sempre: “o que estou fazendo HOJE para construir esta ponte que vai possibilitar a minha travessia AMANHÃ?”
Eu já comecei a construir e atravessar uma parte desta ponte. Para quem quer colocar os planos em ação, no início deste ano eu escrevi um post “a diferença entre Sonho e Meta” que vale a pena ser lido.
Para os descrentes, nos vemos daqui a 15 anos, do outro lado da ilha, quando eu completar 51 anos. 😉
Uma longa viagem começa com um único passo – Lao Tzu
Esses dias fui passear no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. Não conhecia, apesar de ter sido inaugurado em 2015, nunca tinha tido curiosidade de conhecer. Só que tive um curso quase ao lado desse shopping, e como uma espécie de curiosidade, resolvi entrar.
Gente, o que é aquilo? Eu me assustei demais com os preços.
Tudo bem, sei que eu não sou rica, mas também não acho que recebo um salário ruim para ter me assustado tanto com os preços. Talvez porque eu perdi o costume de passear em shoppings, então pode ser que eu esteja desatualizada com os preços “normais” de shopping… mas pensem comigo, é normal pagar R$480,00 por um vestido de verão?
Sandalinhas rasteiras a R$280,00?
Entrei numa loja de brinquedos e a maioria estava tudo na faixa dos 99. Ou seja, R$299,00; R$399,00; R$499,00. Quando vi um brinquedo por R$599,00 eu resolvi ir embora para casa, porque foi demais pra mim.
E entendi porque meu salário rende tanto. Porque eu sei que o mesmo dinheiro pode ser utilizado de outras formas. Sei que há produtos de qualidade superior que o preço acompanha a qualidade. Mas também há muitos casos em que o preço não acompanha a qualidade, onde somente a marca é famosa e traz status.
Se eu consigo achar vestidos bonitos por R$80,00, porque eu pagaria um que custa R$480,00 e que cumpre exatamente a mesma função?
Antes eu achava normal pagar R$300,00 (o casal) em um restaurante, até eu pagar este valor em um restaurante bem famoso que possui menu único (e cá entre nós, nem achei tãaaao gostoso assim), e vi o absurdo que eu tinha feito com o meu suado dinheiro.
E desde então, eu e meu marido começamos a repensar de que forma temos gasto o nosso dinheiro.
Ao invés de pagar R$80,00 por uma pizza delivery, pagamos R$40,00 por uma igualmente boa (só tivemos que pesquisar por mais tempo).
Ao invés de comer em food truck’s, comer em pé e pagar R$120,00, começamos a procurar lugares bons e baratos para comer. Outro dia encontramos uma lanchonete que não dávamos nada, pedimos 4 esfihas deliciosas, 2 jarras de suco de melancia perfeitas e pagamos R$27,00.
Até para comprar verduras, frutas e ovos começamos a ir numa outra feira. Ao invés de pagar R$9,80 pela dúzia do ovo, passei a pagar R$3,80.
Outro dia, eu até pensei em levar minha filha e meu sobrinho no Aquário de São Paulo. Mas quando descobri o preço, eu decidi não ir. Custa R$80,00 adulto e R$50,00 infantil (de 3 a 12 anos) e eu gastaria R$210,00 de entrada (2 adultos, 1 criança e 1 bebê não pagante), fora o metrô e o táxi. Definitivamente não vale a pena para mim. Só que eu não desisti de ir no aquário. Minha família é de Santos, e também tem um aquário lá e o ingresso custa R$5,00 adulto e entrada gratuita para menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Para fazer praticamente o mesmo tipo de passeio, ao invés de pagar R$210,00, eu pagaria R$10,00. Ah, tem um aquário bem pequeno também no Parque da Água Branca (São Paulo). Para uma criança que não tem nem 2 anos, e não consegue ficar por muito tempo concentrada, achei ótimo pagar R$3,00.
É disso que estou falando. Pra mim e para o meu marido, procurar estes tipos de locais virou a nossa diversão.
E assim eu vejo meu salário se esticando e sobrando cada vez mais.
Eu chamo isso de gastar bem o dinheiro. É saber valorizar o TEMPO que eu dei para a minha empresa em troca de um salário.
Desde que minha filha completou 1 ano, eu tenho tido muita vontade de viajar, mas logo descobri estar grávida do segundo filho (aliás, é meninaaaa!!!!) e optei por não sair de São Paulo até a data do parto pelo medo da Zika Vírus.
Ao mesmo tempo, sentia uma necessidade de viajar para descansar, antes da minha segunda filha nascer.
Como surgiu um dia de folga no trabalho, resolvemos experimentar o Day Use de um hotel.
Basicamente, você pode usar toda a infraestrutura disponível do hotel, como piscina, sauna, quadras de esportes, academia por um preço mais em conta. Há opções, inclusive, de hospedagem.
Quando liguei no hotel para perguntar como funcionava este serviço, a atendente me falou para entrar no site do Hotel Quando, pois nesse site, seria possível fazer a reserva do quarto por horas (3 horas, 6 horas, 9 horas, 12 horas), ficando mais barato para a nossa necessidade.
Eu reservei das 9h às 15h, num total de 6 horas.
Chegamos no hotel às 9h, e aproveitamos para tomar um belo de um café da manhã no hotel, descansamos bastante, esticamos nossas pernas na cobertura onde havia piscina, e almoçamos bem (café-da-manhã e almoço não estavam inclusos). O tempo passou bem rápido, mas foi muito gostoso. Meu marido que no início estava todo receoso, no final adorou. Até falou que deveríamos ir pelo menos mais duas vezes antes da bebê nascer.
Nós tínhamos a opção de descansar em casa, claro. Mas se ficássemos em casa, acabaríamos lavando roupa, limpando a casa, navegar na internet e perderíamos a oportunidade de descansar pra valer.
Então para vocês que querem descansar, mas não dá tempo para sair da cidade, há uma opção: utilizar os serviços de um Hotel Day Use.
Todo ano, algumas revistas da área de finanças publicam na capa: “Quanto custa um filho?”, “Um filho pode custar mais de 2 milhões de reais” etc. E daí você vai pensando que com o seu salário será impossível criar um filho, imagina dois filhos? Três filhos então é sinal de insanidade mental, de não dar oportunidades melhores para o filho, enfim…
Quando penso em filhos, eu não penso no dinheiro. Eu não decidi a quantidade de filhos que quero baseado na minha conta bancária. Decidi a quantidade pelo meu coração. E foi a partir disso que a conta (bancária) foi fechando. Se pensasse somente no dinheiro, não teria tido nenhum. Para mim, filho não entra na matemática financeira, porque não é assim que funciona.
Não dá para falar que um filho irá custar 1 milhão, 2 milhões, 10 milhões. Ou que não vai custar nada. O fato dele estar vivo irá custar dinheiro, claro. Mas já parou para pensar que se ficássemos fazendo esse tipo de conta, não faríamos nada? Porque o cafezinho que tomamos na lanchonete pode custar muito em 50 anos, o ônibus que pegamos todo dia vai custar muito ao longo dos anos, aquele sorvete que tomamos com muito gosto em dias de calor também não vai sair tão barato se somarmos os gastos até o dia de nossa morte.
Pra mim a questão toda gira em torno de que tipo de valor você quer passar para o seu filho.
Dá para gastar o suficiente na criação dos seus filhos, como dá para exagerar nos gastos.
Dá para preparar um enxoval simples, ou montar o enxoval em Miami. Dá para ter filhos sim, sem carro, apesar de algumas pessoas acharem impossível. Dá para fazer festinha de aniversário em casa, ou em buffet para 100 pessoas. Dá para fazer viagens para casa da vó, ou para a Disney. Dá para reaproveitar as roupas do irmão mais velho, do primo mais velho, do filho da amiga, do filho da vizinha, como dá para andar sempre estilosa, acompanhando as últimas tendências da moda. Dá para brincar de graça em parques, ruas, pátios, bibliotecas públicas, centros culturais, como tem lugares que precisam ser pagos para brincar. Dá para brincar de aviãozinho com pedaço de papel, uma casa feita com lençóis, uma tábua improvisada que vira escorregador como também dá para ter brinquedos caríssimos e automatizados.
Então, apesar do dinheiro fazer parte da realidade, não coloque uma pedra na sua frente imaginando que só poderá ter 1 filho (se for o caso de querer ter mais) porque o dinheiro não permite. Quem sabe pensando um pouco mais, não dá para aumentar a família?
FRALDAS: Continuei usando as fraldas que ganhei no chá-de-bebê, por isso não tive gastos com fraldas por enquanto.
CADEIRINHA PORTÁTIL PARA ALIMENTAÇÃO: comprei o modelo portátil da Fisher-Price, pois minha casa é pequena. Muito bom, compacta, dá para instalar em vários tipos de cadeira. Possibilita tirar a bandeja, regular a inclinação e altura. Outro dia recebi a visita de uma criança de 3 anos que usou o cadeirão tranquilamente para almoçarmos todos juntos na mesa. Uma nova custa R$600,00. Eu comprei uma usada em ótimo estado por R$130,00.
ITENS DE SEGURANÇA PARA CASA: protetor de tomada, protetor de quina para os móveis e trava para gavetas e vaso sanitário. A minha filha é muito curiosa, e sem esses itens, achei que seria arriscado.
REMÉDIOS: como todo bebê que começa a frequentar a creche, ela já teve gripe, virose, diarréia, conjuntivite. Então comprei remédios para ela.
ROUPAS: ainda estou usando as roupas que ela ganhou.
BRINQUEDOS: outro item que ainda não estou tendo gastos. Ela brinca com uma colher, panela, potes, escova de dente, lata de leite vazia, caixa de papelão, tudo vira brinquedo para ela. O que andei comprando foram livros infantis, pois vejo que ela adora livros.
ARTIGOS DE HIGIENE: como limpo o bumbum dela com algodão molhado, compro rolos de algodão para depois cortar, sabonete e xampu, dedeira para limpar os dentinhos.
MAMADEIRA, COPO DE TREINAMENTO E POTE TÉRMICO:
SAPATO
CADEIRA PARA CARRO: a partir de 12 meses, parece que aposentamos o bebê conforto para usar outro modelo de cadeira. Eu ganhei um usado da minha prima, para instalar no carro da minha mãe.
Como vê, ainda não tive tantos gastos com a minha filha.
Outro dia estava pensando em quantas coisas deixei de comprar porque não vejo mais necessidade… E essa lista têm aumentado com o tempo. Vejam só:
1.) TV a cabo:
Gastava um bom dinheiro mensalmente na TV a cabo até que um dia caiu a ficha de que eu não assistia muita televisão. Sentava no sofá e nunca conseguia assistir nenhum programa ou filme do começo, e ficava trocando de canal em canal para tentar assistir alguma coisa do início.
2.) Assinatura de revistas:
Desde 2004, não assino mais nenhuma revista. Acesso jornais e revistas pela internet.
3.) Taxa de administração de banco:
Eles não cobram muito, é verdade. Mas se somar a taxa de administração de todos os meses do ano, mais a anuidade do cartão de crédito, dá uma soma considerável por ano. Conversei com o gerente e hoje estou isenta destas taxas.
4.) Anuidade do cartão de crédito:
Converse com o seu gerente. Também estou isenta desta anuidade.
5.) Garantia estendida:
Sempre achei que se é para um produto quebrar, ele vai quebrar antes do primeiro ano. Nunca paguei garantia estendida, pois pra mim é gastar dinheiro desnecessariamente.
6.) Garrafa de água:
Todo lugar que eu vou, levo sempre a minha garrafa de água.
7.) Jóias:
Nem sei se pode ser considerado como jóia, mas a única jóia que tenho é a aliança que meu marido me deu de casamento e um anel que minha mãe me deu de presente. Não compro jóias, é um simbolismo que não ligo.
8.) Roupa da moda:
Não acompanho a moda, tento sempre comprar roupas que tenham bom caimento para o meu corpo, independentemente da moda, como uma calça alfaiataria, uma blusa com corte sequinho, etc.
9.) Manicure:
Fui na manicure 1 vez e achei que eu faço melhor que as moças (olha a humildade da pessoa rsrs). Depois disso, eu mesma passei a fazer as unhas.
10.) Pequenos ajustes em roupas:
Vocês já estão carecas de saber que eu tenho uma máquina de costura. Não sei costurar roupas (ainda), mas pequenos ajustes eu aprendi a fazer assistindo o YouTube.
11.) Bilhete de loteria:
Eu compro os bilhetes de loteria quando estes estão muito acumulados, isso dá umas 3 vezes por ano. Não compro semanalmente, prefiro guardar o meu dinheiro.
12.) Locadora de filmes:
Como eu assino a Netflix, não alugo filmes em locadoras.
13.) Black Fraude:
Olha, até tentei acompanhar o preço de um novo notebook, pois o que eu tenho está bem velhinho, mas tenho que concordar, é uma fraude mesmo. Os preços não tiveram desconto significativo.
14.) Presentes desnecessários:
Antes eu comprava presente de aniversário para as pessoas mais próximas, mas com o tempo fui percebendo que eu dava os presentes, mas nunca ganhava presentes. Hoje, só dou presentes para a minha mãe e para a minha sogra.
15.) Lembrança de viagens:
Outra coisa que parei de comprar com o tempo. Eu tenho o costume de viajar todo ano, e no início, comprava lembrancinha para todo mundo. E essas lembrancinhas davam uma soma considerável na viagem. Parei, né?
16.) Absorvente íntimo:
Já contei aqui que eu morro de amores pelo meu coletor menstrual.
17.) Sabão em pedra e detergente:
Eu aprendi a reciclar o óleo usado para produzir sabão em pedra. Antes tinha bastante desconfiança em relação a sabão caseiro, mas depois do “teste de qualidade” do meu marido, passamos a usar sabão em pedra feito em casa. Utilizo esse mesmo sabão para lavar as louças. Faz bastante espuma e os copos e talheres ficam brilhando.
18.) Combo de produtos:
• Internet + TV a cabo + telefone = $$$$$
• Plano de celular + WhatsApp + mensagem ilimitada + bônus de R$10,00 para falar com qualquer operadora = $$$$$
Será que precisa de tudo isso mesmo? Há 2 anos, quase fiquei maluca falando no telefone para a atendente da NET porque eu queria cancelar a TV a cabo, mesmo ela explicando que valia a pena o combo, que ficaria “apenas” R$30,00 a mais. Ué, não preciso e ponto final.
19.) Alguns temperos como salsinha, cebolinha, alecrim, tomilho etc:
Como tenho a minha hortinha, quase não compro mais temperos.
20.) Canetas, lápis e caderno de anotações:
Parece mentira, mas não lembro a última vez que comprei canetas, lápis e caderno de anotações para mim. Sempre ganho em reuniões, eventos e congressos que participo.
Já foi a época em que R$100,00 enchia um carrinho de supermercado.
E para driblar os altos preços, vou compartilhar aqui as dicas que funcionaram comigo.
1. ) COMPARE PREÇOS
Essa dica é das antigas, mas vejo que realmente vale a pena. Eu achava meio complicado comparar preços porque eu sempre comprava coisas que não estava precisando. Por isso agora eu sempre levo uma lista dos itens que preciso comprar e sigo fielmente a lista. No início do mês, fiz uma compra para abastecer a minha despensa e a diferença de preço no final desta compra foi surpreendente, nada menos que R$55,00 de economia em uma única compra. Imagina como vou economizar se eu fizer o mês todo? E comecei a lembrar o que um professor havia dito para mim há alguns anos. “O supermercado quando faz promoção de pão, eleva o preço da manteiga.” E essa relação se estende em outros produtos: promoção no molho, aumenta o macarrão; promoção no carvão, eleva o preço da carne… Por isso a necessidade de passar em 2 mercados para conseguir comprar o “pão” mais barato em um mercado e a “manteiga” mais barata no outro mercado.
Na prática, eu faço assim:
Quando monto a lista de compras, já monto por ordem dos corredores me baseando no primeiro mercado (já que cada mercado tem a sua forma de colocar os produtos nas prateleiras): primeiro o corredor das verduras e frutas, depois os laticínios, itens de mercearia, produtos de limpeza, etc. Assim fica fácil anotar os preços.
Escolho 2 supermercados mais próximos da minha casa e que fica na mesma direção. Passo primeiro no mais próximo, anoto rapidamente todos os preços e já vou para o outro mercado fazer as compras. Compro somente o que está mais barato, e se tiver tempo, volto no primeiro mercado para comprar os itens restantes.
Olha como vale a pena comparar:
Se eu tivesse feito a compra somente no supermercado que sempre ia, eu teria gasto os seguintes valores (são valores reais, tá?):
Semana 1: R$162,42
Semana 2: R$41,25
Semana 3: R$117,03
Semana 4: R$299,99
Comparando os preços do jeito que eu expliquei acima, os valores abaixaram:
Semana 1: R$125,92
Semana 2: R$36,75
Semana 3: R$107,93
Semana 4: R$232,92
Ou seja, eu gastaria R$620,69 ao invés de R$503,52. Uma economia de R$117,17 em um mês. Nada mal, heim?
2. ) NÃO COMPRE CARNES NO SUPERMERCADO
Não sei se vocês compartilham da mesma opinião que eu, mas tenho achado as carnes no supermercado um absurdo de caro. Agora compro no açougue ou em lojas especializadas em carnes (como a Swift) e já compro carne para 2 meses. Percebi que sai bem mais barato do que comprar em bandejinhas.
3.) CULTIVE ALGUNS TEMPEROS
Eu tenho uma hortinha onde cultivo alguns temperos. Até tentei plantar alface, rúcula, mas dava muito trabalho. Agora tenho somente temperos que uso com bastante frequência: tomilho, alecrim, manjericão, cebolinha e salsinha. A parte boa é que desta forma, os temperos nunca murcham, já que colho no momento da preparação da comida.
4.) NÃO JOGUE COMIDA NO LIXO
A minha mãe outro dia falou que ela não produz lixo orgânico. Demos até risada desse comentário, mas a verdade é que ela consome quase tudo com a casca. E o que não come com a casca, guarda no congelador para fazer sopas, caldos, etc. Eu sempre me pergunto, qual a diferença de jogar comida no lixo e rasgar dinheiro? Nenhum, né? Para isso, o ideal é ir treinando para transformar os pratos em outros pratos, dando sempre a impressão de que não está comendo a comida de ontem. Por exemplo: a almôndega de ontem, vira macarrão com carne moída; a sobra de arroz de ontem, vira bolinho de arroz; etc.
5.) FAÇA ESTOQUES DE ALGUNS PRODUTOS
Apesar de muita gente não recomendar fazer estoques por acreditar que é dinheiro parado, eu discordo em partes. Faço estoque de itens que sempre consumo quando está na promoção. Por exemplo, sempre compro leite em torno de R$2,80. Outro dia o mesmo leite estava na promoção por R$1,70. Comprei várias caixas.
6.) NÃO COMPRAR PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS
Aprenda a cozinhar coisas gostosas. Ao invés de comprar um bolo pronto, faço um bolo. Ao invés de comprar uma torta, faço uma torta. Além de ser mais saudável, é muito mais gostoso. Para facilitar, congelo o que for possível, como molho de tomate, tortas, etc. Acho interessante “colecionar” receitas fáceis e gostosas.
7.) EXPERIMENTAR OUTRAS MARCAS
Eu gosto de experimentar marcas novas, pois se não gostar, é só voltar para a marca que gosto. E muitas vezes tenho surpresas agradáveis. Em casa a gente faz assim, como meu marido tem o paladar mais aguçado, eu vou comprando algumas marcas para ir experimentando e quando ele não gosta do sabor de alguma, ele já me avisa para que eu não compre mais daquela marca. Muitas vezes, o produto mais caro não é sinônimo do mais gostoso.
8.) QUARTA-FEIRA É DIA DE FEIRA
Alguns mercados têm os dias da semana de promoção. Acompanhe e tente conciliar a agenda.
Hoje vou falar como eu estou conseguindo guardar um pouco mais de dinheiro por mês.
1.) Economize nas coisas grandes:
Leio em várias revistas de que é muito importante contar as moedinhas, economizar no cafézinho de todo dia. Só que o esforço era tão grande para pouco retorno. Eu acho muito mais fácil economizar nas coisas grandes. Por exemplo, a economia será muito maior se a família mudar de bairro para abaixar o aluguel e condomínio, ou trocar o plano de celular pós-pago para um pré-pago, ou quando houver reajuste de salário, poupar a diferença recebida.
2.) Abra mão do carro. Se precisar, ande de táxi:
Para quem tem carro, essa é bem difícil. Sei disso porque já tive carro. Mas acho que é um dos itens que mais dá para economizar (leia o post – compensa ter um carro ou andar de transporte público?). Eu separo todo mês um dinheirinho para mim e para o meu marido andarmos de táxi, mas nunca precisamos usar a cota toda.
3.) Converse com seu gerente, tire as taxas de administração, a anuidade do cartão de crédito, taxa de carregamento:
Os bancos são campeões em cobrar taxas… Um real aqui, dois reais ali, e no final do ano, acabam por descontar um valor considerável da nossa conta. Converse com seu gerente e negocie.
4.) Tenha um celular pré-pago:
Eu já tive um celular pós-pago, e foi um horror para o meu bolso. Controlava os minutos para não ultrapassar a cota do plano, mas todos os meses a operadora de celular cobrava valores que eu não sabia onde tinha gastado. Depois que troquei para pré-pago, tudo ficou bem.
5.) Avalie se compensa ter TV a cabo:
Outro item que eu já tive em casa, mas percebi que o valor cobrado era alto demais para o pouco tempo que estava assistindo. Hoje, assinamos a Netflix.
6.) Evite terceirizar serviços:
Limpe a casa, faça as suas próprias unhas, hidrate seus cabelos, aprenda a consertar chuveiro… Hoje em dia, há vários vídeos no Youtube que ensinam como fazer as coisas. Isso inclui também sobre colocar a responsabilidade de gerenciar o seu dinheiro para o gerente do banco.
7.) Leve marmita ao trabalho:
Além de ser muito mais saudável (menos gordura e sódio), é uma ótima forma de economizar dinheiro. Ao invés de almoçar todos os dias em restaurantes, reserve essas saídas para ocasiões especiais.
Esse é um item que ainda é difícil pra mim. Mas pense bem, qual a diferença de jogar comida no lixo e rasgar dinheiro?
10.) Antes de comprar, compare o preço pela internet, acompanhe oscilações dos preços:
Geralmente eu faço assim: quando eu preciso comprar alguma coisa, gosto de ir até a alguma loja física para olhar o produto pessoalmente. Olho o design, levo uma fita métrica para medir certinho o tamanho, vejo o funcionamento, converso com o vendedor e decido qual modelo quero levar. Decidido o modelo, começo a acompanhar os preços nas lojas virtuais diariamente por um período de 2 a 3 semanas, e vou anotando todas as oscilações de preço em uma folha de papel. Vocês podem até achar um exagero o que eu faço, mas se vocês soubessem como o preço sobe e desce, fariam o mesmo. Acompanhando o preço por esse período, dá para começar a perceber que tem sempre um limite de preço que o produto chega. E foi assim que eu economizei R$580,00 ao comprar a minha máquina de lavar roupa.
11.) Não tenha preconceitos de marcas que você não conhece. Experimente.
Quando fiz o meu chá-de-bebê na empresa onde trabalho, ganhei muitas fraldas, de marcas variadas. Algumas são melhores que as outras, por isso as melhores uso para sair e também para dormir, pois segura melhor o xixi, enquanto as outras que não acho tão boas, uso quando minha filha está em casa, já que posso trocar a fralda com maior frequência.
12.) Compare preços no supermercado
Sério, está valendo muito a pena fazer isso. Ontem fui no mercado e comparei o preço de 2 supermercados mais próximos de casa, olha só a diferença nos preços:
Cebola: R$4,99 e R$2,99 (diferença de R$2,00)
Limão: R$8,99 e R$3,49 (diferença de R$5,50)
Essência de baunilha: R$7,99 e R$5,69 (diferença de R$2,30)
Iogurte: R$2,92 e R$5,29 (diferença de R$2,37)
Creme de cebola: R$4,00 e R$5,49 (diferença de R$1,49)
Sabão de côco: R$4,40 e R$6,49 (diferença de R$2,09)
Deu pra ver a roubada de não comparar preços, né? Em cada compra, eu estou economizando em torno de R$30,00. E meu único trabalho é andar 1 quadra a mais.
13.) Não compare sua vida com a dos outros:
Não compare a sua vida com a dos outros, pois isso é bem complicado. Sempre existirá pessoas com mais posses que você. Ao comparar, você sempre irá querer o que o outro tem e isso não tem fim. Aprenda a ter gratidão das coisas que você já conquistou.
14.) Tenha apenas o suficiente:
Precisamos aprender e a entender o nosso limite do que é suficiente para nós, pois o que é suficiente para você pode não ser suficiente para mim. Pra mim é suficiente ter poucos esmaltes, mas para quem adora fazer as unhas, pode ser que 5 esmaltes seja pouco demais. Avalie o que é suficiente para você: bolsas, sapatos, roupas, eletrônicos, acessórios, cintos, itens de decoração, itens de cozinha, etc.
Eu não gosto de participar de muitos programas de fidelidade, simplesmente porque não consigo acumular muitos pontos.
Se não tem gastos, não há pontos para acumular, certo?
Por causa desse pequeno-grande detalhe, eu tento concentrar em alguns programas de fidelidade para não dispersar os pontos:
– Programa Mais do Supermercado Pão de Açúcar: é o mercado mais próximo de casa. A cada R$1,00 gasto, acumulo 1 ponto.
– Programa Nota Fiscal Paulista: o resgate acontece 2 vezes por ano.
– Programa Sempre Presente (pontos do cartão de crédito do Itaú): eu e o meu marido compartilhamos uma conta conjunta para concentrar nossas compras em um único cartão de crédito. O resgate varia muito de ano para ano, mas como eu já tinha pontos acumulados dos anos anteriores, transferi meus pontos para o Multiplus e troquei por um vale da Tok&Stok. Eu estava juntando os pontos para fazer uma viagem, até que descobri que a minha rotina de gastos é baixa para conseguir fazer uma viagem através de milhas, sem que os pontos expirassem antes. Sabendo disso, comecei a trocar os pontos em vale-compras.
– Multiplus: além de transformar os pontos do cartão de crédito no Multiplus, acumulo pontos comprando em farmácias conveniadas.
– Méliuz: se eu faço alguma compra no site de meu interesse (Ponto Frio, Nespresso, Americanas, Wallmart, etc) entrando primeiro no site do Méliuz, além de ganhar um desconto no momento da compra, recebo uma parte do dinheiro de volta. Quem me indicou este site foi a Bruna do Uma Vida Mais Simples. Eu adorei!
Bom, são esses os programas que tenho cadastro. Antes, eu participava de vários programas de fidelidade e os pontos ficavam dispersos e nunca conseguia juntar pontos suficiente para trocar por alguma coisa (pois a maioria dos programas possuem prazo de validade).
Depois de passar a concentrar os pontos em poucos programas de fidelidade, tenho resgatado muito mais vezes. ✌️
Essa semana fiz uma aula de 2 horas e meia de auto-maquiagem.
Sempre posterguei esse curso por achar que podia aprender muitas coisas na internet. Até que me deu um estalo e resolvi ter a aula antes de comprar qualquer outro produto.
Nesse aula (que é individual), aprendi que usava tons de batons errados, cores de sombras que não favorecem os meus olhos e que não sabia a cor exata da minha pele. Por gostar de cores frias, usava-as na maquiagem, sendo que a minha pele fica muito mais viva ao usar cores quentes.
Onde eu quero chegar com essa história toda é que ao tentar economizar na aula de auto-maquiagem, acabei comprando muitos produtos que não ficam bem em mim, gastando dinheiro à toa. Já doei vários dos batons que não gostei, várias das sombras que pareciam que meus olhos estavam inchados, etc. Se eu tivesse feito esse curso antes, saberia quais cores eu NÃO DEVERIA comprar.
Eu cozinho todos os dias e mesmo assim, sempre descubro alguma verdura, legumes estragados na geladeira.
Me sinto mal por isso, pois sei que tem muita gente passando fome nesse mundo.
Uma das formas que encontrei para diminuir o desperdício foi congelar os alimentos.
Eu não tenho muito critério para congelar, congelo tudo.
Para deixar o freezer o mais organizado possível, comprei:
– 2 caixas transparentes (antes de comprar, medi a largura e altura do espaço que eu tinha dentro do freezer)
– alguns sacos com zíper que entrasse na caixa (comprei de acordo com a largura da caixa transparente)
– 2 bibliocantos (comprei de acordo com a largura da caixa transparente)
E ficou assim:
Em uma das caixas coloco as carnes (carne moída, queijo, coxa de frango, bacon fatiado, linguiça…) e na outra caixa, as verduras e legumes (milho cozido, ervilha, cenoura, alho poró…). Assim, fica mais fácil de “recuperar” a comida no freezer.
Aqui, um exemplo de como ficam os alimentos: milho, queijo, molho de tomate e bacon. Eu sempre achato os sacos para não ocupar muito espaço.
Mais uma foto com outros alimentos (alho poró, cebolinha, salsinha e cenoura).
As caixas cabem perfeitamente na prateleira de baixo do meu freezer.
Como eu havia dito no outro post (viver com menos dinheiro) eu não sou de gastar muito. Ou melhor, gasto com as coisas que considero importante para o meu Presente e para o meu Futuro.
Minha mãe sempre ensinou a poupar e a mostrar que caminho percorrer. Contava casos de amigas que sempre tiveram uma vida estável, mas ao envelhecer, perderam tudo, pois não tinham plano de saúde, nem planejado uma aposentadoria.
Aprendi que não podemos contar com os filhos, pois é injusto jogar essa responsabilidade para eles. E se os filhos estiverem numa situação difícil também? Nunca se sabe.
Hoje, meus gastos se resumem em Necessidade + Lazer + Prevenção + Projetos Futuros. O segredo é ficar de olho para não perder os momentos legais de hoje, mas nunca perder de vista o que você quer para o seu futuro, ou seja, me planejo para ter uma vida confortável HOJE e tentar manter um padrão de vida confortável AMANHÃ.
Em alguns casos, sei que é bem difícil ajustar o salário para poder pagar um plano de saúde e uma previdência privada. Mas o que eu fiz foi o seguinte: meu salário foi melhorando aos poucos, às vezes com promoção e outras vezes somente com o reajuste anual. Mas a minha vida continuou a mesma.
Vou explicar… não passei a comprar roupas mais caras, nem comecei a frequentar restaurantes mais caros só porque meu salário aumentou. Na época vivia de aluguel, e continuei com o meu aluguel barato, nem pensei na possibilidade de mudar de lugar. Tenho internet e tv a cabo há menos de 1 ano, antes, não tinha. Apesar do meu salário ter aumentado com o tempo, o meu padrão de vida não aumentou. E com isso consegui começar a incluir alguns pagamentos que considero importantes, como a Prevenção (plano de saúde, previdência privada, gastos gerais).
Essa fórmula tem dado certo pra gente, porque tanto eu como meu marido somos poupadores. Então todo início do mês, somamos nosso salário, subtraímos todos os pagamentos, separamos nossa mesada e poupamos o resto.
Sinto que dessa forma, estamos conseguindo aproveitar o momento, fazer passeios, viajar, mas sempre de olho no futuro próximo (como a compra de um apartamento) e no futuro distante (como a nossa aposentadoria).
Depois que comprei o meu apartamento, descobri que não gasto tanto e que não preciso de muito para ser feliz.
Na verdade, quase não gasto dinheiro no meu dia-a-dia, além do supermercado.
Pago minhas contas em dia, condomínio, luz, internet, previdência privada e gasto com coisas necessárias como transporte, celular, supermercado.
Aprendi desde criança a Ser, e não Ter. Principalmente devido às circunstâncias, já que não tínhamos dinheiro para comprar brinquedos, nem roupas, nem doces. Mas sabia construir os melhores castelos com caixa de papelão, ajustava as roupas que ganhava das primas com a máquina de costura e minha mãe preparava doces deliciosos apenas misturando farinha, açúcar, ovos e margarina. Nunca tive ninguém para arrumar a minha bagunça, nem diarista, nem faxineira, nem cozinheira, muito menos passadeira.
Aprendi desde cedo a costurar roupas, pintar paredes, usar a furadeira, montar móveis, até cabelo já cortei.
Quase não preciso contratar ninguém para prestar serviços. Por exemplo, sei fazer minhas unhas melhor que a manicure, sei instalar prateleiras, pintar paredes, arrumar a tomada, trocar chuveiro, cozinhar, instalar varão de cortina, costurar, fazer bijuterias, fazer artesanato e a lista é imensa, por isso paro por aqui. Se um dia ficar desempregada, fome eu não passo rsrs.
A questão toda não é que eu nasci sabendo. Eu aprendi fazendo. E o que eu não sei, eu aprendo, pergunto pra alguém, peço pra alguém me ensinar, aprendo na internet, no youtube. E me viro pra aprender. E gosto dessa ideia de cada vez, ser mais e mais independente.
Eu que sempre morei sozinha e trabalhei desde a adolescência, tinha dificuldades em agendar com um eletricista para trocar um chuveiro queimado, por exemplo. Tenho que ligar, combinar uma data, chegar atrasada ou faltar no trabalho para receber a pessoa em casa (que muitas vezes não chega no horário), pagar e ainda limpar a sujeira que a pessoa deixa pra trás. Acho muito mais fácil aprender a fazer e consertar logo. Demora menos tempo.
E fazendo desse jeito, quando percebi, estava gastando menos dinheiro a cada dia que passava.
Com o casamento foi assim. Olhei as lembrancinhas, as decorações, mas não me conformava com o preço alto e qualidade baixa dos produtos. Pensava comigo mesma, se eu fizesse, sairia muito mais barato e muito mais bonito. E dito e feito. O casamento foi perfeito. Não poderia ter sido melhor.
Também acho muito interessante a ideia de trocar serviços. Se eu sei instalar uma prateleira, não vejo problemas em instalar para alguém e esse alguém oferecer um suco pra mim. Ou eu faço a barra da calça de alguém e esse alguém passa algumas roupas pra mim. São troca de favores sem envolver dinheiro. Dá certo também quando você tem amigos com formações profissionais diferentes: arquiteto, advogado, pedreiro, massagista, contador, pintor, cabeleireiro, webdesigner, etc.
Mas vejo que as pessoas não estão acostumadas com essa forma de pensar. Acham que é normal pagar uma pessoa para fazer um serviço que teoricamente você tem condições de fazer. Já conversei com muitos amigos, mas a maioria acha que não tem habilidades que possam ser compartilhadas. Se conseguíssemos estimular as pessoas a trocarem favores, seria uma oportunidade de estreitar laços de convivência e de cultivar a solidariedade.