Independência Financeira para casais com filhos

Hoje era para publicar um outro post, mas como Sapien Livre publicou uma entrevista que eu fiz para ele sobre Independência Financeira para casais com filhos, resolvi postar aqui também.

Aliás, hoje à tarde vou conhecer pessoalmente o Sapien. Tomaremos um café. Em tempos de internet, conhecer uma pessoa que admiro, que busca igualmente ser FIRE como eu, será divertido.

Independência Financeira para casais com filhos

Por: Sapien Livre

Foto: Imagem por publicCo – Pixabay

Muitos casais que eu conheço costumam me falar que gostariam muito de buscar a independência financeira (IF), porém por serem casados e com filhos isso seria impossível.

Para provar que é possível, tenho a honra de apresentar um casal que está nesta caminhada pela IF e já poderão se aposentar (se quiserem) nos próximos cinco anos.

A Yuka é autora do site Viversempressa.com, e no formato perguntas e respostas nos dá uma verdadeira aula de como podemos buscar a independência financeira se fizermos escolhas inteligentes buscando valorizar aquilo que é importante.

1 – Com que idade começou a pensar em IF?

A IF ainda é uma coisa recente na minha vida. Tem a mesma idade que a minha filha: 4 anos. Foi por causa da minha filha que eu tive vontade de ser livre, e foi assim que descobri sobre a Independência Financeira.

2 – Sempre teve disciplina financeira?

Mais ou menos. Eu já juntava dinheiro, mas por não ter objetivos claros, gastava tudo quando surgia oportunidade. Como eu também não tinha conhecimentos sobre investimentos, rentabilidade, juros compostos, a impressão que me dá hoje é que eu não saía do lugar.

3 – Quantos anos ao total acredita que precisam para alcançar a IF?

Na minha concepção, é preciso uma média de 20 anos. Os 10 primeiros anos com aportes fortes e os 10 anos seguintes para que o tempo trabalhe a favor dos juros compostos. Eu já poupava e investia há 9 anos. Hoje, mesmo se eu zerar os aportes, a minha IF será garantida em breve, graças ao poder dos juros compostos em cima do montante já acumulado.

4 – Com que idade, de acordo com seu planejamento chegará a IF?

Na minha projeção pessimista, quando comecei a pensar na IF, a aposentadoria seria aos 50 anos. Conforme os anos e os meses vão passando, os valores e a rentabilidade são reajustados, e na minha última projeção (ainda pessimista) eu alcançaria a IF com 46 anos, ou seja, daqui a 8 anos. Mas sinceramente? Ultimamente tenho achado que alcançarei a IF daqui a 5 anos.

5 –  Teria alguma dica prática para o casal que deseja iniciar essa jornada?

Vejo muitos casais que fazem as contas isoladamente. Uma pessoa paga o condomínio, a outra as contas de luz, gás, água etc. Em outros casos, decidem pagar as contas proporcionalmente de acordo com a porcentagem do salário recebido. Ou seja, lutam isoladamente, e não como um time. Acho fundamental que unam forças, independentemente do salário recebido. Isso significa somar os salários, descontar todos os pagamentos e aportar tudo o que sobra. No meu caso, isso fez total diferença no controle dos gastos, na eficiência dos aportes, na velocidade que estamos conseguindo alcançar a IF, e consequentemente na união do casamento.

6 – Qual o seu conhecimento em investimentos? Acha que é necessário manjar muito de números para investir?

Eu sou da área de humanas, e sou péssima em números. Meu marido que é da área de exatas fala que eu sou a prova viva de que não é preciso ser expert em matemática para entender sobre investimentos. É mais um mito criado para que fiquemos dependentes dos gerentes dos bancos, analistas financeiros, etc.

7 – Qual característica/comportamento você considera ser essencial para ser um FIRE?

Acreditar que é possível ser FIRE. Eu percebo que as pessoas desistem antes mesmo de começar. Desistem sem tentar, porque simplesmente não acreditam ser possível aposentar cedo. A outra coisa que eu considero importante, é entender que quando estamos deixando de ter algo hoje, não estamos fazendo sacrifícios, e sim, escolhas, já que há uma diferença enorme entre as palavras “sacrifício” e “escolha”.

8 – Para casados e com filhos, a IF é só para quem tem alta renda?

Para quem já tem filhos, compreendo que a IF será um pouco mais demorada, pois o período de maior gasto já se iniciou. Aquela sua pergunta inicial onde respondi que dos 20 anos de jornada, os 10 primeiros anos seriam aportes fortes, eu entendo que para um casal que já tenha filhos, o aporte seria mais restrito, e consequentemente os juros compostos dos 10 anos seguintes seriam menores. O que não significa que não é possível trilhar a jornada para alcançar a independência financeira, mas o casal terá que se ajustar e fazer escolhas acertadas para que a IF seja possível.

9 – Qual a maior dificuldade na caminhada FIRE para um casal?

É fazer com que o seu parceiro acredite no seu sonho. Não é uma caminhada rápida, e sim uma longa e demorada jornada. Já faz um tempo que eu tenho ensinado investimentos e FIRE para alguns amigos. Para os casados, a primeira coisa que eu sempre falo é para nunca, nunca, nunca deixar o parceiro para trás. Ele PRECISA estar no mesmo barco que o seu, porque se isso não acontecer, a médio/longo prazo, acredito que o casamento irá acabar. Nós, que acreditamos no FIRE, sabemos que a independência financeira é uma jornada muito solitária. E esse é mais um motivo para não deixar o parceiro para trás.

10 – O que diria para casais que usam os filhos como “desculpa” para não investir?

A desculpa não é somente filhos. É o emprego chato, é o salário baixo, é o cansaço, é a falta de tempo, é não ter ninguém para incentivar… enquanto a culpa for sempre do outro, nada mudará. Há pessoas que falam que fariam o que eu faço SE tivesse um salário maior, SE tivesse mais tempo, SE os filhos fossem maiores… Só que o que funciona é trocar o SE pelo APESAR. Apesar de não ter um salário alto, vou enxugar os gastos para aumentar o aporte. APESAR de não ter tempo, vou começar a estudar mais, deixando de acessar as redes sociais. APESAR dos filhos serem pequenos, farei escolhas inteligentes para gastar menos sem eles passarem necessidades. Essa é a pequena diferença que faz total diferença.

11 – O que acredita ser o maior diferencial para seguir rumo a IF?

Ser minimalista. O minimalismo nos ensina a fazer escolhas inteligentes, já que focamos no que é essencial e eliminamos o resto. Quando passamos a focar no que é essencial, todas as coisas mais importantes passam a sobressair: família, momentos, prioridades, escolhas… Eu tenho consciência de que o fato de saber exatamente o que eu quero e o que eu não quero, ajuda a fazer escolhas melhores, compras eficientes, que consequentemente traz economia e aportes maiores.

12 – Como lida com o orçamento familiar e os naturais desejos das crianças por brinquedos  e diversão?

Em relação à diversão, eu sou meio que contra pagar por diversão. Eu cresci em Santos, brincando na areia da praia, nadando no mar, frequentando orquidários e parques gratuitos. E é isso que eu tento reproduzir, apesar de morar em São Paulo. Minhas filhas frequentam parques, praças, Sescs, centros culturais, eventos gratuitos em Shoppings, além de brincarem na areia da praia e nadar no mar quando vou para Santos.

Em relação a brinquedos, eu ensinei desde cedo que elas precisam fazer escolhas. Não pode ter todos os brinquedos, mas pode escolher 1 para o dia das crianças (mais aniversário e Natal). Só que eu compro apenas quando a data está próxima, e isso faz com que eu possa frequentar lojas de brinquedo sem estresse, pois elas sabem que irão apenas olhar e anotar mentalmente o que vão querer pedir de presente. Saber fazer escolhas é fundamental.

13 – Tem alguma pergunta que eu não fiz que gostaria que tivesse feito? ( Poderia perguntar e responder? rsrs) 

Dizem que só é possível enriquecer (ou no caso dos FIREs, tornar livre) quando empreendemos. E não é verdade. Pelo menos não é somente desta forma que se enriquece. Mesmo sendo assalariada, com carteira assinada, estou prestes a ter a minha liberdade em alguns anos. Tudo se resume a gastar menos do que recebe e investir a diferença. Não é mágica, é comprometimento. Aliás, um comprometimento de décadas, daí a importância de se divertir durante a jornada FIRE.

Olha só que incrível, um casal jovem com filhos que irá alcançar a independência financeira antes dos cinquenta anos de idade. Em um momento em que aposentadoria tradicional está virando conto de fadas ou coisa para privilegiados, mais do que nunca é importante planejar nossas finanças.

E você, ainda acredita que a Independência financeira é impossível para casais com filhos?

Link para o post original: Independência Financeira para casais com filhos

~ Yuka ~

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18 comentários em “Independência Financeira para casais com filhos

  1. Olá, Yuka.

    Parabéns pela entrevista. Um dia eu também pego esta fama para conseguir entrevistas em outros blogs também haha.

    Eu também acho que a Sinergia é essencial para atingir o objetivo entre casais ou comunidades. Se os dois (ou todos) não puxam para o mesmo lado, o grupo não anda. Simplesmente assim.

    Ainda não apostei 100% no minimalismo eu mesmo ou na minha família, mas depois de ter lido este comentário, fiquei pensando um pouco mais do valor que me traria nesta corrida até a IF. Será que é hora de praticar?

    Abraços e seguimos em frente!

    Pinguim Investidor
    https://pinguiminvestidor.com

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    • Oi Pinguim, o bom do minimalismo é que ele potencializa a IF. Como a IF é uma jornada muito longa, se a gente não utilizar o minimalismo (focar no essencial) como aliado, a tendência é ficar com a sensação de que estamos abrindo mão da nossa vida atual em detrimento de um futuro que ainda está tão longe. É como se peneirássemos a nossa vida e sobrasse somente as coisas que realmente são essenciais, e assim, gastamos dinheiro nas coisas que traz felicidade. Beijos.

      Curtido por 1 pessoa

  2. Olá, Yuka!

    Mas empreender pode encurtar muito a jornada da independência financeira e sem ter que economizar tanto. As vezes as acho que a energia que gastamos para economizar poderia ser utilizada para ganhar mais.

    Abraços!

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    • Oi Luiz, concordo total com você. O empreendedorismo realmente encurta e acelera a independência financeira. Mas também sei que não é para todos. Eu tenho interesse em um dia partir para o empreendedorismo, mas não agora. Como a minha atenção hoje é voltada para as minhas filhas que são muito pequenas, hoje não estou disposta a abrir mão. Quem sabe daqui a uns 3 anos 😉

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  3. Yukaaaa!! Como vc tá chique: Sendo entrevistada e tudo! Que privilégio nosso aprender tanto contigo! E que gentileza da sua parte compartilhar com o mundo seus aprendizados!

    Continuo por aqui, sempre lendo os posts entre as mamadas e sonecas… Vida de mãe não é fácil! Até aprendi a Digitar no celular e comer com a mão esquerda! kkkkkkkk

    Mas passei aqui rapidinho pra te dizer que você continua me inspirando! Beijão

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    • Tiemiiiii, que saudade de você rs. Ontem mesmo lembrei de você, fiquei pensando em você e na sua filha. Realmente, vida de mãe não é fácil. A gente perde a privacidade, fica cansada, com sono eterno, com olheiras, mas aos poucos, a gente volta a recuperar o nosso tempo (para poder cuidar um pouco da gente). Enquanto isso, a atenção é 100% da sua pequenina, que deve ser linda. Beijos.

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  4. Estou adorando acompanhar seu blog e pensamentos!
    Grata por compartilhar, estou iniciando o aprendizado sobre minimalismo e FIRE, sou servidora pública e estou fazendo um esforço para diminuir e viver com 50% do salário (só eu exerço atividade remunerada, marido está numa segunda graduação e “toma conta da casa”). Alguns gastos vivo na dúvida, como academia, Kumon, inglês para filha, bem como sobre moradia (coloquei minha casa financiada à venda para morar próximo do trabalho e economizar com combustível), mas estou morando num apartamento relativamente grande. Quando acostumamos a gastar tudo e mais um pouco do salário, é difícil definir o que é essencial ou supérfluo. Pelos meus cálculos, conseguirei atingir a IF quando minha filha se formar na faculdade (hoje ela tem 7 anos). Poderia tentar encurtar esse prazo, mas estou me consolando pelo fato de que, enquanto ela estiver no estudo regular, não faz muito sentido eu ficar “livre do trabalho” pq ainda teremos de ter uma moradia fixa, horários e etc. Até voltei a estudar e estou pensando num mestrado, considerando que, se os aportes aumentarem, posso ficar livre mais rápido, ou com uma reserva maior.

    Por ocasião do FIRE quero muito me mudar a cada ano ou 6 meses. Conhecer lugares como um morador local e poder ler e escrever à vontade!! Confesso que não vejo a hora! Se puder falar um pouquinho mais sobre investimentos e diversificação nas aplicações… acompanho o Bastter, o Fábio Faria e também a Suno, tem algum canal no youtube que considere legal?
    Muito grata pela disposição em manter o blog.

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    • Oi Cinthia, tudo bem? Realmente, quando temos filhos, precisamos avaliar entre gastar e economizar, colocar na balança a educação, lazer, diversão, não podemos pensar só em economizar, pois as coisas boas e essenciais da vida podem passar sem nem ao menos a gente perceber. Aqui em casa, a gente toma muito cuidado para que os gastos supérfluos não ultrapassem o limite do que temos de aceitável por mês. Então se saímos demais num mês, seguramos um pouco até o mês terminar. Esses ajustes tem sido essenciais pra gente poder relaxar um pouco, se divertir e não ficar economizando em tudo, sabe? Sobre os canais, sigo vários, mas posso confessar uma coisa? Acho que você já está com os melhores. Tem também o Rafael Seabra que fala um pouco sobre finanças e minimalismo. Eu tenho visto outros tipos de vídeos também, de saúde, alimentação, educação de filhos, estou tentando não ficar só na parte das finanças e esquecer as outras coisas que também são importantes. Um beijo.

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  5. Que legal, essa entrevista complementa o episódio do podcast do SrIF que vc participou!! Você poderia divulgar mais a participação nesse podcast, o conteúdo é muito rico! Bjs

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  6. Oi Yuka, outro dia meu marido e eu conversávamos sobre independência financeira, a nossa pode ser um pouco diferente da sua (com renda vinda de aluguel de imóveis), falávamos sobre ficar um tempo sem trabalhar e depois ver de fazer coisas que tenham significado, mas surgiu uma dúvida no meio da conversa, como ensinaremos ao nosso filho o valor do trabalho e que sim é importante, se ele conviver muito tempo com a gente estando “mais relaxados” mesmo conversando com ele, pode pensar que as coisas são fáceis e que ele não precisa “correr atrás”, já pensou sobre isso?

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    • Oi Silvia, já pensei nesse assunto sim. Confesso que ainda não está solidificado, porque as meninas são pequenas, mas uma coisa que eu pensei em ensinar é essa questão da liberdade, de que a maioria das pessoas não são livres, como é divulgado por aí. Pretendo explicar que eu e o pai conquistamos a nossa liberdade com muito trabalho, esforço, economia e estudo sobre investimentos. E que se ela quer se tornar livre, também deverá ir pelo mesmo caminho. Algumas pessoas podem escolher não ser livre, por fazer algo que já gosta. Outras, podem escolher fazer algo que não gosta, por ser bem remunerado, com o intuito de conquistar a liberdade logo (meu caso!). Não tem resposta certa, nem errada. São escolhas que elas deverão fazer. O que elas precisam entender é que a vida relaxada que nós teremos, é uma conquista nossa. E que elas precisarão ir atrás da própria liberdade, caso desejarem. Beijos.

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  7. Oi, Yuka, tudo bem?
    Adorei a sua entrevista, mas ainda acho difícil considerar um cenário possível de FIRE para meu caso. Não sou concursada, mas contratada via CLT e com um salário mediano. Ele é o suficiente para pagar as contas e sobra pouco no mês. O mercado de trabalho está bem difícil e instável e tenho percebido o movimento de empresas que mandam embora equipes para contratar novas pessoas com uma base salarial menor. Dessa forma, é muito complicado conseguir prever um cenário econômico seguro para os investimentos. No momento, tenho previdência privada, poupança e investimento em LCI. Deu para notar que, por conta desse meu cenário, sou bem conservadora! Meu marido é autônomo e tem uma renda muito variável por mês. Para completar, tenho um bebê a caminho e a quase certeza de que não terei minha vaga quando voltar ao trabalho. Entrarei para as estatísticas, rs, mas vou me dedicar a procurar outras oportunidades durante a licença. Qual a dica que você dá para um caso como o meu? Tenho lido sobre Tesouro Direto e outros pontos, mas fico super insegura. Super obrigada!

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    • Oi Nina, tudo bem? Há vários níveis de independência financeira, há pessoas que buscam a estabilidade financeira, a segurança financeira, a independência financeira, liberdade financeira e a abundância financeira. Qualquer um que a pessoa escolha, já é um tipo de independência. Se você acha que é difícil para você alcançar a independência financeira, tente alcançar a da fase anterior, a estabilidade financeira (ter saldo suficiente para passar por períodos de dificuldade sem pôr em risco a autonomia financeira. Ou seja, ter uma boa reserva de emergência para os momentos de instabilidade financeira como o desemprego). Já será de uma grande ajuda e trará sensação de paz e controle. Tente estudar um pouco sobre finanças, tem artigos bastante interessantes e de fácil leitura no Clube dos Poupadores, lá tem a diferença entre os tipos de Tesouro Direto, tente achar qual encaixa melhor para o seu caso. https://www.clubedospoupadores.com/comece Um beijo e bons estudos.

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