Só depois que a gente trilha um caminho, a gente consegue discernir melhor, olhar para trás e analisar o que faria de diferente, certo?
Agora que estou na fase mais tranquila financeiramente, eu tenho avaliado até que ponto a jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early) é saudável e construtiva, em um contexto em que muitos brasileiros não recebem um salário razoável a ponto de permitir aportes gordos de 40 a 70% da renda familiar.
A ideia deste post não é contestar FIRE, mas mostrar outros caminhos possíveis, sem precisar abrir mão do que é mais importante: o HOJE.
Sabe aquela viagem que você quer fazer com sua esposa, para estreitar a relação do casamento? Acho que deve ser feita.
Sabe aquele passeio que você tem certeza que seu filho vai amar e você também? Também acho que deve ser incluído como prioridade.
Sabe aquela viagem que seu amigo te chama há um tempão? Já passou da hora de ir.
Ou aquela academia que fica do lado da sua casa, que você morre de vontade de se inscrever, mas vai naquela bem longe, que é mais barata e aí você fica com preguiça de frequentar?
E se o preço para todas essas escolhas, for a aposentadoria aos 60 anos, 65 anos, tudo bem, pelo menos você vai ter a certeza de que viveu a vida por completo, sem arrependimento.
Afinal, de que adianta ser FIRE, se o casamento acabar, se o filho não tiver conexão com você, se não tiver mais amigos, se não tiver saúde? Isso se tiver a sorte de estar vivo, porque existe a real probabilidade de morrer no meio do caminho, sem ter vivido.
Hoje, eu acho que ao invés de buscar FIRE, as pessoas deveriam buscar ter uma boa reserva financeira.
O que estou querendo dizer é que não precisa ter 30 vezes o salário anual para ter uma vida boa, porque isso, sinceramente falando, é muito dinheiro, e sendo bem realista, impossível e inalcançável para a maioria dos brasileiros.
Ao invés de almejar FIRE, abrindo mão do que é mais importante hoje (cuidar da saúde, ter uma vida confortável, ter bons relacionamentos, se divertir com os amigos, ter boas experiências, viajar, passear, comprar algo que está precisando), talvez o melhor seja poupar para buscar o Coast FIRE, já que tudo isso que você está abrindo mão hoje, pode fazer muita, muita falta no futuro.
Para quem pode abrir mão de mais da metade do salário, sem afetar a sobrevivência e a qualidade de vida, que ótimo, esse foi o meu caso.
Eu tive meu momento eureka na fase certa, casei com uma pessoa muito econômica e que acreditou na minha ideia maluca de se aposentar cedo. Coincidentemente, já vivia abaixo do padrão de vida desde solteira, eu morava de aluguel, não tinha carro, minha primeira filha tinha acabado de nascer, ou seja, os gastos ainda estavam baixos.
Eu era minimalista, investidora, e não gastava dinheiro. Meu marido era um misto de frugal com muquirana. Juntos, éramos imbatíveis: éramos o Pinky (ele) e o Cérebro (eu) kkkk.
Somando tudo isso, a bolsa brasileira estava subindo, a renda fixa também, os imóveis também, enfim, foram vários fatores que colaboraram para alcançar um patrimônio bacana em 7 anos. Foi uma janela de oportunidade que agarramos com todas as forças.
Maaaaas se para você, entrar na jornada FIRE significa afetar a sobrevivência, ou seja, PIORAR a qualidade de vida, PIORAR a qualidade dos seus relacionamentos, não pense em FIRE, pense em ter uma boa reserva financeira, ou seja, Coast Fire.
Essa reserva financeira já te dará a segurança que precisa, já será capaz de segurar crises de 2 a 5 anos, já será suficiente para dar coragem para mudar de emprego, para pagar um curso para melhorar a posição no trabalho, talvez até mesmo para mudar de cidade ou país.
Essa reserva financeira, se colocada em bons investimentos, poderá dar um bom montante financeiro em 10 a 20 anos, conquistando até mesmo uma aposentadoria tranquila, graças ao poder dos juros compostos.
Eu mesma, achei que sairia do trabalho quando alcançasse um determinado valor de patrimônio, mas no final, cá estou eu, trabalhando todos os dias; e outra, o marido ainda passou em um concurso público. Ou seja, não precisaria ter acumulado tanto dinheiro assim.
A mesma coisa acontece com muita gente que alcançou um determinado valor de patrimônio, tirando algumas exceções de pessoas que param por completo, outras continuam trabalhando fazendo exatamente a mesma coisa, ou saem do trabalho, mas começam a trabalhar em outra atividade. Ou seja, pode ser que você também não precise acumular tanto dinheiro assim.
Aqui em casa, desde que as crianças nasceram, eu criei o que chamo de Método Compasso na hora de viajar.
Antes de engravidar, eu e o marido fizemos diversas viagens nacionais e internacionais, mas depois que a minha primeira filha nasceu, eu estava exausta, e só queria descansar.
Logo depois, minha segunda filha nasceu, o cansaço físico e as noites mal dormidas continuaram.
Eu até queria viajar, mas não queria pegar longas estradas, viajar de avião, não queria conhecer cidades novas, só queria me hospedar em um hotel com uma boa cama e um bom chuveiro para descansar. Procurei um hotel relativamente pequeno, perto de São Paulo, que tinha uma piscina aquecida bem gostosa e percebi como aquela viagem havia feito bem para mim, e também para as minhas filhas. Elas eram pequena, então não precisavam de um lugar grande. Um hotel com um jardim bem cuidado e um pequeno playground foi mais do que suficiente.
Tem até um post que eu escrevi sobre esse tipo de hotel aqui.
Foi bem nesse período que eu comecei a avaliar que não compensava levar as minhas filhas, ainda bebês, em resorts (com piscinas gigantes, animadores infantis, passeio a cavalo, arvorismo etc), já que elas não tinham idade para aproveitar ao máximo o que era (muito bem) cobrado pelos hotéis.
Para explicar para o marido qual critério eu achava bacana para viajar com as crianças, eu usei a palavra “compasso”, e esse termo acabou pegando. Ou seja, conforme as crianças fossem crescendo, a perna do compasso que abrange regiões no mapa também aumentaria.
Enquanto as meninas eram pequenas, de 0 a 4 anos, viajamos para locais bem perto de São Paulo:
Conforme elas foram crescendo (atualmente estão com 6 e 8 anos), aumentamos também o raio das cidades que visitamos, como se utilizássemos mentalmente, um compasso.
Ano que vem, irei ampliar ainda mais o raio, adicionando regiões como Nordeste e Sul.
Quando elas estiverem com 9 a 12 anos, acredito que já estaremos viajando por todo o Brasil, incluindo alguns países da América Latina:
Quando elas tiverem de 12 a 14 anos, pode ser que inclua a América do Norte.
E depois Europa, Ásia, etc.
Para mim, fazer isso, é utilizar o conceito máximo de aproveitar muito bem o que é ofertado.
Lembra quando eu falei há muitos anos que eu tenho um fogão de 4 bocas, porque não sei pilotar 6 panelas simultaneamente? Ou seja, comprar um fogão de 6 bocas, era jogar dinheiro fora, porque 2 bocas não seriam utilizadas. Outro exemplo, pra que comprar um tênis de corrida com super tecnologia de amortecimento envolvida, se mal corre atrás de um ônibus? É jogar dinheiro fora, é aproveitar mal o dinheiro. Estou utilizando a mesma regra, só que aplicando em viagens.
Pra mim, não faz o menor sentido pagar resorts caríssimos com diversos tipos de entretenimento, se elas mal andavam, mal se socializavam com outras crianças. Era uma época em que eu mal sentia o sabor da comida, já que comia rapidinho para trocar de posto com o marido no cuidado de 2 bebês que ainda usavam fraldas, isso quando uma não começava a chorar para mamar bem na hora que eu ia dar a primeira garfada. Não valia a pena pagar caro por um restaurantes gourmet.
Assim, né? Quem tem dinheiro, faz o que quer. Mas quem tinha um objetivo bem delimitado com orçamento contado que nem eu, tinha que administrar bem o dinheiro para conseguir realizar todos os sonhos.
Claro que não pretendo usar essa regra a ferro e a fogo. Por exemplo, meu marido tem o sonho de participar do Tour de France, na categoria amador. Para ele participar desse torneio, não pode estar muito velho, já que precisa ter condicionamento físico para pedalar muito. Neste caso, não usarei a regra do compasso, e sim, a regra do livro Die With Zero, onde o autor explica que não podemos perder a oportunidade de fazer determinadas coisas em determinadas idades.
Você já deve ter percebido que há pessoas que ganham o mesmo salário, têm a mesma composição familiar, mas possuem vidas completamente diferentes: uma vive endividada, reclama da falta de dinheiro, está em completo desequilíbrio financeiro; enquanto a outra tem controle financeiro.
Eu percebo essa discrepância onde trabalho: são pessoas que recebem salários parecidos, mas possuem vidas financeiras completamente diferentes.
Algumas vivem de salário em salário, pagam gordas parcelas do financiamento imobiliário, negociam suas dívidas fazendo novas dívidas. Não abrem mão do carro, nem da diarista, nem dos restaurantes, das viagens, da manicure semanal, nem da vida que tem. Não conseguem parar de comprar produtos aleatórios pela internet, não abrem mão do conforto, nem dos pequenos luxos, mesmo fazendo dívidas.
Reclamam do salário, das obrigações que têm, dos boletos, das dívidas…
Há 7 anos, mais precisamente em 2015, numa roda de conversa no trabalho, comentei sobre FIRE (Financial Independence Retire Early). Como era um tema recém descoberto, fiquei muito entusiasmada e compartilhei tudo o que eu sabia sobre FIRE, sobre investimentos e sobre o poder dos juros compostos. Falei que se a gente enxugasse os gastos por um período de pelo menos 10 anos e investisse direito todos os meses, que isso poderia nos tornar livre.
Todo mundo se empolgou com tudo o que eu falei, exceto quando falei da parte de enxugar os gastos. Eu não desanimei. Eu coloquei em prática tudo o que estava ao meu alcance, pois acreditava que seria possível sim.
Eu sabia que teria que ter foco, já que esse meu entusiasmo inicial poderia diminuir ao longo dos anos, afinal, ninguém quer economizar a vida inteira. Além disso, eu era mãe de 2 bebês. Eu teria que aproveitar os aportes gordos enquanto as minhas filhas eram pequenas.
Fiz revisão de todos os gastos e enxuguei onde era possível. Fazer esse downsizing não foi difícil, afinal, eu já sabia onde poderia economizar para reduzir o padrão de vida e em que coisas queria gastar para melhorar a qualidade de vida.
O tempo passou e estamos em 2022. Vejo que todas essas inúmeras pequenas decisões que tomei lá atrás, trouxeram benefícios imensuráveis passados apenas 7 anos.
Contar essa história me lembrou do Experimento do Marshmallow:
“O Experimento do Marshmallow se refere a uma série de estudos de recompensa postergada, realizados no final dos anos de 1960 e início dos anos de 1970 liderados pelo psicólogo Walter Mischel, então professor da Universidade de Stanford. Nos estudos era oferecido a crianças a escolha entre uma pequena recompensa (algumas vezes um marshmallow, mas também um cookie ou um pretzel, etc.) entregue imediatamente ou duas pequenas recompensas se ela esperasse até o retorno do pesquisador (depois de uma ausência de aproximadamente 15 minutos). Em estudos de seguimento, os pesquisadores descobriram que as crianças que foram capazes de esperar por mais tempo pela possível recompensa apresentaram tendência de ter melhor êxito na vida, desempenho escolar, índice de massa corporal (IMC) e outros parâmetros de medição. Contudo, recente trabalho levanta a questão se o autocontrole, em oposição ao raciocínio estratégico, determina o comportamento das crianças.” Wikipédia
Para a maioria de nós, que não nasceu em berço de ouro, é essencial não ter luxo e conforto ANTES DA HORA.
Hoje eu tenho a consciência de que ter deixado de fazer viagens internacionais apenas por alguns anos, ter deixado de comer em restaurantes caros apenas por alguns anos, ter deixado de ter um plano de saúde top por alguns anos, ter aprendido a fazer inúmeros serviços (como pintura de parede, montagem de móveis, conserto de roupas), ter deixado os serviços de streamings por um tempo, ter deixado de gastar em supérfluos por alguns anos, além de diversos outros exemplos que sempre comentei neste blog, permitiu alcançar a tranquilidade financeira que hoje me encontro.
Para mim, não foram sacrifícios… foram escolhas.
Ter postergado alguns sonhos materiais, permite que hoje eu não me preocupe mais com a rentabilidade da carteira, nem fique fazendo contas na hora de comprar alguma coisa, principalmente, porque os aportes mensais irão continuar, já que ainda não pretendo parar de trabalhar.
Eu tenho o costume de analisar todos os gastos do mês anterior, logo depois que o mês termina.
Como eu e o marido anotamos todos os gastos no aplicativo Minhas Economias, fica bem fácil fazer essa análise pelo celular mesmo, já que tudo se concentra em um único local.
O objetivo é procurar gastos que foram por impulso, e analisar gastos desnecessários.
Essa revisão dos gastos não serve para evitar gastos, pois como sempre digo, dinheiro não foi feito só para ser guardado, foi feito para ser gasto também.
Essa revisão serve para evitar dinheiro mal gasto, ou seja, quando compro algo por impulso e depois aquilo fica esquecido em algum canto da casa. É esse tipo de gasto que eu quero evitar.
Quando identifico alguma compra mal feita, penso como poderia agir diferente na próxima vez, e assim, de compra em compra, vou me aprimorando para usar muito bem o dinheiro.
Vou dar um exemplo recente. Eu comprei alguns jogos americanos, mas quando comecei a usa-los no dia-a-dia, percebi que um detalhe passou despercebido no momento da compra. Esse detalhe, que é como se fosse uma linha de costura que deixa o jogo americano todo fofo, mas ordinário na hora da limpeza, já que a sujeira entra ali dentro e preciso de uma pequena escovinha para manter tudo limpo. Então decidi que o próximo jogo americano que eu for comprar, será todo liso, sem esse tipo de detalhe.
Outro exemplo (desta vez foi a do marido) foi uma sapatilha de bicicleta que meu marido comprou. Para economizar, ele escolheu uma sapatilha barata que importou da China, apesar de eu ter insistido muito para comprar uma da Shimano. Pois bem, na hora em que ele abriu o pacote, ele já se arrependeu de ter comprado essa da China, pois a qualidade era infinitamente inferior. Quando calçou, se arrependeu mais uma vez, pois era desconfortável. A sapatilha da Shimano que custava 7 vezes mais, durou por quase 10 anos, infelizmente, esse da China não vai durar nem 1 ano.
Quando fazemos essas análises mensais, evitamos persistir em fazer compras erradas. Faço pelo menos 12 revisões orçamentárias por ano (1 por mês), além de 1 revisão minuciosa no fim do ano (quando avalio se estou pagando o valor certo pela internet, se o preço do aluguel que pagamos está de acordo com o mercado imobiliário, se gastamos excessivamente em alguma categoria, etc).
Essas atitudes tem feito um bem danado na saúde orçamentária familiar, pois “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”.
Quem quer adotar o minimalista não precisa se preocupar com privação. Não é este o princípio, pelo menos para mim.
No Japão, eu vejo que o minimalismo tem uma interpretação mais radical. Muitos deles não têm cama, dormem no chão, e quando têm, tentam se explicar que “apesar de serem minimalistas, escolheram ter uma cama”. Acho isso no mínimo esquisito, pois não consigo entender qual o problema de buscar mais conforto, ao invés de focar exclusivamente na redução de objetos.
No Brasil, vejo que muitos interpretam minimalismo como pobreza. Justificam o estilo de vida simples como minimalismo. No minimalismo, vive-se com menos por uma opção de escolha, já a pobreza não é uma opção de escolha.
Já eu, gosto do minimalismo equilibrado, sem entrar muito em rótulos ou em caixas. Gosto de pensar no minimalismo como uma busca do que é essencial para cada um, ou seja, é uma jornada interna.
Significa aprender a fazer escolhas melhores e escolhas conscientes.
Significa se conhecer melhor, buscar o autoconhecimento, descobrir o que faz feliz, independentemente da opinião alheia.
Vou compartilhar uma história com vocês.
Em 2010, há exatos 12 anos, eu fui para Vancouver, no Canadá, para um intercâmbio.
Lá, fiz amizade com o pessoal que dividia a casa, e uma coisa ficou muito evidente logo na primeira semana de convívio… esses alunos tinham um poder aquisitivo maior que o meu. Eles compravam muitas roupas, muitos souvenirs, fizeram muito mais passeios pagos do que eu, almoçavam todos os dias em restaurantes caros.
Na verdade, quem tinha o poder aquisitivo maior eram os pais desses alunos, pois a viagem era financiada por eles. Quando o dinheiro acabava, os alunos ligavam para os pais, e pronto, mais dinheiro entrava na conta bancária.
Já eu, que não era financiada por ninguém, tive que focar no que era essencial: estudar inglês e fazer passeios que não eram tão caros.
Chegando na última semana do intercâmbio, entrei em uma loja da Apple pela primeira vez e comprei o que há muito tempo queria: um MacBook.
Neste momento, os meus colegas que estavam juntos, falaram que eu era muito rica por comprar um MacBook assim, à vista, e que eles não tinham condições de comprar.
Na época eu apenas sorri e nem tentei explicar, afinal, eu teria que explicar tudo em inglês. Mas quando trago essa situação para os dias de hoje, vejo que se encaixa bem no conceito do minimalismo, que é justamente ter o que mais queremos.
Eu não queria roupas novas, não queria comprar souvenirs… eu fui até o Canadá para aprender inglês, conhecer a cidade, fazer novas amizades e se possível, voltar para o Brasil com um MacBook. O que esses meu colegas não entendiam é que eu também não tinha muito dinheiro, aliás, tinha muito menos do que eles, já que eu não tinha quem bancasse meus luxos, mas a diferença é que eu priorizei o que eu mais queria.
Eu voltei para o Brasil muito satisfeita pela experiência do intercâmbio e muito feliz pela nova aquisição.
Alguém que não conhece a história por completo, pode focar em todas as coisas que eu não tive: não tive almoços em restaurantes descolados, não voltei com a mala abarrotada de roupas importadas, nem voltei com lembrancinhas para todos os colegas do trabalho. E assim, erroneamente, podem achar que minimalismo é sinal de miséria, de escassez.
Mas quando se conhece a história completa, descobrimos que minimalismo não é sobre escassez, é justamente o oposto, é sobre definir prioridades para focar no que é mais importante.
Gosto de entender o motivo das minhas escolhas e aceitar as renúncias que vêm junto com as escolhas que faço. Desta forma, consigo fazer cada vez mais escolhas melhores e ter uma vida cada vez mais consciente.
Quando eu ainda falava para as pessoas sobre aposentadoria antecipada, eu percebia sempre um padrão no comportamento.
As pessoas queriam desesperadamente aposentarem cedo, alcançar FIRE (Financial Independence, Retire Early), mas não queriam abrir mão de absolutamente nada. Queriam viver igual a todo mundo, com carro na garagem, com apartamento grande e reformado, comendo em restaurantes diariamente, comprando diversos itens todos os fins-de-semana, além de claro, não quererem estudar por conta própria.
Mas se você quer viver de forma diferente dos outros, será necessário fazer coisas diferentes hoje.
Enquanto a maioria achava que era normal não poupar dinheiro, ou poupar até 10% do salário, eu decidi que iria poupar 70%.
Enquanto a maioria continuava achando que era normal se aposentar com 65, 70 anos, eu decidi que iria me aposentar quando eu bem entendesse.
Especificamente falando do meu caso, acredito que foram 3 fatores que influenciaram muito:
1.) O trabalho do marido
Meu marido tem um trabalho com contratos que variam em torno de 1 a 2 anos.
Isso significa que de uma hora para outra, nós podemos perder a renda dele. E por isso nós nunca nos achamos no direito de aumentar os gastos de forma descontrolada, pois não sabíamos o dia de amanhã.
O que poderia ser péssimo para a maioria das pessoas, acabou se mostrando como uma grande oportunidade para nós.
Sempre tivemos medo de não conseguirmos manter o padrão de vida que estabelecemos para nós.
Uma das formas de controlar o incontrolável (a renda do marido), foi centralizar todos os gastos da nossa família apenas no meu salário. Todo o salário dele vai para investimentos. Quando o salário dele aumenta, aumentam os aportes. Quando o salário diminui, diminuem os aportes. E se a fonte secar (o que nestes 12 anos que estamos juntos, nunca aconteceu), os aportes seriam mais comedidos, mas constantes, mesmo contando apenas com o meu salário.
2.) Os dois remando juntos na mesma direção
Toda vez que meu marido fala “sem você, não estaríamos onde estamos hoje”, eu veementemente discordo.
Se ele não tivesse concordado com a minha ideia de ser FIRE, de aceitar entregar todo o seu salário todos os meses para mim para que eu pudesse fazer aportes generosos até a nossa filha mais velha completasse 6 anos de vida, de aceitar sorrindo quando comecei a enxugar os gastos, nada disso teria sido possível.
Foi de comum acordo que decidimos não aumentar o padrão de vida por alguns anos. Sabíamos que era melhor apertar naquele momento, para ter conforto daqui a alguns anos, do que ter conforto por alguns anos e passar necessidade a vida inteira.
3.) O minimalismo como um grande aliado
Há diversos tipos de armadilhas do consumo: armadilhas financeiras, armadilhas da moda, da educação, do medo, da beleza, da ostentação, do medo…
O minimalismo trouxe diversos benefícios na minha vida. Um dos benefícios foi ter permitido dar um basta em medos que são inseridos na nossa cabeça.
Isso acontece porque o minimalismo nos obriga a parar de olhar para a vida dos outros para focar na própria vida. É como se não tivéssemos mais muleta para fazer escolhas, pois teríamos que parar de olhar a vida dos outros para encarar a própria.
Não é uma tarefa fácil, pois temos que colocar a cabeça para funcionar para tomar decisões próprias, descobrir o que gostamos e principalmente o que não gostamos.
A médio prazo, essa decisão trouxe benefícios imensuráveis: aprendi a fazer boas escolhas, a viver com as coisas que eu realmente valorizo e que são importantes para mim. Isso acabou eliminando o sentimento de escassez e a sensação de gratidão se tornou presente, porque aprendi a olhar para a abundância que já tinha na minha vida.
Fazer as próprias escolhas, me permitiu não ter redes sociais, mesmo todo mundo estando presente. Não precisando de aprovação dos outros nas redes sociais, permitiu que eu pudesse ser autêntica nas coisas que eu gostava, e com isso, novamente o minimalismo veio à tona.
Quanto mais eu me conhecia, menos compras erradas eu fazia e mais o dinheiro sobrava. Sobrava, não porque eu estava deixando de gastar, afinal, eu continuava gastando. A diferença é que eu comecei a gastar melhor o meu dinheiro, em coisas que trazia felicidade para mim, e não para os outros.
E aí vem uma sensação de satisfação, de felicidade, de segurança financeira, sem a necessidade de mostrar para os outros. Os benefícios são reais, mas a experiência é individual.
Essa decisão tomada lá atrás, permitiu por exemplo, que eu comprasse um carro em agosto de 2021, utilizando apenas os dividendos que havia recebido naquele ano.
Então sempre que possível, lembre-se da frase: se quer viver de forma diferente dos outros, é necessário fazer coisas diferentes hoje.
Daqui a 3 dias, entraremos no mês de dezembro… o ano está para terminar em algumas semanas.
Final de ano é sempre um ótimo período para refletir tudo o que fizemos (e o que não fizemos) ao longo do ano.
Afinal, você sabe para onde foi todo o dinheiro que passou pelas suas mãos no ano de 2021?
Esses dias assisti o vídeo do Ben Zruel: “Deixe de viver no padrão de vida errado de uma vez por todas”.
Achei o vídeo muito bom, um vídeo que dói, porque ele enfia o dedo na ferida, mas essencial para muitas pessoas que ainda não entenderam como fechar o mês no positivo.
“Viver no padrão de vida errado, é quando não sobra dinheiro no final do mês. Ah, mas eu ganho pouco, não está sobrando, porque tenho 3 filhos pequenos, não interessa, padrão de vida errado, é padrão de vida que não sobra dinheiro. Ponto.” Ben Zruel
Independentemente de quanto recebemos, é sempre bom avaliar para quem saímos distribuindo nosso valioso dinheiro. Pagamos contas, pagamos impostos, pagamos para o dono do supermercado, dono de escola, empresas de streaming, para a pizzaria da esquina…
Distribuímos nosso dinheiro pra muita gente, mas afinal, quanto ficou na nossa mão? Quanto destinamos para o nosso futuro?
Trabalhamos o ano todo, 8 horas todos os dias (às vezes até mais que isso), deixamos de ficar com pessoas que amamos e fazemos tudo isso, porque queremos um presente e um futuro melhor.
Dezembro é quando faço o fechamento anual: analiso quanto dinheiro passou pela minha mão, e desse valor total que recebi, vejo quanto e de que forma gastei, quanto poupei, quantos sonhos consegui realizar, e quais sonhos novos quero ter para o ano seguinte.
É o momento em que permito sonhar, ao mesmo tempo em que mantenho os dois pés no chão.
Eu e meu marido costumamos conversar com frequência sobre nossa jornada, de como vivíamos antes e como nossa vida mudou para melhor depois que descobrimos sobre FIRE (Financial Independence Retire Early).
Ao longo destes anos, fui amadurecendo e tenho a consciência de como equilíbrio é fundamental para quem quer seguir essa jornada.
Há os que poupam em excesso para viver um futuro distante, e não percebem que estão desperdiçando o tempo precioso do hoje, sem nem saber se estarão vivos amanhã.
Já há outros que preferem fechar os olhos para o futuro e viver o presente como se não houvesse amanhã.
Também há os que acreditam que a felicidade só virá depois de ser FIRE e esse é um dos grandes erros no meu ponto de vista.
A jornada que deveria ser divertida e desafiadora, pode se tornar uma jornada de torturas, sacrifícios de anos se não for bem executada, e ainda levar embora a juventude, os amigos, a família, trazendo arrependimentos irreparáveis.
Foram tantos acontecimentos nesta última década que eu até disse para o meu marido que seria difícil criar uma linha de tempo da nossa jornada FIRE, mas que seria interessante tentar resgatar alguns pontos que consideramos importante.
Então esse post nasceu de um dos cafés da noite com o marido.
Eu sou bem ruim com linha de tempo, os anos se confundem na minha cabeça, o que é motivo de risada aqui em casa, então, já considerem que pode conter pequenos erros.
O que eu acho legal na minha jornada é que eu não mudaria nada nas decisões que eu tomei ao longo destes anos. Claro que cometi alguns (talvez seria melhor dizer… muitos?) deslizes no meio do caminho, mas ao observar como um todo, os benefícios foram muito maiores do que os pequenos erros que cometi durante a jornada.
2010
Início do namoro com o marido. Gosto de considerar este período como marco zero, porque é muito antes de ter conhecimento sobre FIRE (descobri esse termo em 2015) e dá pra ver como a gente tinha a cabeça totalmente padronizada à grande massa da população. Apesar de guardar dinheiro, não conversávamos sobre esse assunto, já que era um tabu. Foi nesse ano que comprei meu primeiro imóvel, claro, financiado em intermináveis 30 anos.
2011
Desde o início do namoro, sempre tivemos a certeza de que ficaríamos juntos. Por isso, começamos a guardar dinheiro na poupança já pensando em nos casar.
Tínhamos o que pode ser considerado o pensamento típico da classe média brasileira. Queríamos comprar um carro e um imóvel de 3 dormitórios, e o único investimento que conhecíamos era a poupança.
Tínhamos pouco dinheiro guardado, um imóvel financiado a perder de vista e o meu plano de previdência privada.
2012
Nós tínhamos uma vida regrada, eu, porque era econômica; meu então namorado, porque recebia um salário muito baixo, quase no limiar da sobrevivência. Ele comia todos os dias a mesma comida, porque não tinha condições de se alimentar de outra forma.
Já eu, funcionária pública, ganhava um pouco mais que ele, então obviamente eu vivia com mais conforto. Alguns meses antes de casar, decidimos morar juntos e isso acabou trazendo também benefícios financeiros, já que agora, pagaríamos apenas 1 aluguel, 1 conta de luz, 1 conta de gás etc.
Apesar de não ter nenhum conhecimento sobre investimentos, começamos a poupar por um motivo bastante convencional: queríamos comprar um carro e um apartamento. Não que estivéssemos precisando de um carro, nem de um apartamento grande, mas era apenas o percurso natural de um casal tradicional, ou seja, não paramos para pensar se aquilo fazia sentido na nossa fase de vida, se era o nosso sonho, ou se era o sonho de outra pessoa.
Poupávamos todos os meses, numa conta conjunta. Fizemos algumas viagens internacionais neste período, aproveitando que meu marido tinha boas oportunidades por causa do trabalho.
2013
Voltando um pouco no tempo para 2010, na época em que fiz o financiamento do imóvel, eu descobri, assim que assinei o financiamento do imóvel, que eu não posso ter dívidas. Voltei para casa sentindo o peso do papel que a gerente do banco havia me dado. Todo aquele contrato, as linhas e mais linhas das condições do financiamento, a planilha com todas as parcelas que ainda deveriam ser pagas… Eu cheguei em casa passando mal. Quando peguei a calculadora e somei todos os valores que eu iria pagar durante esses 30 anos, quase vomitei.
Foi aí que com fogo nos olhos e faca nos dentes, eu decidi que quitaria essa dívida o mais rápido possível. O ano de 2013 foi o ano que quitei o imóvel. Ou seja, consegui quitar em 3 anos o que deveria ser pago em 30 por 3 motivos: 1.) eu não comprei um apartamento novo, muito pelo contrário, era um apartamento meio que caindo aos pedaços; 2.) apesar de 2010 ter sido o período do boom imobiliário, a proprietária (que gostava muito de mim), não quis reajustar o valor do imóvel na hora da venda, então eu comprei esse apartamento por um valor bem abaixo do mercado; 3.) eu juntei cada real, cada centavo para amortizar o financiamento.
Foi o ano que casei também, apesar de todos esses eventos, alcançamos a meta anual de aporte que havíamos estipulado, pois o salário do marido havia dobrado. Festejamos e continuamos poupando, sem elevar nosso padrão de vida.
2014
Os aportes foram aumentando mês a mês. Eu não lembro direito o ano que eu recebi um bom aumento no meu salário, mas o meu salário também praticamente dobrou com o plano de carreira. Ainda não tínhamos nenhum conhecimento sobre investimentos, nosso maior investimento era colocar em um fundo de investimentos atrelado ao IPCA, em um banco grande. Em troca, ganhávamos um cafezinho e muita bajulação de gerente.
Começamos a anotar todos os gastos em um aplicativo, e isso turbinou os aportes, pois conseguimos identificar onde estávamos gastando mal. Poupamos cada centavo, poupávamos cerca de 60 a 70% do salário. Apesar do valor elevado de aportes, para nós, não foi difícil, porque desde o início, não havíamos aumentado nosso padrão de vida, mesmo quando os 2 salários aumentaram de valor. Posso dizer com convicção de que nós éramos bom poupadores.
Foi nesse ano que começamos a estipular um valor mensal de mesada para cada um. Essa iniciativa se mostrou muito acertada, pois tínhamos uma válvula de escape para gastar em qualquer coisa que quiséssemos.
Continuamos no mesmo apartamento de 1 dormitório, e sem carro.
Foi quando descobri que estava grávida.
Criei uma cota para usar livremente com táxi, na época, nem existia Uber. Não ter carro era uma opção nossa. Sofrer por não ter carro, não era uma opção, principalmente num período em que estava grávida.
2015
Eu descobri sobre FIRE com o nascimento da primeira filha. Pela primeira vez na vida, não quis mais trabalhar, pois queria ficar com ela. Sem minha filha, eu nunca teria descoberto sobre essa comunidade.
Estudei enlouquecidamente. Pausamos nossas viagens internacionais por um tempo para acelerar os aportes, as viagens se tornaram não só nacionais, como regionais, já que não víamos sentido em fazer uma viagem para tão longe com uma bebê tão pequena. Nós poderíamos retomar nossas viagens internacionais daqui a alguns anos.
Informei o gerente do banco que eu gostaria de transferir o valor total que eu tinha para uma corretora de valores, mas ele não permitiu, colocou diversos empecilhos, e no final ficou bravo comigo. Pois bem, comecei a transferir por conta própria todo limite diário disponível para a corretora, para finalmente começar a investir direito. O gerente do banco começou a me ligar desesperadamente, e só parou de me ligar quando a conta havia zerado. Foram mais de 50 ligações não atendidas.
Resgatei também o saldo total do plano de previdência privada que eu tinha, e fiquei muito frustrada quando descobri que eu não tinha a liberdade para resgatar facilmente o meu próprio dinheiro, além de taxas e impostos gordos que deveria pagar.
Decidi naquele momento que quem tomaria conta do meu dinheiro seria eu, e não mais as outras pessoas.
Nessa época, a renda fixa estava nas alturas, pagando 20% por ano.
Criamos uma meta. Decidimos que até que a nossa filha completasse 6 anos, início do ensino fundamental, todos os nossos esforços seriam concentrados em aumentar patrimônio. Como nós já tínhamos uma vida regrada, não havia muito o que fazer, apenas aperfeiçoar nas economias e continuar nos aportes, só que desta vez, direcionando nos investimentos certos.
Continuamos no nosso apartamento de 1 dormitório, e sem carro. O berço da minha filha ficava no nosso quarto. Fiz um enxoval somente com os produtos que achei necessário, e que maravilha, não senti falta de nada!
No final do ano, tínhamos superado a meta dos aportes novamente. Como o salário não aumentava, o que fizemos foi otimizar os gastos.
2016
Decidi vender meu único imóvel (não quis ficar com ele, porque descobri que o prédio tinha problemas estruturais) e voltei a morar de aluguel. Eu já tinha estudado tudo o que era conteúdo sobre investimentos, então todo o valor da venda do imóvel foi para investimentos. Renda fixa ainda pagava 18 a 20% por ano. Isso acabou gerando uma curva muito acentuada no patrimônio, pois tinha comprado o imóvel por um valor bem abaixo do mercado, e vendi em um período de alta. Esse aporte generoso deu um incentivo extra, pois começamos a enxergar o que estava acontecendo com a nossa carteira de investimentos.
Poupei décimo terceiro, poupei as minhas férias vendidas, poupei a restituição do imposto de renda, tudo. Já meu marido, não tinha décimo terceiro, não tinha férias para vender, nem imposto de renda para restituir. Mas desde o início do namoro, tudo sempre foi nosso. Não importava quem ganhava mais e quem ganhava menos, sempre foram as “nossas conquistas”.
No meio do ano, o salário do marido reduziu pela metade devido a sua bolsa de pós-doutorado, mas isso não nos abalou. Acostumados a viver apenas com parte do meu salário, apenas continuamos aportando.
Vendo que a nossa vida estava começando a mudar, comecei a contar para todo mundo sobre FIRE e sobre investimentos. Alguns deram risada, e a maioria, não me deram ouvidos.
2017
Nascimento da segunda filha.
Marido ficou na Espanha por 1 mês, e depois o chefe falou que era para ele ir pra Romênia por 3 meses (sendo que estávamos com uma bebê pequena, em época de virose). Foi a primeira vez que ele disse não no trabalho. Descontente, o chefe fez algumas ameaças para demiti-lo, mas nada o intimidou. Os investimentos estavam começando a dar frutos, ele já não tinha medo de ser demitido da empresa. Ele não só não foi demitido, mas como o chefe percebeu que meu marido não iria mudar de opinião, renegociou a data de permanência na Romênia de 3 meses para 15 dias. Agora sim.
Começamos a entender a psicologia por trás do dinheiro. Estávamos confiantes, mais seguros.
Apesar do nascimento de mais uma filha, os nossos aportes continuaram crescendo desde 2013.
2018
Começamos a entender a sensação de segurança financeira que a jornada FIRE trazia. Ver o plano dando certo, e ao mesmo tempo ver a indiferença e um certo deboche dos outros em relação a minha fascinação sobre esse tema, fez com que eu parasse completamente de contar para os outros sobre investimentos.
Compramos 2 imóveis para investimento. Um deles, após uma pequena reforma, foi vendido. E o outro, alugado para um inquilino.
2019
Em 2019 e 2020, meu marido conseguiu um contrato muito bom de trabalho que aumentou muito o seu salário. Era um trabalho com fim já programado, de apenas 2 anos (que encerrou em agosto deste ano). Esse contrato temporário aumentou novamente nosso aporte, já que nós continuamos com a nossa vidinha de sempre (desde 2014, quando meu salário dobrou, lembram?), para focar nos investimentos. Somávamos o nosso salário, pagávamos todas as contas da casa, separávamos uma pequena parte para cada um (a tal da mesada) e todo o resto, ia para os investimentos.
2020
Pandemia, trancados em casa.
Tanto o meu trabalho como a do marido, se tornaram online. Começamos a trabalhar de casa, foi um inferno, cá entre nós, mas por um outro lado, deixamos de ter gastos como viagem, Uber, restaurantes, transporte, roupas, etc. O mundo inteiro estava fechado, todo mundo dentro da sua casa, decidimos focar novamente em aumentar os aportes.
2021
Este ano, minha filha mais velha completou 6 anos. Fizemos tudo conforme havíamos planejado. Patrimônio aumentou e sei que continuará aumentando com os juros compostos.
Tenho dito para o meu marido que já não precisamos nos preocupar com o nosso futuro. Ainda não me considero FIRE, mas o patrimônio já consegue trabalhar sozinho sem interferência da nossa parte, graças ao poder do tempo e dos juros compostos.
Ou seja, daqui a alguns anos, seremos FIRE ou até mesmo FAT FIRE só com o poder dos juros compostos.
Isso nos elevou para um outro patamar de realidade, de que podemos focar apenas no presente.
Se antes poupávamos 40%, 50%, 60% e até mesmo 70% do salário em determinas fases, entendemos que podemos diminuir ou até mesmo zerar os aportes para trazer conforto e mais experiência para a família.
Desde que eu comecei a economizar, já se passaram 10 anos (de 2011 a 2021).
Desde que descobri sobre FIRE, já se passaram 6 anos (2015 a 2021).
Eu já disse em um outro post, que eu realmente acredito que a cada 10 anos, a vida pode dar uma reviravolta. Se parar para pensar, o tempo passou rápido, e não me arrependo nem por 1 segundo por ter tomado uma decisão diferente da maioria das pessoas.
Apesar do minimalismo ser visto por muitas pessoas de que é apenas viver com menos posses, posso garantir que ele é como um iceberg, só enxergamos uma pequena parte, sendo que toda parte submersa é adquirida conforme entendemos o minimalismo com mais profundidade.
Eu, depois que adotei o minimalismo como um princípio de vida, aprendi a gastar menos em coisas que não tinha valor para mim e passei a gastar muito mais em outros itens que irei compartilharei a seguir.
O minimalismo não é sobre viver com miséria e economizar a qualquer custo. É sobre se conhecer, gastar dinheiro em coisas que tenham real significado na vida de cada um. É sobre reduzir excessos de coisas desnecessárias para justamente focar nas coisas que são importantes.
O dinheiro não gasto, faz com que sempre tenhamos dinheiro disponível para gastar em coisas que são importantes para nós. Fora todo o resto que vem junto, como qualidade nas escolhas, redução do estresse, mais tempo disponível, mais auto-conhecimento, foco nas coisas essenciais, mais disposição física e mental. Ou seja, a vida vai ficando cada vez menos complicada.
Todo o dinheiro que economizei ao longo destes anos fazendo escolhas conscientes, me permitem hoje, gastar em coisas que acho importante para mim e para a minha família.
Comprar as coisas que eu realmente quero
Antes do minimalismo, eu costumava olhar as coisas que comprava pelo preço. Depois que entendi que quando comprava o que eu realmente estava querendo, me sentia tão satisfeita que não precisava comprar outras coisas para me sentir feliz, passei a ter um outro olhar sobre as coisas que eu realmente queria.
Costumo fazer a escolha de traz para frente, ou seja, primeiro escolho o que eu quero, e depois me viro com o preço. Posso dar como exemplo o carro que eu comprei para ficar mais fácil o entendimento. Primeiro eu defini o que eu queria em um carro… no meu caso era segurança, espaço confortável para 4 pessoas, um espaço generoso no porta-malas e um carro que desse pouca manutenção. Descobri que os carros japoneses são robustos e quebram pouco. A frase “se todos os carros do mundo fossem japoneses, os mecânicos estariam falidos” me fez decidir por um. Bom, agora era a hora de definir os modelos que eu não queria. Não queria os carros tipo sedan, picape, SUV, pois sempre gostei de carros mais compactos. Eu acabei me apaixonando pelo Honda Fit, um carro japonês, compacto por fora, mas espaçoso por dentro, tem um dos porta-malas mais espaçoso dentro da categoria hatch. Só depois de ter definido o modelo, eu vejo o valor que estou disposta a dar em um carro, ou seja, decido pelo ano do carro que irei comprar.
A escolha de um apartamento também acontece da mesma forma. Primeiro escolho o bairro que quero morar, depois a rua que quero morar, e por fim, fico acompanhando os sites de imobiliária semanalmente até encontrar um apartamento exatamente na rua que quero morar e no preço que posso pagar.
Isso também serve para serviços. Já compartilhei aqui no blog que minha filha mais nova tem gagueira. A gagueira dela era tão severa, que por muitas vezes, ela desistia de falar por conta da dificuldade. Se uma palavra tinha 3 sílabas, ela gaguejava por muito tempo nas 3 sílabas. Era muito difícil conseguir falar uma frase concisa. Escolhemos uma fonoaudióloga muito boa, mas era mais cara que os demais profissionais. Poderia ter contratado uma mais em conta? Poderia. Mas isso nem passou pela nossa cabeça. Eu entendo que o orçamento familiar é como uma gangorra, gasta-se aqui, economiza-se ali. E foi exatamente isso que fizemos. Passamos a gastar na fono para a minha filha, e começamos a economizar nas outras coisas que não eram tão importantes para nós.
Viagem e Lazer
Uma das coisas que não vejo a hora de fazer, é viajar. Viagens são como alimentos para a nossa memória. Desde o início da pandemia, eu nunca mais viajei, nem mesmo para lugares próximos. A última viagem que eu fiz foi antes da pandemia, e pasmem, minhas filhas ainda lembram dessa viagem que fizemos há 2 anos.
Além disso, a pandemia tirou muitos dos lazeres que curtíamos, como cinema, restaurantes, conhecer lugares novos, mas enfim, estamos dando tempo ao tempo.
Produtos que aumentam o lazer para a família
Itens que podem aumentar a convivência familiar, nós não economizamos. Como um sofá grande, uma boa televisão, uma cama confortável, um jogo que a família toda consegue se divertir, itens de cozinha que traz alegria para a casa como as pizzas deliciosas que faço usando a Stone in Box, ou até mesmo o churrasco na Table Grill.
Álbum de fotos
Há tempos estava querendo fazer isso, e finalmente consegui montar um álbum de fotos durante as férias que tirei no meio do ano.
Eu lembro como eu adorava folhear os álbuns de fotos quando criança. E isso é algo que perdemos depois que as fotos se tornaram digitais. Como minhas filhas não têm acesso ao computador, eu sempre quis que elas também tivessem a oportunidade de folhear o álbum da nossa família.
Resolvi esse problema imprimindo álbuns anuais. Este ano, montei e imprimi 4 álbuns.
A minha intenção é todo final de ano, sentarmos os 4 no sofá para projetar na televisão todas as fotos que tiramos ao longo do ano, e selecionar de forma democrática as melhores 100 fotos para montar um álbum de fotos do ano que está para terminar.
Cursos e esportes
Minha mãe já havia me criado dessa forma. Apesar de não ter tido dinheiro para supérfluos, minha mãe sempre permitiu que fizéssemos diversos cursos. Fiz curso de inglês, de japonês, de natação, instrumentos musicais, até de datilografia (quem lembra?).
Livros
Não costumo economizar em livros. Compro livros como quem compra pipoca na rua. Mas tem um porém, eu não compro para ler depois, eu só compro no momento em que irei ler. A maioria dos livros comprados estão no formato kindle, e os que não possuem formato digital, compro livros físicos.
Roupas de qualidade
Já comprei muitas roupas em grandes lojas de departamento como Renner, C&A, Riachuelo, mas essas roupas não costumam durar muito. Gosto de comprar nessas lojas quando é algo temporário, alguma blusa para usar por um curto período de tempo. Mas quando é para montar o meu guarda-roupa, prefiro roupas de tecidos naturais, que tenham bom caimento, boa textura, boa costura.
Também sou adepta a comprar roupas em brechós, esses dias encontrei um modelo de uma saia que estava querendo há tempos, que não conseguia encontrar em nenhuma loja. A saia estava nova, inclusive com etiqueta, mas por 1/3 do preço. É muito bom ter essa opção de compra, principalmente quando as roupas que se escolhe são atemporais.
A qualidade das roupas foi algo que eu comecei a prestar atenção a partir de 2010, quando eu ainda passava muito frio no inverno, mas não sabia que era por causa das roupas que eu usava. Eu colocava 3, 4 camadas de roupas, 3 meias-calças e passava frio mesmo assim. Até que num intercâmbio que fiz para o Canadá, meu então namorado (atual marido) emprestou o casaco dele para eu passar o inverno em Vancouver (com neve!), e não passei frio. Como assim? Eu passava frio no inverno tropical do Brasil e não passei frio embaixo de neve no Canadá? Era a roupa.
Comida de verdade
Em 2019, quando fiz minha reeducação alimentar, eu li bastante sobre comida industrializada e doenças associadas. Desde então, temos reduzido a quantidade que ingerimos de comidas industrializadas, principalmente os óleos vegetais (de qualquer tipo, girassol, canola, soja etc), margarinas, molhos industrializados etc.
Damos preferência para azeite e manteiga, molhos caseiros, leite fresco, legumes e vegetais in natura, além de consumir ovos, carnes e peixes.
Tempo
Toda vez que invisto parte do meu salário em ativos financeiros que me geram renda, sei que estou comprando meu tempo de volta.
Eu adoro receber o salário do mês e “comprar” meu tempo de volta, é algo que realmente me dá prazer.
Como vocês puderam perceber, eu gosto de gastar bem o meu dinheiro. Mas para que a conta do mês feche com saldo positivo, sei que a lista das coisas que não compro é muito maior. E é justamente esse equilíbrio que me permite viver com qualidade de vida.
Eu e meu marido costumamos abrir as janelas do passado e ficar observando como era a nossa vida de alguns anos atrás.
Esses dias estávamos lembrando de como era a nossa vida depois que as nossas filhas nasceram. Como a gente não tinha carro, tudo era feito a pé, de metrô, de ônibus e raramente, de Uber. Era desta forma que a gente se locomovia pela cidade.
Quando minha primeira filha nasceu, eu comprei um carrinho de bebê que deitava completamente, porque já tinha a intenção de ter um segundo filho, e a minha ideia era colocar as duas no mesmo carrinho, simultaneamente. O carrinho escolhido era bem simples, um dos mais leves do mercado. Existem carrinhos específicos para quem tem 2 crianças pequenas, mas eu achava um trambolho, além do carrinho ser bem mais pesado.
Sempre tivemos o costume de leva-las em diversos parques, e um dos parques que gostávamos de ir era o Parque da Água Branca, que fica na Zona Oeste de São Paulo, que cá entre nós, não era muito perto de casa.
Era um local muito agradável, primeiro, porque tinha muitas galinhas soltas, o que pra mim era uma atração à parte, já que eu dava boas risadas observando a quantidade de galinhas atrás de mim, e ainda mais, ver as crianças correndo atrás delas. Segundo, porque o parque tem um clima bem familiar, não é lotado, nem agitado como o Parque Ibirapuera. E terceiro, porque esse parque sempre me remeteu àqueles parques mais antigos, por ter um sorveteiro que vendia sorvete americano, desses que fazem sorvete a partir de um suco concentrado, das garrafas de vidro com os xaropes de ponta cabeça. Tinha ainda o trenzinho todo colorido para as crianças, que dava voltas por todo o parque. O local contava ainda com um mini-parque de diversões, típico de quando éramos crianças. Ou seja, era como se estivéssemos entrando em um túnel do tempo, um lugar que nos trazia nostalgia e muita paz.
Para chegar nesse parque que não era perto de casa, íamos de metrô. Colocávamos as duas sentadas no carrinho, bem comportadas, uma atrás da outra. A pequena sentava na frente, e a mais velha, sentava atrás. Muitos transeuntes olhavam para nós, e sorriam, pois não era uma cena tão comum. Subíamos a ladeira empurrando o carrinho com a língua pra fora, e finalmente, chegando no parque, elas pulavam, brincavam e se divertiam a tarde toda.
Na hora de retornar para casa, as meninas, já cansadas de tanto brincar, dormiam no meio do caminho. Colocávamos a mais velha deitada no carrinho (por ser a mais pesada) e a caçula ia no colo. Como meu marido tem mais força no braço, ele carregava a caçula e eu empurrava o carrinho com a minha filha capotada lá dentro. Como não gosto de carregar peso, ainda pendurava todas as mochilas e tudo o que eu tinha direito no guidão do carrinho.
Andando pelas calçadas tortas de São Paulo, eu e meu marido ríamos alto falando que um dia, esse carrinho iria desintegrar na nossa mão. Porque esse carrinho, minha gente, andou tanto por essa cidade de São Paulo que eu nem sei como nunca quebrou.
Nós éramos um casal sacoleiro. Andávamos com um carrinho de bebê com 2 crianças dentro, sempre com uma mochila grande nas costas (com fralda, paninho, mudas de roupa extra, garrafa de água, leite, papinha, trocador, frutas, guarda-chuva, capa de chuva, etc), fora quando inventávamos de levar brinquedos… Pendurávamos tudo no carinho e saíamos de casa satisfeitos. Não é à toa que um dia fui reconhecida por uma leitora…. claro, só podia ser eu com aquele carrinho.
Quando passava no supermercado com as meninas, também pendurava todas as sacolas possíveis nesse carrinho de bebê, e com isso, precisava tomar muito cuidado para ele não tombar para trás, tamanho o peso das compras. Com as sacolas das compras penduradas, não era raro me enroscar na porta do prédio, na porta do elevador, na porta de casa.
E olhando para trás, posso dizer que na época, estávamos tão empenhados, tão decididos, acreditando e vivendo intensamente a jornada FIRE (Financial Independence Retire Early), que nada disso foi difícil para nós, não era complicado como as pessoas costumam achar.
Sempre encaramos tudo na esportiva, era algo necessário para quem tinha um projeto de vida bem definido, que era juntar o maior valor possível de patrimônio em um curto espaço de tempo, justamente por entender que a época de aportes gordos poderiam não durar para sempre.
Nós sempre soubemos que era uma escolha que estávamos fazendo. E estava tudo bem pra gente.
Hoje a gente lembra com bastante carinho dessa época, reconhecemos nosso esforço, e damos boas risadas, porque olhando pra trás, é engraçado mesmo lembrar que a gente corria pela rua com um carrinho de bebê cheio de penduricalhos, ou da gente secando a parede da sala em períodos de chuvas torrenciais. Na época, não era engraçado, mas nunca enxergamos isso como sacrifício, pois era algo que encarávamos com naturalidade, uma fase importante que precisávamos passar.
E é por isso que bato na tecla de que quando temos consciência do que queremos e para onde queremos chegar, os “sacrifícios” se tornam “escolhas”.
Termino o post de hoje com um texto retirado do blog da Claudia Ganhão, sobre o significado de viver de forma intencional:
“Viver de forma intencional, significa viver com intenção, colocando sempre a nossa intenção em tudo o que fazemos, em vez de vivermos somente em piloto automático, desresponsabilizarmo-nos das escolhas diárias, fazendo o que se espera de nós ou o que a maioria faz, sem pensarmos nas razões que nos levam a agir. É um convite para pensarmos nas nossas prioridades e motivações, a planejar e a agir de acordo com as mesmas.”
Quando eu ouvi pela primeira vez sobre FIRE (Financial Independence Retire Early), eu tinha uma bebê recém-nascida no meu colo. Foi um marco inesquecível na minha vida, já que a vontade de voltar ao trabalho era zero.
A gana para me libertar do sistema foi tão grande, que em pouco tempo eu devorei muitos conteúdos FIRE, li centenas de livros sobre investimentos e aprimorei meu controle financeiro. Aprendi a investir e também a economizar, já que no meu trabalho, tenho o agravante do meu salário não ter reajustes anuais por longos períodos, ou seja, apesar dos gastos terem a perspectiva de aumento, a receita diminui; uma péssima combinação.
Aprender a economizar nas coisas certas para gastar em coisas que eram importantes para mim, permitiu que eu continuasse com a mesma qualidade de vida, mas aumentasse os aportes. Eu já era bem controlada financeiramente, então não tive mudanças radicais no meu estilo de vida, mas a forma como eu passei a enxergar o dinheiro, e consequentemente, a investi-lo, mudou da água para o vinho.
Os bons resultados vieram relativamente rápido, por uma sucessão de acontecimentos. A renda fixa que estava dando taxas altas de retorno, o boom imobiliário, a renda variável que ainda não tinha começado a sua subida, aliado com muito estudo, consegui enxergar o poder dos juros compostos em alguns anos, e meu foco se consolidou em acumular patrimônio suficiente para ser FIRE.
Em 2020, eu alcancei o que podemos chamar de Lean FIRE.
Lean FIRE significa que você é independente financeiramente, pois consegue pagar todas suas despesas básicas.
Eu já consigo pagar todas as minhas despesas atuais, e não apenas as despesas básicas, o que me alçaria para o patamar de FIRE, mas como minhas filhas ainda são pequenas e os gastos estão aumentando, acho prudente me considerar no patamar de Lean FIRE. Além disso, nessa crise política e financeira que todos nós nos encontramos, meu patrimônio sobe e desaba numa velocidade impressionante, já que a maior parte dele é composto de renda variável.
Neste ano, comentei que li o livro Die With Zero onde o autor fala sobre a importância de não deixar alguns sonhos para depois, pois alguns eventos têm data de validade.
Depois da leitura do livro, eu percebi que eu seria uma ótima candidata a ser uma Coast FIRE.
Coast FIRE é quando você acredita que possui patrimônio suficiente para deixar rendendo durante alguns anos, enquanto você ainda tem o trabalho ativo.
Há alguns anos, eu escrevi um post falando sobre a minha estratégia FIRE, de que a partir do ano de 2021 (oh, esse ano!!!), eu poderia ficar 5 ou 6 anos sem aportes, e que mesmo assim, seria FIRE por conta do efeito bola de neve. Nessa época, eu ainda não conhecia o termo Coast FIRE, mas pensando agora, é exatamente isso que estou prestes a fazer.
Eu tinha escrito “a partir do ano de 2021”, porque em 2021, minha filha mais velha completaria 6 anos.
A partir dos 6 anos dela, eu tinha muitos planos. Sabia que viagens com crianças seriam mais tranquilas (só não contava que estaríamos no meio de uma pandemia). É uma idade em que a criança está aberta e começa a mostrar interesse para aprender coisas novas como esportes, instrumento musical, dança, ou qualquer outra coisa que ela tenha interesse.
A verdade é que após alcançar determinados marcos FIRE, eu me sinto livre.
Claro que ainda não chegou o momento de sair do trabalho pelos motivos citados acima (e sinceramente falando, após 1 ano e meio trabalhando de casa, trabalhar presencialmente está me fazendo um bem danado), mas eu me sinto livre por saber que não preciso me preocupar com a minha aposentadoria, de saber que se caso eu venha morrer, minha família não vai passar necessidade como minha mãe passou para criar 3 crianças pequenas.
Eu me sinto livre para proporcionar experiências para as minhas filhas, permitir “usar” meu salário sem precisar me preocupar se vai faltar amanhã. É como se o final do arco-íris estivesse agora entrelaçando os meus dedos…
Iniciei o projeto FIRE com 34 anos, e no meu planejamento inicial, eu iria alcançar a Independência Financeira bem mais tarde, mas com os bons ventos dos investimentos, esse prazo antecipou bastante.
Ter começado a estudar finanças, assim que descobri sobre FIRE e ter acreditado nessa “vida de utopia” como muitos dizem por aí, fez muita, mas muita diferença.
Aos 39 anos, cheguei no Lean FIRE.
Aos 40 anos, entendi que cheguei num ponto, que eu posso deixar meu patrimônio crescer por mais alguns anos e fazer o estilo Coast FIRE, talvez até completar 45.
Poderia também ser uma Barista FIRE.
Barista FIRE é quando você atinge a independência financeira, mas trabalha em um emprego tranquilo, muitas vezes de meio período, que oferece alguns benefícios como plano de saúde, ticket alimentação, seguro odontológico.
Ou até mesmo quem sabe, uma Fat FIRE daqui a alguns anos, apenas com o poder do tempo e juros compostos.
Fat FIRE é quando uma pessoa tem dinheiro suficiente para pagar suas despesas e ainda sobra para fazer o que deseja.
Acho que o importante nessa jornada FIRE é não se amarrar em uma única regra, pois é uma jornada longa, na maioria das vezes de 10, 15, 20 anos. É claro que conforme o tempo passa, começamos a ter uma percepção diferente do que tínhamos no início da jornada.
Muitos começam essa jornada solteiros, depois encontram um companheiro, casam, tem filhos, alguns se divorciam, porque viver é isso, temos sempre mudanças acontecendo na nossa vida.
Para mim, foi muito importante não ter me amarrado em um único conceito existente, nem de me colocar dentro de uma única caixa, e sim, ter adaptado os conceitos existentes para abraçar FIRE de acordo com a minha própria realidade e necessidade.
Eu tomei algumas decisões acertadas ao longo destes anos, vivi de uma forma um pouco mais modesta, mas nada absurdo aos olhos das pessoas, tanto que passo despercebida pelo meio em que vivo.
Eu nunca me senti privando de nada, pois eu sabia que estava fazendo algo muito importante, não só transformando a minha vida, mas a vida do meu marido e das minhas filhas.
FIRE sempre foi uma jornada para a liberdade, e é por isso que eu nunca enxerguei como uma jornada de sacrifícios, e sim, de escolhas inteligentes.
Já assisti diversos YouTubers dizendo que ninguém fica rico economizando no cafezinho, torcem o nariz para quem faz economia pequena.
Mas eu enxergo 3 contrapontos nessa frase:
1.) Ninguém começa grande.
2.) O problema não é o cafezinho em si, mas os gastos que ele representa ao longo do ano, acumulado com outros gastos igualmente pequenos.
3.) Quando ignoramos valores pequenos, ignoramos também o valor do dinheiro.
Ninguém liga para um desconto de internet de apenas R$20. Mas não são R$20. Em um ano, são R$240.
Somado com aquela taxa de manutenção bancária de R$30 mensais, vezes 12 meses ao ano, dá R$360, só por não ter uma conta digital sem taxas.
E aquele Uber que pegamos por preguiça, sendo que poderíamos ir andando ou pegar transporte público. Supondo que seja uma economia de somente R$100 por mês, no final do ano já são R$1.200.
Aquela feira semanal que vamos, ao invés de gastar o valor costumeiro, poderíamos economizar R$20 semanais. São mais R$960 de economia ao ano.
Poderia ficar aqui dando 1 milhão de exemplos de onde poderíamos rever o consumo, mas para não cansa-los, vamos somar só estes poucos exemplos: R$2.760,00.
Esse valor poderia facilmente subir para 5 mil, 10 mil reais de economia ao ano, mas quem não se preocupa em economizar valores pequenos, também não vai perceber que está rasgando todo esse dinheiro fora.
A verdade é que ninguém começa grande. Todo mundo começa pequeno. Ninguém começa ganhando um salário alto. Quem fala que temos que ignorar valores pequenos, é porque esqueceu do tempo que ganhava um salário baixo.
Eu concordo que esse controle não precisa ser feito para sempre, mas é muito importante ter uma boa noção do quanto está sendo gasto, e quanto está sendo poupado, principalmente nos primeiros anos de investimento.
Eu sempre comento por aqui que a vida tem fases e ciclos.
Há determinadas fases em que é preciso poupar com mais intensidade, da mesma forma que há fases em que podemos afrouxar um pouco o cinto. Há fases em que entra mais dinheiro no bolso, enquanto há fases em que entra menos.
Comigo não foi diferente. Houve fases em que eu juntei moedas, poupei dinheiro que as pessoas negligenciavam dizendo que era dinheiro do cafezinho. Em cima dessas piadas disfarçadas de brincadeiras, eu poupei tudo o que sobrava, porque sabia que da mesma forma que há períodos que sobra dinheiro, há períodos que não sobra dinheiro, principalmente para quem não tem um salário tão alto.
Muitos influenciadores falam que não devemos nunca diminuir os gastos, e sim, aumentar a renda. Mas vamos ser realistas, não é todo mundo que tem essa facilidade de aumentar o salário.
Temos que reconhecer que podemos ter controle nos gastos, não na renda. E é por isso que meu foco sempre foi economizar.
Todo esse controle que eu tive foi essencial para entender para onde estava indo meu dinheiro. Afinal, “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”. Ou seja, se não sabemos onde está o cano furado, não temos como conter o vazamento.
Após anos poupando e investindo, e depois de acumular um certo patrimônio, cheguei numa fase que não preciso ser tão rígida no controle como era no começo, pois hoje sei quais são os meus ralos e aprendi com erros e acertos, a gastar dinheiro de forma inteligente.
Mas repito, para mim, economizar nas pequenas coisas foi fundamental.
Muito se diz por aí “gaste dinheiro de forma inteligente”. E aí vem a pergunta: como gastar dinheiro desta forma?
Foi com o tempo que eu aprendi a gastar bem o dinheiro. Veja que não é gastar mais, é gastar bem.
Hoje, eu considero que sei gastar o dinheiro de forma bastante inteligente, fazendo manobras para diminuir em alguns gastos, para poder aumentar em outros locais.
Para isso, invariavelmente, há algo que precisa ser feito… é preciso olhar para dentro.
Olhar para dentro significa analisar quais coisas traz felicidade, e entender o motivo desse sentimento.
Quando iniciamos essa análise, nos surpreendemos negativamente, de como vivemos para agradar e tentar impressionar os outros. Que as necessidades foram criadas e impostas e não porque nós realmente precisamos.
Quando fazemos uma viagem e postamos fotos na rede social, fazemos isso com qual propósito? Será que as fotos, as poses preparadas não seriam uma tentativa de surpreender os outros?
Quando compramos uma roupa, um relógio, um sapato, o propósito real é para o conforto próprio ou para as outras pessoas falarem como estamos bonitos?
Quando escolhemos um modelo de um carro, não estaríamos escolhendo para impressionar os colegas de trabalho e familiares?
E assim, de escolhas em escolhas, entendemos finalmente que vivemos sempre pensando em alguém, nunca em nós mesmos.
Quando esvaziamos muitos desses conceitos (nossos e dos outros), sobra o que podemos chamar de essência, aquilo que é mais básico, o mais importante.
E talvez pela primeira vez, olhamos para dentro antes de fazer algo.
Começamos a questionar por que compramos um apartamento grande, com vários quartos, em um bairro completamente distante do trabalho, se não havia necessidade de ter tudo isso? Será que foi para impressionar a família e amigos? Talvez até para provar para nós mesmos o quanto somos capazes… O resultado é que a vida poderia ser mais fácil se tivéssemos comprado um apartamento menor, mais simples, mas próximo dos serviços que mais usamos.
E aquela viagem para uma cidade , ou um país famoso? Quantos de nós conseguiríamos não falar para ninguém que estamos fazendo uma determinada viagem, não postar as fotos nas redes sociais? Aliás, essas fotos estão sendo publicadas com qual intuito?
E assim, de pergunta em pergunta, começamos a derrubar o principal agente motivacional da nossa falsa felicidade: os outros; e passamos a enxergar o que há muito tempo nem sabíamos que ainda existia: a nossa própria vontade.
O julgamento alheio passa a não ser o centro da atenção, porque agora você sabe o motivo da SUA escolha.
“Moro num apartamento de 1 dormitório, porque não preciso de um maior”
“Comprei um celular caro, porque uso e gosto dele.”
“Não tenho carro, porque tenho um propósito maior”
Não importa a justificativa, desde que seja honesto.
Fazer essas perguntas nos ensina como devemos gastar o dinheiro para aumentar a felicidade.
Há um ponto importante. Não adianta não abrir mão de nada e querer tudo, porque haja dinheiro pra realizar tantos desejos. Não quer abrir mão da empregada doméstica, dos restaurantes nos finais de semana, das viagens para o exterior nas férias e ainda quer aposentar cedo? Só se seu salário for muito alto. Se for salário mediano, como a maioria das pessoas, terá que fazer escolhas. O que eu mais vejo são pessoas que querem tudo, mas não estão dispostas a abrir mão de nada.
Outra coisa que não devemos esquecer é o efeito em cadeia de certas decisões que tomamos.
Por exemplo, quando escolhemos uma determinada escola particular para os filhos, os gastos nunca ficarão só na mensalidade. Além da mensalidade, temos os cursos extracurriculares, as viagens que os amigos fazem, o tênis que eles usam, o relógio, onde eles vão passear nos fins de semana, a casa e o bairro que os amigos moram, o valor da mesada que ganham…
Se todos os amigos do seu filho vão para a Disney nas férias e vocês foram para Santos (nada contra Santos heim, é que minha mãe mora lá), se os amigos ganham uma mesada de 500 reais para comer e torrar no shopping enquanto seu filho nem mesada ganha… Nesse caso, não seria melhor escolher uma escola um pouco abaixo do padrão? Alguns pais podem dizer que isso é irrelevante e que precisamos avaliar somente a qualidade do ensino. Bom, aí cada um tem a sua forma de criação, mas para mim, ser socialmente aceito também é algo que devemos considerar para a felicidade das nossas crianças, principalmente numa fase em que as crianças carregam muitas inseguranças.
Para alguns, gastar em roupas é muito importante. Para outros, a roupa nem é tão importante, mas viajar é. Para outros, a viagem pode não ser tão necessário, mas a alimentação sim.
Usar o dinheiro de forma inteligente é isso. É conciliar a sua possibilidade com a vontade.
Errada por morar de aluguel, errada por não ter um carro durante tantos anos mesmo com o nascimento das minhas filhas, errada pelas minhas filhas estudarem em uma creche pública, errada por economizar boa parte do meu salário, errada por querer me planejar e pensar em algo que ainda iria demorar para acontecer.
A diferença é que eu sempre soube que estava certa, e eu sempre tive o meu marido que confiou em mim.
Antes mesmo de conhecer o conceito FIRE (Financial Independence Retire Early), eu e ele já vivíamos de modo diferente da maioria, nós éramos frugais. Nós não importávamos com o que os outros falavam de nós, porque tínhamos um ao outro.
Quando eu comprei meu primeiro imóvel próprio, caindo aos pedaços, muitas pessoas falaram que eu estava fazendo a maior besteira da minha vida, mas eu enxergava potencial. Era um imóvel muito bem localizado, onde os dois quintais (de uma cobertura) estavam na justiça. Comprei assim mesmo, porque avaliei que só a parte de dentro do apartamento, sem os quintais, valia o que estava sendo cobrado. Contratei um bom advogado e deixei rolar. Enquanto isso, fiz uma reforma básica para morar bem e depois de alguns anos, vendi com muita facilidade. Ah, ganhei a causa dos quintais.
Quando coloquei minhas filhas na creche municipal, ouvi uns comentários maldosos sobre esse assunto. Mas o que ninguém sabia era a nossa motivação, o objetivo principal de colocarmos as meninas em uma escola pública. Talvez para quem já veio de uma família de classe média e alta, e sempre estudou em uma escola privada, colocar os próprios filhos numa escola pública seja o fim do mundo. Mas para mim e para o meu marido que estudou a vida inteira em escola pública, nós tínhamos outras motivações, que não eram apenas financeiras.
Quando descobri sobre FIRE e comecei a falar para os amigos e colegas próximos, algumas pessoas riram na minha cara e a maioria das pessoas nem quiseram ouvir o que eu tinha para falar. Comportamento bem diferente do meu marido, que desde o primeiro momento em que sentei do seu lado para explicar sobre o conceito FIRE, ele não só acreditou em mim, como entrou no mesmo barco e começamos a remar juntos. Passados 6 anos, nossa vida deu uma reviravolta (apesar de ninguém perceber essa diferença, porque quase não aumentamos nosso padrão de vida), não há se quer 1 único dia que eu não agradeça por ter tomado essa decisão lá atrás.
Quando as crianças nasceram, decidimos interromper temporariamente as viagens para o exterior, pois queríamos aumentar os aportes e também porque sabíamos que fazer um tour por um país desconhecido com 2 bebês que usavam fraldas não seria uma tarefa das mais fáceis. Sabíamos também que teríamos uma janela de tempo para poupar, pois conforme as crianças crescem, os gastos tendem a aumentar.
Eu e meu marido sempre vivemos abaixo do padrão que poderíamos viver. Então enquanto todos tinham carro, eu andava de ônibus e metrô, o marido de bicicleta. Enquanto todos compravam uma casa, eu continuava no meu apartamento alugado. Quando os amigos começaram a reformar seus imóveis, lá estava eu morando de aluguel ainda. Quando vieram os filhos e todos colocaram em creche particular, eu coloquei na creche municipal do bairro.
Essas são algumas das coisas que as pessoas viram. O que ninguém viu, é que eu não vivi na frugalidade à toa. Eu investi toda essa diferença não-gasta.
Eu poupei todo o dinheiro por não ter um carro. Também poupei todo dinheiro da reforma de um apartamento que não comprei. Poupei todas as vezes que não saí comprando algo desnecessário.
Minha mãe trabalhava para algumas pessoas que tinham um poder aquisitivo elevado. E ela viu muitas destas pessoas quebrarem. Veja que eram pessoas milionárias, que eram donas de empresas, tinham negócios que envolvia toda a família.
Ela sempre falou que não era feio ser pobre (como nós éramos). Feio, era esbanjar dinheiro e no futuro ser pobre, porque isso significava que você geriu mal o seu dinheiro.
Foi com essa frase que eu comecei a minha vida, lá de baixo. Eu entendi que eu poderia aumentar meu padrão de vida se eu tivesse condições de mantê-lo, ou seja, deveria ser uma escolha consciente, e vir de forma constante e devagar.
E é justamente por isso que nesses 11 anos que eu e marido estamos juntos, nunca recuamos nosso padrão de vida, porque crescemos muito mais devagar do que os outros.
Já morei em diversos tipos de apartamento, e em todos eles, vou melhorando um pouquinho. Comecei morando em uma república na época da faculdade, depois dividi quarto com uma amiga, depois morei nos fundos de uma casa de uma família, para finalmente conseguir morar sozinha.
A mesma coisa acontece com a escolha dos bairros. Comecei morando em uma rua encostada em uma favela, porque era o único lugar que eu conseguia pagar com o meu salário que era muito baixo. Depois fui morar em um outro bairro mais simples, e aos poucos fui melhorando, até conseguir morar em um bairro que eu sempre quis morar.
Hoje compro móveis e eletrodomésticos novos, mas cansei de comprar itens usados, de segunda mão, com preços extremamente acessíveis. Já comprei mesa, geladeira, fogão usado, porque nunca foi vergonhoso, eu sempre soube que era uma fase da vida.
Há um exemplo que eu gosto muito de dar, porque exemplifica muito bem o poder do tempo e dos juros compostos que a gente costuma negligenciar.
Imagine uma pessoa começando a investir aos 20, e continua fazendo aportes todos os meses no valor de R$1.000 (vamos desconsiderar a inflação, ok?) até os seus 40 anos, a um retorno hipotético de 10% ao ano. E dos 40 até os 60 anos, não faz absolutamente nada, não coloca mais nenhum dinheiro, só deixa rendendo. Ou seja, investiu por 20 anos, e deixou o dinheiro rendendo por mais 20 anos.
Enquanto a segunda pessoa investiu os mesmos 20 anos do que a pessoa do primeiro exemplo, mas ao invés de começar aos 20 anos de idade, decidiu começar ao 40 e foi até os 60 anos.
Os dois têm 60 anos hoje. Adivinhem quanto cada um tem?
A primeira pessoa tem R$ 4.877.348,19
A segunda pessoa tem R$ 724.986,73
Uma diferença de mais de 4 milhões de reais, sendo que o valor poupado foi exatamente o mesmo. A vantagem está no tempo, para quem começou a investir mais cedo. E é aí que está o grande segredo. Poupar no início da vida financeira para que os juros compostos tenham tempo para crescer. Agora imagine se esse valor inicial investido não fosse de R$1.000, fosse mais?
Os valores impressionam.
O que eu quero dizer aqui é que sempre é tempo de começar, alguns podem dizer, ah, pra mim é tarde demais, mas a verdade é que nunca é tarde. Claro que quanto mais cedo começar, melhor, mas se isso não foi possível, por qualquer que seja o motivo, é importante começar hoje.
Tem certeza? Pois é muito mais difícil do que parece, e está muito mais internalizado do que imaginamos.
A gente acha que não, mas comprar é um vício. A diferença é que esse vício é bonito, muito bem aceito pela sociedade.
Hoje em dia, eu não tenho mais essa tara para comprar coisas: comprar roupas, comprar bolsas, comprar sapatos, comprar maquiagens, comprar eletrônicos, comprar presente para os outros.
Claro que eu também adoro comprar, mas costumo comprar coisas que estou precisando ou algo que eu quero muito. Avalio muito bem antes de comprar, compro com bastante planejamento, e dificilmente me arrependo das minhas compras.
Para chegar nesse ponto, eu demorei muito, muito tempo.
Primeiro, porque eu não sabia comprar direito, então comprava qualquer coisa, chegava em casa, passava a euforia e depois não usava. Segundo, porque eu tinha vontade de comprar por comprar. Queria passear no shopping, procurar algo para gastar meu dinheiro. Eu nem sabia o que eu queria comprar, só queria gastar meu dinheiro.
Nos fins-de-semana, queria bater perna na rua para olhar as vitrines e comprar alguma coisa pra mim. Qualquer coisa servia. O ato de comprar tinha se tornado um vício para aliviar o estresse, uma válvula de escape.
E como consegui parar de comprar?
Consegui, quando passei a ter as coisas que eu realmente queria.
Tudo começou com uma carteira. Eu sempre tive o costume de trocar a carteira a cada 4, 6 meses, porque sempre gostei de fazer isso. Fiz isso praticamente durante uma década, de 2000 até 2010. Eu tinha uma coleção de carteiras…
Quando fui assaltada e fiquei sem a minha carteira, eu decidi pela primeira vez, comprar uma carteira muito boa, mas que não comprava antes, porque achava cara. Quando comprei, senti algo que não sabia direito o que era, era uma sensação boa, de satisfação, mas desta vez, uma satisfação duradoura, bem diferente do sentimento descartável que eu tinha quando fazia compras por impulso.
O que me surpreendeu, é que depois desta compra, a vontade de trocar minha carteira a cada 4 meses cessou por completo. Isso mesmo, nunca mais troquei de carteira. Essa história aconteceu em 2010. Estamos em 2021 e estou com a mesma carteira desde então, são inacreditáveis 11 anos. Ela continua conservada, e fico satisfeita toda vez que vejo, porque sei que fiz uma ótima compra.
E aos poucos, passei a fazer isso com tudo na minha vida.
Eu parei de me importar com preço e quantidade, e comecei a prestar atenção no valor que um determinado produto tinha para mim (e não para os outros).
Ao invés de ter um guarda-roupa abarrotado, decidi ter um guarda-roupa enxuto. Tenho poucas roupas, porque durante mais de 1 ano, estudei que tipo de roupas eu gostava, descobri quais modelos e cores combinavam comigo, e ainda eliminei as roupas que eu tinha dificuldades de combinar.
Muitos de vocês leram meu post sobre a bicicleta que eu comprei. Eu demorei 4 anos para acha-la, pois perdi a oportunidade de comprar na loja e depois a bicicleta deixou de ser comercializada no Brasil. Eu preferi esperar pacientemente alguém se desfazer da bicicleta, acompanhando sites de desapego, do que comprar qualquer modelo de bicicleta, pois sabia que iria ficar descontente rapidamente.
Hoje eu tomo meu chá na minha caneca preferida, sento na cadeira de um modelo que eu gosto, durmo no colchão que escolhi a dedo, sento no sofá que me dá satisfação toda vez que vejo minha família bem acomodada, uso há anos a mesma marca de sapatos que não machucam meus pés, visto as roupas que me caem bem, enfim, estou rodeada de objetos que me traz satisfação.
Nem sempre o produto que eu compro é o mais barato, mas não necessariamente é o mais caro. Eu simplesmente escolho o que eu mais desejo (dentro dos meus padrões orçamentários, claro).
Em relação ao preço das coisas, comecei a entender que mesmo se eu escolhesse algo mais caro, valia a pena, desde que eu soubesse que era realmente algo que EU queria, e não algo que era somente para ostentar para os OUTROS. Ao comprar algo da minha preferência, comecei a cuidar melhor dos objetos, e as coisas começaram a durar mais. Também não enjoava, então não precisava mais ficar substituindo os produtos por outros novos, porque dava muito prazer vê-los comigo.
Alguns produtos, eram sim mais caros, mas agora eu precisava em menor quantidade. Não sentia mais necessidade de ter 50 calças jeans. Alguns pares já me bastava, desde que o modelo ficasse perfeito no meu corpo.
Até minhas filhas estão compreendendo isso. Quando a caçula diz que quer um chinelo novo, a minha filha mais velha já explica que quando esse chinelinho que serve perfeitamente no pé dela ficar pequeno, iremos numa loja para escolher um chinelo que ela desejar. Sim, ela pode escolher o modelo que mais gostar.
Quando a gente gosta do que tem, a gente cuida bem. A gente não sente aquela necessidade de trocar, de substituir, de jogar fora, nem tem medo do julgamento alheio. E com isso, mesmo sendo itens um pouco mais caros, no final, acaba saindo mais barato, porque só aquele único objeto te atende muito bem.
Quando eu passei a fazer isso, comecei a me sentir mais satisfeita com as coisas que eu tinha, e parei de querer comprar coisas sem parar, que pensando agora, não passava de um ato automático de repetição infinita.
Então é aquela velha história da suficiência. Eu não passo vontade, porque tudo o que eu deixei de comprar, eram coisas que não eram importantes para mim.
A conversa sobre não postergar sonhos anda rendendo.
Nos posts anteriores, escrevi sobre a importância de reconhecer que não somos eternos e como alguns momentos são mais importantes do que outros (post Quantos anos você tem pela frente).
Depois escrevi um post sobre uma dúvida que muitos têm, Quanto comprometer da renda para realizar sonhos?, compartilhando como eu pretendo utilizar melhor meu tempo e dinheiro após este período pós-pandemia.
Gastar dinheiro parece ser algo contraditório para quem está na jornada FIRE (Financial Independence, Retire Early), já que a intenção de quem quer ser FIRE é poupar o máximo do salário para se aposentar cedo.
Bill Perkins, autor do livro Die With Zero fala que alguns sonhos têm data de validade e recomenda que criemos um “Bucket List” (algo como uma lista de tudo o que queremos fazer antes de morrer), só que em blocos de tempo, no caso, de 5 anos.
Foi a grande oportunidade para resgatar a minha lista chamada “Um dia, Talvez”. Nesta lista, eu coloco tudo o que quero fazer um dia, todos os sonhos possíveis (e os meio impossíveis também).
Achei interessante que ao distribuir os itens dessa minha lista em cada balde, saí da condição “eu farei um dia” e entrei na condição “farei quando tiver entre 40 a 44 anos”, ou “quando tiver entre 45 a 49 anos”, e assim, um sonho que até então era abstrato, começa a tomar forma.
Criei um balde para cada bloco de 5 anos até os meus 80 anos (é a expectativa da minha vida, segundo a tábua da vida do IBGE):
Só nesse exercício, eu já fiquei surpresa como tenho poucos baldes… se eu tiver a sorte de viver até os 80 anos e com saúde, eu tenho 8 baldes.
Como eu tenho marido e filhas, achei legal colocar a idade dos integrantes da minha família também:
Tendo “apenas” 8 baldes e agora sabendo a idade de todos os membros da família, fui colocando tudo o que constava na minha lista do “Um dia, Talvez”.
E ao fazer a distribuição de cada sonho nos baldes, tive a certeza de que alguns dos meus sonhos precisam ser realizados com uma certa rapidez.
Por exemplo, há resorts que tem muita coisa legal para as crianças pequenas brincarem. Estes resorts, foram colocados como prioridade no primeiro balde quando minhas filhas ainda terão entre 5 até 11 anos de idade.
Alguns parques temáticos e museus, também têm data de validade para elas alcançarem o que podemos chamar de “topo da alegria”, ou até mesmo “a melhor idade para ir”.
Há também algumas viagens específicas que precisamos fazer no momento certo. Meu marido quer subir algumas montanhas, não vamos conseguir fazer isso com 70 anos de idade.
Também pretendo fazer uma viagem para o Japão com minha mãe. Ela está esperando as netas crescerem um pouco mais para poder aproveitar a viagem, e o mais importante, para elas se lembrarem dessa viagem. Tenho que colocar esta viagem no balde certo, pois na mesma velocidade que minhas filhas crescem, minha mãe envelhece.
Já se eu quisesse fazer um Cruzeiro, poderia colocar em um dos últimos baldes, pois sei que é uma viagem tranquila para terceira idade.
Veja como é importante fazer certas coisas no momento certo.
Há coisas que eu fiz e que foi muito divertido, coisas que talvez eu não fizesse mais hoje, como participar de uma corrida fantasiada de Wally… sim, eu quis pagar esse mico e ainda arrastei o marido junto.
Por outro lado, tem um tipo de viagem que eu acho que já perdi o bonde. Eu sempre falei que queria viajar de trailer, mas conforme vou ficando velha, estou ficando medrosa. Eu tenho medo do trailer quebrar no meio da estrada, tenho medo de dormir em lugares abertos, sentiria falta de tomar um banho quente no meu chuveiro, coisas que se eu fosse 10 anos mais nova, eu não pensaria duas vezes em me aventurar. Hoje eu tenho medo até de insetos… Quando vou para parques e praças com as minhas filhas, fico olhando excessivamente a grama pra ver se não tem cocô de cachorro, se não tem aranhas, se não tem um formigueiro por perto…. quando eu era mais nova, eu não ligava pra essas coisas, eu até deitava no chão da calçada.
Claro que pra fazer a maioria das coisas, precisamos de dinheiro. Mas também dá pra fazer muitas coisas com pouco dinheiro, desde que a pessoa não se importe com luxos.
Quando falo em experiências, cada família possui uma condição financeira diferente. O que é muito para mim pode ser pouco para a outra família e vice-versa.
Aqui neste post Como curtir uma viagem e economizar ao mesmo tempo, eu dei um exemplo de uma viagem em família econômica. É um resort? Não. É um hotel 5 estrelas? Claro que não. Mas para quem estava com 2 crianças pequenas (na época 2 e 4 anos) e queria descansar um pouco, o hotel atendeu muitíssimo bem. Um hotel com todas as refeições inclusas, piscina, uma área para as crianças brincarem, e comida muito boa.
Na época (foi em 2019) eu paguei R$739 por 3 noites para toda família. Significa que a diária para o casal saiu R$246,33, ou seja, R$123,16 por pessoa (com café da manhã, almoço e jantar inclusos). Além de tudo, as crianças não pagaram, entraram como cortesia.
Só estou querendo dizer que há espaço para vários orçamentos. Há viagens mais econômicas, viagens de lazer que podem ser barateadas em troca de trabalho, há até pessoas que estão dispostas a hospedarem viajantes do mundo inteiro em troca de boas histórias.
Por isso cada pessoa deve avaliar o próprio orçamento, analisar em que fase da vida está, se é o momento certo para gastar, ver o que é possível fazer e de que forma.
O importante é não deixar passar alguns sonhos, pois muitos deles têm data de validade.
Não podemos nos iludir achando que a vida só vai começar depois que atingirmos FIRE. Quem tem mais idade já sabe, quanto mais a idade avança, mais difícil se torna a tarefa de encontrar bons amigos. Quanto mais tarde começarmos a fazer exercícios físicos, mais o nosso corpo sente. Quanto mais tarde resolvermos nos alimentar bem, lá na frente pode ser tarde demais, pode ser que já estejamos doentes.
Quem está percorrendo a jornada FIRE precisa tomar muito cuidado para não exagerar no Poupar (postergar sonhos, deixar para viver só depois que alcançar FIRE), nem exagerar no Gastar (pensar apenas no presente e esquecer do futuro).
Tá, então qual seria a solução?
O Coast FIRE pode ser a sua solução.
Por definição, Coast FIRE significa juntar dinheiro suficiente no início da jornada para não precisar mais se preocupar com a independência financeira na data da sua aposentadoria. Com o montante inicial, o patrimônio ficará adormecido durante décadas, e com a ajuda do tempo e juros compostos, poderá alcançar a curva íngreme dos juros compostos até o ponto de chegar na independência financeira.
Pode ser que não consiga ser FIRE (no caso, aposentar cedo), mas saber que terá uma aposentadoria digna é um grande alívio.
Apenas para mostrar a diferença entre um e outro:
Ser um FIRE significa que você não precisa ter um trabalho para viver, pois pode viver com o rendimento dos investimentos.
Ser um Coast FIRE, significa que você precisa cobrir suas despesas atuais, mas não precisa se preocupar com a sua aposentadoria.
“Coast FIRE é o ponto de inflexão matemático em que o dinheiro que você investiu é suficiente para crescer a uma quantia suficiente para a aposentadoria sem exigir contribuições adicionais.” Fire the Family
Ou seja, desde que você consiga acumular um valor razoável, poderá parar de poupar (ou poupar menos) e começar a usar boa parte do seu salário para diversões. Claro que é preciso ainda pensar em como pagar as contas do mês, mas não precisará se preocupar com a aposentadoria lá na frente.
Para quem não quer perder o timing de fazer as coisas que tem vontade de fazer, o Coast FIRE pode ser a solução.
Eu sempre gostei de planejar, porque foi a maneira que encontrei para conseguir realizar sonhos, sem comprometer o orçamento.
Mas recentemente, comecei a fazer uma pergunta: qual é o valor máximo que poderia comprometer da minha renda para realizar mais sonhos, sem comprometer o projeto FIRE (Financial Independente Retire Early)?
Estou lendo o livro Die With Zero (ainda sem tradução para o português), onde o autor enfatiza que certos momentos da nossa vida tem data de validade para acontecer. Não adianta um pai comprar uma piscina inflável depois que as crianças já estiverem crescidos, pois a alegria dos filhos com certeza não será a mesma.
Da mesma forma, há viagens que fazemos com mais facilidade quando somos mais jovens, como mochilão, dividir quartos com desconhecidos, passar a noite em claro, ficar em albergues. Conforme ficamos mais velhos, buscamos por mais conforto, privacidade, limpeza, comida boa, chuveiro bom e colchão de qualidade nos lugares que hospedamos.
Certas diversões precisam ser feitas em uma determinada época da nossa vida para que a intensidade da felicidade seja aproveitada ao máximo. Há coisas que não podemos deixar para depois: depois que virarmos FIRE, depois que sairmos do emprego, depois que estivermos aposentados.
Há apenas uma pequena janela de tempo para cada uma das diversas fases da nossa vida. São momentos que se não aproveitados bem naquele momento, deixam de ser especiais. Então devemos aproveitar quando estivermos na melhor fase, na melhor idade, na fase do ápice.
Em 2020, escrevi o post: Quantos anos você tem pela frente? que explica bem esse conceito de como alguns momentos da nossa vida são mais preciosos do que outros. Quem já teve alguém que ama com uma doença terminal sabe muito bem do que estou falando. Não dá para postergar nem por algumas semanas o momento para passar com essa pessoa.
Reconhecer que alguns momentos da nossa vida são únicos, é um passo importante para tomar decisões importantes de forma mais consciente.
Ler o livro Die With Zero, ainda que esteja nos capítulos iniciais, me fez pensar em como poderia potencializar mais realizações. Estou há 1 ano e 3 meses em isolamento social – total, diga-se de passagem – e logo assim que a pandemia estiver sob controle, quero retomar os momentos de diversão com minha família, criar memórias, mas sem estourar o orçamento.
Pensei que se estipulasse um valor no início do ano facilitaria o meu planejamento para gastar ao longo dos próximos 12 meses nos “gastos com felicidade”. Mas afinal, quanto destinar sem prejudicar meus planos futuros?
Como eu e meu marido ainda trabalhamos e possuímos renda ativa, decidimos que gastaríamos uma parte de tudo o que foi poupado no ano anterior. Isso significa que quanto mais pouparmos, mais gastamos em felicidade. É um sistema ganha-ganha.
Usaremos uma porcentagem pré-definida do total de aportes feitos no ano anterior. Neste primeiro momento, começaremos com 20% de tudo o que aportaremos neste ano de 2021.
Essa faixa de 20% dá um valor bastante significativo, pois somos bons poupadores. Estamos numa fase bastante confortável da jornada FIRE, poupamos bastante e os investimentos têm dado ótimos retornos, então iremos avaliar essa porcentagem a cada ano, com tendência de aumento gradativo para 25%, 30%, 35% e assim por diante, aumentando ainda mais a exposição da família em experiências que tem data de validade para acontecer.
Esse plano será seguido enquanto estivermos trabalhando. Depois, decidiremos as próximas estratégias quando pararmos de trabalhar.
Então seria algo assim:
No primeiro momento, pode parecer esquisito, afinal, pra quê fazer essa separação de dinheiro? Não seria mais fácil só poupar menos? Investir menos e usar esse dinheiro durante o mês?
Bom, se eu decidisse poupar menos no mês para gastar mais, eu tenho certeza que apenas aumentaria minhas despesas e o padrão de vida, mas não necessariamente aumentaria a felicidade… uma comida de delivery, compras de supermercado, uma bobeirinha aqui e ali, pedir um Uber porque estou com preguiça de andar, ou qualquer outra coisa que depois de 10 anos, nem lembraria o que eu fiz com esse dinheiro.
Ao fazer essa separação de “gastos com felicidade”, posso planejar com calma tudo o que quero fazer ao longo do ano. Além disso, será um incentivo saber que quanto mais aportar, mais poderei gastar para realizar sonhos, afinal, o dinheiro terá destino certo.
Eu vejo 3 vantagens ao fazer isso:
1.) gastar mais com experiências sem dor na consciência de achar que estou sabotando o projeto FIRE, pois saberei que é um gasto previsto/planejado
2.) patrimônio já acumulado intacto, ou seja, dinheiro trabalhando para mim, usando o fator tempo e juros compostos ao meu favor
3.) aportes mensais contínuos potencializando o efeito bola de neve
Bill Perkins, o autor do livro mencionado no início do post, fala que há pessoas que conforme o patrimônio cresce, o tamanho dos seus potes vão mudando. Se antes a felicidade era ter 1 milhão de dólares, quando se alcança este número, surge uma nova meta numérica… 5 milhões, 10 milhões e assim por diante, ou seja, entra em uma espiral de “acumule, economize mais e nunca desfrute”, criando metas inalcançáveis para postergar sonhos.
A vida é valiosa demais para ficar só acumulando patrimônio e não gastar em experiências com pessoas que amamos no momento certo. Quero gastar tempo e dinheiro com coisas que tragam memórias, enquanto tenho disposição, enquanto minhas filhas amam ficar penduradas em mim. Quero dar um bom destino a esse dinheiro construindo mais memórias, fortalecendo vínculos afetivos, que remetam boas lembranças e aumente contato com pessoas que são importantes na minha vida.
Consciente de que o tempo é finito, temos que aproveitar enquanto somos jovens, enquanto temos disposição, temos saúde e pessoas que amamos por perto.
Este post é mais um lembrete de que o dinheiro deve nos servir, e não virar nosso patrão.
Vocês sabem que gosto de listas, então, segue as minhas dicas pessoais para evitar compras impulsivas:
1. Compre apenas no momento de usar
Uma coisa que eu aprendi nesta pandemia foi parar de comprar com tanta antecedência. Era uma coisa que eu fazia com frequência, gostava de planejar com meeeeeses de antecedência, mas percebi que nem sempre fazer isso é bom.
Lembro de um dia ter comprado maiô pra fazer natação. Depois deixei guardado na gaveta, resolvi fazer uma reeducação alimentar e emagreci 12kg e aí aquele maiô que eu tinha comprado, e que estava guardado na gaveta, ainda com etiqueta, não serviu pra mais nada.
Seria mais inteligente da minha parte comprar o maiô somente depois que eu tivesse feito a matrícula na escola.
Fora as outras coisas que comprei, e que de uma forma ou de outra, acabou perdendo o sentido depois de esperar alguns meses para ser usado.
Agora já aprendi que é melhor comprar somente quando chegar o momento de usar.
2. Tenha uma lista de compras
Eu tenho uma lista chamada Compras.
É nesta lista que eu coloco o cardigã que eu quero comprar, e que está lá há mais de 2 anos, porque não achei a cor que eu quero, o kit de brocas para a furadeira, entre outras coisas.
O bom de ter essa lista é que depois de alguns meses, eu desisto de comprar a maioria dos itens que estão lá. Ou seja, não era importante, seria uma compra por impulso.
Esse kit de brocas por exemplo, está nesta lista há pelo menos 3 meses, e não tenho pressa para comprar. Já pesquisei pela internet, mas prefiro escolher na loja. Fazer isso faz com que eu tenha menos arrependimentos na hora da compra.
3. Não se emocione com as liquidações
Aproveitar uma liquidação é sempre muito bom, se conseguirmos comprar somente o que iremos usar de verdade. Agora, comprar só porque está barato, só por este único motivo, não vale a pena.
Eu já me emocionei muito com liquidações, achava que estava perdendo grandes oportunidades se não aproveitasse.
Hoje prefiro comprar algo mais caro sabendo que é algo que irei usar, do que comprar algo mais barato sem saber se irei usar.
4. Não compre por estar na moda
Eu lembro que há alguns anos, se tornou tendência a calça pantacourt (uma calça larga e curta, ou uma bermuda longa rs).
Era muito comum ver várias, várias mulheres usando aquelas calças largas e listradas que iam até a canela.
A verdade é que são poucas as pessoas que ficam bem naquele tipo de modelo, que encurta as pernas.
Mas era impressionante a quantidade de pessoas que eu via na rua usando.
Ao invés de comprar porque está na moda, eu acho melhor comprar porque combina.
5. Antes de comprar, pesquise a opinião de outros consumidores
Há alguns anos, eu comprei um termômetro digital da marca Omron por justamente conhecer bem a marca.
Só que eu esqueci de pesquisar o produto em si, e não apenas confiar na marca.
Eu só descobri que aquele modelo específico de termômetro era descartável, quando minha filha estava ardendo de febre e o termômetro relativamente novo estava sem bateria.
Se eu tivesse feito essa pesquisa antes, saberia desse detalhe importante.
6. Jogue os e-mails de lojas para a pasta do spam
Tem períodos que eu resolvo me descadastrar de todas as lojas (elas me encontram mesmo eu não me cadastrando).
Mas em alguns momentos, tenho a impressão de que quanto mais me descadastro, mais e-mails eu recebo.
É uma coisa de doido.
Então eu oscilo entre fases em que saio descadastrando tudo, com fases que simplesmente ignoro e levo para a pasta de spam.
7. Pare de acompanhar canais que incentivam o consumo
Se tem uma período da minha vida que eu comprei maquiagens caras, foi justamente na época em que eu acompanhava os reviews de maquiagens das YouTubers.
Assistir esses vídeos atiçava a minha vontade de experimentar.
Eram tantos produtos novos, que eu nem dava conta de usar.
O produto vencia e eu tinha que jogar o produto que estava quase sem uso no lixo.
Depois que parei de segui-las, a minha vontade de consumir cessou completamente.
8. Estipule um limite de valor para gastar
Eu limito o valor em 2 ocasiões.
1.) Uma para não gastar demais,
2.) E outra para lembrar de gastar mais.
Exemplo de situação para não gastar demais: eu costumo fazer as compras da casa no supermercado. Mas às vezes, vou para a feira, principalmente quando as frutas do supermercado não estão tão boas. E eu já percebi que se eu levo 100 reais para a feira, gasto 100 reais. Se levo 80, gasto 80. E se levo 50, gasto 50. Então avalio o valor a ser gasto e só levo esse dinheiro.
Exemplo de situação para gastar mais: agora na pandemia, isso pode ser desconsiderado, mas em tempos normais, gosto de estipular valores para gastar no Uber, em passeios, lazer. Então quando passa o mês e eu vejo que gastei pouco, eu presto atenção para gastar mais no mês seguinte, afinal, dinheiro foi feito para gastar também.
9. Entenda a diferença entre preço e valor
Nós podemos comprar coisas pelo Preço e também pelo Valor. Os dois estão certos, desde que saibamos o que estamos fazendo.
Nesse período que minhas filhas crescem rápido (há fases em que as roupas duram uns 3 meses) eu tenho a plena consciência de que compro roupas para as meninas pensando no preço. Não vou comprar roupas de marca, não penso na durabilidade, não compro roupas caras, porque sei que a roupa vai evaporar.
Agora, quando fui comprar o colchão para as meninas, eu comprei pensando no valor, porque sabia que era um bem durável, importante para estabelecer o bom sono delas.
Esses dias comprei 2 blusas pra mim, comprei pensando no preço, já que só queria uma blusa confortável para usar em casa.
Já quando compro sapato, compro pensando no valor, porque não gosto nem um pouco de usar sapatos duros ou apertados. Não precisa ser algo caro, mas precisa ser algo de qualidade.
Saber reconhecer a diferença entre preço e valor no momento da compra é muito importante, pois evita comprar coisas importantes pensando no preço, ou, comprar coisas sem utilidade pensando no valor.
10. Cuide de você
Muitas compras por impulso acabam sendo feitas por causa da nossa instabilidade emocional: tristeza, ansiedade, frustração, inveja, insegurança, preguiça, tédio, medo.
Essa correlação é algo negligenciado por muitas pessoas, mas vale a pena avaliar como anda a nossa estabilidade emocional.
E por não ter tantas contas para pagar, não sinto tanto o peso dos boletos. E de quebra, faz com que eu possa investir parte do meu salário todos os meses rumo ao plano FIRE.
Imóvel
Eu moro de aluguel, ou seja, sempre pago um valor total que eu considero justo. No momento em que achar o valor do aluguel abusivo, ou até mesmo, caro para o meu padrão de vida, só preciso procurar um outro imóvel que tenha o valor aceitável para minha situação financeira atual.
Boletos que não pago:
Documentação na compra de um imóvel (ITBI, escritura, registro de imóvel, certidão negativa de dívidas, corretor de imóveis)
Prestações do financiamento imobiliário
Fundo de reserva para melhorias do imóvel: quem paga é o proprietário do imóvel
Manutenção da casa como pintura, pequenos consertos: eu mesma faço
Carro
Tenho o costume de usar transporte público, já o marido, faz tudo de bicicleta. Para passear em locais um pouco mais distantes, usamos Uber.
Boletos que não pago:
Prestações do financiamento de carro
Combustível
IPVA
Licenciamento
Seguro DPVAT
Seguro do carro
Estacionamento
Manutenção do carro como lavagem, reparo, revisão
Filhos
Mensalidade escolar: filhas atualmente na creche pública
Festa em buffet: minhas festas são estilo vovó
Brinquedos: não somos pais que enchem as crianças de brinquedos
Assinaturas
Spotify
Amazon Prime
YouTube Premium
GloboPlay
TV a cabo
Pacote de celular
Jornais/Revistas
Combos (de qualquer tipo)
Serviços
Diarista
Passadeira
Lavanderia
Manicure/pedicure: faço em casa
Salão de beleza
Plano odontológico: pago as consulta de rotina no momento da necessidade
Agência de viagem: eu mesma organizo as viagens
Anuidade de cartão de crédito
Tarifa bancária
Manutenção da conta bancária
Multa/juros por atraso de pagamento de conta
Frete: aquela velha história, se comprar acima de R$99, o frete é “grátis”, eu não compro mais do que preciso só pra poder ser contemplada com esse frete “grátis”
Datas comemorativas
Blackfriday
Liquidação/Promoção
Aniversários: compramos apenas para as crianças
Páscoa: compramos apenas para as crianças
Dia das mães: mãe e sogra ganham um mimo, mas eu não acho importante ganhar coisas
Dia dos pais: meu marido é outro que não faz questão de ganhar coisas em datas comemorativas. Como sempre compramos quando precisamos de algo, não precisamos ganhar nada em datas que foram criadas apenas com o intuito comercial
Dia dos namorados: idem ao anterior
Natal: apenas as crianças
Alimentação
Rotisseria: faço tudo em casa, desde nhoque, pizza profissa!, churrasco, pão recheado, etc.
iFood: é muito esporádico pedirmos algo da rua, já que eu cozinho razoavelmente bem
Não desperdiço alimentos
Nenhum alimento passa do vencimento (gestão da despensa)
Não tenho muitos boletos, porque não assumo compromisso de produtos e serviços que não uso.
Quis facilitar a minha vida de forma a não depender de passivos (carros, imóveis, dívidas, financiamento etc) que tiram dinheiro do bolso todos os meses.
Claro que esse estilo de vida não traz nenhum status, mas isso é o que menos importa pra mim.
Os boletos que tenho são de serviços que uso como aluguel e condomínio, luz, gás, plano de saúde, internet e Netflix.
Os outros gastos basicamente são alimentação, fonoaudiólogo da minha filha, transporte (que está R$0 por conta da pandemia) e celular.
Eu sempre gostei do assunto economia doméstica e finanças pessoais, e durante muitos anos, esse assunto nunca foi a bola da vez aqui no Brasil.
Quando viajei para o Japão em 2008, fiz questão de passar em um sebo e fiz a festa lá. Comprei tantos livros sobre esse assunto, que resolvi despachar caixas e mais caixas para o Brasil, pois não cabia na minha mala. Felizmente, hoje, há diversos canais no YouTube que me permite consumir esse tipo de conteúdo.
Um dos temas frequentes de alguns canais japoneses que acompanho é a economia na alimentação. E eu até entendo, porque quando todos os seus gastos já estão controlados, a alimentação e os gastos gerais são basicamente as únicas categorias que conseguimos fazer revisão.
Apesar de conhecer esse método há mais de 2 décadas, confesso que eu não nunca dei muito crédito, achava simplista demais, ficava pensando que não faria tanta diferença dos métodos que eu usava.
Antes de compartilhar o método, compartilho o que eu fiz, ao longo destes anos:
Método 1: Comparar preços
Comecei anotando os preços dos produtos. Passava em 2 a 3 supermercados. Não deu muito certo. Tudo bem que eu economizava nos produtos, mas além de ficar cansada, em todos os supermercados encontrava algo com preço bom, e acabava comprando produtos que não estava precisando, só porque estava num preço imperdível.
Método 2: Comprar produtos na promoção e estocar
Depois comecei a ir no supermercado para comprar o que considerava barato, legumes e verduras da estação, além de produtos não perecíveis. Até certo ponto funcionava, mas também me limitava, já que não conseguia elaborar cardápios que queria preparar durante a semana, ocupava espaço da casa e o dinheiro ficava parado em formato de estoque.
Método 3: Fazer compra mensal
Também fiz muitas compras mensais, mas também não deu muito certo, já que a geladeira ficava muito cheia no início do mês, e vazia no final do mês. Não me agradou nem um pouco.
Fora o sufoco para trazer tudo de uma vez né? Não se esqueçam que não tenho carro, então todos os meus movimentos precisam ser calculados.
Método 4: Comprar em supermercados atacadistas
Passei a frequentar supermercados atacadistas. No início foi euforia total, os preços eram muito bons. Mas acontecia a mesma coisa, comprava muita coisa que não precisava, ao invés de comprar algo em pequena quantidade como sempre fazia.
Passei a comprar peças inteiras de carne por ser um supermercado atacadista, ao invés de uma bandeja como costumava fazer. Tudo bem que o quilo estava mais barato, mas acabava consumindo muito mais. E esse padrão foi se repetindo. Ao invés da batata palha do pacote pequeno, passei a comprar o pacotão grande, mas acabava consumindo mais e mais rápido. Comprava sucos naturais para o mês inteiro, mas em menos de 15 dias, já tinha consumido o que costumávamos consumir no mês inteiro.
Outra coisa que não era agradável era o peso de ter que carregar tudo. Eu pedia para o marido ficar em casa para cuidar das crianças para que eu pudesse ir no atacadista. Mas tudo era muito pesado, desde o carrinho para circular dentro do mercado, empacotar tudo, colocar as sacolas no Uber, descarregar no prédio, depois era o trabalho de carregar tudo até o elevador, para finalmente descarregar pra dentro de casa. O que era para ser uma atividade prazerosa, virou uma tarefa hercúlea.
Insatisfeita com os métodos, passei a vasculhar conteúdos deste tipo no Japão. Gente, se tem um país que gosta de economizar, esse país é o Japão, é surpreendente como tem conteúdo sobre esse assunto.
Método 5: O que os japoneses fazem
E eis que lembrei desse método clássico.
Claro que aqui, estou falando de uma maneira geral. Não são todos os japoneses que são econômicos, que vivem com pouco, ou que não possuem estoques. Da mesma forma que no Brasil, há pessoas que economizam e que não economizam, lá também é igual.
Eu acabo seguindo alguns canais de Youtube de pessoas que são minimalistas, que vivem com pouco e que não fazem estoques, então vou compartilhar esse pequeno universo:
1.) Definir o valor máximo que poderá ser gasto no mês.
No Brasil, quando fazemos um orçamento mensal:
primeiro precisamos saber o que receberemos no mês: salário, renda extra, etc.
estabelecer os gastos mensais
poupar o que sobra
No Japão:
estabelecer quanto vai poupar no mês
se virar com o que sobra
Essa é a enorme diferença que nos separa. Eles estipulam PRIMEIRO o valor que será poupado. E se viram com o valor que sobra, colocando um teto de gastos para cada categoria (alimentação, celular, habitação etc).
Como vamos falar de alimentação, vamos nos concentrar nesta categoria.
Utilizaremos um exemplo hipotético de R$1.000 mensais para gastar em alimentação, mas você pode usar qualquer valor que condiz com a sua própria realidade.
2.) Dividir o valor a ser gasto no mês em envelopes.
Sabendo que podem gastar até R$1.000 por mês, eles separam esse valor em envelopes que simulam semanas.
Se temos 4 semanas no mês, serão 4 envelopes com R$250,00 cada.
Se temos 5 semanas no mês, serão 5 envelopes com R$200,00 cada.
Em cada envelope, há a anotação de qual é a semana, e a data de inicio e fim – dessa semana. A data de início pode ser considerada a data que recebeu seu salário. Por exemplo:
Envelope 1: R$250,00 – 04 a 10 de fevereiro
Envelope 2: R$250,00 – 11 a 17 de fevereiro
Envelope 3: R$250,00 – 18 a 24 de fevereiro
Envelope 4: R$250,00 – 25 de fevereiro a 03 de março
Toda vez que for no supermercado, padaria, feira, hortifruti, é necessário ir descontando o valor para saber quanto ainda tem de dinheiro que pode ser usado na semana. Pode anotar no próprio envelope:
2.) Elaborar o cardápio da semana e fazer a lista de acordo com o cardápio semanal
Antes de usar o dinheiro que está dentro do envelope, é necessário elaborar o cardápio da semana.
E esse é um ponto positivo, fazer o cardápio semanal ANTES de ir no supermercado, VERIFICANDO o que já tem na geladeira. Nada muito rebuscado, algo simples está bom.
Se você já está fazendo há algum tempo como eu, nesse dia, a geladeira deverá estar vazia, ou quase vazia.
Então no momento de elaborar o cardápio, basicamente vou até a geladeira e a despensa e vejo o que sobrou da semana anterior, porque a intenção é usar nesta semana que vai começar.
Esse é outro ponto positivo desse método. Ter a geladeira vazia ou quase vazia, elimina a possibilidade dos alimentos estragarem. Lá pelo quinto, sexto dia, é muito perceptível que a geladeira vai ficando vazia. Dependendo da semana, bate até uma certa preocupação rsrs… E aí que entra a criatividade, porque acabamos nos virando com o que temos na geladeira e na despensa. Veja que não é passar fome, ou não ter o que comer. É usar as coisas que estão adormecidas no freezer e na despensa, ou porque não queríamos comer, ou porque estávamos com preguiça de descongelar.
Pois é, ao não fazer estoque, consumimos todos os produtos disponíveis em casa, evitando desperdícios. Aliás, zero desperdício.
Depois de pensar no cardápio, elaborar a lista do supermercado de acordo com o cardápio. Além disso, aproveite para verificar se precisa repor os mantimentos básicos como arroz, farinha, açúcar, sal, temperos. Já teve um dia que enquanto estava preparando um bolo, percebi que quase faltou farinha. A sorte é que deu certo raspando o tacho, mas eu tinha esquecido completamente de olhar esses mantimentos básicos.
Olhe também outros produtos que são vendidos no supermercado como detergente, sabão em pó, água sanitária, sabonete, shampoo, etc.
Você pode ir no supermercado quantas vezes quiser durante a semana, desde que fique dentro do orçamento semanal.
3.) Não frequentar diversos supermercados
No momento da compra, calculadora na mão. Aí vale a substituição de ingredientes para entrar no orçamento. Por exemplo, se pretende fazer uma lasanha à bolonhesa, e viu que o frango está mais barato, pode fazer uma lasanha com frango desfiado. Se ia comprar mamão, mas viu que o abacate está na promoção, leva o abacate.
No primeiro momento, sei que soa estranho não precisar pesquisar preços nos outros mercados, principalmente quando você está habituada a fazer comparações e sabe que aquele produto que você quer levar está mais barato no outro supermercado.
Mas eu finalmente entendi por que esse método funciona.
Primeiro, porque ao parar de frequentar diversos supermercados, você para de procurar promoções e passa a focar na sua lista de compras. As promoções não interessam mais, o que interessa é o que consta na sua lista.
E segundo, como não precisa passar em outros mercados, dá pra fazer tudo com calma e raciocinar no mercado. Isso mesmo, raciocinar. Não dá pra sair colocando tudo no carrinho, de forma automática e anestesiada (como eu fazia, e toda vez levava um susto na hora de pagar). É necessário pensar. Como disse lá em cima, com a calculadora na mão, some e verifique se ajusta no orçamento da semana. Sobrou dinheiro? Ótimo, vá fazer o pagamento. Faltou dinheiro? É só substituir alguns produtos. Ao invés de comprar algo de uma marca conhecida, pode substituir por outra mais barata. Entenderam a diferença? As promoções não interessam mais, o que interessa são os ajustes. Só isso.
Eu parei de frequentar outros supermercados, parei de ir em supermercado atacadista e parei de comparar preço, parei de olhar panfletos de supermercados, mesmo tendo a consciência de que pago mais caro em alguns produtos.
Tudo isso faria a conta aumentar, certo? Mas não. Pasmem, o valor que eu gasto mensalmente reduziu.
4.) Não fazer estoque
Essa é a parte que eu mais estranhei no início. Comprar 1 detergente. Comprar 1 shampoo. Comprar 1 azeite. Comprar 1 pacote de café. E percebi as vantagens de não ter estoque. A gente compra achando que está se dando bem, por conta daquela promoção.
Eu pensava assim também. Ia no supermercado atacadista e comprava muitas coisas, porque estava barato. Ao começar a frequentar apenas um único supermercado, passei a acompanhar de perto as variações de preço, e não é que aquele produto que eu comprava achando que estava barato também abaixava o preço nesse supermercado?
E quando chega o sexto dia, começa tudo de novo: pega o envelope novo, faz o cardápio da semana olhando primeiro o que sobrou na geladeira, freezer e na despensa (ver também mantimentos básicos, produtos de higiene e limpeza), ir no supermercado com calculadora na mão e fazer os ajustes no cardápio lá dentro do supermercado.
Listando as vantagens desse método, e as minhas considerações:
a principal vantagem é que toda semana tem um “início”. É fácil segurar as pontas por 1 dia, quando sabemos que amanhã podemos abrir o novo envelope.
por estar separado por semana, é muito fácil fazer o controle. Se geralmente no final do mês, já estamos sem dinheiro, nesse método, toda semana estamos com dinheiro. Não faz diferença se é a primeira semana ou se estamos na última semana, toda semana é igual. É reconfortante chegar na última semana do mês, e perceber que não faz a mínima diferença ser primeira ou última semana, já que o orçamento semanal é sempre o mesmo.
evita desperdício de comida. De verdade. No sexto dia, enxergo minha geladeira como a cartola do mágico onde saem coelhos. Sempre dá pra preparar uma boa refeição.
as crianças começaram a comer melhor: minha filha é maluca por tomate. Recusa sorvete, bala, chocolate se tiver tomate à disposição. Antes, quando acabava um produto, era só ir no supermercado e repor. Então as crianças acabavam ficando mal acostumadas, já que sempre estavam à disposição o que elas mais gostavam. Com esse método, se acabar algo, acabou. Por exemplo, se antes elas ficavam com frescura de comer algumas frutas, porque sempre tinha à disposição as frutas que elas mais gostavam, agora a situação mudou. Se elas querem maçã, mas não tem mais, ou aprende a comer a goiaba ou fica sem fruta. E vejam só como é maravilhoso, sem opção, elas passaram a comer as coisas que tinham em casa, mesmo não sendo necessariamente o que elas queriam comer. Não há mais fruta que amadureceu demais na fruteira, porque enquanto não terminar todas as frutas da casa, eu não vou no supermercado. Não há mais verduras esquecidas no fundo da geladeira, nem no freezer.
facilidade para limpar o freezer, geladeira, despensa. É difícil limpar uma despensa cheia, mas é muito fácil limpar uma despensa vazia, uma geladeira vazia.
a cada semana que passa, vai ficando mais fácil. No início pode bater uma certa preguiça, mas pra minha família esse método funcionou tão bem que só tecemos elogios, com um leve arrependimento: por que não começamos antes?
Eu praticamente não uso dinheiro, só cartão. Então ao invés de criar envelopes com dinheiro, tenho um caderno onde anoto o valor que tenho disponível para gastar e vou subtraindo conforme acontecem os gastos, para saber quanto eu ainda tenho disponível na semana.
Desconsiderando um mês que eu extrapolei loucamente no orçamento do supermercado por conta da ansiedade que a pandemia me causou, eu sempre tive um gasto contínuo na alimentação.
Como queria mensurar quanto estava conseguindo economizar, eu peguei os gastos de alimentação dos últimos 24 meses, e fiz uma média mensal para ter uma noção mais real, já que há oscilações de mês em mês.
Depois que passei a usar esse método que aprendi nos blogs e canais japoneses, a economia foi de 35%.
Foi o melhor método para mim até hoje. Foi muito fácil de seguir (acho que é até por isso que não dava tanta bola no início), e se engana quem acha que passamos a comer pior. Aconteceu justamente o contrário. A qualidade das refeições melhoraram.
Não é tudo o que uma pessoa mais gostaria? Comer melhor e ainda reduzir custos?
Chega um momento (ou diversos momentos) da nossa vida que precisamos decidir se vamos ou se voltamos.
Tenho percebido muitas, muitas pessoas ao meu redor que estão com os gastos extremamente elevados para o salário. Ou seja, estão com o padrão de vida acima do que o salário permite. Pagam condomínio, algumas contas fixas como luz, internet, celular. Alguns pagam escola dos filhos, outros pagam plano de saúde, mas muitos, depois de pagar todos os boletos, não tem mais dinheiro para absolutamente mais nada.
Pensando nisso, vou compartilhas algumas dicas de como economizar de forma inteligente:
1.) Economize nas coisas grandes
De nada adianta ter gastos elevados na habitação, transporte, escola etc, e ficar contando moedas para economizar na luz, no gás, na cervejinha. Se é pra economizar, economize nos gastos grandes, ao invés de ficar focando nas economias pequenas. Vale muito mais a pena.
Se paga um aluguel de R$1.500 (ou qualquer outro valor), talvez valha a pena pensar em procurar com calma um de R$1.000. Nisso, já será uma economia de R$500 mensais. Muito melhor do que ficar sofrendo em economizar R$10 na conta de luz.
Claro que é importante considerar gastos pequenos, mas o foco maior deve ser nos gastos maiores, é onde o resultado aparece.
Eu mesma fiz isso ao fazer a mudança de cidade no ano passado. Eu tive tempo para procurar um imóvel que tivesse uma localização boa, tamanho confortável, e acabei me mudando um pouco antes do que imaginava quando encontrei o imóvel. Eu sabia que não iria encontrar um imóvel na região que alugamos naquele valor que estava sendo anunciado. A economia mensal foi de R$660.
O mesmo aconteceu com o plano de saúde. Em 2018, fizemos uma revisão dos valores do plano que tínhamos. Os reajustes anuais e a mudança de faixa etária estava exorbitantes. Em 2016, um aumento de 30%. Em 2017, outro aumento de 35% e em 2018 haveria não só o reajuste anual, como o reajuste de faixa etária. Será que iria beirar a 50% de aumento? Não duvidaria nem um pouco. Antes de tomar um novo susto, decidimos migrar para um outro plano de saúde. A economia mensal foi de R$1.000.
Outra coisa era o Netflix. Assinávamos o plano de R$32,90, até perceber que nunca assistíamos 2 pessoas simultaneamente aqui em casa, e com isso, fizemos o downgrade para o plano de R$21,90.
Tenho outros exemplos também, mas só nesses três exemplos, a economia anual é de R$20.052. Aí você pega uma parte desse dinheiro para fazer algo legal com a família, como uma viagem.
2.) Deixe dinheiro extra para os supérfluos, é o que traz alegria para viver
Mensalmente, eu e meu marido temos o que denominamos mesada. É um dinheiro que não precisamos prestar contas para a casa, posso fazer o que quiser com ele, ou seja, comprar supérfluos sem culpa. Faz muito bem ter esse tipo de gasto.
Apesar da nossa mesada não sofrer correção monetária há pelo menos 5 anos, estamos bastante satisfeitos e felizes.
3.) Evite desperdício a todo custo
Toda vez que eu desperdiço algo, eu tenho consciência de que estou rasgando dinheiro. Por isso, tente eliminar todo e qualquer tipo de desperdício, desde alimentos que vão para o lixo, roupas sem uso, produtos de higiene fora de validade etc.
O problema não é comprar em grande quantidade. O problema é desperdiçar.
Eu já dei várias dicas de como elimino desperdícios, visite aqui alguns dos posts para relembrar:
Receber alertas de promoção e novidades parece ser algo inofensivo no início, mas vai normalizando a cultura do consumo. Se não recebêssemos e-mails, muitos dos gastos nem seriam feitos.
No ano passado, apesar da preguiça, eu comecei a entrar na minha pasta spam e descadastrar todos os e-mails de lojas. No início, deu bastante trabalho, mas aos poucos, a quantidade de e-mails diários foi diminuindo e hoje, recebo poucos spams.
Eis que hoje, recebi um mailing de uma loja de móveis e decoração, e me surpreendi o fato de nem ter me lembrado mais da existência dessa loja há meses. Eu entrei no e-mail sem olhar as promoções, e me descadastrei. Se um dia eu precisar de algo, sei que vou me lembrar da loja. A loja não precisa ficar me mandando alertas a todo momento. Aliás, quanto menos eu souber das “novidades imperdíveis”, melhor.
5.) Reavalie os gastos fixos
Início do ano é um bom período para fazer isso. Eu particularmente gosto de fazer no fim de ano, assim, já começo o ano com as contas redondas.
É o momento que tiro para reavaliar todos os meus gastos. Se o plano de saúde está adequado à minha expectativa de custo x benefício. Avalio quanto pago de internet. Se há algum serviço de streaming ou assinatura que não está sendo usado.
No ano passado por exemplo, ao fazer essa avaliação, fiz upgrade de 2 serviços: melhorei a internet de casa por conta do meu trabalho e passei a assinar Disney Channel para as crianças. São dois gastos que se não fosse a pandemia, eu tenho certeza que não teria feito. Mas neste momento, achei interessante. Ano que vem, farei uma nova avaliação se permanecemos ou cancelamos o plano.
Há algumas semanas, recebi do Renato, do Reminiscências, o seguinte comentário em relação à minha jornada FIRE:
“Encarar a questão pelo aspecto do minimalismo me pareceu uma estratégia inteligente da sua parte. Você encara como uma maratona, um investimento de longo prazo onde se escolhe um ritmo confortável e segue com ele. É justamente esse aspecto da sua estratégia que acho muito inteligente. Isso te alivia de um tremendo stress e descreve o aspecto da disciplina (suave) necessária na sua caminhada.”
Quando li esse comentário, senti um “Eureka!”.
Que frase genial. É exatamente isso!!!
Quem corre uma maratona sem administrar a própria potência, não tem fôlego para chegar até a linha de chegada.
A mesma coisa acontece com dietas radicais. De um dia para o outro, a pessoa simplesmente para de comer tudo o que gosta, para viver de alface. É claro que não vai durar. É claro que vai ter um dia em que a pessoa vai se esbaldar nos alimentos que cortou e ter o efeito rebote.
Isso também acontece nas finanças pessoais. Quem já fez corte de gastos de forma radical sabe, que no início as coisas tendem a dar certo, mas depois de algumas semanas, alguns meses, o suportável se torna insuportável e como uma avalanche, vai acabar comprando tudo o que não comprou (e mais um pouco) nas últimas semanas.
Para evitar esses cenários desastrosos, o minimalismo pode ser o grande aliado da independência financeira. Viver uma vida significativa, sem precisar “empurrar” os sonhos para depois, já que minimalismo é viver com o que você considera suficiente para ser feliz (ou seja, ter a quantidade exata das coisas que ama e acha importante) e eliminar os excessos.
Se você gosta de sentir o cheiro das páginas dos livros, mas compra e-books para economizar, você vai sentir um vazio lá na frente.
Se você sempre gostou de viajar, mas não viaja para economizar, vai sentir um vazio lá na frente.
Não significa reduzir ou deixar de comprar algo que considera importante. Significa reduzir o consumo de coisas que não possuem valor para você, para gastar nas coisas que são importantes.
Eu parei de comprar presentes para terceiros por obrigação, parei de trazer souvenirs para todo mundo toda vez que fazia uma viagem, parei de comprar sapatos caros que não duravam 6 meses no meu pé, parei de comprar livros que nunca vou ler, cursos que nunca vou fazer, roupas que nunca vão entrar em mim, aliás, parei de comprar tantas coisas… E foi assim que o dinheiro começou a sobrar para gastar nas coisas que eram importantes para mim.
O quesito moradia é algo muito importante para mim. Eu já fui assaltada algumas vezes em São Paulo, e por esse motivo, tive medo de sair de casa durante um período da minha vida. Morar em um bairro seguro foi a forma que encontrei para manter a minha saúde mental.
Para poder gastar mais na moradia e ainda manter minhas contas equilibradas, abri mão de coisas que não eram importantes. Mas vejam só, por não serem importantes, não senti falta de nada do que ficou pra trás.
Descobrindo o equilíbrio, pronto, descobriu o “ritmo confortável” para correr a maratona da Independência Financeira.
Eu sei que não há um caminho único para alcançar a Independência Financeira, pois cada um tem a sua fórmula e a sua própria realidade.
Hoje vou compartilhar os passos que eu tenho trilhado. São pequenas decisões, que foram e estão sendo fundamentais na minha jornada FIRE.
Minimalismo como filosofia de vida
O minimalismo permite inicialmente o destralhe de objetos sem uso como roupas, itens de cozinha, acessórios etc. Só que aos poucos, é possível compreender que o minimalismo permite o auto-conhecimento. Viver com menos não significa viver passando vontade, nem passando necessidade. Viver com menos significa viver com aquilo que é importante, eliminando tudo aquilo que não tem importância.
Descobre-se a suficiência, a viver baseando-se na própria régua, e não mais na régua dos outros, passando então a fazer escolhas acertadas, e gastos inteligentes.
Não ficar chorando pelo leite derramado
Eu também não sabia investir. Eu também já gastei muito dinheiro em coisa inútil e fútil. Não comecei a investir tão cedo como gostaria, perdi dinheiro cometendo vários erros.
Mas enfim, ao invés de ficar lamentando as perdas, é muito melhor assumir as besteiras que fez, levantar, superar os erros e seguir em frente.
Rever todos, TODOS os gastos
A revisão de todos os gastos foi algo muito importante para mim. Fazer a revisão dos gastos desde habitação, transporte, alimentação, educação, vestuário fez uma diferença enorme no meu orçamento.
Rever os gastos baseando nas coisas que eu achava importante, significou fazer diferente do que a maioria fazia.
A maioria tem assinatura de TV a cabo, a maioria tem pacotes de planos de celular, a maioria tem imóvel próprio, carro na garagem, casa reformada, alguém para limpar a casa, a maioria que trabalha em escritório come em restaurantes na hora do almoço, compra roupas com frequência, viaja mesmo sem dinheiro, vive fazendo dívidas.
O que me ajudou a não comparar com as pessoas que eu conhecia, foi lembrar que a maioria está presa na corrida dos ratos. De que nós temos objetivos diferentes.
Não subestimar valores pequenos
Em vários sites e principalmente nos canais de finanças do YouTube, vejo pessoas falando para subestimar valores pequenos como o cafezinho. De que ninguém fica rico cortando cafezinho. Eu discordo. Na minha opinião, principalmente para quem está começando, avaliar todos os gastos supérfluos faz muita diferença.
Eu poupava a diferença da conta de luz, o dinheiro que achava no bolso do casaco, o décimo terceiro, a restituição do imposto de renda, a água que não comprava na rua por levar uma garrafa na bolsa e por aí vai.
Fazer isso fez muita, mas muita diferença. Eu entendi que cortando cafezinho, parando de comprar roupas todos os meses, e cortando todos os outros gastos que nem eram tão importantes para mim, permitia por exemplo, uma viagem internacional por ano. Ou seja, conseguia poupar boa parte do meu salário, sem precisar cortar o que mais gostava de fazer, que era viajar.
Não se limitar a um valor na hora de poupar
A gente tem o costume de se acomodar achando que só porque poupa 10% todos os meses, o resto que sobra pode ser usado em coisas supérfluas. Aprendeu a viver com 90% do salário? Reavalie os gastos e desafie-se a viver com 80% do salário (sem abaixar o padrão de vida, rá, ficou difícil, né?). Acostumou a viver com 80%, que tal tentar 70%?
Foi assim que, de conta em conta, de mês em mês, passei a viver com 30% da minha renda familiar, investindo os 70% restantes.
Não depender dos outros para investir
Não pergunte para os outros, estude, aprenda por conta.
Os “outros” não sabem.
Atualmente, temos um pouco mais de 2 milhões de pessoas físicas na bolsa de valores (sendo que cerca de 1 milhão dessas pessoas entraram somente neste ano).
Só que nós somos 209 milhões de brasileiros. Há de concordar comigo que a probabilidade dos nossos advogados, contadores, gerentes e assessores financeiros não terem tanto conhecimento sobre investimentos é muito grande.
Ao invés de perguntar para quem (provavelmente) não sabe, estude por conta própria. A internet está aí pra isso.
Os integrantes da família remando juntos
Como vocês já sabem, eu e meu marido não só estamos no mesmo barco, mas remamos de forma sincronizada. Fazer isso tem aumentado a eficiência e a velocidade do nosso barco, o que antecipa a chegada ao nosso destino FIRE.
Esqueça a televisão e as redes sociais
Perde-se muito tempo assistindo e fuçando a vida dos outros.
Há 5 anos, eu desisti de assistir televisão. No início do ano, eu estava em uma lanchonete e fiquei abismada com a violência na TV… muito medo, muita desconfiança, muita escassez. É praticamente uma lavagem cerebral sobre interpretação da vida, concentrando todos os acontecimentos trágicos em um único noticiário.
Quando entra os comerciais, inicia a grande armadilha: o forte incentivo ao consumo.
Não se comparar com o outro
Se eu resolvesse comparar a minha vida com as pessoas ao meu redor, tenha certeza que eu estaria presa na armadilha da classe média, torrando todo meu dinheiro até o último centavo.
Não use a vida dos outros para medir a própria vida. Não ache que não dá pra viver sem carro, dá sim. Não ache que os filhos não terão oportunidades da vida e serão uns fracassados se não puderem estudar numa escola de elite. Não ache que só porque todo mundo faz alguma coisa, nós também temos que fazer. Se eu ficasse olhando para os outros, minha vida seria completamente diferente, ou seja, teria coisas que são importantes apenas para os outros, não para mim.
Carteira diversificada
Carteira diversificada é ter reserva de emergência, reserva de valor, renda fixa, ações, FIIs, imóveis físicos e investimentos no exterior.
Acreditar na possibilidade de ser FIRE
Acreditar que era possível, foi fundamental para mim. Enquanto as pessoas riam da minha “visão utópica de aposentar cedo”, lá no fundo eu já sabia, eu tinha (o que meu marido chama de) fogo nos olhos, uma certeza absoluta que eu estava certa e no caminho certo. Enquanto as pessoas estavam consumindo, eu estava comprando meu tempo de volta.
Esses passos têm sido fundamentais para mim. Gosto daquela célebre frase do Mark Twain: “Por não saber que era impossível, foi lá e fez”.
Com a constante redução da taxa Selic, o sobe e desce da bolsa de valores, o caos político, a crise econômica… vejo pessoas desesperadas e impacientes querendo começar a investir para enriquecer da noite para o dia. Não é à toa que a Bolsa de Valores teve seu salto no número de pessoas físicas desde o início da pandemia.
Mas “entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar”.
Antes de investir, é necessário controlar os gastos. Somente depois de acompanhar os gastos é que será possível rever os gastos. Com a revisão, será possível identificar excessose enxugar gastos supérfluos.
Finalmente com dinheiro sobrando, será possível montar uma reserva de emergência. Também será necessário estudar sobre investimentos, já que é algo que percebi que não dá para terceirizar.
Mas daí eu pergunto:
Quantas pessoas estão dispostas a poupar e investir parte do salário todos os meses, por 10, 20, 30 anos para somente depois colher os frutos?
Quantas pessoas estão dispostas a sentar na cadeira e estudar tarde da noite, após trabalhar o dia todo, cuidar da casa e das crianças?
Muitos, se não a maioria, irão desanimar no meio do caminho e até desistir, quando a economia entrar em recessão e ver o patrimônio ser reduzido a pó.
Querem enriquecer da noite para o dia como num passe de mágica, não querem estudar, não querem correr atrás, ficam procurando de forma incessante a tal da fórmula mágica.
Para ter a tranquilidade financeira, é necessário fazer escolhas.
Pessoas dizem que querem empreender, mas não querem abrir mão do conforto atual, nem trabalhar por mais de 12 horas nos primeiros anos do negócio. Querem tudo, mas não estão dispostas a fazer nada, a abrir mão de nada, nem das pessoas, nem do tempo, nem do dinheiro.
Querem ganhar milhões apostando a sorte na mega-sena, mas não tem ouvidos quando alguém mostra o caminho das pedras para ficar rico devagar, de forma consistente, de forma lícita.
O que você tem plantado? Se a resposta for “nada”…. bom, já sabe o que te espera no futuro.
Nesse período em que muitos estão de quarentena, perceberam que há gastos que não estamos tendo?
No meu caso, não tenho gastos com transporte, a mensalidade da natação que foi interrompida pela própria escola, uma ajuda financeira mensal que eu dou para a creche, passagem de ônibus intermunicipal para visitar a casa de praia da minha mãe, nem gastos com cafés que tomo com meus amigos.
Vocês já devem saber que dinheiro extra que entra na conta, some na mesma velocidade que aparece.
Por isso, todo o meu dinheiro tem nome e sobrenome.
Isso significa que todo dinheiro que eu sei que vai entrar na minha conta, coloco nome (gastos) e sobrenome (categoria) para deixar provisionado.
Por exemplo, se eu sei que vai entrar um dinheiro na minha conta no dia 10, já faço a distribuição anotando em algum lugar (no meu caso, no aplicativo Minhas Economias) de que:
Valor
Nome
Sobrenome
R$ 100
Luz
Casa
R$ 190
Metrô
Transporte
R$ 265
Natação
Saúde
Supondo que a conta de luz, ao invés de vir R$100 veio mais barata, R$90. E por causa da quarentena, os gastos do transporte público e da natação seriam R$0. E para onde iria a diferença de R$465 (R$10 da luz, R$190 do metrô e R$265 da natação)?
Valor
Nome
Sobrenome
R$ 90
Luz
Casa
R$ 10
Luz
Investimento
R$ 190
Metrô
Investimento
R$ 265
Natação
Investimento
Pronto. A diferença do valor do mês atual, ganhou novo sobrenome: ‘Investimento’.
E isso se repete nas outras contas, de qualquer valor. Supondo que deixei reservado 2.000 reais para comprar uma geladeira, mas consigo uma promoção e gasto 1.500 reais:
R$ 1.500 – Geladeira – Manutenção da Casa
R$ 500 – Geladeira – Investimento
E isso dá certo, porque eu tenho o costume de deixar o dinheiro sempre provisionado, ou seja, separado para cada finalidade.
É desta forma que eu visualizo não só os gastos, mas também as economias do mês. Além de poupar o valor mensal que já é de praxe, me permite investir a diferença do valor.
Esses dias eu acumulei pontos nas compras de um supermercado, e com isso, pude trocar esses pontos por prêmios.
Um dos prêmios, me interessou… R$200,00 em compras na Etna.
Entrei no site da Etna, e por ser uma loja de móveis e decoração, tinha certeza que encontraria algo de que estava precisando. De toalhas de banho a móveis, de eletroportáteis a utensílios de cozinha, acessei diversas páginas, diversas opções, e depois de quase 1 hora procurando por algo que talvez eu estivesse precisando, cheguei a conclusão de que eu não estava precisando de nada.
Até eu fiquei impressionada, porque entre tantas opções disponíveis no site, não tive vontade de comprar nada, nem substituir nada do que eu tinha em casa por uma coisa melhor ou mais nova. Minhas colheres de pau, já estão gastas, poderia trocar por uma nova, mas as que eu uso atualmente servem tão bem… Não precisava de nenhum eletroportátil, nenhuma sanduicheira, nenhum liquidificador… não me interessei por nenhum item de decoração, nem de toalhas ou lençóis novos. De item em item, fui descobrindo o sentimento de suficiência, de estar satisfeita com as coisas que tenho no momento.
E depois de tudo isso, acabei trocando por um cupom de R$60 em compras no supermercado. Sim, para quem tinha opção entre um cupom de R$200, o cupom de R$60 não faz muito sentido, mas achei muito melhor ter os R$60 que compraria em comida (que era algo que com certeza iria usar), do que gastar R$200 em algo que não teria utilidade.
Esse momento me lembrou de um post que escrevi em 2017, onde falei que “o segredo de viver bem com menos é apreciar o que já possui e sentir-se satisfeito”.
Diferentemente do que muitas pessoas podem imaginar, a minha vida não é frugal por buscar FIRE (Financial Independence Retire Early – Independência Financeira, Aposentadoria Antecipada).
FIRE é uma a estratégia financeira para reduzir gastos de forma eficiente, economizar e investir boa parte do salário para que o dinheiro trabalhe para você com a ajuda dos juros compostos. O intuito é viver de renda ainda jovem, e assim, sem a obrigação financeira, possa trabalhar em algo que alimente a sua alma.
Temos prazer de viver uma espécie de frugalidade opcional, conseguimos enxergar (e viver) a beleza nas coisas simples da vida.
Meu marido, por exemplo, vai para o trabalho de bike (anda 40km ida e volta), não pra economizar dinheiro, mas porque ele AMA pedalar. Não importa se está fazendo sol, ou se está tendo chuvas torrenciais, ele vai de bicicleta.
Eu por exemplo, não sinto que estou deixando de viver hoje, para desfrutar o amanhã, ou que estou aproveitando menos a vida.
Há um documentário sobre o movimento FIRE que foi lançado no ano passado, o Playing with Fire. No documentário, é possível perceber o sofrimento de um casal ao reduzir o padrão de vida que já estavam acostumados. A frustração, a dor, o desapontamento, a dificuldade e a dúvida pairam durante boa parte do documentário.
Eu não passei por essa fase. Eu não senti esse sofrimento que o casal do documentário passou para adequar a vida para iniciar a jornada FIRE.
Eu e meu marido, já poupávamos em torno de 50 a 70% do nosso salário desde 2010.
Quando descobri sobre a existência de um movimento chamado FIRE, nós já éramos minimalistas e frugais, não havia muito o que mudar. Fizemos pequenos ajustes no orçamento, estudei sobre investimentos, mas o comportamento do dia-a-dia e o padrão de consumo não mudou muita coisa. Mesmo com 2 crianças pequenas, nosso aporte beira 60 a 70%, dependendo do mês.
Claro que ao longo desses 10 anos, melhoramos nosso padrão de vida, mudamos para um bairro mais residencial, estamos comendo alimentos mais saudáveis, praticando exercícios físicos. Mas quando comparamos o estilo de vida que os nossos colegas possuem, nós ainda vivemos abaixo não só de 1, mas de alguns degraus.
Compreenda que eu não odeio trabalhar. Eu só não gosto de não ter tempo para as coisas que eu tenho vontade de fazer. Eu não gosto de fazer tudo o que eu considero importante à noite, quando já estou cansada e com sono. Não acho normal trabalhar cada vez mais, para pagar boletos cada vez mais altos, ter cada vez menos tempo e se acostumar a ficar o dia todo dentro de um escritório, perdendo os melhores anos da minha vida.
Eu só queria ter mais tempo para fazer as coisas que eu tenho vontade de fazer (já expliquei nesse post aqui Independência Financeira: o início), e por isso, a solução que encontrei – veja bem, não é o caminho mais rápido – foi ser FIRE.
Alguns programas de fidelidade, eu continuo usando, outros, já deixei de usar.
No ano passado, eu tive a paciência de anotar todos os centavos que pingaram na minha conta, referente aos programas de fidelidade. Desde janeiro até dezembro de 2019, anotei todos os valores que ganhei referente a todos os tipos de cupons, programas de recompensas, cashback, prêmios nos supermercados etc, para que eu pudesse compartilhar aqui no blog.
E para quem ignora os valores pequenos, porque acha que não vale a pena, eis que eu, vim provar por A+B, que se você não faz uso das vantagens dos cupons (ou qualquer outro tipo de vantagens que os programas de fidelidades oferecem), está deixando de ganhar dinheiro.
No total, eu recebi em 2019:
R$213,61 pelo Méliuz
R$90,19 antecipando parcelas do Nubank (todas as vezes que as lojas não davam desconto, parcelei e depois adiantei as parcelas para ganhar descontos)
R$477,08 pelo Nubank Rewards
R$1.068,00 pelo Programa Mais do Pão de Açúcar (ganhei cupons da Etna, da Natura, da L’occitani, compras no supermercado, ingressos de cinema etc)
Total: R$1.848,88
Além do valor acima, recebi créditos da Nota Fiscal Paulista e ainda vendi diversos objetos sem uso no site da OLX.
Essa é a maior prova de que de grão em grão, a galinha enche o papo.
Os meus não estão nada baratos, mas é por um motivo justo: introdução dos alimentos orgânicos.
Então aqui vou dar dicas do que tenho feito para economizar na alimentação, sem sacrifícios:
1.) Aproveite talos e cascas para fazer caldo de legumes
Essa eu aprendi com a minha mãe e também com uma chef de cozinha que fazia a mesma coisa para alimentar sua família de forma saudável, sem desperdício.
Sabe aquelas cascas de legumes e verduras que vão para o lixo? No meu caso, eu guardo tudo num pote de sorvete que fica no freezer. Guardo talos de espinafre, de couve-manteiga, de brócolis, cascas de batata, cenoura, alho, cebola, tudo que basicamente iria para o lixo orgânico, eu armazeno no meu pote.
Quando o pote fica cheio, eu coloco numa panela de pressão cobrindo com água e deixo por uns 20 minutos. Escorro o caldo, espremo bem os vegetais para soltar mais caldo e guardo no congelador em cubos de gelo.
Agora vem o pulo do gato. Em que situações eu uso?
Ao invés de usar água para cozinhar o feijão, uso o caldo.
Ao invés de usar água para fazer carne de panela, uso o caldo.
Ao invés de acrescentar água para amolecer uma abóbora (ou um brócolis, ou um chuchu) que está sendo refogada, uso o caldo.
Ao invés de usar caldo industrializado para fazer um risoto, uso o meu caldo caseiro.
Ao invés de usar água para fazer canja, uso o caldo.
Ao invés de fazer missoshiru com água, uso o caldo.
Basicamente no lugar de usar água, eu uso o caldo. Assim, mesmo oferecendo uma refeição básica, há diversos legumes e verduras embutidos dentro da minha comida graças ao meu caldo.
Na minha família, raramente ficamos doentes.
2.) Faça um cardápio semanal (no meu caso, de 3 dias)
Eu sempre tive muita preguiça em fazer o cardápio semanal, porque nunca dava certo. Eu comprava os ingredientes, só que ao longo da semana, me perdia toda na organização. No dia que estava planejado o estrogonofe, eu tinha vontade de comer feijoada. No dia que era para eu comer peixe, tinha vontade de comer ovo. Além de não saber lidar com as sobras. E ainda surgia a dúvida, como vou preparar mais comida, se ainda havia sobras na geladeira?
E com isso eu acabei adaptando o meu cardápio semanal para cardápio de 3 dias. E deu certo. Como o período é curto, consigo prever com mais facilidade, e os gastos com alimentação deu uma boa reduzida. Esse cardápio de 3 dias, muitas vezes acaba virando de 4 dias, 5 dias, dependendo da quantidade que comemos.
3.) Aproveite as promoções de produtos não-perecíveis
Na minha casa, não sei o que acontece, mas azeite e manteiga é uma coisa que consumimos bastante. E com isso, quando esses itens entram na promoção, aproveito e faço um estoque que dura meses!
4.) Compre na quantidade certa
Essa dica parece ser bem óbvia, mas não é que é difícil de acertar? Eu tento comprar na quantidade certa que dura uns 3 a 4 dias, por causa do meu cardápio de 3 dias.
5.) Aproveite os ossos para fazer caldo
Sabe aquele osso que você despreza quando limpa o frango? Adivinhem? Vira caldo. Meu freezer está cheio dessas coisas. Outro dia fiz canja de galinha com o caldo de galinha que a minha mãe sempre faz e deixa estocado no meu freezer. Não usei água. Só o caldo de galinha da minha mãe e o meu caldo de legumes. Ficou super saboroso, além de nutritivo
6.) Aproveite o soro que sobra quando fizer iogurte caseiro
Esse soro (é o whey protein!) tem diversos nutrientes que podem ser aproveitados:
uso para deixar os grãos de molho (feijão, grão de bico)
uso substituindo o leite pelo soro quando faço bolo, pão
quando faço um omelete, coloco 1 colher de sopa para enriquecer
purê de batata? Ao invés de usar leite ou creme de leite, uso o soro
quando vou empanar um bife, acrescento um pouco deste soro no ovo.
7.) Use o freezer como aliado
Tem alguns pratos que eu gosto de fazer a quantidade dobrada, como o quibe recheado, feijoada.
Também tenho costume de preparar a massa do cookie e congelar em pequenas porções, assim, sempre tenho cookies quentinhos saindo do forno, disponíveis para comer a qualquer momento do dia.
8.) Transforme as sobras usando criatividade
A carne moída de hoje vira recheio de pastel de amanhã. Se ainda sobrar, vira macarrão bolonhesa. Se ainda sobrar, vira recheio de batata assada.
Sobra de molho branco? Acrescento alguns tipos de queijos e vira creme de queijo com pão italiano.
Vinagrete? Vira bruschetta.
Frango assado do domingo sobrou? E dá-lhe arroz de forno com queijo derretido com tomilho.
Pão velho vira torrada doce ou farinha de rosca.
Quando faço patê de ricota, gosto de temperar com sal grosso e chimichurri. Esse patê que sobra vira recheio do tomate recheado. O recheio do tomate (a polpa) eu guardo no congelador para complementar quando faço molho de tomate.
9.) Vai no supermercado? Não esqueça a lista
Leve uma lista, e seja firme para não comprar coisas desnecessárias, mas flexível o suficiente para substituir uma batata por batata-doce quando estiver na promoção.
10.) Não estoque alimentos além do necessário
Não esqueça que estoque é dinheiro parado na despensa. Organize os produtos de acordo com a validade. Os itens que você acabou de comprar, vai para o fundo da despensa.
11.) Frequente feira de rua
Sai bem mais em conta. Eu não frequento mais, porque agora tenho ido nos mercados que vendem produtos orgânicos. Mas na época em que frequentava feira de rua, era uma economia e tanto no orçamento.
12.) Frequente o açougue
É outro lugar que parei de frequentar por começar a consumir carnes orgânicas. Mas açougue é um lugar que o preço é bem mais em conta do que no supermercado.
13.) Não esqueça os cupons
A maioria dos supermercados já dão cupons para fidelizar os seus clientes. Não se esqueça deles no momento da compra. Aproveito também as promoções dos supermercados em compras online. Essa semana mesmo, ganhei um cupom de 30% para efetuar uma compra no Carrefour online, nem preciso dizer que aproveitei para fazer estoque de alguns produtos.
14.) Tenha um limite de gastos na alimentação
Eu só compreendi a importância de ter um limite de gastos há pouco tempo. Entendi que quando não há um limite de valor, é como se fosse um saco sem fundo. Coloque um valor limite para gastar na alimentação e use a criatividade para não ultrapassar o orçamento.
15.) Evite comprar sem necessidade
Sabe aquele salgadinho que você nem ia comprar, mas colocou no seu carrinho de compras, só porque está na promoção? Como diz o Julius:
16.) Tente reproduzir algumas receitas
Foi assim que eu aprendi a cozinhar coisas gostosas. As receitas tendem a ficar muito mais saborosas usando ingredientes de qualidade: manteiga ao invés de margarina, azeite extra-virgem ao invés de óleo, chocolate de verdade ao invés de achocolatado, leite integral ao invés de água e por aí vai.
E pra quem acha que eu faço todas essas delícias, porque eu amo cozinhar…. vai se decepcionar, porque eu nunca gostei de estar na cozinha. Sempre fui uma negação (minha mãe e meu ex-marido podem confirmar). A cozinha não é um lugar onde sinto prazer em estar, mas aprendi que cozinhar é um ato de amor, da mesma forma que lavar o banheiro não é o lugar que meu marido sente prazer em estar kkkk, mas é um ato de amor. Eu entendi que se eu não sei cozinhar, eu posso aprender. Se eu fizer uma comida ruim hoje, posso tentar novamente amanhã. E foi assim, dia após dia, que hoje, posso dizer que cozinho bem.
Hoje vou compartilhar o caminho que eu percorri até chegar num ponto de poupar cerca de 70% da renda familiar.
Para os que me seguem recentemente e acham que vivo na miséria, segue um panorama geral da minha vida: moro em São Paulo, em um bairro de classe média, a 1 quadra de uma linha de metrô, sou casada e tenho 2 crianças pequenas. Tenho plano de saúde familiar, apesar de não ter carro, ando de Uber e alimento minha família com alimentos orgânicos. Não sou empresária, nem ganho um super-salário.
E o que eu fiz para conseguir poupar cerca de 70% da renda familiar?
Lembrando que há uma série de fatores que faz com que a pessoa consiga (ou não) fazer o que eu vou compartilhar aqui, desde valor do salário, o custo familiar, se precisa ajudar alguém da família, o bairro que mora, a cidade que mora etc. Então avalie as dicas de acordo com a sua realidade, ok?
1.) Anote todos os gastos de forma minuciosa
Anote tudo, tudo, tudo, desde a bala Juquinha até o eletrodoméstico que precisou trocar. Sem anotação, não terá como fazer o diagnóstico da situação financeira. E sem diagnóstico, não dá para saber onde poupar e onde gastar. Faça disso um hábito.
2.) Crie grandes grupos de gastos
Agora que já temos listado todos os gastos, separe em grandes grupos.
3.) Faça uma análise de onde e como o dinheiro está sendo gasto
Agora que os gastos foram classificados em grandes grupos, você terá uma noção de quanto se gasta em cada grupo. Avalie onde está sendo gasto o seu dinheiro. Vai se surpreender o quanto gasta em lazer, o quanto gasta em alimentação e no transporte, ou até mesmo em coisas que nem julga ser prioridade. A partir do momento que entender onde o seu dinheiro é gasto, poderá avaliar como está sendo gasto. Será que o Uber está sendo utilizado mais do que o necessário? Será que está indo a restaurantes numa frequência muito maior do que o esperado por mês? Só você poderá ter essa resposta.
4.) Estipule cotas mensais
Estipule um valor mensal a ser gasto em cada grupo.
Se decidiu que o teto mensal para gastar na alimentação será de R$1.000,00, dê os pulos necessários para alcançar a meta. Vale ir na feira, eliminar desperdícios, procurar promoções nos supermercados, fazer estoque de alguns produtos que não são perecíveis etc.
Faça a mesma coisa em todos os outros grupos como Lazer, Transporte, Educação…
O truque é estipular um teto de gasto mensal. Quanto quer gastar na alimentação? E no transporte? E no lazer?
5.) Seu companheiro é do seu time, e não o seu adversário
Você deve conhecer aqueles casais que possuem tudo separado, conta separada, investimentos separados, um não sabe o que o outro faz com o salário que recebe.
Quando a gente une forças e passa a remar no mesmo ritmo, o barco anda muito, muito mais rápido.
Meu marido acredita tanto no meu projeto FIRE, que faz de tudo para me ajudar a tampar os ralos dos gastos desnecessários, para que possamos gastar em coisas que traz felicidade para a família.
6.) Comece poupando 10% (ou com qualquer porcentagem que conseguir)
Ninguém ‘normal’ consegue poupar 60% a 70% do salário assim, de cara (a não ser que a pessoa ganhe um super-salário). É um processo que demora anos, e também reconheço que não é todo mundo que conseguiria fazer isso, pois dependeria muito do valor que recebe de salário. Comece com 1%, 5%, 10%, e vá aumentando aos poucos.
7.) Toda vez que tiver um aumento de salário, finja que nada mudou e poupe a diferença que recebeu a mais
Vou dar um exemplo do que aconteceu mês passado. Meu marido foi contratado por uma Universidade e ele teve aumento salarial, mas nós continuamos com os nossos gastos de sempre, fazendo o que sempre fizemos. A única coisa que mudou na nossa rotina do mês anterior para esse mês foi no valor do aporte que aumentou.
8.) Toda vez que receber o 13 salário, poupe
“E vou pagar o IPVA como?”, “Vou viajar como?” Bom, temos o ano inteiro para planejar, então não conte com o dinheiro do 13. salário.
9.) Toda vez que receber restituição do imposto de renda, poupe
O mesmo conselho que o item anterior.
10.) Toda vez que alcançar a meta anterior, tente superar no mês seguinte
Faça avaliação constante para ver onde há ralos nos gastos. Aprenda a substituir os gastos, sem diminuir a qualidade. A intenção aqui não é economizar por economizar, e sim, eliminar apenas os gastos desnecessários.
11.) Faça revisão do orçamento sempre que puder
Eu faço sempre. Toda vez que o mês termina, eu avalio os gastos do mês anterior, e analiso onde eu abusei, se comprei coisas sem necessidade, se comi demais em restaurantes, se gastei além da conta no lazer… Fazemos essa revisão orçamentária com o único intuito de usar o dinheiro de forma inteligente. Às vezes, isso significa gastar mais no mês atual, por termos economizado muito no mês anterior.
12.) Aprenda a viver com o suficiente
Todo excesso gera desperdício. Não compre comida em excesso, não compre mais roupas do que consegue usar, não compre mais sapatos do que consegue calçar, não more em um apartamento grande que não consiga limpar sozinho. Avalie seus excessos e viva com foco no que é essencial para você.
13.) Aprenda a fazer as coisas por conta própria
Aprenda a consertar coisas básicas. Aprenda a cuidar da sua casa vendo vídeos no YouTube. Aprenda a fazer pequenos consertos na roupa. Aprenda a cozinhar pelo menos o básico. Aprenda a cuidar de si mesma (cuidar do cabelo, da pele, unha, pés, hidratação etc). Aprenda a limpar a sua casa.
E como arranjar tempo para fazer tudo isso se o tempo já é tão escasso?
Ué, é só deixar de acompanhar a vida dos outros pelo Facebook, Instagram, WhatsApp, assistir televisão ou perder horas navegando na internet, que tenho certeza que vai começar a sobrar mais tempo.
14.) Saiba a diferença entre padrão de vida e qualidade de vida
Padrão ou nível de vida se refere à qualidade e quantidade de serviços disponíveis a uma pessoa ou a uma população inteira. (Wikipedia)
Qualidade de vida leva em conta não só o nível de vida material, mas também fatores mais subjetivos envolvidos na vida humana, como lazer, segurança, recursos culturais, de saúde mental, etc. (Wikipedia)
Eu e meu marido aumentamos sempre a qualidade de vida, raramente o padrão de vida. As pessoas não entendem como a gente consegue viver bem e poupar bastante, mas o segredo é esse: colocamos como prioridade a qualidade de vida da família.
Ao invés de morar longe do trabalho e ter um carro, decidimos morar perto e eliminar o gasto do carro. Assim, com o dinheiro que eu não gasto com o carro, eu consigo pagar a diferença do valor do aluguel do meu apartamento em um bairro bom. O fato de morar em bairro bom acaba me permitindo economizar em outras áreas, como na escola e no lazer, já que há praças, parques, centros culturais, bibliotecas, SESC etc à disposição.
15.) Seja sincero: é necessidade ou ostentação?
Toda vez que eu compro algo, faço a seguinte pergunta: é necessidade ou ostentação? E não vale mentir, dizendo que algo é necessidade, sendo que é ostentação. Eu não tenho necessidade de ter, nem de ostentar, nem de mostrar, nem de provar. Eu tento viver a minha vida da melhor forma possível, e nem sempre isso significa abrir a carteira.
Posso dizer que eu e meu marido estamos muito satisfeitos com a vida que temos hoje.
Há muito tempo, quando minha filha nasceu, eu ganhei uma semente.
Essa semente, não era uma semente normal que conhecemos. Era uma ideia. Uma ideia de que era possível ser livre, através da Independência Financeira. Até então, eu achava que aposentadoria era só após os 60 anos. Acreditava que era financeiramente independente. Eu pagava as minhas contas e vivia por conta própria. Esse era o meu entendimento sobre o conceito independência financeira.
Foi por um acaso que eu descobri que o termo Independência Financeira tinha um outro significado: na comunidade americana FIRE (Financial Independence and Retire Early – na tradução livre, significa Independência Financeira, Aposente-se Cedo) dizemos que alguém alcançou a Independência Financeira quando os rendimentos financeiros oriundos dos investimentos são suficientes para manter o seu estilo de vida, pelo resto da sua vida. Ou seja, a pessoa está livre para trabalhar no que quiser, mesmo que ele não gere nenhuma renda.
Muitas pessoas também ganharam a mesma semente, mas a maioria não acreditou que ela daria frutos e simplesmente jogaram fora.
Eu levei essa semente para casa e mostrei ao meu marido, que também acreditou que era possível germinar essa ideia para tornar real o nosso sonho de ser livre.
Antes de plantar a semente em qualquer lugar, eu estudei muito. Estudei qual seria o melhor local para a semente germinar, fincar raiz, multiplicar e produzir frutos.
E decidi plantar a semente em uma terra fértil, escolhendo um bom lugar para colocar meus ativos financeiros. Então eu abri uma conta em uma corretora financeira independente, ao invés de permanecer na comodidade que os bancos traziam. Meu marido me ajudou a regar, dia após dia, economizando nosso salário, ajudando a analisar o orçamento familiar.
Estava tão empolgada com essa nova possibilidade de viver e contei para muitas pessoas, muitas mesmo. Mas a maioria preferiu não prolongar a conversa, outras foram descrentes e algumas até debocharam de mim, dizendo que eu estava regando algo que não daria em nada, que eu era muito inocente por acreditar nisso, que eu acreditava numa utopia.
Eu ignorei todas essas pessoas e durante muitos anos, reguei a semente, cuidei da terra, tirei os insetos, aguei. Poupei todos os meses, fiz anotações no meu orçamento mensal, repensava os gastos, e não só aprendi a poupar, como aprendi a gastar o dinheiro de forma inteligente e finalmente a investir.
Percebi que não adiantava somente regar com água. Era necessário adubar a terra. Eu comecei a aumentar o tamanho do meu aporte, cortando gastos desnecessários.
Como sou funcionária pública, não tenho a opção de receber aumento por metas, nem ganhar participação de lucro, muito menos reajustes anuais para acompanhar a inflação. O que eu podia fazer e que estava ao meu alcance era descobrir onde estava gastando meu dinheiro e economizar no que podia.
Os primeiros anos foram os mais difíceis: cuidar de algo que ainda não era visível. Mas superado os primeiros anos, mais especificamente entre o quinto e sexto ano, percebi que a muda, antes tão pequena, estava crescendo cada vez mais rápido. Era o meu patrimônio crescendo.
Como a muda era pequena e frágil, eu precisava tomar muito cuidado para que qualquer vento não a derrubasse. Ficava atenta em não gastar meu dinheiro em coisas desnecessárias, consumir de forma irresponsável, não ir atrás das modinhas etc. Da mesma forma que muitos ventos derrubam as plantas que ainda são frágeis, também sentia isso na pele. Algumas pessoas questionavam o meu estilo de vida. Só que eu sempre soube onde eu queria chegar, sabia qual era o caminho que estava trilhando, sabia que eu tinha escolhido um caminho que poucos se aventurariam.
A árvore tem crescido e depois de tantos anos, finalmente os frutos começaram a brotar. Foi quando pude perceber que tinha feito a escolha certa no momento certo. Digo momento certo, porque eu e meu marido éramos jovens, não tínhamos filhos, nossos gastos eram pequenos. Os juros compostos começaram a surtir o efeito da bola de neve.
Quanto mais tempo eu deixava, mais a árvore crescia, mais o tronco engrossava e mais sólida ela se tornava, dando cada vez mais sombras e frutos frescos. Essa sombra, que antes mal me protegia, protegia agora a minha família do sol e da chuva.
Os frutos começaram a dar novas sementes e agora tendo o conhecimento e sabedoria do que fazer com as sementes, novas árvores começam a brotar.
Com novas árvores nascendo, pude começar a testar se algumas fórmulas funcionavam. Se algo desse errado com as novas sementes, sabia que as árvores antigas iriam me proteger dos períodos difíceis. Com isso, passei a ter mais coragem para arriscar, a ir atrás dos meus sonhos antigos. Se antes, o fracasso poderia acabar com a minha vida financeira, hoje, o fracasso nada mais é do que uma parte fundamental para o meu crescimento. E não posso deixar de concordar com a frase que ouvi outro dia: “o fracasso é o suor do sucesso”.
Uma única atitude tomada há muitos anos, de cuidar de uma semente, me trouxe segurança financeira para várias gerações.
Quem não conhece minha história de vida, se me conhecerem daqui a alguns anos, pode achar que eu tive sorte. Mas para usufruir desta sombra, eu fiz muitas escolhas. Fiz renúncias que a maioria das pessoas desdenharam.
Mas engana-se quem pensa que vivo uma vida de miséria e sacrifícios. Vivo uma vida de abundância, onde cada escolha reflete na decisão que eu acho mais importante, graças ao minimalismo. Minimalismo é sobre ter o que nós mais queremos. Minimalismo é saber o que é essencial e eliminar o resto.
Todas as decisões que eu tomei, entre gastar e economizar, fazer escolhas inteligentes e eliminando gastos desnecessários, culminaram na minha vida de hoje.
Deixei de assistir televisão, acompanhar as redes sociais, comecei a focar no que era importante. Também estudei nas madrugadas, enquanto dava de mamar para as minhas filhas, li diversos livros com uma luz baixa para não acordá-las. Já perdi as contas de quantas vezes adormeci de cansaço, na mesa do escritório, enquanto estava estudando.
Hoje a gente sabe o porquê disso tudo. A grande sombra da árvore que está se formando, foi fruto de uma decisão, de centenas de escolhas e milhares de pequenos esforços que fiz há muitos anos e que continuo fazendo. Não nasci em berço de ouro, sou assalariada, não ganho salário alto.
Daqui a poucos anos, eu e meu marido não precisaremos mais aportar. Nossos aportes se tornarão insignificantes se comparado ao rendimento que recebemos todos os meses. Os rendimentos continuarão sendo reinvestidos para engordar o patrimônio, até o momento que decidirmos parar de trabalhar.
Enquanto isso, toda a nossa renda oriunda dos salários poderão ser gastos para colocar as nossas filhas em uma escola de qualidade, continuar morando onde moramos atualmente, colocar as duas (no momento certo) em alguns cursos que achamos importante como música, esporte, idioma, além de proporcionar viagens e experiências.
As sementes estão aí, sendo distribuídas a todo momento. Quantas você já jogou fora?
Hoje era para publicar um outro post, mas como Sapien Livre publicou uma entrevista que eu fiz para ele sobre Independência Financeira para casais com filhos, resolvi postar aqui também.
Aliás, hoje à tarde vou conhecer pessoalmente o Sapien. Tomaremos um café. Em tempos de internet, conhecer uma pessoa que admiro, que busca igualmente ser FIRE como eu, será divertido.
Independência Financeira para casais com filhos
Por: Sapien Livre
Foto: Imagem por publicCo – Pixabay
Muitos casais que eu conheço costumam me falar que gostariam muito de buscar a independência financeira (IF), porém por serem casados e com filhos isso seria impossível.
Para provar que é possível, tenho a honra de apresentar um casal que está nesta caminhada pela IF e já poderão se aposentar (se quiserem) nos próximos cinco anos.
A Yuka é autora do site Viversempressa.com, e no formato perguntas e respostas nos dá uma verdadeira aula de como podemos buscar a independência financeira se fizermos escolhas inteligentes buscando valorizar aquilo que é importante.
1 – Com que idade começou a pensar em IF?
A IF ainda é uma coisa recente na minha vida. Tem a mesma idade que a minha filha: 4 anos. Foi por causa da minha filha que eu tive vontade de ser livre, e foi assim que descobri sobre a Independência Financeira.
2 – Sempre teve disciplina financeira?
Mais ou menos. Eu já juntava dinheiro, mas por não ter objetivos claros, gastava tudo quando surgia oportunidade. Como eu também não tinha conhecimentos sobre investimentos, rentabilidade, juros compostos, a impressão que me dá hoje é que eu não saía do lugar.
3 – Quantos anos ao total acredita que precisam para alcançar a IF?
Na minha concepção, é preciso uma média de 20 anos. Os 10 primeiros anos com aportes fortes e os 10 anos seguintes para que o tempo trabalhe a favor dos juros compostos. Eu já poupava e investia há 9 anos. Hoje, mesmo se eu zerar os aportes, a minha IF será garantida em breve, graças ao poder dos juros compostos em cima do montante já acumulado.
4 – Com que idade, de acordo com seu planejamento chegará a IF?
Na minha projeção pessimista, quando comecei a pensar na IF, a aposentadoria seria aos 50 anos. Conforme os anos e os meses vão passando, os valores e a rentabilidade são reajustados, e na minha última projeção (ainda pessimista) eu alcançaria a IF com 46 anos, ou seja, daqui a 8 anos. Mas sinceramente? Ultimamente tenho achado que alcançarei a IF daqui a 5 anos.
5 – Teria alguma dica prática para o casal que deseja iniciar essa jornada?
Vejo muitos casais que fazem as contas isoladamente. Uma pessoa paga o condomínio, a outra as contas de luz, gás, água etc. Em outros casos, decidem pagar as contas proporcionalmente de acordo com a porcentagem do salário recebido. Ou seja, lutam isoladamente, e não como um time. Acho fundamental que unam forças, independentemente do salário recebido. Isso significa somar os salários, descontar todos os pagamentos e aportar tudo o que sobra. No meu caso, isso fez total diferença no controle dos gastos, na eficiência dos aportes, na velocidade que estamos conseguindo alcançar a IF, e consequentemente na união do casamento.
6 – Qual o seu conhecimento em investimentos? Acha que é necessário manjar muito de números para investir?
Eu sou da área de humanas, e sou péssima em números. Meu marido que é da área de exatas fala que eu sou a prova viva de que não é preciso ser expert em matemática para entender sobre investimentos. É mais um mito criado para que fiquemos dependentes dos gerentes dos bancos, analistas financeiros, etc.
7 – Qual característica/comportamento você considera ser essencial para ser um FIRE?
Acreditar que é possível ser FIRE. Eu percebo que as pessoas desistem antes mesmo de começar. Desistem sem tentar, porque simplesmente não acreditam ser possível aposentar cedo. A outra coisa que eu considero importante, é entender que quando estamos deixando de ter algo hoje, não estamos fazendo sacrifícios, e sim, escolhas, já que há uma diferença enorme entre as palavras “sacrifício” e “escolha”.
8 – Para casados e com filhos, a IF é só para quem tem alta renda?
Para quem já tem filhos, compreendo que a IF será um pouco mais demorada, pois o período de maior gasto já se iniciou. Aquela sua pergunta inicial onde respondi que dos 20 anos de jornada, os 10 primeiros anos seriam aportes fortes, eu entendo que para um casal que já tenha filhos, o aporte seria mais restrito, e consequentemente os juros compostos dos 10 anos seguintes seriam menores. O que não significa que não é possível trilhar a jornada para alcançar a independência financeira, mas o casal terá que se ajustar e fazer escolhas acertadas para que a IF seja possível.
9 – Qual a maior dificuldade na caminhada FIRE para um casal?
É fazer com que o seu parceiro acredite no seu sonho. Não é uma caminhada rápida, e sim uma longa e demorada jornada. Já faz um tempo que eu tenho ensinado investimentos e FIRE para alguns amigos. Para os casados, a primeira coisa que eu sempre falo é para nunca, nunca, nunca deixar o parceiro para trás. Ele PRECISA estar no mesmo barco que o seu, porque se isso não acontecer, a médio/longo prazo, acredito que o casamento irá acabar. Nós, que acreditamos no FIRE, sabemos que a independência financeira é uma jornada muito solitária. E esse é mais um motivo para não deixar o parceiro para trás.
10 – O que diria para casais que usam os filhos como “desculpa” para não investir?
A desculpa não é somente filhos. É o emprego chato, é o salário baixo, é o cansaço, é a falta de tempo, é não ter ninguém para incentivar… enquanto a culpa for sempre do outro, nada mudará. Há pessoas que falam que fariam o que eu faço SE tivesse um salário maior, SE tivesse mais tempo, SE os filhos fossem maiores… Só que o que funciona é trocar o SE pelo APESAR. Apesar de não ter um salário alto, vou enxugar os gastos para aumentar o aporte. APESAR de não ter tempo, vou começar a estudar mais, deixando de acessar as redes sociais. APESAR dos filhos serem pequenos, farei escolhas inteligentes para gastar menos sem eles passarem necessidades. Essa é a pequena diferença que faz total diferença.
11 – O que acredita ser o maior diferencial para seguir rumo a IF?
Ser minimalista. O minimalismo nos ensina a fazer escolhas inteligentes, já que focamos no que é essencial e eliminamos o resto. Quando passamos a focar no que é essencial, todas as coisas mais importantes passam a sobressair: família, momentos, prioridades, escolhas… Eu tenho consciência de que o fato de saber exatamente o que eu quero e o que eu não quero, ajuda a fazer escolhas melhores, compras eficientes, que consequentemente traz economia e aportes maiores.
12 – Como lida com o orçamento familiar e os naturais desejos das crianças por brinquedos e diversão?
Em relação à diversão, eu sou meio que contra pagar por diversão. Eu cresci em Santos, brincando na areia da praia, nadando no mar, frequentando orquidários e parques gratuitos. E é isso que eu tento reproduzir, apesar de morar em São Paulo. Minhas filhas frequentam parques, praças, Sescs, centros culturais, eventos gratuitos em Shoppings, além de brincarem na areia da praia e nadar no mar quando vou para Santos.
Em relação a brinquedos, eu ensinei desde cedo que elas precisam fazer escolhas. Não pode ter todos os brinquedos, mas pode escolher 1 para o dia das crianças (mais aniversário e Natal). Só que eu compro apenas quando a data está próxima, e isso faz com que eu possa frequentar lojas de brinquedo sem estresse, pois elas sabem que irão apenas olhar e anotar mentalmente o que vão querer pedir de presente. Saber fazer escolhas é fundamental.
13 – Tem alguma pergunta que eu não fiz que gostaria que tivesse feito? ( Poderia perguntar e responder? rsrs)
Dizem que só é possível enriquecer (ou no caso dos FIREs, tornar livre) quando empreendemos. E não é verdade. Pelo menos não é somente desta forma que se enriquece. Mesmo sendo assalariada, com carteira assinada, estou prestes a ter a minha liberdade em alguns anos. Tudo se resume a gastar menos do que recebe e investir a diferença. Não é mágica, é comprometimento. Aliás, um comprometimento de décadas, daí a importância de se divertir durante a jornada FIRE.
Olha só que incrível, um casal jovem com filhos que irá alcançar a independência financeira antes dos cinquenta anos de idade. Em um momento em que aposentadoria tradicional está virando conto de fadas ou coisa para privilegiados, mais do que nunca é importante planejar nossas finanças.
E você, ainda acredita que a Independência financeira é impossível para casais com filhos?
Uma leitora perguntou semana passada em qual hotel eu havia me hospedado em Águas de Lindóia, e com isso resolvi escrever sobre esse assunto, pois sei que viajar está ficando caro para todo mundo.
Uma das táticas que eu uso é acompanhar de vez em quando o site do Groupon. A maioria das promoções, não são tão proveitosas, mas às vezes surge uma oportunidade no meio deles que vale muito a pena aproveitar.
Um exemplo disso é a hospedagem que comprei em Águas de Lindóia. Uma cidade perto de São Paulo, bem pequena e tranquila, perfeita para descansar.
Este foi o hotel que nos hospedamos (fotos do próprio hotel Mantovani):
Paguei R$739 pelas 3 noites. Caro? Talvez sim, talvez não, já que caro ou barato é muito relativo, depende do orçamento disponível familiar.
Para mim, o preço foi bom.
1.) A primeira vantagem é que as crianças não precisavam pagar. E apesar delas não serem pagantes, o hotel nos ofereceu um quarto com 1 cama de casal com 2 camas de solteiro.
2.) Esta promoção valia para a baixa temporada, ou seja, de fevereiro até junho. Como teria um feriado no dia 1 de maio, resolvi emendar a segunda e terça-feira para tirar a minha “mini-férias”. Lembrando que uma viagem sem a promoção, eu pagaria o dobro do valor pago. Se fosse em alta temporada, pagaria o triplo do valor.
3.) Esse hotel oferece pensão completa, ou seja, café da manhã, almoço e jantar inclusos. Com isso, não precisamos nos preocupar com nada.
Agora vou desmembrar os números para clarear um pouco mais o título deste post:
As 3 noites para 2 adultos e 2 crianças (cortesia) custaram R$739. Significa que a diária para o casal seria de R$246,33. Por pessoa R$123,16.
Esse valor de R$123,16, se descontasse o café da manhã (R$20), o almoço (R$35) e a janta (R$35), daria R$33,16 a diária por pessoa. O valor do café da manhã e o almoço eu estipulei, mas acredito que até gastaria mais.
Isso sem esquecer que levei 2 crianças não pagantes que puderam dormir cada uma na sua cama, e apesar delas terem 2 e 4 anos, elas comem bem. Melhor impossível.
Agora pensa numa comida boa…. pensou? O restaurante deste hotel é ma-ra-vi-lho-so. Gente, de verdade, valeu cada centavo. A cidade é bem pequena, não tem muito o que visitar. Mas valeu muito por causa da comida, da hospedagem, da piscina aquecida com hidromassagem, dos funcionários educados, do paisagismo, dos diversos espaços disponíveis no hotel, a infra-estrutura, etc. Aliás, o hotel investe bastante no quesito paisagismo, e havia diversos lugares pra gente aproveitar e curtir a família. Eu que moro em São Paulo, às vezes só quero sossego.
Vocês acham barato uma diária de R$33,16 por pessoa? Eu acho rs.
É dessa forma que economizamos gastando. Fazendo a mesma viagem, no mesmo local que queríamos ir, mas fazendo escolhas inteligentes.
A leitora Isabele me perguntou como eu planejo as viagens e como consigo driblar os pontos turísticos caríssimos.
Depois que eu engravidei duas vezes, eu e meu marido demos uma pausa nas viagens, principalmente as internacionais, por 2 motivos: o primeiro é que as crianças são muito pequenas e gostaríamos que elas lembrassem dessas viagens (apesar de saber que muitos pais pensam justamente o contrário, de aproveitar agora, já que as crianças pagam menos na passagem de avião). O segundo é que eu poderia até pedir para a minha mãe ficar com as crianças e viajar com o meu marido, mas a caçula, ainda não aprendeu a dormir a noite toda. Ela tem um sono muito leve, e tem dado trabalho. Bem diferente da minha filha mais velha, que mesmo se estiver com a cama toda cheia de xixi, não acorda por nada. Então decidimos esperar mais um pouco, até que as coisas se acertem.
Dito isso, vou contar das minhas experiências antes das meninas nascerem.
As minhas viagens costumam ser muito bem planejadas. Depois que escolho o lugar, a primeira coisa que faço é começar a acompanhar o preço das passagens de avião e da acomodação. Para baratear a viagem, sigo os seguintes passos:
1. Acompanhar o preço das passagens por longos meses:
Acompanhe os preços das passagens por pelo menos 3 meses. Costumo pesquisar em sites como o Decolar.com, Maxmilhas, que fazem a pesquisa e comparam preço em diversas companhias aéreas. Quando encontro um preço razoável nesses sites de comparação, costumo ir direto no site da empresa para ver se há preços melhores. Depois de decidir por qual companhia aérea viajar, analiso de que forma consigo aumentar o desconto. Por exemplo, se resolvo comprar pelo Maxmilhas, faço o seguinte caminho:
Entro no Méliuz e vejo se o Maxmilhas está dando algum dinheiro de volta (Méliuz é um site que devolve parte do dinheiro gasto. Hoje, por exemplo, está sendo informado que devolvem 4% do valor gasto no Maxmilhas). Se sim, faço a compra, nisso já ganho 4% de desconto do valor total da compra.
O Maxmilhas possui vantagens para quem tem o cartão Nubank. Então com isso consigo mais pontos, que depois poderão ser apagados da fatura.
Na hora do pagamento, parcelo em 12 vezes sem juros no cartão de crédito do Nubank, e depois antecipo todas as parcelas. Assim, ganho mais 4,50% de desconto pelo Nubank.
Então além de conseguir comprar a passagem mais barata por ter pesquisado o preço por alguns meses, acabo ganhando pontos e descontos por causa do Méliuz e Nubank.
Costumávamos viajar em períodos que não coincidissem com férias escolas, ou seja, evitávamos os meses de janeiro, fevereiro, julho e dezembro que são mais caros.
Também nunca compramos pacotes de viagens em agências de viagens. Eu mesma comparo e compro a passagem de avião, a acomodação e vejo os passeios que quero fazer, pois isso faz com que a viagem tenha o meu ritmo.
2. Fazer uma lista do que levar na mala:
Sim, uma lista. E essa lista começa alguns meses antes. Essa é a lista que possibilita que eu leve poucas coisas, pois consigo combinar roupas, programar o que vou usar e o que não vou levar.
3. Fazer um roteiro turístico:
Comprado a passagem, agora é hora de fazer um roteiro. Roteiro é essencial para quem quer aproveitar bem uma viagem. Imagine ter passeado em um bairro o dia inteiro, e descobrir depois que deixou de conhecer um lugar interessantíssimo? É nesse roteiro que eu já faço a pesquisa dos valores dos lugares que quero visitar: ingressos, transporte, etc e já faço uma estimativa de quanto gastarei durante a viagem.
4. Ser flexível:
Isso significa que se a fila para conhecer um determinado lugar estiver com uma fila gigantesca, não se acanhe em desistir. Não tem problema se você não visitar o lugar. Eu mesma prefiro não me estressar, divertir na viagem, do que ficar com aquela obrigação de ter que conhecer um lugar só porque é turístico. Tenho consciência de que a viagem é para mim, e não para provar para terceiros que estive em tal lugar.
5. Conhecer a culinária local:
Eu sempre gostei de comidas de rua. Aqui em SP, comia o churrasco grego (para o terror da maioria dos meus amigos hahaha), o hot dog prensado, o churrasquinho do tio da esquina, tapioca e por aí vai. Depois da onda do Food Truck, minha paixão continuou: hambúrgueres, comida mexicana, massas, nhac nhac nhac….. Então quando viajo, nada mais natural do que sair experimentando as comidas de rua. Isso significa que alterno entre restaurantes e food trucks, o que acaba barateando bastante na alimentação.
6. Esquecer os souvenirs:
Eu não ligo para souvenirs, nem tenho fascinação em comprar algo do lugar que viajo. Muitas pessoas aproveitam para comprar roupas, bolsas, sapatos, relógios, maquiagens… mas eu não. Por isso viajo com a minha mala pequena, porque sei que vou voltar com ela com praticamente a mesma quantidade de coisas que fui viajar. Já contei no outro post que fui pra Amsterdã, na Holanda e voltei só com 1 cadeado de bicicleta, né? Essa sou eu.
7. Aproveitar os descontos para turistas:
Geralmente, as cidades possuem um ticket mensal ou semanal para turistas andarem de trem, metrô, ônibus, que vale muito a pena comprar. Por exemplo, quando fui para o Japão, eu comprei um ticket chamado Japan Rail Train, disponível somente para turistas. Esse ticket, depois de comprado, possibilita que o turista use todas as linhas ferroviárias, metroviárias e linhas de ônibus de uma determinada empresa, quantas vezes desejar. Pra mim, compensou muito ter esse ticket. Tem diversos passeios turísticos que podem ser comprados com antecedência, por um preço mais em conta. Vale a pena pesquisar antes.
8. Celular descarregado? Nunca mais!
Eu tenho uma bateria recarregável portátil. Consigo recarregar meu celular várias vezes ao dia, sem a necessidade de ter que ficar procurando uma tomada (correndo o risco de esquecer em algum lugar).
9. Comunicação com os amigos e família:
Eu faço somente pelo whatsapp. Tem gente que habilita o uso do celular para uso no exterior, mas eu nunca fiz, e nunca senti falta. Se tenho o ano inteiro para falar com as pessoas, por que escolher justamente durante a viagem?
10. Ter folgas na agenda:
Deixo para conhecer somente alguns pontos turísticos por dia. Gosto de deixar o dia livre, não gosto de entupir o dia com programações, justamente para não me sentir sufocada. Férias é para ser leve e livre, e não para correr atrás do relógio e da agenda.
11. Não conhecer tudo de uma vez:
As cidades possuem muitas coisas interessantes para ver e visitar. Existem muitos pacotes a venda como “Conheça a Grécia, Turquia e Egito em 3 dias”, “Roma, Paris e Londres em 5 dias”. Eu gosto de conhecer um único lugar de cada vez. Gosto de explorar ao máximo, visitar com calma um único país (ou dependendo, uma única cidade).
E o mais importante, não se esquecer nunca que a verdadeira viagem se faz na memória.
Aqui em casa, desde que eu e meu marido começamos a morar juntos, decidimos que todo o dinheiro que entrasse em casa seria nosso, e não meu ou dele. Isso significa que o meu salário é nosso, o salário dele é nosso, o meu vale-alimentação é nosso, o meu décimo terceiro salário é nosso, e assim por diante.
A partir do momento que nosso salário virou “proventos da família”, percebemos que não teríamos mais dinheiro individual. E aí surgiu a ideia de termos uma mesada.
Sim, mesada. Mesada na fase adulta.
Funciona da seguinte forma:
Todos os meses, quando recebemos o nosso salário no início do mês, somamos os proventos e pagamos todas as contas: conta de luz, gás, aluguel do apartamento, condomínio, plano de saúde, fatura do cartão de crédito etc. Depois, cada um separa uma parte para os gastos do celular, transporte (no caso, metrô) e finalmente, a mesada. O que sobra na conta, é tudo destinado aos nossos investimentos.
Na prática, é assim: meu marido recebe o salário, separa a parte que lhe cabe (celular, transporte e mesada) e transfere tudo para mim. Eu pago todas as nossas contas, separo o que é meu (celular, transporte e mesada) e transfiro tudo para os nossos investimentos. É bem prático e fácil.
Essa mesada, que é uma porção bem pequena do nosso salário, pode ser gasto no que a gente quiser.
Meu marido é o que fica mais feliz com a mesada. Fala com um brilho nos olhos e com uma emoção de que nunca na vida tinha ganhado uma mesada.
Sinto um pouquinho de vergonha quando estamos numa cafeteria e ele cisma que quer pagar pra mim, e acaba falando em voz alta e empolgante “pode deixar que eu vou pagar com a minha mesada!!!”. Afeeeee eu peço pra ele ser discreto, ninguém precisa saber que ele tem uma mesada com quase 40 anos de idade.
A nossa mesada não recebe reajustes anuais há pelo menos 4 anos, o que já virou até um desafio entre nós. Para nós, o valor está ok, não passamos vontade, nem necessidade. A decisão de não fazer reajustes no valor da mesada, é porque além de não sentirmos necessidade, temos o projeto de alcançar a independência financeira o mais rápido possível. Sabemos que quanto mais a mesada for gorda, mais futilidades iremos comprar (entenda como futilidade, coisas que não estamos precisando).
Como nós somos bem frugais, o mais incrível é que sobra mesada. E aí acabamos gastando na pipoca que a nossa filha quer comer na rua, num almoço com amigos, nos passeios de fins-de-semana com a família. Meu marido adora pastel e chama os amigos para almoçar pastel toda semana. Já eu, gosto de passear na 25 de março e ficar comprando quinquilharias e matéria-prima para fazer artesanatos.
Claro, às vezes queremos comprar coisas um pouco mais caras que a mesada do mês não supre. Nesses casos, ou pagamos com o “dinheiro da casa” e fica como um presente, ou parcelamos para que a compra caiba no orçamento da mesada.
Tem sido muito bom cada um ter um dinheiro livre para gastar, sem ter que ficar dando satisfação ao outro. Nós temos consciência de que esse sistema de mesada é o que tem nos proporcionado a oportunidade de fazer investimentos volumosos todos os meses.
Não posso dizer muito sobre a cultura de outros países, mas sei que Japão e Alemanha possuem uma cultura bem forte de evitar o desperdício.
Aqui no Brasil, percebo que as pessoas julgam (mal) quem luta contra o desperdício. É mais bem visto deixar sobras de comida no prato do restaurante, do que pedir para embrulhar para levar para a casa. É mais estiloso comprar uma bermuda nova, do que transformar aquela calça velha em uma bermuda. É mais fácil jogar fora a camiseta manchada, do que tingir com uma cor escura e continuar usando por mais alguns anos. É melhor avaliada a pessoa que sempre vem trabalhar com roupas diferentes, do que aquela que sempre vem com as mesmas roupas.
No Japão, existe uma palavra que eu gosto muito: mottainai.
Ela não possui tradução para o português, mas no Wikipedia, tem um trecho em que Hitoshi Chiba, autor do documentário Restyling Japan: Revival of the ‘Mottainai’ Spirit, tenta explicar um pouco sobre o conceito:
Muitas vezes ouvimos no Japão a expressão mottainai, que vagamente significa “desperdício”, mas em seu sentido pleno transmite um sentimento de temor e apreço pelas graças da natureza ou a conduta sincera de outras pessoas. Existe uma característica entre os japoneses de tentar usar algo por toda a sua vida efetiva ou continuar a usá-lo por repará-lo. Nesta cultura de carinho, as pessoas vão se esforçar em encontrar novas casas para posses que eles não precisam mais. O princípio mottainai estende-se à mesa de jantar, onde muitos consideram rude deixar mesmo um único grão de arroz na tigela.
As práticas que integram o espírito mottainai podem ser adotadas por qualquer um. São ações simples que evitam o desperdício de todo e qualquer recurso. Um pequeno gesto muito valorizado no Japão (e que é um primeiro passo para incluir o mottainai em sua vida) é não deixar nem um grão de arroz no prato (pegue porções pequenas; se não for suficiente, repita, mas não jogue comida fora). O Japão enfrentou períodos muito difíceis, como guerras, fomes e terremotos, e se desenvolveu em um território com recursos naturais escassos. A prática do mottainai foi essencial para a sobrevivência e para o crescimento do país, sendo uma das bases da cultura japonesa. O espírito ecológico e a prática da sustentabilidade, assim como o consumo sustentável, são formas de adotar o mottainai como filosofia de vida. Qualquer país iria se beneficiar ao seguir o exemplo do Japão, mas adotar o mottainai não precisa ser uma ação institucional. Na própria cultura japonesa foram as pequenas ações cotidianas (resultado de privações) que fizeram do mottainai um estilo de vida adotado por todo o país.
O mottainai não é apenas sobre desperdício de comida, de roupa, de dinheiro. É sobre desperdício de tempo, de talento, de oportunidades.
Podemos dizer mottainai, quando estamos jogando comida fora, pois esse alimento poderia estar alimentando outra pessoa que está passando fome neste exato momento.
Podemos dizer mottainai, quando estamos desfazendo de uma roupa que ainda está em condições de uso, mas que não queremos mais usar, porque simplesmente enjoamos.
Podemos dizer mottainai, quando percebemos que uma pessoa é completamente desorganizada. Dá uma sensação de que está desperdiçando tempo precioso da vida fazendo coisas desnecessárias.
Podemos dizer mottainai, quando há talento desperdiçado. Aquela pessoa que você enxerga um talento incrível fazendo coisas repetitivas de escritório.
Como vê, o conceito mottainai é muito mais profundo e belo, onde nada mais é do que uma filosofia que promove o respeito à vida.
Existe uma forma muito bacana de economizar dinheiro sem sofrer: substituindo as despesas.
Há diversas formas como podem ser conferidos a seguir:
1.) Substituir a TV a cabo por Netflix:
Ao invés de continuar assinando a TV a cabo, e não ter tempo para assistir nem 1 centésimo do que ele oferecia, cancelei e assinei a Netflix. Economia de R$1.470 ao ano.
2.) Substituir o plano de saúde atual por um plano um pouco inferior:
Estou tentando há alguns meses, mas o plano de saúde está me dando um chá de cadeira. A minha intenção é permanecer com o mesmo plano, só que escolher o plano enfermaria. Economia de R$4.224 ao ano.
3.) Substituir marcas dos produtos do supermercado:
Esse eu já tinha até comentado em um post, de que o leite de coco do supermercado Dia é fabricado pela Sococo. Experimentar marcas novas pode te surpreender. Economia de R$2.400 ao ano.
4.) Substituir plano de celular pós-pago para um pré-pago ou plano controle:
Dependendo do uso do celular, nem compensa ter um plano pós-pago. Eu e meu marido, temos internet em casa e no trabalho (inclusive wi-fi no celular). O único momento em que ficamos sem internet: 1.) eu: enquanto estou no metrô, o que pra mim é ótimo porque uso esse tempo para ler livros. 2.) marido: enquanto está andando de bicicleta. Economia de R$720 ao ano.
5.) Substituir roupas de marca por roupas de departamentos:
Eu sempre gostei de andar pelos bairros populares de São Paulo. Aprendi desde cedo a comprar roupas legais em lojas de departamentos e de rua, como o Bom Retiro e Brás, ao invés de fazer as compras em shoppings. Economia de R$1200 ao ano.
6.) Escolher restaurantes mais em conta:
Ao invés de almoçar em um restaurante caro, já pensou em almoçar em um restaurante um pouco mais barato, ou até mesmo levar almoço para o trabalho? Eu e meu marido levamos marmita todos os dias ao trabalho e escolhemos alguns dias do mês para comermos fora. Economia de R$7.200 ao ano.
7.) Trocar a academia grande por uma intermediária ou até mesmo substituir o plano:
Hoje em dia a gente consegue encontrar academias com planos bem acessíveis. Eu já paguei uma academia que tinha mensalidade de R$350, atualmente, há academias por R$70, R$90 reais. Economia de R$3.120 ao ano.
8.) Ao invés de fazer uma viagem de R$3 mil, R$5 mil, fazer uma viagem mais barata aproveitando as promoções:
As passagens de avião, quando compradas com antecedência e fora de temporada, costumam ser bem mais acessíveis do que se compradas em cima da hora. Há várias promoções em sites de compras coletivas que valem a pena acompanhar. Economia de R$2.000 ao ano.
9.) Comprar frutas da estação:
Ao invés de comprar frutas fora da estação, passar a comprar frutas da estação que além de mais saborosas, são mais baratas. Economia de R$480 ao ano.
10.) Ao invés de andar de táxi todas as vezes que precisar, usar mais o transporte público:
Eu até que ando bastante de Uber quando vou passear aos fins de semana, mas durante a semana, economizo usando o metrô para buscar minha filha na creche. Economia de R$1.200 ao ano.
11.) Fazer portabilidade do banco para economizar nas tarifas:
É possível fazer a portabilidade mesmo se receber salário de um outro banco. Eu por exemplo, recebo o salário pelo Banco do Brasil, mas fiz portabilidade para o Itaú, e de quebra ainda consegui o iConta, a conta digital do Itaú, que infelizmente não existe mais. Então além de não pagar nenhuma taxa mensal, não pago para fazer DOC, TED etc. Meu marido fez a mesma coisa. Economia de R$1296 ao ano.
12.) Ao invés de comprar brinquedos em lojas grandes como Ri Happy, PBkids, comprar em lojas como a Armarinhos Fernando (25 de março, em São Paulo):
Sério, com isso compra-se o mesmíssimo brinquedo, por um valor de 10 a 40% mais barato. Economia de R$400 ao ano.
13.) Ao invés de comprar itens de papelaria em papelarias grandes ou de bairro, comprar em lojas como a Armarinhos Fernando (de novo, é que essa loja vende quase tudo):
Essa semana comprei cadernos de desenho com a Peppa Pig na capa, na Armarinhos Fernando e paguei R$4,99. Me surpreendi quando vi o mesmo caderno sendo vendido por R$24,99 nas Lojas Americanas. Compro tintas, pincéis, canetas, lápis de cor, massinha de modelar, livros para pintar etc. Economia de R$720 ao ano.
14.) Ao invés de comprar frutas, legumes e verduras no supermercado, comprar na feira:
Todo mundo sabe como conseguimos preços interessantes na feira. Além da mercadoria ser mais fresca, os preços são bem atrativos. Economia de R$720 ao ano.
15.) Se sempre vai em um salão para cortar cabelo por um determinado preço, que tal procurar outras opções pelo bairro?
16.) Se tiver um carro de grande porte que consume mais gasolina, além dos gastos mais elevados do seguro e IPVA, substituir por um carro de menor porte.
Ideias não faltam. São pequenas ações que se somadas, dá um valor considerável por ano.
Veja o meu caso, somente nesses exemplos que eu lembrei, dá uma economia anual de R$27.150.
A parte interessante é que como não há corte e sim uma redução ou troca, muitas vezes nem sentimos que os serviços foram reduzidos, partindo da premissa de que não estavam sendo utilizados no seu potencial máximo.
É desta forma que eu tenho conseguido economizar todos os meses, mesmo com a alta da inflação e sem aumento salarial por anos.
Uma leitora perguntou se eu utilizo cartão de crédito.
Sim, uso e gosto muito.
Mas já aviso que cartão de crédito é bom para quem já está com as finanças em dia, para quem já sabe quanto recebe e quanto gasta por mês, ou seja, para quem está com as contas em dia.
Se a pessoa ainda não chegou nessa fase, melhor nem chegar perto de um cartão de crédito, é preciso fazer a lição de casa antes. Caso contrário, poderá contrair uma dívida tão grande por causa dos juros rotativos que será muito difícil sair do vermelho.
DICAS PARA USAR O CARTÃO DE CRÉDITO FORMA EFICIENTE
1.) Anote todos os gastos feitos no cartão de crédito
Eu uso o aplicativo de celular Minhas Economias. Toda vez que eu compro algo no meu cartão de crédito, anoto no aplicativo para não perder o controle. Eu gosto de anotar sempre no dia 30 do mês atual. Por exemplo, se compro algo no dia 2, eu anoto no aplicativo no dia 30. Se compro algo no dia 15, anoto no dia 30. E assim sucessivamente. Desta forma, quando fecha a fatura, sei que todos os gastos do dia 30 refere-se à gastos do cartão de crédito.
2.) Use cartão de crédito sem anuidade
Há diversos cartões sem anuidade disponíveis no mercado. Eu uso o Nubank. A partir de agora, vou falar das vantagens do Nubank, ele é o meu queridinho.
3.) Faça parcelamento das compras sem juros
O Nubank possui esta vantagem: parcelar as compras sem juros e depois permite antecipar o pagamento total no aplicativo. Com isso, ganho de 5 a 7% de desconto em cima do valor total da compra.
4.) Aproveite os pontos do cartão de crédito
O Nubank possui o Nubank Rewards. Paga-se R$170,00 por ano e acumula-se pontos (pontos que nunca expiram). Para quem tem gastos no cartão de crédito acima de R$1.600, compensa. Além de possibilitar apagar (isso mesmo, apagar) gastos como Uber ou Netflix mensalmente, também permite apagar gastos em hotéis e passagens de avião.
5.) Concentre os gastos em um único cartão
Eu e meu marido possuímos o Nubank, mas já combinamos que gastos grandes são feitos no meu cartão de crédito para acelerar o acúmulo dos pontos.
6.) Aproveite os combos Meliuz + Nubank Rewards
O Meliuz é um site que tem sistema cashback, ou seja, devolvem uma parte do dinheiro gasto. Por exemplo, comprei uma bicicleta para a minha filha, paguei R$200 no Ponto Frio pelo Meliuz. Ele me retornará 5% do valor gasto. Faço o pagamento utilizando meu Nubank, e como o Ponto Frio me permite dividir em até 12x sem juros, faço o parcelamento. Depois entro no Nubank e antecipo todas as parcelas, ganhando mais 5 a 7% de desconto. Então na verdade a bicicleta não custou R$200. Custou R$176. Nada mal.
Com isso já deu para perceber que eu concentro todos os meus gastos no cartão de crédito, desde compras pequenas de padaria e docerias até compras grandes de móveis e eletrodomésticos.
Com a inflação em alta, o nosso dinheiro tem valido cada vez menos. Uma forma de contornar essa situação é fechar a torneira para conter desperdícios.
Eu andei fazendo uma análise da minha situação para ver se tinha algum dinheiro dormindo em casa e descobri o seguinte:
ALIMENTAÇÃO
Desperdiçar comida é a mesma coisa que rasgar dinheiro. Uma das formas para não desperdiçar comida é esvaziar bem a despensa antes de repor os estoques. Na prática funciona assim:
1ª semana: despensa cheia, geladeira cheia: receitas diferentes para o jantar.
2ª e 3ª semana: despensa em uso, repondo alguns produtos da geladeira principalmente verduras, frutas e legumes
4ª semana: é a semana da criatividade. É nesta semana que o desperdício é eliminado utilizando tudo o que temos na despensa e geladeira, antes de fazer uma nova compra do mês no supermercado. Por exemplo: se não tiver ovo nem farinha de rosca para empanar um bife, uso maionese e queijo ralado. Se não tiver carne suficiente para todos, eu faço espetinho de carne com bastante legumes.
SUPERMERCADO
Ignorar a comparação dos preços dos produtos em supermercados diferentes pode fazer uma diferença considerável no fim do mês. Por várias vezes vi preços de produtos que dobravam de valor nos supermercados pesquisados.
INTERNET
De tempos em tempos eu costumo entrar no site da empresa que comercializa planos de internet. Na última vez, percebi que havia um plano de 15MB sendo comercializado por um valor menor do que o meu plano, que era de 10MB. Liguei no 0800 e solicitei a alteração do meu plano. Além de pagar mais barato, a velocidade da minha internet melhorou.
MOEDAS INTERNACIONAIS
Quando voltamos de viagens internacionais, meu marido tem o costume de guardar as notas (para uma nova eventual viagem) ao invés de trocar por Real nas casas de câmbio. E eu percebi que tínhamos euro, dólar americano e dólar canadense guardados na gaveta há anos. Como não temos previsão para viajar, eu vendi.
OBJETOS EM DESUSO
Eu costumava comprar muitos livros quando era mais nova. Mas conforme os livros foram ocupando um espaço considerável da casa, eu passei a comprar livros digitais. Atualmente, a maioria dos meus livros já estão no formato digital, então não via mais sentido em ver meus livros pegando poeira nas estantes. Um ótimo jeito de desapegar das coisas é na OLX. Eu já vendi bicicleta, cabeceira de cama, aspirador de pó, livros…
ÁGUA E LUZ
Passei a dar banho na minha filha de chuveiro ao invés de encher a banheira. O tempo do chuveiro ligado reduziu e consequentemente a conta de luz abaixou.
São pequenos exemplos de como podemos economizar fazendo uma simples análise das nossas atitudes do dia-a-dia.
E você? Tem dinheiro dormindo por aí? Já pensou em acordá-lo?
Se há alguns anos era possível fazer uma compra semanal por R$50,00, hoje esse valor não enche nem uma geladeira.
Para tentar manter a mesma quantidade e qualidade dos itens que compro, comecei a tomar algumas atitudes para não apertar tanto o orçamento:
1.) Eu basicamente faço 1 compra grande no início do mês. É quando reponho a minha despensa com farinha, açúcar, arroz, feijão… Para isso, eu comparo preços em 2 supermercados perto de casa. A diferença de preço às vezes é assustadora, já percebi que não há um padrão, às vezes o requeijão pode estar barato no mercado x, e na outra semana, o mesmo requeijão estar barato no mercado y. Como o supermercado é caminho para mim, eu entro, anoto os preços e já vou para o segundo. Compro tudo o que está mais barato, e na volta passo no outro supermercado para comprar o restante dos itens. Às vezes o produto pode custar até 100% mais caro como foi o caso da essência de baunilha. Em um custando R$4,50 e no outro inacreditáveis R$8,50.
2.) Para as compras semanais (verduras e frutas), eu prefiro ir na feira. Além de achar os produtos de melhor qualidade, consigo preço melhor.
3.) Antes de ir no supermercado ou feira, gosto de olhar o que tem na geladeira para não comprar coisas duplicadas.
4.) Compro legumes e frutas da estação. Além de estarem mais saborosas, o preço é mais atrativo.
5.) Meu marido recebe pelo e-mails as promoções da semana dos supermercados próximo de casa. Sempre conseguimos promoções que valem muito a pena.
6.) Quando há aquelas promoções imperdíveis, fazemos estoque de produtos como leite em caixa, sabonete, papel higiênico.
7.) Alguns supermercados mandam cupons pelo correio. Quando recebo, tomo cuidado para não passar da validade da promoção.
8.) Eu separo os lugares onde faço as compras: frutas e verduras na feira, carnes no açougue e o restante no supermercado.
9.) Compro somente o necessário para o consumo da semana para evitar desperdício.
10.) Tento jogar o mínimo de comida no lixo. Misturo talos de espinafre na massa da panqueca, sementes de tomate no molho de tomate, sementes de abóbora viram petiscos assados, uso quase tudo com casca (cenoura, batata, etc).
11.) Não ter preconceito das marcas próprias do supermercado. Perto de casa tem um supermercado Dia que eu vou com frequência. Sabia que o leite de coco do supermercado Dia é produzido pela Sococo? Que o “nutella” do Dia é produzido pela mesma empresa italiana Nutkao que produz para a marca francesa Casino? Que o chocolate amargo do Dia é importado da França? Que o chocolate em pó do Dia é melhor que o chocolate “do padre” da Nestlé (e o preço é 55% menor)? Pois é.
Chocolate em pó solúvel: Dia (R$5,00) vs Nestlé (R$13,80)
Leite de coco: Dia (R$3,00) vs Sococo (R$4,80)
Chocolate em barra: Dia (R$5,00) vs Casino (R$9,80)
Creme de avelã (nutella): Dia (R$7,00) vs Casino (R$16,00)
12.) Logo que saio do mercado, já confiro os preços na nota fiscal. Já peguei muitos preços principalmente da promoção, com preço sem desconto. Peço para estornar meu dinheiro. Por incrível que pareça, isso é muito-muito-muito recorrente. Outro dia comprei um iogurte por R$3,99, mas passou por R$6,50 no caixa, mais de 60% de diferença no preço.
13.) O freezer é o meu amigo (e o forno também rs). Se a fruta está amadurecendo rápido, faço um sorbet. Se percebo que não dou conta de comer todo o queijo e presunto, congelo para depois usar em algum outro prato. Eu ralo queijo e congelo. Aproveito para congelar o soro do iogurte para hidratar o feijão, guardo caldo de frango, peixe e carne para fazer ensopados. Quando compro temperos frescos como salsinha, cebolinha, alecrim e tomilho, eu já lavo, seco, pico e congelo. Assim não desperdiço nada.
14.) Reaproveito a receita de um prato para fazer novos pratos. Almôndegas vira recheio de panqueca. Molho branco vira recheio de batata assada.
15.) Levo marmita para o trabalho ao invés de comer na rua.
16.) A cada dia, me esforço para aprender a cozinhar mais… eu faço iogurte grego, minhas queridas granolas, meu amado pão, pretzels, os deliciosos cookies, esfiha, batata rosti, etc.
17.) Se faço pão, aproveito para usar todo o fermento biológico, e asso 2 pães de uma vez. Além de evitar que o fermento estrague, economizo no gás, já que asso os 2 de uma vez.
18.) Analiso o preço dos pacotes dos produtos usando como referências as gramas. Por exemplo: eu comprava caixa de chá preto de 25g que contém 15 saquinhos por R$4,50. Mas passei a comprar um pacote de chá preto de 300g que não vem em saquinhos por R$5,50. Ou seja, antes eu pagava R$4,50 por 25g, hoje pago R$0,45.
19.) No fim do mês, tento cozinhar usando tudo o que tiver na geladeira, usando a criatividade. É uma forma de limpar a despensa e a geladeira.
Essas foram as dicas que eu uso aqui em casa. Espero que tenham gostado.
Dando continuidade ao post anterior que tinha como título a frase budista:
“não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa de menos”
Atualmente, temos diversas possibilidades de desfrutar bens e serviços sem a necessidade de comprar com a finalidade de ter. Nesta última década, surgiram tantos serviços e produtos novos, que hoje podemos ter benefícios de utiliza-los, mesmo não tendo a posse.
O ato de desfrutar sem possuir também pode ser chamado de economia compartilhada, segundo o site Consumo Colaborativo:
“quando o consumidor paga pelo benefício do produto e não pelo produto em si. Tem como base o princípio de que aquilo que precisamos não é um CD e sim a música que toca nele, o que precisamos é um buraco na parede e não uma furadeira, e se aplica a praticamente qualquer bem.”
São os tempos modernos: a possibilidade de viver sem ter, e mesmo assim, manter o mesmo estilo de vida.
Alguns exemplos:
MORADIA
Precisamos de um lugar para morar, e não de uma casa. Podemos morar de aluguel em uma casa de 1 dormitório e nos mudar para uma casa maior quando a família aumentar/mudar de emprego. E quando as crianças crescerem e saírem de casa, podemos novamente morar em uma casa menor. Não há preocupação se o bairro desvalorizar, se o emprego mudar de endereço, se o vizinho for barulhento.
TRANSPORTE
O principal objetivo do transporte é levar uma pessoa de um lugar até o outro. Para isso, não precisamos ter um carro. Podemos ir de metrô, ônibus, táxi, Uber, bicicleta, carro alugado, etc. Não ter carro significa não ter que se preocupar com furto, IPVA, seguro, gasolina, estacionamento, lavagem do carro, troca do óleo, manutenção, etc.
LIVROS
Queremos ler o conteúdo do livro, e não ter o livro. Podemos solicitar empréstimo de livros em Bibliotecas, ou ter a versão online do livro (e-books), eliminando preocupações em relação a espaço para armazenamento e acúmulo de poeira.
MÚSICA
O que queremos é ouvir a música. Aproveite serviços de streaming como o Spotify.
ROUPA DE FESTA
Se há um casamento/festa para ir, há opções para alugar terno ou vestido. Com isso acaba-se a preocupação da roupa repetida e se a roupa ainda serve no corpo.
DVDs
Assista filmes utilizando serviços de streaming como a Netflix.
HD Externo
Se você utiliza um HD externo para fazer backup de fotos, seus problemas acabaram. Utilize o Google Fotos. É gratuito. É ilimitado.
Papéis, comprovantes, notas fiscais e manuais
Ao invés de guardar notas fiscais, boletos, documentos em papel, receitas culinárias em cadernos, armazene tudo no Evernote. Acesse de qualquer lugar: no notebook, no tablet ou celular.
Furadeira, escada e itens de uso esporádico
Como diz o site Consumo Colaborativo, precisamos de um furo e não de uma furadeira. Podemos pegar emprestado do vizinho ou até mesmo utilizar aplicativos como o Tem Açúcar que incentiva o empréstimo de objetos entre os vizinhos.
Hospedagem
Por que alugar um quarto pequeno de hotel se podemos alugar uma casa inteira pelo mesmo preço no HouseTrip ou Airbnb?
Esses são apenas alguns dos exemplos que eu lembrei e utilizo. Ainda deve haver diversas iniciativas desconhecidas por mim.
Essas pequenas/grandes atitudes nos permite mudar de bairro, mudar o tamanho da casa conforme a necessidade, até mudar de cidade ou país. Permite economizar espaço, dinheiro e recursos naturais. E finalmente, nos permite ter liberdade por não precisar ter preocupações.
Se vocês souberem de outras formas de desfrutar sem possuir, compartilhe nos comentários!
Esses dias fui passear no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. Não conhecia, apesar de ter sido inaugurado em 2015, nunca tinha tido curiosidade de conhecer. Só que tive um curso quase ao lado desse shopping, e como uma espécie de curiosidade, resolvi entrar.
Gente, o que é aquilo? Eu me assustei demais com os preços.
Tudo bem, sei que eu não sou rica, mas também não acho que recebo um salário ruim para ter me assustado tanto com os preços. Talvez porque eu perdi o costume de passear em shoppings, então pode ser que eu esteja desatualizada com os preços “normais” de shopping… mas pensem comigo, é normal pagar R$480,00 por um vestido de verão?
Sandalinhas rasteiras a R$280,00?
Entrei numa loja de brinquedos e a maioria estava tudo na faixa dos 99. Ou seja, R$299,00; R$399,00; R$499,00. Quando vi um brinquedo por R$599,00 eu resolvi ir embora para casa, porque foi demais pra mim.
E entendi porque meu salário rende tanto. Porque eu sei que o mesmo dinheiro pode ser utilizado de outras formas. Sei que há produtos de qualidade superior que o preço acompanha a qualidade. Mas também há muitos casos em que o preço não acompanha a qualidade, onde somente a marca é famosa e traz status.
Se eu consigo achar vestidos bonitos por R$80,00, porque eu pagaria um que custa R$480,00 e que cumpre exatamente a mesma função?
Antes eu achava normal pagar R$300,00 (o casal) em um restaurante, até eu pagar este valor em um restaurante bem famoso que possui menu único (e cá entre nós, nem achei tãaaao gostoso assim), e vi o absurdo que eu tinha feito com o meu suado dinheiro.
E desde então, eu e meu marido começamos a repensar de que forma temos gasto o nosso dinheiro.
Ao invés de pagar R$80,00 por uma pizza delivery, pagamos R$40,00 por uma igualmente boa (só tivemos que pesquisar por mais tempo).
Ao invés de comer em food truck’s, comer em pé e pagar R$120,00, começamos a procurar lugares bons e baratos para comer. Outro dia encontramos uma lanchonete que não dávamos nada, pedimos 4 esfihas deliciosas, 2 jarras de suco de melancia perfeitas e pagamos R$27,00.
Até para comprar verduras, frutas e ovos começamos a ir numa outra feira. Ao invés de pagar R$9,80 pela dúzia do ovo, passei a pagar R$3,80.
Outro dia, eu até pensei em levar minha filha e meu sobrinho no Aquário de São Paulo. Mas quando descobri o preço, eu decidi não ir. Custa R$80,00 adulto e R$50,00 infantil (de 3 a 12 anos) e eu gastaria R$210,00 de entrada (2 adultos, 1 criança e 1 bebê não pagante), fora o metrô e o táxi. Definitivamente não vale a pena para mim. Só que eu não desisti de ir no aquário. Minha família é de Santos, e também tem um aquário lá e o ingresso custa R$5,00 adulto e entrada gratuita para menores de 12 anos e maiores de 60 anos. Para fazer praticamente o mesmo tipo de passeio, ao invés de pagar R$210,00, eu pagaria R$10,00. Ah, tem um aquário bem pequeno também no Parque da Água Branca (São Paulo). Para uma criança que não tem nem 2 anos, e não consegue ficar por muito tempo concentrada, achei ótimo pagar R$3,00.
É disso que estou falando. Pra mim e para o meu marido, procurar estes tipos de locais virou a nossa diversão.
E assim eu vejo meu salário se esticando e sobrando cada vez mais.
Eu chamo isso de gastar bem o dinheiro. É saber valorizar o TEMPO que eu dei para a minha empresa em troca de um salário.
Outro dia estava pensando em quantas coisas deixei de comprar porque não vejo mais necessidade… E essa lista têm aumentado com o tempo. Vejam só:
1.) TV a cabo:
Gastava um bom dinheiro mensalmente na TV a cabo até que um dia caiu a ficha de que eu não assistia muita televisão. Sentava no sofá e nunca conseguia assistir nenhum programa ou filme do começo, e ficava trocando de canal em canal para tentar assistir alguma coisa do início.
2.) Assinatura de revistas:
Desde 2004, não assino mais nenhuma revista. Acesso jornais e revistas pela internet.
3.) Taxa de administração de banco:
Eles não cobram muito, é verdade. Mas se somar a taxa de administração de todos os meses do ano, mais a anuidade do cartão de crédito, dá uma soma considerável por ano. Conversei com o gerente e hoje estou isenta destas taxas.
4.) Anuidade do cartão de crédito:
Converse com o seu gerente. Também estou isenta desta anuidade.
5.) Garantia estendida:
Sempre achei que se é para um produto quebrar, ele vai quebrar antes do primeiro ano. Nunca paguei garantia estendida, pois pra mim é gastar dinheiro desnecessariamente.
6.) Garrafa de água:
Todo lugar que eu vou, levo sempre a minha garrafa de água.
7.) Jóias:
Nem sei se pode ser considerado como jóia, mas a única jóia que tenho é a aliança que meu marido me deu de casamento e um anel que minha mãe me deu de presente. Não compro jóias, é um simbolismo que não ligo.
8.) Roupa da moda:
Não acompanho a moda, tento sempre comprar roupas que tenham bom caimento para o meu corpo, independentemente da moda, como uma calça alfaiataria, uma blusa com corte sequinho, etc.
9.) Manicure:
Fui na manicure 1 vez e achei que eu faço melhor que as moças (olha a humildade da pessoa rsrs). Depois disso, eu mesma passei a fazer as unhas.
10.) Pequenos ajustes em roupas:
Vocês já estão carecas de saber que eu tenho uma máquina de costura. Não sei costurar roupas (ainda), mas pequenos ajustes eu aprendi a fazer assistindo o YouTube.
11.) Bilhete de loteria:
Eu compro os bilhetes de loteria quando estes estão muito acumulados, isso dá umas 3 vezes por ano. Não compro semanalmente, prefiro guardar o meu dinheiro.
12.) Locadora de filmes:
Como eu assino a Netflix, não alugo filmes em locadoras.
13.) Black Fraude:
Olha, até tentei acompanhar o preço de um novo notebook, pois o que eu tenho está bem velhinho, mas tenho que concordar, é uma fraude mesmo. Os preços não tiveram desconto significativo.
14.) Presentes desnecessários:
Antes eu comprava presente de aniversário para as pessoas mais próximas, mas com o tempo fui percebendo que eu dava os presentes, mas nunca ganhava presentes. Hoje, só dou presentes para a minha mãe e para a minha sogra.
15.) Lembrança de viagens:
Outra coisa que parei de comprar com o tempo. Eu tenho o costume de viajar todo ano, e no início, comprava lembrancinha para todo mundo. E essas lembrancinhas davam uma soma considerável na viagem. Parei, né?
16.) Absorvente íntimo:
Já contei aqui que eu morro de amores pelo meu coletor menstrual.
17.) Sabão em pedra e detergente:
Eu aprendi a reciclar o óleo usado para produzir sabão em pedra. Antes tinha bastante desconfiança em relação a sabão caseiro, mas depois do “teste de qualidade” do meu marido, passamos a usar sabão em pedra feito em casa. Utilizo esse mesmo sabão para lavar as louças. Faz bastante espuma e os copos e talheres ficam brilhando.
18.) Combo de produtos:
• Internet + TV a cabo + telefone = $$$$$
• Plano de celular + WhatsApp + mensagem ilimitada + bônus de R$10,00 para falar com qualquer operadora = $$$$$
Será que precisa de tudo isso mesmo? Há 2 anos, quase fiquei maluca falando no telefone para a atendente da NET porque eu queria cancelar a TV a cabo, mesmo ela explicando que valia a pena o combo, que ficaria “apenas” R$30,00 a mais. Ué, não preciso e ponto final.
19.) Alguns temperos como salsinha, cebolinha, alecrim, tomilho etc:
Como tenho a minha hortinha, quase não compro mais temperos.
20.) Canetas, lápis e caderno de anotações:
Parece mentira, mas não lembro a última vez que comprei canetas, lápis e caderno de anotações para mim. Sempre ganho em reuniões, eventos e congressos que participo.
Já foi a época em que R$100,00 enchia um carrinho de supermercado.
E para driblar os altos preços, vou compartilhar aqui as dicas que funcionaram comigo.
1. ) COMPARE PREÇOS
Essa dica é das antigas, mas vejo que realmente vale a pena. Eu achava meio complicado comparar preços porque eu sempre comprava coisas que não estava precisando. Por isso agora eu sempre levo uma lista dos itens que preciso comprar e sigo fielmente a lista. No início do mês, fiz uma compra para abastecer a minha despensa e a diferença de preço no final desta compra foi surpreendente, nada menos que R$55,00 de economia em uma única compra. Imagina como vou economizar se eu fizer o mês todo? E comecei a lembrar o que um professor havia dito para mim há alguns anos. “O supermercado quando faz promoção de pão, eleva o preço da manteiga.” E essa relação se estende em outros produtos: promoção no molho, aumenta o macarrão; promoção no carvão, eleva o preço da carne… Por isso a necessidade de passar em 2 mercados para conseguir comprar o “pão” mais barato em um mercado e a “manteiga” mais barata no outro mercado.
Na prática, eu faço assim:
Quando monto a lista de compras, já monto por ordem dos corredores me baseando no primeiro mercado (já que cada mercado tem a sua forma de colocar os produtos nas prateleiras): primeiro o corredor das verduras e frutas, depois os laticínios, itens de mercearia, produtos de limpeza, etc. Assim fica fácil anotar os preços.
Escolho 2 supermercados mais próximos da minha casa e que fica na mesma direção. Passo primeiro no mais próximo, anoto rapidamente todos os preços e já vou para o outro mercado fazer as compras. Compro somente o que está mais barato, e se tiver tempo, volto no primeiro mercado para comprar os itens restantes.
Olha como vale a pena comparar:
Se eu tivesse feito a compra somente no supermercado que sempre ia, eu teria gasto os seguintes valores (são valores reais, tá?):
Semana 1: R$162,42
Semana 2: R$41,25
Semana 3: R$117,03
Semana 4: R$299,99
Comparando os preços do jeito que eu expliquei acima, os valores abaixaram:
Semana 1: R$125,92
Semana 2: R$36,75
Semana 3: R$107,93
Semana 4: R$232,92
Ou seja, eu gastaria R$620,69 ao invés de R$503,52. Uma economia de R$117,17 em um mês. Nada mal, heim?
2. ) NÃO COMPRE CARNES NO SUPERMERCADO
Não sei se vocês compartilham da mesma opinião que eu, mas tenho achado as carnes no supermercado um absurdo de caro. Agora compro no açougue ou em lojas especializadas em carnes (como a Swift) e já compro carne para 2 meses. Percebi que sai bem mais barato do que comprar em bandejinhas.
3.) CULTIVE ALGUNS TEMPEROS
Eu tenho uma hortinha onde cultivo alguns temperos. Até tentei plantar alface, rúcula, mas dava muito trabalho. Agora tenho somente temperos que uso com bastante frequência: tomilho, alecrim, manjericão, cebolinha e salsinha. A parte boa é que desta forma, os temperos nunca murcham, já que colho no momento da preparação da comida.
4.) NÃO JOGUE COMIDA NO LIXO
A minha mãe outro dia falou que ela não produz lixo orgânico. Demos até risada desse comentário, mas a verdade é que ela consome quase tudo com a casca. E o que não come com a casca, guarda no congelador para fazer sopas, caldos, etc. Eu sempre me pergunto, qual a diferença de jogar comida no lixo e rasgar dinheiro? Nenhum, né? Para isso, o ideal é ir treinando para transformar os pratos em outros pratos, dando sempre a impressão de que não está comendo a comida de ontem. Por exemplo: a almôndega de ontem, vira macarrão com carne moída; a sobra de arroz de ontem, vira bolinho de arroz; etc.
5.) FAÇA ESTOQUES DE ALGUNS PRODUTOS
Apesar de muita gente não recomendar fazer estoques por acreditar que é dinheiro parado, eu discordo em partes. Faço estoque de itens que sempre consumo quando está na promoção. Por exemplo, sempre compro leite em torno de R$2,80. Outro dia o mesmo leite estava na promoção por R$1,70. Comprei várias caixas.
6.) NÃO COMPRAR PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS
Aprenda a cozinhar coisas gostosas. Ao invés de comprar um bolo pronto, faço um bolo. Ao invés de comprar uma torta, faço uma torta. Além de ser mais saudável, é muito mais gostoso. Para facilitar, congelo o que for possível, como molho de tomate, tortas, etc. Acho interessante “colecionar” receitas fáceis e gostosas.
7.) EXPERIMENTAR OUTRAS MARCAS
Eu gosto de experimentar marcas novas, pois se não gostar, é só voltar para a marca que gosto. E muitas vezes tenho surpresas agradáveis. Em casa a gente faz assim, como meu marido tem o paladar mais aguçado, eu vou comprando algumas marcas para ir experimentando e quando ele não gosta do sabor de alguma, ele já me avisa para que eu não compre mais daquela marca. Muitas vezes, o produto mais caro não é sinônimo do mais gostoso.
8.) QUARTA-FEIRA É DIA DE FEIRA
Alguns mercados têm os dias da semana de promoção. Acompanhe e tente conciliar a agenda.
Hoje vou falar como eu estou conseguindo guardar um pouco mais de dinheiro por mês.
1.) Economize nas coisas grandes:
Leio em várias revistas de que é muito importante contar as moedinhas, economizar no cafézinho de todo dia. Só que o esforço era tão grande para pouco retorno. Eu acho muito mais fácil economizar nas coisas grandes. Por exemplo, a economia será muito maior se a família mudar de bairro para abaixar o aluguel e condomínio, ou trocar o plano de celular pós-pago para um pré-pago, ou quando houver reajuste de salário, poupar a diferença recebida.
2.) Abra mão do carro. Se precisar, ande de táxi:
Para quem tem carro, essa é bem difícil. Sei disso porque já tive carro. Mas acho que é um dos itens que mais dá para economizar (leia o post – compensa ter um carro ou andar de transporte público?). Eu separo todo mês um dinheirinho para mim e para o meu marido andarmos de táxi, mas nunca precisamos usar a cota toda.
3.) Converse com seu gerente, tire as taxas de administração, a anuidade do cartão de crédito, taxa de carregamento:
Os bancos são campeões em cobrar taxas… Um real aqui, dois reais ali, e no final do ano, acabam por descontar um valor considerável da nossa conta. Converse com seu gerente e negocie.
4.) Tenha um celular pré-pago:
Eu já tive um celular pós-pago, e foi um horror para o meu bolso. Controlava os minutos para não ultrapassar a cota do plano, mas todos os meses a operadora de celular cobrava valores que eu não sabia onde tinha gastado. Depois que troquei para pré-pago, tudo ficou bem.
5.) Avalie se compensa ter TV a cabo:
Outro item que eu já tive em casa, mas percebi que o valor cobrado era alto demais para o pouco tempo que estava assistindo. Hoje, assinamos a Netflix.
6.) Evite terceirizar serviços:
Limpe a casa, faça as suas próprias unhas, hidrate seus cabelos, aprenda a consertar chuveiro… Hoje em dia, há vários vídeos no Youtube que ensinam como fazer as coisas. Isso inclui também sobre colocar a responsabilidade de gerenciar o seu dinheiro para o gerente do banco.
7.) Leve marmita ao trabalho:
Além de ser muito mais saudável (menos gordura e sódio), é uma ótima forma de economizar dinheiro. Ao invés de almoçar todos os dias em restaurantes, reserve essas saídas para ocasiões especiais.
Esse é um item que ainda é difícil pra mim. Mas pense bem, qual a diferença de jogar comida no lixo e rasgar dinheiro?
10.) Antes de comprar, compare o preço pela internet, acompanhe oscilações dos preços:
Geralmente eu faço assim: quando eu preciso comprar alguma coisa, gosto de ir até a alguma loja física para olhar o produto pessoalmente. Olho o design, levo uma fita métrica para medir certinho o tamanho, vejo o funcionamento, converso com o vendedor e decido qual modelo quero levar. Decidido o modelo, começo a acompanhar os preços nas lojas virtuais diariamente por um período de 2 a 3 semanas, e vou anotando todas as oscilações de preço em uma folha de papel. Vocês podem até achar um exagero o que eu faço, mas se vocês soubessem como o preço sobe e desce, fariam o mesmo. Acompanhando o preço por esse período, dá para começar a perceber que tem sempre um limite de preço que o produto chega. E foi assim que eu economizei R$580,00 ao comprar a minha máquina de lavar roupa.
11.) Não tenha preconceitos de marcas que você não conhece. Experimente.
Quando fiz o meu chá-de-bebê na empresa onde trabalho, ganhei muitas fraldas, de marcas variadas. Algumas são melhores que as outras, por isso as melhores uso para sair e também para dormir, pois segura melhor o xixi, enquanto as outras que não acho tão boas, uso quando minha filha está em casa, já que posso trocar a fralda com maior frequência.
12.) Compare preços no supermercado
Sério, está valendo muito a pena fazer isso. Ontem fui no mercado e comparei o preço de 2 supermercados mais próximos de casa, olha só a diferença nos preços:
Cebola: R$4,99 e R$2,99 (diferença de R$2,00)
Limão: R$8,99 e R$3,49 (diferença de R$5,50)
Essência de baunilha: R$7,99 e R$5,69 (diferença de R$2,30)
Iogurte: R$2,92 e R$5,29 (diferença de R$2,37)
Creme de cebola: R$4,00 e R$5,49 (diferença de R$1,49)
Sabão de côco: R$4,40 e R$6,49 (diferença de R$2,09)
Deu pra ver a roubada de não comparar preços, né? Em cada compra, eu estou economizando em torno de R$30,00. E meu único trabalho é andar 1 quadra a mais.
13.) Não compare sua vida com a dos outros:
Não compare a sua vida com a dos outros, pois isso é bem complicado. Sempre existirá pessoas com mais posses que você. Ao comparar, você sempre irá querer o que o outro tem e isso não tem fim. Aprenda a ter gratidão das coisas que você já conquistou.
14.) Tenha apenas o suficiente:
Precisamos aprender e a entender o nosso limite do que é suficiente para nós, pois o que é suficiente para você pode não ser suficiente para mim. Pra mim é suficiente ter poucos esmaltes, mas para quem adora fazer as unhas, pode ser que 5 esmaltes seja pouco demais. Avalie o que é suficiente para você: bolsas, sapatos, roupas, eletrônicos, acessórios, cintos, itens de decoração, itens de cozinha, etc.
Eu não gosto de participar de muitos programas de fidelidade, simplesmente porque não consigo acumular muitos pontos.
Se não tem gastos, não há pontos para acumular, certo?
Por causa desse pequeno-grande detalhe, eu tento concentrar em alguns programas de fidelidade para não dispersar os pontos:
– Programa Mais do Supermercado Pão de Açúcar: é o mercado mais próximo de casa. A cada R$1,00 gasto, acumulo 1 ponto.
– Programa Nota Fiscal Paulista: o resgate acontece 2 vezes por ano.
– Programa Sempre Presente (pontos do cartão de crédito do Itaú): eu e o meu marido compartilhamos uma conta conjunta para concentrar nossas compras em um único cartão de crédito. O resgate varia muito de ano para ano, mas como eu já tinha pontos acumulados dos anos anteriores, transferi meus pontos para o Multiplus e troquei por um vale da Tok&Stok. Eu estava juntando os pontos para fazer uma viagem, até que descobri que a minha rotina de gastos é baixa para conseguir fazer uma viagem através de milhas, sem que os pontos expirassem antes. Sabendo disso, comecei a trocar os pontos em vale-compras.
– Multiplus: além de transformar os pontos do cartão de crédito no Multiplus, acumulo pontos comprando em farmácias conveniadas.
– Méliuz: se eu faço alguma compra no site de meu interesse (Ponto Frio, Nespresso, Americanas, Wallmart, etc) entrando primeiro no site do Méliuz, além de ganhar um desconto no momento da compra, recebo uma parte do dinheiro de volta. Quem me indicou este site foi a Bruna do Uma Vida Mais Simples. Eu adorei!
Bom, são esses os programas que tenho cadastro. Antes, eu participava de vários programas de fidelidade e os pontos ficavam dispersos e nunca conseguia juntar pontos suficiente para trocar por alguma coisa (pois a maioria dos programas possuem prazo de validade).
Depois de passar a concentrar os pontos em poucos programas de fidelidade, tenho resgatado muito mais vezes. ✌️
Essa semana fiz uma aula de 2 horas e meia de auto-maquiagem.
Sempre posterguei esse curso por achar que podia aprender muitas coisas na internet. Até que me deu um estalo e resolvi ter a aula antes de comprar qualquer outro produto.
Nesse aula (que é individual), aprendi que usava tons de batons errados, cores de sombras que não favorecem os meus olhos e que não sabia a cor exata da minha pele. Por gostar de cores frias, usava-as na maquiagem, sendo que a minha pele fica muito mais viva ao usar cores quentes.
Onde eu quero chegar com essa história toda é que ao tentar economizar na aula de auto-maquiagem, acabei comprando muitos produtos que não ficam bem em mim, gastando dinheiro à toa. Já doei vários dos batons que não gostei, várias das sombras que pareciam que meus olhos estavam inchados, etc. Se eu tivesse feito esse curso antes, saberia quais cores eu NÃO DEVERIA comprar.
1.) antes de mais nada, reduza seus pertences: jogue fora, passe adiante todos os itens que não usa, não gosta e não entra em você. O intuito é ter um guarda-roupa enxuto para saber quais roupas, sapatos e acessórios possui, evitando compras de itens similares;
2.) evite passear no shopping: não tem jeito, olhar as vitrines é uma tentação;
3.) evite acessar as páginas de produtos na internet: não deixa de ser uma vitrine virtual;
4.) não compare a sua vida com a dos seus colegas: a grama do vizinho sempre parecerá mais verde;
5.) sinta-se satisfeito com as coisas que você já tem: pra que comprar mais um sapato preto se você já tem dois?
6.) ao comprar algum produto eletrônico, tente comprar o modelo mais recente, evitando assim que ele desatualize rápido (leia sobre isso aqui);
7.) roupas: tente ter peças chaves que combinem entre si para dar impressão de que você tem muitas roupas;
8.) tenha um caderno de controle de gastos e trace metas para não sair da linha;
9.) sempre que puder, pague à vista;
10.) não compre genéricos: ao invés de comprar roupas baratas, invista em roupas boas, de qualidade. Além da durabilidade, você se sentirá mais satisfeito por ter um caimento melhor no corpo.