A vida sem carro (e com 2 filhas)

sem carro

Para uma família de classe média que mora em São Paulo e que tem 2 filhas, não ter um carro pode ser um ponto fora da curva.

Antes mesmo de eu ser mãe, muitas pessoas estranhavam o fato de não ter um carro.

Quando fiquei grávida da minha primeira filha, me perguntavam: “agora vocês vão comprar um carro, nééé?” E lembro de ter respondido que eu compraria sim, se sentisse necessidade. E a vida prosseguiu sem sentirmos essa necessidade de ter um carro.

Logo depois, engravidei de novo. E de novo, ouvia o mesmo tipo de comentário: “um filho até que vai, mas com dois, vocês PRECISAM ter um carro!”

Então decidi mostrar um pouco neste post, como é a nossa rotina e logística sem carro:

1.) more perto de metrô

A escolha de morar em um apartamento perto de metrô (a menos de 100 metros) foi fundamental para que eu continuasse sem carro. O aluguel é mais caro? Sim, mas sai mais barato do que manter um carro.

2.) programe as atividades pela proximidade do metrô 

Todas as atividades principais da família são programadas pela proximidade do metrô. A creche fica a 3 estações, a casa da minha mãe fica a 2 estações, o meu trabalho é praticamente grudado no metrô, o pediatra fica a algumas estações etc.

3.) tenha supermercados por perto

Como isso é importante! Perto de casa há 3 supermercados (um grande e dois mini-mercados) e isso faz muita diferença na praticidade do dia-a-dia.

4.) tenha farmácia por perto

É muito importante ter farmácias por perto principalmente quando se tem criança pequena. Há uma farmácia de bairro a 1 quadra de casa e uma farmácia 24 horas a 3 quadras de distância.

5.) faça compras grandes pela internet 

Eu faço todas as compras grandes (e pesadas) pela internet: pacotes de fraldas, móveis, eletroportáteis, etc. Se uma determinada loja não tiver vendas online, eu vou até a loja de metrô/ônibus e volto de táxi.

6.) agende médicos pela proximidade de sua casa

Médicos, pediatras e exames laboratoriais: escolho pela localização do consultório/laboratório. Em dias de chuvas fortes, até pego um táxi, mas acaba não custando mais que 10 reais.

7.) organize passeios com antecedência 

Quando vamos passear, costumamos ir de metrô até o mais próximo possível do lugar e o restante do percurso pegamos táxi. Carregamos na mochila as fraldas, roupa extra, etc. Assim ficamos com as duas mãos livres para sair correndo atrás das crianças. Temos sempre um plano A e um plano B, se fizer sol, vamos para tal lugar, se chover, vamos para outro lugar. Assim, não nos frustramos com as condições climáticas.

8.) more perto do trabalho 

Meu marido vai de bike; e eu, de metrô. Nos 30 minutos que estou dentro do vagão, aproveito para ler livros e estudar.

9.) planeje viagens com antecedência 

Minha sogra mora bem longe de São Paulo e podemos ir de ônibus (10 horas de viagem) ou de avião (1 hora de viagem). Como sempre pesquiso voos promocionais com antecedência, acabo pagando quase o mesmo valor da passagem de ônibus.

É isso.

Acho que já devo ter comentado em algum post que eu já tive carro há mais de 10 anos e que ‘comia’ uma boa parte do orçamento. Quando fiquei sem carro, foi muito-muito-muito difícil pra mim. Foi árduo esperar no ponto de ônibus embaixo de sol e de chuva, sentia muito cansaço no sobe e desce do ônibus, ter que andar quarteirões, me equilibrar no ônibus e no metrô com uma bolsa grande, mas tudo é uma questão de costume. E hoje eu já me acostumei. Tenho a plena consciência de que não ter carro é o que me permite continuar investindo todos os meses, além de possibilitar horas de leitura dos meus livros preferidos.

– Yuka –

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34 comentários em “A vida sem carro (e com 2 filhas)

  1. Precisei vender meu carro, mas pra mim foi horrível. E logo comprei outro, usado mesmo. Tenho 3 filhos e uma mãe bem idosa q sente dores só de ir até a esquina. Estamos de mudança pra europa e assim q chergarmos la, compraremos um carro. Não por mim, me viro bem em transportes públicos, mas preciso pensar na minha mãe. Caso contrário ela terá q ficar somente dentro de casa.
    Bjus!!

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    • Oi Maria, com certeza cada caso tem que ser analisado com muito cuidado. Tenho uma amiga que ao me ver feliz sem carro, estava cogitando em vender seu carro também. A primeira coisa que falei para ela foi da mãe idosa que mora com ela. Mesmo chamando táxi, Uber ou até mesmo alugando carro, é diferente de ter um carro que sai da própria garagem, o conforto é outro. Também tenho outra amiga que mora muito longe do trabalho e o transporte público não é bom na região que ela mora. De ônibus, demora muito mais tempo do que carro. Não ter carro é uma fórmula que funciona para mim (na minha realidade de hoje), e com certeza não deve ser usada como regra. Obrigada por compartilhar sua experiência. Um grande beijo pra você.

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    • Oi Juliana, o problema é o conforto. A gente se acostuma com o conforto. Uma vez com carro, dificilmente a pessoa consegue ficar sem ele, mesmo sabendo que é caro mantê-lo. Eu mesma acho que só consegui ficar sem carro porque o carro era do meu ex-marido. Eu era daquelas que ia de carro na padaria da esquina do meu prédio rsrs… Beijos.

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  2. Se as pessoas começassem a ver carro apenas como um meio de transporte, muitas andariam de ônibus e metrô. O problema de muita gente é que a maioria tem carro por status! Conheço gente que tem carro e só usa aos finais de semana, pois durante a semana vai ao trabalho de condução, ou seja, cadê a lógica disso?! Há famílias que possuem dois carros: um para uso diário e um mais “simples” apenas para os dias de rodízio do carro principal. Tudo isso pelo status de não ter que usar condução apenas um dia na semana! Procuro ver carro apenas como um meio de transporte e não como um luxo. Carro é uma máquina de gastos e não um investimento. Se começarmos e pensar que notas de dinheiros saem pelo escapamento, acredito que iremos pensar mais ao comprar um automóvel! TInha um carro bacana, mas comecei a vê-lo como meio de transporte, então troquei por um modelo mais básico que me leva aos mesmos lugares que o antigo levava. Uso o carro pois moro em cidade litorânea e faço doutorado na capital, então no momento é uma necessidade, mas minha meta é vendê-lo com o término do curso! É apenas um meio de transporte e para mim, o mais econômico no momento.

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    • Fernanda, comentário maravilhoso! Aqui o povo enxerga carro como status mesmo. Não é meio de transporte. E talvez por isso a gente vê tantas pessoas enforcadas financeiramente, comendo pão que o diabo amassou, mas com um carrão na garagem. O status é muito forte no carro, mas está no bairro que moramos, na casa que compramos, na roupa que usamos, na escola que as nossas crianças frequentam… prefiro tentar ignorar tudo isso e tentar viver a minha vidinha 🙂 Beijos pra você.

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  3. A bike eu já tenho, só falta vender o carro. Esse ano vendi o que tinha e comprei um mais barato, que está e boas condições. O outro, o que vendi, eu comprei 0km. Pensa em uma pessoa arrependida: eu. Nunca mais faço isso. É uma despesa absolutamente desnecessária. Muito legal o texto!

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  4. Meu saudoso e sábio pai já dizia “ter carro é como manter uma famíla”- muito gastos. Ela amava nos levar para passear de ônibus ou a pé, conversando conosco e apreciando as paisagens. Hoje refletindo sobre sua maneira de viver percebo que ele já era um minimalista há décadas atrás e nem sabia que era. Não queria se comparar a ninguém, nunca teve cheques ou cartões, pagava tudo a vista, não tinha dívidas, pesquisava muito antes de comprar e nunca adquiria nada por impulso, amava tudo que possuía e para ele era suficiente, sua paixão era ler e vivia trocando os livros sem a necessidade de comprá-los, apreciava também uma feira de trocas, o que não tinha mais utilidade naquele momento, era util para alguém e trocava sempre por algum objeto funcional para nossa. Era generoso, divertido, leve e feliz. E deixou a todos que o conhecia a mensagem que não precisamos de muito para ser feliz e que a vida simples, sem posses pode ser linda.

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    • Anali, realmente, seu pai era um grande minimalista. Minha mãe também é uma minimalista exemplar. A impressão que dá é que as pessoas valorizavam e cuidavam mais as coisas que tinham. Elas davam valor para as coisas. Hoje nós descartamos com muita facilidade. Muito bonito seu comentário… dá para perceber pelas palavras como você o amava muito.

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  5. Blog de muito bom gosto. Conheci há 2 dias quando sobra um tempinho venho lendo tudo desde o início. Parabéns e que continue inspirada.

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  6. Ótimo texto!! Infelizmente minha vida sem carro tem dado algumas reviravoltas que estão me fazendo cogitar comprar um carro novamente. Onde moro não há metrô, e os ônibus aqui são impossíveis de andar (além dos casos frequentes de assédio, assaltos, paralisações, etc). O que aconteceu foi que meu horário de trabalho mudou, agora preciso entrar mais cedo e todos os dias pago tarifa dinâmica do uber, o que está ficando caríssimo. Além disso meu sogro está muito doente e debilitado , e muitas vezes minha sogra precisa de auxílio com ele, o que se torna algo muito desconfortável e demorado sem carro. Meu marido disse pra eu ir procurando um carro do qual eu goste, usado é claro, que esteja dentro da faixa de valor do carro que vendemos, para não precisarmos colocar dinheiro em cima. Sigo na busca, ainda não achei nada, mas meu tempo livre dos gastos e das preocupações vai chegar ao fim!!

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    • Eu tinha respondido, mas de repente o comentário sumiu rs. Talvez ele apareça duas vezes pra você. Na vida acontece isso mesmo, às vezes a gente se desfaz de alguma coisa e depois percebe que aquilo era importante. E não há nada demais nisso. Seus sogros irão sentir o amparo que eles estão precisando, vai ser importante para vocês. Muitas vezes a nossa decisão não pode ser baseada somente pela cabeça, e sim pelo coração. Beijos pra você.

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  7. Estou há quase 10 anos sem carro e ainda sinto aquela pressão/ imposição da sociedade para ter um carro. Louco não? Eu tenho condições de comprar um carro mas não sinto mais necessidade! Na minha cabeça vou comprar um carro somente quando tiver filho, mas depois de ler essa matéria fiquei refletindo se realmente terei necessidade… rsrs… Parabéns pelo blog!

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    • Oi Maria, a graça toda é justamente essa, esperar para ver se a necessidade vem. No meu caso, como moro perto de metrô e trabalho perto de metrô, as coisas fluem muito bem, mesmo com 2 filhas pequenas. Talvez no seu caso, você sinta necessidade quando vierem os filhos, ou talvez esteja tão acostumada a viver sem carro que vai acabar tirando de letra. É esperar para ver. Um beijo pra você.

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  8. Yuka, achei seu blog hoje e estou adorando! Pretendo criar um blog em breve para também compartilhar as minhas mudanças pessoais (âmbito profissional, pessoal, etc.) e toda essa ideia minimalista que tem me agregado bastante.

    Vou continuar acompanhando seus posts e dicas. Desejo a você e a nós um ótimo 2018!

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  9. Também tenho duas filhas pequenas, já tive carro, mas já não tenho há vários anos. Não sinto falta. Moro em Campinas e usamos Uber, Cabify e outros aplicativos. Qdo viajamos alugamos um carro com desconto dá empresa que meu marido trabalha. Acho libertador não sentir a necessidade de um carro na garagem.

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    • É muito libertador mesmo. Todo o dinheiro que deixo de gastar, é usado para passear, para andar de táxi, alugar um carro, poupar pensando no futuro das crianças e ainda poupar para a nossa aposentadoria. Tem coisa melhor que isso? rs Beijos.

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  10. Oi! Preciso dizer que encontrei seu blog em dezembro de 2017, procurando no Google “ter filhos sem ter carro” e me identifiquei muito com o que escreve e seu estilo de vida! Tanto na parte financeira como em ser tímida, ter às vezes baixa autoestima…
    Quero ter filhos e estava aguardando uma certa estabilidade profissional e financeira. Não temos carro e optamos por morar de aluguel em uma boa região, ficando perto do metrô e do centro, tendo fácil acesso a várias regiões da cidade. Pagamos um pouco mais caro por isso, mas vale muito a pena!
    Fico feliz de ter encontrado esse texto e ao ler os comentários de outros que pensam como eu!
    Depois de mudanças, fui desapegando de muitas coisas e isso me fez refletir!
    Preciso ainda tentar tirar o consumismo do marido (hehehe muitas camisetas e tênis)…

    Você poderia, quando possível, fazer um texto indicando algumas leituras interessantes quanto ao tema minimalismo?

    Super obrigada!

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    • Oi Thati, que legal que vocês já estão no caminho certo. Nesse primeiro momento, é muito importante que não faça dívidas. Procure textos na internet que falam sobre morar de aluguel ou comprar um apartamento. Se fizer o cálculo, verá que pagar aluguel não é jogar dinheiro no lixo. Os bancos e o governo fizeram a gente acreditar que era jogar no lixo. Quanto ao seu marido, tem que ter muita paciência e conversa, aos poucos ele perceberá que o consumismo nada mais é do que as armadilhas do marketing que nós caímos. Beijos.

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  11. Bem, morar próximo a transporte público e ao mesmo tempo do emprego e escola das crianças, não é tarefa fácil. Morava no Litoral e isso parece mais razoável lá. Ia ao trabalho de bike e gostava demais! Hoje não consigo me ver sem moto para ir trabalhar. Admiro muito quem consegue conciliar tudo isso.

    Curtido por 1 pessoa

  12. Obrigado pelo seu texto, estava pensando em comprar um carro, mas só de pensar nos custos me dá calafrios, onde moro tem transporte de todo tipo então não vejo real necessidade e parabéns pelo seu estilo de vida que é economico, prático e saúdavel!

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    • Oi Daniel, carro é ótimo, mas dá um gasto grande. Já que perto da sua casa há diversos transportes, continuar sem carro pode ser uma ótima oportunidade para investir dinheiro em aplicações financeiras. Beijos.

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  13. A partir de hoje, eu e minha família vamos viver sem carro. Tomamos essa decisão. Moramos perto do metrô e temos um excelente comércio perto de casa. Vamos ver como vai ser a experiência.

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    • Oi Andréa. No início você vai sentir falta. Será inevitável. Mas aos poucos sua vida vai sendo ajustada para a nova realidade. Aquele médico que você nem gostava tanto pode ser trocado por um médico mais perto da sua casa. Ou aquele amigo que mora longe da sua casa, vão poder marcar um encontro em uma cafeteria que fica no meio do caminho dos dois. As compras mensais do supermercado terão que ser fracionadas em pelo menos 1 vez por semana. E por aí vai. Mas vai ver que algumas preocupações vão desaparecer: os gastos do início do ano como o IPVA, seguro. A preocupação com o aumento da gasolina. Os preços abusivos do estacionamento… No final do ano vai ver que o “sacrifício” valeu a pena, principalmente para você que mora perto de metrô e tem comércios em abundância. Beijos.

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  14. Olá. TB não gosto muito de carros e nem meu marido. Temos um filho, mas pretendemos ter mais. Minha pergunta é: como vc faz para carregar cadeirinhas de carro quando pega táxi com duas crianças?

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    • Oi Renata, eu não tenho cadeirinhas de carro, porque tanto o táxi como o Uber estão liberados em andar sem as cadeirinhas. Eu só seguro bem as duas (a caçula no meu colo e a mais velha do meu lado), para elas não saírem voando em caso de uma freada brusca. Beijos.

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