Já assisti diversos YouTubers dizendo que ninguém fica rico economizando no cafezinho, torcem o nariz para quem faz economia pequena.
Mas eu enxergo 3 contrapontos nessa frase:
1.) Ninguém começa grande.
2.) O problema não é o cafezinho em si, mas os gastos que ele representa ao longo do ano, acumulado com outros gastos igualmente pequenos.
3.) Quando ignoramos valores pequenos, ignoramos também o valor do dinheiro.
Ninguém liga para um desconto de internet de apenas R$20. Mas não são R$20. Em um ano, são R$240.
Somado com aquela taxa de manutenção bancária de R$30 mensais, vezes 12 meses ao ano, dá R$360, só por não ter uma conta digital sem taxas.
E aquele Uber que pegamos por preguiça, sendo que poderíamos ir andando ou pegar transporte público. Supondo que seja uma economia de somente R$100 por mês, no final do ano já são R$1.200.
Aquela feira semanal que vamos, ao invés de gastar o valor costumeiro, poderíamos economizar R$20 semanais. São mais R$960 de economia ao ano.
Poderia ficar aqui dando 1 milhão de exemplos de onde poderíamos rever o consumo, mas para não cansa-los, vamos somar só estes poucos exemplos: R$2.760,00.
Esse valor poderia facilmente subir para 5 mil, 10 mil reais de economia ao ano, mas quem não se preocupa em economizar valores pequenos, também não vai perceber que está rasgando todo esse dinheiro fora.
A verdade é que ninguém começa grande. Todo mundo começa pequeno. Ninguém começa ganhando um salário alto. Quem fala que temos que ignorar valores pequenos, é porque esqueceu do tempo que ganhava um salário baixo.
Eu concordo que esse controle não precisa ser feito para sempre, mas é muito importante ter uma boa noção do quanto está sendo gasto, e quanto está sendo poupado, principalmente nos primeiros anos de investimento.
Eu sempre comento por aqui que a vida tem fases e ciclos.
Há determinadas fases em que é preciso poupar com mais intensidade, da mesma forma que há fases em que podemos afrouxar um pouco o cinto. Há fases em que entra mais dinheiro no bolso, enquanto há fases em que entra menos.
Comigo não foi diferente. Houve fases em que eu juntei moedas, poupei dinheiro que as pessoas negligenciavam dizendo que era dinheiro do cafezinho. Em cima dessas piadas disfarçadas de brincadeiras, eu poupei tudo o que sobrava, porque sabia que da mesma forma que há períodos que sobra dinheiro, há períodos que não sobra dinheiro, principalmente para quem não tem um salário tão alto.
Muitos influenciadores falam que não devemos nunca diminuir os gastos, e sim, aumentar a renda. Mas vamos ser realistas, não é todo mundo que tem essa facilidade de aumentar o salário.
Temos que reconhecer que podemos ter controle nos gastos, não na renda. E é por isso que meu foco sempre foi economizar.
Todo esse controle que eu tive foi essencial para entender para onde estava indo meu dinheiro. Afinal, “aquilo que não é medido, não pode ser melhorado”. Ou seja, se não sabemos onde está o cano furado, não temos como conter o vazamento.
Após anos poupando e investindo, e depois de acumular um certo patrimônio, cheguei numa fase que não preciso ser tão rígida no controle como era no começo, pois hoje sei quais são os meus ralos e aprendi com erros e acertos, a gastar dinheiro de forma inteligente.
Mas repito, para mim, economizar nas pequenas coisas foi fundamental.
E por não ter tantas contas para pagar, não sinto tanto o peso dos boletos. E de quebra, faz com que eu possa investir parte do meu salário todos os meses rumo ao plano FIRE.
Imóvel
Eu moro de aluguel, ou seja, sempre pago um valor total que eu considero justo. No momento em que achar o valor do aluguel abusivo, ou até mesmo, caro para o meu padrão de vida, só preciso procurar um outro imóvel que tenha o valor aceitável para minha situação financeira atual.
Boletos que não pago:
Documentação na compra de um imóvel (ITBI, escritura, registro de imóvel, certidão negativa de dívidas, corretor de imóveis)
Prestações do financiamento imobiliário
Fundo de reserva para melhorias do imóvel: quem paga é o proprietário do imóvel
Manutenção da casa como pintura, pequenos consertos: eu mesma faço
Carro
Tenho o costume de usar transporte público, já o marido, faz tudo de bicicleta. Para passear em locais um pouco mais distantes, usamos Uber.
Boletos que não pago:
Prestações do financiamento de carro
Combustível
IPVA
Licenciamento
Seguro DPVAT
Seguro do carro
Estacionamento
Manutenção do carro como lavagem, reparo, revisão
Filhos
Mensalidade escolar: filhas atualmente na creche pública
Festa em buffet: minhas festas são estilo vovó
Brinquedos: não somos pais que enchem as crianças de brinquedos
Assinaturas
Spotify
Amazon Prime
YouTube Premium
GloboPlay
TV a cabo
Pacote de celular
Jornais/Revistas
Combos (de qualquer tipo)
Serviços
Diarista
Passadeira
Lavanderia
Manicure/pedicure: faço em casa
Salão de beleza
Plano odontológico: pago as consulta de rotina no momento da necessidade
Agência de viagem: eu mesma organizo as viagens
Anuidade de cartão de crédito
Tarifa bancária
Manutenção da conta bancária
Multa/juros por atraso de pagamento de conta
Frete: aquela velha história, se comprar acima de R$99, o frete é “grátis”, eu não compro mais do que preciso só pra poder ser contemplada com esse frete “grátis”
Datas comemorativas
Blackfriday
Liquidação/Promoção
Aniversários: compramos apenas para as crianças
Páscoa: compramos apenas para as crianças
Dia das mães: mãe e sogra ganham um mimo, mas eu não acho importante ganhar coisas
Dia dos pais: meu marido é outro que não faz questão de ganhar coisas em datas comemorativas. Como sempre compramos quando precisamos de algo, não precisamos ganhar nada em datas que foram criadas apenas com o intuito comercial
Dia dos namorados: idem ao anterior
Natal: apenas as crianças
Alimentação
Rotisseria: faço tudo em casa, desde nhoque, pizza profissa!, churrasco, pão recheado, etc.
iFood: é muito esporádico pedirmos algo da rua, já que eu cozinho razoavelmente bem
Não desperdiço alimentos
Nenhum alimento passa do vencimento (gestão da despensa)
Não tenho muitos boletos, porque não assumo compromisso de produtos e serviços que não uso.
Quis facilitar a minha vida de forma a não depender de passivos (carros, imóveis, dívidas, financiamento etc) que tiram dinheiro do bolso todos os meses.
Claro que esse estilo de vida não traz nenhum status, mas isso é o que menos importa pra mim.
Os boletos que tenho são de serviços que uso como aluguel e condomínio, luz, gás, plano de saúde, internet e Netflix.
Os outros gastos basicamente são alimentação, fonoaudiólogo da minha filha, transporte (que está R$0 por conta da pandemia) e celular.
Eu sempre gostei do assunto economia doméstica e finanças pessoais, e durante muitos anos, esse assunto nunca foi a bola da vez aqui no Brasil.
Quando viajei para o Japão em 2008, fiz questão de passar em um sebo e fiz a festa lá. Comprei tantos livros sobre esse assunto, que resolvi despachar caixas e mais caixas para o Brasil, pois não cabia na minha mala. Felizmente, hoje, há diversos canais no YouTube que me permite consumir esse tipo de conteúdo.
Um dos temas frequentes de alguns canais japoneses que acompanho é a economia na alimentação. E eu até entendo, porque quando todos os seus gastos já estão controlados, a alimentação e os gastos gerais são basicamente as únicas categorias que conseguimos fazer revisão.
Apesar de conhecer esse método há mais de 2 décadas, confesso que eu não nunca dei muito crédito, achava simplista demais, ficava pensando que não faria tanta diferença dos métodos que eu usava.
Antes de compartilhar o método, compartilho o que eu fiz, ao longo destes anos:
Método 1: Comparar preços
Comecei anotando os preços dos produtos. Passava em 2 a 3 supermercados. Não deu muito certo. Tudo bem que eu economizava nos produtos, mas além de ficar cansada, em todos os supermercados encontrava algo com preço bom, e acabava comprando produtos que não estava precisando, só porque estava num preço imperdível.
Método 2: Comprar produtos na promoção e estocar
Depois comecei a ir no supermercado para comprar o que considerava barato, legumes e verduras da estação, além de produtos não perecíveis. Até certo ponto funcionava, mas também me limitava, já que não conseguia elaborar cardápios que queria preparar durante a semana, ocupava espaço da casa e o dinheiro ficava parado em formato de estoque.
Método 3: Fazer compra mensal
Também fiz muitas compras mensais, mas também não deu muito certo, já que a geladeira ficava muito cheia no início do mês, e vazia no final do mês. Não me agradou nem um pouco.
Fora o sufoco para trazer tudo de uma vez né? Não se esqueçam que não tenho carro, então todos os meus movimentos precisam ser calculados.
Método 4: Comprar em supermercados atacadistas
Passei a frequentar supermercados atacadistas. No início foi euforia total, os preços eram muito bons. Mas acontecia a mesma coisa, comprava muita coisa que não precisava, ao invés de comprar algo em pequena quantidade como sempre fazia.
Passei a comprar peças inteiras de carne por ser um supermercado atacadista, ao invés de uma bandeja como costumava fazer. Tudo bem que o quilo estava mais barato, mas acabava consumindo muito mais. E esse padrão foi se repetindo. Ao invés da batata palha do pacote pequeno, passei a comprar o pacotão grande, mas acabava consumindo mais e mais rápido. Comprava sucos naturais para o mês inteiro, mas em menos de 15 dias, já tinha consumido o que costumávamos consumir no mês inteiro.
Outra coisa que não era agradável era o peso de ter que carregar tudo. Eu pedia para o marido ficar em casa para cuidar das crianças para que eu pudesse ir no atacadista. Mas tudo era muito pesado, desde o carrinho para circular dentro do mercado, empacotar tudo, colocar as sacolas no Uber, descarregar no prédio, depois era o trabalho de carregar tudo até o elevador, para finalmente descarregar pra dentro de casa. O que era para ser uma atividade prazerosa, virou uma tarefa hercúlea.
Insatisfeita com os métodos, passei a vasculhar conteúdos deste tipo no Japão. Gente, se tem um país que gosta de economizar, esse país é o Japão, é surpreendente como tem conteúdo sobre esse assunto.
Método 5: O que os japoneses fazem
E eis que lembrei desse método clássico.
Claro que aqui, estou falando de uma maneira geral. Não são todos os japoneses que são econômicos, que vivem com pouco, ou que não possuem estoques. Da mesma forma que no Brasil, há pessoas que economizam e que não economizam, lá também é igual.
Eu acabo seguindo alguns canais de Youtube de pessoas que são minimalistas, que vivem com pouco e que não fazem estoques, então vou compartilhar esse pequeno universo:
1.) Definir o valor máximo que poderá ser gasto no mês.
No Brasil, quando fazemos um orçamento mensal:
primeiro precisamos saber o que receberemos no mês: salário, renda extra, etc.
estabelecer os gastos mensais
poupar o que sobra
No Japão:
estabelecer quanto vai poupar no mês
se virar com o que sobra
Essa é a enorme diferença que nos separa. Eles estipulam PRIMEIRO o valor que será poupado. E se viram com o valor que sobra, colocando um teto de gastos para cada categoria (alimentação, celular, habitação etc).
Como vamos falar de alimentação, vamos nos concentrar nesta categoria.
Utilizaremos um exemplo hipotético de R$1.000 mensais para gastar em alimentação, mas você pode usar qualquer valor que condiz com a sua própria realidade.
2.) Dividir o valor a ser gasto no mês em envelopes.
Sabendo que podem gastar até R$1.000 por mês, eles separam esse valor em envelopes que simulam semanas.
Se temos 4 semanas no mês, serão 4 envelopes com R$250,00 cada.
Se temos 5 semanas no mês, serão 5 envelopes com R$200,00 cada.
Em cada envelope, há a anotação de qual é a semana, e a data de inicio e fim – dessa semana. A data de início pode ser considerada a data que recebeu seu salário. Por exemplo:
Envelope 1: R$250,00 – 04 a 10 de fevereiro
Envelope 2: R$250,00 – 11 a 17 de fevereiro
Envelope 3: R$250,00 – 18 a 24 de fevereiro
Envelope 4: R$250,00 – 25 de fevereiro a 03 de março
Toda vez que for no supermercado, padaria, feira, hortifruti, é necessário ir descontando o valor para saber quanto ainda tem de dinheiro que pode ser usado na semana. Pode anotar no próprio envelope:
2.) Elaborar o cardápio da semana e fazer a lista de acordo com o cardápio semanal
Antes de usar o dinheiro que está dentro do envelope, é necessário elaborar o cardápio da semana.
E esse é um ponto positivo, fazer o cardápio semanal ANTES de ir no supermercado, VERIFICANDO o que já tem na geladeira. Nada muito rebuscado, algo simples está bom.
Se você já está fazendo há algum tempo como eu, nesse dia, a geladeira deverá estar vazia, ou quase vazia.
Então no momento de elaborar o cardápio, basicamente vou até a geladeira e a despensa e vejo o que sobrou da semana anterior, porque a intenção é usar nesta semana que vai começar.
Esse é outro ponto positivo desse método. Ter a geladeira vazia ou quase vazia, elimina a possibilidade dos alimentos estragarem. Lá pelo quinto, sexto dia, é muito perceptível que a geladeira vai ficando vazia. Dependendo da semana, bate até uma certa preocupação rsrs… E aí que entra a criatividade, porque acabamos nos virando com o que temos na geladeira e na despensa. Veja que não é passar fome, ou não ter o que comer. É usar as coisas que estão adormecidas no freezer e na despensa, ou porque não queríamos comer, ou porque estávamos com preguiça de descongelar.
Pois é, ao não fazer estoque, consumimos todos os produtos disponíveis em casa, evitando desperdícios. Aliás, zero desperdício.
Depois de pensar no cardápio, elaborar a lista do supermercado de acordo com o cardápio. Além disso, aproveite para verificar se precisa repor os mantimentos básicos como arroz, farinha, açúcar, sal, temperos. Já teve um dia que enquanto estava preparando um bolo, percebi que quase faltou farinha. A sorte é que deu certo raspando o tacho, mas eu tinha esquecido completamente de olhar esses mantimentos básicos.
Olhe também outros produtos que são vendidos no supermercado como detergente, sabão em pó, água sanitária, sabonete, shampoo, etc.
Você pode ir no supermercado quantas vezes quiser durante a semana, desde que fique dentro do orçamento semanal.
3.) Não frequentar diversos supermercados
No momento da compra, calculadora na mão. Aí vale a substituição de ingredientes para entrar no orçamento. Por exemplo, se pretende fazer uma lasanha à bolonhesa, e viu que o frango está mais barato, pode fazer uma lasanha com frango desfiado. Se ia comprar mamão, mas viu que o abacate está na promoção, leva o abacate.
No primeiro momento, sei que soa estranho não precisar pesquisar preços nos outros mercados, principalmente quando você está habituada a fazer comparações e sabe que aquele produto que você quer levar está mais barato no outro supermercado.
Mas eu finalmente entendi por que esse método funciona.
Primeiro, porque ao parar de frequentar diversos supermercados, você para de procurar promoções e passa a focar na sua lista de compras. As promoções não interessam mais, o que interessa é o que consta na sua lista.
E segundo, como não precisa passar em outros mercados, dá pra fazer tudo com calma e raciocinar no mercado. Isso mesmo, raciocinar. Não dá pra sair colocando tudo no carrinho, de forma automática e anestesiada (como eu fazia, e toda vez levava um susto na hora de pagar). É necessário pensar. Como disse lá em cima, com a calculadora na mão, some e verifique se ajusta no orçamento da semana. Sobrou dinheiro? Ótimo, vá fazer o pagamento. Faltou dinheiro? É só substituir alguns produtos. Ao invés de comprar algo de uma marca conhecida, pode substituir por outra mais barata. Entenderam a diferença? As promoções não interessam mais, o que interessa são os ajustes. Só isso.
Eu parei de frequentar outros supermercados, parei de ir em supermercado atacadista e parei de comparar preço, parei de olhar panfletos de supermercados, mesmo tendo a consciência de que pago mais caro em alguns produtos.
Tudo isso faria a conta aumentar, certo? Mas não. Pasmem, o valor que eu gasto mensalmente reduziu.
4.) Não fazer estoque
Essa é a parte que eu mais estranhei no início. Comprar 1 detergente. Comprar 1 shampoo. Comprar 1 azeite. Comprar 1 pacote de café. E percebi as vantagens de não ter estoque. A gente compra achando que está se dando bem, por conta daquela promoção.
Eu pensava assim também. Ia no supermercado atacadista e comprava muitas coisas, porque estava barato. Ao começar a frequentar apenas um único supermercado, passei a acompanhar de perto as variações de preço, e não é que aquele produto que eu comprava achando que estava barato também abaixava o preço nesse supermercado?
E quando chega o sexto dia, começa tudo de novo: pega o envelope novo, faz o cardápio da semana olhando primeiro o que sobrou na geladeira, freezer e na despensa (ver também mantimentos básicos, produtos de higiene e limpeza), ir no supermercado com calculadora na mão e fazer os ajustes no cardápio lá dentro do supermercado.
Listando as vantagens desse método, e as minhas considerações:
a principal vantagem é que toda semana tem um “início”. É fácil segurar as pontas por 1 dia, quando sabemos que amanhã podemos abrir o novo envelope.
por estar separado por semana, é muito fácil fazer o controle. Se geralmente no final do mês, já estamos sem dinheiro, nesse método, toda semana estamos com dinheiro. Não faz diferença se é a primeira semana ou se estamos na última semana, toda semana é igual. É reconfortante chegar na última semana do mês, e perceber que não faz a mínima diferença ser primeira ou última semana, já que o orçamento semanal é sempre o mesmo.
evita desperdício de comida. De verdade. No sexto dia, enxergo minha geladeira como a cartola do mágico onde saem coelhos. Sempre dá pra preparar uma boa refeição.
as crianças começaram a comer melhor: minha filha é maluca por tomate. Recusa sorvete, bala, chocolate se tiver tomate à disposição. Antes, quando acabava um produto, era só ir no supermercado e repor. Então as crianças acabavam ficando mal acostumadas, já que sempre estavam à disposição o que elas mais gostavam. Com esse método, se acabar algo, acabou. Por exemplo, se antes elas ficavam com frescura de comer algumas frutas, porque sempre tinha à disposição as frutas que elas mais gostavam, agora a situação mudou. Se elas querem maçã, mas não tem mais, ou aprende a comer a goiaba ou fica sem fruta. E vejam só como é maravilhoso, sem opção, elas passaram a comer as coisas que tinham em casa, mesmo não sendo necessariamente o que elas queriam comer. Não há mais fruta que amadureceu demais na fruteira, porque enquanto não terminar todas as frutas da casa, eu não vou no supermercado. Não há mais verduras esquecidas no fundo da geladeira, nem no freezer.
facilidade para limpar o freezer, geladeira, despensa. É difícil limpar uma despensa cheia, mas é muito fácil limpar uma despensa vazia, uma geladeira vazia.
a cada semana que passa, vai ficando mais fácil. No início pode bater uma certa preguiça, mas pra minha família esse método funcionou tão bem que só tecemos elogios, com um leve arrependimento: por que não começamos antes?
Eu praticamente não uso dinheiro, só cartão. Então ao invés de criar envelopes com dinheiro, tenho um caderno onde anoto o valor que tenho disponível para gastar e vou subtraindo conforme acontecem os gastos, para saber quanto eu ainda tenho disponível na semana.
Desconsiderando um mês que eu extrapolei loucamente no orçamento do supermercado por conta da ansiedade que a pandemia me causou, eu sempre tive um gasto contínuo na alimentação.
Como queria mensurar quanto estava conseguindo economizar, eu peguei os gastos de alimentação dos últimos 24 meses, e fiz uma média mensal para ter uma noção mais real, já que há oscilações de mês em mês.
Depois que passei a usar esse método que aprendi nos blogs e canais japoneses, a economia foi de 35%.
Foi o melhor método para mim até hoje. Foi muito fácil de seguir (acho que é até por isso que não dava tanta bola no início), e se engana quem acha que passamos a comer pior. Aconteceu justamente o contrário. A qualidade das refeições melhoraram.
Não é tudo o que uma pessoa mais gostaria? Comer melhor e ainda reduzir custos?
Com a constante redução da taxa Selic, o sobe e desce da bolsa de valores, o caos político, a crise econômica… vejo pessoas desesperadas e impacientes querendo começar a investir para enriquecer da noite para o dia. Não é à toa que a Bolsa de Valores teve seu salto no número de pessoas físicas desde o início da pandemia.
Mas “entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar”.
Antes de investir, é necessário controlar os gastos. Somente depois de acompanhar os gastos é que será possível rever os gastos. Com a revisão, será possível identificar excessose enxugar gastos supérfluos.
Finalmente com dinheiro sobrando, será possível montar uma reserva de emergência. Também será necessário estudar sobre investimentos, já que é algo que percebi que não dá para terceirizar.
Mas daí eu pergunto:
Quantas pessoas estão dispostas a poupar e investir parte do salário todos os meses, por 10, 20, 30 anos para somente depois colher os frutos?
Quantas pessoas estão dispostas a sentar na cadeira e estudar tarde da noite, após trabalhar o dia todo, cuidar da casa e das crianças?
Muitos, se não a maioria, irão desanimar no meio do caminho e até desistir, quando a economia entrar em recessão e ver o patrimônio ser reduzido a pó.
Querem enriquecer da noite para o dia como num passe de mágica, não querem estudar, não querem correr atrás, ficam procurando de forma incessante a tal da fórmula mágica.
Para ter a tranquilidade financeira, é necessário fazer escolhas.
Pessoas dizem que querem empreender, mas não querem abrir mão do conforto atual, nem trabalhar por mais de 12 horas nos primeiros anos do negócio. Querem tudo, mas não estão dispostas a fazer nada, a abrir mão de nada, nem das pessoas, nem do tempo, nem do dinheiro.
Querem ganhar milhões apostando a sorte na mega-sena, mas não tem ouvidos quando alguém mostra o caminho das pedras para ficar rico devagar, de forma consistente, de forma lícita.
O que você tem plantado? Se a resposta for “nada”…. bom, já sabe o que te espera no futuro.
Esses dias eu acumulei pontos nas compras de um supermercado, e com isso, pude trocar esses pontos por prêmios.
Um dos prêmios, me interessou… R$200,00 em compras na Etna.
Entrei no site da Etna, e por ser uma loja de móveis e decoração, tinha certeza que encontraria algo de que estava precisando. De toalhas de banho a móveis, de eletroportáteis a utensílios de cozinha, acessei diversas páginas, diversas opções, e depois de quase 1 hora procurando por algo que talvez eu estivesse precisando, cheguei a conclusão de que eu não estava precisando de nada.
Até eu fiquei impressionada, porque entre tantas opções disponíveis no site, não tive vontade de comprar nada, nem substituir nada do que eu tinha em casa por uma coisa melhor ou mais nova. Minhas colheres de pau, já estão gastas, poderia trocar por uma nova, mas as que eu uso atualmente servem tão bem… Não precisava de nenhum eletroportátil, nenhuma sanduicheira, nenhum liquidificador… não me interessei por nenhum item de decoração, nem de toalhas ou lençóis novos. De item em item, fui descobrindo o sentimento de suficiência, de estar satisfeita com as coisas que tenho no momento.
E depois de tudo isso, acabei trocando por um cupom de R$60 em compras no supermercado. Sim, para quem tinha opção entre um cupom de R$200, o cupom de R$60 não faz muito sentido, mas achei muito melhor ter os R$60 que compraria em comida (que era algo que com certeza iria usar), do que gastar R$200 em algo que não teria utilidade.
Esse momento me lembrou de um post que escrevi em 2017, onde falei que “o segredo de viver bem com menos é apreciar o que já possui e sentir-se satisfeito”.
Alguns programas de fidelidade, eu continuo usando, outros, já deixei de usar.
No ano passado, eu tive a paciência de anotar todos os centavos que pingaram na minha conta, referente aos programas de fidelidade. Desde janeiro até dezembro de 2019, anotei todos os valores que ganhei referente a todos os tipos de cupons, programas de recompensas, cashback, prêmios nos supermercados etc, para que eu pudesse compartilhar aqui no blog.
E para quem ignora os valores pequenos, porque acha que não vale a pena, eis que eu, vim provar por A+B, que se você não faz uso das vantagens dos cupons (ou qualquer outro tipo de vantagens que os programas de fidelidades oferecem), está deixando de ganhar dinheiro.
No total, eu recebi em 2019:
R$213,61 pelo Méliuz
R$90,19 antecipando parcelas do Nubank (todas as vezes que as lojas não davam desconto, parcelei e depois adiantei as parcelas para ganhar descontos)
R$477,08 pelo Nubank Rewards
R$1.068,00 pelo Programa Mais do Pão de Açúcar (ganhei cupons da Etna, da Natura, da L’occitani, compras no supermercado, ingressos de cinema etc)
Total: R$1.848,88
Além do valor acima, recebi créditos da Nota Fiscal Paulista e ainda vendi diversos objetos sem uso no site da OLX.
Essa é a maior prova de que de grão em grão, a galinha enche o papo.