Dinheiro, IF e FIRE

O que vem depois da Independência Financeira?

Panorama, Alpes, Europa, Montanhas

Vou contar a minha experiência individual, então não considere isto como uma regra, são apenas devaneios pessoais.

Enquanto eu estava focada em FIRE (Financial Independence Retire Early), acumulando patrimônio, acreditava em uma linha de chegada, ou seja, conseguir alcançar um determinado valor de patrimônio.

Essa linha de chegada era como se fosse um grande divisor de águas, como se fosse o pico de uma montanha, o meu destino final, o fim de todos os problemas, o nirvana.

Eis que o patrimônio cresce e chego no valor que eu havia determinado, e aí descubro que depois da montanha… somente há mais montanhas.

A vida segue, as pessoas continuam ocupadas, cada um vivendo as alegrias e as dificuldades da vida.

Há os que confortavelmente vivem de renda. Há também os que decidem mudar de emprego. Alguns reduzem a jornada de trabalho, e outros, continuam trabalhando.

Se antes não via a hora de ser FIRE, hoje, a única coisa que desejo é que o tempo passe bem devagar, para que eu possa curtir a vida.

Passei a enxergar o trabalho de outra forma, vejo que trabalhar me faz bem.

Curtir a vida é aproveitar minhas filhas pequenas que amam estar comigo. Curtir meu casamento que é tão bom. Estar em companhia dos amigos. Curtir a vida sem sentir dores no corpo.

Isso só reafirma como o dinheiro não é e nem pode ser o centro da vida.

Ele deve ser a ferramenta que facilita, que traz conforto, segurança. Ele nos liberta de ambientes tóxicos, colegas tóxicos, de chefes assediadores (ou de subordinados assediadores), de sofrimento, de fazer algo que está contra os nossos princípios.

Acumular dinheiro faz com que alguns problemas desapareçam aos poucos… o medo de passar necessidade na aposentadoria, de não ter um atendimento decente no momento de alguma doença séria, o medo de ser demitido, de não ter comida na mesa, a situação política do país, o sobe e desce da economia, desemprego, inflação.

Ter dinheiro significa poder morar em um lugar mais seguro, ter tranquilidade para ter uma folga mental que faz querer viver mais tempo e com saúde. E viver mais tempo significa querer dormir melhor, melhorar a alimentação, pensar mais no bem estar, estreitar as amizades, fazer as pazes com o passado e ser saudável, já que a intenção é viver bem e por bastante tempo.

As dificuldades financeiras vão ficando para trás, e com isso alguns medos e ansiedade também vão sendo eliminados, o que faz com que consigamos focar em outras áreas da vida.

No meu caso, a independência financeira permitiu que eu parasse de ficar pensando no futuro e começasse a focar mais no presente.

O foco no presente veio também em momento oportuno, pois na pandemia, minha saúde mental deteriorou, afinal, ansiedade nada mais é do que ter excesso de futuro pelo que ainda não aconteceu, e excesso de pesadelos pelo que já aconteceu. É o medo de perder o controle.

Apesar de estar bem hoje, sei que preciso estar atenta para colocar a minha saúde em primeiro lugar.

Se antes eu justificava que precisava pensar no futuro devido a instabilidade financeira, hoje, não preciso mais ter essa preocupação, o que faz com que eu não tenha mais desculpas que eu dava para mim mesma.

Continuo gostando de economizar, afinal, não é porque não preciso pensar em dinheiro, que vou rasgar dinheiro, mas já não conto as moedas como gostava de contar antes, tanto em relação às quantias que sai (gastos) como não me importo mais com a quantia que entra (renda passiva).

Também comecei a gastar mais em lazer (livros, restaurantes, viagens etc), em conforto (carro, lava-louça, robô aspirador, etc), em saúde (plano de saúde melhor, natação, psicólogo, etc).

Parei de acompanhar o mercado financeiro, não sei mais as altas ou baixas da bolsa de valores, eu só junto tudo no início do mês (parte do meu salário e o que entra de renda passiva na conta da corretora) e invisto em algo de valor. É simples e monótono, assim como deve ser.

Só de parar de fazer esse acompanhamento mensal, já me deu uma boa desestressada, afinal, eu não preciso desse dinheiro investido hoje, não é o meu sustento ainda, então o que eu quero é que ele fique muito tempo adormecido para que os juros compostos faça o seu trabalho.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Abrindo espaço para a alegria

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Vou iniciar este texto falando sobre felicidade e alegria.

Considerando que felicidade é um estado de espírito constante, construído pela soma das diversas atitudes, já faz uns bons anos que eu sinto felicidade quando observo a minha vida.

Sinto felicidade quando vejo minhas filhas crescendo saudáveis, quando as duas se tornaram a “parceira da bagunça” uma da outra. Quando vejo que meu marido continua me apoiando e me amando por todos esses anos, quando percebo que tenho bons amigos do meu lado, quando vejo que não tenho mais preocupação financeira. Sinto gratidão quando vejo que me dou bem com a família do meu marido, quando percebo que sou bem querida no ambiente de trabalho, quando vejo que minha família me ama do jeito que eu sou, com todos os meus defeitos e manias.

A soma desse conjunto de fatores tem sido a minha definição sobre a felicidade.

Já a alegria, é a emoção do momento, assim como a raiva, tristeza, medo.

O meu foco ultimamente tem sido aumentar os momentos de alegria.

E aí, quando vou em busca da alegria, inevitavelmente, esbarro com a minha criança interior.

Como tudo, as coisas que acontecem na nossa vida pode ter um lado bom e um lado ruim. Falo especificamente em relação à minha saúde mental na pandemia. Após me recuperar do baque, eu percebi que algumas coisas da minha vida poderiam melhorar, identificando o que estava me incomodando. 

E esse incômodo, era o meu passado. Por conta da história da minha vida, eu sempre evitei olhar para trás, focando em ter um futuro melhor. Faço isso desde criança, então acabei ficando muito boa não só em planejar, mas também de executar planos. Foi desta forma, aliás, que conquistei muitas coisas.

Ano passado, alcancei um marco importante da Independência Financeira, que coincidiu também com a fase em que minha saúde mental declinou.

Foi fazendo terapia que eu decidi dar uma chance para a minha criança interior se manifestar. Esta criança interior, ignorada durante todos esses anos por não querer lembrar que um dia fui tão duramente machucada, finalmente pôde-se manifestar, e eu, finalmente estou podendo ouvi-la, aceitá-la, acolhê-la, amá-la.

Todo esse processo está me permitindo ter a autocompaixão, como mencionado em um post anterior.

E para celebrar essa fase em que me encontro, tenho feito diversas coisas que me trazem alegria e que me reconecta com a minha criança interior.

Ainda pretendo escrever posts detalhados sobre cada “alegria”, mas abaixo, segue um panorama geral:

1.) Reativar o ateliê: mas desta vez, de uma forma diferente…

2.) Inscrição no Congresso da Felicidade (sabia que tem um congresso internacional sobre o tema felicidade?)

3.) Hospedagem em um hotel sozinha de tempos em tempos para um retiro individual

4.) Adesão ao Bullet Journal

5.) Desenhar

6.) Aprender técnicas de aquarela

7.) Aprender técnicas de caligrafia

8.) Mindfulness (atenção plena) e meditação

Por muitas vezes, lembro do vídeo, onde Steve Jobs fala que a vida é uma sucessão de “ligue os pontos”.

“Claro que ligar os pontos futuros era impossível na época da universidade, mas ficou bem claro ao olhar para trás, 10 anos depois. De novo: você não pode ligar os pontos olhando para a frente. Você só pode ligá-los olhando para trás.” Steve Jobs

Vale a pena assistir (tem legenda em português):

A síndrome do pânico que eu tive no ano passado, foi algo que impactou demais na minha vida, mas a partir daquele episódio, aconteceram diversos “ligue os pontos”, que só ficou claro ao olhar para trás.

No meu pior momento, fui em busca de ajuda.

Fui atendida por uma médica, que ao me ver desolada, recomendou o livro Autocompaixão; além de um psicólogo e psiquiatra.

Li o livro recomendado, e iniciei a terapia, que tem me ajudado a desatar alguns nós do meu passado.

Iniciei a prática do mindfulness e meditação, pois achei importante.

E vejam só, minha filha mais velha tem muita ansiedade, hoje eu consigo detectar estes sinais nela (por eu ter tido as crises de pânico), ajudando a praticar mindfulness e meditação com ela. Ao ter compaixão por mim, pude acolher mais as minhas filhas.

Para relaxar e aproveitar o momento presente, comecei a desenhar, como quem não queria nada. Os traços do desenho foram desabrochando, e com isso, lembrei das minhas habilidades e facilidade em desenhar. Em pouco tempo, estava desenhando mandalas e desenhos botânicos.

Então parti para o Bullet Journal, que nada mais é do que “um método de organização pessoal desenvolvido pelo designer Ryder Carroll. O sistema organiza agendamentos, lembretes, listas de tarefas, brainstorming e outras tarefas organizacionais em um único bloco de anotações”.

Foto: Success Aesthetics

E eis que surge a vontade de treinar caligrafia.

Foto do site: The Petite Planner

Ultimamente, estou com vontade de aprender técnicas de aquarela. Ao buscar inspirações no Pinterest, o que eu vejo na minha frente? Ilustrações botânicas com lindas caligrafias.

Fonte: Pinterest da @kmsrn

Lembrei que eu tive muita vontade de fazer meu convite de casamento desta forma, mas na época, achava que não sabia desenhar, nem escrever bonito, nem tinha dinheiro para contratar alguém para fazer as ilustrações, então desisti.

Só que agora estou numa fase diferente. Sei desenhar e estou treinando caligrafia. Unindo estas duas técnicas, somando a técnica de aquarela que eu quero aprender, sei que no final, sairá um produto que irá me satisfazer muito.

Ao relembrar os prazeres da infância, estou podendo retomar as coisas que gostava de fazer, o que gera momentos de alegria, além de poder fazer as pazes com a minha criança interior, e de quebra, consigo ajudar a minha filha e o melhor, a mim mesma.

A vida realmente tem sido um ligue os pontos.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Cultivar a consciência

Quando eu estava grávida, fiquei impressionada com a quantidade de mulheres que também estavam grávidas. Era no trabalho, na rua, no metrô, uma coisa bem maluca.

Quando minha filha nasceu, foi a vez de ver só famílias andando com carrinhos de bebê. Até pensei…. hum, nada anormal, afinal, todas aquelas mulheres grávidas também tiveram seus filhos. Mas mesmo assim, ainda era incrível a quantidade de bebês de colo que eu avistava.

Quando comprei meu carro, vocês já devem imaginar… eu só via o modelo e a cor do meu carro circulando pela cidade toda.

Todos esses exemplos que citei, são coisas que sempre estiveram à minha volta, mas passavam despercebidos por mim. A partir do momento que comecei a prestar atenção, devido à fase de vida que me encontrava, elas se destacaram, sobressaíram.

O nosso cérebro funciona desta forma para tudo.

A nossa mente alterna entre o divagar e o concentrar. Quando nossa mente está divagando, ela não está concentrada. Da mesma forma, quando a nossa mente está concentrada, ela não está divagando. Isso significa que não conseguimos concentrar e divagar ao mesmo tempo. Ou estamos concentrados, ou estamos divagando.

Todo o tempo que divagamos, é quando estamos vivendo no piloto automático.

Esses dias fechei a porta do meu apartamento, girei a chave, e fui para o trabalho. Quando meu marido foi sair de casa, viu a porta quase encostada no batente, mas aberta. Detalhe que a lingueta da fechadura estava para fora, o que comprova que eu girei a chave, com a porta aberta. Ficou claro que eu estava no piloto automático.

Quando estamos no piloto automático, não temos consciência. Por isso, muitas das atividades requer atenção dupla… será que desligamos o forno? Trancamos a porta do carro? Onde deixamos o carro estacionado?

Eu sempre tive muito medo de entrar no piloto automático em momentos indevidos. Sempre que saio com as minhas filhas, coloco na minha cabeça que estou saindo com 2 crianças. Quando mudo a rotina, deixo alarme no celular para não correr o risco de esquecer algo importante.

Faço tudo isso, porque estar consciente nos tempos atuais, é um desafio, principalmente, porque o celular faz de tudo para tirar a nossa atenção. Quantas pessoas você conhece que enquanto conversa com você, desvia o olhar para o celular toda vez que ele vibra? O pior não é o celular vibrar, mas a quantidade de vezes que a pessoa olha para o celular toda vez que vibra, enquanto conversa com você. É desconcertante.

É alarmante a quantidade de pessoas que estão no piloto automático em momentos que deveriam estar conscientes.

Conversando com os amigos e olhando para o celular.

Trabalhando e olhando para o celular a cada 10 minutos.

As crianças brincando no parque, enquanto todos os pais olham para o celular.

Atravessando a rua olhando o celular.

Andando de bicicleta e olhando o celular.

Dirigindo e olhando o celular.

Cada vez mais, reforço o discurso de que estamos caminhando para um lugar da qual ainda não temos ideia do tamanho do prejuízo que tudo isso está causando na nossa vida.

O que tenho tentado fazer nestes últimos meses é, aos poucos, recuperar a consciência de pequenas coisas cotidianas.

Quando estou escovando os dentes, estou escovando os dentes.

Quando estou tomando banho, só penso no banho, na temperatura da água, na sensação boa que ele me traz.

Quando estou fazendo anotações na minha agenda, concentro todas a minha atenção neste ato.

E assim, de atividade em atividade, procuro os campos vazios (divagações) e tento preencher com o presente (estado de consciência).

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Permitindo ter autocompaixão

Se há algo que sempre funcionou muito bem para o meu autodesenvolvimento é a leitura de bons livros no momento certo da vida. Os títulos dos livros sempre surgem de todas as formas possíveis em momentos oportunos, sempre quando busco por respostas.

Foi lendo o livro Manual de Mindfulness e Autocompaixão: um guia para construir forças internas e prosperar na arte de ser seu melhor amigo, que eu entendi como sou dura comigo. Lendo um dos capítulos, eu até pensei: “Ai credo, como sou cruel comigo”.

Me considero uma pessoa tranquila e compreensiva com terceiros. Sou uma chefe compreensiva, uma filha compreensiva, mãe, esposa e amiga compreensiva.

Também costumo receber acolhimento de todos os lados, no ambiente de trabalho, no ambiente familiar, dos amigos, inclusive aqui no blog, como muitos de vocês já devem ter percebido.

Apesar de estar envolta em um ambiente aparentemente favorável, não sei ser gentil comigo mesma. A cobrança não é externa, é interna, é autocrítica, sou rígida apenas comigo. Que coisa, não?

Quer um exemplo? Quando estou descansando, fico com dor na consciência de que poderia estar dando atenção para as minhas filhas. Se faço um jantar meia boca por estar cansada, fico pensando que poderia ter caprichado mais na comida. Sempre me cobro achando que eu devo me esforçar mais para ser uma mãe melhor.

O detalhe é que todo esse julgamento é somente meu e para mim, já que ninguém reclama.

Descobrir algo que nos incomoda é importante. Mas reconhecer esse incômodo e fazer esforço para mudar é algo que requer consciência.

Vou dar um exemplo. Muitos sabem que precisam aprender sobre investimento e guardar parte do salário. Sabem… mas é muito difícil mudar algo que já está enraizado na forma de pensar e agir.

Quando nos conscientizamos, entendemos nosso modos operandi, reconhecemos que temos muito o que aprender e evoluir.

Foi assim que eu compreendi o significado da palavra autocompaixão e a importância dela. Entendi que posso acolher minhas fraquezas e abraçar todas as partes de mim, incluindo as negativas. Já entendi, e estou tentando aplicar na minha vida, não é fácil, já que estou no processo de aprendizagem e de me conscientizar.

Como experiências passadas e a forma como fomos criados podem dificultar a autocompaixão, confesso que não será uma tarefa fácil me acolher, a não me julgar, a permitir alguns sentimentos como cansaço, frustração de não poder oferecer mais, deixar de lado o perfeccionismo, sem que meu autojulgamento me assombre.

Que eu permita estar cansada.

Que eu permita descansar.

Que eu permita falhar.

E que eu aprenda a me acolher.

E vocês, conseguem praticar a autocompaixão?

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento · Minimalismo

Ser feliz com mais ou com menos

A arte de ser feliz – texto de Cecília Meireles

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava história. Eu não a podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que ouvisse, não entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, e às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu que não participava do auditório imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria para uma cidade que parecida feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e, em silêncio ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros, e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos: que sempre parecem personagens de Lope da Vega. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outras dizem que essas coisas só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

~ Extraída do Livro “Escolha o seu sonho” de Cecília Meireles ~

Esse texto da Cecília Meireles nos relembra a importância de exercitar os sentidos para enxergar e extrair a felicidade nos pequenos atos do cotidiano, do nosso dia-a-dia, ter gratidão pelas pequenas coisas da vida.

A gente entende por que tem gente que ganha um anel de latão e chora de felicidade, enquanto tem gente que ganha um anel de diamante e acha que o parceiro não fez mais que a obrigação.

Entende que enquanto uma pessoa compra um eletroportátil e abraça (o eletroportátil, claro) de tanta felicidade, tem gente que acha isso uma grande bobagem.

Acha bobagem a felicidade alheia, o sorriso fácil, o choro emocionado.

Nessa correria moderna, você consegue (re)conhecer suas pequenas felicidades?

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento · Minimalismo

A importância de saber o que não quer para a sua vida

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Foto retirada do Pinterest

Essa semana conversei com uma pessoa da qual gosto muito. Ela tem um padrão de vida totalmente diferente do meu, podemos dizer que ela é o que denominamos uma pessoa muito rica (e não uma pessoa que parece rica).

Ela me mostrou a foto de uma casa no interior de São Paulo que está terminando de construir, que se parece muito com a foto acima. Será uma casa para descanso nos fins de semana, e futura residência para aposentadoria.

A casa é linda, enorme, com direito a quadra de tênis particular, praticamente um clube privativo. Algo bem inacessível para a maior parte da população, inclusive para mim. Lembra muito aquelas casas de famosos que são mostradas em revistas de arquitetura e decoração.

Eu realmente estou feliz pela conquista dela, porque sei que para ter o que eles possuem hoje, a família teve que batalhar muito.

À noite, quando estava conversando com meu marido sobre esse assunto, ficamos muito satisfeitos por ela, e ao mesmo tempo, tivemos a certeza de que não gostaríamos de ter algo assim.

E é aí que eu quero introduzir o assunto do post de hoje: a importância de saber o que não queremos.

Olhávamos para a foto da mansão, e depois olhávamos para o nosso apartamento… são realidades muito, muito diferentes. Mas a parte legal é ter a consciência de que não queremos o que ela possui. Achamos legal, achamos bonito, mas não gostaríamos de ter.

Nós não ficamos vislumbrados, porque sabemos que para manter uma casa daquele porte funcionando, é impossível fazer isso sozinho. Ou seja, teríamos que ter uma equipe para manter a casa funcionando minimamente, desde paisagista, algumas diaristas, segurança, etc. Tem gente que não se importa em ter terceiros circulando pela casa, já eu e meu marido, não sentimos confortável.

Um dos lemas do meu marido inclusive, é escolher o tamanho de uma casa que tenhamos condições de cuidar sem precisar terceirizar.

Sim, nós somos o tipo de casal que quando nos hospedamos em um hotel, mantemos a cama arrumada, as toalhas dobradas. Quando nos hospedamos em Airbnb, lavamos a louça, varremos o chão, tiramos o lixo, e entregamos o apartamento ao proprietário da mesma forma que recebemos no primeiro dia da hospedagem (com a cama feita, lixos vazios, sem restos de comida, nem de sujeira).

Então quando olhamos aquelas casas com piscinas enormes, com gramas verdes e corredor de árvores bem podadas, achamos lindo para usufruir nas férias, mas não para ser nosso. Como proprietária, enquanto as pessoas enxergam a água azul da piscina, enxergamos a limpeza periódica da piscina. Enquanto as pessoas olham a grama verde brilhante que se estende ao infinito como um tapete, enxergamos o trabalho que daria pra capinar toda aquela extensão de quintal (ou ter que contratar alguém para fazer isso para nós). Enxergamos os canteiros que precisariam ser aguados diariamente, os muros que precisarão ser pintados, a limpeza periódica da calha, necessidade de podar as árvores e os arbustos, verificar se a diarista está fazendo direitinho o trabalho, etc.

Ufa!

E é por esses motivos que eu abro um sorriso quando eu volto os olhos para o meu apartamento de 60m2, porque sei das vantagens de morar em um apartamento pequeno.

~ Yuka ~

Dinheiro, IF e FIRE

A importância do investimento e a metáfora do guarda-chuva

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Desenhei essa imagem do guarda-chuva para explicar a importância que a independência financeira tem para mim.

Geralmente as pessoas acham que a categoria “investimento” é 1 das 8 armações que um guarda-chuva possui: investimento, família, trabalho, relacionamento, etc.

Aqui em casa, a categoria investimento, que denominamos “independência financeira”, é o guarda-chuva em si. É ele que PROTEGE todo o resto que está embaixo.

COMO ASSIM? Calma, vou explicar item por item:

CASAMENTO

Ter dinheiro investido traz paz para o casamento. Dizem que 80% dos divórcios têm em sua origem a falta do dinheiro. Eu e meu marido não temos nenhum tipo de estresse por dinheiro.

FUTURO DOS FILHOS

Tenho tranquilidade em saber que no momento certo, poderei oferecer para as minhas filhas o que elas precisarem. Não, não pretendo presentear com carro, nem apartamento. Mas terei oportunidade em oferecer uma educação de qualidade e conhecimentos que só obtive depois dos meus 30 anos.

MUDANÇA DE GOVERNO

O meu trabalho e a do meu marido tem relação direta com verbas federais e estaduais. Isso significa que mudança de gestão pode gerar cortes de verbas, e ter consequências como a não reposição da inflação salarial (o que já tem acontecido), e no caso do meu marido, até mesmo desemprego. Estamos na situação que independentemente de quem governar este país, estaremos seguros.

DESEMPREGO

Há 2 anos, na fase em que diversas pessoas estavam sendo demitidas, eu tive tranquilidade para conduzir as principais decisões familiares. Um grande exemplo que eu já contei aqui, foi quando no mês em que a minha filha nasceu, meu marido ficou desempregado. Em nenhum momento eu senti insegurança ou raiva, muito pelo contrário, fiquei feliz em saber que ele poderia participar ativamente dos primeiros meses da nossa caçula, estando em casa comigo.

SEGURANÇA

Eu que já fui assaltada pelo menos 10 vezes, sei bem o valor da segurança. Por isso mesmo, escolho muito bem o bairro e também a rua em que vou morar, principalmente agora que tenho crianças. A rua precisa ser bem iluminada, com boa circulação de pessoas, próxima de metrô, com diversos comércios como farmácia 24 horas, açougue, supermercado, bancos, padaria etc. Apenas para ficar claro, são os meus investimentos que pagam o aluguel do meu apartamento.

CONFORTO

É inegável o prazer do conforto. E quando falo conforto, não estou falando só da cama que dormimos, o sofá que sentamos, a roupa que vestimos. Estou falando também do conforto de poder chamar um Uber em dias de chuva, o conforto de poder pedir comida em algum restaurante quando estou muito cansada para cozinhar.

OPORTUNIDADE

Já aconteceu de você saber que algo é a oportunidade de ouro, mas não tinha dinheiro? Comigo já aconteceu 2 vezes. As 2 oportunidades perdidas foram imóveis que eu queria comprar pra investir, mas não tinha dinheiro. Sabia que estava muito barato, mas a única forma de comprar naquela época era fazendo dívidas e eu perdi a oportunidade. Ter dinheiro significa que você está dentro do jogo. Hoje, estou dentro do jogo.

SAÚDE

Eu pago um plano de saúde para a minha família. E isso me traz tranquilidade. Um exemplo, semana passada, meu marido foi avisado por um médico para ele ir atrás de um médico especialista, pois detectou na tomografia que ele estava com uma massa densa no fígado. Deu um gelo na hora. Mas se eu não tivesse um plano de saúde, acho que ficaria mais preocupada.

AUTO-CONHECIMENTO

Considero que a busca pela Independência Financeira (IF) obriga a pessoa ter um auto-conhecimento, vamos dizer, fodástico. Digo isso porque a IF não é um evento passageiro, uma mania. É um estilo de vida. E por ser um estilo de vida, não dá para viver a vida toda na miséria, fazendo longos sacrifícios por 10, 20 anos de sua vida, pois isso não seria viver com plenitude. Ter o auto-conhecimento, encontrar o equilíbrio e a tão famosa suficiência, é essencial para que alcancemos a satisfação em todas as coisas que temos.

VELHICE TRANQUILA

Saber que poderei usufruir da minha aposentadoria, sem precisar depender do salário das minhas filhas, nem da ajuda do governo é muito bom. Isso traz paz.

Depois de ler todos esses itens, algumas pessoas podem perguntar: “mas como eu também posso buscar a minha independência financeira?”

Sabem como? Começando a juntar o primeiro real. Não menospreze nenhum centavo. Pode ser R$1, R$10 ou R$100.

Dia após dia, mês após mês, ano após ano juntando dinheiro, vai chegar um momento em que os juros compostos começam a surtir efeito.

Acredite.

~ Yuka ~

 

Auto-Conhecimento

Brasileiro tem preconceito dos livros de autoajuda. Por quê?

auto ajuda

Toda vez que comento com alguém que eu leio (e amo) livros de autoajuda, a maioria das vezes, ouço um “Sério?” e torcem o nariz.

As pessoas possuem preconceito de livros de autoajuda da mesma forma que falam que a creche municipal é ruim. Ou seja, falam porque ouviram alguém falar, ou leram uma meia dúzia de livros que não gostou e acham que todos os livros são ruins.

Mesmo todo mundo falando mal das creches municipais (mesmo sem conhecer de fato), eu coloquei as minhas filhas na creche do bairro. E eu só tenho a agradecer os profissionais que dedicam seu profissionalismo, talento e amor para educar e orientar crianças como as minhas filhas.

A mesma coisa acontece com os livros. Alguém falou que livros de autoajuda não prestam e vai o Brasil inteiro repetir a mesma coisa.

Aquela verdade serve para você? Quais livros leu e não gostou? Tudo bem a pessoa não gostar de livros de autoajuda, só acho que não precisa fazer careta como se fosse um livro inferior. Eu já li diversos tipos de livros, mas percebi que são os livros de autoajuda que mais me ajudam a crescer como pessoa.

E uma delas, é aprender a desaprender o que me ensinaram.

São verdades não-verdadeiras. Verdades que já foram verdades em outras décadas. Verdades que podem não ser verdades para mim.

Acho que muitos conhecem a frase “uma pessoa inteligente aprende com os seus próprios erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros”.

Eu sou uma pessoa que tenho aprendido muito com o erro dos outros, lendo livros de autoajuda.

São livros de pessoas que possuem diversos tipos de experiências, biografias de pessoas que eu admiro, especialistas (ou não) que compartilham sua trajetória, suas descobertas, erros e acertos.

Eu aprendi e continuo aprendendo muito com eles. Quem não gosta de livros de autoajuda não sabe o que está perdendo. Não sabem como um livro pode mudar a vida de uma pessoa.

Tem sido a minha mais poderosa ferramenta para o autoconhecimento.

~ Yuka ~