É possível ser feliz no casamento depois de 10 anos?

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Depois do meu primeiro casamento que culminou em divórcio e outro, onde me encontro feliz em um relacionamento de mais de 10 anos, comecei a listar uma fórmula pessoal para um relacionamento dar certo. Saliento que é apenas uma percepção minha, baseado na minha famosa teoria do nada rs.

Para um relacionamento dar certo, listo 7 tópicos essenciais:

1.) Auto-conhecimento

Uma coisa que é essencial para um relacionamento dar certo é o auto-conhecimento. De nada adianta começar um relacionamento com qualquer um, sem compreender o que queremos, e PRINCIPALMENTE, o que não queremos. Quando nos conhecemos melhor, passamos a não nos importar tanto com o outro, aprendemos a lidar com a solidão, a respeitar os nossos limites, as nossas vontades, e assim, finalmente, a ter amor-próprio.

Eu sempre soube o que eu não queria. Não queria um homem machista, um homem violento, agressivo. Nunca quis alguém que podasse minha forma de vestir, minha forma de falar, muito menos a minha forma de pensar. Eu sempre apreciei homens sensíveis, carinhosos, cuidadosos. Eu não queria assistir um filme e ficar sonhando com um homem romântico, e ter em casa um homem completamente diferente. E por saber e buscar isso, sempre fui muito bem cuidada nos meus namoros.

2.) Amor próprio

Você conhece pessoas que dizem que se amam, mas todo o comportamento é de quem não tem amor próprio? Há muitas pessoas assim. Terceirizam a felicidade para a outra pessoa, achando que a responsabilidade da própria felicidade é sempre do outro. Quem tem amor próprio, costuma gostar da própria companhia, do silêncio, aprecia a solidão, reconhece os próprios defeitos, não se anula para agradar a outra pessoa e principalmente, não aceita relacionamentos abusivos.

Outra coisa importante é escolher alguém que nos apoia. Parece uma coisa óbvia, mas é difícil encontrar alguém que nos apoia de fato. Encontrar alguém que extraia o nosso melhor, é melhor do que ganhar na loteria. Já contei pra vocês, que meu marido é essa pessoa. Ele fica jogando confete em mim, elogia, incentiva, mostra a todo momento que eu sou uma pessoa especial. Ele é a pessoa que tenta extrair o que eu tenho de melhor, e faz com que eu tente ser uma pessoa melhor a cada dia.

3.) Combinar nas “coisas grandes”

Geralmente, acabamos gostando de alguém por combinar nas coisas pequenas da vida: o tipo de filme que gostamos, o estilo musical da qual ouvimos mais, gêneros literários, hobbies parecidos e por aí vai.

Mas o que facilita uma união não são as coisas pequenas, e sim, sobre como pensamos e enxergamos a vida em relação às coisas grandes.

Imagine o conflito familiar onde uma das pessoas é a favor da educação pública, enquanto a outra é totalmente contra? O que aconteceria se um dos pais insistisse em colocar seu filho em uma escola pública? Ou quando uma pessoa acredita em Deus enquanto a outra é atéia e um dos pais quer batizar o filho?

Imagine o caos viver com uma pessoa completamente diferente nas ideologias? As opiniões iriam divergir a todo momento, gerando conflitos. Pense em outras questões importantes como política, religião, direitos sexuais, homofobia…

Eu e meu marido por exemplo, somos água e óleo nas coisas pequenas. Ele ouve heavy metal e eu música clássica; temos hobbies completamente diferentes, ele é apaixonado por bike, eu por artesanato; gosto de filmes leves enquanto ele ama filmes dramáticos. Eu gosto de ler livros de auto-desenvolvimento, enquanto ele lê livros sobre política. Ele ama doces, eu amo cítricos. Ele não gosta de comida japonesa… e bom, eu amo.

Mas em compensação, pensamos de forma muito parecida em relação às coisas grandes, nas coisas que importam.

Temos a mesma opinião em relação a política, a educação, a religião, aos direitos sexuais, a homofobia, ao racismo e outros assuntos que podem ser considerados polêmicos.

Não estou falando que temos que nos relacionar com pessoas iguais a nós. Longe de mim. Mas se relacionar com pessoas que tenham os mesmos princípios éticos, religiosos, morais e sociais facilita e muito, principalmente quando o casal tem filhos.

Talvez esse seja um dos motivos que mesmo após 10 anos juntos, nossa vida seja harmoniosa e pacífica, mesmo sem grandes esforços. Eu mudei muito e ele também (vamos chamar isso de evolução pessoal), mas ainda pensamos de forma muito similar nas coisas que importam.

4.) Saber que nenhum relacionamento começa pronto

Esse é outro ponto, pessoas querem relacionamentos prontos. E isso não existe. Existe o que eu chamo de lapidação do relacionamento. Um abre mão aqui, o outro abre mão ali, e com isso o relacionamento vai se moldando de acordo com a tolerância do outro. Há coisas que eu não abri mão, da mesma forma que ele também não abriu mão. Mas há outras inúmeras coisas que abrimos mão, para não magoar o outro, mas sem desrespeitar os nossos limites.

5.) Reconhecer que o relacionamento nunca estará pronto

Sim. Nunca.

Porque somos pessoas em evolução e mudança constante. Aquela pessoa que meu marido conheceu há 10 anos, não existe mais, pois se transformou em outra. E é fundamental ter essa noção de que pessoas se transformam.

De tempos em tempos, nós temos ajustes no relacionamento, no comportamento do outro, o que continuamos gostando, o que passamos a não gostar, o que podemos fazer de diferente, o que mudou para melhor, o que mudou para pior. E por várias vezes, percebemos que se não tivéssemos feito aquele ajuste fino naquele período, nosso relacionamento seria muito diferente hoje.

6.) Conhecer a linguagem do amor do parceiro

Eu conheci o livro As 5 linguagens do amor (do Gary Chapman) e posso dizer que mudou a minha forma de enxergar as pessoas. Segundo o autor, há 5 linguagens do amor:

  • Palavras de afirmação
  • Qualidade de tempo
  • Presentes
  • Gestos de serviço
  • Toque físico

Há relacionamentos que terminam, porque os casais falam linguagens diferentes e não conseguem falar a linguagem do outro. Enquanto para um, a linguagem do amor são “presentes”, para o outro pode ser “qualidade de tempo”. Então se uma pessoa compra diversos presentes e mimos para a outra (porque a sua forma de demonstrar amor é comprando presentes), mas a linguagem do amor da outra seja outra, ela não consegue transmitir todo o seu amor, porque os dois estão falando linguagens diferentes. Ambos ficam frustrados, pois não percebem a intenção do outro.

Por coincidência, eu e meu marido falamos a mesma linguagem do amor: qualidade de tempo. Aí vocês começam a entender, porque valorizamos tanto o nosso cafés-da-noite, nosso vale-night etc. São nesses momentos que conseguimos encontrar tempo para sentar e conversar sobre as coisas da nossa vida, assistir um filme, sonhar juntos, alinhar nosso futuro. Já perdi as contas de quantas vezes ficamos conversando até às 3 horas da madrugada, simplesmente porque perdemos a hora conversando. É nesse momento que abastecemos o nosso tanque do amor, porque estamos falando a mesma linguagem do nosso amor: tempo de qualidade.

7.) Amar é uma decisão diária

Isso significa que o relacionamento não pode ser deixado de lado. É preciso cuidar, respeitar, amar, ouvir, e principalmente, prestar atenção no outro.

Quando paramos de prestar atenção no outro, paramos de ouvir, paramos de cuidar. Com o tempo paramos de respeitar, e finalmente, paramos de amar.

É necessário esforço para o relacionamento dar certo, tirar lições de cada discussão, entender que estão juntos por uma decisão, e não por falta de opção. E essa determinação para dedicar tempo e amor ao casamento é uma decisão que foi tomada há alguns anos, então que seja feita da melhor forma. Amar é uma decisão diária.

E é isso.

Então quando alguém me pergunta como é possível ser feliz em um casamento após 10 anos de relacionamento (com 2 crianças que tentam interromper nossa conversa a cada 2 minutos), é tudo o que tenho para falar: “tenho 7 tópicos importantes para compartilhar com você”.

~ Yuka ~

31 Comments on “É possível ser feliz no casamento depois de 10 anos?”

  1. Bom dia, essa semana completei 18 anos de casamento, achei perfeito o seu texto, é bem assim mesmo! amar é uma decisão, casamento não é fácil, porém é muito gratificante quando olhamos para trás e vemos quantas coisas já passamos juntos.

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    • Nossa, que lindo. Também chegarei lá um dia rsrs. Casamento não é fácil, precisamos fazer ajustes a todo momento, mas é muito bom ter alguém para compartilharmos nossa vida, não é mesmo? Um beijo.

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  2. Muito bom.

    Sou casado há 32 anos. No início foi conturbado, pois não combinamos nas pequenas coisas, mas não conseguíamos enxergar as coisas grandes. Com o tempo conseguimos ajustar e hoje vivemos felizes! Tenho o livro. Ela já leu, eu ainda não. Vou priorizar a leitura. Valeu…

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    • Oi Marcelo, pois é, não vejo ninguém falar sobre isso, de não darmos tanta importância por não combinar nas pequenas coisas, e dar valor às questões maiores. Marcelo, se puder, leia o livro, pra mim foi muito útil, não uso somente com o meu marido, hoje consigo traduzir a linguagem do amor da minha irmã (presentes), da minha mãe (serviços), coisas óbvias, mas que não eram tão óbvias assim até eu ler o livro. Beijos.

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  3. Yuka,
    Esse seu post é de utilidade pública. Esse tema é o que a maioria das pessoas gostam de opinar e também o que elas são mais frustradas e sem conhecimento.

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    • Oi Sapien, haha isso é verdade. De verdade, até hoje, só conheço 2 pessoas (uma é amiga minha e outro é amigo do meu marido) que possuem casamentos plenos, completos. Beijos.

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  4. Muito bacana seu texto.
    Conheci meu marido por um site de namoro vegano ele morando em SP e eu na BA.Tinha tudo para dá errado,kkkk.Mas nós fizemos dá certo.Estamos juntos a 3 anos, passamos por doenças e desemprego de ambos.
    E a fórmula foi maturidade e autoconhecimento.Para mim amor não é como nos filmes e novelas que existe do nada é cultivo diário.

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  5. Oi Yuka!
    Tudo bem!?
    Que post lindo !
    Realmente é muito difícil relacionamento no geral, e casal então…mas é como você listou os itens que mais estão em evidência em um relacionamento.
    E eu concordo com tudo e é bem isso que acaba acontecendo muito, por isso muitos casamentos não dão certo porque requer muitas manobras para a convivência a dois e com filhos então . Haja sanidade mental kkkkkkkkkkk brincadeiras a parte…
    Estamos na luta diária, vamos seguindo, passando por todas as fases e tentando se ajustar na medida do possível, focando no ideais. A vida é viver ! Basta saber vive-la !
    Uma super semana cheia de luz, super bj

    Dri 😀

    https://adrianaavilaatelie100.blogspot.com/

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    • Oi Dri, bom dia! Eu digo pro marido que os filhos fazem de tudo pro casamento não dar certo kkkk. Elas morrem de ciúmes quando sentamos abraçados no sofá, elas querem sentar bem no nosso meio. Fora as interrupções nas conversas né? rsrs Daqui a alguns anos vou sentir saudades de tudo isso que estou vivendo hoje. Um grande beijo.

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  6. Legal demais, Yuka! O amor só se renova diante do esforço das duas pessoas e o trecho sobre combinar nas coisas grandes merece um destaque especial.
    Beijos

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    • Oi AC, verdade, até arrisco em dizer que meu primeiro casamento só não deu certo porque meu ex-marido desistiu de tentar, eu ainda queria. Mas enfim, há males que vem para o bem rsrsrs. Beijos.

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  7. Esse deve ser um dos posts mais legais do seu blog. Eu particularmente tenho imensa dificuldade em lidar com o fato das pessoas mudarem e portanto o relacionamento ter que mudar para algo que só Deus sabe o que poderá ser, e que talvez não agrade mais a nenhuma das partes. Dizem que o homem casa com a mulher esperando que ela não mude, já a mulher casa com o homem querendo que ele mude. hahaha. 🙂 O livro aí foi boa dica, tá anotado e vou procurar. Parabéns por encontrar o amor, seja grata por isso todos os dias !

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    • Oi Vagabundo, pois é, mas precisamos reconhecer que pessoas mudam… para pior, ou para melhor rsrsrs. Torcemos que seja sempre para o melhor, né? Acho que muitos casais acabam se separando por conta disso mesmo, os dois mudam, não conseguem acompanhar a mudança, e no fim, os dois não se reconhecem mais juntos. Eu tive muita sorte do meu marido compreender a minha mudança e ainda embarcar comigo em todos os projetos loucos que começo. Eu digo que não é fácil alguém ficar comigo, então meus amigos respondem que como ele é tão bonzinho comigo, quando ele for pro céu, irá de foguete kkkkk. O livro é de fácil leitura, pra mim valeu a pena, hoje consigo entender porque minha irmã ficava tão brava comigo quando não comprava presente de aniversário pra ela (sendo que ela mesma havia falado que não queria nada rsrs). É porque a linguagem de amor dela é presentes. Ela falava que não queria nada por educação, e eu não dava nada porque eu não faço questão de presentes hahaha. Depois que comecei a dar importância para isso (mesmo não sendo importante para mim), e sempre aparecer com algum mimo quando vou para a casa dela, o tanque do amor dela começou a ser enchido. Beijos!!!!

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  8. Excelente post, Yuka.
    Gostaria da sua opinião sobre a educação pública. O q vc, e suas filhas, acham dela ?
    Principalmente, como vc escolheu por uma boa escola para elas ? Quais parâmetros levou em consideração ?
    Pergunto isso pq eu e minha noiva planejamos ter nosso primeiro filho em breve. Moro numa região bem valorizada de Osasco, próxima a São Paulo, e gostaria de saber como “filtrar” por boas creches e escolas públicas.
    Obrigado !

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    • Oi Iuri, tudo bem? Como tudo na vida, há escolas boas, há escolas razoáveis, e há escolas péssimas. As minhas duas filhas entraram em creches diferentes, uma foi maravilhosa, perfeita, adorável, inesquecível. A outra creche já era normal, nem ruim, nem boa. Hoje elas saíram desta creche por conta da idade (a mais velha teria que entrar numa EMEI, já que a CEI vai até os 4 anos) e hoje, elas estão em uma creche que vai até os 6 anos de idade, que também é maravilhosa, não troco por nenhuma particular. Eu levo muito em consideração a minha intuição. Sei que bairros de periferia, há filas gigantescas para vagas da creche, enquanto bairros mais nobres, as filas são menores (já que a maioria tende a colocar em uma creche particular). Eu costumava olhar a fachada da creche, se era bem cuidada, se batia sol, isso já era um fator de exclusão. Afinal, minhas filhas passariam o dia todo lá, e sol é uma coisa muito importante, principalmente para as crianças. Também pesquisava sobre a escola na internet, em páginas aleatórias, para tentar descobrir a opinião de outras pessoas, se havia alguma crítica pesada. Uma coisa que eu aprendi, foi não dar tanto valor para paredes bem pintadas (como é verba pública, já viu que não deve ser fácil manter tudo tão arrumadinho), mas prestar MUITA atenção nas crianças, tentar ver se as crianças eram felizes. Já vi creche escura, com crianças desanimadas, que mal riam. E por último, eu conversava com as mães que estavam indo buscar os filhos. Sim, conversava com 3, 5 pessoas, para saber a opinião da creche, pela visão da mãe. Como vê, dá um certo trabalho, mas no meu caso, valeu muito a pena. Boa sorte na busca, tenho certeza que irá encontrar uma creche boa!!!

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      • Muito obrigado pela resposta, Yuka !
        Bem interessante os pontos q vc levantou. A conversa direta com algumas mães realmente é uma ótima ideia. E o trabalho com ctza valerá a pena.
        Abraço

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