A linha tênue entre ostentação e satisfação

Ostentação e satisfaçãoExiste uma linha muito, muito tênue onde caminhamos diariamente.

Essa linha é como se fosse um divisor entre a ostentação satisfação.

De um lado da linha, a ostentação.

Do outro lado, a necessidade atendida.

É muito fácil identificar se estamos caminhando no lado da ostentação.

Basicamente, são 2 perguntas cruciais:

  • Estou comprando para a minha satisfação ou para os outros?
  • Vou ter 100% de aproveitamento do produto/serviço?

A primeira pergunta é importante para avaliar se algo está sendo feito para mostrar para os outros. Aquele carro que você quer é para tentar provar para os outros que você é uma pessoa bem-sucedida? Aquela foto que você está tirando é para você guardar na sua memória ou para mostrar aos outros o quanto você parece ser feliz nas redes sociais? Aquela viagem nacional ou internacional que você pretende fazer, você permaneceria com os planos se não pudesse contar para ninguém?

A segunda pergunta mostra se estamos comprando produtos ou contratando serviços além do necessário. Aquele fogão de 6 bocas que você tem, você realmente usa 6 panelas simultaneamente na hora de cozinhar, ou serve apenas para deixar algumas panelas encostadas? Aqueles sapatos abarrotados na sapateira são usados com frequência, ou você usa sempre os mesmos sapatos? Aquele plano anual de academia que você pagou está valendo a pena, ou você vai só algumas vezes e já está quase desistindo?

Esses dias, em uma roda de conversa, surgiu o assunto de que eu moro em um bairro bom, então supostamente, sou ‘rica’. Ao mesmo tempo, sou ‘pobre’ por não ter um carro e usar transporte público.

Eu só fiz a seguinte pergunta para eles:

– Supondo que as duas opções dessem o mesmo gasto, qual você preferiria: a.) morar perto do trabalho e não ter carro; b.) morar longe do trabalho e ter carro.

Eu escolhi morar perto do trabalho. Essa opção não traz status, mas traz qualidade de vida.

Toda vez que eu e meu marido compramos algo, sempre fazemos essa pergunta. É necessidade ou ostentação? Eu não decidi viver com menos. Eu decidi viver com o suficiente.

Quando se aprende a avaliar, aprende-se a consumir de forma adequada.

É quando sentimos aquela sensação da suficiência, de estarmos satisfeitos com o que já possuímos.

As pessoas que não sabem ainda reconhecer esse sentimento de suficiência, possuem dificuldades para entender quando digo ‘não’ para brindes, quando digo que não estou precisando de nada no momento, quando digo que minhas filhas já possuem roupas ou brinquedos suficientes.

Não gasto (à toa) por ter a consciência de que aquilo não é necessário.

É estar satisfeita de que o que as pessoas julgam como pouco, é o suficiente para mim.

~ Yuka ~

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28 comentários em “A linha tênue entre ostentação e satisfação

  1. É muito bom conseguir levar a vida desta forma, podemos então nos concentrarmos em juntar grana para o que realmente é necessário e que nos faz bem.👏👏👏👏👏👏👏

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    • Sim, é verdade. O dinheiro serve como um facilitador, não como meta final. Quando a gente entende sobre a suficiência, o dinheiro naturalmente começa a sobrar no fim do mês. Beijos.

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  2. Estava conversando isso com meu esposo a poucos minutos. Desde que decidimos vender o carro que não usavamos e mantinhamos apenas por preguiça de vender já fomos julgados até não poder mais por familiares e amigos… Somos pressionados quase que diariamente para comprar um outro, mas continuamos avaliando que não estamos necessitando e se comprarmos agora vai ser somente para agradar aos outros e não a nós mesmos!

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    • Por isso eu costumo não falar muito da minha vida, ou até mesmo não falar a verdade. As pessoas também me perguntaram se eu não iria comprar um apartamento, e eu respondi que estava procurando, mas que estava tudo muito caro. Era a resposta que o pessoal queria ouvir. E ninguém nunca mais me perguntou rs.

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      • Oi Yuka, ai que delicia ler seus textos!!! até mesmo os comentários me agregam!!! Só tenho a dizer uma coisa: obrigada por compartilhar sua vida e sua sabedoria!!! Tudo de melhor pra vc e sua familia!!!

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        • Olá, que isso, eu que sempre agradeço por ter pessoas tão carinhosas como você, que leem as minhas divagações. Sem vocês, esse blog não existiria. Beijos.

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  3. Pensar fora da caixa é algo muito engrandecedor, mas acho um saco está o tempo todo sendo questionada!! Vejo gente que deve até no Cheque especial e troca e carro todo ano, mas ninguém questiona, mas ficam enchendo o saco porque não tenho carro, até o próprio endividado ja veio perguntar o porque de termos vendido o carro e não comprado outro mais novo.

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      • Ja falamos isso, mas não se conformam… Acho que a Cultura daqui é se meter na vida dos outros… Ja falei que so vamos comprar outro que seja melhor do que o que tínhamos, por isso estamos juntado, mas para eles é um absurdo juntar para comprar depois se você pode comprar antes e pagar depois!

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  4. Olá Yuka! Há muito tempo estou cansada das pessoas quererem dizer como devo viver minha vida, o que devo comprar, vestir, ter em casa, pra onde devo viajar, etc. Cada um faz aquilo que quer dentro das suas possibilidades. Simples, não é mesmo? Eu escolhi uma vida simples, com menos trabalho e mais dedicação ao lado espiritual do que ao lado material. Sou grata pelo que tenho, tenho mais que o suficiente e todos os dias consigo me desfazer de algo que não me acrescenta nada.

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    • Oi Camila, cada um tem o seu período de aprendizagem. Lembro há uns 10 anos, fiz uma pós-graduação e uma das alunas tinha falado pra mim que ela não assistia televisão. Na época, achei isso muito esquisito. Hoje, também estou no mesmo caminho. Eu precisei de uns 10 anos pra chegar onde ela estava. Para que as pessoas não nos julguem, a melhor solução é não mostrar a sua forma de viver. Se não sabem, não há como julgar. Pra mim tem funcionado bem. Beijos pra você.

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  5. “É estar satisfeita de que o que as pessoas julgam como pouco, é o suficiente para mim.”
    Estou completamente encantada com essa frase, Yuka. Parabéns por mais um post com tanta qualidade! Boa semana!

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  6. Eu gosto muitos dessas reflexões desse cantinho aqui! Gratidão! Acho que já passei do tempo em que eu acreditava nos desejos dos outros. Agora sigo meus próprios ideais e a vida ficou bem mais leve!

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    • Oi Fábio, fazer o que o próprio coração manda é o melhor a ser feito. Não dá para agradar todos, então a alternativa é agradar a nós mesmos rsrs. Beijos e boa semana.

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  7. Eu tenho uma disputa interna um pouco diferente… passei por muitas dificuldades financeiras em minha vida e tive que me acostumar a sempre ter o mais “barato”, o que dava pra ter. Hoje eu estou numa fase bem melhor financeiramente, posso usufruir de um certo conforto (não luxo, apenas conforto e qualidade mesmo), mas mesmo assim ainda me recrimino, parece que se torna um habito, ao comprar uma peça de roupa não me permito gastar um pouco a mais por algo de qualidade e duradouro, tenho sempre que encontrar o melhor preço, a melhor promoção! e assim tem seguido em todos os âmbitos. Acredito que usar seu dinheiro com consciência é muito importante, mas se permitir usufruir dele é tão importante quanto, as vezes me sinto mal pelo fato de “poder” ter algo melhor. Tenho aprendido que difícil mesmo é encontrar o equilíbrio! Esse tem sido esse o meu proposito com o minimalismo… EQUILÍBRIO!!

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    • Oi Adriane, você tem o mesmo costume do meu marido rs. Quando vamos a um restaurante, ele sempre escolhe pelo preço, e não pelo que ele quer comer. Após tantos anos, ele ainda não conseguiu tirar esse costume dele, mas estou tentando mostrar aos poucos que tudo bem comer o que ele quer, tudo bem tomar um sorvete em dias quentes de verão, tudo bem tomar um café expresso em uma cafeteria gostosa. Para ele, essas coisas ainda são difíceis, mas como você mesma disse, é preciso encontrar o equilíbrio. Um grande beijo.

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    • Oi Thalyta, eu uso demais meu cartão de crédito. Mas tenho um monte de dicas para usar de uma forma boa. Então aguarde sim, que faço um post sobre esse assunto. Beijos.

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  8. Pingback: Investir 10% do salário? Não, obrigado! – Viver sem pressa

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