Minimalismo

Crianças mimadas, adultos de porcelana

Contemplando, Amizade, Amigos, Crianças, Menina

Semana retrasada foi dia das mães. Poderia até ter publicado este post, mas como ando distraída, só pensei nisso depois.

Não sou especialista nesse assunto de maternidade, nem de educação. Então só vou compartilhar a minha visão, o meu ponto de vista e o que tenho feito com as minhas 2 filhas.

A importância da frustração

Eu que sou mãe, sei que dá vontade de atender todas as vontades dos nossos filhos, mas isso não é nem um pouco saudável. Propositalmente, eu não atendo todas as vontades das minhas filhas, porque eu quero que elas saibam o que é frustração. Elas chutam o chão, choram, gritam, mas depois entendem que a vida é assim mesmo. E olhem só, a cada frustração que elas sentem, elas vão aprendendo a lidar com esse sentimento que é tão complexo.

A importância do ócio

Quando viajo de ônibus com as minhas filhas, não levo livro, não levo brinquedos para distrair, não levo tablet, não empresto meu celular. Ensinei as meninas a ficarem quietinhas no ônibus, pois ônibus não é lugar para brincar, nem fazer barulho. Eu levo alguma coisa para elas comerem no início da viagem e depois digo para elas dormirem. Quando elas estão muito entediadas, sugiro que apreciem a paisagem, e assim, o sono vem rápido.

Outra coisa que eu percebo, é que quando elas estão ociosas e sem televisão, elas brincam mais de pintura, de desenho, de faz de conta, de teatro, dançam, cantam… ou seja, começam a usar a criatividade para se divertir.

A importância de não atender todas as demandas

Assim como eu, vocês também devem conhecer adolescentes que acham que quem tem que resolver o ócio deles são os pais. Só cobram, e não tentam resolver o próprio problema. Não sabem lidar com o tempo vazio, nem com a falta de certas coisas. Acham que tudo se resolve com dinheiro, com os pais comprando o que falta. Não quero isso para as minhas filhas. Querem uma máscara de um personagem de desenho? Então vamos fazer com o material que temos em casa. E assim, elas vão compreendendo que nem sempre precisamos gastar dinheiro, nem ficar esperando os outros resolverem os nossos problemas.

A importância de não querer suprir o que não tivemos na infância

É mais fácil enumerar as coisas que tivemos, do que enumerar o que não tivemos na infância (porque a lista é extensa). Na nossa época, era algo normal a criança ter poucos sapatos, poucas roupas, poucos brinquedos.

Atualmente vejo pais atendendo todas as demandas dos filhos, dando presentes a todo momento (por não ter ganhado tantos brinquedos), colocando na melhor escola (por ter estudado em uma escola pública do bairro), dando uma mesada gorda (por não ter tido mesada), dizendo sim para tudo (porque seus pais disseram muitos nãos)…. Mas não percebem que foram justamente esses limites que recebemos, que moldaram o nosso caráter hoje e a resiliência que temos em relação a vida.

Crianças que tiveram tudo na infância se tornam adultos que não se esforçam, acham que os pais têm obrigação em pagar as contas. Permita que seu filho tenha o sentimento de conquista, e não de que conseguiu tudo de mão beijada.

A importância de compartilhar

Já escrevi um post sobre esse assunto, explicando de que forma incentivo intensamente a importância de compartilhar.

Minhas filhas compartilham quarto, compartilham a cama, compartilham brinquedos, as roupas, a televisão… E assim, de coisas em coisas, vão entendendo que precisam esperar pela sua vez, e a trabalhar a paciência.

Ensinar sobre paciência, sobre a espera

Eu não compro brinquedos com frequência.

Os brinquedos são comprados em datas festivas como aniversário, dia das crianças e no Natal. As crianças entram nas lojas de brinquedo SABENDO que não irei comprar nada. Elas não fazem birra, elas olham, se encantam, brincam e depois saímos da loja sem comprar nada. Quando gostam muito de um brinquedo, me chamam para mostrar explicando que é o que vai querer ganhar no dia do seu aniversário.

A questão não é o dinheiro, e sim, sobre ensinar a ter paciência e a importância da espera. Elas não fazem birra, porque sabem que irão ganhar algo em breve.

Ensinar que não se pode ter tudo na vida, é preciso fazer escolhas

Quando estou no supermercado (antes da pandemia), sei que não custa nada comprar 2 coisas que elas estão pedindo. Mas faço elas escolherem 1. “Qual você quer mais? O chocolate ou o biscoito?” Com a mãozinha pequena na cabeça, vejo minha filha escolhendo com muita dificuldade qual quer mais. Mas é assim mesmo. É desta forma que elas vão aprendendo desde a infância de que não podemos ter tudo na vida, de que temos que fazer escolhas. São as pequenas decisões e escolhas que elas fazem no dia-a-dia que irão treiná-las a ter autonomia quando elas tiverem que tomar as suas próprias decisões.

A importância de ter responsabilidades

Minha filha de 3 anos já compreende que roupa suja deve ser colocada no cesto da lavanderia. Ela não faz isso sozinha, mas leva até a lavanderia quando explico que não deve deixar a roupa no chão. Quando elas voltam da creche (também antes da pandemia), elas guardam os sapatos na sapateira, vão ao banheiro lavar as mãos (há um banquinho para que a caçula alcance a torneira e um gancho na altura delas onde fica pendurado a toalha de mão). Elas sabem que quando terminam de comer, devem levar o prato na pia da cozinha. Como diz o meu marido, não adianta um filho ser fluente em inglês, saber robótica e tudo mais, mas não saber lidar nem com as próprias roupas sujas.

Ensinar a diferença entre valor e preço

Esse ano fiz festinha de aniversário para a minha filha mais velha. Como estamos quarentenando, a festa foi só entre a gente mesmo. Não fiz grandes coisas, só um brownie em formato redondo, uma bandeja de brigadeiros, suco de laranja para as crianças, café para mim e para o meu marido e alguns balões coloridos para decorar a parede.

Cantamos parabéns duas vezes, fomos até o quarto para medir a altura da aniversariante, entreguei para ela o presente que eu mesma havia feito com a minha máquina de costura: uma necessáire para ela guardar o pente e o espelho de mão.

E eis que ela grita de euforia e me abraça: “mamãe, este foi o melhor aniversário que eu já tive em toda minha vida!”. Esta festa aconteceu no início desse mês e, após 3 semanas, ela ainda lembra com alegria.

Criança não vê preço, vê o valor das coisas. São os adultos que ensinam as crianças de forma errônea que preço é melhor do que valor. Que festa em buffet com 200 pessoas é melhor do que festa em casa com os melhores amigos. Que viagem para Paris é melhor do que viajar para a casa da vó.

A criança não é o centro do universo da nossa família

Você já deve ter visto inúmeras crianças sentadas nos bancos prioritários em transportes públicos, enquanto vovôs de cabelos brancos ficam em pé, se agarrando em qualquer lugar para não se desequilibrar.

Eu fico muito indignada com essa cena, e mesmo antes de me tornar mãe, havia jurado que, se um dia eu viesse a ser mãe, meus filhos não iriam tirar lugar de um idoso ou de qualquer outra pessoa necessitada.

Minhas filhas não sentam nos transportes públicos, porque entendem que as pessoas que estão lá de pé, trabalharam o dia inteiro, estão cansadas. No máximo, sentam no meu colo. Quando entra algum idoso, elas já se levantam, porque sabem que eu vou ceder o meu lugar para ele. Minhas filhas têm 5 e 3 anos e já entendem sobre empatia. Tem adulto de 50 anos que ainda não descobriu o significado dessa palavra.

Eu passei 9 meses da minha gravidez em pé no transporte público, porque as pessoas simplesmente não cediam seus lugares. Adolescentes sentados nos bancos prioritários, jogando Candy Crush, porque os pais sempre deixaram sentar nesses bancos prioritários, sendo tratados como centro do universo na sua família.

Criar como uma grama, e não como uma flor

Na minha infância, eu tive uma professora de japonês que costumava me chamar de grama. Eu não gostava, principalmente, porque ela chamava minhas irmãs de flores, e eu também queria obviamente ser uma flor.

Só depois de um tempo que eu entendi. Eu era grama, porque mesmo as pessoas pisando em mim, mesmo sendo esquecida, não sendo a preferida, eu sempre estava de pé. Vocês sabem que eu tive uma infância difícil, eu tive uma irmã agressora, que hoje sei que se enquadra como violência doméstica. Enfrentei um divórcio, burnout no trabalho, e apesar dos apesares, sempre recomecei.

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Todas as coisas que eu faço com as minhas filhas, nunca teve o intuito de economizar, mas torná-las adultas responsáveis. São 5 pilares que tento ensinar: responsabilidade, foco, escolha, renúncia e paciência.

Tudo isso tem um único propósito: não criar adultos de porcelana.

Há uma frase famosa em que diz que “a dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. A minha intenção não é evitar a dor das minhas filhas, e sim ensinar a administrar os sentimentos, APESAR da dor.

Elas sentirão a dor da perda, a da saudade, a da despedida, a da frustração, da rejeição. O que eu tento fazer é ensina-las a lidarem com os sentimentos, apesar da rejeição, apesar da frustração, apesar da indignação, apesar das injustiças.

Foi assim com a gente. Quantos de nós sofremos bullying, numa época que nem existia essa palavra? Nós sobrevivemos. E com isso nos tornamos mais fortes.

Quando digo não para certos brinquedos, elas têm duas alternativas: chorar ou construir algum brinquedo através de materiais que já temos em casa.

Quando elas se tornarem adolescentes e passarem a receber uma mesada, vão ficar reclamando do valor da mesada ou vão aprender a pechinchar, buscar no brechó, fazer troca com as amigas, empreender?

Eu não posso evitar que elas não tenham problemas todos os dias. Mas eu posso ensiná-las a como enfrentar e lidar com os problemas da vida.

~ Yuka ~

Dinheiro, IF e FIRE

Eles não querem que você enriqueça

capitalismo selvagem

Há algumas semanas, assisti a um vídeo do GuiaInvest com esse título: Eles não querem que você enriqueça.

Assisti despretensiosamente, mas me surpreendi com o vídeo e resolvi transcrever para deixar registrado aqui no blog (fiz pequenas alterações para a leitura ficar mais fluida).

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Eles não querem que você enriqueça

Você já teve a sensação de que por mais esforço que você faça, não consegue ganhar dinheiro suficiente? Isso acontece por causa da forma como o sistema funciona.

Você pode ter o melhor salário do mundo, receber uma gorda herança, ganhar na mega-sena! Mas se não souber como administrar e proteger o seu dinheiro, vai perder tudo!

O sistema é desenhado para que as empresas e as pessoas precisem o tempo todo de dinheiro e não parem nunca de produzir. Por isso o consumismo, a cobrança social e a ostentação são muito incentivados. Isso obriga as pessoas a correrem cada vez mais atrás do dinheiro para poder consumir e se sentirem protegidas financeiramente.

Então toda vez que você trabalha e consegue juntar um dinheiro, logo vem um lançamento de um telefone novo, um carro novo, uma roupa nova, para levar justamente o que você juntou.

A intenção é bem clara: tentar te convencer a gastar todo o seu dinheiro a qualquer custo. Essa é a grande verdade, é assim que o sistema sobrevive.

Eu não estou julgando se isso é bom ou ruim para a sociedade. Estou apenas dizendo que isso pode ser ruim para você. As próprias crises servem para limpar a sociedade de empresas e pessoas fracas financeiramente. Muitas pessoas acabam ficando presas nessa roda pelo resto da vida por não ter o conhecimento sobre o dinheiro.

Todos os problemas são orquestrados por alguns membros da sociedade que não querem que você tenha dinheiro de jeito nenhum, porque quanto menos dinheiro você tiver, mais terá que obedecer aquilo que eles desejam.

Hoje você vai entender quem eles são, como eles te impedem de enriquecer, como combate-los para poder alcançar a sua liberdade financeira.

Primeiramente, vou falar sobre os bancos. Alguns bancos criam complexos esquemas para arrancar o seu dinheiro, evidentemente sem que você perceba. A intenção dos bancos é fazê-lo endividar para mantê-lo como escravo, fazendo seu dinheiro suado ir para o bolso deles todos os meses através de juros e taxas. Por isso eles odeiam que você pague as contas em dia, ou que você tenha dinheiro sobrando, ou que você se recuse a ter um cartão de crédito. Basta ter um dinheiro na conta e eles farão de tudo para colocar a mão, oferecendo todos os tipos de armadilhas. Portanto, fazer o oposto do que eles querem é a melhor atitude para quem deseja enriquecer. Jamais dependa dos bancos, assim, você não se tornará escravo deles.

Agora eu vou falar sobre alguns membros da elite.

Você já deve ter ouvido falar que menos de 0,1% dos brasileiros possuem mais de 1 milhão de reais. Existe um erro muito comum na nossa sociedade que é denegrir todos os ricos como se eles fossem algo ruim. Muitas dessas pessoas conquistaram suas riquezas por mérito próprio, poupando e combatendo o consumismo exagerado. Porém, uma outra parte conquistou a riqueza se aproveitando das pessoas menos favorecidas, como eu e você, seja por corrupção, seja por formas ilícitas, por crimes, fraudes, etc. Eu não estou falando só de políticos. Como todo dinheiro que eles ganham vem do bolso de alguém que gastou, esses membros não querem que outras pessoas enriqueçam, pois toda vez que alguém enriquece, eles perdem uma fatia do bolo do dinheiro e de poder. Portanto, enriquecer é uma forma de você combater as maçãs podres que se aproveitam do sistema.

Agora vou falar sobre a mídia. A mídia não é má por si só, mas quando usadas por indivíduos maus, pode ser uma ferramenta muito cruel. Esses membros usam sua influência de seu poder financeiro para impedir que as pessoas evoluam financeiramente. Eles fazem isso estimulando o consumismo exagerado e convencendo você a fazer o que eles querem através da televisão. Por exemplo, eles mudam a moda o tempo todo para que você sempre se sinta desatualizado. E não fazem isso só com roupas, mas também com celular, carro, viagens… Quanto mais desatualizado você se sentir, mais terá que correr atrás da roda do dinheiro para voltar a se sentir incluído pelo padrão da sociedade. Ignorar a mídia é o caminho para você se libertar das amarras, das exigências inúteis da sociedade.

Agora vamos falar sobre o governo. O governo deveria existir para facilitar a vida das pessoas da sociedade. Mas às vezes, ele mais atrapalha do que ajuda. A começar pelo conhecimento. O governo não quer que você aprenda como administrar seu dinheiro, pois quanto mais você souber rentabilizar seu dinheiro, menos você precisará trabalhar. E é por isso que a educação financeira não é ensinada na escola. Se as pessoas soubessem lidar com o dinheiro, nós nos tornaríamos um país rico e isso seria insuportável para aqueles membros da elite que dependem de escravos financeiros para sobreviver.

O governo usa diversos mecanismos para te impedir de acumular dinheiro. Um dos mecanismos é a inflação. A inflação é uma forma de corroer o poder de compra de seu dinheiro. É como um imposto escondido que você paga obrigatoriamente e nem percebe. Outro mecanismo é o próprio imposto. Toda vez que você consome algo, paga cerca de 30% sobre o preço. Ou seja, se você consumir menos e aprender a investir seu dinheiro para superar a inflação, o governo não conseguirá abocanhar a sua grana tão facilmente. O governo também usa a mídia para incentivar o consumismo exagerado, porque quanto mais as pessoas consomem, mais dinheiro ele arrecada com impostos.

É por isso que muitas coisas que parecem boas, são na verdade horríveis para a economia.

Vou dar alguns exemplos.

Os ciclistas são horríveis para a economia. Eles não compram carro, não compram gasolina, não gastam com mecânicos, não pagam seguro, não pagam estacionamento, não pagam IPVA, não trocam pneus, não pagam pedágios, ficam mais saudáveis, acabam indo menos a médicos, e portanto gastam menos remédios.

As comidas orgânicas são péssimas para a economia, porque quem as consome não fica tão doente, não assina plano de saúde, não gasta com remédios, não gasta com consultas em hospitais, não gasta com exames…

E o mais importante, quem poupa e investe também é péssimo para a economia. Quem poupa não gasta dinheiro, não incentiva o consumismo em outras pessoas, não trabalha pelo resto da vida, não sustenta bancos pagando juros e taxas, não sustenta o governo pagando excessivos impostos, não sustenta as maçãs podres da elite, não rende dinheiro para a mídia. Mas o pior de tudo é que quem poupa e investe fica livre financeiramente, podendo realizar o que quiser, sem se preocupar com nada. Isso é péssimo para a economia, porque não ajuda a roda girar.

Mas a reflexão que fica é: aquilo que é bom para a economia, pode não ser bom para você. E aquilo que é bom para você, pode não ser bom para a economia. Qual das duas opções você prefere? Deixo para você essa reflexão.

*Texto extraído do vídeo do Canal do YouTube GuiaInvest.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

O que é ser “bom aluno”, “bom filho” para você?

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Durante muitos anos eu era uma pessoa insegura, com muito medo de dar opiniões, pois acreditava piamente de que eu era burra (e feia), por influência da minha irmã mais velha.

Também não questionava os professores, pois foi assim que eu aprendi na escola: os professores falam, os alunos ouvem e obedecem.

O tempo passou, passei num concurso público muito disputado há mais de 10 anos, mas a insegurança continuava lá no fundo.

Foi meu marido que me mostrou que há vários tipos de inteligência. E que eu só não me encaixava no sistema educacional tradicional da escola.

A minha inteligência, não era aquela que dá nota 10 na prova. Eu tinha dificuldades em decorar e interpretar textos, consequentemente, nunca tive notas altas.

A minha inteligência, é a intrapessoal (inteligência relacionada ao autoconhecimento e ao equilíbrio interior, inclusive quando a pessoa se encontra em situações difíceis. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela é um de seus melhores exemplos – fonte), conhecimento esse que tem sido muito útil na minha vida pessoal e profissional.

Tenho muita facilidade de planejar e prever algumas coisas com antecedência. Tanto que meu marido brinca que eu tenho visão além do alcance e que meu lema deveria ser: “espada justiceira, dê me a visão além do alcance”, do Thundercats.

Queria também deixar claro que não sou contra o ensino. Acredito que a educação é a base de uma sociedade madura, vide países que investiram pesado na educação. Eu sou a favor do ensino e da educação, mas não acredito que a educação dos moldes atuais seja um método adequado.

A educação tradicional quer colocar todo mundo na mesma forma. A escola ensina a não questionar, a obedecer, a aceitar, a decorar. Não incentiva a criar, a discutir, a questionar.

Aprendemos a repetir o que os outros falam sem refletir o que estamos falando. A televisão, a mídia, as indústrias e o governo fala que tal coisa vai ser bom para a sociedade (mesmo isso sendo péssimo), e todos repetem que isso vai ser bom, e assim vamos sustentando o sistema, pessoas que protegem com unhas e dentes a dependência do sistema de contas. E não percebemos como somos manipulados diariamente.

Todos nascemos originais e morremos cópias. – Carlos Jung

Onde eu quero chegar com tudo isso, é: quando você for dar bronca no seu filho, talvez ele também só não se encaixe no sistema de ensino atual. Ao invés de avaliar somente as notas altas, devemos aprender a valorizar os outros tipos de inteligência.

Somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Cada pessoa com uma habilidade e inteligência diferente da nossa. Cabe a nós, pais, ter a humildade de respeitar as diferenças individuais.

Quem tiver interesse, tem um texto bem bacana sobre os 7 pecados do nosso sistema de educação forçada.

~ Yuka ~

 

Auto-Conhecimento

Levando minha filha de 1 ano e 6 meses para me ajudar na cozinha

Minha filha, infelizmente, era ruim de garfo. Desde que parei de amamentá-la, tive muitas dificuldades em fazê-la comer. Ela pinçava algumas coisas aqui e ali, mas era daquelas que mal olhava para a comida e decidia que não gostava daquela comida e ponto final. E não tinha ninguém que fizesse ela mudar de ideia.

Hoje ela tem 1 ano e 9 meses. Mas há 4 meses, um móvel me chamou atenção, a “torre de aprendizagem montessori”, que auxiliaria a ficar em pé na pia da cozinha de forma segura. Já que minha filha não tinha interesse em experimentar comidas, pensei em levá-la para a cozinha para ela ter a oportunidade de ver a preparação do alimento.

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Custa em torno de R$450,00. Mas o meu maior impedimento não era o preço, e sim o tamanho deste móvel. Eu sei que vocês estão carecas de saber – mas não custa relembrar – que minha cozinha é estreita e não entra um móvel desse tamanho, mataria todo o espaço de circulação. Eu deixava minha filha em pé numa banqueta de plástico, mas tinha que ficar atrás dela o tempo todo para que não corresse o risco dela desequilibrar.

E então vi umas ideias bem bacanas no Pinterest como esta foto aqui embaixo e decidi fazer uma adaptação.

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Comprei esta banqueta de madeira na Leroy Merlin por R$71,90.

 

 

Pedi para o amigo do meu marido arranjar uns tocos de madeira na oficina dele para fazer uma extensão para cima, coincidindo com a altura da pia da cozinha.

Mas no final, nem precisei fazer a adaptação, pois minha filha se adaptou muito bem mesmo sem as estruturas laterais.

E posso te contar uma coisa? Desde que ela passou a me “ajudar” na cozinha, ela passou a experimentar de tudo. Ela ama subir no banquinho para me ver. Toda vez que vou cozinhar, ela já começa a empurrar a banqueta para perto da pia e começa a subir sozinha para ficar mais perto de mim. Hoje ela experimenta várias comidas na pia mesmo. E tem descoberto novos sabores a cada dia, com isso passou a aceitar muito mais alimentos novos.

Se levo a comida (nova, que ela nunca experimentou) direto para a mesa, ela continua rejeitando. Mas se faço ela experimentar a mesma comida quando ela está no banquinho da pia, ela aceita super bem, e não rejeita mesmo quando levo para a mesa.

Outra tática que deu muito certo foi ter comprado esta cozinha para ela.

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Eu comprei o gabinete de cozinha e a geladeira numa loja chamada Trenzinho, em São Paulo. Não é um brinquedo barato, mas que fez toda diferença na aprendizagem dela. Hoje ela sabe que tem que lavar as mãos antes da preparação dos alimentos, depois ela simula que está enxugando as mãos, coloca o avental, abre a geladeira, escolhe as frutas e legumes (de plástico) que irá cortar, prepara a comidinha no fogão, e depois dá comida para as bonecas. Tudo é muito divertido e didático. Eu gostei bastante, fora que faz um sucesso danado quando os amiguinhos vêm em casa.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Não compare seu filho com a dos outros 

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Essa é uma frase que tenho utilizado com certa frequência, desde que minha filha nasceu.

Como pais, sabemos quando um filho está bem, se está se desenvolvendo de forma saudável, se está crescendo, se está aprendendo habilidades novas.

Vejo muitos pais aflitos porque o filho ainda não andou, porque ainda não nasceram os dentinhos, porque o colega da mesma idade já desfraldou, porque acha que está magrinho, ou que está gordinho…

Para os pais que tem filhos (pequenos ou grandes), tenho um conselho a dar. Não compare seu filho com a dos outros.

Não apresse seu filho para andar, uma hora ele vai andar. E nunca mais vai parar de andar, de correr, de pular, de subir, de descer.

Não apresse seu filho para falar, uma hora ele vai falar, e tagarelar, e gritar, e berrar e chorar.

Veja que não fez nenhuma diferença na vida adulta se você andou aos 10 meses ou com 1 ano e 4 meses. Se começou a falar com 1 ano ou aos 2 anos. Ninguém se torna mais bacana que o outro só porque um desfraldou aos 11 meses e o outro aos 4 anos de idade.

É no momento que sentimos confiante e quando o corpo está pronto que começamos a arriscar passo a passo, um pé na frente do outro, e começamos a andar.

É no momento que sentimos liberdade e aceitação que queremos testar a nossa voz e confirmar que sai sons diferentes da nossa boca.

E isso tudo não pode ser visto como uma competição dos pais.

Para evitar essa comparação com os outros, eu tenho uma tática. Dificilmente consulto algo nos livros e internet. Então sinceramente, até hoje não sei com quantos anos um bebê tem que começar a falar. Não sei com quantos anos (ou meses) uma criança começa a andar. Mas uma coisa é certa. Eu sei que minha filha está se desenvolvendo e aumentando a quantidade de palavras que balbucia. O tempo que ela consegue andar na rua também está aumentando. Vários dentinhos já nasceram, faltam muitos ainda para nascer, mas não sei e não me importo quando deve nascer.

Não se importe se o filho do vizinho usa roupa de marca e está sempre arrumadinho. Se o filho do seu colega já foi viajar para o exterior, ou se ganha brinquedos bacana, ou se tem festinha de aniversário em buffet, ou se já está aprendendo inglês com 2 anos de idade.

Comparar com os outros traz frustração e infelicidade, porque a gente só enxerga o lado externo, e não sabemos as escolhas que a outra pessoa fez para pagar um aniversário em buffet, por exemplo.

Não comparar com os outros é a melhor cura e libertação que você pode dar para a sua alma. O que importa é o seu filho, não a dos outros.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

12 sinais de que você está criando seu filho para ser escravo

Beach boy with tablet
Beach boy with tablet

Andei lendo o texto “12 sinais de que você está criando seu filho para ser escravo” e fiquei muito feliz em perceber que tenho percorrido o caminho que eu acredito.

Algumas pessoas podem até achar “alternativo” o tipo de vida que levo e/ou a forma como quero criar meus filhos. Podem achar que eu tenho que comprar mais coisas, gastar mais, mas o importante é que eu e meu marido compartilhamos da mesma opinião, o que fortalece ainda mais nosso casamento.

Não vou copiar o texto neste post porque acho que o autor merece a leitura no próprio site, mas gostaria de comentar os tópicos (são 12):

1.) Você matriculou seu filho em uma escola que o prepara para o mercado de trabalho

Não. Não quero que minha filha se encaixe no mercado de trabalho. Como mãe, quero oferecer a liberdade e incentivo para ela decidir o que ela quer fazer. Aliás, esse é um dos motivos dela frequentar a creche municipal, ao invés de uma creche privada, pois sou daquelas que acredita no ensino público. Sei que não é simplesmente jogar seu filho na escola e achar que só os professores têm responsabilidades. Estudei a vida inteira em escola pública e quero coloca-la na creche municipal e na escola pública, ter maior diversidade racial e sócio-econômico. Provavelmente teremos que ser mais participativos, quem sabe ajudar a pintar a parede da escola, manter uma comunicação ativa com a comunidade local. Muitos me desencorajam dizendo que isso é puro romantismo, que não vai dar certo, mas eu acredito nas pessoas e acredito que isso pode dar certo.

2.) Você leva seu filho no shopping para passear

Eu e meu marido não passeamos mais no shopping, porque sabemos que shopping é o paraíso do consumo. Quando queremos passear, passeamos no parque, na rua, em qualquer lugar, menos no shopping.

3.) Você permite que ele tenha mais coisas que o necessário

Nós temos apenas o necessário. Isso faz com que a minha filha também não tenha mais coisas que o necessário, apenas o suficiente. Aliás, ela tem poucos brinquedos e roupas.

4.) Você acredita que ajuda seu filho quando executa tarefas simples pra ele

Vou dar um exemplo simples… quando minha filha era uma bebê, aprendeu a rolar e estava com o rostinho enterrado no colchão. Fiquei observando bem de perto para que não acontecesse nada com ela, mas deixei que ela se esforçasse um pouco para sair daquela situação, pois ficava pensando que seu a ajudasse sempre, ela não saberia o que fazer se ela enterrasse o rosto de madrugada, dentro do berço. Dar autonomia e independência também é tarefa dos pais.

5.) Você ensina seu filho a valorizar as coisas pelas marcas que elas carregam

Estou em processo de mudança, pois andei descobrindo que marca não é sinônimo de qualidade. Antes, eu não sabia disso porque não tinha condições financeiras de comprar marcas caras. Por isso sempre achei que marca cara era sinônimo de qualidade. Hoje vejo que muitas marcas são sinônimos de status do que de qualidade.

6.) Você não ensina seu filho a receber doações

Quando eu era mais nova, eu sempre recebia roupas das amigas da minha mãe. E adorava. E eu ganho roupas das filhas das minhas amigas. Por isso acredito que para a minha filha receber doações será algo natural.

7.) Você faz da alimentação por frutas e legumes algo pontual

Muito pelo contrário, aqui em casa quase não entra produtos industrializados. Um dos últimos itens industrializados que utilizamos em casa é o molho de tomate e caldo de galinha.

8.) Você o deixa ver televisão

Nós não assistimos televisão em casa. Temos uma televisão, mas só assistimos filmes e seriados. Isso aconteceu graças à NET. Nós tínhamos TV a cabo, e depois de um tempo, pedimos para retirar a TV a cabo e ficar somente com a TV aberta. Qual não foi a surpresa quando percebemos que eles arrancaram inclusive a antena coletiva do nosso prédio? Ficamos impossibilitados de assistir até canais abertos. E isso acabou sendo o passo que faltava para deixarmos de assistir televisão.

9.) Você não educa seu filho com uma medicina preventiva

Em casa eu tento alimentar a minha família de forma saudável, com alimentos naturais e frescos, não faço uso de remédios de forma frequente. Acredito que quanto mais um corpo for saudável, menos precisa-se de remédios.

10.) Você incentiva que seu filho tenha ídolos

Eu não tenho ídolos. Pra mim, herói é uma mãe que carrega um filho de 6 anos no colo, um pai que é mãe ao mesmo tempo, um médico que não esqueceu o seu juramento e trata seus pacientes da forma mais humanitária possível. Meus ídolos não são cantores, jogadores de futebol, modelos, milionários. Meus ídolos são pessoas simples. Quero ensinar isso para a minha filha.

11.) Você ensina as suas crenças para ele

Cada pessoa tem uma crença em relação a religião, modo de viver, trabalho, etc. Cada pessoa precisa descobrir as suas crenças e respeitar as diferenças. Inclusive respeitando a decisão dos filhos de qual crença irá seguir ou não irá seguir.

12.) Você não coloca em prática o que ensina para ele

Fala que não tem dinheiro, mas seu filho vê você gastando em shopping. Fala que não tem tempo, mas seu filho vê você fofocando com a vizinha. Os filhos são observadores. Por isso estamos sempre tomando cuidado para que o nosso discurso seja o mais coerente possível.

~ Yuka ~

Dinheiro, IF e FIRE

Gastos dos 7 meses aos 12 meses

Dando continuidade ao post “O que custa mais caro: ter um filho ou a vaidade dos pais?”, quero compartilhar com vocês como foram os gastos da minha filha, dos 7 meses ao 12 meses.

  • FRALDAS: Continuei usando as fraldas que ganhei no chá-de-bebê, por isso não tive gastos com fraldas por enquanto.
  • CADEIRINHA PORTÁTIL PARA ALIMENTAÇÃO: comprei o modelo portátil da Fisher-Price, pois minha casa é pequena. Muito bom, compacta, dá para instalar em vários tipos de cadeira. Possibilita tirar a bandeja, regular a inclinação e altura. Outro dia recebi a visita de uma criança de 3 anos que usou o cadeirão tranquilamente para almoçarmos todos juntos na mesa. Uma nova custa R$600,00. Eu comprei uma usada em ótimo estado por R$130,00.

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  • ITENS DE SEGURANÇA PARA CASA: protetor de tomada, protetor de quina para os móveis e trava para gavetas e vaso sanitário. A minha filha é muito curiosa, e sem esses itens, achei que seria arriscado.
  • REMÉDIOS: como todo bebê que começa a frequentar a creche, ela já teve gripe, virose, diarréia, conjuntivite. Então comprei remédios para ela.
  • ROUPAS: ainda estou usando as roupas que ela ganhou.
  • BRINQUEDOS: outro item que ainda não estou tendo gastos. Ela brinca com uma colher, panela, potes, escova de dente, lata de leite vazia, caixa de papelão, tudo vira brinquedo para ela. O que andei comprando foram livros infantis, pois vejo que ela adora livros.
  • ARTIGOS DE HIGIENE: como limpo o bumbum dela com algodão molhado, compro rolos de algodão para depois cortar, sabonete e xampu, dedeira para limpar os dentinhos.
  • MAMADEIRA, COPO DE TREINAMENTO E POTE TÉRMICO:
  • SAPATO
  • CADEIRA PARA CARRO: a partir de 12 meses, parece que aposentamos o bebê conforto para usar outro modelo de cadeira. Eu ganhei um usado da minha prima, para instalar no carro da minha mãe.

Como vê, ainda não tive tantos gastos com a minha filha.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Ter imaginação é um exercício para o cérebro

Fonte: pinterest
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A minha filha ainda é pequena demais para entender o que é o consumismo, mas gosto de mostrar para ela as minhas “invenções”. Uma garrafinha vazia com várias pedras de bijuteria dá um efeito lindo e vira um chocalho. Alterno o tamanho das garrafas e o conteúdo para ter barulhos diferentes, com arroz, milho, feijão…

Gosto de imaginar que ao me ver criando coisas a partir do nada, ela também irá aprender a se divertir usando a imaginação.

As crianças de hoje estão muito acomodadas em serem servidas. Os adultos precisam entretê-las o tempo todo. Um videogame, assistir televisão, mexer no celular, ter palhaços em festa…

Claro que não dá pra isolar os nossos filhos da realidade tecnológica existente hoje, mas se eu puder prolongar a infância, já vou ficar feliz.

Reclamamos de que as crianças de hoje não sabem brincar sozinhas, que estão viciadas em televisão, vídeo game e celular. Será que são as crianças ou somos nós que incentivamos? Outro dia o filho da minha prima que tem 6 anos veio fazer uma visita em casa. Quando chegou a hora de ir embora, ele disse que tinha gostado de um brinquedo da minha filha e veio me pedir todo envergonhado. Sabe o que ele queria? Uma garrafa vazia com um pouco de milho cru. Era esse o brinquedo que ele tinha gostado tanto e veio me pedir. As crianças de hoje continuam sendo crianças.

Brincar de bolinha de sabão, de seguir as formigas, pegar um cabo de vassoura e lençol e transformar em uma cabana, jogar bola, brincar de esconde-esconde, um graveto que vira varinha de condão, uma caixa vazia vira um carrinho, criar castelos de areia, brincar de adivinhar o formato das nuvens…

Perceberam que tudo o que falei não envolve dinheiro? Não gastar dinheiro se torna consequência das coisas que acredito.

E também porque meu lema é “comprar é mais fácil, criar é muito mais difícil”.

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

O machismo começa na infância?

criança brincando de passar roupa

Sempre ouço amigas e colegas reclamando que os maridos não ajudam em casa. Ou que até ajuda, mas a divisão das tarefas não é tão equilibrada, sempre pesando mais para o lado da mulher.

Já parou para pensar que talvez isso possa ser uma consequência das nossas atitudes?

Toda vez que uma criança do sexo masculino é reprimida pelos familiares ou amigos de brincar de casinha, de pentear o cabelo de uma boneca, vesti-la, segura-la no colo, coloca-la para ninar, brincar de passar roupa, andar com carrinho de supermercado, etc., intimamente, estamos falando que estas atividades não são adequadas para um homem, e sim, são tarefas exclusivas da mulher.

Esta criança cresce aprendendo de que não pode gostar de rosa, de flores e de laços. E cresce sabendo que há distinção de tarefas para homens e mulheres.

Ao definir tarefas desta forma, eu acredito que a chance desta criança se tornar um homem que não irá ajudar nas tarefas de casa serão maiores.

Imagine comigo: um menino que brinca de boneca pode se transformar em um futuro pai que dará colo para o seu filho. Um menino que brinca de fazer trancinhas nas bonecas, saberá naturalmente fazer tranças no cabelo da sua filha. Um menino que brinca de passar a roupa e limpar a casa, aprende desde pequeno que essas tarefas não são exclusivamente femininas. São tarefas dos dois.

Nós impomos que menino vista azul e menina rosa. Que menino brinca de carrinho e a menina de boneca. Que menino tenha uma caixa de ferramentas e a menina um kit de panelas. São estereótipos criados há muitos anos e continuamos sustentando, e pagamos um preço muito alto depois.

Será que estamos colaborando para perpetuar uma sociedade machista? Precisamos avaliar com carinho, pois a infância é o primeiro passo onde podemos mudar essa percepção.

Aqui em casa quem tem habilidade para pintar parede, trocar o chuveiro, montar um móvel, usar a serrote e a furadeira sou eu.

Já o meu marido é muito caprichoso nas tarefas de casa como lavar o banheiro, limpar a casa, lavar a louça, etc.

Ele não é menos homem por gostar de uma vassoura, nem eu sou menos mulher por ter uma caixa de ferramentas. Tentamos não criar estereótipos. Cada um executa o que faz de melhor.

Quem sabe não chegou a hora de dar uma boneca para o seu filho? Ou um carrinho para a sua filha?

~ Yuka ~

Auto-Conhecimento

Você tem medo da creche pública?

creche

Desde que descobri que estava grávida, uma coisa sempre ficou martelando na minha cabeça. Creche pública ou privada?

Durante a minha gestação, ouvi muitos comentários dos amigos e colegas que me davam “dicas” para não colocar a minha filha numa creche pública. Descaso, medo, distância da casa, flexibilidade de horário, enfim, eram vários os motivos.

Eu sabia de uma coisa: não dava para ter uma opinião de uma coisa que eu não conhecia. E por isso pedi para o meu marido fazer a inscrição assim que minha filha nasceu, em uma creche municipal do bairro, para aguardar ser chamada. A fila era longa (posição 302), e com a dúvida pairando no ar dela não ser chamada a tempo, fiz a matrícula em uma creche privada para garantir a vaga. Mas eis que após 6 meses de espera ao término da minha licença-maternidade, minha filha foi contemplada com uma vaga.

Eu e o meu marido estudamos a vida inteira em escola pública. Desde a pré-escola até a universidade. Esse fato pesou muito na hora da escolha. Outra coisa que notamos é a falta de diversidade racial nas creches particulares do bairro. Queríamos uma escola inclusiva, não uma escola somente de brancos, mas de brancos, negros, amarelos, pardos. Também queríamos estar perto de famílias de nível-social e econômico variado, pois acreditamos que conviver com as diferenças é um grande começo para ter mais paciência e tolerância com o próximo.

Para a minha filha que não terá festa em buffet,  não terá presentes caros, nem usará roupas de marca, estar inserida na creche municipal será fundamental para não criar um ambiente de ostentação e inveja, pois é difícil explicar para uma criança porque a amiguinha dela tem uma Barbie de R$300,00 e ela não; porque a amiga foi pra Disney e ela não.

E para quem ainda tem dúvidas (ou medo) de uma creche municipal, segue a comparação:

1.) Minha filha tem uma pele extremamente sensível. Um xixi mal limpo e logo dá uma bela de uma assadura, mas ela nunca teve assaduras na creche.

2.) A mochila dela volta todos os dias com 2 a 3 peças de roupas trocadas. E todas ainda estão cheirosas, somente um pouco suadas, ou seja, não deixam ela com roupa suada o dia todo.

3.) Todas as professoras têm curso superior e são formadas em pedagogia.

4.) Uma mãe estava oferecendo uma bolacha recheada para seu filho de 4 meses e resolveu oferecer para outra criança que estava olhando. A coordenadora pedagógica pegou a bolacha das duas crianças e falou que naquela creche, este tipo de alimento não era permitido.

5.) Outro dia meu marido foi buscá-la um pouco mais cedo e viu uma das professoras de peruca azul, óculos de maluca, batucando um tamborim para entreter os bebês de 4 a 10 meses, enquanto as outras professoras alimentavam os bebês. O esforço de todas as professoras é nítido e emociona qualquer pessoa.

6.) Também quando eu já estava deixando a minha filha na creche e indo embora, vi de relance a professora segurando a minha filha no colo e beijando a cabecinha dela. Não preciso nem falar como isso aqueceu o meu coração. Há creches particulares que visitei que se orgulhavam de não segurar os bebês no colo, mas nesta creche em que minha filha está matriculada, dão colo, abraço, beijos…

7.) Os bebês dormem em colchonetes, no lençolzinho dela que levo de casa semanalmente.

8.) Bebês que tiverem no máximo 2 faltas o mês recebem 5 latas de 400g (o que dá 2 kg) de leite em pó Nestogena (Nestlé) todos os meses.

9.) Têm 5 refeições por dia, com cardápio super variado de legumes, verduras e frutas, tendo inclusive acompanhamento nutricional. Não preciso levar leite, nem nenhum tipo de comida na creche.

10.) Após a aprovação da lei 16.140/2015, escolas e creches municipais de São Paulo estão começando a receber produtos orgânicos na merenda escolar.

Eu cheguei a visitar várias creches particulares. E a que eu fiz a matrícula a comida era natural, mas não era orgânica. O almoço e jantar eram incluídos, mas precisava levar o leite, as frutas, os lanchinhos. Na verdade, tinha que levar tudo, desde a mamadeira, copo de treinamento, brinquedos, até pano perfex, álcool em gel, caneta para tecido e retroprojetor, etc. E ainda teria que pagar uma mensalidade de R$1.500,00. Todas as creches que pesquisei na região onde moro estavam nesta faixa: entre R$1.300,00 a R$1.700,00 o período integral.

Depois que descobri que a fama ruim de uma creche municipal era preconceito das pessoas, fico pensando no interesse político por trás de todo o movimento para denegrir a imagem de uma creche e uma escola gratuita. Quem definiu que somente escola paga é escola boa?

Se você ainda tem dúvidas ou medo de uma creche pública, um conselho que dou é: não tenha pré-conceitos e vá matricular seu filho e tire a sua própria conclusão. Acredito que há muitas creches boas, mas também muitas creches que não são boas, por isso é importante avaliar e analisar cada caso, mas tenha em mente uma coisa: o que é importante não são as paredes brancas ou o parquinho novo. O importante é ver se as crianças são bem cuidadas e se estão felizes.

~ Yuka ~