Enxergar o lado bom das coisas é uma escolha

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Foto: Sebastião Salgado

Há alguns anos, participei de um congresso no Belém do Pará. Fui de ônibus partindo de São Paulo, o que significa que a viagem durou 2 a 3 dias. Tomei banho nos postos de gasolina das estradas. Chegando em Belém, uma pessoa que fiz amizade no ônibus, me ofereceu a casa de seus familiares para passar a semana do congresso, ao invés de dormir na escola com todos.

Após aceitar, descobri que ficaria em um dos bairros mais perigosos da cidade. O asfalto não havia chegado no bairro, alagava todos os dias, além disso não tinha saneamento básico.

Eu podia voltar atrás, inventar uma desculpa.

Mas eu realmente quis aproveitar a oportunidade para viver o que essas pessoas vivem no seu dia-a-dia. Eu, que sempre falei que tive uma infância pobre, descobri que não era pobre. Aliás, descobri os vários níveis de pobreza, e a minha pobreza, com certeza não era a das mais baixas.

Vivi e convivi com a comunidade local, aprendi inclusive, a moer açaí. E percebi como pessoas que têm tão pouco, podem ter um coração tão grande.

Essas pessoas generosas me ensinaram que saber enxergar o lado bom das coisas é uma escolha. São pessoas que apesar de todas as dificuldades do dia-a-dia, acreditam na honestidade do ser humano, abrindo as portas de suas casas para uma pessoa que nunca viram antes. Dividem a comida, oferecem cobertores, compartilham os sonhos…

E é isso que quero ensinar para as minhas filhas: que bondade independe de raça, de religião, do dinheiro, da opinião política, da orientação sexual.

Enxergar o lado bom das coisas é uma escolha que fazemos todos os dias quando levantamos da cama, requer esforço, e que precisa ser confirmada várias vezes por dia.

~ Yuka ~

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26 comentários em “Enxergar o lado bom das coisas é uma escolha

  1. Olá Yuka, quanto tempo eu não comento.
    Sempre leio os textos pelo email mas hj consegui dar uma passadinha aqui pra dizer que você continua sendo meu exemplo. Quando as coisas ficam difíceis eu corro pra cá e leio vários textos e meu coração se acalma. Você faz as coisas parecerem tão fáceis e lindas e aí eu fico focada denovo nose meus objetivos. Saiba que pra mim vc e uma grande amiga. Um beijo minha querida.

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    • Oi Janaina. Na era da superficialidade, fico feliz de verdade quando recebo mensagens assim, carinhosos. Obrigada por me acompanhar sempre. Um beijo pra você também, um bom início de semana pra você.

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  2. Amei o post! Na verdade amo todos os seus posts e apesar de não conseguir colocar em prática seus ideias, me sinto muito bem quando leio.
    Obrigada por acrescentar coisas boas e produtivas a nossa vida.
    Bjs

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  3. Oi Yukinha!
    Tudo bem ?
    Que post!!! Que post!!
    Fiquei emocionada lendo suas palavras, que sensibilidade você teve enxergar um lado bom. Essa sou Eu na vida!
    Sempre digo que tenho um lado Poliana de ser, eu brinco com meus filhos sobre ter lido Poliana na infância rs.

    É sempre bom ter pontos de vista diferentes, e empatia eu acredito que o mundo ta precisando muito de Empatia.
    É tão bom ser maleável faz parte da nossa evolução.
    Sabe as vezes internet é cansativa…e muitas vezes criamos o hábito de acessar as coisas, não falo dos blogs pois, amo muito ler e acompanho os que mais gosto e até gosto de interagir, eu gostava muito mais de interagir na época com Flickr era mais animada interagia com as artesãs, fiz algumas amizades… mas confesso que de uns tempos pra cá não sei o que anda acontecendo no mundo Artesanal. (aliás no mundo no geral também)
    Eu sinto as vezes uma nuvem pesada pairando aff…
    Que nem nas redes o único lugar que ainda estou é o Pinterest (que temos que nos policiar pra não guardar muita inspiração), já tentei ter pelo menos IG pra poder postar meus trabalhos, mas as redes estão ficando muito tóxicas não é como vir em um blog e você colocar seu ponto de vista, eu sinto na redes uma falta de amor ao próximo….eu nem sei daqui um tempo como vai estar tudo isso.
    Antes podia dizer vou somente absorver o que é bom, mas confesso que tem mais coisas ruins ….
    Ainda tenho esperança de dias muito melhores e que as pessoas sejam mais sensíveis e tenham mais empatia.
    Nossa falei muito kkkkk e ainda fugi do assunto rs.
    Obrigada por mais um post ❤
    Um Ótimo domingo e uma semana cheia de possibilidades e muita luz!

    bjs

    Dri 😀

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    • Oi Dri, acho que as pessoas que possuem uma visão Poliana da vida, têm muito a ganhar. Realmente, a internet é cansativa, repetitiva muitas vezes, e por isso mesmo, quando vejo pessoas escrevendo comentários legais aqui, fico super feliz, sabe? Parou um tempinho do que estava fazendo para ler e comentar. São essas atitudes, pequenas atitudes que me faz querer continuar escrevendo e compartilhando um pouco da minha rotina. Pra você também um ótimo início de semana. Beijos.

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  4. O problema ñ é a miséria, e sim a falta de segurança, depois q fiquei sabendo q uma mulher foi estuprada no banheiro do posto de gasolina, se eu tivesse q viajar eu preferiria ficar 1 semana sem tomar banho. E dormir em casa de desconhecido então, prefiro dormir na calçada da delegacia.

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    • Oi Amanda, quando tomei banho nos postos de gasolina, haviam várias mulheres no banheiro comigo, então em nenhum momento me senti insegura ou com medo. Mas concordo com você, precisamos avaliar a situação para não corrermos riscos, principalmente em locais desconhecidos. Beijos.

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  5. Muito legal essa experiência! Tb aprendi a sempre olhar os dois lados de tudo, e como sabemos hoje que nós construímos a vida que vivemos, depois que passei a procurar e focar nos pontos positivos, incrivelmente menos coisas negativas acontecem, e quando acontecem, consigo sair muito rápido do estado “problema”!

    Quando alguém me diz que estamos cercados de bandidos e de corruptos, por exemplo, sempre falo pra pessoa que isso é mentira e que eles são a minoria, caso contrário, não passaríamos um dia sequer sem ser assaltado na rua ou ser lesado de alguma maneira!

    Bjs e ótima semana!!!

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    • Oi Débora, essa “sensação” que você tem de que coisas melhores acontecem, quando você foca nos pontos positivos é real. É que nem quando eu estava grávida, parecia que todas as mulheres do mundo estavam grávidas rs. Agora quando saio de casa, a impressão que tenho é que todo mundo tem filhos pequenos. Mas isso acontece porque eu estou prestando atenção nisso. Então se passamos a prestar atenção nas coisas boas que a vida oferece, coisas boas começam a acontecer com mais frequência. Seu exemplo dos bandidos e corruptos é muito boa, é bem isso mesmo, se fossem a maioria, nós nem conseguiríamos sair de casa. Beijos.

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  6. Escolher enxergar o lado positivo da vida é um exercício diário, porém nós trás muito mais alegrias e realizações!!! Eu estou tentando isso a algum tempo, já mudei minha percepção das coisas, sempre foquei muito no negativo e no sofrimento e surpresa nada melhorou, eu apenas adoeci… Hj busco um novo olhar sobre tudo. Claro que de vez em quando me pego sendo a pessoa de antigamente, reclamona e dramática, mas são dias raros e não meu cotidiano.

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    • Oi Celia, por isso que enxergar o lado bom da vida é um exercício diário. É uma decisão que tomamos ao longo do dia. Toda vez que acontece algo com a gente, temos escolhas: a de se lamentar ou tentar mudar aquela realidade. Tenho certeza que seus dias estão melhores hoje do que quando você reclamava com mais frequência por um único motivo: você decidiu enxergar o lado positivo da vida. Beijos.

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  7. Olá Yuka, texto excelente como sempre. Gosto muito do trabalho do Sebastião Salgado também.
    Estou nessa busca pelo minimalismo e pelo conhecimento interno ha mais ou menos uns dois anos, lendo bastante e procurando conteúdo bom como esse do seu blog é que tenho conseguido mudar essa “chavinha” interna do negativo para o positivo. Como é libertador não sentir culpa pelo que já passou, e sim tirar um aprendizado de tudo para ter atitudes melhores a cada dia. Continue encorajando mais pessoas através dos seus textos.
    Um grande beijo e uma ótima semana.

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    • Oi Isis, essa “chavinha” é tão difícil de ser mudada, mas vale muito a pena fazer um esforço. Obrigada pelo carinho, pelo elogio ao blog rs. Um beijo pra você também.

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  8. Oi Yuka,
    Novamente adorei seu post, na verdade é difícil não gostar de nenhum, rsrsrs…
    Acredito que as pessoas mais pobres e humildes são as que mais tem à nos oferecer. Normalmente são pessoas alegres, bondosas, que sentem prazer em dividir o pouquinho que tem… Grande parte tem pouca escolaridade ou nenhuma, mas sabem ensinar lições de vida que nenhuma escola seria capaz de ensinar…
    Maravilhosa semana para nós!
    Abraços da Ju!

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    • Oi Juvanca, já tinha percebido mesmo que as pessoas pobres são as que mais compartilham… talvez porque conhece a fundo a dor da fome, da insegurança, do medo. Ajudam-se entre si. Beijos e boa semana pra você também.

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  9. que experiência bacana! valeu a pena não cair nas armadilhas do medo. você abriu sua mente, descobriu um universo por meio dessas pessoas! ótima reflexão!

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  10. Yuka,

    “Essas pessoas generosas me ensinaram que saber enxergar o lado bom das coisas é uma escolha. São pessoas que apesar de todas as dificuldades do dia-a-dia, acreditam na honestidade do ser humano, abrindo as portas de suas casas para uma pessoa que nunca viram antes. Dividem a comida, oferecem cobertores, compartilham os sonhos…”
    Temos muito, muito mesmo a aprender com as pessoas mais simples. Pelo seu post, deu para perceber que essa foi uma experiência muito rica e inesquecível para você.

    Enxergar o lado bom das coisas não é fácil, pois a ânsia por mais e mais atrapalha muito nossa compreensão do que realmente importa para nós de verdade e não o que a mídia e a sociedade tentam nos impor.

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    • Oi Rosana, enxergar o lado bom, muitas vezes não é fácil mesmo. Lembro que nessa mesma viagem, eu que sempre usei banheiro, vamos dizer, normal para os meus padrões, me vi tendo que fazer as necessidades básicas literalmente em um buraco, cercado de tábuas de madeira… embaixo dessas tábuas, havia um “rio” que passava, mas a água era preta, cheia de lodo, grossa. Não tinha noção de que era assim. Os moradores se preocupavam muito comigo para que eu não bebesse a água da torneira como eles, porque meu estômago não estava “acostumado”. Eu bebi mesmo assim. Viver e conviver com eles foi um choque cultural e sócio-econômico, de como a vida pode ser tão desigual, e ao mesmo tempo, um aprendizado sobre humildade e generosidade de um ser humano. Beijos.

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