Minimalismo

Filhos e dinheiro: como temos lidado – 4º post

Há uma novidade em relação as minhas filhas com dinheiro (elas têm 9 e 7 anos): elas estão ganhando mesada!

Antes de entrar no assunto mesada, deixa eu atualizar um pouco a situação delas em relação ao conhecimento sobre dinheiro.

As minhas duas filhas já entendem sobre juros compostos de uma forma lúdica. Elas também já faziam ótimas compras com o dinheiro que ganhavam esporadicamente, analisando o que queriam comprar, visitando várias lojas para conhecer os modelos disponíveis, analisavam o preço (custo e benefício), davam uma conferida no dinheiro que possuíam (já que não queriam gastar tudo o que tinham – pois sabiam que se gastassem tudo, o dinheiro não iria mais se multiplicar com o poder dos juros compostos) e finalmente decidiam pela compra. Chegava a ser gracioso ver a dúvida pairar na cabeça das meninas, ter tantas opções de escolha, e depois de muito tempo tomar a decisão por conta própria. Dava um baita de um orgulho.

Mas uma coisa que eu percebi, é que, por não saberem a próxima vez que iriam receber dinheiro extra, elas ficavam receosas em gastar o dinheiro. Como para mim, POUPAR dinheiro é importante, mas saber GASTAR BEM também é igualmente importante, achei que seria um ótimo exercício dar uma semanada. Desta forma, poderiam se planejar um pouco mais, e gastar o dinheiro que tem, sem criar aquela ansiedade de não ter mais nada na carteira.

Combinei que a ideia da mesada não era comprar brinquedos (já que compramos brinquedos apenas no aniversário, dia das crianças e Natal), e sim coisinhas de papelaria, doces, essas coisas de valor menor.

Eu não quero que elas tenham muito dinheiro, para não terem erros de interpretação em relação ao poder de compra, de achar que tudo é barato, fácil. Elas recebem 5 reais toda semana, o que dá cerca de 20 reais no mês. O valor da mesada é pequeno e a intenção não é que elas fiquem ricas com mesada, ou que consigam comprar tudo o que quiserem. Quero que elas entendam o raciocínio por trás do que estou fazendo. No futuro, esse ligue-os-pontos fará todo o sentido para elas.

Vejo crianças da mesma idade que elas ganhando 100 reais por cada dente que caiu, ou 300 reais no aniversário e fico de cabelo em pé, pois acredito que ao fazer isso, os pais estão dessensibilizando os filhos em relação ao real valor do dinheiro.

Ter uma mesada de pouco valor ajuda as crianças a entenderem o valor do dinheiro. Se antes achavam que um caderno de 50 reais era barato, hoje, ganhando a mesada, entendem que esse mesmo caderno é muito caro, e que podem sim, escolher um caderno mais barato. Uma delas viu uma touca no formato de panda e quando viu o preço (190 reais), desistiu, pois entendeu que era caro demais. É a mesada que está fazendo elas terem noção do que é caro e o que é barato, pois se tornou o valor de sua referência. Se a criança tem o valor de referência muito alto, a percepção se torna justamente o contrário, ela acha que tudo é barato.

Minhas filhas gostam de separar parte da mesada para investir, pois sabem que ao colocar parte do dinheiro dentro da minha gaveta, irá render juros compostos – são moedas e notas que eu acrescento de tempos em tempos, de acordo com o dinheiro que a criança deixa comigo, que elas carinhosamente chamam de “dinheiro grátis”.

Às vezes, elas se empolgam e querem investir tudo o que possuem, não deixando nada para os gastos do momento presente. Quando isso acontece, eu tento explicar que é mais importante ter consistência e poupar um pouco todos os meses do que poupar tudo e ficar retirando o dinheiro de tempos em tempos. E que também não podemos poupar tudo para o futuro e negligenciar o momento presente.

A minha filha mais velha fará 10 anos no ano que vem, e eu pretendo abrir uma conta em uma corretora de investimentos para que ela comece a comprar ações. E para que eu consiga fazer essa ponte – dos juros compostos e ações, de vez em quando, eu falo, como quem não quer nada, que eu tenho pedacinhos de empresas como a Disney, Mc Donalds, Amazon, Netflix, que são empresas que elas conhecem muito bem.

Para elas entenderem o que estou falando, peço para que imaginem uma empresa feita com milhões de peças de LEGO. E que cada peça de LEGO tem um preço, vamos supor que seja R$100. Então eu digo que sou dona de algumas peças da Disney.

Desta forma, consigo fazer com que elas entendam sobre investir parte do seu dinheiro em boas empresas, de forma bastante lúdica.

Começaremos pelas empresas brasileiras, já que ainda não é possível investir no exterior sendo menor de idade.

Quando vejo as minhas filhas usando a mesada de forma consciente e ainda poupando parte do dinheiro para receber juros compostos, percebo como é importante uma criança receber uma orientação financeira adequada.

Filhos e dinheiro: como temos lidado – 1º post

Filhos e dinheiro: como temos lidado – 2º post

Filhos e dinheiro: como temos lidado – 3º post

~ Yuka ~

Minimalismo

Trabalhar pode ser bom, quando não precisamos do dinheiro

Trabalhar pode ser uma experiência enriquecedora, quando não estamos totalmente dependentes do dinheiro. Esta frase tem se tornado cada vez mais verdadeira para mim nos últimos anos.

Primeiro, vi isso acontecer com o meu marido, quando alcançamos uma renda passiva do seu salário. Depois, essa percepção se estendeu a mim mesma, quando alcancei renda passiva do meu salário.

Durante toda a minha vida, trabalhei movida pela necessidade financeira, assim como a maioria das pessoas que não nasceram em berço de ouro. Não pude escolher a graduação que queria; tive que escolher a que era possível.

Se antes, meu salário servia para pagar as despesas da casa, hoje, é como um bônus adicional, uma fonte de renda que traz conforto e segurança financeira, o que me agrada muito, afinal, dinheiro para aposentadoria eu já tenho, dinheiro para reserva de emergência eu já tenho, planejei o futuro das minhas filhas. Então, posso usar a renda do salário para aumentar a felicidade da família, enquanto os meus investimentos continuam fermentando com a magia do tempo e dos juros compostos.

Continuar trabalhando também me permite eliminar qualquer preocupação futura em relação à minha carteira de investimentos, garantindo que meu patrimônio sobreviva por décadas sem necessidade de novos aportes.

Depois de ter alcançado essa tranquilidade financeira, a ideia de não trabalhar, algo que era tão sonhado e desejado por mim, tornou-se impensável pelo menos por enquanto, pois agora, consigo apreciar o valor do meu trabalho.

Compartilho essas reflexões, porque considero impressionante essa minha mudança de pensamento. O que antes parecia um fardo quase insuportável, hoje se transformou em algo prazeroso.

E é a partir desse ponto de vista que percebo que trabalhar pode ser uma experiência gratificante, quando não dependemos exclusivamente do salário para sobreviver.

~ Yuka ~

Minimalismo

Por que o diferente ofende tanto?

Imagem retirada do Pinterest

A frase acima por si só é auto explicativa, mas hoje quero apresentar algumas das coisas que são diferentes na minha família do que é considerado “padrão”.

Até os meus 40 anos não tive um carro, só comprei depois da pandemia. Eu já tinha carta de motorista, mas o meu marido não, ele só tirou aos 42 anos de idade.

Já morei em uma casa própria, mas vendi. Há muitos anos moro de aluguel e não tenho planos de comprar um imóvel.

Em casa, tudo é ao contrário do que é dito padrão homem-mulher. Meu salário é maior que a do marido, quem pinta parede em casa sou eu, além de montar móveis e fazer pequenas reformas residenciais. Já o meu marido, é muito bom nas tarefas domésticas.

Tenho poucas roupas no guarda-roupa. Sapato então, nem se fala.

Nos alimentamos de forma saudável (o que é um absurdo para muitas pessoas), e consumimos alimentos orgânicos (quase uma blasfêmia rsrs). Também pratico jejuns longos, o último que fiz foi de 50 horas.

Sei que geralmente são os homens que cuidam das finanças, mas em casa quem administra sou eu. Além disso, estávamos firme na jornada FIRE (Financial Independence Retire Early) e teve uma fase da vida em que poupávamos 75% da nossa renda familiar. Como já alcançamos um patrimônio ok, não nos preocupamos mais tanto em poupar.

Minhas filhas não possuem celular (outro dia fizemos uma viagem de carro que durou 10 horas, e ninguém acessou celular ou tablet) e agora estamos também sem televisão.

Isso aqui são só alguns dos exemplos que eu lembrei. Se pensar mais, surge muito mais.

Em todas as situações acima, de uma forma ou de outra, algumas pessoas tentam medir força comigo.

Eu acho curioso, porque eu realmente não me importo se a pessoa tem ou não tem um imóvel próprio, se a pessoa tem ou não tem religião, qual orientação sexual, se come carne ou se é vegano, se o filho estuda na melhor escola da cidade, ou numa escola pública do bairro… eu entendo que é uma escolha, uma decisão da pessoa, um gosto pessoal.

O que é importante para mim é o caráter da pessoa, o que a pessoa faz quando ninguém está olhando.

Mas o que eu percebo é que a recíproca, na maioria das vezes, não é verdadeira.

As pessoas se importam demais com o que os outros fazem de diferente, sendo que essas coisas nem afetam a vida delas diretamente.

Achei importante falar sobre isso, pois cada vez mais, vivemos em um mundo polarizado e dá a impressão que só há uma única forma certa de viver: a da pessoa que julga.

~ Yuka ~