Auto-Conhecimento

Em busca de uma vida imperfeita

Foto encontrada no Pinterest, sem fonte.

Ao longo destes meses que estive de férias do blog, fiz o máximo para abandonar a vida perfeita.

Eu sempre me esforcei para ser a filha perfeita, a esposa perfeita, a mãe perfeita, a chefe perfeita, a amiga perfeita…

Só que de uns tempos pra cá (olha eu colhendo os benefícios da terapia), eu percebi que isso exige de mim, e por isso, decidi que não queria mais ter uma vida perfeita.

Eu agora sou a mãe que tem preguiça, que chega em casa e deita no sofá.

Eu agora sou a amiga, que está com preguiça de falar com os amigos.

Eu sou a pessoa que relaxou na saúde e de quebra, deu uma boa engordada.

O problema é que como a vida inteira eu sempre fui meio que assim, a fazedora de tudo, eu percebi que estou numa fase em que alterno entre o tudo e o nada, entre o 8 e o 80, entre o quente ou frio.

Posso dar um exemplo da qual você vai entender.

Veja este blog. Eu antes, escrevia toda semana, faça chuva, faça sol, mesmo sem tempo, mesmo grávida com enjoo, mesmo com 2 bebês pequenas em casa, mesmo quando estava com depressão. Até que um belo dia, decido que não preciso ficar postando toda semana. E aí o que acontece? Eu sumo rsrs. De novo, oscilei entre o tudo ou nada.

Quem lembra quando eu era uma mãe que fazia cookies, bolos, tortas, fazia artesanatos, levava minhas filhas em parques todo fim-de-semana? Aí virei a mãe que não queria fazer mais nada. E agora estou buscando o equilíbrio… nem muito cá, nem muito lá.

Durante muito tempo, eu agradei demais os outros, e a maior prova foi ter convidado a minha irmã narcisista para o meu casamento, só para não entristecer a minha mãe. Gente, era o MEU casamento, eu poderia ter convidado quem eu quisesse, onde eu estava com a cabeça? Mas enfim…. já foi.

Às vezes, ainda sinto uma pontinha de saudade daquela minha animação e produtividade do passado, mas eu não quero mais ter a vida antes, entende? Eu estou preferindo levar a vida sem tantas grandes obrigações. Sem tantas anotações, sem tantos controles, sem tantas listas de tarefas. E para eu dizer isso, que sempre foi a louca das listas, é porque algo dentro de mim mudou.

Eu posso dizer com convicção que gosto mais da Yuka de hoje. Quando minhas filhas falam que estou preguiçosa, eu digo que sou mesmo, que gosto é de descansar e aproveitar a vida boa.

Vejo a casa revirada de brinquedos e aí faço o que? Deito na minha rede de balanço no meio da bagunça pra descansar, já que lutar contra é pior rs.

Toda semana, estou na minha aula de meditação com uma meia furada que mostra parte do dedo rsrs. Andar com meia furada era algo impensável para mim, mas atualmente, está tudo bem o meu dedão do pé me dar um oi.

Faço o que posso e tento aceitar o resto.

Esse meu novo comportamento também já está refletindo na criação das minhas filhas. Meu marido foi prestar um concurso há alguns meses e tínhamos combinado de que se ele passasse, faríamos uma festa surpresa. E uma delas perguntou… “Mas e se ele não passar?” E depois de pensar um pouco, ela mesma respondeu: “Bom, se ele não passar, a gente faz a festa do mesmo jeito, pois ele deu o seu melhor.” Que resposta mais linda, não?

Quando me despeço das minhas filhas para ir para o meu retiro individual de 1 dia, elas me abraçam e falam para eu aproveitar muito o meu dia de princesa e descansar bastante, pois hoje elas compreendem que eu também mereço ter o meu tempo de respiro.

Estou pegando mais leve no meu trabalho, sem exagerar na autocobrança, aprendendo aos poucos a ter mais autocompaixão.

Quando sinto que meu corpo está cansado, ou a mente exausta, tiro o dia para descansar, já que meu trabalho permite algumas folgas por ano.

E sabe qual a melhor parte de tudo isso? A vida continua, as pessoas ao meu redor continuam as mesmas, ou seja, nada mudou. As pessoas continuam gostando de mim, mesmo com toda essa minha imperfeição e que ficou mais fácil de viver.

E assim, de pouco em pouco, vou eliminando as minhas listas de tarefas intermináveis da qual tinha tanto apreço, tentando preencher os meus dias sem fazer de tudo, e sem tentar fazer o melhor.

~ Yuka ~

45 comentários em “Em busca de uma vida imperfeita

  1. Que gostoso ler a sua jornada, Yuka! É importante nos desprendermos da obrigação de sermos boas em tudo, até quando isso implica resolver o problema do outro. Vejo muito isso na minha mãe… até eu tento explicar para ela que tudo bem ela não querer lavar a louça ou se preocupar menos com as responsabilidades dos outros na casa, mas acho que o costume já tomou conta dela. Não precisamos ser muitas pessoas em uma só, dar tempo para leveza também é essencial. https://raelogia.blogspot.com/

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    1. Oi Geovana, não tá fácil encontrar esse equilíbrio por aqui, ou faço de mais, ou faço de menos. Ou seja, estou nas extremidades da eficiente ou da folgada rsrs. O importante é ter descoberto que todo esse esforço me cansava e que não preciso ser tudo isso para as pessoas gostarem de mim. Um grande beijo pra você.

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  2. Na contramão disso vemos vários infleuncers incentivando pessoas a entrar e permanecer na busca sem fim pelo máximo que ninguém sabe ao certo o que é.

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    1. Oi Anon, pois é, é uma busca pela perfeição, do sorriso permanente, de estar sempre em volta de milhões de amigos, de ir em busca de sempre mais, cada vez mais…. a gente sabe que não é bem assim que funciona e não é a toa que tantas pessoas estão “quebrando”. Beijos.

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  3. Excelente texto, principalmente porque hoje se vende muito uma busca desenfreada por produtividade que é completamente desumana mas que tem uma razão de ser, que é atender aos interesses de alguns poucos.

    Gosto bastante de uma frase que já vi por aí: quem mata um leão por dia uma hora é devorado pelo leão.

    Abraços!

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    1. Oi FT, então, essa busca desenfreada por produtividade, pela perfeição do corpo, da alegria permanente, chega a ser doentio. E a gente vê inclusive no trabalho, que as pessoas acham bonito não ter tempo nem pra almoçar… afe… não quero isso pra mim não. Quero vida longa pra mim rsrs. Beijos.

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  4. Olá Yuka, que ótimo ter você de volta. Senti muita saudade. Amo seus textos e te acompanho desde 2014, embora nunca tivesse comentado.
    Tenho 61 anos e aprecio sua sabedoria ecidenciada no jeito que toca a sua vida.
    Obrigada por textos tão inspiradores.

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    1. Olá querida Tita, que alegria saber que me acompanha há tanto tempo. Comente sempre que puder, eu adoro essa troca, ler o que vocês escrevem, saber a opinião de vocês. Um beijo!

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  5. Adorei o post Yuka! Me identifico bastante com o que disse. Também fico nessa constante busca pelo equilíbrio. Parece que depois de muito tempo priorizando algo em específico como o trabalho, a saúde desmorona pouco a pouco.
    Estou tentando perder a barriguinha priorizando a minha saúde para equilibrar a balança.

    Abraço Yuka!

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    1. Olá! Então estamos juntos na jornada para priorizar a saúde, comecei a natação e caminhada, e também a me alimentar direito. Afinal, quem está na jornada FIRE quer viver por muuuuuuuitos anos, não é mesmo? rs Beijos.

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  6. Adorei o post Yuka! Me identifico bastante com o que disse. Também fico nessa constante busca pelo equilíbrio. Parece que depois de muito tempo priorizando algo em específico como o trabalho, a saúde desmorona pouco a pouco.
    Estou tentando perder a barriguinha priorizando a minha saúde para equilibrar a balança.

    Abraço Yuka!

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  7. Muito obrigado por compartilhar conosco suas experiências.

    Aprendi muito com seu blog e contínuo aprendendo.
    Venho tentando, também, a manter um certo equilíbrio na minha vida. Sou uma pessoa que sempre se cobrou demais da conta, e hoje venho tentando desacelerar e ” Viver sem Pressa” rs…

    Parabéns!
    Forte abraço!

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    1. Oi Danilo, não sei se é o seu caso, mas no meu caso, ninguém me cobra, eu que me cobro, ou seja, eu sou o meu pior inimigo. É difícil quebrar um ciclo de pensamento, minha luta agora está nesse ponto, já entendi o motivo central da minha autocobrança, agora quero me libertar disso. Beijos.

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  8. Olá Yuka! que saudade de você!
    Olha, eu me vi muito no seu texto e consigo entender exatamente o que você sente.. Que bom que você está conseguindo se desprender dessa perfeição que só nos maltrata! Eu também sou extremamente perfeccionista desde criança, antes eu pensava ser uma “qualidade” mas ao longo dos anos eu percebi como isso me atrapalhou e me fez sofrer. É um misto de ter medo de errar, se sentir extremamente mal quando erra (e errar é humano, é a coisa mais normal do mundo!), me auto julgar demais, e eu deixo de tentar fazer coisas novas pq na minha cabeça eu não sou boa o suficiente para isso,, mas é o medo de errar que fala mais alto. Só sei que isso tudo me desencadeou uma ansiedade enorme que evoluiu para crises de pânico. Estou em tratamento há alguns meses.. tenho 28 anos, com a terapia estou aprendendo exatamente isso tudo que você escreveu. Não é fácil mas sei que aos poucos conseguirei me desamarrar dessa corrente que me prende, é assim que me sinto as vezes!

    obrigada por suas palavras, por nos ensinar com a sua vivência.. você é muito importante para nós, seus leitores!

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    1. Oi Karol. seu comentário detalha bem meu sentimento também. É uma gaiola que nos prende, que um dia alguém nos colocou lá dentro. Mas hoje, já não faz mais sentido continuar na gaiola, principalmente porque aquela realidade não nos representa nem um pouco. O difícil é conseguir sair desta gaiola, outro dia ouvi uma frase que “a voz interna, um dia já foi externa”, e é exatamente isso. A gente acha que é de um jeito, porque um dia, falaram que éramos daquele jeito. A terapia tem sido uma grande ajuda, nem eu sabia que tinha tantas questões a serem resolvidas rsrs. Beijos.

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    1. Oi Silvia, oww, não é uma fase fácil, não é mesmo? Uma bebêzinha que ainda depende tanto da sua atenção, e um filho que está entrando na pré-adolescência. Faça o que dá, e se não der, tudo bem. E não sei se é possível, mas tente tirar pelo menos algumas horas da semana só para você, para sair, espairecer, nem que seja tomar café na esquina de casa. Afinal, se a mãe não estiver bem, ninguém estará bem. Beijos.

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  9. oi Yuka, boa tarde,

    Eu entendo muito do que você falou. Essa auto cobrança no meu caso tem a ver com a imagem que eu faço de mim mesma, e que, às vezes, é bem difícil de desapegar. E nem é questão de perfeição ou não, mas de me cobrar do que acho q tem q ser feito. E tem o outro lado também, que isso às vezes torna a convivência conosco insuportável, porque se a gente dá conta, por que os outros não dariam? Sendo que o custo para a gente dar conta é sempre alto e a gente não percebe até estar completamente estressada.

    beijo e ótima semana!
    Dani

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    1. Oi Dani, no meu caso, eu não cobro muitos os outros, mas cobro demais de mim. É quase como um chicote invisível que eu tenho atrás de mim. Todos podem se atrasar, menos eu. Todos podem estar cansados, mas eu não. Todos merecem compaixão, e eu não. Que doideira, né? Ahhh quero me livrar disso logo! rsrs

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  10. Fiquei muito feliz por você. Sempre questiono esse fardo da perfeição que é cobrado e imposto, principalmente nos ombros de nós mulheres. Hoje mesmo vou relaxar e curtir minha caminha. Se eu estiver legal amanhã, faço o que for preciso. Reconhecermos que somos humanos imperfeitos é essemcisal

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    1. Oi Jussara, nossa nem me fale…. as mulheres sempre carregam os maiores fardos. Por isso sempre fico do lado das mulheres rsrs. Relaxe e curta sua cama sim, faça as coisas quando puder, e se puder. Se não puder, paciência, deixamos para um outro dia rs. E assim, vamos caminhando dando prioridade para a nossa saúde mental e física. Um beijo.

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  11. Como é bom ler seus textos, sempre tão sinceros. Não querer agradar os outros deve trazer uma leveza para nossas vidas, mas o processo é longo e tortuoso. Em relação ao fato de você ter ficado um tempo sem escrever, é até gostoso aguardar, cria uma expectativa boa e que sempre vale a pena quando leio algo novo. Yuka, obrigado por compartilhar seus sentimentos com a gente!

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    1. Oi Gleydson, tudo bem? Como você bem escreveu, esse processo é longo e tortuoso, principalmente quando a gente aprende a fazer assim desde criança. Obrigada pela espera, por aguardar meu tempo de escrita. Um beijo.

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  12. Nossa Yuka … esse post e vc foram muito muito necessários pra mim. Obrigada do coração… me identifico tanto com vc sem ao menos vc existir fisicamente em minha vida. Obrigada grandão beijo e felicidade pra vcs.

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    1. Oi Beatriz, que bom que esse texto fez sentido para você, pra mim também faz super sentido e é muito difícil mudar algo que a gente já se acostumou a fazer desde criança. Mas estamos aí pra aprender, não é mesmo? rs Um beijo pra você.

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  13. Yuka, ameiii o seu texto. A gente se cobra tanto que acabamos adoecendo. No fundo, não existe ninguém com um chicote para nos açoitar caso algo que deixemos de fazer deixe de ser feito. O nosso algoz somos nós mesmos. Fiquei inspirada pelo seu texto a também rever o meu comportamento. O período que ficamos aqui é tão curto, que chega a ser um desperdício vivê-lo com tantas cobranças. Fica com Deus!! Obrigada por compartilhar com a gente as suas experiências. Abs

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    1. Oi Andréa, tudo bem? Esse negócio de não existir ninguém com um chicote atrás é a pura verdade. Eu mesma, posso trabalhar sem estresse, mas sou eu que me cobro para ser uma ótima funcionária. Em casa também, me cobro para ser uma mãe boa, sendo que minhas filhas e meu marido nunca me cobraram para ser uma mãe melhor, eles já acham que sou o máximo rs. É um exercício diário ter autocompaixão, e acalentar a nós mesmas. Beijos.

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    1. Oi Anon, melhor coisa, né? Pena que só descobri recentemente, e ainda estou no processo de aprender, porque volta e meia, me vejo indo em busca da perfeição, que não quero mais.

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  14. Olá, descobrí seu blog há uns meses e estou encantada. Admiro sua maneira de pensar!! Realmente o que tenho buscado ultimamente é ter tempo, tempo pra mim, pra minha familia…para descansar, hobbies, etc.
    A coisa mais preciosa que existe é o seu TEMPO…tão desprezado hoje numa sociedade maximalista e estressada…dizem que dinheiro recuperamos mas o tempo não…PURA VERDADE!!
    Creio que tempo não é dinheiro e sim muito mais valioso que o dinheiro. Através do minimalismo estou mudando minha mentalidade. Lí o livro “Essencialismo” que fala sobre isso…excelente livro. Abçs

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    1. Oi Sheila, bem-vinda ao blog! Sim, o tempo a gente não recupera, por isso é muito importante fazer certas coisas no momento certo. Por exemplo, muita gente acha um absurdo, mas eu e o marido, dormimos com as meninas até hoje, porque elas pedem, elas adoram se aconchegar na gente. E fazemos isso justamente porque elas sentem necessidade, elas gostam, e sei que daqui a alguns anos, elas não irão querer mais que a gente durma com elas. É um tempo que não se recupera, e aí, não vai adiantar depois falar, ah, devia ter ficado mais com elas… Beijos.

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